A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

XXVI - A MENSAGEM DO SEGUNDO ANJO - Apocalipse 14:8

"E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu! Caiu Babilônia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição!" (Apoc. 14:8).

Este anjo "seguiu" o primeiro, não no sentido de substituí-lo, mas sim no sentido de acompanhá-lo (como em Apoc. 14:4). A mensagem adicional menciona a "Babilônia" pela primeira vez em Apocalipse, e a descreve como a grande adúltera que seduziu as nações com seu vinho intoxicante. A mensagem do segundo anjo não pode entender-se adequadamente se se isola Apocalipse 14 do contexto que lhe seguir nos capítulos 16 a 18, nos quais é dada mais informação a respeito de Babilônia.

O outro enfoque para entender "Babilônia" é recuperar suas conexões com o Antigo Testamento. O nome "Babilônia" está escolhido de maneira intencional para revelar a relação teológica de tipo e antítipo com o arquiinimigo de Israel durante o velho pacto. A queda histórica do império neobabilônico, tal como Isaías, Daniel e Jeremias a predisseram, está decretado que seja o protótipo da queda de Babilônia do tempo do fim. Esta correspondência tipológica esclarece a interpretação da Babilônia do tempo do fim e de sua queda. Quando se estabeleceu a continuidade dos fundamentos teológicos de ambas as Babilônias, o Apocalipse proporciona a aplicação para o tempo do fim. Apocalipse 17 chama babilônia de "mistério" (V. 5), o que indica que a Babilônia do tempo do fim é a renovação apocalíptica da antiga cidade que se sentava sobre as "muitas águas" do Eufrates (Jer. 51:13). Uma comparação minuciosa revela a correspondência intencional:


BABILÔNIA DO TEMPO DO FIM: Apocalipse 17:1
BABILÔNIA HISTÓRICA:
Jeremias 51:13
"Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas".
"Ó tu que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros! Chegou o teu fim, a medida da tua avareza".

Esta correspondência essencial das duas Babilônias está descrito pelo CBA nesta forma:
"A antiga cidade de Babilônia estava situada junto às águas do rio Eufrates (ver com. Jer. 50:12, 38), morava simbolicamente 'entre muitas águas' ou povos (Jer. 51:12, 13; cf. Isa. 8:7, 8; 14:6; Jer. 50:23), assim também a Babilônia moderna é apresentada sentada ou vivendo sobre os povos da terra, ou oprimindo-os (cf. com. Apoc. 16:12)".1

A frase "Babilônia a Grande" (mencionada 5 vezes: 14:8; 16:19; 17:5; 18:2, 21) é uma alusão direta à egolatria de Nabucodonosor em Daniel 4:30 (ver também Apoc. 18:7). As frases a respeito da queda de Babilônia e de seu vinho intoxicante em Apocalipse 14:8 estão tomadas dos oráculos de condenação do Antigo Testamento contra Babilônia (Isa. 21:9; Jer. 51:7):


A QUEDA DA BABILÔNIA DO TEMPO DO FIM
A QUEDA DA BABILÔNIA HISTÓRICA
"Caiu, caiu a grande Babilônia 
"Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra" (Isa. 21:9).
que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição" (Apoc. 14:8).
"A Babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso, enlouqueceram" (Jer. 51:7).

Assim como a antiga Babilônia foi a perseguidora de Israel, assim também "Babilônia" no Apocalipse é a perseguidora do Israel de Deus no tempo do fim. Louis F. Were recalcou o caráter teológico de Babilônia: "Menciona-se Babilônia nas profecias do Apocalipse só devido a sua oposição à Jerusalém".2 Também A. Farrar comentou de maneira similar: "Babilônia é a paródia de Jerusalém".3

O contraste entre "Israel" e "Babilônia" que se descreve como duas mulheres, chega a ser ainda mais surpreendente quando se presta atenção a suas descrições detalhadas. Enquanto que a mulher de Deus no capítulo 12 aparece "no céu" iluminada com o sol e as estrelas, a mulher infiel do capítulo 17, adornada com as invenções do homem, "está sentada sobre muitas águas" e "sobre uma besta escarlate" (Apoc. 17:1-3). Enquanto que a mulher do capítulo 12 leva um menino em seu seio a quem vai dar a luz, a mulher do capítulo 17 tem em sua mão um cálice cheio do sangue dos descendentes da outra mulher. A primeira mulher é protegida; a segunda pe destruída.

Não pode identificar-se Babilônia com Roma imperial. A grande "meretriz" que se senta "sobre uma besta escarlate" (Apoc. 17:3) é um símbolo que distingue Babilônia (a mulher) do poder político (a "besta"). Desde o começo, a característica essencial de Babel (literalmente, "porta dos deuses") foi elevar-se aos céus para usurpar o lugar e o poder soberano de Deus (ver Gên. 11:4; Isa. 14:13, 14; Jer. 51:53).

