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quarta-feira, 19 de março de 2014

Interpretando a Parábola do Rico e Lázaro.

Para interpretar uma parábola vários elementos deverão ser considerados. Sobre o formato das parábolas, podemos listar pelo menos seis tipos diferentes, segundo (BAILEY, 1995)[RP1] [1]. Ao observar o contexto imediato da parábola do Rico e Lázaro podemos concluir que o formato dela se enquadra numa parábola em um diálogo teológico.

O tema deste debate era a questão da avareza. Jesus havia começado a discussão com os fariseus e escribas (Lc. 15:2) por causa da crítica deles sobre o relacionamento que era mantido com os publicanos e pecadores. Havia murmuração contra Cristo por causa disso. Jesus então começa a contar uma série de parábolas para se defender e explicar o assunto, que são a Parábola da ovelha que se perdeu, a da mulher que perdeu uma dracma e a do filho pródigo (Lc. 15).

Continuando o debate Jesus conta uma parábola de um administrador que era infiel, e então o tema é desviado para a questão da riqueza e do apego à ela. Quando Jesus termina de contar a parábola do administrador infiel, ele conclui que ninguém pode servir a dois senhores (Lc. 16:14), e nesse momento os fariseus começaram a ridicularizar, pois segundo Lc. 16:14 eles eram avarentos.

A parábola do Rico e Lázaro é justamente para tratar dessa questão do apego à riqueza e dos bens materiais. De acordo com o texto bíblico em momento nenhum o assunto foi sobre vida após a morte. O tema é sobre as consequências de uma pessoa que é avarenta em contraste com alguém que não seja. Usar a parábola do Rico e Lázaro para defender doutrinas relacionadas à vida após a morte e ignorar o tema teológico que é tratado por ela.
            Argumentando á favor de uma parábola, Banzoli, lista algumas constatações falaciosas de uma análise puramente literal do texto em estudo:

Os mortos partem para o outro mundo não como “espíritos”, mas com o seu próprio corpo com dedos, línguas, etc; os “espíritos” sentem sede; ser rico é motivo de ser mandado ao inferno, apesar de ter demonstrado tão grande benevolência para com o pobre Lázaro e a própria parábola nada dizer de que o Rico era um homem mau; ser mendigo é passaporte para o Céu; o Céu e o inferno ficam um bem do lado do outro; Apesar de haver um “abismo intransponível” entre ambas as partes, os salvos podem ficar conversando a vontade com os ímpios que estão queimando no inferno; o mediador não é Jesus, mas Abraão, para atender o chamado do rico; se os mortos partem para o “Seio de Abraão”, então Abraão morreu e partiu para o seio dele mesmo; para onde iam os que morriam antes de Abraão? (2013, p. 101).

            Na interpretação das parábolas é importante ressaltar alguns princípios e pontos. Cada parábola é classificada em três categorias: símiles - pequenas comparações entre dois objetos usando-se o tempo presente (Jesus compara o reino de Deus a atividades da vida, por exemplo); parábolas propriamente ditas - histórias completas, narradas no passado, com significado metafórico; ilustrações exemplares - narradas no passado, caracterizando um exemplo a ser seguindo, sem significado metafórico. As duas últimas categorias são narrativas fictícias as quais não podem ser usadas para sistematizar doutrinas teológicas, mas, possuem apenas um ponto chamado de tertium comparationis (termo de comparação), que faz a parábola (veículo) ser direcionada para um tema (mensagem). A busca pelo Sitz im Leben Jesus - o público, a situação do pronunciamento de cada parábola torna-se importante para seu estudo igualmente (JEREMIAS, 1972).

            A complexidade [RP2] no estudo de uma parábola pode-se notar ao encontrá-las em um diálogo teológico, em um evento narrativo, numa história de milagre, numa coleção topical, num poema ou numa parábola em si. Esta é uma ênfase nas parábolas como funcionais em relação a um ensinamento maior e, portanto, precisam ser interpretadas levando-se em consideração os seguintes passos (BAILEY, 1995):

a - determinar o auditório a quem Jesus está direcionando seu discurso: escribas, fariseus, multidões ou aos discípulos;

b - examinar o contexto/interpretação propiciados pelo evangelista ou sua fonte;

c - identificar se há uma "peça dentro da peça" e observar a parábola em dois níveis: o debate teológico entre Jesus e o seu auditório e o uso que Jesus fez de parábolas para se comunicar com aquele auditório naquele debate;

d - discernir os pressupostos culturais da estória, tendo em mente que os seus personagens são aldeões palestinenses.

e - ver se a parábola se divide em várias cenas e observar se os temas constantes das diferentes cenas se repetem segundo algum padrão discernível.

f - discernir quais os símbolos que o auditório original teria identificado imediatamente e instintivamente na parábola;

g - determinar que única decisão/reação o auditório original é levado a tomar quando ela originalmente foi contata;

h - discernir o conglomerado de temas teológicos que a parábola afirma e/ou pressupõe e determinar o que a parábola está dizendo a respeito desses temas. A ênfase recai sobre mais de um termo de comparação chamado de símbolos. Os símbolos são válidos hoje ainda, pois reproduzem verdades eternas.

Enquanto em uma alegoria cada detalhe comunica um significado especial, os detalhes de uma parábola não possuem significados específicos, mas são como ilustrações ou imagens para a narrativa como um todo. Uma parábola visa ensinar uma verdade principal e os detalhes não podem ser tomados com sentido literal, a menos que o contexto permita essa interpretação. Somente podemos definir uma doutrina de uma parábola se esse ensino for confirmado em outras partes da Bíblia, ou seja, de uma parábola não podemos definir uma doutrina. Atribuir o sentido de hades na parábola do Rico e Lázaro como fundamento da doutrina da imortalidade inerente da alma é desconsiderar esse princípio.

