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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Amor que Nunca me Abandona

O texto para a nossa meditação nesta manhã se encontra em Rom. 8: 35, 38-39: "......." O que significam estas palavras?

Não seriam estas as coisas mais prováveis de uma possível separação do amor de Deus?

Será que isto significa que nós podemos descansar seguros de que não importa o que nós fazemos, nós seremos salvos? Será que isto significa que Deus nos amará independente de nossa resposta? Segurança incondicional?

Por outro lado, isto significa que esta promessa só será cumprida se nós, em nossa própria força, mantivermos nossa fé nEle? Deus continuará a amar-nos, somente se nós continuarmos a amá-lO? Segurança condicionada às nossas fracas forças? Segurança condicional?

Ou há mais do que isso em nosso texto? Vamos explorar esta questão, perguntando:

O que Pode Realmente Separar-nos do Amor de Deus?

A 1ª questão é:

I - PODE O SOFRIMENTO SEPARAR-NOS DO AMOR DE DEUS?

Paulo pergunta: Rom. 8:35: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?"

Como vamos entender esta questão? Será que ele sugere que o sofrimento pode assim angustiar e derrotar-nos de tal modo que nós percamos nossa confiança em Deus?

Isto pode e realmente acontece: É na calamidade, que alguns reagem pelo instinto. Eles se revoltam imediatamente contra Deus; seus sentimentos para com Ele são severos e rebeldes.

Conta-se que Lord Londonderry gritou maldições contra Deus, quando um prédio escolar desmoronou sobre os seus três filhos, que morreram instantaneamente. Mais tarde, ele escreveu em seu jornal estas palavras: "Eu aprendi que o Todo-poderoso Deus, por motivos melhor conhecidos por Ele, agradou-Se em queimar minha casa na cidade de Durham."

É verdade que as pessoas algumas vezes reagem ao sofrimento amaldiçoando a Deus e perdendo a sua fé nEle.

Contudo, Paulo não está falando aqui acerca de nosso amor por Deus, mas do amor de Deus por nós.

Ele não está perguntando: "Será que o sofrimento nos impedirá de amar a Deus?" Ele está perguntando: Será que o sofrimento impedirá a Deus de nos amar? Não! Será que Deus deixa de nos amar quando nós sofremos? A resposta é não! Estes sofrimentos não podem separar-nos do amor de Deus. Pelo contrário, Deus está mais próximo de nós quando nós sofremos.

Nós tendemos a pensar que pelo fato de sermos cristãos, Deus deveria proteger-nos do sofrimento – da tribulação, da angústia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada. Assim, quando nós sofremos, nós pensamos que Deus nos abandonou. O que Paulo está dizendo é que quando nós sofremos, isso não é por causa que Deus nos abandonou; Ele nos ama de modo especial em nosso sofrimento.

A memória da Cruz e dAquele que não poupou a Seu próprio Filho por nós deveria nos encorajar pelo fato de que tribulação, angústia, ou perseguição, ou fome ou nudez ou perigo ou mesmo a espada não podem separar-nos do eterno amor de Deus.

Sakae Kubo, um professor de teologia em Wala Walla, USA, tinha uma filha de 14 anos, mas aconteceu um acidente, e ela morreu de modo imediato. Muitos anos mais tarde ele pode dizer:

"A promessa de Rom. 8: 38 e 39 tem significado muito para mim através dos anos. Quando a minha filha morreu no acidente, a minha fé em Deus não vacilou, mas a pena e o sofrimento daquela experiência foram tão intensos que Deus não parecia estar tão perto.

"A única coisa que fica em minha memória do serviço funeral é a leitura bíblica. O ministro leu as palavras de Rom. 8:31-39, terminando em um clímax de triunfante afirmação e segurança que eu posso ouvir mesmo agora: 'Porque eu estou bem certo de que nem a morte, ...poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.' "

Disse mais ele: "Quando eu ouvi aquelas palavras, eu ainda não podia entender a razão daquela tragédia, mas meu coração foi fortemente aquecido com a presença do Pai e a segurança de seu eterno amor."

II - PODE O PECADO SEPARAR-NOS DO AMOR DE DEUS?

Vamos ler uma possível resposta em Isa. 59:2: "........."

Aqui lemos que o pecado e a iniqüidade nos separam de Deus. Causam uma barreira, levantam um muro de separação entre o Criador e a criatura, entre Deus e o Seu povo.

Mas foi o próprio Isaías que teve uma experiência, no início de seu ministério, aparentemente contrária a estas palavras. Isa. 6:5: ".......". Isaías sente o seu pecado, ele se desespera, se considera perdido. Ele viu a glória de Deus. Será que ele seria fulminado, destruído, separado de Deus e do seu amor? V. 6 e 7: "..........". Não, ele não foi abandonado, não foi separado. O seu pecado, ao invés de atrair a ira, atraiu a misericórdia e o perdão.

