A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

SALMO 12: O CONTRASTE ENTRE AS PROMESSAS HUMANAS E DIVINAS


Para o mestre de música. Em oitava. Salmo davídico.

1 Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel;
    já não se confia em ninguém entre os homens.
2 Cada um mente ao seu próximo;
    seus lábios bajuladores falam com segundas intenções.
3 Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores
    e a língua arrogante
4 dos que dizem: “Venceremos graças à nossa língua;
    somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?”
5 “Por causa da opressão do necessitado
    e do gemido do pobre,
agora me levantarei”, diz o Senhor.
    “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.”
6 As palavras do Senhor são puras,
    são como prata purificada num forno,
    sete vezes refinada.
7 Senhor, tu nos guardarás seguros,
    e dessa gente nos protegerás para sempre.
8 Os ímpios andam altivos por toda parte,
    quando a corrupção é exaltada entre os homens.
                                                                        (Salmo 12, NVI)

Neste inspirado cântico são colocadas as palavras de Deus em contraste agudo com as palavras de homens. Davi, o rei de Israel, começa com um insistente clamor, "Salva-nos, Yahweh!”, porque o povo ao seu redor não era mais fiel ou “religioso". "O fiel" desapareceu; a decadência geral começou. Elias faz a mesma queixa ao dizer, "Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me" (1 Reis 19:10, NVI). Davi explica por que ele precisa da ajuda de Deus: ele ouve ao seu redor só falsa conversa, conversa de duplo sentido, e palavras ostensivas (vv. 2-4).

Ele menciona especialmente lábios mentirosos e lisonjeiros. Eles falam a ele com um "coração dividido" (RSV). Poder falar é um grande dom de Deus. O dom da fala é dado ao homem para capacitá-lo a expressar-se, comunicar-se com os demais, e, acima de tudo, falar com Deus, louvá-Lo por Sua bondade e por todos os Seus atos. Poder falar tais palavras que correspondem à realidade dentro e ao redor de nós, é um talento, uma maravilha, uma licença ao homem. O que um fato chocante de que o homem pode mentir, pode falar inverdade e de fato o faz, isso ele pode inconscientemente e mesmo deliberadamente distorcer a realidade criada em suas palavras. Tal decepção é rebelião contra Deus. Então homem não só cria outro mundo que aquele que Deus fez – um mundo em qual não há ordem – mas ele também destrói todo tipo de companheirismo, porque "companheirismo não pode existir a menos que esteja baseado na verdade" (A. Weiser). Spurgeon disse corretamente, "Pode-se ser melhor entre leões do que entre mentirosos." É preciso o auxílio especial de Deus para lidar com os mentirosos e lisonjeiros.

Cada um mente ao seu próximo;

    seus lábios bajuladores falam com segundas intenções
                                                    [coração "dividido". RSV].
                                                                   (Sal. 12:2, NVI)

Literalmente o verso 2 declara: "Eles falam com um coração e um coração" que significam "mente dupla" uma exibição de duas faces. Tiago explica: "Homem de mente dividida é inconstante em todos os seus caminhos" (James 1: 8). Phillips traduz: "Um homem de lealdade dividida revelará instabilidade em toda a volta". Davi os conheceu. Perceptivamente ele descreve o caráter de tal uma pessoa:

Macia como manteiga é a sua fala,
    mas a guerra está no seu coração;
suas palavras são mais suaves que o óleo,
mas são afiadas como punhais
                                         (Sal. 55:21, NVI)

Com palavras as pessoas podem pretender ser algo diferente do que elas são realmente em seus corações. Tudo começou no princípio com as mentiras do arquienganador no paraíso (João 8:44). Culminará no futuro com as reivindicações exaltadas do anticristo (Dan 7:20, 25) e do "falso profeta" (Apoc. 19:20).

Depois da súplica para ajuda (v. 1) e uma lamentação (v. 2), Davi continua imediatamente com sua petição que Deus pode cortar lábios enganosos e cada língua jactanciosa:
Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores
    e a língua arrogante
dos que dizem: “Venceremos graças à nossa língua;
    somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?”
                                                                              (Sal. 12:3, 4)

Nestes palavras o quadro dos ateístas alcança seu clímax. Aponta à raiz de suas palavras mentirosa e ostensivas: o espírito de revolta e deificação própria. Ele expõe a atitude interna do orgulhoso. Eles falam em extrema confiança própria. Eles não reconhecem nenhum Senhor ou mestre acima deles próprios, nem mesmo Deus. Um quadro mais elaborado do homem ímpio é dado no Salmo 10:

Ele se gaba de sua própria cobiça e,
    em sua ganância, amaldiçoa e insulta o Senhor.
Em sua presunção o ímpio não o busca;
    não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos.
pensando consigo mesmo: “Nada me abalará!
    Desgraça alguma me atingirá,
nem a mim nem aos meus descendentes”.
                                                       (Sal. 10:3, 4, 6, NVI)

Esta é a essência de pecado. Homem quer governar-se a si mesmo! O poder da língua é uma expressão do coração e da vontade. Pode causar resultados devastadores, como Tiago enfatiza:

Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno (Tia. 3:5, 6).

Os lisonjeiros lisonjeiam a outros, os ostentadores lisonjeiam-se a si mesmos. Essa é a razão de eles serem classificados juntos como um grupo de pecadores no Salmo 12. Davi tenta mover Deus a agir. Só Ele pode silenciar as reivindicações dos ostentadores. Responde o Senhor à súplica dele?

