A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

XIII - A ENTRONIZAÇÃO DO CORDEIRO DE DEUS - Apocalipse 5

O propósito do Apocalipse de João é revelar as coisas que "devem acontecer" (Apoc. 1:1, 19; 4:1). De modo surpreendente, o que João vê agora em visão, não trata a respeito do que ia passar na terra e sim o que estava acontecendo no céu! A razão para este notável ponto central de atividade em Apocalipse 4 e 5 pode encontrar-se na revelação de que as decisões na sala do trono celestial determinam o curso da história humana, tal como o surgimento e a queda dos governos humanos, mas acima de tudo, o destino final do mundo. Daniel tinha assinalado a soberania de Deus sobre a humanidade: "Ele muda os tempos e as idades; tira reis e põe reis" (Dan. 2:21; ver também 4:17; 5:18, 26-28). Depois da devastação de Jerusalém, Jeremias assegurou aos judeus: "Mas tu, Jeová, permanecerás para sempre; teu trono de geração em geração" (Lam. 5:19). Jesus se submeteu ao poder brutal do governador romano Pilatos, mas declarou: "Nenhuma autoridade teriam contra mim, se não fosse dada de acima" (João 19:11).
Agora o Soberano no céu revela a João um esboço da era da igreja, com ênfase especial sobre o resultado final como está determinado por sua vontade soberana. Este futuro se centra em Cristo e em seu povo do pacto, e se revela por meio da visão do "livro" de Apocalipse 5 a 7.

O livro divino [biblíon] em Apocalipse 5 está selado com 7 selos que ninguém nem no céu nem na terra é digno de abrir. Isto é altamente significativo. Nenhum ser criado, seja anjo ou santo, tem a dignidade de Jesus exaltado. Só Cristo pode dar a conhecer os juízos de Deus, abrindo os selos (Apoc. 6 e 7), e pelas visões seguintes e esclarecedoras do Apocalipse. Dessa maneira Cristo dá sentido à história mundial. Ele colocou a humanidade em direção a uma meta que Deus predeterminou em sua sala do trono no céu. Por isso as visões do trono de João são fundamentais para todo o livro. G. R. Beasley-Murray percebeu isto e disse: "Neste particular, estes capítulos [Apoc. 4 e 5] constituem o fator fundamental da estrutura que mantém unido o livro, porque o resto das visões são montadas nesta estrutura principal".1

A ênfase sobre o livro divino na mão direita de Deus amplia o foco de Deus como o Criador em Apocalipse 4 para Deus como o Redentor de sua criação. A visão do trono no capítulo 5 revela a maneira na qual Deus "tem que vir" (Apoc. 4:8) na história da humanidade para cumprir seu propósito. A Majestade sobre o trono tem em sua mão direita um livro escrito em ambos os lados, e selado com 7 selos (5:1). Alguns viram aqui uma similitude com o rolo do livro desdobrado que Ezequiel recebeu de Deus, no qual estavam escritas por diante e por trás "lamentos e lamentações e ais" (Ezeq. 2:9, 10). Outros vêem um paralelo mais adequado com o rolo de Deuteronômio, o qual, como o livro do pacto, devia dar-se a um recém-coroado rei em Israel (ver Deut. 17:18-20; 2 Reis 11:12). Em sua tese, Ranko Stefanovic tira esta ampla conclusão:

"Ao tomar o livro, a Cristo lhe encomendou a soberania do mundo (cf. 1 Ped. 3:22; Fil. 2:9-11); o livro significaria então a legítima transferência do reino. Em tal contexto, também tem um caráter de testamento, e pode chamar-se também o livro da herança de Cristo. Desde que a transferência do reino se refere à recuperação da posse do direito que se perdeu pelo pecado, o livro tem todas as características do livro da redenção ou a escritura da venda. Ao tomar o livro, todo o destino da humanidade se coloca nas mãos do Cristo entronizado; por isso é na verdade o livro celestial do destino. Ele julgará sobre a base de seu conteúdo, por isso é o livro de juízo".2

O conteúdo deste livro selado, descrevendo os juízos de Deus sobre um mundo hostil, como aparece pelos capítulos que seguem, coloca-se nas mãos do Senhor ressuscitado, o Cristo todo-poderoso e onisciente (ver Apoc. 5:6). Apocalipse 5 assegura que por meio da vitória de Cristo na terra, será restaurado o reino de Deus (ver Apoc. 21:5).

"Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos. Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra. Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono" (Apoc. 5:5-7).

