A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

De que povo és tu?

Texto: Jonas 1:6-8


Introdução:

A – O texto lido é uma série de perguntas que os marinheiros fizeram ao profeta fugitivo, Jonas:

1 – Por que nos veio este mal?
2 – Que ocupação é a tua?
3 – De onde vens?
4 – Qual é a tua terra?
5 – De que povo és tu?

B – É uma série de perguntas importantes e decisivas. Para considerar cada uma delas seria necessário fazer cinco sermões. Queremos considerar apenas a última das perguntas: “De que povo és tu?”.

1- Não querendo se identificar, Jonas, usando sub-reptício, respondeu: “Eu sou hebreu”.

a)Por que Jonas não disse: “Eu sou judeu” ou “Eu sou israelita”? Os hebreus eram os habitantes que abrangia toda a região. Dizendo assim, ele estava dizendo uma verdade, mas uma meia-verdade. Ninguém iria saber o lugar exato do seu nascimento. É a mesma coisa de um brasileiro dizer: “Eu sou americano”. Ora, todo brasileiro é do Continente americano, mas nem todo americano é brasileiro. Aliás, aconteceu comigo muitas vezes, quando morei em Moçambique – África. Muitas pessoas, em confusão, me chamavam de americano. Eu explicava-lhes o que é ser brasileiro e americano.

(1) Jonas estava certo. Dizia uma verdade, mas não estava traduzindo a sua nacionalidade. Saindo pela tangente, foi uma boa desculpa de Jonas, embora que ele não tenha negado que “temia ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra”.

C – Esta pergunta que há muitos séculos fora feita a Jonas é feita também a nós em pleno século XXI: De que povo és tu?

1 – Talvez você se sinta orgulhoso por ser brasileiro. Atualmente, com a crise econômica mundial que assolou o mundo, o Brasil está falando grosso e de nariz empinado. O otimismo está em todo lugar. Há, hoje, um slogan popular que diz: “O melhor do Brasil é o brasileiro”.

a) Quantos dos presentes se sentem felizes por serem brasileiros? Levantem a mão.
b) Vendo as coisas pelo lado positivo, é um privilégio ter nascido no Brasil, um país tão bom, onde reina a paz, democracia e plena liberdade religiosa...
c) Se você não fosse brasileiro, que nacionalidade gostaria de ter?
d) Poema de Olavo Bilac: “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste, porque não verás nenhum país como este”. Você acha que Bilac exagerou?

I – DE QUE POVO ÉS TU?

A – Segundo os historiadores, que especifica um povo?

1 – O lugar onde mora – Topografia.
2 – A língua que esse povo fala - Vernáculo.

a) Existem países que falam mais de uma língua. Por exemplo, na Suíça falam-se várias línguas e no Canadá falam-se duas línguas diferentes: inglês e francês. Na África, todos os países falam mais de uma língua: as nativas e a língua dos colonizadores. Na Nigéria, por exemplo, falam-se a língua do colonizador e mais de 256 línguas e dialetos diferentes. Que Babel!

3 – Um povo é também especificado pela sua cultura: suas tradições, costumes, festas, modo de viver, religião, etc.

II – OUTRA ESPÉCIE DE POVO: ESPIRITUAL

A – Do ponto de vista espiritual, a pergunta feita a Jonas persiste: “De que povo és tu?”

1 – Deuteronômio 26:18 – Um povo peculiar: “E o Senhor hoje te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos”.
2 – Levíticos 26: 12 – Meu Povo – “Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”.

B – A herança do povo de Israel.

II – ISRAEL, POVO DE DEUS – “Abençoá-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei e ela se tornará nações; rei de povos procederá dela.” (Gênesis 17:16).

A – A promessa foi feita diretamente a Abraão, e passada ao povo de Israel, povo peculiar de Deus, nação santa, povo escolhido e herança do Senhor.

1 – De Abraão a benção passou para Isaque, e depois a Jacó, e depois a seus 12 filhos.
2 – Deus acompanhou seus filhos ao Egito e na peregrinação no deserto da terra de Canaã.
3 – Os privilégios:
a) Em Deuteronômio 7:6 – Israel é chamado Povo Santo.
b) Em Deut. 7:14 – Diz de Israel: “Bendito serás mais que todos os povos”.
c) Deut. 7: 16 – Deus diz: “Consumirás a todos os povos”.
d) Deut. 9: 24 – Moisés afirma: “Todavia, são eles teu povo e tua herança”.
e) Em todo o Antigo Testamento, Israel é chamado de “Povo do Senhor”.