Por causa de nosso pecado, não deveria ser surpresa se Deus fosse contra nós. Ele tem toda a razão para estar. Isso seria para nós justiça, desde que nós temos escolhido andar por nossa própria vontade no caminho da desobediência e pecado. Nós merecemos a ira de Deus, não a Sua graça, e a justiça demanda que nós recebamos o que nós merecemos. Mas Deus é mais do que um Deus de justiça. Ele é um Deus de misericórdia e amor.

Mas então, o que significam as palavras de Isa. 59? De fato o pecado pode nos separar de Deus. Entretanto, no próprio capítulo 59 de Isaías, o mesmo Deus que dizia que as iniqüidades e pecados causavam separação entre Ele e o Seu povo, Ele mesmo estava tomando todas as providências para salvá-los. Leia comigo o verso 1: ".......". Agora no verso 16:"......". Está falando do Messias, Jesus Cristo. V. 20:".......".

Pensemos em Adão. Adão pecou e foi separado de Deus. O pecado provocou uma separação. Mas a grande pergunta é: Quem se separou de quem? Adão foi quem se separou; não foi Deus quem se separou de Adão; foi Adão que se separou de Deus. Ele se desligou da Fonte da vida e começou a morrer. Ele pecou e começou a fugir de Deus. Portanto, a separação provocada pelo pecado foi pelo lado de Adão.

Entretanto, o que fez Deus? Deus foi em busca de Adão: "Adão, onde estás?" A Sua voz se fez ouvir. Ele queria dizer a Adão que ele ia se sentir abandonado e separado, mas o Seu amor providenciara um Salvador, antes da sua Criação!
Mas, agora entramos num dilema: se Deus é justiça, se Ele é tão puro de olhos que não pode ver o mal, não estaria Ele também separado de Adão? De fato, pela justiça, Deus deveria Se separar de Adão. Mas Deus não é só justiça, é amor também: pela misericórdia, Ele Se aproxima. Mas então, temos um Deus dividido entre o amor e a justiça? Como pode Deus estar separado e aproximado ao mesmo tempo?

Esse dilema já havia sido resolvido, antes da fundação do mundo, quando o Cordeiro foi morto. A justiça seria aplicada em Cristo, a separação seria consumada em Cristo. Na Cruz, Ele disse: "Deus meu, Deus meu, por que Me abandonaste?" "O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados".

Portanto, o pecado não pode mais nos separar de Deus, que Se aproxima de nós através do sangue de Cristo. Se você clama pelo Seu sangue derramado, o sangue nos aproxima de Deus. Não importa o pecado que você tenha praticado. Cristo Se separou de Seu Pai naquele dia do Calvário, para que você jamais se separasse do amor de Deus.

Desse modo, à luz da disposição de Deus em nos perdoar, o pecado não nos separa de Deus. Ao dar Seu próprio Filho por nós, Deus mostrou que Ele faria o máximo para nos salvar. O amor de Deus é tão certo na Cruz que não importa o que aconteça, Ele sempre nos amará.

Nossos pecados não podem nos separar de Deus porque Ele não nos condena. Ele é nosso Juiz, mas se Ele está a nosso favor, se Ele nos justifica, quem poderia condenar-nos?

Ao invés de separar-nos do amor de Deus, nossos pecados perdoados são realmente um sinal do amor de Deus. Nossos pecados perdoados nos mantêm lembrados de como Deus nos ama. Eles nos lembram que Deus não poupou a Seu próprio Filho, e fará qualquer coisa possível para nos guardar da queda, e nos levar a salvo para o Seu Reino.

O apóstolo Paulo já havia tratado desse assunto até o capítulo que estamos estudando. Depois de tudo o que ele explicou do cap. 1 até o cap. 8, ele não parece estar preocupado com o maior problema do homem, porque ele nem o menciona como algo que nos possa separar do amor de Deus.

Pense em alguma coisa terrível: pensou na morte? Paulo disse que nos dá a certeza de que a morte não pode nos separar do amor de Deus. Há alguma coisa mais terrível do que a morte? Pensou no pecado, que produz a morte? Pode o pecado nos separar do amor de Deus? Não! Por quê? Porque esse problema já está resolvido.

Aliás, já no 1º verso, ele nos dá a garantia: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." Porque Ele morreu na Cruz do Calvário (Rom. 8:1-3). Portanto, Paulo nem menciona mais o assunto do pecado, como algo que pudesse nos separar de Deus. Se havia uma coisa terrível, a coisa mais terrrível que pudesse nos separar do amor de Deus, esse problema ele dá como resolvido, porque nós estamos em Cristo, e todos os que estão em Cristo não têm mais condenação, estão livres e o pecado não terá domínio sobre nós.