Pr. Yuri Ravem
Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Sumaré - SP. 
Casado com Andressa, mestre em educação e pai do Yan.
Editor Associado do Blog Nisto Cremos



[1] De acordo com Bailey, 1995, p. 14, os seis tipos de formatos de parábolas são: 1. Parábola em um diálogo teológico; 2. Parábola em um evento narrativo; 3. Parábola em uma história de um milagre; 4. Parábola em uma coleção topical; 5. Parábola em um poema; 6. Parábola sozinha.








sexta-feira, 14 de março de 2014

Salmo 18 – Como Alcançar a Vitória


O salmo começa com um clímax, no qual Davi fala de sua felicidade e vitória na confiança em Deus. Neste salmo de adoração pública, o salmista louva a Deus por livrá-lo de todos os seus inimigos, incluindo o rei Saul. Ele considera sua vitória uma recompensa de Deus ao seu modo justo de viver. Este é o resumo, esta é a essência do salmo.

No entanto, o salmo 18 tem uma estrutura impressionante, ao estudarmos a sua mensagem com mais profundidade. As palavras iniciais são o escopo e conteúdo de todo o salmo. As divisões estruturais ficam assim, envolvendo a todo o texto:

      A. Jeová, a Rocha de Israel (vs. 1-3)
            B. A Aflição de Davi (vv. 4-6)
                C. A Vinda do Senhor para Livrar (vs. 7-15)
                    D. A Libertação do Senhor (vs. 16-19)
                        E. A Fidelidade de Deus ao Fiel (vs. 20-29)
                    D'. As Perfeições Divinas (vs. 30-36)
                C'. A Vitória do Rei Sobre os Inimigos (vs. 37-42)
            B'. A Gloriosa Libertação (vs. 43-45)
       A'. Jeová, a Rocha de Israel (vs. 46-50)

Vamos ressaltar, porém, 3 pontos principais, para efeito de melhor memorização do seu conteúdo. Vamos apresentar o Triunfo, a Angústia e o Livramento de Davi.

I. O TRIUNFO DE DAVI (18:1-3)

Este é um cântico de vitória e triunfo de Davi sobre todos os seus inimigos. Mas ele não está inclinado a louvar-se a si mesmo, como faria um rei ímpio, porque a sua vitória vem de Deus e não de sua própria força. Ele exalta a Deus e expressa os seus sentimentos para com o Senhor.

Davi expressa seu profundo amor pelo Senhor. Ele começa o salmo 18 com palavras usadas hoje em dia nos relacionamentos entre namorados, noivos e cônjuges: “Eu te amo.” (v. 1, Atualizada). Estas palavras são conhecidas, mas muito raras. Ainda há muitos maridos ou esposas que pensam como aquele homem que estava tendo um problema de relacionamento com sua esposa. Então, ela foi se queixar para um profissional e ele lhe pediu que levasse o esposo ao seu consultório. Depois que ela o convenceu a ir até lá, o doutor procurou lhe dar alguns conselhos e disse entre muitas coisas: “O senhor precisa dizer à sua esposa que a ama. As palavras ‘Eu te amo!’ devem ser ditas de vez em quando. E ela precisa muito ouvir essas palavras de sua parte.” Então, o esposo lhe responde prontamente: “Mas, doutor, logo no dia de nosso casamento, há 25 anos atrás, eu a chamei à parte, e lhe disse: ‘Olha, eu te amo e não se fala mais nisso!’ ”

Entretanto, essas palavras tem uma sabedoria e exercem um grande poder sobre a namorada, a noiva ou a esposa, quando expressas com sinceridade e frequência. Os homens não dependem muito disso, em sua maioria. Mas as mulheres precisam ouvir repetidamente as palavras mágicas. Isso satisfaz a sua necessidade emocional, renovando-lhes a certeza e a segurança.

E Davi está dizendo isso para Deus: “Eu te amo, ó Senhor.” E como a palavra “Senhor” aqui é a tradução de Yahweh (Eterno), então, Davi está prometendo que O amará eternamente. A frase “Eu te amo” comunica uma intimidade de seu relacionamento baseado em sua experiência. De fato, a versão Corrigida coloca as palavras no futuro, como uma promessa: “Eu te amarei do coração, ó Senhor!” Assim é que devemos amar a Deus: “do coração”, em sua profundidade peculiar. Jesus Cristo falou que tudo procede do coração. É do íntimo da alma que procede a nossa fidelidade e amor a Deus. Se isso não for desse modo, então, nunca poderemos amá-lO de fato e de verdade, com todas as forças e entendimento.

Você fala a Deus como Davi? Ele disse: “Eu te amo, ó Senhor!” Dizer estas palavras mágicas é tão importante que até Deus deseja que você diga isso. Não que Ele necessite de ouvir que você o ama, não! Se você O ama, Ele o sabe muito bem, e também sabe daqueles que falam isso da boca para fora, mas realmente não O amam, porque falam de boca, mas o seu coração está muito longe de Deus.

Amor a Deus é o primeiro mandamento de Sua Lei. É a própria base de todas as leis de Deus que de fato promovem a harmonia, a felicidade e a paz. Esse amor não é um mero sentimento, algo que uma pessoa diria para Deus quando as coisas vão muito bem. Esse amor deve ser um princípio que parte do próprio coração de Deus que é amor. Esse amor a Deus age por princípio e não se confunde com sentimentalismo que não tem duração e firmeza.

Mas como Davi considerava a Deus? Davi considerava a Deus como a sua Fonte de força e vitória. Ele usa algumas imagens. Os epítetos divinos do v. 2 são derivados da familiaridade de Davi com batalhas e com o cenário geográfico de Canaã. Os termos militares são “minha cidadela”, “meu escudo”, “meu baluarte”; a referência geográfica é: “minha rocha” (v. 2,46). Estas metáforas comunicam a intensidade do amor de Davi por seu Deus como o Todo-suficiente. Ele está dizendo: “O Senhor Jeová é o meu Deus Todo-poderoso. Ele é a Fonte única de minha salvação, porque não há salvação em nenhum outro deus. Ele é eterno e portanto estarei seguro para sempre. Ele é o meu grande Libertador, porque tenho proteção completa de todos os meus inimigos, e estarei a salvo em qualquer perigo.”

