Curiosidades Bíblicas

Curiosidades dos aspectos culturais, sociais, geográficos e religioso!

Sermões

Sermões fáceis de pregar

Pensamentos de Ellen White

Coleção de Pensamentos de Ellen White - Diversos Temas!

Sermões para Ocasiões Especiais

Batismo, Santa-Ceia, Formatura e muito mais!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Missionários Acorrentados

Desde que me tornei um pastor há treze anos, tenho percebido pessoas com grandes talentos, nas mais diversas áreas, mas completamente alheias ao trabalho missionário. São prodígios nas suas áreas de trabalho, reconhecidas e condecoradas, mas no trabalho divino de “pescar homens” não conseguem se desenvolver, não por incapacidade, mas por que estão presas por estratégias satânicas.

Jesus ao montar sua equipe de trabalho recrutou homens habilidosos em suas respectivas áreas de atuação. Um grande exemplo foi à convocação de Pedro e André, pescadores profissionais, que ouviram de Jesus: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Marcos 1:17).

Mas o maior exemplo de missionários inutilizados está em Mateus capítulo oito, na história dos dois endemoninhados gadarenos. A descrição bíblica destes homens é terrível: “Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho” (Mateus 8:28).

É importante lembrar que Jesus e os discípulos haviam atravessado o mar da galileia em busca de paz e descanso, mas enfrentaram uma tempestade na travessia e ao desembarcarem se depararam com essa situação. A presença de Jesus em nossa vida não nos livra das dificuldades, mas nos dá segurança para vencê-las!

Harmonizando os relatos de Mateus (8:28 a 34), Marcos (5:1 a 20) e Lucas (8:26 a 39) temos uma descrição mais ampla da aparência e condição destes homens endemoninhados:  

- Viviam em um cemitério, ali era o lar desses homens.
- Amarrados com correntes, que sempre quebravam.
- Não usavam roupas, andavam nus e desprotegidos do sol, chuva e frio.
- Não aparavam a barba nem os cabelos; imagine a aparência deles.
- Não tomavam banho, por isso, o cheiro e a imagem deles eram assustadoras.
- Rangiam os dentes e espumavam pela boca.
- Feriam-se com pedras – sangue e sujeira misturavam-se.
- Havia uma legião de Demônios naqueles homens, uma legião era uma parte do exército romano de 2.500 a 6.000 soldados.         

Dois filhos de Deus acorrentados por Satanás, vivendo em circunstâncias piores que animais. É assim que satanás quer fazer com as pessoas. É assim que vive uma pessoa longe de Jesus e que, talvez por fora, ainda possa estar bonito, mas o interior já é uma desolação. 

Existem dois tipos de pessoas endemoninhadas. O primeiro é quando o indivíduo perde a consciência para Satanás e seus demônios. Neste tipo a pessoa fica fora de si e sua mente é entregue ao domínio dos espíritos do mal. A voz muda, a força é aumentada e a pessoa após liberta não se lembra de nada. Assim estavam os gadarenos.

O segundo tipo de endemoninhado é aquele quando a pessoa é usada por Satanás sem ela perceber, inconscientemente. Eva quando levou o fruto para Adão foi usada pelo inimigo de Deus! Mas um exemplo mais explícito foi quando Pedro tentou dissuadir Jesus da morte sofredora e ouviu de Cristo o que realmente estava acontecendo: “arreda Satanás!” Naquele momento Pedro estava dominado por Satanás. Esse é o pior tipo, pois não percebemos com facilidade.

Ao libertar aqueles homens das correntes malignas, os demônios pediram para tomarem os porcos que estavam ali. Satanás tinha um plano. O povo local dependia economicamente da criação de suínos, e sabia que matando os porcos as pessoas ficariam contra Jesus. E foi isso que aconteceu. Depois de jogar ao mar toda manada, a população local pediu para Cristo ir embora.

Satanás sabe a importância que as pessoas dão para seus negócios, e ao destruir os porcos estava tentando atrapalhar a missão de Jesus. Quando os donos dos porcos viram o prejuízo, não pensaram na libertação daqueles homens, mas na perda financeira.

Muitas pessoas hoje estão mais preocupadas com os negócios do que com a salvação das almas. Investem milhares de reais nos negócios do mundo, mas não conseguem investir o mesmo nos negócios de Deus.

Mas se a morte dos porcos traria a rejeição de Jesus naquele local, por que Jesus permitiu aos demônios que assim o fizessem? O plano maligno funcionou? Aparentemente sim, mas Jesus tinha um plano também, muito melhor do que o de Satanás, descubra na seguinte citação:

“Fora por misericórdia para com os donos desses animais, que Jesus permitira lhes sobreviesse o prejuízo. Achavam-se absorvidos em coisas terrestres, e não se importavam com os grandes interesses da vida espiritual. Cristo desejava quebrar o encanto da indiferença egoísta, a fim de Lhe poderem aceitar a graça.” 
E.G.W. DTN, 338. 
   
Jesus tinha intensões a mais, pois seu foco sempre foi nas pessoas. Os homens libertos e agora sãos queriam ir com Jesus, mas Ele pediu que eles pregassem naquele local. Essa região era chamada de Decápolis, cidades onde o paganismo e idolatria reinavam. O próprio Cristo e seus discípulos não teriam sucesso naquele local, mas a nova dupla missionária sim.

A Bíblia relata que aqueles homens começaram a pregar e testemunhar na região de Decápolis: “Então ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam” (Marcos 7:20).

Os homens que um dia foram acorrentados agora eram missionários. Eles prepararam as pessoas da região e quando Jesus voltou a Decápolis encontrou uma multidão que queria ouví-Lo (veja Marcos 7:31 a 33; 8:1 a 10). Foi ali em Decápolis que Jesus fez a segunda multiplicação de pães e peixes, para quatro mil homens! Estudiosos estimam cerca de dez mil pessoas incluindo mulheres e crianças.   

Assim como Satanás acorrentou por muito tempo esses dois missionários, ele faz o mesmo hoje com pessoas de grande potencial e talento. As correntes de hoje são o trabalho em excesso, falta de tempo, desejos materiais, busca de poder e dinheiro, relacionamentos ilícitos ou qualquer coisa que te desvie do foco de salvar as pessoas por quem Cristo morreu.

