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quarta-feira, 22 de junho de 2016

SALMO 40 – O PREÇO DA REDENÇÃO


INTRODUÇÃO

Temos para hoje mais uma mensagem cristocêntrica. Encontramos a Jesus Cristo do Gênesis ao Apocalipse. Nós O encontramos nos Livros Históricos, no Velho e Novo Testamento. Nós O encontramos nos Profetas e nos Salmos. E nós hoje queremos encontrar a Jesus Cristo no Salmo 40. Escrito há quase 3.000 anos atrás, tem, contudo, uma mensagem atual. Esta é mais uma gloriosa mensagem de Davi, o vate de Israel.

Comecemos no verso 1. Aqui temos a essência da vida cristã: Davi faz algumas coisas que são próprias de um cristão: ''Esperei confiantemente!''
Davi esperou pelo Senhor. Que grande mensagem para os nossos dias. São palavras muito adequadas para nós que vivemos neste século agitado e cheio de tantas exigências modernas, que nos roubam o tempo para esperar.

Estamos acostumados à velocidade: tudo queremos em um momento. Apertamos alguns botões, algumas teclas nos aparelhos de um Banco, e temos resultados rápidos. Mas ai de nós se demoramos um pouquinho! Atrás de nós já estão impacientes alguns que não podem esperar. Corremos para o trabalho, para as compras, para a igreja, para os nossos compromissos, e não sabemos mais esperar.
"Esperei pelo Senhor", diz o salmista. De que modo ele esperou? "Confiantemente". É preciso esperar e confiar no Senhor nosso Deus. Esperar confiantemente pelo Senhor é a vida cristã, e o salmista fez isso.

Então, o que aconteceu? Deus Se "inclinou". A princípio parecia que Deus não queria atender, parecia indiferente à angústia de Davi, às suas súplicas.

Isso lembra daquela mulher siro-fenícia, que buscava, que implorava uma bênção de Jesus, mas Ele não atendia. Ele parecia não dar importância. Até que os discípulos chamaram a Sua atenção: "Senhor, atende a essa mulher." Ele respondeu: "Não é bom dar o pão dos filhos aos cachorrinhos." Mas aquela mulher esperava confiantemente pelo Senhor Jesus, enquanto clamava, e respondeu: "Mas Senhor, os cachorrinhos se alimentam das migalhas que caem da mesa." Jesus Se voltou para elogiá-la: " Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã." [Mt 15:28].

Às vezes parece que Deus não nos atende. Visitei certa vez uma jovem adventista, e entre algumas coisas que me falou, disse: "– Pastor, parece que as minhas orações não passam do teto. Eu oro, mas não encontro resposta às minhas preces." Ocorre isso com você? Você ora, mas parece que o Pai celestial Se encontra à distância? Não, Ele vai Se inclinar para recebê-lo, para ouvi-lo.

Mas é preciso clamar, enquanto você confiantemente espera. Temos que clamar, temos que orar intensamente. Não basta pedir mecanicamente. Não basta orar displicentemente, friamente, formalmente; não, nós necessitamos orar com fervor. Quando nos vem a tentação, você terá que clamar muitas vezes. Então, só então, Ele vai Se inclinar e atender.

Certa vez Pedro andava por sobre o mar, andava sobre as espumejantes vagas. Ele estava se saindo bem, mas reparando na força dos ventos se atemorizou, e quando se sentiu afundando, clamou por socorro; e ao ver-se perdido, proferiu a oração mais curta do evangelho: "Senhor, salva-me." E Jesus Cristo Se inclinou para salvá-lo. Temos que clamar. E então, teremos o socorro.

I – LIBERTAÇÃO DO PECADO

Deus socorreu a Davi? Que tipo de socorro? Versos 2, 3 – "Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR."

Deus tomou algumas providências.

(1) Primeiro, Deus tirou-o de UM POÇO.
Davi caíra num poço. Não é nada agradável você cair num poço. Ele teve muitas dificuldades. Mas aqui Davi descreve o poder salvador de Deus ao tirá-lo do poço.

Que tipo de poço? Poço de perdição: Quem caísse naquele poço estaria perdido, porque não poderia sair, e certamente haveria de morrer de fome, frio e comido de vermes naquele poço imundo, lamacento, cheio de sujeira e vermes nojentos. Um poço de lama. A lama não é sólida, firme, mas é insegura e pode ser movediça, algo terrível que puxa para baixo.

O pecado é um profundo poço, escuro, ávido, ameaçador e leva à morte. Davi cometera um pecado de adultério, e para cobrir esse pecado, ele cometeu outro pecado, o pecado de assassinato, e para encobrir esse pecado, ele tentou tomar algumas providências, mas quanto mais ele tentava escapar do poço, mais ele afundava na lama. Toda a tentativa do salmista de se salvar a si mesmo levava-o para mais fundo: quanto mais ele se mexia, mais fundo penetrava na lama do pecado. E o diabo lhe disse: ''Davi, lembra-se de Saul? Ele não pôde sair do poço e se suicidou. Você também está perdido. Você nunca mais poderá sair do poço.''

Certa vez um homem comum resolveu atalhar o caminho para casa. Ele fazia um trajeto longo da casa ao trabalho, e resolveu atalhar o caminho de volta. E havia um cemitério entre o lugar do seu trabalho e o seu lar. E ele resolveu ir pelo cemitério, encurtando distâncias.

Foi bem no 1º dia, no 2º dia, e passou-se uma semana. Numa tarde, ele teve que trabalhar mais, e saiu de noite de volta para casa. E entrou no cemitério como de costume. Mas era uma noite escura, quando ele entrou no cemitério. Andou por alguns minutos, quando de repente, sentiu um puxão para baixo, escorregou e caiu num poço.

Era uma vala muito profunda, e naquela tarde havia chovido, e havia muita lama. De modo que o homem começou a se esforçar, tentando sair; e se apegou nas paredes, sujou mais as mãos, o sapato, a roupa. Tentou colocar as pernas entre 2 paredes, mas escorregava e caía de novo naquele poço de lama. Ele se esforçava, mas quanto mais se mexia, mais afundava na lama.

E ele começou a pensar: "Muito bem, agora me aconteceu isso. Eu estava indo para casa, já tarde, e agora não posso sair daqui, não tem ninguém que pode me ajudar por aqui."

E naquele momento se aproximava outra pessoa por ali, e de repente caiu no mesmo poço cheio de lama. E quando ele caiu, o outro que já estava lá, disse: "– Você nunca mais sairá daqui!"  E o 2º visitante ficou tão apavorado que deu um salto até em cima, pensando que lhe falara a alma de algum morto, e saiu correndo, de modo a nunca mais voltar por aquele cemitério. E o outro continuou a pensar: "Muito bem, quando eu pensava que havia chegado uma ajuda, fui falar aquilo, e eis que se foi a minha única chance."

Satanás disse a Davi, e vai dizer a você também: "Você está perdido! Você não pode sair do poço! Você nunca mais sairá daqui!" Então, como fez Davi, você também fará: Ele clamou por socorro, e deixou o Diabo no poço, porque Deus o socorreu, e o tirou do poço do pecado.

(2) Em 2º lugar, Deus o colocou sobre uma ROCHA, e firmou bem os seus pés.

Ele antes andava com os pés na lama, sem segurança, numa areia movediça. Mas agora ele estava com os pés numa rocha. Este foi o contraste.

Em Cristo, nós temos segurança econômica, segurança física, segurança espiritual. A salvação em Cristo é completa: não só nos tira de um poço de lama do pecado, mas nos coloca numa rocha firme, num lugar seguro. A rocha é símbolo de Jesus Cristo. Ele é o nosso Único Refúgio.

Em um mundo cheio de todo tipo de insegurança, em um mundo agitado pela violência, ameaçado por guerras e revoltas e assassinatos, ergue-se majestosa a Figura incomparável de Cristo Jesus – a Rocha Eterna dos séculos.