(1)De modo particular em II Crônicas 7:14 o povo israelita é chamado de “O Meu Povo que se chama pelo Meu Nome”.

4 – A responsabilidade:

a) Ser Israel o povo de Deus era, na verdade, grande privilégio, mas também tremenda responsabilidade.

(1) Todos os povos iriam olhar para Israel, observando-lhe o procedimento e os feitos.
(2) Do seu testemunho e da sua fidelidade ao Senhor dependeria em grande parte a glória de Deus.

b) E Israel apostatou... Que tristeza!

III – A APOSTASIA DE ISRAEL

A – Após a morte do grande rei, o povo andou por caminhos tortuosos e sombrios.

1 – Os reinados de Saul, Davi e Salomão juntos duraram 120 anos.
2 – Aqueles que estudam a Teologia Histórica sabem que qualquer movimento religioso começa a declinar a partir da terceira geração.

a) Após os 100 anos os problemas começam a aparecer.

a) Após a morte do rei Salomão, o reino se dividiu.
b) Houve brigas, intigras, competições e rivalidades sacudiram a grande nação, levando o povo de Deus à infidelidade.
c) O reinado se pariu em dois:

(1) Reino do norte chamado reino de Israel, com a capital em Samaria, na Galiléia, sob s liderança de Jeroboão.
(2) O reino do sul, chamado reino de Judá, com a capital em Jerusalém, na Judéia, sob o reinado de Roboão.
(3) A Sra. White comentando sobre este triste fato, diz que quando o reino se dividiu, Satanás bateu palmas.
4 – A apostasia destruiu o povo de Deus.

a) O povo se entregou aos ídolos e à imoralidade. O povo judeu passou a adorar a todos os deuses – de pau e de pedra – Tudo se tornou um deus, exceto o verdadeiro Deus.
b) Trocaram a Deus por Baal, por Dagon, Astarote ...
c) O povo de Deus afastou-se dEle, tornando-se um povo de dura cerviz.

5 – Deus mandou-lhes os profetas, tais como:
- Elias – Destruíu os altares de Baal, construídos por Jezabel.
- Isaías – Foi assassinado. Foi morto serrado ao meio, por ordem do rei Manassés.
- Jeremias – Perseguido, clamava chorava, em favor do povo.
- E dezenas de outros profetas, que exprobaram os pecados do povo e apontaram o caminho do Senhor.
a) Por Isaías Deus disse: “O meu povo não entende”.
b) Por Oséias afirmou: “LO-AMI” que significa: “Não é mais meu Povo”.

6 – E o castigo veio.
a) O reino do norte encheu o cálice da ira de Deus.
(1) O Senhor trouxe sobre o reino de Israel a espada da Assíria, espalhando o reino por entre as nações pagãs.
b) Um pouco mais de um século foi a vez do reino do sul – O reino de Judá.
(1) A espada dos caldeus levou Judá para o cativeiro da Babilônia.
(2) Na linguagem de Isaías, apenas um pouco voltaria, após 70 anos de cativeiro, para continuar a ser o povo de Deus, e assim aconteceu.

IV – O Libertador de Israel – “E dará a luz a um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos pecados deles” ( Mateus 1:21).

A – Vindo a plenitude dos tempos Deus enviou o seu próprio filho para libertar o seu povo.

B- “Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam”.

1 – Ele foi rejeitado pelos judeus.
2 – Crucificaram-no.
3 – Não aceitaram a salvação.

C – Foi a partir daí que a salvação passou aos gentios.

1 - Atos 28:27 : “Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. Eles a ouvirão.”
2 - Atos 15:14: - “Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para seu nome”.

D – Agora, qualquer um que aceitar Jesus Cristo como salvador e Senhor de sua vida, pode fazer parte do povo de Deus.

1 – Qualquer um, repito, independente de:

a) Sua nacionalidade
b) Sua raça
c) Sua cor da pele
d) Seu status social: rico ou pobre; douto ou ignorante.