Pr. Yuri Ravem
Pastor do Distrito de Sumaré - SP


O desafio de continuar acreditando


É tanta notícia ruim  - corrupção, violência, economia estagnada, falta de ética, decadência moral, falta de educação, etc., etc. - que é realmente um desafio não se deixar abater e continuar trabalhando, continuar acreditando, continuar sendo honesto, não perder os valores e continuar vivendo com princípios elevados.

Temos que vencer esse desafio acreditando que ainda existam pessoas honestas, políticos que se preocupem com o bem comum, funcionários que trabalhem em benefício dos clientes, policiais que se preocupem em cuidar da segurança pública, juízes que julguem com isenção, prestadores de serviço que cumpram prazos e horários, professores que ensinem, chefes preocupados em fazer seus subordinados crescerem. Enfim, temos que fazer um esforço para acreditar que o mundo não está perdido. Do contrário, vamos nos abater de tal maneira que iremos  apenas engrossar a fila dos que não acreditam em mais nada, jogaram a toalha e vivem num mar de lamentações. Ao nos abatermos estaremos fazendo o jogo dos sem caráter. É isso que eles querem. Eles querem que as pessoas de bem desistam.

Temos, portanto, que nos desafiar a encontrar, talvez como uma agulha num palheiro, e em seguida valorizar quem é honesto, quem trabalha, quem é moralmente defensável, quem pauta sua vida por valores éticos elevados. Embora não seja muito fácil encontrar pessoas assim é preciso acreditar que elas existam e que num mundo cheio de podridão elas, muitas vezes, se escondem, se sentem sem força para falar, para lutar, impotentes para defender seus valores, suas ideias, seus princípios. Temos que dar valor a quem trabalha, quem estuda, quem se esforça, quem ajuda, quem participa, quem se compromete. Temos que proteger os bons e punir os maus, pois quem poupa os maus, ofende os bons.

E por fim, temos que fazer um esforço para acreditar na democracia e votar com consciência de que nosso voto pode fazer a diferença na construção de um Brasil melhor, de uma sociedade menos injusta. Enfim, temos que fazer a nossa parte para vencer esse enorme desafio e jamais perder a esperança de que a verdade, a justiça e o bem vencerão. Não podemos nos abater frente ao desafio de construir um mundo melhor. E muito disso, depende de cada um de nós.

Pense nisso. Sucesso!



PROF. LUIZ MARINS

Antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University/School of Behavioural Sciences) sob a orientação do renomado antropólogo indiano Prof. Dr. Chandra Jayawardena e na Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação da Profa.Dra. Thekla Hartmann;

- Licenciado em História (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba); estudou Direito (Faculdade de Direito de Sorocaba); Ciência Política (Universidade de Brasília - UnB); Negociação (New York University, NY, USA); Planejamento e Marketing (Wharton School, Pennsylvannia, USA); Antropologia Econômica e Macroeconomia (Curso especial da London School of Economics em New South Wales) e outros cursos em universidades no Brasil e no exterior. 

domingo, 27 de abril de 2014

SALMO 19 – SUBLIME CONTEMPLAÇÃO


Contemplar é muito mais do que ver ou enxergar. Ver é perceber com a vista. Contemplar é ver com a inteligência; é demorar o pensamento naquilo que estamos vendo e tirar conclusões inteligentes a respeito do que vemos. No salmo 19, Davi pôde contemplar 3 diferentes fontes para ver a perfeição de Deus, e se aperfeiçoar em sua natureza humana. Este salmo nos conta como Deus é perfeito e como podemos nós ser também perfeitos. Ele contempla em 3 livros a respeito da perfeição divina e humana.

A estrutura do salmo tem uma correspondência que pode ser logo percebida:
 
A. A Revelação da Natureza Universal (vs. 1-6): Livro 1
B. A Revelação da Natureza da Lei de Deus (vs. 7-11): Livro 2
C. A Revelação da Natureza do Homem (vs. 12-14): Livro 3

I – CONTEMPLANDO OS CÉUS

Davi contemplou os céus e se deslumbrou diante de tanta glória. Mas ele não se iludiu com o brilho e a luz fulgurante das estrelas; ele sabia que atrás de tudo isso estava a glória de um de um Ser Todo poderoso: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (v. 1). Os céus testificam da glória divina. Este é o livro da Natureza universal, de onde aprendemos do Seu Autor. Se nós queremos saber quão glorioso é Deus, então, só temos que levantar os olhos, e contemplar os céus. Então, veremos a Sua perfeição em todos os Seus atributos não comunicáveis e exclusivos de Sua onipotência, onipresença e onisciência.

Mas muitos cientistas hoje estão proclamando e promovendo a teoria do “Big Bang”, ou a grande explosão, proposta por George Lemaître (1927) para a origem do universo, baseada no fato de um universo em expansão, que pode ser constatado. A partir de uma expansão, pode-se retroagir e chegar à explosão, porque uma explosão sempre resultaria numa expansão. Entretanto, há controvérsias mesmo entre os cientistas que rebatem dizendo que essa expansão poderia ser apenas algo regional de um ponto observado pelos grandes telescópios e não a realidade de todo o universo. E ainda está surgindo a teoria de vários universos.

Nosso universo jamais poderia ter nascido de uma explosão cósmica, segundo a qual as galáxias teriam se desenvolvido e se organizado de modo harmônico, com estrelas e seus planetas girando ao seu redor com as suas leis matematicamente exatas. Não precisamos de muita ciência para descobrir o que acontece após uma explosão: ruína, destruição e morte. Nunca aconteceu ordem, harmonia e vida depois de uma explosão. Quando as torres gêmeas foram explodidas, não resultaram em mais 1.000 prédios edificados perfeitamente. Pelo contrário, houve destruição, caos, ruínas e morte. O resultado não foi evolução, mas degeneração. Davi, muito longe das teorias modernas dos cientistas atuais, em um momento de inspiração divina, disse que os próprios céus proclamam a glória, a majestade e o poder de um grande Deus Criador.

Nossa galáxia, que se chama “Via Láctea”, é apenas uma. Entretanto, os astrônomos já descobriram bilhões de outras galáxias no espaço sideral. E cada galáxia possui de 100 mil até 3 bilhões de estrelas, com seus planetas, e luas, além de outros corpos celestes. Em nossa galáxia, há cerca de 250 bilhões  de estrelas, e o nosso Sol é apenas 1 estrela anã que brilha entre tantas gigantes e supergigantes. Mas se o Sol se parece pequeno, essa estrela anã é 1.300.000 vezes maior do que a terra. Para termos uma ideia do tamanho dos céus: a nossa galáxia tem 100 mil anos-luz [AL] de diâmetro. Cada ano-luz tem cerca de 10 trilhões de kms. Isso nos leva a 1 quintilhão de kms de diâmetro (1.000.000.000.000.000.000 = 1018). Só a nossa galáxia.