(3) Em 3º lugar, Deus não apenas colocou a Davi sobre a Rocha, mas também lhe deu um NOVO CANTO. "E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus." Ele agora tinha alegria, contentamento, motivo para cantar:

Você pode cantar? Encontro muitos cristãos que são taciturnos, que vivem lamentando. Você tem um motivo para cantar, para ter um sorriso nos lábios. Deus o tirou da lama da perdição, Deus o tirou da lama do pecado.

Tenho comigo uma carta de um homem que tinha motivos para cantar. Era muito culto, mas era agnóstico.

Antes ele vivia com uma amante, uma vida irregular. Nervosíssimo, a esposa não sabia o que fazer para agradá-lo. Ele praticava aquele pecado oculto, e temia ser descoberto. Mas após assistir a uma série de conferências adventistas do Pr. Walter Schubert, enviou-lhe uma  carta, dizendo:
"Meu querido amigo: Ao andar agora pelas ruas de minha cidade, olho as árvores, os pássaros que cantam; quando passo junto a um rio, todas as coisas possuem para mim um novo encanto. Tudo é beleza, alegria e gozo. Antes de abraçar a doutrina da Santa Bíblia, não via nada inspirador, porque levava o coração oprimido pelas penas de minhas culpas. Agradeço-lhe muito por suas conferências, pois agora tenho paz e tranquilidade de espirito."

Este homem podia cantar porque encontrou o gozo e a alegria da salvação. Que lição podemos tirar? Onde você põe a sua confiança? Davi indica onde devemos colocar a nossa confiança: Verso 4 – “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira."

Muitos põem a sua confiança em riquezas, nas posses materiais, nas aquisições econômicas. Outros dependem de seus amigos, do seu grupo social. Outros põem sua confiança  em suas próprias forças. Aqui temos Davi que põe sua confiança em Deus, na Pessoa do Todo-Poderoso, no seu Criador, não nas coisas deste mundo.

Após a descrição da maneira como Deus o salvou, Davi faz um veemente apelo para que nós sejamos como o homem que confia em Deus: porque ele é feliz; e nós também seremos felizes, se também confiarmos  em Deus e na Sua salvação. "Bem-aventurado o homem que confia no Senhor" – o homem que confia em Deus é feliz.

O homem que confia em Deus "não pende para os arrogantes" porque estes não têm fé e não se humilham diante de Deus. Os arrogantes pendem para as coisas do mundo, que são inimizade contra Deus. Ele também não se associa com "os afeiçoados à mentira" porque os mentirosos não podem ter segurança. O orgulho e a mentira andam juntos para perder os ímpios.

(4) Então Davi, exalta as MARAVILHAS de Deus: Verso 5 – “São muitas, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar.” Davi deixa de falar no homem e agora ele exalta a Deus. Ele tem muitos motivos para louvar: Ele foi salvo maravilhosamente, ele foi criado de modo excelente. E agora canta um cântico das maravilhas divinas. "– O meu Deus é maravilhoso. Ele me libertou deste poço de perdição." Agora, ele era livre como uma pomba.

II – O PREÇO DA LIBERTAÇÃO

A esta altura Davi responde a uma pergunta não levantada, que se expressa nestes termos: Qual é o preço da libertação? O que poderia o salmista Davi dar em beneficio de tudo o que Deus me fez? O que é que eu poderia pagar por minha salvação?

O que Deus não aceita? Verso 6 – "Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres." Sacrifício de bodes e carneiros, sacrifício de animais são insuficientes, são impotentes para pagar o preço desta salvação. O livro de Hebreus deixa claro que o sangue de animais sacrificados foi uma experiência ilustrativa. Não há possibilidade de pagar o prego da salvação com sangue de animais.

O sangue de touros e bodes não pode libertar do pecado. As exigências da lei não podem ser satisfeitas simplesmente com um sangue tão barato, comum. O preço desta redenção é demasiado caro para que se aceite o sangue de animais. Deus não aceitou. Ele exige algo melhor do que sangue de cordeiros.

Mas então, o que Deus aceita? Versos 7, 8 – "Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei."

Temos aqui algo significativo. Davi não apresenta holocausto de animais, porque sabe que Deus não os aceita. Na Velha Dispensação eles serviram apenas para simbolizar o plano da Salvação: significavam apenas uma lição objetiva da redenção.

Sucede então algo inédito: "– Ora, se Deus não quer o sangue de animais, então estou aqui e me entrego a mim mesmo." Davi se entrega como um sacrifício, para pagar o preço da redenção. Ele não leva um sacrifício de animais; ele mesmo se oferece para morrer e pagar com o seu sangue essa grande salvação.

"No rolo do livro está escrito a meu respeito." E isso é uma profecia: estava escrito que Davi haveria de morrer pela salvação do homem. E antes de morrer ele teria de viver toda a vontade divina. Davi se entrega para uma vida de perfeita obediência, para morrer e pagar o preço da redenção.

Mas este não é o Davi que conhecemos. Davi sem pecado!!?  Como entender essa história de Davi? Como poderia Davi morrer para pagar pelo seu pecado, para se remir, ele deveria ser sem pecado a fim de pagar pelo seu próprio pecado? Impossível. Ele deve estar falando de outra pessoa.
De fato, Davi está escrevendo uma profecia que não se refere a si mesmo, mas ao Messias. Davi era um tipo do Messias (Ez 34:24). Em Hebreus 10:4-7 temos a explicação. A Bíblia não nos deixa desapontados. Ela sempre nos dá uma resposta: Paulo está citando a passagem do salmo que nós estamos estudando.

Ele interpreta o Salmo 40 como sendo uma profecia messiânica, em que se diz que Jesus Cristo foi morto pelos pecados do mundo, para fazer a vontade de Deus: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. ...Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.” [Hb 10:9-10]. Jesus, a Perfeição e Pureza do Céu, veio a este mundo pela Encarnação, viveu uma vida de justiça, morreu para pagar a nossa redenção, ascendeu ao Céu e está prestes a voltar, a fim de reinar como Príncipe eternamente [Ez 37:25].

Mas, voltemos agora ao Salmo 40. Versos 9, 10 – “Proclamei as boas-novas de justiça na grande congregação; jamais cerrei os lábios, tu o sabes, Senhor. Não ocultei no coração a tua justiça; proclamei a tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua graça e a tua verdade.”

Isso também se cumpriu em Jesus Cristo. Ele pregou o Evangelho, as Boas Novas de justiça aos cativos do pecado. Ele falou na sinagoga e também a grandes multidões como também a auditórios de apenas uma alma. Falou do amor de Deus e de Sua fidelidade. Declarou a verdade e a graça de Deus abertamente. [Jo 17:4, 6, 8].

III – O PREÇO DO PECADO

Mas prossigamos ao Verso 12: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniquidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece.”

Parece muito grave. Mas, se antes Davi falava do Messias, como Aquele que haveria de pagar pela redenção dele e pela de todos nós, agora, ele volta a contar de sua própria experiência. Nos Versos 1-5, o salmista apresenta sua própria experiência: libertação, lições e resultados. Nos Versos 6-10, o salmista fala como tipo de Jesus Cristo. Ele representara o Messias. Isso a Bíblia é clara em afirmar.
No entanto, no Verso 12, ele retoma à sua experiência novamente. Ele não está mais representando a Jesus Cristo. Ele agora, que antes falava pelo Messias, fala por si mesmo. Reconhecendo os seus pecados que são mais numerosos do que ele podia contar, Davi anseia a salvação dAquele Jesus Cristo que ele representava.

Você esperava que ele dissesse: ''Eu sou um homem justo!''? Mas qual é a reação de um homem que foi salvo por Jesus Cristo? Esta é a reação: "Meus pecados são muitos, são tão numerosos como os cabelos de minha cabeça." Mas alguém poderia pensar: "Como ele pode dizer isso? Ele não foi salvo de um poço de perdição, de um tremedal de lama? Não foi liberto?"

Entretanto, o homem salvo e justificado, ele não se sente  santo e perfeito. Diante de Deus se você está em Jesus Cristo está sem pecado, purificado. No entanto, após ser liberto, Davi se humilha e diz que os seus pecados são mais do que os cabelos de sua cabeça. É certo falar desse modo? Ouvi um pregador dizer que isso é errado.