A intenção básica de Babilônia de representar a Deus sobre a terra segundo "sua vontade" (Dan. 11:36) é o mal mais fundamental. Esta aspiração demoníaca se enfatiza na profecia do "chifre pequeno" do profeta Daniel (caps. 7 e 8) e do "rei do norte" (11:36-45). O objetivo perigoso de substituir tanto a Deus como a sua redenção messiânica fica desmascarado na guerra que faz o chifre contra o "Príncipe dos príncipes", o verdadeiro Sumo Sacerdote de Deus, e contra seu sacrifício todo suficiente (8:11, 25). Doukhan captou esta relação de Babilônia com o livro de Daniel com uma percepção aguda. Diz Doukhan:

"A ambição de Babel é idêntica à do chifre pequeno. Tem uma natureza religiosa e está dirigida à posição do Sumo Sacerdote em relação com a purificação e o juízo. Dessa maneira, luta por conseguir tanto o poder para perdoar pecados como o fim último para decidir a respeito da salvação (ver Lev. 16:19, 32)".4

O segundo anjo anuncia que Deus julgou a Babilônia e suas reivindicações religiosas de representar a Deus na terra. A queda repentina de Babilônia é o veredicto judicial de Deus. Sua proclamação tenta admoestar os seguidores da besta e os adoradores de sua imagem para saírem de Babilônia. Isto se repete na mensagem do anjo de Apocalipse 18:1-5. Babilônia deve definir-se teologicamente por sua oposição a Israel, o verdadeiro povo de Deus, o que dá a entender que a mensagem do primeiro anjo é o que dá origem ao Israel do tempo do fim (14:6, 7). As mensagens proféticas de Apocalipse 14 antecipam um conflito renovado entre "Israel" e "Babilônia" para o tempo do fim, com o entendimento básico de que tanto os adoradores verdadeiros como os falsos são identificados teologicamente por sua relação com o evangelho eterno.

O cativeiro de Israel levada a cabo pela Babilônia da antiguidade, a repentina queda de Babilônia seguida pelo êxodo do Israel de Babilônia e sua volta a Sião para restaurar a verdadeira adoração em um templo novo, tudo isto será repetido em princípio em uma escala universal. No tempo do fim Deus chamará a seu povo que está disperso em Babilônia:
"Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela." (Apoc. 18:4, 5).

Esta chamada é a iniciativa de Deus para restaurar sua igreja remanescente, o povo mencionado em Apocalipse 12:17 e 14:12. Os verdadeiros adoradores devem abandonar "Babilônia", a igreja infiel que usa os "reis" ou poderes políticos para perseguir os "testemunhas de Jesus" (ver Apoc. 17:3-6; 18:24). Os santos devem fugir de Babilônia antes que chegue a hora de sua destruição, quer dizer, antes que o juízo de Deus asseste um golpe a todos os que tenham a marca da besta (16:1, 2). Esta chamada a "fugir" de Babilônia é paralela com o conselho anterior que Jesus deu a seus discípulos a "fugir" da cidade condenada de Jerusalém (Mat. 24:15, 16). A Babilônia a iguala explicitamente com a adoração idólatra no fim da era da igreja (ver Apoc. 16:1, 2, 19; 18:4, 8). A destruição de Babilônia se descreve como um juízo retributivo, por causa de seu crime de perseguir e executar os santos de Deus:

"Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa" (Apoc. 18:20).
"Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos" (Apoc. 19:1, 2).
O anúncio profético do segundo anjo, "Caiu, Babilônia, a grande cidade" (Apoc. 14:8), está tomado da profecia de Isaías contra a antiga Babilônia:

"Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra" (Isa. 21:9).
A queda de Babilônia foi o juízo de Deus por sua usurpação da soberania divina e a perseguição cruel do povo do pacto (ver Isa. 14:12-15; 13:11, 19; 14:3). As profecias de condenação de Isaías foram ampliadas pelo profeta Jeremias, quem declarou os cargos legais de Deus contra Babilônia (Jer. 50, 51).

Isaías e Jeremias predisseram a queda de Babilônia como uma verdade profética. Entretanto, seu anúncio do veredicto de Deus chegou a ser a verdade presente para Israel no cativeiro. De igual maneira Daniel explicou a escritura na parede do palácio de Babilônia: "TEKEL: Pesado foste na balança e achado em falta" (Dan. 5:27). Este veredicto judicial foi uma realidade presente para Daniel e para Babilônia! O profeta experimentou o que tinha anunciado: o desaparecimento de Babilônia (v. 30; ver 2:38, 39).