Isto significa que se fôssemos viajar pela extensão de apenas uma galáxia, a nossa, que não é das maiores, deveríamos viver 100.000 anos para percorrer o espaço à espantosa velocidade da luz, que é de 300.000 kms por segundo!
Mas a nossa galáxia é ainda muito pequena. A “Galáxia M60: M60 é uma galáxia do tipo elíptica, seu diâmetro é de 55 milhões de anos-luz (520 quintilhões de km), o que acaba sendo 550 vezes maior que o da Via Láctea, que é de "apenas" 100 mil anos-luz.”  Isto é: 1 quintilhão de kms comparados com 520 quintilhões da galáxia M60! Imagine agora, se puder, como que seria o tamanho do Universo com centenas de bilhões de galáxias!

Quando Cristo voltar Ele nos levará através de todo esse infinito céu de trilhões x trilhões de kms de extensão por apenas uma semana! Então, poderemos dizer com o salmista: “Os céus proclamam a glória de Deus” e cantarmos o hino Aleluia de Händel, com os anjos ao contemplarmos tanta luz, tanta glória das coisas criadas por um infinitamente mais perfeito e glorioso Deus.


Fotografia da Via Láctea, com seu diâmetro de 100.000 AL

Com efeito, bem poderia o salmista Davi cantar: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos!” Mas ele não conhecia os dados astronômicos que hoje nós temos. Portanto, nós podemos cantar este hino com muito mais convicção e eloquência, em um mundo que nega o Criador, apesar de tanta luz, tanta glória e tanta evidência anunciando a Sua existência, os Seus atributos e a Sua própria divindade! (Rm 1:20).

Portanto, aqui temos as lições que tiramos dos céus:
1 - A excelência dos céus indica a perfeição infinita do seu Autor.
2 - O brilho dos céus proclamam que o Criador é luz.
3 -  A vastidão de sua extensão fala-nos da imensidão de Deus.
4 -  Sua altura revela a transcendência e soberania do Criador.
5 - Sua influência sobre a terra nos fala de Seu domínio, providência e beneficência universal.
6 - Sua totalidade em completa perfeição e harmonia revela a onipotência divina, sem a qual nada disso poderia ter vindo a existir.

Aqui está a visão climática de Davi que ao iniciar o salmo, falou de sua contemplação extraordinária do que revelam os céus. Ele, como faz muitas vezes, começa revelando o máximo em uma só sentença, e então, ele passa a desdobrar o mais particular.

De que modo os céus revelam a glória de Deus? Através do dia e da noite. V. 2: “Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.” A palavra-chave é “revela”. Há uma revelação que nos vem através do dia e da noite. O dia revela muita glória através do Sol, que brilha mais e mais intensamente, até a sua máxima perfeição. Mas a noite revela ainda mais glória porque deixa expostas as estrelas longínquas.

Contemple uma noite estrelada. Quantas estrelas você pode contar brilhando nos céus escuros? O antigos diziam 1000, 2000, 5000 estrelas. Mas hoje nós concordamos com Deus que disse a Abraão e a Jeremias: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes.” “Não se pode contar o exército dos céus” (Jr 33:22; Gn 15:5). Somente Deus pode contar as estrelas e bilhões de galáxias (Is 40:26). De fato, contemple os céus no fundo escuro da noite, e você verá muitos pontos luminosos que você dirá: “São estrelas, muitas estrelas!” Mas os astrônomos, com os seus poderosos telescópios, dirão: “Não, não são estrelas; cada ponto luminoso são galáxias com milhões de estrelas com seus planetas e satélites brilhando a trilhões de kms de distância.” Sim, eles estão lá em cima e lá embaixo, declarando a glória de Deus.

Mas, como podemos perceber a comunicação do dia e da noite? Os céus têm uma comunicação ímpar, completamente única: “Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som.” (V. 3). Não há linguagem humana pela qual as nações possam perceber diferentes idiomas, não há palavras articuladas, nenhum som inteligível se pode ouvir. “No entanto”, há um alcance dessa revelação. É um alcance global: “Por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo.” (v. 4).

Onde temos um exemplo, o maior representante da glória divina, que pode ser visto a olho nu? Olhando para o horizonte leste, vamos parar “nos confins do mundo”. “Aí”, o Criador “pôs uma tenda para o sol”. Aqui temos um vívida ilustração da glória de Deus. Os céus proclamam essa glória de modo geral; mas, de modo particular, isto é mostrado especialmente pela luz e resplendor do Sol, visto em suas jornadas pelo homem. O Sol foi particularmente mencionado, sem dúvida, porque é o mais proeminente objeto entre os corpos celestes, contemplado da terra, para ilustrar de modo eminente, a glória de Deus.

O salmista em figura, diz que há uma “tenda”, um lugar de habitação para o Sol. Naturalmente, esta é uma linguagem figurada. Assim disse também o profeta Habacuque: “O sol e a lua param, nas suas moradas.” (Ha 3:11). Mas nós sabemos que nem o Sol nem a Lua “param” e nem tem literalmente “moradas”. O profeta descreve o fenômeno como ele aparece a todos. Ele não apresenta nenhuma teoria astronômica; possivelmente, ele não conhecia a rotação e a translação. Tanto o profeta como o poeta Davi falam na linguagem comum do povo, a linguagem do dia a dia, como dizemos o “pôr-do-sol”, o “ocaso do sol”.

Como é descrito esse glorioso representante de Deus? “Como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até a outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor” (V. 5-6). Aqui temos um aspecto polêmico do salmista. Os pagãos adoravam o Sol e diziam que ele era o “grande noivo” e o seu “grande herói”. Davi diz que ele era “como” noivo e “como” herói, dando a sua interpretação inspirada, e censurando a idolatria do sol. Ele é apenas um representante de Deus. Não devemos adorar a Criação como deus, mas o Deus da Criação.