Mas o salmista não se sentia santo, porque esta é a atitude do cristão – ele não se sente sem pecado. Diz a escritora Ellen White: "Não há nada mais agradável à vista de Deus do que a contínua humilhação da alma diante dEle" [MM 1992, p. 151].

Em Jesus Cristo somos vistos como santos. Nossos pecados são colocados sobre Jesus Cristo na Cruz e Sua justiça é creditada a nosso favor. Deus não vê nossos pecados, e sim a perfeição de Cristo em nós.

O pecado é um poço profundo, de lama, sujeira e areia movediça. Quanto mais o homem se mexe tentando escapar, tanto mais se aprofunda no lodo e na poça.

Você quer um exemplo, a maior prova de que o pecado é um poço profundo de lama? Considere o pecado de Adão e Eva. Eles receberam uma ordem para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Era apenas um fruto. Mas não era só o fruto; era a desobediência – o poço do pecado, em todas as profundezas de degradação. E hoje vemos os resultados: a degeneração, a escravidão, a inimizade contra Deus, contra o homem, as doenças, a morte, a extinção completa no lago de fogo.
Este é o poço do pecado do qual somos salvos. O perigo é pensarmos que só os bandidos, as meretrizes e assassinos que estão no poço, e nos julgarmos muito justos. Não é assim, porque ainda temos uma natureza pecaminosa.

Você também está num poço de lama e quer sair, mas não consegue? Davi conseguiu sair, quando ele clamou a Deus. Você também precisa clamar, você também precisa derramar sua alma perante Deus – e Ele Se inclinará para ouvi-lo.

Um jovem estava enfrentando problemas com o sexo. Então ele clamou a Deus, dizendo: "– Ah, se existe um Deus no Céu, eu vou vencer." E Deus o ouviu, e ele saiu do poço. Colocou os seus pés sobre a Rocha, e se tornou um pastor destacado na Obra de Deus.

Um outro jovem deu o seu testemunho. Ele caíra no poço das drogas. Ele me disse pessoalmente:  – “Eu fui influenciado por falsos amigos, que me deram a droga; depois eu me viciei; aí eu tinha que comprar. A princípio, eu pedia dinheiro do meu pai; mas os meus pais não me deram mais. Eu já tinha vendido tudo – vendi nove tênis, e outros pertences – já não tinha mais nada.”
“Então, eu comecei a roubar dinheiro do meu pai, e ele começou a desconfiar: ‘Alguém está tirando o meu dinheiro.’  Então eu fui roubar dinheiro de uma igreja. Até isso eu tive que fazer para sustentar o vício.”

Ele fumou maconha, LSD, e quando lhe deram o crack, aí ele ficou doido. Ele disse na mesma hora: "Me dá mais", – ele ficou como louco desvairado. Já não pensava em mais nada. Não queria mais estudar, só queria praticar o vício. Então, os seus pais começaram a desconfiar e ele precisava agora fumar escondido; mas eles não tinham a mínima noção do que significa isso.

Um dia ele foi ao banheiro usar a droga. E a sua mãe bateu à porta, e ele precisava esconder as cinzas do crack. Já fazia vários dias que não tomava banho. Quando ele tirou a roupa de baixo, estava grudada, saiu a pele, e ficou tudo cheio de pus, em carne viva.

Daí ele passou a detestar a droga. “A droga já não era mais legal para mim. Eu fui preso por causa da droga. Eu clamei à minha mãe: ‘ – Mãe, eu estou morrendo, estou na miséria. Me tira disso. Eu preciso de ajuda.’ "

Ele foi levado a uma casa de recuperação de drogados, e foi restaurado. Então ele lança esse apelo: “Meu jovem, eu vou lhe dar esse conselho: ‘Por amor à sua própria alma, não entra nesse caminho, não usa droga. Por favor, foge disso, porque a droga vai arruinar a sua vida.’" Hoje ele está liberto do poço, o profundo poço de lama das drogas.

CONCLUSÃO

Mas, notemos como o salmista Davi termina o Salmo 40. Verso 17: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!”
Aqui está o resumo do Salmo, a súmula, a essência da mensagem de Davi: "Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor, cuida de mim."

Davi havia dito no Verso 4 que os fiéis, os bem-aventurados não são orgulhosos. O homem que tem fé, não tem orgulho. A fé é exclusivista, não admite o orgulho. "Não há nada mais agradável à vista de Deus do que a contínua humilhação da alma diante dEle" [MM 1992, 151]. Agora aqui no Verso 17 Davi nos dá um exemplo de humildade: ''Eu sou pobre.''

Davi era pobre? Não; Davi era riquíssimo. O seu reino era o mais rico de toda a Terra. Davi não necessitava de coisa alguma. Ele poderia dizer: “Eu sou rico; tenho tudo e de nada tenho falta.” Mas ele não possuía o espírito de Laodicéia. Pelo contrário, ele reconhece sua pobreza: ele fala de bens espirituais. Ele deseja a salvação que estava no Messias sobre quem ele profetizara.

Gostaríamos de terminar dizendo que esta é a atitude que devemos ter: "Eu sou pobre e necessitado, mas o Senhor cuida de mim." Jesus Cristo nos livra desta lama da natureza pecaminosa: "Ele cuida de mim."

Você se sente pobre e necessitado, espiritualmente? Não se esqueça de que Jesus Cristo  cuida de você.

Nossa única esperança de salvação está em reconhecer nossa pobreza espiritual e lançar toda nossa confiança em Jesus Cristo, o nosso amorável Salvador. Ele é o “meu amparo e meu Libertador”. Jesus também é o seu Libertador?