Jesus Cristo é o grande Salvador do Seu povo em tempos de necessidade, em tempos de lutas e conflitos contra o inimigo de nossas almas. Quando vem Satanás como uma avalanche para nos tragar podemos confiar nEle como o nosso alto Refúgio, porque jamais nos perderá de vista, dando-nos a Sua poderosa mão, em socorro e libertação. Ele nos salvará de todos os nossos inimigos, do diabo e de seus demônios. Isso inclui cada momento de tentação contra a carne, o diabo e o mundo com suas sedutoras atrações.

II. A ANGÚSTIA DE DAVI (18:4-6)

Observe as palavras de Davi: “Laços de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror. Cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam. Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.” (v. 4-6)

Depois de apresentar o seu clímax de reconhecimento do triunfo em Deus, Davi revela a sua grande aflição e angústia: Davi é ameaçado de morte por seus inimigos e vive uma grande angústia diante da possibilidade de ser abatido em um campo de batalha. Ele se sentiu aterrorizado. As “cadeias infernais” (v. 5) devem ser entendidas pelo original (Sheol) como correntes da sepultura. Inferno não existe presentemente, tampouco no tempo de Davi. Ele não estava temendo um inferno de fogo ou de correntes; ele estava descrevendo a cova, que em linguagem poética quase o prendia à inércia, pela morte que se avizinhava.

Mas Davi sabia em Quem confiar e clamou por socorro a Deus: “Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus.” Assim fez Pedro quando se viu ameaçado pelas ondas revoltas do mar da Galileia: ao se sentir afundando, laços de morte o ameaçaram, correntes altaneiras da sepultura líquida o aterrorizaram, e ele clamou a Jesus Cristo gritando em meio ao barulho do mar: “Salva-me, Senhor!” (Mt 14:30). Assim Pedro ficou famoso ao pronunciar a oração mais curta do Evangelho e a mais rápida em ser atendida. E Jesus Cristo prontamente estendeu a Sua mão socorredora para libertar ao discípulo assustado. As palavras de Davi poderiam ser repetidas por Pedro: “Do alto me estendeu Ele a mão e me tomou; tirou-me das muitas águas.” (Sl 18:16).

Assim também podemos nós ser socorridos. Em meio as mais adversas circunstâncias, em meio as mais atrozes tentações, em meio aos grandes perigos dos últimos dias, em meio ao pecado que tão tenazmente nos rodeia, podemos clamar por socorro, e Jesus Cristo virá prontamente, em nosso auxílio para nos salvar.  
 III. O LIVRAMENTO DE DAVI (18:7-50).

Foi exatamente isto o que aconteceu com Davi: Ele clamou a Deus e Deus o ouviu do Seu glorioso templo, e veio em resposta à sua prece desesperadora. E Davi agora descreve a vinda de Deus para salvá-lo dos seus inimigos. Através de metáforas poéticas e majestosas, Davi anuncia a vinda do Senhor para resgatá-lo.

“7 Então, a terra se abalou e tremeu, vacilaram também os fundamentos dos montes e se estremeceram, porque ele se indignou.
9 Baixou Ele os céus, e desceu, e teve sob os pés densa escuridão.
10 Cavalgava um querubim e voou; sim, levado velozmente nas asas do vento.
12 Do resplendor que diante dEle havia, as densas nuvens se desfizeram em granizo e brasas chamejantes.
13 Trovejou, então, o Senhor, nos céus; o Altíssimo levantou a voz, e houve granizo e brasas de fogo.
14 Despediu as Suas setas e espalhou os meus inimigos, multiplicou os Seus raios e os desbaratou.” (v. 7-14).

No passado, Deus Se manifestou muitas vezes, e de muitas maneiras poderosamente. Isso aconteceu na Criação, quando Ele falou e tudo veio à existência, em meio à revolta dos elementos. Assim foi também no Dilúvio, quando os céus e os abismos irromperam nas águas que revolucionaram a todo o globo terrestre. As imagens do salmista também nos recordam da passagem do Mar Vermelho em terra seca, e dos terrores do Sinai, quando Deus entregou a Sua Lei dos Dez Mandamentos, e o povo ficou aterrorizado.

Esta descrição também se parece em muito com a vinda de Jesus Cristo para salvar ao seu povo que estará clamando de dia e de noite por livramento quando os seus inimigos ameaçarem os fiéis com a violência e decretos de morte, nos últimos dias da história desta terra. Nesse tempo, os montes serão abalados, muitas ilhas desaparecerão, destruições fantásticas ocorrerão; maremotos, terremotos, ciclones, avalanches, inundações, e agora podemos dizer tsunâmis – todos os elementos da natureza clamando contra a impiedade dos habitantes da terra.

Disse João do Apocalipse, em uma impressionante visão: “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar.” (Ap 6:14). “E sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande... Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados; também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande.” (Ap 16:20-21). Então, terá chegado o tempo de serem destruídos “os que destroem a terra”, e de dar a recompensa aos fiéis. (Ap 11:18).

Após descrever a vinda de Deus com poder e majestade, Davi fala de sua libertação (v. 15-19). Deus estendeu o Seu braço poderoso e o livrou das muitas águas. Pode imaginar a angústia das pessoas que enfrentaram um tsunâmi? Águas são simbólicas da perseguição dos ímpios (Ap 12:15-16). Deus salvou a Davi de todos os tsunâmis inimigos. Deus o livrou de inimigos que eram mais poderosos do que ele. Assim acontecerá no futuro: os perseguidores da igreja verdadeira serão poderosos e invencíveis com as suas armas modernas, as suas bombas termonucleares, em perseguição contra os que não se submetem às suas leis. Mas o Senhor Todopoderoso nos servirá de amparo e revelará a o Seu poder.