II – CONTEMPLANDO A LEI DE DEUS (VS. 7-11)

O salmista Davi agora, depois de contemplar os céus e descrever o Sol, em seu resplendor, ele tem uma visão de uma outra Luz, uma outra revelação ainda mais ampla, mais particular e benéfica, que nos dá uma visão muito maior da glória e perfeição de Deus. Ele contempla o Sol da Justiça revelado na Lei do Senhor. Esta é uma luz muito mais fulgurante para declarar a luz do caráter perfeito de Deus. Ele diz: “A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.” (V. 7).

Davi contemplou as leis do universo natural, as estrelas obedecendo ao seu Criador, o Sol em seu trajeto infalível. Viu nessas leis uma ordem matemática e perfeita. Então, transpôs o seu pensamento para a contemplação de uma outra Lei que possui maior luz que o Sol físico. Ele disse: “A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.” Este é o segundo clímax do salmo. Aqui temos a perfeição de Deus revelada através da “Lei do Senhor”. Aqui temos a segunda e mais fulgurante Luz da revelação de Deus. Se o Sol aquece os nossos corpos, o Sol da Justiça aquece o nosso coração, e ilumina a alma.

O que é a “Lei do SENHOR”? Podemos pensar nos 10 Mandamentos, e de fato, eles são perfeitos como a norma moral de conduta para o homem. Jamais foram igualados, jamais foram superados por algum grande filósofo da humanidade, e ainda continuam perfeitos. Mas a palavra “Lei” aqui é a “Tôrâh” que significa toda a revelação e ensino de Deus no Antigo Testamento e agora, para nós, depois de Davi, tudo o que temos de ensino e revelação do Novo Testamento. Portanto, “Lei” aqui define e inclui os Dez Mandamentos, mas vai muito além, e alcança toda a Bíblia em sua inspiração como a perfeita Palavra de Deus revelada a nós. Podemos dizer que a Tôrâh significa a Lei e o Evangelho, em síntese, e inclui tudo o que os profetas disseram.

Como o salmista identifica a Lei do Senhor? A “Lei do SENHOR” é amplamente demonstrada no salmo 19. Davi, usando os recursos da poesia hebraica, apresenta 5 paralelismos sinônimos, a fim de que não tivéssemos dúvida alguma sobre o seu significado e a riqueza daquilo que ele estava falando: a Lei do Senhor é: 1- “Testemunho do Senhor”, 2- “Preceito do Senhor”, 3- “Mandamento do Senhor”, 4- “Temor do Senhor”, 5- “Juízo do Senhor”. Este é o “Livro do Senhor” (Is 34:16).

QUAL É A NATUREZA E O PODER DA LEI DO SENHOR? 

1 - “A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”. Não tem erro, não tem defeito, é completa, e nada falta em seu todo que é completo, pleno. A Lei de Deus é completa como uma revelação da verdade divina. Ela é perfeita como uma regra de conduta. Ela é perfeita como uma fonte de inspiração e ânimo para a vida. Ela é perfeita para ensinar a plenitude da verdade. Ela é perfeita para indicar o caminho da salvação.

A Igreja Católica julgou que a lei perfeita dos Dez Mandamentos precisava ser modificada, a fim de que fosse ainda mais perfeita. Os líderes católicos retiraram o 2º mandamento, que proíbe a adoração de imagens; substituíram o 4º mandamento, da santificação do sábado pelo domingo; e para conservarem o número 10, dividiram o 10º mandamento em dois. Mas a lei perfeita não pode ser aperfeiçoada. Eles caíram em erro, porque adicionar algo a uma coisa perfeita é torná-la imperfeita.

Por semelhante modo, a mesma igreja também atacou a Bíblia como um todo, porque nega as grandes verdades da Palavra de Deus, ensinando doutrinas estranhas, como a intercessão dos santos, a imortalidade da alma, a existência de um inferno presente, do tormento eterno e do purgatório, bem como a idolatria de imagens de escultura e da virgem Maria, a quem denominam de “mãe de Deus”, esta pobre criatura mortal.

Ainda ensinam a “criação” diária de Cristo na missa através do “milagre” da transubstanciação. Além disso, essa igreja inventou um sacerdócio terrestre, desviando os homens do Santuário celestial, onde Cristo intercede por nós. Desse modo, milhões estão sendo enganados, ignorando que há uma dupla maldição na Bíblia para os que adicionam ou retiram algo da Lei de Deus ou de Sua Palavra (Ap 22:18-19). Mas a Lei do Senhor, a Palavra de Deus, é perfeita e não admite intromissões.

Mas qual é o poder dessa Palavra? “Restaura a alma”. Perdemos a imagem de Deus, a beleza, a força e a saúde espirituais; precisamos de restauração, “porque todos pecaram” (Rm 3:23). A Palavra de Deus nos converte, restaurando a nossa alma, e consertando os estragos do pecado. Necessitamos dessa restauração diariamente. Somos nascidos pecadores, necessitados de perdão e salvação. Pois tudo isso nos promete Deus em Sua Palavra. Ela restaura a nossa vida espiritual, e é o único poder capaz de quebrar os encantos do pecado e nos elevar ao nível de filhos de Deus. Nesta frase, neste clímax, o salmista faz uma síntese de tudo o que tem a dizer. Se “a Lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma”, então, o Senhor dessa Lei também é perfeito, e para sermos perfeitos, devemos buscar ao Senhor da Lei. Somente a comunhão com um Deus perfeito nos fará perfeitos.

2 - “O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices” (v. 7). Davi conhecia muito bem os Testemunhos; ele disse certa vez: “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus Testemunhos.” (Sl 119:99). Disse Jesus Cristo que as Escrituras testificam dEle: “Examinais as Escrituras... e são elas mesmas que testificam de Mim,” (Jo 5:39). Ele é a “Testemunha Fiel e Verdadeira” do Apocalipse. (Ap 3:14). Esse Testemunho do Senhor é fiel, porque é digno de confiança e representa com exatidão o caráter de Deus, e nos transmite a sabedoria divina, mesmo que sejamos simples, sem a instrução das faculdades de Teologia.

Cada pessoa pode encontrar o testemunho fiel e fidedigno nas Sagradas Escrituras. Pessoas símplices serão colocadas entre os grandes deste mundo que se admirarão como os líderes judaicos se surpreenderam diante dos apóstolos: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus.” (At 4:13).