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Corrida do Cristão



A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores.
Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada.
Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais aqui).
Desde então, esse evento multiesportivo ganhou força, chamando a atenção do mundo. Tendo como palco a cidade do Rio de Janeiro, a 31ª Olimpíada, a primeira realizada no continente sul-americano, reunirá mais de 11 mil atletas que participarão de mais de 300 competições em 42 modalidades entre os dias 5 e 21 de agosto.
Metáfora do mundo esportivo
Assim como existia a modalidade das corridas nos jogos olímpicos da antiguidade, o apóstolo Paulo apresenta em Hebreus 12:1 a corrida que todo cristão deve percorrer:  “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.
Segundo o Comentário Bíblico Adventista (p. 522, v. 7), a palavra portanto, “constitui a conclusão que o escritor faz do capítulo 11” de Hebreus, em que discorreu sobre as lutas e vitórias dos heróis da fé do Antigo Testamento e a respeito de como esses campeões venceram essa maratona.
Nessa corrida espiritual, não existem atalhos e muitos são os obstáculos, mas Deus oferece um importante meio para avançarmos rumo à vitória com perseverança.
O que podemos aprender dessa tão importante corrida?
  1. Ter uma meta
dicionário da língua portuguesa Michaelis define meta como “fim a que se dirigem as ações ou os pensamentos de alguém”. O apóstolo Paulo ensinou claramente qual era a meta prioritária de sua vida: “Assim corro também eu, não sem meta…” (1Co 9:26). Anteriormente, “ao escrever as palavras do versículo 24, sem dúvida o apóstolo se recordou dos jogos Ístmicos realizados não muito longe de Corinto. Os cristãos coríntios estavam familiarizados com essas competições esportivas. Paulo os fez lembrar que, apesar de muitos correrem no estádio, nem todos recebem o prêmio. A vida cristã é como uma corrida. Exige autodisciplina, esforço intenso e determinação quanto ao seu propósito” (Comentário Bíblico Popular – Antigo e Novo Testamento, 2011, p. 504).
Na posição de corredor, Paulo tinha um alvo bem definido, uma vitória a conquistar. Ele sabia para onde estava indo e correu com plena segurança, esforçando-se para alcançar o objetivo final: receber a coroa da justiça. Não apresentou dúvidas quanto à sua vitória. Ele sabia que a fé em Jesus o faria mais do que vencedor. Foi por isso  que, prestes a completar sua jornada, demonstrou essa certeza dizendo: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm 4:7-8).
A palavra carreira  nesse verso, vem do grego dromos, que tem que ver com a “pista de corrida” em que era efetuada a competição (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, 2002, p. 402). O intento de Paulo era dizer que havia completado a corrida da fé. Que nobre exemplo a ser seguido!
  1. Inspiração
Em seu capítulo do livro A luz de Hebreus: Intercessão, Expiação e Juízo no Santuário Celestial, 2013, p. 24), William G. Johnsson afirmou: “Hebreus é mais um sermão cuidadosamente elaborado e bem argumentado que propriamente uma epístola. Uma ‘palavra de exortação’ (13:22) é a descrição que o próprio autor apostólico dá a essa obra. O livro faz um apelo aos judeus do primeiro século, cujas energias espirituais estavam enfraquecidas e que questionavam o valor de sua fé, em vista da religião judaica outrora praticada, para a qual pareciam estar sendo atraídos a voltarem”.
Por renunciarem ao judaísmo, enfrentavam oposição implacável. Nesse contexto, esse grupo de conversos poderia desanimar, fracassar na fé e até mesmo retornar às suas antigas tradições. A fim de motivá-los, Deus mostrou que seu sofrimento não era único e excepcional, mas que, assim como outros no passado que sofreram e obtiveram a vitória, todos nós podemos vencer. Essa motivação, que chamo de “inspiração”, está expressa em Hebreus 12:1: “…visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas…”. 
Nesse relato, as testemunhas são os heróis da fé mencionados em Hebreus 11. “A grande nuvem de testemunhas não significa que sejam espectadores do que acontece na Terra. Antes, nos dão testemunho pela vida de fé e perseverança que levaram, e estabeleceram um alto padrão para imitarmos” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, 2002, p. 865). Pela lealdade, “deram testemunho das possibilidades da vida da fé” (La epístola a los hebreus, 1987, p. 349).
Convém ressaltar que o escritor sagrado não estava dizendo que os espíritos dos heróis da fé estariam conosco para nos ajudar na corrida cristã. Mas que o legado deixado através do testemunho nos inspiraria em nossa corrida.
As testemunhas são “pessoas que alcançaram êxito, por isso nós também poderemos ter êxito” (Comentário Bíblico Beacon, v. 10, 2006, p. 114). Foram homens e mulheres pecadores, mas que, dotados da verdadeira fé em Jesus, foram mais que vencedores pela justiça de Cristo, testemunhando que a todos é imperioso vencer.
O que podemos aprender com o testemunho de cada um deles?
  • Abel: Obteve testemunho de ser justo quando ofereceu a Deus maior sacrifício do que o de Caim (Hb 11:4).
  • Enoque: Obteve o testemunho de agradar ao Senhor e foi trasladado (Hb 11:5).
  • Noé: Obteve o testemunho de ser temente a Deus ao construir a arca e salvar sua família (Hb 11:7).
  • Abraão: Obteve o testemunho da obediência, ao ir para um lugar que devia receber por herança (Hb 11:8).
  • Sara: Obteve o testemunho de ter por fiel Aquele que lhe daria a virtude de conceber, mesmo fora de idade (Hb 11:11).
  • Isaque: Obteve o testemunho de abençoar Jacó e Esaú no tocante às coisas futuras (Hb 11:20).
  • Jacó: Obteve o testemunho de abençoar cada um dos filhos de José (Hb 11:21).
  • José: Obteve o testemunho de dizer a maneira com a qual Deus conduziu o Êxodo de Israel (Hb 11:22).
  • Moisés: Obteve o testemunho de recusar ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus, abandonando o Egito e suas riquezas para libertar os israelitas da escravidão (Hb 11:24).
  • Raabe: Obteve o testemunho de não perecer com os incrédulos, acolhendo em paz os espias (Hb 11:31).
Possuir uma meta bem definida e identificar os passos que proporcionaram a vitória aos heróis da fé de Hebreus 11, é imprescindível para a obter a vitória em nossa corrida cristã. Porém, mais importante que iniciar a corrida é terminá-la. Para isso, é importante vencer os obstáculos que permearão o percurso.
  1. Transpor os obstáculos 
Imagine um corredor em busca da vitória, mas com vários apetrechos pesados amarrados em seu corpo. O cansaço seria inevitável, impedindo-o de cruzar a linha de chegada.
Na corrida cristã, todo embaraço ou peso desnecessário precisa ser eliminado para que nada interfira na vitória. O capítulo 12 de Hebreus recomenda: “…desembaraçando-nos de todo peso…” (v. 1).
A palavra “peso”, vem do grego ogkos, e sugere aquilo que serve para impedir que alguém faça algo (Léxico Grego-Português do Novo Testamento, 2015, p. 149). Claramente nesse caso, o termo usado pelo autor denota a ideia de um empecilho, obstáculo. São as dificuldades desnecessárias que vão diminuir nosso ânimo, independentemente de quão inocentes possam ser. Devem ser “despidas” da mesma forma que o corredor elimina as roupas supérfluas para não interferir em sua performance e na conquista do seu objetivo final.
Há uma estória interessante de um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra. Em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada. No caminho, encontrou um passante que lhe perguntou:
– Viajante, por que carrega essa pedra tão grande?
– É estranho, respondeu o viajante, mas eu nunca notei que a carregava. Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor. Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou:
– Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?
– Estou contente que me tenha feito essa pergunta, disse o viajante, porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo. Então ele jogou fora a abóbora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.
Qual era, na verdade, o problema dele? A pedra, a abóbora e os demais objetos? Não! Era a falta de consciência do peso desnecessário.
O texto ensina ao leitor a tarefa importante de descobrir o que pode impedir seu progresso na corrida do cristão. Os pesos desnecessários “podem não ser necessariamente atos pecaminosos, mas podem ser coisas que nos retêm, como o uso do tempo, algumas formas de diversão, ou determinados relacionamentos” Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal, 2009, p. 636).
Vale ressaltar que “os interesses próprios servem de grande carga; e logo se transmutam em pecado, se permitirmos que o egoísmo nos domine. Um intenso treinamento espiritual nos leva a reconhecer os ‘pesos’ e a nos desvencilharmos deles, tal qual o exercício diligente, na vida física, alivia o corpo do excesso do peso” (O Novo Testamento Interpretado, 2002, p. 640).
Hebreus 12 apresenta outro obstáculo na corrida do cristão:  “…e do pecado que tenazmente nos assedia…” (v. 1).
O termo grego para “tenazmente” é euperistatos, uma palavra rara. Com base em sua etimologia, sugere ser algo que se apega de perto (ibid). Num sentido mais amplo, pode ser algo que pode agarrar fortemente. Por mais dolorosa que seja a separação do pecado ao qual estamos agarrados, é preciso o desvencilhamento desse obstáculo para não impedir aquele que corre, de alcançar a meta final.
Porém, “o manuscrito grego mais antigo de Hebreus que possuímos traz uma palavra diferente, eurispastos, que significa ‘distrair-se facilmente’” (La epístola a los hebreus, 1987, p. 1455). Se esse for o termo correto (original), provavelmente o autor se referisse ao fato de que o corredor não poderia desviar do alvo os olhos. Segundo Hebreus 12:2, os corredores devem olhar para Jesus, o Autor e Consumador da fé.
  1. Perseverança 
“…corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta…” (Hb 12:1).
A palavra perseverança tem um significado muito especial. Vem do grego hipomone, que significa a capacidade de continuar a suportar sob circunstâncias difíceis (Comentário Bíblico NVI, 2012, p. 1455). Outros sinônimos são derivados: paciência, resistência, fortaleza, firmeza, constância.
Ao longo de sua atribulada existência, Abraão Lincoln enfrentou com frequência o ímpeto dos ventos contrários, porém jamais fundeou a âncora. Em 1832, ele perdeu o emprego. No ano seguinte, fracassou nos negócios. Em 1835 faleceu sua noiva. Em 1836, sofreu de aguda crise nervosa. Em 1838, foi derrotado em suas aspirações para alcançar a presidência da legislatura de Illinois. Em 1843, sofreu outra derrota como candidato ao Congresso Nacional. Em 1846 foi, afinal, eleito deputado federal. Em 1848 perdeu a reeleição. Em 1854 foi derrotado quando disputou a representação de seu Estado no senado da República. Em 1856 sofreu outra derrota, quando disputava a vice-presidência da República. Em 1858 foi outra vez vencido em sua campanha para o Senado. Porém, afinal, em 1860 foi eleito presidente do país. Lincoln nunca se deixou abater diante da derrota. Mas seu nome jamais seria conhecido pelo mundo se ele não houvesse perseverado (Ilustrações Selecionadas para Sermões, 2004, p. 129).
No âmbito espiritual, a carreira que nos está proposta abrange a vida toda. É uma experiência ao longo da vida. Se os homens lutam com tanta perseverança para conquistar uma carreira terrena e temporal, o que dizer de nós, cristãos, que deveríamos perseverar com paciência para completar a carreira da fé e receber a tão sonhada recompensa?
Quando a rainha Vitória era criança, ela não sabia que estava na linha de sucessão do trono da Inglaterra.  Seus professores, tentando preparar a criança para sua futura função, não conseguiram motivá-la. Ela não levava os estudos a sério. Finalmente, os professores decidiram dizer que um dia ela se tornaria a rainha da Inglaterra. Quando ouviu isso, Vitória disse: ‘Então eu vou ser boazinha’. A noção de que havia herdado uma elevada função lhe deu um senso  de responsabilidade que afetou profundamente sua conduta” (Lição da Escola Sabatina: O livro de Hebreus, 3º trim, 2003, p. 135).
Na corrida do cristão, Cristo nos oferece a elevada oportunidade de ser vencedores. A promessa ao vencedor é nada mais nada menos do que o Céu.  Se essas verdades maravilhosas não nos motivarem para viver uma vida digna dessa alta vocação, o que mais o fará?
“Como competidores numa corrida, devemos olhar para o exemplo deles (nuvem de testemunhas, grifo nosso) para encorajamento. Devemos nos desembaraçar de todo peso – de toda associação ou atividade que nos ponham em desvantagem – e do pecado que tenazmente nos assedia… Senão, corremos o risco de perder o prêmio, que é o presente generoso de Deus da vida eterna para todos os que terminam a corrida” (Comentário Bíblico Vida Nova, 2009, p. 2024).
Pr. Fábio dos Santos