Mas e se alguém pecar? Se um cristão cometer um pecado grave? Isso também já foi providenciado. Disse o apóstolo João: "Filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; se todavia alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Cristo Jesus, o justo, e Ele é a propriciação pelos nossos pecados." (1João 2:1-2).

Portanto, o pecado não pode nos separar do amor de Deus.

III – PODEMOS NÓS MESMOS SEPARAR-NOS DO AMOR DE DEUS?

Em geral, nós interpretamos estes versos de Romanos 8 como se referindo somente ao que nós podemos esperar do lado de Deus. A implicação é que Deus não pode cumprir a Sua parte se nós não cumprimos a nossa. Isto seria o mesmo que dizer: Nada vai nos separar do amor de Deus, se nós mantivermos a nossa fé nEle. Isto é verdade no sentido de que Deus não nos força a permanecermos Seus filhos.

Isso não significa, contudo, que se nós somos salvos uma vez, nós somos sempre salvos, e não podemos desistir da entrega que fizemos há um tempo atrás. A Bíblia fala do trigo e joio crescendo juntos e dos peixes de todos os tipos apanhados na rede do Evangelho. E através de toda a Escritura achamos advertências contra cair em tentação e apostasia. A complacência que vem de um senso de absoluta segurança não é um ensino da Bíblia.

Contudo, muitas vezes nós vamos para o outro extremo. Como a possibilidade de cair é uma realidade, nós nos sentimos inseguros e vacilantes quanto ao nosso relacionamento com Deus e com Jesus Cristo.

Mas se nossa salvação dependesse de nossos próprios esforços, nós não poderíamos ser salvos. Mas ela depende dAquele que está atrás de todas as promessas. Nós precisamos olhar para Aquele que é poderoso para nos guardar de tropeçar e de cair (Jud. 24), Aquele que é Todo-poderoso para nos levar salvos por toda a eternidade ao Seu Reino. Temos que olhar par Jesus, o Autor e Consumador de nossa fé.

A grandeza do amor de Deus é medida por duas coisas: a maneira em que Seu amor é expresso, e seu objeto.

1) Deus expressou Seu amor ao dar seu Filho único para habitar entre nós, e para morrer por nós. "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito". (João 3:16). O amor de Deus é demonstrado na morte de Cristo por nós.

Nós não podemos sequer começar a entender o que significa para Deus dar seu único Filho. Nós não podemos compreender o amor infinito, mas nós podemos entender que quando Deus deu o Seu Filho, Ele nos deu o Seu último dom, o máximo que Ele poderia nos dar. Qualquer coisa mais teria sido mais fácil. Deus não reteve nada para redimir-nos. Seu amor foi total.

2) A outra medida do amor de Deus é vista em seu objeto. Jonathan Edwards disse que o amor é mais remarcante e maravilhoso e extraordinário, quando há uma grande distância entre o amante e o amado. A distância entre Deus e nossas almas é infinita.

Para termos um pequeno vislumbre, uma pálida idéia do que significa para Cristo morrer pelo homem, imagine o que significaria exatamente para você se tornar uma lesma para salvar aquelas criaturas repugnantes! E contudo, a distância entre você e uma lesma é finita: somos ambos apenas criaturas. A distância entre nós e Deus é infinita! Não admira que Paulo exclamasse: "Graças a Deus por Seu Dom inefável (inexprimível)!" (2Cor. 9:15).

Paulo fala de nós como escravos de Deus e da justiça, mas este tipo de escravidão é a maior liberdade, como o poeta George Matheson escreveu: "Faze-me cativo, Senhor. Então, eu serei livre." Somos prisioneiros do amor de Deus. É difícil escapar da prisão com suas portas, seus portões, seus muros, e seus guardas, e é exatamente assim tão difícil escapar da prisão do amor de Deus. É possível abandonar a Igreja e cair, mas não é possível escapar da prisão do amor de Deus, como muitas vezes pensamos. O amor de Deus é tão grande para conosco que não podemos simplesmente soltá-lO e esquecê-lo.

Matheson escreveu: "Ó Amor que não me abandona!" Se alguém quer abandonar a Deus, deve saber que ele não será abandonado pelo amor longânimo e infinito de Deus expresso na Cruz do Calvário: "Ó amor que não me abandona!"

Pense em Judas, e no amor de Cristo nos últimos momentos. Sua alma Se angustiou num profundo anseio de salvar aquele homem. Cristo simplesmente não podia conceber a idéia de perdê-lo. Sofreu intensamente porque sabia que ele se perderia, apesar de tanto amor para salvá-lo. O amor de Cristo era um amor que não desistia até o fim, quando ao ser traído, por Judas, lhe chama de "amigo": "Amigo, com um beijo trais o Filho do Homem?", mostrando o seu pecado e o seu perigo, mas ainda lutando por ganhar a sua amizade e o seu arrependimento.