3 - “Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração” (v. 8). Todos os preceitos divinos são retos, corretos, direitos; não são tortos, tortuosos, não nos iludem com promessas falsas, mas nos indicam um caminho proveitoso e, portanto, ao nós descobrirmos essa retidão da Palavra de Deus por experiência, a nossa alma encontra a alegria. Retidão e alegria sempre vão de mãos dadas, e estão intimamente relacionadas. O coração que encontrou a retidão da Palavra, encontra verdadeira satisfação e regozijo.

Os caminhos tortuosos deste mundo podem levar à felicidade passageira, porque os prazeres sensuais são tão fugidiços, e não satisfazem a alma. Somente a retidão dos preceitos de Deus pode nos valer para a verdadeira felicidade, se nós atentarmos para isso (Pv 29:18). Ademais, “os Seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5:2). Os preceitos divinos não são severos como o legalismo; o legalismo é apenas uma aparência de retidão mas tira a alegria do seu possuidor. Os retos preceitos do Senhor abrangem o Evangelho que traz alegria de um espírito voluntário e de uma pessoa perdoada que pode tolerar os erros dos outros, e exercer a influência de uma vida feliz.

4 - “O mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos” (v. 8) Não tem a mistura de filosofias contaminadas e errôneas dos homens. Os mestres de nosso tempo ensinam misturando a verdade com a mentira. Mas a Palavra de Deus é pura, e ilumina os olhos. Nossa visão espiritual, a nossa mente é iluminada e esclarecida, e podemos discernir o certo do errado. Quando aceitamos as filosofias dos homens, nossos olhos espirituais são obscurecidos e se enchem de trevas. Nossa mente fica cegada pelos encantos do erro e do pecado. Mas quando contemplamos, aceitamos e praticamos a Palavra de Deus, nossos olhos são iluminados, e resplandecem “como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv. 4:18).

5 - O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre (v. 9). Outro sinônimo para a Lei do Senhor, outro sinônimo para a Palavra de Deus é o “Temor do Senhor”, porque temor significa respeito, não medo mórbido; significa receio de ofender, reverência e reconhecimento da soberania, submissão diante da majestade. Quanto mais límpido nos parecer esse Temor do Senhor, mais temor teremos da mesma Palavra. Disse o salmista noutro lugar: “O que o meu coração teme é a Tua Palavra.” (Sl 119:161). Mas aqui o uso não é o temor que devemos a Deus, mas se usa a figura de linguagem chamada de metonímia, onde se troca o sentido da palavra da causa para o efeito. Se a Palavra de Deus causa temor em nós por Ele, ela é chamada o “Temor do Senhor”. Esse Temor é límpido, claro, não deixa dúvida para quem ama, adora, e confia.

Aqui abrimos um parêntesis para ressaltar a diferença entre a 1ª parte do salmo (vs 1-6), onde Davi se refere a Deus apenas uma vez, com a palavra original “El” que no hebraico significa Deus (v. 1) no sentido de Criador Todo-poderoso e nos parece muito distante. Mas nos versículos seguintes Davi se refere ao “SENHOR”, grifado com letras garrafais em 7 vezes. Ele deixa o termo “El” de um majestoso Deus Criador, para se referir ao Deus do concerto, que é Iahweh, o Eterno (traduzido SENHOR). Jeová é um Deus mais próximo que se relaciona conosco e nos dá a Sua aliança de paz e salvação. Portanto, estamos contemplando a Jeová que é eterno e a Sua Palavra, o Temor do SENHOR, permanece para sempre. “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a Palavra de nosso Deus permanece eternamente.” (Is 40:8).

Esse Temor foi dado para nos ajudar a não pecar. Foi dado para que tivéssemos receio de ofender a Deus. Disse o próprio salmista: “Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti.” (Sl 119:11). Quando foram dadas as 10 Palavras de Deus no monte Sinai, o povo se aterrorizou, e disse para Moisés: “Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos. Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar e para que o seu Temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.” (Êx 20:19-20). E completa o apóstolo João: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 2:1-2).

6 - Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. A Palavra de Deus também é chamada de “Juízos do Eterno”. Se antes vimos o Temor de Deus, agora, temos os Seus Juízos. Não apreciamos muito a palavra “juízos”, porque nos remetem ao Julgamento divino, em que Deus julga a todos em seus pensamentos, palavras e obras, e voltamos a temer a esse Juiz, porque nos sentimos pecadores e dignos de morte, porque o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:23).

Portanto, alguém poderia dizer: Onde teríamos algum atrativo pelos Juízos de Deus? Há 2 característicos desses Juízos contidos na Palavra, que são muito apreciáveis à alma:
1) Eles são “verdadeiros”, porque os Juízos divinos são baseados na verdade (Rm 2:2). Juízos aqui são as decisões divinas, são os Seus pronunciamentos acerca do que é verdade e o que é erro. A Palavra de Deus é a verdade, como disse Jesus Cristo (Jo 17:17), e os Seus Juízos são verdadeiros e se baseiam na verdade da realidade dos fatos. Com efeito, eles revelam a própria verdade.

2) Esses Juízos também são “justos”. Este é um atrativo especial porque o salmista louva intensamente ao Senhor por ele: “Sete vezes no dia, eu te louvo pela justiça dos teus juízos.” (Sl 119:164). Nunca deveríamos temer nos defrontar com os juízos de Deus porque são sempre justos. Os juízos dos homens é que devem despertar o nosso temor, porque são injustos, implacáveis e sem misericórdia. Os Juízos de Deus, pelo contrário, são caracterizados por Sua justiça, que nos anima a servi-lO com amor e alegria. Pois a Palavra de Deus é por isso tudo denominada de “Juízos do Senhor”, porque contém a Sua mensagem de como orientar a nossa vida no caminho da justiça. De fato, eles declaram a justiça. “Todos os Seus mandamentos são justiça” disse mais tarde o salmista Davi (Sl 119:172).

É por isso que o salmista se sente atraído pelos Juízos da Palavra. Disse ele: “São mais desejáveis do que ouro, ... mais doces do que o mel.” (v. 10). Muitos procuram as riquezas deste mundo: ouro, prata, dinheiro, propriedades. Muitos são atraídos pelas filosofias do mundo. Muitos buscam ansiosamente as ciências ocultas ou os dogmas do espiritismo. Outros se encantam diante das mentiras do Evolucionismo. Milhões são enganados pela igreja romana. Mas a Palavra de Deus é mais desejável do que tudo isso! Davi se deleitava com os “Juízos do Senhor”, “mais desejáveis do que ouro, mais doces do que o mel”. Com quanto entusiasmo desejamos nós esses preciosos Juízos que apontam para o caminho da verdade? Muitos julgam a Palavra de Deus apreciável e muito desejável, pregam sobre ela, e a indicam para outros, mas a Bíblia ainda fica negligenciada nas prateleiras.