terça-feira, 15 de março de 2016

''QUE FAREI DE JESUS, CHAMADO CRISTO?''

Quero iniciar com uma pergunta muito importante. É uma pergunta que foi levantada há 2000 anos atrás por um famoso governador. Ele fez a pergunta para a ocasião, e de acordo com as circunstâncias do momento. Entretanto, não sabia que estava fazendo a pergunta mais solene de toda a sua vida. Esta também é a pergunta mais solene que você terá de enfrentar enquanto você viver, em todos os dias de sua vida. Sabe qual é a pergunta?

Mateus 27:22: "Que farei então, de Jesus, chamado Cristo?"

Aqui temos a mais solene pergunta feita por Pilatos, governador romano. Pilatos tinha que fazer a decisão final quanto ao destino de Jesus. E ele não sabia o que fazer. Jesus tinha sido julgado pelo tribunal judaico que O condenara por blasfêmia; tinha sido levado perante Anás e Caifás, Herodes, e agora conduzido apressadamente a Pilatos, na madrugada daquela 6a feira do ano 31 de nossa era cristã.

E como Pilatos não sabia o que fazer, consultou a multidão, fazendo a mais solene pergunta: ''Que farei de Jesus, chamado Cristo?'' Ao pronunciar tais palavras (que se constituem na pergunta mais importante que já pode ser formulada), Pilatos fez uma interrogação universal que todo o indivíduo terá de enfrentar: – É uma pergunta pessoal, de cada indivíduo. – É uma pergunta inescapável: ninguém pode ser neutro, todos terão de enfrentá-la, todos terão de responder a esta importante e solene pergunta: ''Que farei de Jesus, chamado Cristo?''


I - COMO PILATOS RESPONDEU À SUA PRÓPRIA PERGUNTA


Pilatos cometeu 3 injustiças:

1- Pilatos libertou a um criminoso. Entre libertar um justo e um criminoso, ele escolheu libertar a um criminoso. Barrabás era o preferido da multidão, e Pilatos achou melhor seguir à multidão. O escolhido não foi o Salvador; foi um dos mais temidos criminosos.

2- Pilatos mandou açoitar a Jesus. Ele primeiro reconheceu a inculpabilidade de Jesus. V. 23: ''Que mal fez Ele?'' ''Eu não acho nEle crime algum!'' A seguir, mandou açoitar a Jesus Cristo. Como pode fazer isso? Se Jesus não é culpado, como pode Pilatos mandar açoitá-Lo? Os judeus perceberam sua vacilação e insistiram: ''Crucifica a Este, solta-nos Barrabás!''

3- Pilatos entregou a Jesus. Ao entregar Jesus aos líderes judaicos, Pilatos O condenou à morte, e morte de cruz, a pior morte, a morte mais horrenda e vergonhosa. Pilatos nunca mais teve paz de espírito. Não podia mais esquecer o que tinha feito de Jesus Cristo. Isso afetou toda a sua vida, e ele não podia mais mudar o que tinha feito. Bem que a mulher dele o advertira. No ano 39, 8 anos após à crucifixão de Jesus, não podendo mais suportar o remorso que carcomia a sua consciência culpada, ele pôs fim à sua miserável existência.


II – COMO OUTROS HOMENS RESPONDERAM À PERGUNTA


1- JUDAS também não sabia o que fazer de Jesus Cristo.

Judas era um homem de talentos especiais, admirado por muitas pessoas, inclusive pelos outros discípulos.

Ele viveu com Jesus por 3 anos. Ele pôde acompanhar o Salvador em Seus poderosos milagres, e em Suas obras de amor. Ficou convencido de que Ele era realmente o Messias enviado de Deus. Aprendeu muitas lições preciosas proferidas por Jesus. Mas Judas amava ao dinheiro mais do que a Cristo e Suas lições. Ele era avarento e ladrão e não quis se arrepender, não quis fazer de Jesus o seu Salvador.

Então, no final dos 3 anos, ele decidiu o que fazer de Jesus: - ele chamou os líderes judeus e propôs entregá-Lo. Então, traiu a Cristo por 30 míseras moedas de prata. Mas esse dinheiro que tanto desejara não lhe serviu de nada. Após a traição, tocado de remorso, Judas foi procurar os sacerdotes para devolver as moedas, dizendo: ''Pequei, traindo sangue inocente!'' E eles responderam, simplesmente: ''Que nos importa? Isso é contigo!'' Então, Judas jogou as 30 moedas para dentro do santuário, e foi procurar uma árvore para enforcar-se nela. (Mat. 27:3-5).


2- Você sabe o que SAULO fez de Jesus?

Ele perseguia a Jesus na pessoa dos Seus seguidores. Quando ele ia pela estrada de Damasco, a fim de aprisionar ainda outros cristãos daquela cidade, ele se encontrou com Jesus, que lhe apareceu numa radiante luz, e ouviu estas palavras: ''Saulo, Saulo, por que Me persegues?'' (Atos 9:4).

Nesse momento, compreendeu que estava fazendo tudo errado, e se defrontou com a grande questão: ''Que farei agora de Jesus? Pois até aqui, eu vinha perseguindo a esse Jesus, a Quem Deus ressuscitou dos mortos, como Filho de Deus! O que farei agora dEle?''

Mas ele não consultou aos seus companheiros de viagem. Ele consultou ao próprio Jesus, dizendo-Lhe: ''Senhor, o que queres que eu faça?'' (Atos 22:10). Então, o Senhor Jesus Cristo o dirigiu para os cristãos perseguidos, a fim de que eles o batizassem, e Saulo perseguidor se tornou em Paulo perseguido, um cristão autêntico, fazendo de Jesus o seu Salvador pessoal, e levando outros milhares à salvação.


