A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

CAMINHE SEGURANDO A MÃO DE DEUS


"Andemos dignamente, como em pleno dia." Romanos 13:13. 

Deus é Capaz de Guardar-nos de Cair 

A vida de Agostinho foi dilacerada por um amargo conflito que despertou o seu espírito e abalou os próprios fundamentos de sua alma. Em seu coração a vontade de triunfar sobre a impureza batalhava contra o desejo de satisfazer as concupiscências da carne. No meio do seu conflito íntimo, em agonia e desespero, irrompeu dos seus lábios esta estranha súplica: "Dá-me castidade e continência, mas não agora." (Confissões, pág. 140, em inglês).

Um dia, porém, assediado pela perplexidade, clamou em angústia: "Até quando, até quando?... Por que não agora?" (Idem, pág. 147).

Subitamente, pareceu-lhe ouvir uma voz, repetindo: "Tomai-o e lede. Tomai-o e lede" (Ibid.) Ele tomou nas mãos o Livro de Deus e, abrindo-o, leu os primeiros versos sobre que os seus olhos caíram: "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências" (Rm 13:13 e 14).

Estes versos inundaram o coração de Agostinho com abundante luz, e as trevas do pecado foram banidas. Quão surpreendente e extraordinário é o poder transformador do Livro Inspirado!
Os pecados e iniquidades que Paulo enumera em Romanos 13:13 eram comuns em seus dias, especialmente em Corinto, onde a Epístola foi escrita. Corinto sobrepujava todas as outras cidades na prática dos vícios helenísticos. Usando linguagem metafórica, o apóstolo descreve os pecadores tentando ocultar as suas más ações (orgias, bebedices e imoralidade) sob a cobertura da noite. Todavia, ele exorta a nós como filhos da luz a "andar dignamente... como em pleno dia'', manifestando em nosso procedimento uma integridade transparente, demonstrando diante do mundo as virtudes ''dAquele que [nos] chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1Pe 2:9).

Além da Adversidade 

Há também na advertência paulina uma dimensão escatológica que não devemos omitir. Quando Paulo a escreveu, não somente o clima imediato era desfavorável ao Cristianismo, mas os cristãos eram acossados de todos os lados. Eram apenas uma minoria ínfima em um mundo hostil. Contudo, o apóstolo olhava além das adversidades que a igreja enfrentava para o glorioso "dia" (Rm 13:12) do Senhor, o cumprimento da "bendita esperança" (Tt 2:13). Também precisamos viver com esta confiança.

Sim, devemos andar como se a límpida eternidade estivesse perto de nós agora. ''Nossa pátria [grego – "cidadania", "estilo de vida"] está nos Céus" (Fp 3:20). Mas esta cidadania celestial deve ser vivida, demonstrada, testemunhada, primeiramente aqui na Terra.

De modo que, enquanto estamos aguardando o dia do nosso livramento, andemos decentemente, não condescendendo com hábitos de intemperança, satisfazendo a nossa natureza inferior, ou envolvendo-nos em contendas e dissensões, mas vivendo vida sóbria, pura, justa e piedosa.

Conservando o Nosso Corpo Incontaminado 

Nos dias de Paulo os romanos eram inclinados a envolver-se em três grandes pecados, que ele rotulou de "as obras das trevas" (Rm 13:12): glutonaria, bebedice e imoralidade. Como escravos dos seus apetites e paixões, literalmente cavavam sua sepultura com os dentes. Entorpeciam a mente com álcool e manchavam o corpo por meio de condescendências ilícitas. Neste aspecto, que podemos dizer de nossa sociedade hodierna? "O pecado desta geração é glutonaria", diz Ellen White.

"Condescendência com o apetite, eis o deus a que muitos adoram" (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 409). Os supermercados são nosso santuário, e a abundância o nosso credo. Como resultado, a faca, o garfo e a colher se estão tornando as mais perigosas armas de nossa geração.
Aqueles dentre nós que podem comer em excesso sem aumentar o peso, arcam com o mesmo grau de culpa daqueles que têm excesso de peso, como resultado da falta de domínio do apetite. Todos nós devemos examinar-nos a nós mesmos para ver se estamos comendo para a "glória de Deus" (I Cor. 10:31), reconhecendo que o nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Co 3:16).

Muitos cristãos hoje consideram a glutonaria uma fraqueza inofensiva da carne. Alguns até mesmo fazem troça do comer em excesso. Mas em vez de satisfazer os nossos desejos físicos, devemos cair de joelhos em confissão e arrependimento, pedindo a Deus vitória completa sobre nossos hábitos condescendentes.