O veredicto de Deus no céu foi a causa verdadeira da queda subseqüente de Babilônia. Jeremias tinha mencionado que a condenação de Babilônia por parte de Deus estava motivada por sua fidelidade ao pacto com Israel, ainda que seu povo também era culpado:
"Porque Israel e Judá não enviuvaram do seu Deus, do Senhor dos Exércitos; mas a terra dos caldeus está cheia de culpas perante o Santo de Israel...

"Assim diz o Senhor dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá sofrem opressão juntamente; todos os que os levaram cativos os retêm; recusam deixá-los ir; mas o seu Redentor é forte, Senhor dos Exércitos é o seu nome; certamente, pleiteará a causa deles, para aquietar a terra e inquietar os moradores da Babilônia" (Jer. 51:5; 50:33, 34).

O veredicto de Deus sobre a antiga Babilônia, um ato de sua fidelidade ao pacto, encontra um paralelo na mensagem do tempo do fim de Apocalipse 14:8. João acrescenta à declaração: "Caiu Babilônia", uma chamada profética para escapar à condenação de Babilônia (ver Apoc. 18:4, 5). O período intermediário entre a proclamação e a destruição de Babilônia do tempo do fim é o tempo para que Israel fuja de Babilônia. Desse modo, a história antiga de Israel proporciona a fonte e o antecedente das mensagens do tempo do fim do Apocalipse.

A mensagem cifrada que anuncia que Babilônia a Grande caiu, só será ativado depois que o evangelho apostólico tenha sido reavivado no tempo do fim (Apoc. 14:6). A interação entre as mensagens dos dois primeiros anjos de Apocalipse 14 se estende em forma gradual a todas as nações. Estes anjos traçam a linha de batalha entre Israel e Babilônia. Babilônia é identificada por sua oposição à mensagem do primeiro anjo, quer dizer, por sua oposição tanto ao evangelho eterno como à lei sagrada do Criador.
A queda de Babilônia pode entender-se em dois níveis. Primeiro, como o veredicto judicial pronunciado no céu, e segundo, como sua condenação na história. A Babilônia do tempo do fim falha moralmente quando rechaça o evangelho eterno. Este ato a converterá em "habitação de demônios" (Apoc. 18:2). Nesse momento, seus pecados "chegarão até o céu" e alcançará o limite da graça divina (v. 5; Jer. 51:9). Então o tribunal celestial decidirá o castigo de Babilônia (ver Dan. 7:9-12).
Enquanto que a mensagem do segundo anjo chama a atenção ao veredicto pronunciado no céu com respeito à culpabilidade de Babilônia, ainda se retarda a terminação do tempo de graça. O "vinho" de Babilônia, por meio do qual se intoxicaram todas as nações da terra, refere-se ao que parece aos ensinos doutrinais de Babilônia, com os quais corrompeu o evangelho eterno e os mandamentos de Deus (ver Apoc. 14:12).

É útil considerar por meio de que causa imediata caiu a Babilônia da antiguidade. O rei Belsazar tinha ordenado o uso dos copos sagrados de ouro do templo de Israel para beber vinho em seu banquete imperial (Dan. 5:2, 3, 23). Nesse ato de profanação, os governantes de Babilônia "deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra" (v. 4). Este ato idolátrico de provocação ao Deus de Israel marcou o fim do tempo de graça para Babilônia e trouxe o veredicto de sua condenação (v. 24). O Apocalipse mostra que a Babilônia do tempo do fim tem um cálice de ouro em sua mão, "cheio de abominações e da imundície de sua fornicação" (Apoc. 17:4).

E porque finalmente tem levado "a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição", cairá da graça protetora de Deus (Apoc. 14:8). Quando se bebe esse "vinho", a distinção fundamental entre o Criador e a criação, entre o santo e o profano, chega a ficar impreciso na mente das pessoas. Os adoradores da besta honrarão as criaturas mais que o Criador, o que é a essência da idolatria (ver Rom. 1:25; 1 Tes. 1:9). Em sua confusão a respeito da distinção estabelecida pelo Criador, os homens são levados a confiar em tradições humanas e no poder político para assegurar a paz.

O juízo retributivo das sete últimas pragas ainda é um juízo futuro para Babilônia. A advertência da mensagem do segundo anjo (Apoc. 14:8; 18:1-5) tem sua relevância final para a geração que viva quando descerem as pragas sobre Babilônia (ver Apoc, 18:4, 5). Deste modo, as mensagens dos três anjos estão em um marco explícito do tempo do fim.

Hans K. LaRondelle

Referências

1. 7 CBA 863. Ver também a "nota adicional" sobre Babilônia em 7 CBA 879-882.
2 Were, The Fall of Babylon in Type and Antitype, p. 14.
3 Farrar, A Rebirth of Images, p. 213.
4 Doukhan, Daniel: The Vision of the End, p. 66.

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