Mas qual seria o estímulo dos Juízos divinos? Qual seria o benefício que obtemos? O que é que você ganha em guardá-los? A resposta de Davi é esta: “Por eles se admoesta o Teu servo; em guardá-los, há grande recompensa” (v. 11). Temos uma grande recompensa – esse é o estímulo. Há aqui 2 verbos: “admoestar” e “guardar”. Davi diz que se admoesta e guarda os Juízos de Deus. As duas coisas são importantes: tanto admoestação como observância, mas esta é mais importante do que aquela. De nada adianta alguém se admoestar e se advertir, e dizer: “Ah, eu vou me corrigir, eu vou acertar a minha vida com Deus” e sair da reunião para fazer a sua própria vontade pecaminosa.

É necessário se admoestar, mas guardar os mandamentos de Deus é muito mais importante. Cristo contou a parábola de um pai que enviou aos dois filhos para a vinha, a fim de trabalhar. Um deles disse que ia lá, mas não foi. O outro disse que não ia trabalhar, mas arrependido, foi para a vinha. (Mt 21:28-32). Cristo enfatizou que o mais importante não era uma simples profissão de fé, mas guardar os mandamentos de Deus.

Mas se é importante guardar os Juízos do Senhor, qual é essa “grande recompensa”? O que será de nós depois de todo esse esforço, deixando as coisas pecaminosas do mundo? Os discípulos também fizeram a mesma pergunta, quando o jovem rico se retirou triste. Alguns estavam agora dizendo entre si que, por fim, eles não ganhariam nada em seguir a esse Mestre que estava para morrer. Então, se dirigiram a Cristo e disseram: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” Jesus lhes garantiu que por segui-lO haveriam de obter a vida eterna. E Cristo havia dito para o jovem rico: “Se queres ... entrar na vida, guarda os mandamentos.” (Mt 19: 27-29, 17). O Salvador apresentou a mesma recompensa nestas palavras: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna.” (Jo 5:39). Este é o grande estímulo, a “grande recompensa” de que nos falou Davi no Salmo 19. E ele continua dizendo: “Grande paz têm os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço.” (Sl 119:165).

Davi contempla a Lei do Senhor e se entusiasma diante da perfeição de Deus em Seus ensinos que revelam o Seu caráter santo e eterno.
Ele nos diz qual é a natureza da Palavra do Senhor:
1. Perfeição; 2. Fidelidade; 3. Retidão; 4. Pureza; 5. Limpidez; 6. Veracidade; 7. Justiça; 8. Eternidade.

Mas ele apresenta também o poder da Palavra de Deus:
1. Restaura a Alma; 2. Dá sabedoria; 3. Alegra o Coração; 4. Ilumina os Olhos; 5. Dá segurança eterna; 6. Revela a verdade; 7. Declara a justiça; 8. Desperta a sede espiritual.

O número 7 é o nº da perfeição; o nº 8 é o número da vitória. Precisaríamos de mais alguma coisa para sermos perfeitos e vitoriosos? Precisaríamos de mais alguma coisa para viver em santificação, e nos prepararmos para o Céu?

III – CONTEMPLANDO A SI MESMO (VS. 12-14)

Mas agora, Davi deixa a contemplação da Lei do Senhor para contemplar a si mesmo, e as leis de sua própria natureza humana, porque este é o resultado que ocorre quando alguém contempla a Palavra de Deus: é impossível evitar uma contemplação de si mesmo. “Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” (Hb 4:125).

Este é o 3º livro do qual podemos aprender e contemplar a perfeição de Deus, que é a natureza humana como foi originalmente criada. O homem no princípio refletia a perfeita imagem de Deus (Gn 1:27). O salmista já fizera esta declaração no salmo 8, após contemplar a perfeição de Deus nos céus: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.” (Sl 8:3-5).

O homem foi criado “um pouco menor do que Deus”, cheio de glória, e possuía a Sua imagem. E mais tarde, Davi se admira do livro da natureza humana: “Pois Tu formaste o meu interior Tu me teceste no seio de minha mãe. Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste... as Tuas obras são admiráveis.” (Sl 139:13-14). E Davi podia ver a perfeição de Deus na criação da natureza humana vista em si próprio.

Entretanto, o pecado deslustrou a glória da imagem de Deus no homem, desfigurou a sua natureza e ele baixou ao nível de santo para pecador. Por isso, Paulo afirma: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3:23). Adão pecou e perdeu a glória da perfeição de Deus nele. Mas ainda podemos aprender do livro da natureza humana. Os grandes doutores da Psicanálise e da Psicologia que falem. Que falem as numerosas obras escritas sobre essa natureza.

Davi contemplou a si mesmo, e só viu faltas e pecados; ele disse: “Quem há que possa discernir as próprias faltas?” (V. 12). Ou seja, ele sabe que, sem ajuda do Espírito Santo, é impossível uma pessoa reconhecer as próprias faltas e pecados. Faz algum tempo um senhor disse a um pastor: "Amigo, não necessito de religião. Se vocês entram no reino do Céu, eu também vou entrar sem ela, pois não faço mal a ninguém, e faço todo o bem que posso." Não obstante, esse homem mantinha relações ilícitas com uma mulher; portanto, transgredia a lei de Deus e fazia mal a três pessoas. Primeiro a sua esposa a quem era infiel, segundo arruinava a vida de outra mulher e terceiro prejudicava seu próprio bem-estar presente e futuro. (Schubert, 83).

Mas Davi reconhecia os seus pecados. Ele disse depois de cometer o seu maior pecado: “Eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.” (Sl 51: 3). Então, ele faz a primeira oração do Salmo 19: “Absolve-me das [faltas] que me são ocultas.” (Sl 19:12). Ele se reconhecia tão grande pecador que podia imaginar “faltas ocultas” em si mesmo, e pede que Deus o perdoe dessas faltas antes mesmo de ele as conhecer.