Enfatizando a importância de manter os nossos desejos físicos sob controle, escreveu o apóstolo Paulo: ''Mas esmurro o meu corpo e o subjugo" (1Co 9:27, RSV). Decidiu que seu corpo com suas necessidade naturais, deveria ser seu servo, não o seu senhor. Deus espera que ten amos a mesma determinação.

Nossos desejos pecaminosos, influenciados pelas muitas tentações que nos rodeiam, são demasiado fortes para nós. Contudo, "uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite . . . é possível a todo aquele que quiser unir a sua vontade humana, fraca e vacilante, à onipotente e inabalável vontade de Deus." (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 170). "A Palavra de Deus coloca o pecado de glutonaria na mesma categoria que a embriaguez (Idem, pág. 133). Ambos são "obras das trevas" e igualmente ofensivos à vista de Deus.

Somos advertidos repetidamente que de que os bêbados não herdarão o reino de Deus (1Co 6:10; Gl 5:21; cf. Lc 21:34). Não é difícil imaginar por que as Escrituras falam tão drasticamente contra as bebidas alcoólicas: elas estão envolvidas na maioria dos homicídios, assaltos, maltrato de crianças, na maioria dos divórcios, acidentes de trânsito fatais – a lista é infindável. Prestamos a nós mesmos e à nossa sociedade um grande desserviço quando zombamos da bebedice ou a tratamos levianamente.
Surpreendentemente, apesar dos devastadores efeitos da bebida, ouvimos vozes dentro da igreja argumentando que beber "com moderação é aceitável. Ellen White discordaria: "O beber moderadamente é uma escola em que os homens estão recebendo uma educação para a carreira de ébrios'' (Temperança, pág. 30). Alguns cristãos podem considerar as normas da igreja neste aspecto como demasiado limitativas, mas não devemos omitir o detalhe de que o princípio de total abstinência que defendemos é uma reação prática à nossa crença de que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo.

Subjugando Nossa Natureza Inferior 

Sabendo que a nossa natureza física e a natureza moral estão intimamente relacionadas, Satanás tenta degradar a natureza física operando habilmente para rebaixar a natureza moral. Glutonaria, bebidas alcoólicas, viver isso dissoluto – eram estes os pecados nos dias de Noé. Eram um constante apelo aos corações libidinosos, voluptuosos, e Satanás de tal maneira assumiu o controle do corpo e da mente de homens e mulheres que suas imaginações tornaram-se continuamente más.

É a situação atual de alguma forma melhor do que era nos dias de Noé?

"A 'explosão sexual' na América, auxiliada par um fluxo constante de impudicos estímulos visuais e verbais em livros, revistas e filmes, está levando mais e mais pessoas a envolverem-se em relações sexuais que transgridem a lei de Deus e criam problemas sociais e pessoais. A liberdade do uso da 'pílula' pelas mulheres não casadas é promovida com mais vigor atualmente do que a importância da castidade pré-nupcial. O homossexualismo é fomentado como um estilo de vida socialmente aceito – não somente pelos desviados, mas por importantes clérigos e engenheiros sociais. O adultério é defendido como uma prática sadia por certos psicólogos" (Christianity Today, 1.º de março de 1985).

O que está acontecendo na América está ocorrendo no mundo inteiro. Líderes do pensamento estão ensinando que a ética, a moralidade é relativa, não absoluta. O humanismo proclama que a espécie humana é apenas animal, e uma geração tem sido encorajada a dar livre expressão aos mais baixos impulsos. Os jovens têm sido ensinados que o que era pecaminoso ontem é aceitável hoje. E o fato de que estas "novas idéias" são apoiadas por influentes líderes religiosos torna-as ainda mais perigosas.

O mundo ao nosso redor está procurando levar nossa mente a conformar-se com sua "nova moralidade", pressionando-nos a comprometer os nossos princípios com a chamada nova "ética de relacionamento sexual".

Mas nesta área a Bíblia não nos permite fazer qualquer tipo de concessão. Do Gênesis ao Apocalipse, ela nos instrui que adultério, fornicação e perversões sexuais são pecado, e as "novas opiniões" que estão sendo atualmente defendidas não minimizam o seu caráter. Em vez de nos conformarmos com os baixos padrões deste mundo, somos aconselhados a andar decentemente (Rm 13:13), pondo nossas afeições nas coisas que são do Céu. (1Co 3:2).

"Não em Contendas e Ciúmes" 

O apóstolo escreveu esta advertência de Corinto, onde a unidade da comunidade cristã fora desintegrada por sérias confrontações. Como resultado de um espírito de contenda, a igreja fragmentou-se em vários grupos, e desenvolveu-se uma hostilidade entre eles.

Preocupado com a situação que estava dividindo os crentes em Corinto, Paulo exortou: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões " (1Co 1:10). Provavelmente foi sua experiência com a igreja de Corinto que o levou a aconselhar os crentes de Roma a ''andar. . . como em pleno dia", evitando o mesmo espírito que estava enfraquecendo a vida e o testemunho da igreja de Corinto, ameaçando sua unidade.