O amor de Deus é ilustrado pelo casamento, pelo amor de um esposo por sua esposa. É relativamente fácil casar-se, mas é muito mais difícil entrar em divórcio. E quando aquele amante é Deus, um divórcio se torna centuplicadamente difícil. É relativamente fácil ser adotado como um filho de Deus; mas é muito difícil deixar a casa paterna.

Deus nos persegue com um amor eterno. Ele disse isso em Jer. 31:3: "Com amor eterno Eu te amei; por isso com benignidade eu te atraí." Onde está a segurança do amor de Deus? Na sua palavra. Ele disse: "Eu te amei". Isso é passado, isso aconteceu na Cruz do Calvário. Mas como o seu amor é eterno, Ele ainda diz: "Eu te amo!" e "Eu te amarei!" – no passado, no presente e no futuro! Você já foi atraído por esse maravilhoso amor que nunca falha? Pois será impossível escapar desse amor eterno.

Davi tentou escapar desse amor de Deus, e cometeu muitos pecados e erros. Mas o amor de Deus o perseguia, e parecia incapaz de deixá-lo, apesar de lhe aplicar tantos castigos e disciplinas.

O Filho Pródigo abandonou seu pai e pensou que ele podia esquecer tudo a respeito dele. Mas o coração do pai de persistente amor perseguiu-o. Quando ele caiu em si mesmo e decidiu retornar a um pai que ele sabia que ainda o amava, o pai o viu ao longe e recolheu-o de volta dando-lhe as boas vindas sem reservas, e fazendo-lhe uma grande festa. O amor de Deus é assim. É difícil fugir desse amor.

Portanto, não é simplesmente que Deus nos amará somente se nós continuarmos a amá-lO. Ele nos amará independente de nossas decisões. Mas Ele também nos ajudará a continuar a amá-lO! Ele fará todo o possível para ter a nossa vontade, a fim de guardar-nos de cair. "Ó amor que não me deixa!"

John Bunyan escreveu no seu livro "Graça Abundante": "Um dia, quando eu estava passando num campo, e senti um estrondo em minha consciência, temendo que nada estava certo, subitamente esta sentença caiu sobre a minha alma: 'Tua justiça está no Céu!' "

"Eu vi com os olhos de minha alma: Jesus Cristo à direita de Deus ... é minha justiça; assim, aquilo que eu era, ou o que quer que eu tenha feito no passado, não importam... porque a minha justiça era o próprio Jesus Cristo."

CONCLUSÃO

Hoje podemos nos unir ao apóstolo Paulo nesta confiante segurança de que nada será capaz de nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.

O Sofrimento não pode nos separar do amor de Deus.

O Pecado já está vencido na Cruz e portanto não pode nos separar do amor de Deus.

O Nosso Próprio Eu, nós mesmos jamais poderemos nos separar desse amor maravilhoso.

Poderíamos cantar: "Não posso entender: Nunca me deixará...".

Portanto Paulo, nós também estamos convictos de que nem o sofrimento, nem a morte, nem mesmo o pecado – nada poderá separar-nos do amor de Deus que está em Jesus Cristo.

Mas como responderemos a este amor de Deus? Poderíamos nós amá-lO mais intensamente? Gostaria de fazer esse propósito?



PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

Autor do site www.trindade100respostas.com.br

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A Porta Certa

Nem todos os caminhos levam a Deus

Segundo reportagem da revista Veja (03/12/08), dez mil religiosos católicos passaram a viver distribuídos em 450 comunidades estabelecidas em vários estados brasileiros, nos últimos dez anos. Isolando-se da vida citadina, trabalhando sem receber salário e submetendo-se a normas rígidas de comportamento, esses religiosos buscam respostas para os desafios da existência bem como crescimento espiritual, através de práticas ascéticas e atividades missionárias.

Entre outras explicações possíveis, o crescente estabelecimento dessas comunidades pode ser fruto do atual interesse que as pessoas têm demonstrado na busca da espiritualidade. Nada mau que haja tal interesse; porém, necessitamos encontrar o caminho certo que leve à verdadeira fonte de sua satisfação, em vez de nos perdermos no emaranhado de opções que dela podem nos afastar.

Certa ocasião, Jesus Cristo disse: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (João 10:9). Nesse capítulo, Ele Se identifica como pastor, o que, obviamente, implica que somos Suas ovelhas. Anteriormente, afirmou: “Eu sou a porta das ovelhas” (João 10:7). Agora, Ele declara ser a única entrada para o redil espiritual. Só mediante Cristo é possível ter acesso ao reino espiritual de Deus. Nas palavras de A. B. Davidson, “Cristo usou esse símbolo como uma espécie de caminho absoluto. Só há uma porta, uma entrada, uma só maneira de entrar”.