No verso 19, o salmista escreveu uma frase reveladora do coração de Deus: “Livrou-me, porque Ele se agradou de mim.” A seguir, ele define por que Deus Se agradou dele: “Retribuiu-me o Senhor, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Pois tenho guardado os caminhos do Senhor e não me apartei perversamente do meu Deus. Porque todos os seus juízos me estão presentes, e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com ele e me guardei da iniqüidade. Daí retribuir-me o Senhor, segundo a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença.” (v. 20-24).

Alguém poderia argumentar: "Mas como pode Davi dizer tais palavras?" Davi não está se exaltando a si mesmo. Não está se gloriando em sua justiça própria. Estas palavras não foram escritas para dizer que Davi era um homem que vivia sem pecado, porque isso não era verdade. Salomão escreveu que não há homem que não peque (1Rs 8:46; Ec 7:20). E Davi falou acerca da multidão das suas iniqüidades: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece.” (Sl 40:12).

Mas Davi confiava na multidão das Suas misericórdias (Sl 51:1). E quando ele pecava, imediatamente procurava o perdão de Deus. E Deus se agrada de pessoas que humilham o seu coração e fazem uma confissão sincera e franca, seguida de verdadeiro arrependimento. O Senhor Se agradou de Davi que foi considerado o homem segundo o coração de Deus (At 13:22).

As palavras de Davi foram escritas para que soubéssemos que Deus Se agrada de pessoas que confiam nEle e praticam os Seus mandamentos, e revelam justiça e correção. Pensamentos limpos, palavras puras, ações corretas, motivos santos, sinceridade de propósito – são obras de Deus em nós, frutos de um coração temente a Deus que pode dizer continuamente: “Eu te amo, ó Senhor! O Senhor é a minha Rocha... o meu Libertador!”

Temos ouvido muitas pregações acerca de como se sente o homem, de como você deve se sentir melhor e de como você será feliz. Mas já é tempo de voltarmos ao passado e ouvirmos de como será poderoso em obras o homem que confia em um Deus onipotente! Pregações sentimentalistas que carecem de conteúdo bíblico não podem transformar pecadores satisfeitos consigo mesmos.

Com efeito, Deus recompensou a fidelidade de Davi assim como recompensará a fidelidade dos cristãos naquele dia da consumação dos séculos, quando Jesus Cristo dirá aos salvos: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” (Mt 25:21). “Pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” “e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula.” (Ap 19:8; 14:5).

Então, o salmista exalta as perfeições de Deus: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam.” (v. 30). O perfeito caminho de Deus é o caminho de nossa libertação. Todos os homens podem ver isso e testar a Sua Palavra, porque o que Ele promete, Ele cumpre. Ele é o nosso Escudo protetor contra os nossos mais fortes e poderosos inimigos que são também inimigos dEle.

Davi lança um desafio diante de todos os homens: “Pois quem é Deus, senão o Senhor? E quem é Rochedo, senão o nosso Deus?” (v. 31). Aqui temos a revelação do verdadeiro Deus: “Quem é Deus?”, pergunta Davi. Quem realmente é o Deus verdadeiro dentre uma multidão de deuses falsos que não são de fato deuses? A resposta é esta: “O Senhor” (Yahweh)! Em palavras mais diretas: o Único Deus verdadeiro é Aquele que pode ser chamado de Eterno, porque Ele é assim mesmo. Portanto, Ele é o nosso Rochedo, e nEle temos estabilidade e segurança eternas.

Davi fala de como esse Deus perfeito aperfeiçoou o seu caminho (v. 32). Num mundo de tanta imperfeição, quando muitas vezes somos desanimados pelo que vemos ao nosso redor, quando somos decepcionados pelo que vemos nos outros, e olhando para nós mesmos somos igualmente frustrados, podemos contemplar a obra de Deus em nós que é uma obra de santificação e aperfeiçoamento. Deus nos dará forças em nosso caminho contra o mal; Ele nos dará o “escudo” da Sua “salvação” (v. 35).

Temos que contemplar com alegria e louvor a salvação que Deus providenciou em Cristo Jesus. Disse o salmista, após descrever em detalhes a grande libertação que ele alcançou na força de Deus: “Vive o Senhor, e bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja o Deus da minha salvação”. (v. 46). Davi começou exaltando a Deus como a Rocha, no v. 2, e agora ele termina o salmo num paralelo glorificando a Deus novamente como a Rocha da sua salvação. Temos que exaltar mais a Deus como Aquele que nos salva do pecado, nos livra dos perigos, nos defende diante de inimigos e nos protege de todas as artimanhas do arquiinimigo, que é Satanás, o inimigo de nossas almas.

A promessa de Davi deve ser a nossa promessa: “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó Senhor, e cantarei louvores ao teu nome.” (v. 49). Em palavras atuais: “Senhor Deus, eu vou Te glorificar diante das pessoas que não Te conhecem, vou pregar o Teu Evangelho, vou fazer conhecido o Teu nome diante de meus amigos, vizinhos e parentes. Eles saberão Quem Tu és realmente!”

Davi termina o salmo 18 com chave de ouro: “É Ele quem dá grandes vitórias... e usa de benignidade ... para sempre!” (v. 50). Este deve ser o nosso testemunho; o v. 49 contém a nossa promessa de testemunhar e aqui no v. 50, temos o conteúdo de nosso testemunho: Deus nos dá grandes vitórias contra todos os nossos inimigos, contra o pecado, contra as tentações da carne e também nos ajuda a vencer o mundo e tudo o que há no mundo. Tudo isso está baseado em Sua grande bondade para conosco e para com todos os que O buscam na sinceridade de seu coração.

E não somente isso; mas também Ele é tão bom que promete estender a Sua bondade “para sempre”. Porque “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.” (Ef 2:4-7).

Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

sexta-feira, 7 de março de 2014

O SEU NOME SERÁ MARAVILHOSO


INTRODUÇÃO:  MARAVILHAS DESTE MUNDO

Existem muitas maravilhas em nosso mundo. Maravilhas do passado e do presente. A antiga muralha de da China é uma maravilha do Oriente. O majestoso Taj-Mahal é a obra-prima da arquitetura indiana. A glória da Grécia é ainda o Panteão. O orgulho do Egito são as pirâmides.

A ciência da era espacial tem proporcionado ao homem moderno uma variedade de maravilhas: transistores, computadores, baterias solares, foguetes, aeronaves, e a magia da televisão.

Qual é, porém, a maior maravilha do mundo?

1) O MARAVILHOSO INFANTE

A Maravilha das maravilhas é mencionada nas Escrituras Sagradas:

"Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; ... e o Seu nome será: Maravilhoso". Isaías 9:6

Maravilhoso foi Ele ao nascer como Infante de Belém e ser crucificado como o Cristo do Calvário. Todos os outros homens tiveram um nascimento natural; Ele, um sobrenatural. Sua encarnação desafia a compreensão.

Cristo teve uma infância maravilhosa. À idade de doze anos foi comparado em inteligência aos homens ilustres de seu tempo. Enquanto ainda jovem, viveu com os pais num lar humilde e aprendeu o ofício de carpinteiro.

ILUSTRAÇÃO - TERIA VOCÊ VERGONHA?

Esta história aconteceu na Inglaterra no século XVII. Uma jovenzinha por nome Mary,começou a freqüentar a escola, as coleguinhas zombavam dela pelo fato das mãos de sua mãe serem defeituosas. Ela sentia-se envergonhada quando citavam o nome de sua mãe. Sua mãe percebeu que por frente das garotas ela tinha vergonha e preconceito. Até que um dia sua mãe lhe disse: Mary, você era pequenina, o fogo se alastrava, você seria queimada, mas a mamãe se queimou por amor a você, com isso quero lhe dizer também que Jesus teve suas mãos feridas por amar a humanidade.

2) POR QUÊ MUITOS TÊM VERGONHA DO NOME DE JESUS?

(Maravilhas em Confronto)

A. Ele nunca foi autor; nunca escreveu algo, exceto na areia, o que foi logo apagado. Todavia, escreveram-se mais livros a Seu respeito, do que de qualquer outro homem.
Todos os seus atos extraordinários jamais foram registrados, segundo as palavras de Seu amigo mais íntimo: "Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu, que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos". S. João 21: 25

B. Cristo não era artista; contudo foi aclamado pela arte. Os maiores quadros do mundo foram inspirados por Ele. A Última Ceia, de Da Vinci; a Transfiguração, de Rafael; os inimitáveis retratos de Cristo de Hoffman são alguns dos que ornam as maiores galerias de arte do mundo. Ele, que nunca pintou um quadro, é o motivo das maiores obras-primas. Como pode ser isso?

C. Cristo não era escultor; no entanto o mundo está cheio de estátuas Suas, como pode ser visto em muitos museus e inumeráveis cemitérios. A maior estátua, o "Cristo Redentor", da América do Sul, encontra-se no alto de uma montanha, contemplando a cidade do Rio de Janeiro.

D. Cristo não era arquiteto; os mais belos edifícios da cristandade, porém, foram dedicados a Ele: Catedral de Reim, na França; S. Pedro, em Roma; Abadia de Westminster, na Inglaterra; e a Catedral de Washington, são alguns exemplos.

E. Cristo não era músico; não obstante, os maiores oratórios e cantatas foram motivados por Sua vida, como pode ser ouvidos nas obras de Haendel, Bach, etc.

F. Cristo não era advogado; mas Sua lei envolve a Terra. Tampouco foi um jurista; entretanto por Ele será julgada toda a humanidade.

G. Cristo não era viajante; não Se afastou mais de 300 km de Seu lugar de nascimento; contudo, seguidores viajam em seu favor até os confins da Terra.

H. Cristo não era historiador; permanece, todavia no ápice da História. Todos os eventos terrestres em relação aos calendários de AC e AD _ cartas, documentos legais, etc. _ testificam que Ele andou entre os homens.

(Curava, Aconselhava, Amava...)

I. Cristo não era doutor; era, porém, o Grande Médico, e curava "toda sorte de doenças e enfermidades" (S. Mateus 10:1). O sofrimento fugia de Sua presença. Quando Ele passava por uma vila, todos os aflitos e sofredores recebiam auxílio. Os males físicos que Cristo curava são deveras expressivos: desordens nervosas, como paralisia, epilepsia, etc.; enfermidades contagiosas com a lepra; distúrbios mentais, hemorragias, infecções, febres, deformidades, cegueira, etc. Jesus nunca dirigiu um serviço fúnebre, porque possuía as chaves da morte, ressuscitando pessoas falecidas. Na verdade, Ele era maravilhoso!

J. Cristo não era psicólogo; contudo, pessoas de todas as classes sociais vinham consultá-lo: advogados, professores, secretários, oficiais do governo, autoridades militares, ricos, pobres, criminosos, adúlteros, ladrões, homens com toda espécie de paixões e impulsos: rivalidades, orgulho, ciúme, etc. Ele sempre estava disposto a ouvir a quem quer que fosse, e em qualquer tempo.

L. Cristo não era professor; nunca freqüentou uma escola; não alcançou altas posições e não teve títulos. Sua mãe foi Sua única professora; a criação era Sua sala de aula, e a natureza, o Seu compêndio. Entretanto, Seu conhecimento e sabedoria causaram admiração aos educadores de seus dias. Em séculos posteriores, algumas das mais importantes universidades foram fundadas por Sua causa.

A linguagem de Seus lábios impressionava os ouvintes, que se contavam aos milhares. Alguns de Seus ensinos mais sublimes foram expressos em linguagens simples _palavras monossilábicas, tais como: "Eu Sou o pão da vida".

