A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

Missão ou Conservação

Em 20 anos a igreja dobrou o número de membros, mas esta é só parte da estatística, o índice de apostasia é de 55% a 60%. Os líderes estão preocupados e apontam várias causas, dentre elas, o fato de existirem poucos ministros e estes não terem tempo suficiente para prestar adequada assistência pastoral, excessivo tempo gasto na promoção de programas e campanhas em vez de promover o evangelho, templos mal localizados e pouco equipados e líderes leigos despreparados. Muitos ao verem os membros afastados manifestam uma atitude punitiva ao invés de desejar recuperá-los SCHWARZ E GREENLEAF, 346). O Evangelismo passou na minha igreja e batizaram 120 mas apenas 20 permaneceram (MINISTÉRIO, 1954).

Os evangelismos estão cada vez mais ineficientes. O problema é que os evangelistas dependem demais de métodos artificiais e batizam grande número de pessoas sem um preparo adequado e sem lidar com os problemas que acompanham a conversão como emprego após adotar o sábado como dia de guarda (SCHWARZ, 341). Os próprios evangelistas preocupados com a situação e crítica pelo seu fracasso em ensinar adequadamente seus conversos estão utilizando uma abordagem mais cristológica, pois crêem que uma vez que o membro aceite a Cristo em primeiro lugar, não se tornarão migrantes espirituais, indo de uma igreja para outra (SCHWARZ, 339).

Penso que ao ler estes dois parágrafos, a maioria absoluta dos leitores simpatiza com as afirmações e se vê preocupada com a situação atual da Igreja. No entanto estas afirmações são apenas história. Elas foram feitas nas décadas de 1920 a 1950. Talvez você esteja surpreso ao constatar que a maioria dos problemas que afligem hoje a igreja já foram enfrentados diversas vezes na história da igreja. “Não há nada novo debaixo do sol”  (Ec 1:9) diz o sábio pregador. Tenho ouvido membros da igreja de maneira constante e ultimamente mesmo líderes e pastores ansiosos com a situação da “porta de trás aberta”, afirmando contundentemente que nosso problema HOJE (vejam só!) é o grande número de apostasias. No entanto, como percebemos, este problema não é novo e portanto não pode ser o maior problema da igreja de hoje, como se imaginássemos que no passado as coisas fossem diferentes. Mas se este não é o problema, então qual é? Baseado nos números que a própria Conferência Geral disponibiliza a todos nós em seu sítio (http://www.adventiststatistics.org/view_Summary.asp?FieldInstID=1951549), gostaria de fazer uma reflexão e uma sugestão de onde está nosso problema.

Vou ilustrar o texto com uma série de gráficos e tabelas que nos ajudarão a compreender melhor o assunto.

Vamos começar analisando o argumento já descrito acima, que entende ser a perda de membros o maior problema da igreja hoje. Veja o gráfico que mostra a diferença entre o que a igreja batizou no ano e o que sobrou de ganho (número de batismos - total do crescimento no ano). Por exemplo, o pico de perdas aconteceu no ano de 1914. Neste ano, a igreja iniciou o ano com 122.386 membros, encerrou o mesmo ano com 125.844 batizou 14.999 pessoas, teve assim um ganho neto de 3.458 pessoas, o que significa uma perda comparada com o total de batismos equivalente a 76,95% do total de batismos. Já em 1919 acontece o ponto mínimo, onde perdemos apenas o equivalente a 7,1% do total de batismos. Olhando para o gráfico percebemos fortes oscilações nos anos 2010. Isto se dá devido ao acerto de secretarias promovidos por duas divisões mundiais, a Divisão Sul-Americana que de 2007 a 2010 perdeu 1.366.031. A outra é a Divisão Ásia-Sul do Pacífico que entre 2003 e 2005 retirou de seus registros 597.362 nomes. É claro portanto que estes números afetaram o resultado geral da Igreja. Feito estas ressalvas, vemos que ainda assim o pico dos anos 2010 acontecido em 2008 sequer alcançou o pico histórico em 1914 (62,48% X 76,95%).