3- NICODEMOS aceitou a Jesus como seu Salvador.

Ele teve um encontro com o amado Mestre, ouviu atentamente as Suas palavras e compreendeu o plano da salvação.

Então, passou a defender a Jesus até diante do tribunal judaico, o Sinédrio; quando todos os outros estavam firmados contra o Mestre, Nicodemos ficou sozinho para pleitear em Seu favor, correndo o risco de perder a sua elevada posição, ser expulso do tribunal, e da própria sinagoga.

Após a morte de Cristo, o rico Nicodemos entregou todos os seus bens para a pregação do Evangelho.


4- PEDRO negou a Jesus, vergonhosamente.

Após tanto tempo em que tinha estado com Jesus, não se conhecia nem mesmo a si próprio. Jurou fidelidade até à morte e foi advertido por Jesus de que ele O negaria naquela mesma noite. Ele respondeu que jamais faria aquilo, mesmo se outros fizessem.

Entretanto, com medo de uma simples criada, negou que conhecesse a Jesus. Sim, o mesmo Pedro que jurou que estava disposto a morrer por amor a Cristo!

Felizmente, ele se arrependeu de forma sincera, tornou-se um dos grandes apóstolos do Mestre, e no final de seu ministério, deu a vida por amor a Cristo, sendo crucificado de cabeça para baixo, deixando-nos um exemplo digno de desprendimento, renúncia e abnegação.


5- A MULTIDÃO rejeitou a Cristo.

Instigados pelos sacerdotes e fariseus, clamavam: ''Crucifica-O! Crucifica-O!''

E diziam mais: ''O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!''

Onde estavam os leprosos que foram purificados? Onde estavam os paralíticos, os coxos que se ergueram com saúde? Onde estavam os cegos que recuperaram a vista pelo poder de Cristo? Onde estavam todos os enfermos e endemoninhados? Muitos deles ali estavam avolumando o grito: ''Crucifica-O!''


III – O QUE FAREMOS NÓS DE JESUS, CHAMADO CRISTO?


Pilatos não sabia o que fazer de Jesus e consultou ao povo, que o pressionava, exigindo a crucifixão do Filho de Deus.

Você consulta a outras pessoas sobre suas decisões espirituais? Você deixa que os seus parentes, amigos e vizinhos interfiram em sua opinião, e permite que eles decidam o que você fará de Jesus? Esta é uma questão muito importante para você deixar que os outros decidam por você!

Este é um assunto de vida ou morte: sua salvação ou perdição eterna dependem da decisão sobre o que você vai fazer de Jesus Cristo!

Pilatos não aproveitou a sua última oportunidade. Ele não sabia que se ele não aceitasse a Cristo naquele momento, ele se perderia para sempre. Pode ser que alguns aqui estejam passando pela sua última oportunidade. Ninguém pode saber o que acontecerá amanhã!

Pilatos não fez de Jesus o Seu Salvador, e viveu mais alguns anos, cheios de remorsos. Então, não podendo mais suportar aquela existência miserável, suicidou-se, para a sua perdição eterna, porque não fez a escolha certa. Ele desprezou a última chance de toda sua vida; ele menosprezou a maior oportunidade de sua infrutífera existência.

Você também não pode saber o que acontecerá se não fizer de Jesus o seu Salvador nesta noite, porque amanhã poderá ser tarde demais.

Uma jovem certa vez, começou a assistir a uma série de conferências. Houve muitas oportunidades, muitos apelos. Mas ela não se decidia. Assistiu a mais uma conferência, mas não se decidiu naquela noite. Então, no outro dia, atravessando a rua, foi atropelada e morreu. Ela não sabia que aquela noite era a sua última oportunidade e rejeitou a Jesus na sua vida. Não podia saber que o seu tempo de graça estava se esgotando, e se perdeu.

O que faremos de Jesus, chamado Cristo? O que você vai fazer dEle? Decida-se por você mesmo: - O que você vai fazer de Jesus? Sugiro que você O torne o seu Salvador pessoal.

Jesus é o único e suficiente Salvador, porque não existe outro. Ninguém mais poderá salvá-lo. Os santos não podem salvá-lo; os profetas não podem salvá-lo; os ministros não podem salvá-lo; as igrejas não podem salvá-lo! É só Jesus Cristo que pode salvá-lo! Ele é o único; não existe mais ninguém!

Mas considere agora:


IV – O QUE JESUS FEZ POR VOCÊ


Para saber o que você deve fazer de Jesus, você deve meditar no que Ele já fez por você.

1- Jesus deixou o Seu trono lá no Céu. Ele é Rei e estava assentado no trono junto do Pai. Mas Ele deixou o conforto do Seu Paraíso, deixou toda a glória e honra que recebia dos santos anjos e dos mundos que não caíram no pecado, e veio a este mundo por você e por mim.

2- Jesus viveu uma vida perfeita por você. Ele viveu aqui neste mundo uma vida de perfeita obediência à Lei de Deus, para que pudesse creditar tudo isso na sua conta. Então, Ele assumiu todos os seus pecados, para dar a você a sua perfeita justiça com a qual você pudesse ser perdoado e reconciliado com Deus.

3- Jesus morreu por você. Na Cruz do Calvário, Ele derramou o Seu precioso sangue, morrendo por você numa infamante e vergonhosa morte de cruz, para que você pudesse viver, e não precisasse sofrer a pena e o castigo do pecado.

4- Jesus ressuscitou para lhe dar a vida eterna. Ele foi ao Céu e intercede por você. E finalmente prometeu voltar para buscá-lo. Agora está garantida a sua entrada no Céu, para você poder viver eternamente lá no Paraíso com Deus, que o amou de tal maneira que deu o Seu Filho único para fazer tudo isso por você, para que hoje você soubesse o que fazer de Jesus.


CONCLUSÃO


Então, sabendo agora de tudo isso, o que você fará de Jesus, chamado Cristo? Ao saber Quem é Jesus, o poderoso Salvador, que demonstrou tão maravilhoso amor de tal modo que viveu e morreu por você e por mim, eu já fiz de Jesus o meu glorioso Salvador.

E quanto a você? O que fará de Jesus? Gostaria de recebê-Lo em seu coração? Você gostaria de recebê-Lo como Salvador pessoal? Você gostaria de fazer de Jesus o Seu Deus e Senhor, por toda a sua vida?


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

sábado, 16 de janeiro de 2016

A pergunta que Deus não pode responder



Hoje o nosso tema é: ''A pergunta Que Deus não pode responder.''

Este é um título estranho, porque Deus é Todo-Poderoso; Ele pode responder a todas as perguntas; Deus é cheio de sabedoria; Ele conhece a resposta a todas as perguntas. Ninguém conseguirá deixá-Lo sem resposta.

Podemos nós formular uma pergunta que Ele não responda? Pode o ser finito fazer uma pergunta que o Ser infinito não encontre resposta? Mas há uma pergunta que Deus não pode responder. Mas o mais impressionante é que a pergunta que Deus não pode responder foi inspirada por Ele mesmo.

Vamos encontrar essa pergunta em Heb. 2:3: ''Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram." Esta é a pergunta que Deus não pode responder: ''Como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande Salvação?" E por que Ele não pode responder? Simplesmente porque ela não tem resposta; Ele não pode achar um outro modo. Ou seja: Se nós negligenciarmos esta Salvação, esta tão grande Salvação, nós não escaparemos; não haverá outro meio de nos salvarmos; este Evangelho é o único meio.

Esta é uma solene advertência. Como o lavrador perderá sua colheita por simples negligência; como o comerciante irá à falência por simples negligência; como o operário perderá o seu emprego por simples negligência; assim virá a ruína da alma por simples negligência da Salvação. Se nós descuidarmos da Salvação, nem mesmo Deus poderá fazer qualquer coisa por nós. Estaremos irremediavelmente perdidos.