Talvez isso não seja muito simples de ser entendido pela mente pós-moderna, tão acostumada com relativismos e pluralismos. Na verdade, nosso mundo parece um supermercado de opções religiosas. Com a idéia de que todos os caminhos levam a Deus, as pessoas como que passeiam por entre as gôndolas desse supermercado, escolhendo os produtos que mais lhes convêm para formar sua própria verdade, como se estivessem planejando fazer uma salada. Porém, não somos salvos por meio de uma salada religiosa. Somos salvos por meio de nosso relacionamento com uma pessoa – Jesus Cristo – que Se disse a porta pela qual devem passar todos os que desejam chegar mais perto de Deus.

Não existem caminhos alternativos nem opções rivais à pessoa de Cristo. Aliás, Ele também disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (João 14:6). Somente Ele é a resposta para nossos questionamentos e dúvidas. NEle somente encontramos satisfação para todos os nossos anseios espirituais e nutrição para nossa alma carente, faminta e sedenta – “entrará, e sairá, e achará pastagens”. O acesso a Ele é um ato de fé e está franqueado a qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer ocasião. Sim, agora mesmo, você pode abrir seu coração e, pela fé, convidá-Lo a entrar. E Ele o fará, conforme Suas palavras: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20).


PR ZINALDO A. SANTOS

Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e com mestrado em Teologia pelo UNASP, atua na Casa Publicadora Brasileira como Editor da revista Ministério e editor associado da Vida e Saúde.

Perdão Restaurador

“Nada pode rebaixar tanto um homem quanto ele se permitir decair a ponto de odiar alguém”

Importado dos Estados Unidos, o programa conhecido como Justiça Restaurativa está sendo cada vez mais adotado no Brasil. Ele coloca frente a frente vítimas, ou familiares, e respectivos criminosos. Para quê? Responde o juiz Leoberto Brancher, no programa Fantástico: “É um mecanismo privilegiado que dá ao infrator uma visão mais clara das conseqüências, da repercussão do ato que ele praticou. Para a vítima, é uma oportunidade de extravasar a carga emocional vivida pelo evento e com isso alcançar certo alívio com relação a essa experiência.”

Mas, a idéia tem seu lado polêmico. Para algumas pessoas, uma experiência como essa significa mais combustível para intensificar a dor, já no limite do insuportável. Outras dizem encontrar nela o alívio para um fardo odioso, embora se neguem a declarar perdão. E há quem perdoe. Esse foi o caso de certa mãe que falou com o jovem, amigo da família, que matou e enterrou a filha dela no quintal de um vizinho. “Eu precisava olhar no olho dele”, disse ela. “Ele mesmo é o juiz dele. Ele se culpa dia a dia pelo que aconteceu. Por isso fiz o que fiz: olhei-o e o perdoei.” “Quando você perdoa, tudo muda na vida. Aquele ódio que eu tinha acabou”, disse um pai, referindo-se ao encontro com os assassinos do filho.

Perdoar nem sempre é fácil, especialmente em tais circunstâncias, mas precisamos fazê-lo. Em primeiro lugar, porque nós mesmos necessitamos ser perdoados. E, ao ensinar a oração do “Pai Nosso”, tão familiar aos cristãos, Jesus Cristo deixou claro que o perdão que pedimos está vinculado ao que oferecemos a outros: “Perdoa as nossas ofensas, como também nós perdoamos os que nos ofenderam” (Mateus 6:12, BLH). Quando fazemos esse pedido, de fato, estamos dizendo: “Deus, trata-me como tenho tratado as pessoas”. E se isso é pouco, veja esta declaração: “Porque, se perdoarem as ofensas dos outros contra vocês, o Pai que está no Céu também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem os outros, o Pai também não perdoará as ofensas de vocês” (Mateus 6:14, 15).

Em segundo lugar, o perdão beneficia muito mais o doador. Ele é oferecido a alguém que não o merece. Como argumenta Ray Pritchard, em seu livro O poder Terapêutico do Perdão, é uma escolha que fazemos no sentido de libertar os outros das ofensas cometidas contra nós, para que nós mesmos sejamos libertos do ciclo de amargura que nos prende ao passado, libertando-nos para o futuro. Isso restaura a saúde emocional, além de nos igualar a Deus em Sua manifestação de misericórdia para com os rebeldes do mundo. Aliás, pendendo da cruz, Cristo orou em favor de Seus algozes: “Pai, perdoa essa gente. Eles não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23:34).

Desde a infância, Martin Luther King sofreu os rigores da discriminação racial. Seu filho, Martin Luther King Jr., abraçou sua causa em favor dos direitos civis dos negros e foi assassinado em 1968. Um ano depois, outro filho de King morreu afogado em uma piscina. Em 1974, novo golpe: sua esposa foi abatida sob uma saraivada de tiros disparados por um jovem, enquanto tocava piano em pleno culto de sua igreja.

