A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

O Significado de Hades na Parábola do Rico e Lázaro

O termo grego hades ocorre mais de 100 vezes na LXX, na maioria das vezes para traduzir o hebraico sheol, o mundo subterrâneo que recebe todos os mortos. É uma terra de trevas, onde não há lembrança de Deus.

O significado literal de hades é “não visível”, se referindo ao local da habitação dos mortos. Jesus provavelmente contou essa parábola usando o idioma corrente dos ouvintes, o aramaico, que substituiu o hebraico como língua na Palestina depois do exílio na Babilônia. Neste sentido, mesmo estudando o termo grego hades, não podemos atribuir-lhe todo significado referente à mitologia que gira em torno dele, pois Jesus não falou em grego, mas esse termo foi traduzido pelo autor de Lucas.

Como essa pressuposição vamos levantar um pouco da história e significado de hades na cultura grega e sem dúvida no pensamento de muitos ouvintes de Jesus quando ele contou essa parábola. Na mitologia grega hades era originalmente o nome do deus do mundo dos mortos ou infernos. Hades era o deus responsável por governar o mundo subterrâneo e as almas após a morte. Era filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus (deus dos deuses) e de Poseidon (deus dos mares).

A passagem mitológica mais conhecida envolvendo o deus Hades é aquela em que ele rapta Perséfone, filha da deusa Deméter, para viver com ele no mundo subterrâneo, tornando-a sua esposa. Este mito é mais conhecido como o Rapto de Cora (como Perséfone era retratada na mitologia romana).

Hades era um deus que provocava muito medo na Grécia Antiga. Como estava relacionado com a morte, os gregos evitavam falar seu nome e o chamavam de Plutão, entre outros nomes. De acordo com a mitologia grega, Hades era muito quieto, intimidativo e impiedoso. Não gostava de oferendas e sacrifícios. Também não costuma interferir nos assuntos terrenos.

Era deus muito temido, pois no seu mundo sempre havia espaço para as almas. Seu mundo era dividido em duas partes: o Érebo onde as almas ficavam para ser julgadas para receber seus castigos ou então suas recompensas; e também a parte do Tártaro que era a mais profunda região onde os titãs ficavam aprisionados. Hades era presidente do tribunal, era ele que dava a sentença dos julgamentos. Hades possuía um companheiro que era o seu cão Cérbero. De aspecto monstruoso, com várias cabeças, o cão era o responsável por guardar a entrada do reino dos mortos.

Com o desenvolvimento da mitologia, hades começou a ser usado como para significar o próprio mundo dos mortos, a habitação das almas ou fantasmas de pessoas desencarnadas (CHAMPLIN, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 3, 2002). No desenvolvimento da doutrina da vida após a morte, hades passou a descrever o local de habitação dos espíritos bons e maus.

Mas muitas ideias oriundas do pensamento grego influenciaram muitos judeus e cristãos após a época de Cristo, que passaram a acreditar na vida após a morte e que hades estava dividido em dois compartimentos, um para ímpios e outro para os justos (CHAMPLIN, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 3, 2002). É relevante ressaltar que o conceito de inferno como lugar de tormento após a morte vem do grego hades, e não do sheol, termo este que provavelmente foi o que Jesus usou.

Apesar de ser traduzido por inferno, o que pode distorcer o seu significado, hades não indica necessariamente castigo ou salvação, mas pode assumir essas conotações dependendo do contexto. Hades pode significar apenas morte ou sepultura, sem revelar a condição de vida antes da morte, se foi boa ou má.

Pr. Yuri Ravem
Editor Associado do Blog Nisto Cremos
Twitter:@yuriravem

Comentários

  1. Nossa Muito Bom o texto , Parabéns. Eu gosto muito de estudar sobre a mitologia , Principalmente a grega. Beijos !

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