Em agricultura, falava das sementes, do solo e da colheita. Em meteorologia, referia-se à previsão do tempo, e foi o único meteorologista de todas as épocas que conseguiu realmente controlar as condições atmosféricas.

Ele falou sobre pérolas de inapreciável valor e do testemunho das rochas. Versou sobre os mais variados assuntos, tais como: relações humanas, política, leis, economia, finanças, histórias, etc. E a reação de Seus ouvintes era: "Jamais alguém falou como este Homem". S. João 7:46.

M. Cristo não era soldado; todavia, foi admirado por profissionais das armas, que diziam: "Verdadeiramente este homem era justo". S. Lucas 23:47.

Outros impérios foram fundados pela força; o Príncipe da Paz não permitiu, porém, que se usasse a espada em Sua defesa, ordenando a Pedro: "Embainha a tua espada; pois todos os que laçam mão da espada, à espada perecerão". S. Mateus 26:52. Seus soldados, hoje, em todas as terras, sob o estandarte do amor, combatem o bom combate da fé, prontos a morrer, se necessário, pela vitória do Seu reino universal.

ELE ERA O CRISTO MILAGROSO. CAMINHOU SOBRE AS ONDAS; PERMANECEU SOBRE O TORMENTOSO MAR; MULTIPLICOU O ALIMENTO PARA A MULTIDÃO; TRANSFORMOU ÁGUA EM VINHO; REDUZIU OS FRUTOS DA FIGUEIRA; DOMINOU DEMÔNIOS; LIVROU PESSOAS DO DOMÍNIO DA MORTE.

(Pobre por Amor)

N. Cristo não era rico; Pobreza e privação foram Sua sorte, conforme indicam Suas próprias palavras: "As raposas têm covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça". S. Mateus 8:20

Dos animais tomou emprestado um lugar para seu berço, ao nascer. De um peixe obteve uma moeda para pagar imposto. De uma criança recebeu pão para alimentar os famintos. De um estranho obteve um animal para viajar. Um estranho ajudou-o a carregar a cruz. Um homem abastado proveu-lhe um lugar de sepultamento. Sua única possessão terrestre _ a túnica _ foi-lhe arrebatada na crucifixão e tornou-se objeto de apostas ente Seus algozes.

A despeito de Sua pobreza, mais dinheiro é invertido em favor desse Homem, do que de qualquer outro. Como se explica isso?
Ele era o Filho de Deus e o Filho do homem. "Sendo rico, Se fez pobre por amor de vós, para que pela Sua pobreza vos tornásseis ricos". II Coríntios 8:9.

Cristo morreu para que vivêssemos. Foi vendido pelo preço de um escravo, mas redimiu o mundo. Ele que era o pão da vida sentiu fome ao iniciar o Seu ministério; Ele era a água da vida, sentiu sede ao terminar os Seus dias na Terra.

Foi tratado como merecíamos, para que fossemos tratados como Ele merece; foi condenado por causa de nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fossemos justificados por Sua justiça; foi morto para que tivéssemos a vida que era Sua. "Pelas Suas pisaduras, fomos sarados".

3) O REJEITADO É O REI VINDOURO

Ele foi o Cristo rejeitado. "Veio para que o era Seu, e os Seus não O receberam". S. João 1:11. Foi incompreendido por sua mãe, oprimido por seus irmãos, traído por um discípulo, negado por outro, e abandonado pelos sacerdotes, julgado pelos romanos, açoitado pelos soldados e escarnecido pela multidão.
Sofreu ultrajes em cinco julgamento. Foi preso sem culpa; foi acusado sem provas contra a Sua pessoa, punido sem que houvesse uma sentença condenatória, e morto sem motivo plausível. Foi abandonado por todos os homens, e, finalmente, na cruz, levantou os olhos para o Céu, exclamando: "Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste? S. Marcos 15:34.

CONCLUSÃO

Este homem, cujo nome é "Maravilhoso" tem influenciado a História mais do que todos os exércitos, mais que todas as armadas, mais que todas as esquadrilhas, mais que todos os projéteis balísticos, mais que todos os reis.

Como se explica isso?

Eis a única resposta: Cristo foi o Homem mais admirável que já existiu. Ele foi a maior maravilha do mundo.

Atos 4:12 - E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.

Quão significativa seria a nossa vida se escolhêssemos esta maravilhosa Pessoa como nosso constante Companheiro.

Homilética – O Sermão Eficaz


“Senhor, ensina-nos a pregar!” Seria bom que os discípulos tivessem feito esse pedido a Cristo, tal como o fizeram com respeito à oração. Teríamos então todos os benefícios de algumas orientações práticas sobre pregação, recebidas diretamente do Mestre dos pregadores. Ao examinarmos a vida e o ensino de Jesus, descobrimos muitos princípios que podem revolucionar nosso ministério da pregação.

O poder do Espírito

Jesus testemunhou claramente que o Espírito do Senhor O ungiu para pregar (Luc. 4:18). Seria muito afirmar que não deveríamos pregar a Palavra de Deus até que fôssemos primeiramente ungidos por Seu Espírito? Jesus Cristo ordenou que Seus discípulos esperassem em Jerusalém até que recebessem a promessa do Pai (Atos 1:8). Depois da unção celestial no Pentecostes, os seguidores de Cristo saíram para pregar no poder do Espírito Santo.

Um caso exemplar é o de Estêvão, o diácono, descrito como “cheio de fé e do Espírito Santo” (Atos 6:5), e também como “cheio de graça e poder” (v. 8). Quando Estêvão pregava, seus ouvintes “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (v. 10). Mesmo a comunicação não-verbal de Estêvão foi uma irrefutável testemunha: “Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo” (v. 15). Sua vida demonstrou que quando uma pessoa está cheia do Espírito, ela está cheia de poder. E prega com santa ousadia (Atos 4:29-31; 13:6-12).