As bruscas oscilações de um ano para outro em diversos pontos do gráfico talvez não permitam uma avaliação adequada da curva de tendência histórica. Será apresentado então um gráfico com a mesma informação (perdas em percentual de batismos) mas agora com as médias decenais, o que elimina as variações e oscilações bruscas e dá uma visão melhor da tendência.



Podemos perceber neste gráfico que realmente a taxa de perdas aumentou nesta última década, ficando de 2001-2010 em 47,9% (significa que de 1000 batismos tivemos 479 pessoas removidas). É um número alto, porém menor que o pico de perdas que aconteceu entre 1941-1950 que ficou entorno de 48,5% e próximo da média de 1921-1930 (47,5%) e 1931-1940 (46,7%). Assim, esta não é a pior década em perdas e fica na média encontrada entre 1921-1950. Percebe-se que as perdas caíram nas décadas seguintes até seu ponto mais baixo entre 1981-1990 que ficou em 28,7%. Vale lembrar ainda que nesta década de 2001-2010 tivemos as revisões de secretária das duas divisões já citadas, com perdas expressivas que alteraram o quadro das remoções da igreja mundial.

O que podemos perceber é que vivemos realmente um problema no aumento das perdas, no entanto, elas não são maiores do que em períodos passados e que tivemos esta alteração histórica devido ao fato dos recentes ajustes de secretaria das divisões Sul-Americana e Ásia-Sul do Pacífico. Assim, embora seja uma problema a nos preocupar não é nada com o que já não tenhamos lidado anteriormente.

   
Crescimento de Batismos

Gostaria de apresentar agora um número realmente preocupante e historicamente inédito. Um problema maior com o qual devemos de tratar com urgência. O gráfico a seguir apresenta os batismos registrados ano a ano desde 1913 até 2010.



Perceba neste gráfico que o número de batismos teve um crescimento contínuo desde 1913, quando se iniciou a série histórica até o ano de 1999. A partir daí este número se estabilizou e por dez anos não cresceu mais, quebrando a tendência de crescimento verificada desde 1913. Este é um número preocupante,  já que é uma novidade na história da igreja. É bom ressaltar também que este número não é diretamente afetado pelos cortes em número de membros promovidos pelas divisões Sul-Americana e Ásia-Sul do Pacífico. O próximo gráfico irá apresentar a taxa de crescimento de batismos por década e mostrará mais claramente o problema.



Note que durante toda a série histórica houve crescimento percentual em número de batismos. De 1913-1920 este crescimento foi de 14%, o menor da história excluindo os anos 2001-2010. O pico aconteceu entre 1981-1990 quando o número de batismos cresceu 70%. O grande problema está justamente na década passada. Entre 2001-2010 o número de crescimento de batismos ficou em -1%, não que os batismos tenham simplesmente diminuído, é que pela primeira vez eles ficaram com taxas de crescimento negativas. Agora fica mais fácil perceber o desvio da curva de crescimento no número absoluto de batismos do gráfico com a série histórica de batismos (gráfico 3). Este é o maior problema que como igreja enfrentamos. Poucos talvez tenham se apercebidos deste fato e muitos têm se concentrado em preocupar-se com o número de perdas, sem notar que as perdas, embora altas, estejam dentro dos números históricos, enquanto o crescimento no número de batismos da década passada ficou negativo pela primeira vez na história.

Quero agora mostrar um comparativo entre o número de perdas e o crescimento no percentual de batismos e fazer uma análise do gráfico.