Um dos santos glorificados no céu explica que as promessas de Deus a Israel encontraram seu cumprimento no Senhor ressuscitado, e se refere a três profecias essencialmente messiânicas e as combina em uma proclamação de cumprimento: Gênese 49:9, 10; Isaías 11:1-10 e 53:7. "Em nenhum outro lugar no Novo Testamento estão agrupados os termos reais mais significativos em relação com Cristo e seu ministério posterior a sua ressurreição assim como no sentar-se à direita sobre o trono do Pai".3 Mas, por que Cristo Jesus foi o único considerado digno? Por que o plano de Deus para a restauração de todas as coisas se faz depender da dignidade moral do Messias davídico e de sua missão como o Cordeiro de Deus (Apoc. 5:6)? W. C. Van Unnik explicou bem isto:
"Ele foi provado em seus sofrimentos e ganhou a vitória. A grandeza de sua obra se descreve no v. 9: de todas as nações redimiu escravos e fez, a estes que antes eram escravos de todos os povos, inclusive os pagãos (!), ser o povo santo de Deus, sacerdotes e reis, a prerrogativa típica de Israel (Êxo. 19:5 e seguintes)".4

João vê o Cristo crucificado e ressuscitado sendo exaltado e entronizado na sala do trono celestial como o Soberano da história. A transferência do livro selado do Pai a Cristo o faz Senhor sobre o desenvolvimento da história do planeta, dado que sua tarefa é abrir os selos do livro do destino do homem. Cristo começa a executar os decretos para o mundo e a igreja. A história humana com seu juízo final se coloca nas mãos do Senhor ressuscitado. Sem Cristo, a história do mundo é um enigma e não tem finalidade. Portanto, todo o céu estala em louvor quando Cristo é declarado digno de receber o livro divino do destino.
"E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos" (Apoc. 5:8).

Em resposta à coroação de Cristo no céu, todos os serafins e os anciões cantam com adoração um "novo cântico" ao Cordeiro de Deus:

"Cantavam um cântico novo: Tu mereces receber o rolo e soltar seus selos, porque foste morto e com teu sangue adquiriste para Deus homens de toda raça e língua, povo e nação; fizeste deles linhagem real e sacerdotes para nosso Deus e serão reis na terra" (Apoc. 5:9, 10, NBE).

Este cântico é "novo" porque agora foi entronizado o Rei legítimo. Seu triunfo sobre o pecado, Satanás e a morte sobre a terra é considerado no céu como de importância decisiva (ver também Fil. 2:9-11). George Ladd declara: "Se não tivesse vindo em humildade, como Salvador sofredor, não teria vindo como Messias conquistador".5 Este cântico é novo porque está apoiado no fato de que o Cordeiro foi morto, e demonstrou ser digno de abrir os selos do livro como se fora seu próprio testamento.
Em outro sentido, o cântico dos serafins e dos anciões é novo porque está apoiado não só sobre acontecimentos passados, mas também olha para o futuro da humanidade redimida: "E serão reis na terra" (Apoc. 5:10). Isso significa que aos fiéis se outorgará o privilégio de compartilhar o reino com Cristo (Luc. 22:29, 30; Apoc. 3:21). João vê o coro celestial aumentando cada vez mais, até que milhões de anjos se unem com sua doxologia de séptuple louvor ao Cordeiro: "Proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor" (Apoc. 5:12; cf. l Crôn. 29:11-13, para Jeová).

O coro continua aumentando até que finalmente João vê todas as criaturas no céu, na terra e debaixo da terra (os mortos) somar suas vozes aos coros celestiais na exaltação tanto do Pai como do Cordeiro: "Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo..." (Apoc. 5:13; ver também Fil. 2:10, 11 ).
Aqui Cristo recebe o reconhecimento cósmico-universal de sua deidade porque "toda criatura" adora a Deus e ao Cordeiro. Na visão de João, o círculo de adoradores foi em constante aumento. Primeiro, o círculo íntimo dos 4 serafins, depois se acrescentaram os 24 anciões seguidos pelos milhões de milhões de anjos. Finalmente, o círculo mais exterior de todos os seres criados no universo se unem na adoração e louvor da majestade de Deus. Este é o objetivo final para o qual avança a história e que se cumprirá no fim.

O céu antecipa esta celebração do reino de Deus e do Cordeiro na Nova Jerusalém (Apoc. 21:22-27; 22:1-5). Hoje a igreja pode tomar fôlego com esta segurança. Seus melhores dias estão no futuro. O reino de Deus será restaurado. Bruce M. Metzger faz esta aplicação: "O propósito primitivo do autor não é tanto descrever a liturgia do céu, como o é o dar esperança e um sentido de vitória a seu povo sobre a terra na luta que lhe espera no futuro".6 Beasley-Murray assinala corretamente que "o característico importante do rolo selado não são os juízos que acompanham a abertura dos selos [Apoc. 6-9], e sim o acontecimento supremo ao qual conduzem".7

A Abertura dos Selos

A visão do trono de Apocalipse 5 não descreve a cena do juízo de Daniel 7, como alguns sustentam. As diferenças entre ambas as visões são muito assinaladas. Primeiro, a intenção da visão do trono que teve João é revelar o começo do ministério e reinado celestial de Cristo devido a sua entronização como o Senhor ressuscitado, a iniciação de uma nova era de salvação, a era messiânica.