Entrega e oração

Jesus, o Pregador Mestre, devotou muito tempo à prática da oração. Enquanto Ele Se preparava para pregar nas sinagogas através da Galiléia, levantava-Se cedo pela manhã, dirigia-Se a um lugar solitário e orava (Mat. 1:35-39). Antes de pregar Seu sermão estratégico sobre o pão da vida, o Senhor gastou horas em oração (Mat. 14:23-25). Para Jesus, pregação e oração estavam inextricavelmente conectadas.

Os alunos da pregação de Jesus também compreenderam que aquele que ministra a palavra também deve entregar-se à oração (Atos 6:4). Os intensos períodos de oração pelos seguidores de Jesus, antes do Pentecostes, não eram apenas uma preparação essencial para a pregação poderosa. O apóstolo Paulo afirmou a importância da oração no preparo e entrega do sermão, quando fez um pedido especial por oração intercessória: “... orando... por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Efés. 6:18 e 19). Ele compreendeu que, sem oração, não poderia falar com ousadia (v. 20).

A escassez de poderosa pregação bíblica entre nós está diretamente relacionada à escassez de oração poderosa. Com seu ato de negar a Cristo, Pedro ilustra a incômoda verdade segundo a qual nós não teremos um poderoso testemunho sobre Jesus para partilhar com outros, se estivermos dormindo quando deveríamos estar orando. A lição é clara. Ore pela direção de Deus antes de começar a preparar um sermão. Ore enquanto o prepara. Ore enquanto prega. Aprenda, do exemplo de Jesus, que pregar poderosamente é resultado de muita oração, não de corre-corre. Banhe seu sermão em oração e entrega de si mesmo a Deus.

Pregação da palavra

Jesus proclamou a Palavra de Deus, por preceito e exemplo. Ousadamente declarou: “... e a palavra que estais ouvindo não é Minha, mas do Pai, que Me enviou” (João 14:24). E enquanto orava por Seus discípulos, testemunhou ao Pai: “Eu lhes tenho dado a Tua Palavra” (João 17:14). Os estudantes da pregação de Cristo compreenderam a importância de partilhar a Palavra de Deus, ao invés de suas opiniões próprias. Eles “com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus” (Atos 4:31), e “crescia a Palavra de Deus” (Atos 6:7).
As pessoas necessitam ouvir a Palavra de Deus, não nossas opiniões. O que Deus tem a dizer é mais importante do que nós temos a dizer.

Ouvimos muitos sermões, atualmente, que dão apenas um leve aceno à Palavra de Deus. Nos dias de hoje, sermões bíblicos, com ilustrações contemporâneas têm-se transformado em sermões contemporâneos com ilustrações bíblicas ocasionais. O resultado é falta de poder no púlpito e falta de transformação na igreja. Tais sermões podem ser divertidos, interessantes, mas não produzem mudança duradoura.

Comunicação da graça

Quando Jesus pregava, Ele não simplesmente falava a respeito da graça de Deus. Ele realmente comunicava a graça de Deus. Lucas recorda que em resposta à Sua pregação na sinagoga em Nazaré, Seus ouvintes “se maravilhavam das palavras de graça que Lhe saíam dos lábios” (Luc. 4: 22). Essa resposta da audiência é um testemunho não da finura de Sua expressão oral, mas uma resposta à essência de Sua fala. Jesus era “cheio de graça” (João 1:14) e quando Ele pregava, comunicava a graça de Deus.

Uma das mais poderosas palavras de graça do ministério da pregação de Cristo é encontrada no sermão que Ele pregou em uma determinada noite para uma pessoa: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (João 3:16 e 17).

Os aprendizes da pregação de Jesus compreenderam que foram enviados para comunicar a graça de Deus. Pedro começou Sua mensagem aos peregrinos da dispersão com as palavras “graça e paz vos sejam multiplicadas” (I Ped. 1:2). Paulo começava suas mensagens em numerosas ocasiões com as palavras: “Graça a vós outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Efés. 1:2). E nos aconselha: “A vossa palavra seja sempre agradável [com graça]” (Col. 4:6).
Todo sermão deveria comunicar uma clara palavra de graça. É a graça de Deus que conduz esperança. É verdade que todo sermão deveria também conter uma clara palavra de julgamento. Porém, mesmo essa palavra de julgamento deveria ser comunicada com graça em nosso coração.

Auditório atento

Jesus demonstrou uma notável conscientização de Sua audiência. Ele compreendeu que a comunicação efetiva é diálogo, não apenas monólogo. Também abordou questões que estavam na mente de Seus ouvintes (Mat. 24:3; Luc. 10:39). Interagiu com eles através de perguntas (Luc. 10:36). Pelo menos, em uma ocasião, Ele até permitiu a rude interrupção de alguém e direcionou o curso do sermão (Luc. 12:13-21).

Jesus era atento às respostas verbais e não-verbais de Seus ouvintes. Durante Seu sermão em Nazaré, Ele discerniu as mensagens não-verbais dos que estavam presentes. A linguagem corporal que acompanhou o comentário “não é este o filho de José?” sugeria um espírito resistente e falta de fé. Respondendo a esses ouvintes, Jesus disse: “Sem dúvida, citar-Me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo” (Luc. 4:23). E então mudou o foco de Sua mensagem, da proclamação do ano aceitável do Senhor para a importância da fé.

Os alunos de Jesus aprenderam do seu Mestre a importância de ficar atento às reações da audiência. Os que estavam presentes no dia de Pentecostes dialogaram com Pedro enquanto ele pregava no poder do Espírito Santo. Tendo proclamado ousadamente que “a este Jesus, que vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36), Pedro fez uma pausa para ouvir a resposta da audiência. O comentário “que faremos, irmãos?” não marcou o fim do sermão. Ao contrário, foi uma parte essencial deste. Lembre-se de que toda comunicação efetiva envolve diálogo.