“Absolve-me dos pecados ocultos”, disse Davi, em uma humilde oração. Ao contemplarmos a nossa natureza pecaminosa, iluminados pelo Espírito Santo, despertados pela Bíblia, nos humilhamos diante de Deus pedindo-Lhe o perdão. Mas ainda existem faltas e pecados ocultos que necessitam ser revelados, e isso é feito pelas provas divinas. Davi ao contemplar a sua natureza, ele testificou: “Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece.” (Sl 40:12). O homem tem tanto pecado, que mesmo sendo cristão, além dos pecados conhecidos, revelados e descobertos pela Palavra de Deus, se somam os pecados ocultos, desconhecidos de nós próprios, além dos pecados de omissão. Mesmo após a conversão, a natureza pecaminosa nos persegue. Ainda sentimos as insinuações do pecado.

Necessitamos do perdão diário de Deus; dependemos da obra expiatória de Cristo na Cruz do Calvário, que cobre os nossos pecados, transgressões e iniqüidades passados, presentes e futuros. Mas também cobre os nossos pecados ocultos. A condição do benefício da Sua obra redentora está em nos humilharmos diante de Deus e pedirmos o Seu perdão. “Absolve-me”, perdoa-me dos pecados conhecidos, dizia Davi, mas também dos pecados desconhecidos. Este é um pedido por justificação.

Mas Davi agora humilhado pela contemplação de si mesmo, faz a segunda oração, o segundo pedido a Deus: “Também da soberba guarda o Teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.” A soberba foi o pecado de Lúcifer que o levou à rebelião contra Deus. A soberba foi o pecado de Saul que o levou a desprezar as ordens de Deus. A soberba foi o pecado de Davi quando adulterou com Bate-Seba, e assassinou ao seu marido, julgando que podia cometer tamanho pecado e sair incólume, impune.

A soberba é a grande transgressão que nos leva ao pecado imperdoável (Hb 10:26-31) e, portanto, é algo muito sério. A soberba é o pecado da presunção que leva o pecador a pensar que pode fazer o que quer, independentemente de Deus, usufruindo de todos os privilégios e passando por alto as suas responsabilidades, julgando que é muito bom para ser punido, e que nada vai lhe acontecer por continuar na transgressão. A soberba é a grande transgressão que leva o pecador a recusar ou adiar o arrependimento. A soberba é a grande transgressão da qual precisamos nos livrar pelo poder do Espírito Santo.

Davi quando pediu o perdão, ele pedia por justificação. Agora, ele pede por santificação: ele pediu que Deus o guardasse da soberba, a fim de que ela não o dominasse. Davi entendeu que ele não podia guardar os mandamentos de Deus em sua perfeição; ele compreendeu que não era perfeito e não conseguia observar a todos os requerimentos divinos. O apóstolo Paulo disse por que o pecado não precisa ter mais domínio sobre nós: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” (Rm 6:14). Aqui está uma grande verdade dos cristãos: não estamos mais debaixo da condenação da lei mas agora estamos em um novo “status”, porque estamos debaixo do poder da graça redentora de Jesus Cristo que morreu por nós na Cruz e enviou ao Espírito Santo para nos guardar do pecado, que começa com a soberba.

Portanto, nós agora podemos perguntar: Se Deus é perfeito como visto pela Sua Criação, e na Sua Palavra, como pode ser o homem perfeito? Davi responde: “Guarda o Teu servo da soberba ... Então, serei irrepreensível (perfeito)”. Se Deus nos guardar da soberba, do orgulho e da presunção, se humilharmos o nosso coração diante dEle, confessando os nossos pecados conhecidos, reconhecendo a debilidade de nossa natureza pecaminosa, se recebemos o Seu perdão pela fé no sacrifício de Cristo, se formos suficientemente humildes para seguir a orientação divina, então, seremos perfeitos em nossa esfera de ação. Se formos perdoados pela justificação e transformados pela santificação, então seremos irrepreensíveis, santos e inculpáveis. Esta é a mensagem do Evangelho para todos.

Davi termina o salmo apresentando a sua 3ª prece: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!” Davi estava contemplando a si mesmo e percebe que as suas palavras precisam ser melhor escolhidas, que ele precisa vigiar a porta dos seus lábios, e que os seus pensamentos, produto de sua meditação no mais íntimo da alma precisam do poder divino para purificá-los e torná-los agradáveis diante de um Deus que está sempre perto e que Se relaciona com ele de modo a poder dizer: “Rocha minha e Redentor meu”! Você também possui este relacionamento pessoal com o seu Senhor? Também ora para que suas palavras e sua meditação sejam agradáveis a Deus?

Davi meditou sobre os céus; ele meditou sobre a Lei do Senhor; Davi meditou sobre a sua natureza pecaminosa, e agora, ele pede que as suas palavras e a sua meditação sejam agradáveis a Deus. Quando é que unicamente as nossas palavras e a nossa meditação podem ser agradáveis a Deus? Somente quando estamos em harmonia com a Sua Palavra. Quando estamos em sintonia com a Bíblia, nós agradamos ao Seu Autor. Nossas palavras dirigidas a Deus serão preciosas orações de louvor e ações de graças. Nossa meditação será sobre Deus: nós meditaremos sobre o Senhor de nossa vida, sobre a Sua proteção e finalmente, descansaremos na Sua redenção, realizada por Jesus Cristo.

Hoje muito mais do que no tempo de Davi, temos o conhecimento da “redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24), e devemos meditar nisso: “Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se queremos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação.” (Desejado, 83:5). Então, seremos enobrecidos e transformados, em nosso caráter.  

Nossas palavras e pensamentos são renovados e purificados mediante uma leitura consciente e meditativa da Palavra de Deus: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios ... Antes, o seu prazer está na Lei do SENHOR, e na sua Lei medita de dia e de noite.” (Sl 1:1,2). Aqui está a maior e mais poderosa fonte para nossa meditação diária: a Lei do SENHOR, a Palavra de Deus. Sim, é a própria Bíblia. Esta é a maior revelação da perfeição de um Deus que nos deu as Escrituras “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2Tm 3:17). Portanto, vamos ler a mais a Bíblia, o maior segredo de Deus para a perfeição do caráter.

Vamos fazer de Jesus Cristo o nosso Senhor a quem obedecemos, a nossa Rocha, em quem nos refugiamos, o nosso Redentor em quem nos salvamos. Esta é a perfeição humana, que contempla os altos e diz: “Os céus declaram a glória de Deus!”; que contempla a Palavra Escrita e diz: “A Lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma!”; que contempla a si mesmo e diz: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!”