Perto de morrer em 1984, aos 84 anos, o velho King refletiu sobre a própria vida, a causa pela qual lutou e as perdas experimentadas. E disse: “Há dois homens que eu deveria odiar. Um deles é branco, o outro é negro, e os dois estão cumprindo pena por homicídio. Não odeio nenhum dos dois. Não há tempo para isso; também não há razão. Nada pode rebaixar tanto um homem quanto ele se permitir decair a ponto de odiar alguém.”


PR ZINALDO A. SANTOS

Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e com mestrado em Teologia pelo UNASP, atua na Casa Publicadora Brasileira como Editor da revista Ministério e editor associado da Vida e Saúde.

sábado, 15 de agosto de 2015

O Homem que Deus não pode salvar

O título de nosso assunto é: O Homem que Deus Não Pode Salvar. Parece estranho esse pensamento! Não é Deus Onipotente? Não é Ele Todo-Poderoso? Não diz a Bíblia que para Ele tudo é possível? Como poderia Ele não salvar a alguém?

Há três teorias sobre o assunto:

Os calvinistas afirmam que Deus pode salvar a todos, mas destinou muitos para a salvação e muitos para a perdição, independente de qualquer poder ou influência.

Os universalistas afirmam que não só Deus pode salvar, como de fato salvará a todos os homens e mulheres, no fim de todas as coisas.

Os agnósticos, entretanto, afirmam que Deus não pode salvar a ninguém, porque Ele Se encontra muito longe de nós.

O que a Bíblia diz sobre isso? De fato, a Bíblia sustenta que Deus é Onipotente. Para Deus todas as coisas são possíveis. Ele tudo pode:

– Ele criou todo o Universo.
– Ele mantém todo o Universo.
– Ele já salvou a muitos dos piores criminosos deste mundo.

Portanto, para Deus, tudo é possível.


I – MAS HÁ UM HOMEM QUE DEUS NÃO PODE SALVAR

Você sabe qual é esse homem? O homem que Deus não pode salvar é o homem satisfeito consigo mesmo.

E temos aqui na Bíblia a prova dessa afirmação:

Luc. 18:9-12 – "Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. "

O fariseu estava satisfeito com a sua vida. Compareceu diante de Deus para mencionar os seus méritos, para gabar-se de quão bom ele era.

"Não sou como os demais homens." Quantos hoje nos seus dias pensam como este fariseu: "Não sou um homem mau, não mato, não roubo, não faço mal ao próximo." Como o fariseu de outrora, cantam um hino de louvor a si mesmos. Nada pedem a Deus, eles já são bons, Deus tem o dever de aceitá-los.

Há outras declarações do fariseu, que podemos ouvir hoje dentro da própria igreja cristã: Verso 12 – "Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho." Em linguagem moderna: "Fui batizado, pertenço à igreja, freqüento os cultos, tomo parte nas atividades da igreja, contribuo para a causa do evangelho. Faço tudo isso. Graças a Deus que eu não sou como os outros tão negligentes nessas coisas tão importantes da vida cristã."

É possível fazer estas coisas, boas sim, necessárias, próprias de um cristão sincero – é possível fazê-las por mera formalidade e apresentá-las a Deus como prova de bondade e merecimento.

Perto do fariseu estava o publicano. Os publicanos homens desprezados pelos judeus porque eram coletores de impostos para os romanos. Esse homem não via nada de bom em si mesmo. Se fazia boas obras, não ousou mencioná-las a Deus; que eram as suas boas obras para comprar os bens do Céu? Viu que suas obras não podiam comprar o favor do Céu. O publicano sentiu sua pobreza, o seu pauperismo espiritual. Sentia nada ter para o recomendar a Deus. Se alguma coisa pudesse ganhar, seria imerecido, seria tudo baseado na misericórdia divina.

Ele, o publicano desprezado, olhou para si mesmo, vendo a sua profunda necessidade, e apresentou-se diante de Deus com apenas um argumento – o argumento da sua própria necessidade: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador." (Luc. 18:13).

Como Jesus terminou a Sua história? Ele disse que o fariseu voltou vazio, enquanto que este publicano foi justificado.

Realmente, o fariseu representa o homem que Deus não pode salvar porque ele está satisfeito consigo mesmo, cheio de justiça própria, não sente a sua necessidade.


II – QUAIS OS CARACTERÍSTICOS?

Quais são os característicos do homem satisfeito consigo mesmo, o qual Deus não pode salvar?

1) O homem satisfeito consigo mesmo é o homem que não se arrepende.

Lemos estas palavras de Jesus em Luc. 5:31-32 – "Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento."

