A Corrida do Cristão

A cada quatro anos, atletas de diversas nacionalidades se reúnem num país previamente escolhido para disputar um conjunto de modalidades esportivas nos famosos Jogos Olímpicos. A bandeira olímpica representa a união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados que indicam os cinco continentes e suas cores. Os gregos foram os precursores dos Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. já faziam homenagens aos deuses. Mas foi somente em 776 a.C. que ocorreram pela primeira vez os Jogos Olímpicos de forma organizada. Quando os romanos invadiram a Grécia no século II, muitas tradições gregas, entre elas as Olimpíadas, foram deixadas de lado. Em 392 d.C., os Jogos Olímpicos e todas as manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, após sua conversão ao cristianismo. Contudo, em 1896, os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin (veja mais 

A eternização da miséria

Um conhecido meu, que pediu para não ser identificado, substituiu o computador Pentium II por um Pentium IV. Ficou na dúvida: que fazer com o aparelho velho, que no mercado só vale uns R$ 200,00? Não seria melhor doar para quem precisa?

Foi o que fez o meu amigo no final do ano passado. Resolveu doar o Pentium II, com DVD recorder, placa de som, placa de rede, placa de imagem, monitor LG e impressora à jato de tinta HP à filha da mulher que faz faxina em sua casa, uma garota de uns 8 anos de idade e com problemas sérios de saúde (utiliza uma sonda no abdômen, para alimentação). Seria esse o presente de Natal para a família que limpa sua casa.

Como a faxineira é muito pobre, meu amigo providenciou o transporte da aparelhagem até o barraco dela, que fica numa das cidades-satélites de Brasília, a uns 20 km de distância de onde mora. Gastou gasolina do próprio bolso e os pneus do próprio carro para, pessoalmente, instalar o computador na casa da família pobre.

Porém, lá chegando, deparou-se com uma situação surrealista: a dona da casa não permitiu a instalação do computador. Por quê? A menina da faxineira está inscrita num programa do governo do DF que diariamente doa pães e leite a famílias que passam necessidade. O medo da mãe é que algum burocrata do governo passe pela casa, veja o computador e corte o fornecimento do pão e do leite. Temendo tal retaliação, o computador foi escondido dentro de um armário.

É o fim da picada. O que o computador tem a ver com o programa "social" do governo? Não é um simples aparelho que vai tirar a família da miséria, assim de uma hora para outra. Com o computador ligado ou desligado, as necessidades da família de quatro pessoas (sendo uma, a avó, cega) vão continuar a ser as mesmas. Porém, a médio e longo prazo, a habilidade que a menina poderia adquirir com a utilização do computador, e o conhecimento decorrente do uso dessa maravilhosa máquina, poderiam traçar um destino melhor para a família, pois a menina teria muito melhores condições de fazer, mais adiante, uma faculdade e conseguir um bom emprego, ajudando toda a família a sair da miséria.

O que se vê nesses programas do governo que Jarbas Passarinho chamou de "marsupiais" (bolsa pra isso, bolsa pra aquilo) é a eternização da miséria das famílias carentes. Através de uma doação que é um pouco mais do que uma simples esmola, o governo cria um círculo vicioso que nunca tem fim, pois o que tira um indivíduo da miséria e lhe dá segurança e dignidade é um emprego. Nem sequer um trabalho o governo exige dessas famílias em troca do pão e do leite que doa, como a pintura de faixas de pedestres, serviços de capina e tapa-buracos no asfalto, só para citar algumas das prementes necessidades de qualquer município. Tudo o que vem de graça não é valorizado. O único beneficiado com esses ditos "programas sociais" é o governante que, em troca de um pouco de comida ou de um cartão magnético, vai pedir votos mais adiante para se reeleger - uma forma moderna de voto de cabresto.

Já dizia Luiz Gonzaga que "a esmola vicia o cidadão". Em "Vozes da Seca", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, há a seguinte estrofe:

"Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão/ pelo auxílio dos sulistas nessa seca do sertão/ mas doutor, uma esmola pra um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão/ dê auxílio ao nosso povo/ encha os rios de barragem/ dê comida a preço bom/ não esqueça a açudagem/ livre assim nós da esmola/ que no fim dessa estiagem/ lhe pagamo inté os juros/ sem gastar nossa coragem".

O computador, até hoje, continua desligado na casa da menina. Louca para ligar o aparelho, ela não entende porque deva ser prejudicada em troca de um pão e de um litro de leite. A pobreza da família, esta, ao contrário, está cada vez mais "ligada", muito longe de acabar. Triste país, o Brasil!

Por Félix Maier - Mídia Sem Máscara

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