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia:
prbiagini@gmail.com

quarta-feira, 19 de março de 2014

Interpretando a Parábola do Rico e Lázaro.

Para interpretar uma parábola vários elementos deverão ser considerados. Sobre o formato das parábolas, podemos listar pelo menos seis tipos diferentes, segundo (BAILEY, 1995)[RP1] [1]. Ao observar o contexto imediato da parábola do Rico e Lázaro podemos concluir que o formato dela se enquadra numa parábola em um diálogo teológico.

O tema deste debate era a questão da avareza. Jesus havia começado a discussão com os fariseus e escribas (Lc. 15:2) por causa da crítica deles sobre o relacionamento que era mantido com os publicanos e pecadores. Havia murmuração contra Cristo por causa disso. Jesus então começa a contar uma série de parábolas para se defender e explicar o assunto, que são a Parábola da ovelha que se perdeu, a da mulher que perdeu uma dracma e a do filho pródigo (Lc. 15).

Continuando o debate Jesus conta uma parábola de um administrador que era infiel, e então o tema é desviado para a questão da riqueza e do apego à ela. Quando Jesus termina de contar a parábola do administrador infiel, ele conclui que ninguém pode servir a dois senhores (Lc. 16:14), e nesse momento os fariseus começaram a ridicularizar, pois segundo Lc. 16:14 eles eram avarentos.

A parábola do Rico e Lázaro é justamente para tratar dessa questão do apego à riqueza e dos bens materiais. De acordo com o texto bíblico em momento nenhum o assunto foi sobre vida após a morte. O tema é sobre as consequências de uma pessoa que é avarenta em contraste com alguém que não seja. Usar a parábola do Rico e Lázaro para defender doutrinas relacionadas à vida após a morte e ignorar o tema teológico que é tratado por ela.
            Argumentando á favor de uma parábola, Banzoli, lista algumas constatações falaciosas de uma análise puramente literal do texto em estudo:

Os mortos partem para o outro mundo não como “espíritos”, mas com o seu próprio corpo com dedos, línguas, etc; os “espíritos” sentem sede; ser rico é motivo de ser mandado ao inferno, apesar de ter demonstrado tão grande benevolência para com o pobre Lázaro e a própria parábola nada dizer de que o Rico era um homem mau; ser mendigo é passaporte para o Céu; o Céu e o inferno ficam um bem do lado do outro; Apesar de haver um “abismo intransponível” entre ambas as partes, os salvos podem ficar conversando a vontade com os ímpios que estão queimando no inferno; o mediador não é Jesus, mas Abraão, para atender o chamado do rico; se os mortos partem para o “Seio de Abraão”, então Abraão morreu e partiu para o seio dele mesmo; para onde iam os que morriam antes de Abraão? (2013, p. 101).

            Na interpretação das parábolas é importante ressaltar alguns princípios e pontos. Cada parábola é classificada em três categorias: símiles - pequenas comparações entre dois objetos usando-se o tempo presente (Jesus compara o reino de Deus a atividades da vida, por exemplo); parábolas propriamente ditas - histórias completas, narradas no passado, com significado metafórico; ilustrações exemplares - narradas no passado, caracterizando um exemplo a ser seguindo, sem significado metafórico. As duas últimas categorias são narrativas fictícias as quais não podem ser usadas para sistematizar doutrinas teológicas, mas, possuem apenas um ponto chamado de tertium comparationis (termo de comparação), que faz a parábola (veículo) ser direcionada para um tema (mensagem). A busca pelo Sitz im Leben Jesus - o público, a situação do pronunciamento de cada parábola torna-se importante para seu estudo igualmente (JEREMIAS, 1972).

            A complexidade [RP2] no estudo de uma parábola pode-se notar ao encontrá-las em um diálogo teológico, em um evento narrativo, numa história de milagre, numa coleção topical, num poema ou numa parábola em si. Esta é uma ênfase nas parábolas como funcionais em relação a um ensinamento maior e, portanto, precisam ser interpretadas levando-se em consideração os seguintes passos (BAILEY, 1995):

a - determinar o auditório a quem Jesus está direcionando seu discurso: escribas, fariseus, multidões ou aos discípulos;

b - examinar o contexto/interpretação propiciados pelo evangelista ou sua fonte;

c - identificar se há uma "peça dentro da peça" e observar a parábola em dois níveis: o debate teológico entre Jesus e o seu auditório e o uso que Jesus fez de parábolas para se comunicar com aquele auditório naquele debate;

d - discernir os pressupostos culturais da estória, tendo em mente que os seus personagens são aldeões palestinenses.

e - ver se a parábola se divide em várias cenas e observar se os temas constantes das diferentes cenas se repetem segundo algum padrão discernível.

f - discernir quais os símbolos que o auditório original teria identificado imediatamente e instintivamente na parábola;

g - determinar que única decisão/reação o auditório original é levado a tomar quando ela originalmente foi contata;

h - discernir o conglomerado de temas teológicos que a parábola afirma e/ou pressupõe e determinar o que a parábola está dizendo a respeito desses temas. A ênfase recai sobre mais de um termo de comparação chamado de símbolos. Os símbolos são válidos hoje ainda, pois reproduzem verdades eternas.

Enquanto em uma alegoria cada detalhe comunica um significado especial, os detalhes de uma parábola não possuem significados específicos, mas são como ilustrações ou imagens para a narrativa como um todo. Uma parábola visa ensinar uma verdade principal e os detalhes não podem ser tomados com sentido literal, a menos que o contexto permita essa interpretação. Somente podemos definir uma doutrina de uma parábola se esse ensino for confirmado em outras partes da Bíblia, ou seja, de uma parábola não podemos definir uma doutrina. Atribuir o sentido de hades na parábola do Rico e Lázaro como fundamento da doutrina da imortalidade inerente da alma é desconsiderar esse princípio.

Pr. Yuri Ravem
Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Sumaré - SP. 
Casado com Andressa, mestre em educação e pai do Yan.
Editor Associado do Blog Nisto Cremos



[1] De acordo com Bailey, 1995, p. 14, os seis tipos de formatos de parábolas são: 1. Parábola em um diálogo teológico; 2. Parábola em um evento narrativo; 3. Parábola em uma história de um milagre; 4. Parábola em uma coleção topical; 5. Parábola em um poema; 6. Parábola sozinha.








Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...