“Por causa da opressão do necessitado
    e do gemido do pobre,
agora me levantarei”, diz o Senhor.
    “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.”
                                                       (Sal. 12:5, NVI)

A reação divina é certa. Possivelmente um sacerdote no Templo falou estas palavras de esperança por libertação. A oração por ajuda (v. 1) é respondida em linguagem significante: “ ‘Agora me levantarei’, diz o Senhor.” (vs. 5). Estas palavras indicam que Deus é movido a atuar. Dez outros salmos usam esta expressão com o mesmo propósito, como mostram alguns exemplos:

Levanta-te, Senhor!
Salva-me, Deus meu!
                   (Sal. 3:7)
Levanta-te, Senhor, na tua ira;
    ergue-te contra o furor dos meus adversários.
Desperta-te, meu Deus! Ordena a justiça!
                                                             (Sal. 7:6)
Levanta-te, Senhor! Não permitas que o mortal triunfe!
    Julgadas sejam as nações na tua presença.
                                                                      (Sal. 9:19)
Levanta-te, Senhor! Ergue a tua mão, ó Deus!
    Não te esqueças dos necessitados.
                                                  (Sal. 10:12)
Deus responde "agora" à oração do rei com estas palavras: "Eu os protegerei daqueles que os difamam" (v. 5, New International Version) ou na equivalente em português: “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.” (v. 5, NVI). Spurgeon comenta: "Nada move um pai como os gritos de seus filhos."

O Pai celeste ouve cada gemido e soluço de Seus filhos. Antes mesmo de eles falarem, Ele ouve o seu lamento. Ele lê o desejo não expresso do coração. Jesus ouviu a silenciosa oração por ajuda dos corações dos endemoninhados no país dos gadarenos quando Ele esteve diante deles. Ele os libertou, apesar das palavras de ira e rejeição que vieram de seus lábios (Mat. 8:28-34).

A extremidade do homem sempre é a oportunidade de Deus! Quando Deus Se "levanta", Sua ajuda é enviada imediatamente. A resposta de Deus ao grito de Davi por ajuda não é apontada à destruição do ímpio, mas antes à salvação e proteção dos oprimidos: “Eu lhes darei a segurança . . . .” Não é descrito como isto foi efetuado na realidade. A ênfase sempre está no fato de que Deus responde as orações de súplica e que Ele liberta do mal. Esta é a mensagem de esperança para todos os que sofrem dos mesmos males de calúnia e falsas acusações hoje.

As palavras do Senhor são puras,
    são como prata purificada num forno,
    sete vezes refinada.
                                              (Sal. 12:6)

As "promessas" do Senhor – como a RSV traduz "palavras" no verso 6 – é a resposta de Deus às palavras ostensivas do homem. Todas as promessas e palavras de Deus são puras – como prata "purificada sete vezes" – quer dizer, completamente verdadeiras e fidedignas, sem a escória da mentira ou conversa dobre. As promessas de Deus são a base das ações de Deus. Eles são em princípio o todo. "Com relação a Deus verdade e realidade não diferem" (A. Weiser). Como podemos estar certos disto, de forma que possamos confiar nas promessas de Deus? Deus não é mentiroso. Ele mantém Sua palavra. Ele é fiel à Sua aliança. A história demonstrou isto repetidas vezes, mas em uma sentido especial e absoluto em Jesus Cristo. O apóstolo João declara:

Nós aceitamos o testemunho dos homens, mas o testemunho de Deus tem maior valor, pois é o testemunho de Deus, que ele dá acerca de seu Filho. Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho. E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. (1 João 5:9-11, NVI).

Davi encontra sua segurança temporal e eterna nas promessas do Senhor:
Senhor, tu nos guardarás seguros,
    e dessa gente nos protegerás para sempre.
Os ímpios andam altivos por toda parte,
    quando a corrupção é exaltada entre os homens.
                                                     (Sal. 12:7, 8, NVI)

Mitchell Dahood traduz estes últimos versos do Salmo 12 como segue:
Tu, ó Yahweh, nos tens protegido,
    tu nos tens guardado da eternidade, Ó Eterno.
Em todo lado o ímpio espreita
    cavando abismos para os filhos de homens.
(Salmos I, The Anchor Bible)

Nestes palavras impressionantes o poeta apela aos anteriores atos de libertação de Deus como motivo para sua súplica por ajuda em sua presente dificuldade. O crente cristão tem uma nova razão para confiar nas promessas da aliança de Deus. Eles são perfeitamente cumpridas na vida, morte, e ressurreição de Cristo (veja abaixo, em Salmos 22; 24; 110). Os que, pela fé em Cristo, são contados por Deus como estando "em Cristo", podem com mais segurança apelar às promessas divinas.

Há um contraste infinito entre a promessa do homem e a promessa de Deus. Só a palavra de Deus verdadeiramente conforta, porque é absolutamente fidedigna e efetiva em Cristo. Cristo é chamado "Fiel e Verdadeiro " (Apoc. 19:11) e o Seu nome é "a Palavra de Deus" (Apoc. 19:13). Sus palavras não são Suas próprias palavras, mas palavras que Ele recebeu de Deus o Pai:
"Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer”. (João 12:49, 50).

Uma das maiores e mais significantes palavras de Cristo foi: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Esta é a mensagem de evangelho da verdade que libertará o homem de medo e escravidão, e da própria morte. Para Maria, a irmã de Lázaro, Ele declarou solenemente: “ ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?’ Ela lhe respondeu: ‘Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo’ ”. (João 11:25-27, NVI). Esta resposta de fé é a resposta do Israel espiritual. Também é a resposta apostólica, porque Paulo declara:

Pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o “sim”. Por isso, por meio dele, o “Amém” é pronunciado por nós para a glória de Deus. (2 Cor 1:20).

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