Levi Mateus dera um grande banquete em sua casa, e convidou a Jesus e aos seus amigos que também eram publicanos como ele era, e havia sido distinguido por Jesus.

Entretanto, os fariseus começaram a murmurar e acusar os discípulos de Jesus, dizendo que comiam e bebiam com os publicanos e pecadores. Foi aí que Jesus, não podendo deixar passar essa oportunidade para lhes dar mais uma lição, defendendo os publicanos, justificando sua atitude para com eles, e ao mesmo tempo ensinando e advertindo por que muitos jamais se salvarão.

"Os sãos não precisam de médico", ou seja, os que se consideram sãos, os que a si mesmos se julgam bons, justos – estes não precisam de Sua ajuda, ou melhor: é impossível ajudá-los. Apenas os doentes, os que reconhecem, os que reconhecem a sua enfermidade é que precisam do Médico dos médicos.

E Ele acrescenta: "Não vim chamar justos, e sim, pecadores ao arrependimento", porque os justos não precisam de arrependimento, os que se julgam justos, eles não se arrependem; na realidade, eles não podem se arrepender enquanto estão nessa condição de justiça própria.

O 1º característico – falta de arrependimento – porque não há reconhecimento do pecado.

E Cristo contou noutra passagem a necessidade de arrependimento: Luc. 13:4, 5 – "Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."

Os judeus diziam que aqueles homens que foram acidentados pela torre de Siloé eram grandes pecadores e culpados diante de Deus e que era por isso que eles foram castigados. Mas Jesus corrigiu esse conceito e ensinou que não há salvação sem arrependimento: "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."

E não basta apenas confessar o pecado, externamente, sem reconhecê-lo. Há no Antigo Testamento dois exemplos marcantes que ilustram esta verdade: 1) Lemos em 1Sam. 15:24, que Saul proferiu estas palavras: "Pequei, pois transgredi o mandamento do Senhor!" 2) e também lemos acerca de Davi que ele disse em 2Sam. 12:13: "Pequei contra o Senhor!"

Ambos confessaram as mesmas palavras. Saul pecou porque não matou. Davi pecou porque matou. Um foi aceito, o outro foi rejeitado. Um foi destronado e se perdeu; o outro, Davi, continuou no trono e se salvou. Por quê? A diferença está no fato de que Davi se arrependeu, Saul não. Saul era um homem satisfeito consigo mesmo: achava que não necessitava de arrependimento. Davi, porém, experimentou um profundo arrependimento.

2) 2º característico: O homem satisfeito consigo mesmo não crê em Jesus.

Gên. 4:3-5 nos apresenta a triste história de Caim e Abel. De acordo com o plano divino, os dois irmãos deveriam trazer ofertas de animais. Devia haver derramamento de sangue. Isso representava o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus.

Abel mostrou sua fé no vindouro Messias, quando apresentou sua oferta de animal, imolando o cordeiro, derramando o sangue, e crendo que Deus haveria de prover o sangue que purifica de todo pecado.

Caim, porém, ao trazer os seus frutos, revelou em sua oferta, que não possuía fé para crer em Jesus, o Messias vindouro. Ele estava satisfeito consigo mesmo e com suas realizações.

E não basta, aparentar ser um seguidor de Cristo. É preciso crer nEle de fato.

No Novo Testamento, temos outros dois exemplos: Pedro, que negou a Jesus. (Luc. 22:62) e Judas, que O traiu. (Mat. 27:35). Judas representa o homem que Deus não pode salvar: ele não crê em Jesus Cristo. Judas não se submeteu a Cristo, porque não acreditava nEle como seu Salvador pessoal. Ele O seguia como um dos Doze discípulos, a fim de conseguir vantagens temporais. Nunca quis se arrepender; nunca aceitou a Jesus, não cria nÊle. Também estava satisfeito consigo mesmo: para que deveria ele crer em Jesus?

Entretanto, Pedro representa ao homem que Deus pode salvar completamente, embora tenha cometido graves e hediondos pecados, em muitas vezes e de muitas maneiras. Pedro nunca estava satisfeito, ele sempre ansiava por Jesus e cria nÊle como o seu Salvador. Ele disse, apesar de errar muitas vezes: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus." (João 6:68-69).

Aqui está o segredo: Não importa a nossa vida passada, não importa quão pecadores nós fomos um dia, não importa se nos tornamos grandes pecadores. O que importa é a nossa fé para crer que Jesus Cristo é o nosso poderoso Redentor, que derramou o Seu sangue para nos purificar, e que Ele nos libertará dos nossos pecados, aqui e agora, se tão somente nós o aceitarmos como o nosso suficiente Salvador.

3) 3º característico: O homem satisfeito consigo mesmo não tem amor pela verdade.

O apóstolo Paulo fala desta classe de pessoas desse modo, em 2Tess. 2:10 – "e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos." Por que perecem? Porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.