Não haverá escape, se negligenciarmos tão grande salvação:

Não há escape, porque não há outra Salvação;

Não há escape, porque não há outro Salvador;

Não há escape, porque não há outro Deus.

Mas notemos 3 PONTOS SALIENTES que se destacam do nosso texto, 3 questões importantes.


I – A SALVAÇÃO PROVIDA É UMA GRANDE SALVAÇÃO

1- Foi anunciada por Jesus Cristo, pessoalmente. Ele veio a este mundo, deixando a glória do Céu, a companhia dos anjos, a adoração dos mundos que não caíram em pecado, e veio para nos anunciar a Salvação. De que modo Ele veio? Ele precisou assumir a natureza humana, se tornar um Homem, a fim de cumprir este propósito tão importante. Ele precisou Se submeter às tentações de Satanás, ser maltratado entre os homens, e finalmente ser crucificado entre dois ladrões, assumindo os pecados de todos e receber a ira de Deus morrendo para que os pecadores pudessem ter a vida eterna.

2- Foi testemunhada por Deus, com sinais e milagres. Alguns nos perguntam: Por que Deus não realiza por nós aqueles milagres que Ele realizava nos tempos de Cristo? Aqui está a resposta: O objetivo daquela demonstração de poder em sinais e milagres e prodígios era para testificar desta tão grande Salvação.

Hoje a Salvação já tem o próprio testemunho do poder de Deus, que Se houve maravilhosamente, ratificando o poder salvador de Cristo através das maravilhas do Seu poder, dando vista aos cegos, levantando paralíticos, purificando leprosos, ressuscitando mortos, andando sobre o mar e deixando os homens admirados, dizendo: ''Hoje vimos prodígios extraordinários!'' e ''Deus visitou o Seu povo.''

3- Foi selada pelo Espírito Santo, com os dons espirituais. Quando a Salvação se manifestou em Cristo, o Espírito Santo estava lá, selando com os dons espirituais, a fim de que os homens pudessem não só sentir a convicção do pecado, mas adquirir poder para receber a Salvação.

No momento da pregação de Jesus, Ele estava lá despertando as consciências, dando dons aos homens. Quando Cristo morreu, Ele despertou a muitas pessoas. Quando Jesus ressuscitou e foi assunto ao Céu, Ele deu dons aos homens. No Pentecostes, novamente e de modo extraordinário, o Espírito Santo Se manifestou com Suas distribuições, de tal modo que os apóstolos em pouco tempo iluminaram o mundo todo com a glória do conhecimento de Deus e de Sua Salvação.

Esta, com efeito, é uma grande salvação. Você não estaria negligenciando uma Salvação provida por seus amigos, nem por seus parentes, o que já seria grande. Por exemplo: Noutro dia saiu a notícia na Televisão, dos pais de um menino que deram parte dos seus pulmões para o seu filho poder respirar direito e assim se salvar, evitando a morte certa. Foi um ação nobre daqueles pais que comoveu o País inteiro: três operações realizadas por médicos experientes numa tentativa de os pais salvarem o seu filho. Isso foi uma grande e comovente salvação.

Isso seria uma grande salvação se fosse provida por anjos que viessem lá do Céu a fim de nos dar um meio de escape.

Mas nada pode ser comparada à esta Salvação em grandeza, porque ela foi providenciada pela própria Trindade. E, portanto, negligenciar a Salvação provida pela Divindade, é certamente uma grande negligência, que por sua vez levará à uma grande perda, da qual não há escape.


II – POR QUE AS PESSOAS NEGLIGENCIAM A SALVAÇÃO

Se a Salvação é tão grande e tão especial, e se não há escape fora dela, por que as pessoas a negligenciam? Seria por que não amam a vida? mas eles gostam de viver. Seria por que lhes falta conhecimento? mas a maioria possui abundante conhecimento e ainda estão em negligência de sua própria Salvação. Então, por que eles tem sido culpados desta negligência?

1. Demasiada preocupação pelas coisas do mundo.

Vamos ler uma advertência de Jesus: Lucas 17:26-30: "Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos. O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar."

Qual foi o pecado especial dos antediluvianos? Disse Jesus Cristo que eles comiam e bebiam, plantavam e edificavam, compravam e vendiam, casavam e davam-se em casamento. Alguém, interpretando esta passagem, disse que o pecado não estava em casar-se, mas em dar-se em casamento. Mas se enganou; este não era o problema. O maior pecado dos homens que pereceram no Dilúvio foi o de fazer das coisas comuns da vida tudo o que faziam. O seu maior pecado foi o de negligenciar a Salvação, preocupados apenas com as coisas desta vida, e nada mais. Eles faziam tudo; menos a coisa mais importante que é buscar a própria Salvação.

Esse também foi o pecado de Sodoma e Gomorra. Eles estavam tão envolvidos com as suas coisas materiais que não tinham tempo para se preocupar com as coisas espirituais. E finalmente o pecado da negligência os apanhou numa esmagadora surpresa.

Hoje a História se repete: os homens negligenciam a salvação porque estão preocupados demais com as coisas do mundo. Mas o apóstolo João também adverte: 1Jo. 2:15-17: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.''

São as corridas de cavalos, os espetáculos de futebol, os ídolos da TV, os vídeos, os filmes e as novelas; são as diversões do mundo em geral que roubam o tempo de graça de milhões de pessoas.

Mesmo entre os cristãos encontramos pessoas tão apegadas às coisas do mundo, tão iludidas, tão impressionadas com os encantos das luzes vermelhas do pecado! Mas ''que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'' (Mc. 8:36) Que nos aproveita partilhar das coisas do mundo e negligenciar a própria Salvação, se desse modo podemos nos perder?

A Bíblia fala de Demas, que abandonando o apóstolo Paulo, amou o presente século, apegou-se às coisas do mundo, deixando um péssimo exemplo na caminhada cristã.

Mas Cristo completa, dizendo: ''Assim também será na Vinda do Filho do Homem.'' Portanto ''acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que os vossos corações fiquem sobrecarregados com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço'' (Luc. 21:34), apanhando-nos numa esmagadora surpresa.

2- Falta de visão espiritual. É outra razão para a negligência.

Caim não tinha esta visão espiritual indispensável para mover as pessoas que desejam se salvar. Ele não enxergava os seus próprios pecados, não via o significado do sangue de um cordeiro que não tinha nada com o seu pecado, e portanto foi ao campo e trouxe algumas frutas, julgando que seria aceito assim tão cegamente. Não tinha a visão do Salvador que haveria de morrer em seu lugar.

A mulher de Ló também não tinha visão espiritual. Disse Jesus: ''Lembrai-vos da mulher de Ló.'' Por que? Onde estava a sua visão? Em Sodoma, nas jóias que deixara lá, no dinheiro que estava perdendo, nas suas propriedades e na sua bela casa. Não viu que poderia se perder na desobediência de uma ordem explícita de Deus. Tinha tudo para se salvar, mas em poucos segundos foi transformada em uma estátua de sal, porque olhou para trás, e deixou de olhar para a frente onde estava a Salvação. ''Escapa-te por tua vida!'' disseram os anjos. Mas ela negligenciou aquela grande salvação, e não pôde escapar. Perdeu-se, e confirmou-se a verdade da pergunta que nem Deus pode responder: ''Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande Salvação?''

Judas também tinha os olhos no dinheiro. Era ladrão, interesseiro, e se tornou traidor do próprio Cristo por amor ao dinheiro. Tudo por falta de visão espiritual; ele era cego para as coisas de Deus e negligenciou a sua salvação estando tão perto do Salvador. E hoje, semelhantemente, quantos traem a Cristo por amor ao dinheiro!
Note o que nos disse o apóstolo Pedro, em 2 Ped. 1:9: "Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora." As pessoas que negligenciam a salvação, elas são cegas espiritualmente:

Eles não vêem a sua necessidade. O fariseu orava: ''Graças Te dou, Senhor, porque não sou como os demais, homens pecadores, roubadores e adúlteros; nem como esse publicano ali.'' Cantava um hino de louvor a si mesmo, porque não sentia a sua própria necessidade de Salvação, julgando-se melhor que os outros, não reconhecendo a pecaminosidade que é tão própria a todos. Não sentiu a necessidade de um Deus Salvador, e voltou vazio para a casa sem a bênção.