Um pregador não pode estar desatento à resposta dos ouvintes. Pedro continuou: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). E o apóstolo mostrou sensibilidade à resposta dos que o ouviam. O final do sermão aconteceu na água, quando cerca de três mil pessoas foram batizadas. Esse batismo foi uma parte do sermão, uma evidência clara de um diálogo transformador de vidas com Deus.

Afirmação simples e memorável

Um dia após a miraculosa alimentação de cinco mil pessoas, Jesus pregou um poderoso sermão. Ele usou uma simples e memorável afirmação para abordar Sua idéia principal: “Eu sou o pão da vida” (João 6:35). Podemos aprender muitas lições importantes dessa idéia. Primeira, é uma declaração simples, não uma sentença complexa. Segunda, é feita no sentido positivo. Não negativo.
Os pregadores são comissionados não simplesmente a transmitir informações,
mas para chegar à obediência e transformação.

Infelizmente não temos uma fita de vídeo com esse sermão de Cristo; mas os comunicadores concordam que há muitas formas de interpretação oral que podem ser usadas para enfatizar a principal idéia em um sermão. Jesus pode ter mudado Seu estilo quando disse: “Eu sou o pão da vida”. Pode ter acrescentado uma pausa, ou silêncio reflexivo. Isso realça a importância da idéia enquanto dá oportunidade para os ouvintes refletirem sobre ela. Jesus também pode ter usado uma variação de força, ou volume, para enfraquecer a idéia, como fez em outra ocasião (João 7:37).

Uso de repetição

Jesus não apenas arquitetou uma simples e memorável declaração para apresentar uma idéia principal, mas também usou a repetição para acrescentar ênfase. No sermão sobre o pão da vida, Ele repetiu Sua idéia textualmente pelo menos uma vez (João 6:35 e 38). Também a expôs através de paráfrases durante o próprio sermão: “Eu sou o pão que desceu do Céu” (João 6:41), e “Eu sou o pão vivo” (v. 51).

Se a reafirmação e a repetição de um pensamento eram importantes para Jesus, no sentido de fazer compreendida a idéia principal do Seu sermão, isso é mais importante hoje, quando ouvir atentamente está se tornando cada vez mais difícil. Devemos ter certeza de que a declaração simples e memorável de um sermão foi ouvida claramente, e foi absorvida.

Ilustrações práticas

Jesus era um mestre na ilustração de verdades espirituais. Ele freqüentemente usava ilustrações práticas da vida diária para transmitir verdades espirituais. Numa ocasião, quando falava a Seus discípulos, chamou uma criança e a colocou no meio deles. Que maneira brilhante de chamar a atenção! Ali estava uma ilustração viva da verdade que o Mestre queria transmitir. Então disse aos discípulos: “Se não... vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus” (Mat. 18:3).

Jesus desenvolveu uma reputação como pregador que tirava ilustrações práticas da vida diária. Mateus lembra que “todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia” (Mat. 13:34). Ele falou sobre lançar redes, semear, ovelha perdida, entre outras coisas. Compreendia que as melhores ilustrações são encontradas no mundo onde o orador e os ouvintes estão inseridos. Quando Jesus falou sobre produzir e colher, Seus ouvintes agricultores não precisavam decodificar a mensagem. Eles estavam bem informados com os problemas de incômodo causados por pássaros, rochas, cardos, e raízes superficiais. Se Jesus estivesse dando aulas ou pregando no século 21, certamente encorajaria Seus ouvintes a usar ilustrações práticas de instrumentos da informática.

Podemos usar ilustrações práticas da vida diária, para reforçar e iluminar a idéia principal do sermão. Qualquer outra história, por melhor que seja, é simplesmente barulho irrelevante que pode causar mais prejuízo do que lucro. Não fomos chamados a entreter o povo com histórias apenas interessantes. Fomos chamados a proclamar uma Palavra que transforma vidas. Um pregador sábio aprende do exemplo de Jesus e usa ilustrações práticas, relevantes da vida diária, para ajudar a cumprir essa tarefa sagrada.

Mudança de vida

Jesus falava “como quem tem autoridade” (Mat. 7:29). Pregava no poder do Espírito Santo, partilhando a Palavra de Deus, em lugar de Suas próprias opiniões, mas também chamava a uma mudança radical de vida. Na conclusão de Seu histórico sermão da montanha, Cristo desafiou Seus ouvintes a aplicar em suas próprias vidas as verdades que tinham ouvido. Era um chamado à ação, um chamado à transformação. Disse Ele: “Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mat. 7:24).

Em contrapartida, “todo aquele que ouve estas Minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia” (Mat. 7:26). Os pregadores são comissionados não simplesmente a transmitir informações, mas para chamar à obediência e transformação.
Embora seja verdade que a transformação seja obra de Deus e não nossa, somos chamados para unir-nos a Ele nessa tarefa. Quando a palavra de Deus é fielmente proclamada, um apelo à mudança de vida não é apenas um privilégio mas uma responsabilidade. Pedro não fez apologia quando apelou à conversão, no final de sua mensagem. Chamou o povo ao arrependimento, ao batismo e à salvação (Atos 2:38-40).

Parece que hoje alguns pregadores temem apelar à mudança de vida. Temem parecer arrogantes ou autoritários. Mas a verdade, em sua própria natureza, é autoritária; exclui inevitavelmente tudo o que está errado. Um ouvinte da verdadeira Palavra de Deus precisa dar uma resposta. Não há lugar para manipulação, coerção ou jogo emocional. Entretanto, aprendemos do exemplo de Jesus que, quando a verdade é proclamada, é apropriado apelar para uma mudança de vida. Esse apelo deve ser simples, direto e claro. O resultado será maravilhoso para nós, pregadores, e para os ouvintes.

DEREK J. MORRIS
D.Min, pastor da igreja de Calimesa, Califórnia, e professor adjunto de homilética na Universidade Adventista do Sul, Collegedale, Tennessee, Estados Unidos
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