A visão de Daniel descreve um juízo no céu que inaugura o ministério final de Cristo quando o anticristo governou a terra durante 3½ tempos proféticos (Dan. 7:8-11, 25, 26). Jon Paulien declara: "O juízo não tem lugar nos capítulos 4 e 5 quando os selos ainda têm que ser abertos".8

Apocalipse 5 descreve o gozo de êxtase que há no céu pela abnegação, ressurreição e entronização de Cristo como Rei-Sacerdote no céu, que o capacita a restaurar o reino de Deus sobre a terra. As ações de Cristo de abrir os 7 selos do livro se parecem com o ritual da abertura de um testamento, que na cultura romana estava fechado com 7 selos.9 Quando se abria um testamento, lia-se em voz alta ante as testemunhas originais e depois, executava-se. Th. Zahn declara:
"O documento assegurado com sete selos é um símbolo facilmente compreendido da promessa e segurança dada por Deus a sua igreja do futuro reino [basiléia]. Esta disposição irrevogável de seus bens ocorreu faz muito tempo, foi documentada e selada, mas incluso no foi levada a cabo. A herança ainda está guardada no céu (1 Ped. 1:4), e portanto o testamento incluso no foi aberto nem levado a cabo".10

Esta comparação ilustra o significado da abertura do divino livro: pode ler-se e realizar-se como um testamento por Cristo só depois de sua morte como sacrifício. A abertura de um selo por Cristo revela uma nova fase da história da igreja, até que o sexto selo apresente o terrível dia do juízo para todos os que rechaçaram o reino do Cordeiro.

Hans K. LaRondelle

Referências

1 Beasley-Murray, Revelation, p. 108.
2 Stefanovic, The Background and Meaning of the Sealed Book of Revelation 5, p. 322.
3 Ibid., p. 318.
4 Van Unnik, " 'Worthy is the Lamb'. The Background of Apoc 5", p. 460.
5 Ladd, El Apocalipsis de Juan: Un comentario, p. 55.
6 Metzger, Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation, p. 54.
7 Beasley-Murray, Revelation, p. 123.
8 Paulien, em Simposio sobre el Apocalipsis, T. 1, P. 187.
9 Zahn, Introduction to the New Testament, t. 3, p. 394.
10 Ibid.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

Livros
Beasley-Murray George R. Revelation [O Apocalipse]. New Century Bible Commentary [Comentário da Bíblia do Novo Século]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1983.
Feuillet, André. Johannine Studies [Estudos Joaninos]. Staten Island, Nova York: Alvorada House, 1966. Cap. I: "The Twenty-Four Elders of the Apocalypse" [Os 24 Anciões do Apocalipse].
Ladd, George E. El Apocalipsis de Juan: Un comentario. Trad. A. Canclini. Miami, Florida: Editorial Caribe, 1978.
Metzger, Bruce M. Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation [Decifrando o Código: Entendendo o Livro do Apocalipse]. Nashville, TN: Abingdon Press, 1993.
Stefanovic, Ranko The Background and Meaning of the Sealed Book of Revelation 5 [O Antecedente e o Significado do Livro Selado de Apocalipse 5]. Tese doutoral inédita, Universidade Andrews. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1995.
White, Ellen G. O Desejado de Todas as Nações.
___________. Primeiros Escritos. Tatuí, S. Paulo: Casa Publicadora Brasileira.
Zahn, Th. Introduction to the New Testament [Introdução ao Novo Testamento]. Grand Rapids, MI: Kregel Publications, ET 1953. 3 ts.

Artigos

Hurtado, L. W. "Revelation 4-5 in the Light of Jewish Apocalyptic Analogies" [Apocalipse 4 e 5 à Luz de Analogias Apocalípticas Judaicas], JSNT 25 (1985), pp. 105-124.
Müller, H. P. "Die Himmlische Ratsversammlung.  Motivgeschichtliches zu Apc 5.1-5" [O concílio celestial. Antecedente do motivo histórico de Apocalipse 5:1-5], Zeitschrift für die Neutestamentliche Wissenschaft [Revista para a Ciência do Novo Testamento] 54 (1963), pp. 254-267.
Paulien, Jon. "Seals and Trumpets: Some Current Discussions" [Os Selos e as Trombetas: Algumas Discussões Atuais], Simpósio sobre o Apocalipse. T. 1, cap. 10.
Van Unnik, W. C. " 'Worthy is the Lamb'. The Background of Apoc 5" ["Digno é o Cordeiro". O Antecedente de Apoc. 5], Mélanges Bibliques [Miscelâneas Bíblicas]. Ensaios em honra de R. Béda Rigaux. A. Descamps e R. A. do Hallaux, eds. Duculot, 1970, pp. 445-461.

Comentários

  1. graças a Deus as teorias estão mudando e a compreensão tambem. vamos em frente que Deus nos dara mais luis dobre o assunto

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