Para neutralizar os perniciosos resultados deste espírito de contenda, temos o antídoto divino: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus'' (1Jo 4:7). O espírito de amor na igreja, oposto a uma disposição de dissentimento, nos levará à unidade e cooperação. Amor e harmonia são os primeiros princípios do governo divino. Nem uma simples nota dissonante desfigura a harmonia do Céu. Este relacionamento celestial é o modelo de unidade para o povo de Deus.

Nenhuma congregação pode crescer, nenhuma instituição prosperar, nenhum lar ser estável, sem a suavizante e modeladora influência do amor e da unidade. Em seu majestoso capítulo que descreve o dom supremo do amor, declara o evangelista das nações: "O amor é benigno e não inveja a ninguém'' (1Co 13:4, NEB). Não constitui exagero afirmar que a inveja é uma das mais cruéis e destruidoras de todas as características humanas.

Foi a inveja que motivou Saul a perseguir a Davi. Inicialmente, o rei estava muito satisfeito com Davi e sua vitória sobre o filisteu Golias. Mas quando ouviu as mulheres de toda a nação cantarem: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares'' (1Sm 18:7), abriu o coração ao espírito de ciúme, que envenenou sua alma. Como rei sobre todo o Israel não podia aceitar que outro recebesse mais honras do que ele. O ciúme penetrou em seu coração, arruinou-o espiritualmente, e mais tarde o derrotou e o destruiu fisicamente.

Em Seus insondáveis propósitos, Deus designou a cada um de nós um lugar na vida. Mas independente de qual seja este lugar, há sempre a tentação de invejar alguém.

"Não invejes um homem quando ele enriquecer" (Sl 49:16, NEB) é a palavra de sabedoria que encontramos em um dos cânticos de Davi. E de sua prisão em Roma, defrontando-se com privações e incertezas, declara Paulo: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação'' (Fp 4:11). Esta é uma boa receita para a cura da enfermidade espiritual da inveja. "A inveja é um dos mais satânicos característicos que podem existir no coração humano", escreveu Ellen White, "e um dos mais funestos em seus efeitos.... Foi a inveja que a princípio causou a discórdia no Céu, e a condescendência com a mesma acarretou males indizíveis entre os homens'' (Patriarcas e Profetas, págs. 402 e 403). Como filhos da luz, somos admoestados a deixar todo o "ciúme, más suspeitas, inveja, ódio [e] malícia" (Testimonies, vol. 2, pág. 516), e servir uns aos outros em amor.

Aventura Conjunta 

No meio de uma geração corrompida, espera-se de nós que andemos decentemente, brilhando como "luzeiros no mundo" (Fp 2:15). Muitos cristãos, entretanto, em vez de viver vida irrepreensível, estão dando mais e mais lugar às más seduções, conformando-se com os padrões do mundo.

Tiago afirma que parte da verdadeira religião consiste em guardar-nos a nós mesmos incontaminados do mundo (Tg 1:27); e Paulo nos exorta a "sair do meio deles [dos incrédulos], e a estar separados" (2Co 6:17, RSV). Como devemos reagir quando nos encontramos cercados de todos os lados pelas tentações de um mundo pecaminoso?

Não é plano de Deus que nos afastemos do contato com os incrédulos. Em vez disto, somos exortados a ser "o sal da terra'' e "a luz do mundo'' (Mt 5:13 e 14). Como é isto possível? "Todo aquele que se acha ligado a Deus, comunicará luz aos outros. Se existir alguém que não tenha luz a comunicar, é porque não tem ligação com a Fonte da luz" (Serviço Cristão, pág. 21).

Quando estamos ligados a Deus pela fé, nossa vida torna-se tão dedicada a Jesus que nossa experiência cristã é transformada em uma aventura conjunta entre nós e o nosso Salvador. Esta experiência é sumariada por Paulo em sua declaração: "Cristo vive em mim'' (Gl 2:20).
Sem Jesus operando em nós, somos incapazes de ser bem-sucedidos em nossas lutas contra nossa natureza má. Mas Ele nos tornou possível andar nas sendas retas e estreitas da justiça com vigor e determinação.

Quando tropeça, uma criancinha que recusa segurar a mão de seu pai pode perder o equilíbrio e cair; mas quando o pai segura sua mão, embora a criança possa ainda tropeçar, ela não cairá. O Senhor nos assegura que, se permitirmos, Ele segurará nossa débil mão enquanto palmilhamos as sendas traiçoeiras de nossa experiência diária, e nos guardará de cair, apresentando-nos "com exultação, imaculados diante da Sua glória" (Jd 24).

Enoch de Oliveira

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