2 – Deus escolheu os gentios para fazer deles um grande povo. Você e eu fazemos parte desse povo.

a) Somos povo do Senhor.
b) Fomos comprados pelo Seu precioso sangue.

V – A IGREJA CRISTÃ, ISRAEL ESPIRITUAL

A – I Pedro 2:9 e 10 : “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado a misericórdia, mas agora alcançastes a misericórdia.”

1 – Que grande privilégio temos! Somos o povo do Senhor!

a) Todo privilégio é acompanhado de uma grande responsabilidade.

2 – Você agora é filho de Deus e irmão de Jesus.
3 – Você pertence agora ao grande rei.

a) Irmãos, se somos filho de rei, temos que nos portar como um filhos de rei.

(1) Como se portam e se comportam um filho de um rei? Eles sabem que estão sempre sendo observados...

B – Um povo com uma linguagem universal.

1 – Seja ele japonês, alemão, italiano, americano, brasileiro,... falam uma linguagem universal.

a) Falam a linguagem de Cristo – “Qual a razão por que não entendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (São João 8:43).

1) Como brasileiros, falamos o português e como cristãos devemos falar a linguagem de Cristo.

2 – Os apóstolos usavam a palavra MARANATA (O Senhor vem!)

C – A nossa língua identifica a que povo pertencemos.

1 – Ilustração: O Meu caso quando morei em Moçambique – África. Era conhecido quando falava. Quando abria a boca, todos já diziam: “Você é brasileiro”. Eu não podia esconder a minha nacionalidade.
2 – Este foi também um exemplo vivo na vida de Pedro.

a) Pedro negou a Cristo – “Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia” (Mateus 26:69-73).

Ilustração: O rei que mandou o criado comprar e fazer o melhor prato. Ele preparou uma língua. No dia seguinte, pediu que ele preparasse o pior prato. O criado preparou uma língua novamente. O rei quis saber se ele havia ficado louco. Concluiu: A língua é tão boa quanto ruim...

Aplicação homilética – Assim é a língua. Com ela pode-se fazer as duas coisas: o bem ou o mal.

“Como maças de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Prov. 25:11).
“Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasa tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros do nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno” (Tiago 3: 5 e 6).

b) Compete-nos dar sempre um bom exemplo de um cristão.

Ilustração: Dizem que Mahatma Gandhi (1869-1948) aceitou a Jesus Cristo, mas nunca aceitou o cristianismo. Certa vez ele disse: “Se os cristãos vivessem a vida de Cristo, em pouco tempo a Índia seguiria o Salvador”. Em outra ocasião ele disse: “Eu não sou cristão por causa dos cristãos”.

Ilustração: O famoso pintor Gustave Doré , fazendo uma viagem fora de seu país, esqueceu-se de seu passaporte. Foi detido pelos guardas na Alfândega. Disse: “Eu sou Doré”. “Como o senhor pode provar que é Doré?”- Perguntou o guarda. Ele abriu a sua mala, tirou uma tela, tinta e pincel. Pintou um belo quadro. Foi absolvido.

Aplicação homilética: Os nossos atos provam quem somos. Se somos cristãos genuínos ou não.

CONCLUSÃO:

A – Como tem sido o nosso exemplo?

B – Será que os outros têm visto Jesus em você, pela sua maneira de ser, de proceder, de falar?

C – “De que povo és tu? Foi a pergunta que os marinheiros fizeram a Jonas.

1 – Jonas, com vergonha e com medo, disse: “Eu sou hebreu”.
2 – Depois aconteceu ao acidente e o milagre em sua vida. Ele foi a Nínive e proclamou a mensagem de Deus.

D – Que todos possam olhar para nós e dizer: “Este pertence ao povo de Deus - é um cristão!”

Oração: Nosso Pai amado, damos-te graças pelo Teu amor e pelo privilégio de hoje de pertencermos ao Teu povo, porque fomos comprado pelo precioso sangue de Jesus. Estamos conscientes de que ser chamado pelo Teu nome é grande privilégio, mas que nunca nos esqueçamos da tremenda responsabilidade de não manchar o Teu sagrado nome. Nós Te rogamos em nome de Jesus. Amém!

Hinos sugeridos: H.A.- 12, 304.


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.    

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