Os ímpios não só rejeitam a verdade, como também não acolhem o amor pela verdade para serem salvos. Eles não podem ser salvos enquanto não amarem a verdade. Mas se estão satisfeitos consigo mesmos, eles não crerão na verdade, eles não amarão a verdade e não serão salvos, Deus não pode salvá-los por isso.

Tal atitude não se relaciona à verdade no sentido geral, mas se refere à verdade salvadora do Evangelho, que eles não amam tanto a ponto de buscarem a salvação com todo o seu empenho e serem beneficiados.

O cristão nunca está satisfeito consigo mesmo. Por isso, ele crê em Deus e na Sua verdade, e ele a aprecia mais e mais, a ponto de sempre buscar a verdade, conhecer a verdade e praticá-la em sua vida. Ele vê que a verdade do Evangelho é poderosa para salvá-lo, e ele a ama.

Os ímpios estão satisfeitos consigo mesmos. Portanto, não acolheram o amor da verdade para serem salvos.

– Eles poderiam ser salvos pela verdade do Evangelho, porque o Evangelho tem poder para salvar.
– Eles poderiam se regozijar pela verdade, e pelos excelentes resultados do Evangelho em sua vida.
– Eles poderiam crer na verdade, porque essa possibilidade existe para todos os seres humanos.

No entanto, os ímpios têm outra atitude:

– Eles crêem na mentira.
– Eles amam a apreciam o erro.
– Eles se regozijam na injustiça.
– Eles se permitem iludir pelos enganos de Satanás.
– Eles não têm nenhum amor pela verdade salvadora do Evangelho, porque estão satisfeitos consigo mesmos e desse modo não podem ser salvos, a menos que mudem sua atitude.


III – COMO PODE O HOMEM DESPERTAR?

Como podemos ver nossa condição espiritual? Como podemos sentir nossa necessidade de Deus?

Ninguém por si reconhece os seus erros e pecados. "Enganoso é o coração ...", diz a Bíblia.

Como é que fala uma pessoa satisfeita consigo mesma? Apoc. 3:17 – "Dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu." O diagnóstico divino é: "Nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu."

Como pode ser mudada essa atitude de justiça própria e auto-satisfação? Apoc. 3:18-19 – "Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. "

Jesus Cristo dá esse conselho. Necessitamos de:

1. Ouro refinado – a fé que opera por amor.
2. Vestiduras brancas – a justiça de Cristo.
3. Colírio – a graça do Espírito Santo.

E no verso 19 temos a certeza do amor de JC, e o apelo ao arrependimento. O verso 20 apresenta o quadro de JC à porta do nosso coração esperando que Lhe demos entrada.

Como reconhecer nossa necessidade? Necessitamos do colírio do Espírito Santo e:

– Ele nos revelará a verdade.
– Ele nos convencerá do pecado, da justiça e do juízo.
– Ele nos mostrará a Jesus.

"O desconhecimento dEle é que dá aos homens uma tão alta idéia de sua própria justiça. Ao contemplarmos Sua pureza e excelência, veremos nossa pobreza e defeitos, como realmente são.." – Parábolas de Jesus, página 159.

"Quanto mais nos achegarmos a Jesus e mais claramente discernirmos a pureza de Seu caráter, tanto mais claramente discerniremos a extraordinária malignidade do pecado, e tanto menos teremos a tendência de nos exaltar." – Parábolas de Jesus, página 160.

Paulo disse em 1Tim. 1:15 – "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal."

Conta-se que Lady Hamilton muitas vezes visitava as prisões a fim de animar e ajudar os reclusos. Um dia ela encontrou um homem que estava completamente arrasado, cheio de pessimismo e sinistros pensamentos. Ela procurou consolá-lo, mas ele respondeu:

– Sou um grande pecador.
– Louvado seja Deus – a Lady respondeu.

Então o prisioneiro acrescentou:

– Sou o mais ímpio de todos os pecadores.
– Louvado seja o Senhor – disse outra vez Lady Hamilton.

Não compreendendo o que ela queria dizer, o prisioneiro disse:

– Por que diz a senhora assim, visto que professa ser cristã?

Então ela tomou a Bíblia e calmamente leu para ele este verso: "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal."

Entreguemo-nos inteiramente a Jesus, contemplemos o Seu maravilhoso caráter, toda a Sua perfeição. E teremos um vislumbre de nossa necessidade.

"Fiel é a palavra" de que realmente Jesus Cristo veio salvar pessoas tão pecadoras como nós somos. "Se, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo." (Apo. 3:19-20).

Se você não está satisfeito consigo mesmo, se pelo Espírito Santo você sente o seu pecado, você pode ser completamente salvo. Entregue-se agora mesmo a Jesus, que disse: "O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora" (João 6:37). Portanto, vamos a Ele.


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.
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