Visitei uma senhora com quem estudei a Bíblia por algum tempo, indicando as mensagens de Deus. Ela ia às vezes à Igreja. Mas nunca se decidiu pela sua Salvação. Finalmente, fui fazer um último apelo de minha parte. Ela disse: ''Eu não sinto necessidade de me batizar.'' O esposo é Adventista, ela conhecia bem a Verdade, já passara por um ataque cardíaco, era idosa, a morte se aproximava, porém ela negligenciava a Salvação, porque não sentia necessidade disso.

Os cegos espirituais

  • não vêem a sua necessidade,
  • não vêem os sinais dos tempos, não podem perceber que o tempo está se esgotando para todo o mundo,
  • não vêem a glória de tão grande Salvação, provida pelo maravilhoso Salvador Jesus Cristo, junto ao Pai e o Seu Espírito,
  • Eles não percebem o perigo, falta visão espiritual para pressentir o perigo e a gravidade do que significa negligenciar tão grande e extraordinária Salvação, oferecida gratuitamente.

Mas outras pessoas sentem tudo isso, percebem toda essa maravilha e anseiam se salvar. O publicano dizia: ''Senhor, tem compaixão de mim, pecador'', e batia no peito, dizendo: ''Minha culpa, minha culpa! Sê propício para comigo, Senhor!'' E nem ainda levantava a cabeça para o alto. E disse Jesus que este saiu justificado, e não o outro.

Disse Jesus: ''Bem-aventurado os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos.'' Se você não sente fome e sede da Salvação, então não perca mais tempo: Vai a Jesus, entregue-Lhe o seu coração e a vida, e busca a Salvação, antes que seja tarde demais. Não deixe para depois, acerte logo o seu caso com Deus. Abandone aquele pecado, converte-se inteiramente a Jesus Cristo.

Não fique numa falsa segurança. Não há nenhuma segurança em procrastinar, em adiar a Salvação. Não é seguro deixar o preparo da alma negligentemente para depois. Não é seguro adiar, pensando que Deus terá misericórdia de você, enquanto outros estão se perdendo, mas você não vai se perder negligenciando tão grande Salvação. É presunção achar-se seguro, quando somos culpados de negligenciar a própria Salvação.

Outra razão por que as pessoas negligenciam a Salvação:

3-Desejo de agradar às pessoas erradas.

Muitos estão negligenciando a Salvação, porque querem agradar a certas pessoas que eles estimam, que pode lhes garantir uma boa reputação, e essas pessoas gostam de ser louvadas e glorificadas. Eles se esforçam por agradar os amigos: - não podem decepcioná-los, não podem desfazer-se aquele círculo social. ''O que dirão os meus amigos?'' Realmente, eles perderiam os seus melhores amigos, se estivessem envolvidos com as coisas desses crentes.

Saul apreciava tanto a popularidade, os aplausos humanos, que ele ficou arruinado quando o coral cantou: ''Saul feriu os seus milhares; porém Davi os seus dez milhares.'' O medo de perder a popularidade, o receio de perder a reputação entre conhecidos, parentes e amigos é realmente um grande obstáculo à Salvação.

Pilatos estava diante da própria Salvação em pessoa. Diante de Cristo, perguntou: " 'O que é a Verdade?' O que é a verdade de Deus, da Vida e da Salvação?'' Estava ali com sua oportunidade áurea para saber o que é a Verdade e se salvar, mas não esperou para ouvir a resposta de Jesus. A multidão lá fora exigia uma resposta pronta, e ele tinha receio de desagradar ao povo, e negligenciou à própria Salvação por querer agradar às pessoas erradas, e se perdeu.

Você está negligenciando a Salvação? A quem realmente você quer agradar? A Satanás? Aos amigos do mundo? Ou a si mesmo? Mas se você quiser agradar sinceramente às pessoas certas, então você jamais negligenciará a Salvação, porque você estará agradando a Deus, a Jesus Cristo e ao Espírito Santo, os Autores desta gloriosa Salvação, e também estará agradando a outras pessoas certas como os anjos que são ''espíritos ministradores enviados a favor dos que hão de herdar a Salvação'', e também estará agradando aos sinceros cristãos que já estão empenhados nesta tão grande Salvação. Realmente, você estará agradando às pessoas absolutamente certas. E finalmente, você agradará a si mesmo, com os resultados seguintes: - você terá prazer e alegria nesta Salvação maravilhosa.


III – COMO PROMOVER A SALVAÇÃO

O que disse o apóstolo Paulo na epístola aos Hebreus? (2:1): ''Importa que nos apeguemos...'' Enquanto que muitos negligenciam, nós devemos promover esta salvação. E como o faremos? ''Apegando-nos mais firmemente...'' A que estamos nós apegados? Muitos estão apegados às coisas deste mundo e desta vida, esquecendo-se do que é mais importante.

Ao que devemos nos apegar? ''Às verdades ouvidas.'' Alguns estão procurando novidades, ''como que sentindo coceira nos ouvidos'', insatisfeitos com as verdades que ouviram da Palavra de Deus.

Noutro dia fui visitar um pastor de outra denominação, que já estava guardando o Sábado e no entender dos irmãos ele seria um futuro Adventista. Aliás, não se pode dizer que era de outra denominação, porque disseram depois que eles estão fundando uma igreja sem denominação e sem placa. Então, eu disse que isso era difícil de dar certo, porque qualquer coisa diferente que fizessem haveria de caracterizá-los, e então isso exigiria uma placa. E ademais sabemos que a igreja deles já existe e se chama ''Igreja Interdenominacional'' ou a ''Igreja sem Nome.'' Mas isso já é uma placa. E logo o pastor começou a criticar a nossa igreja, dizendo que não é só a guarda do Sábado, e entrou noutros assuntos.

Mas o que mais me impressionou foi o fato de que um irmão recentemente batizado estava se unindo com eles pensando que estava descobrindo uma nova verdade não revelada. Ele havia feito um curso completo do Apocalipse, e ao invés de se apegar às verdades ouvidas, ele já estava se perdendo com um povo que não tem segurança, embalado por qualquer vento de doutrina.

De que jeito nós devemos nos apegar? Com mais firmeza, para não deixar isso escapar de nós. Disse Jesus Cristo à Igreja de Filadélfia: ''Venho sem demora; conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa.'' [Apo. 3:11]

Devemos estudar a Bíblia, para promover a Salvação (2 Tim. 3:15).

Devemos guardar os mandamentos de Deus (Sal. 119:166).

Devemos orar sem cessar, numa contínua comunhão com Deus.

Devemos assistir aos cultos da igreja, ''não deixando de congregar-nos, como é costume de alguns.'' (Heb. 10:25)

Devemos ler as mensagens do Espírito de Profecia (Apo. 19:10; 22:6-7), que nos foram dadas por Deus para que nós promovêssemos a Salvação, jamais negligenciando tão preciosa Dádiva.

Desse modo, estaremos promovendo e desenvolvendo a nossa Salvação, ''olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador de nossa fé.'' (Heb. 12:1)


CONCLUSÃO

Vamos cuidar para não negligenciarmos a Salvação, que nos é oferecida gratuitamente, mas que custou um preço infinito a Jesus que morreu para nos garantir tão grande e preciosa Redenção.

Vamos promover a Salvação, vindo à igreja, estudando a Bíblia, fazendo o nosso culto familiar, e a nossa devoção, apegando-nos às verdades ouvidas da Palavra de Deus, olhando firmemente para Jesus, o Autor de nossa fé.

Vamos louvar a Deus por esta maravilhosa Salvação, engrandecendo a Jesus Cristo que não mediu esforços para que nós fôssemos salvos com abundante provisão por toda a eternidade.


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.
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