Nota-se no gráfico que o crescimento de batismos acompanhou as perdas até a década de 1960, quando a situação se inverteu. Isto significa que a partir daí, quanto mais se batizou, menos perdas tivemos. Veja os extremos de 1981-1990, tivemos perdas de 28,2% comparado com o total de batismos (o menor valor da série histórica) e ganhos de 71% no aumento do número de batismos o maior valor em todas as décadas. Em contraste, de 2001-2010 as perdas estiveram na casa de 47,9% enquanto o crescimento de batismos ficou em -1%. Vemos que quanto mais batismos temos, menor perda se apresenta.

Mas qual a razão para este fato? Uma sugestão será apresentada. Quanto mais nos preocupamos com a manutenção, mais fracos espiritualmente ficamos e o efeito perverso é justamente o contrário do que desejamos, isto é, quanto mais nos preocupamos com a preservação dos membros, focando nisto, criando programas, gastando recursos, tempo e finanças, mais perdemos membros, já que deixamos de lado nosso verdadeiro foco que é a missão. Logo, mesmo o pouco que batizamos acabamos perdendo, enquanto, quando enfocamos batismo e crescimento (missão) as igrejas reavivam, os recém conversos entram em igrejas que trabalham e logo também se envolvem na missão e membros que testemunham e trabalham, não apostatam nunca.

Os cristãos, cujo zelo, fervor e amor crescem constantemente, não apostatam nunca.

São aqueles que não se acham empenhados nessa obra desinteressada os que se acham numa condição enferma, e chegam a esgotar-se com lutas, dúvidas, murmurações, pecados e arrependimentos, até perderem toda a consciência do que seja a verdadeira religião. Reconhecem que não podem volver ao mundo, e assim penduram-se às extremidades de Sião, tendo ciúmes mesquinhos, invejas, decepções e remorsos. Estão cheios de espírito de crítica, e alimentam-se das faltas e erros de seus irmãos. Têm apenas uma vida religiosa despida de esperança, de fé, de sol.

Não há senão um remédio verdadeiro para a indolência espiritual, e esse é trabalhar - trabalhar pelas almas que necessitam de vosso auxílio. (WHITE, 2008, 107)

Uma igreja que trabalha é uma igreja viva (WHITE, 2009, 332)
   
Deveríamos voltar nossas atenções novamente para a missão da igreja, não permitindo que nada demovesse nossos maiores interesses, tempo e recursos para a obra para a qual a igreja foi chamada por Cristo, fazer novos cristãos. Isto se traduz na igreja no número de batismos. Uma igreja “batizadora”, é uma igreja viva, com membros animados e envolvidos com o trabalho. Recém conversos que encontram este ambiente ao entrarem na igreja, logo também estarão trabalhando e se tornarão membros fortes e animados, isto diminui as perdas e a igreja assim cresce mais em números e espiritualmente. O melhor programa de manutenção dos novos conversos está em fazer a igreja se envolver no trabalho de ganhar novos conversos. Não é absolutamente uma questão de isto ou aquilo, ou nos preocupamos em ganhar mais ou nos preocupamos em conservar. Já que tempo, energia e recursos serão sempre limitados, precisamos nos concentrar onde gastá-los, e o segredo está em usá-los na missão. E assim, também se resolve o problema da perda de membros. Isto sim é verdadeira sinergia.


REFERÊNCIAS
SCHWARZ, Richard e GREENLEAF, Floyd. Portadores de luz: história da igreja adventista do sétimo dia, Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2009.
WHITE, Ellen G. Medicina e Salvação, Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 3 ed. 2009.
________, Serviço cristão, Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 9 ed. 2008.

APÊNDICE






Pr. Roberto Roefero, mestrando em teologia, formado no bacharelado em 2001 atualmente no distrito de Fernandópolis SP, casado com a Prof. Pauline pai de 2 filhos, Paulo Roberto (5) e Maria Carolina (2).

Comentários

  1. gostaria muito que as palavras do pastor tornasse-se realidade. não discordo em nada do que ele falou. Destarte penso que algumas colocações poderiam serem válidas.

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