SERMÃO DE ZACARIAS



Este belo canto criou uma bela atmosfera para nossa meditação desta noite. Queremos considerar, como tinha sido anunciado, o profeta ZACARIAS. 

O exílio babilônico marcou uma grande linha divisória na história de Israel. Houve profetas que profetizaram anos antes do exílio babilônico, como Isaías, Miquéias, Amós, Oséias; outros profetizaram justamente na véspera do exílio babilônico, como Jeremias; ou participaram do exílio, como o profeta Ezequiel, do qual falamos ontem à noite. E há um grupo de profetas que vieram depois do exílio – são os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias. Esta noite falaremos apenas do profeta Zacarias. Falaremos da mensagem do profeta Malaquias na penúltima noite. 

Coube a Zacarias liderar o movimento para restauração da nação israelita depois do exílio. Os que quiseram voltar depois do decreto de Ciro quando ele conquistou Babilônia no ano de 539 AC., nos diz as Escrituras Sagradas que pouco tempo depois, sem precisar a data definitiva, Ciro baixou um decreto permitindo que os que quisessem voltassem à sua terra. Mas Babilônia se tinha tornado bastante atrativa, mesmo para aqueles judeus. Somente uma minoria quis voltar; a maioria já tinha lançado raízes profundas na terra do exílio. E podemos imaginar que apenas um remanescente – a parte mais religiosa da nação – é que realmente ouviu a palavra do profeta convidando o povo a sair de Babilônia, voltar à sua terra e lá reconstruir a nação, a cidade e o templo. 

Em Esdras cap. 6, verso 14 nós lemos da atuação de 2 profetas justamente neste momento crítico que corresponde aproximadamente 520 AC. Diz o texto de Esdras 6:14, 2ª parte: "Edificaram a casa e a terminaram segundo o mandado do Deus de Israel e segundo o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia."

Mas também sob a influência das seguintes pessoas:(Ed 6:14, 1ª parte): "Os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando em virtude do que profetizaram os profetas Ageu e Zacarias". 

A tarefa de Zacarias então era de encorajar o povo, que já tinha voltado, que já estava na terra há 10, 15 anos, pois ele começou a profetizar ele começou a profetizar no 2º ano do rei Dario, o que corresponde ao ano 520 AC. A sua tarefa então era encorajar aquele povo a assumir a sua responsabilidade na tarefa nobre de reedificar o templo, de fazer com que a luz do conhecimento de Deus brilhasse de novo entre as nações. 

A sua tarefa não era muito diferente da nossa hoje em dia. Daí a importância dessas mensagens de Zacarias para nós que vivemos também numa época em que estamos reconstruindo, restaurando uma igreja em preparação para a Volta de Cristo.

Zacarias tem muito em comum com Daniel. Eles foram quase contemporâneos – não mais de 20 anos separam as últimas profecias de Daniel das primeiras profecias de Zacarias. Ambos usam uma linguagem bastante pitoresca, usam muito simbolismo, é uma linguagem quase que apocalíptica, característica dos livros de Daniel, Zacarias e o Apocalipse no Novo Testamento. São como que fossem desenhos animados. 

Há pessoas que lendo essas visões dadas a Zacarias, das quais há 7 visões, os primeiros oito capítulos desanimam-se porque pensam que são visões muito difíceis, mas são como desenhos animados e que uma mensagem simples está sendo comunicada ao povo judeu através do profeta mediante um simbolismo próprio de livros apocalípticos. 

Vejamos portanto a primeira visão no capítulo 1, começando com o verso 7. (Zc 1:7): "No vigésimo-quarto dia do mês undécimo, que é o mês de sebate, no segundo ano de Dario – e que sabemos então que é o ano 520 AC – veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido. 

8Tive de noite uma visão, e eis um homem montado num cavalo vermelho; estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baios e brancos. 
9Então, perguntei: – da mesma maneira que no livro de Daniel há um anjo intérprete, que explica o significado da visão, aqui um anjo aparece – Então, perguntei: Meu senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são eles. 
10Então, respondeu o homem que estava entre as murteiras e disse: São os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra. – uma outra versão diz: São os que o Senhor enviou para patrulharem a terra. 
11Eles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murteiras, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está, agora, repousada e tranquila. 
12Então, o anjo do Senhor respondeu: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já setenta anos? 

Jeremias falara dos 70 anos que duraria o cativeiro babilônico. Daniel no capítulo 9 (Dn 9:2) também faz referência aos 70 anos. E Zacarias também tem em mente que os 70 anos já se passaram.

Portanto, era tempo de tomar a peito a tarefa de restaurar o templo que estava em ruínas em Jerusalém. As cidades de Judá estavam desoladas; o anjo, portanto, suplicava que Deus tivesse compaixão de Jerusalém. 

Verso 13: "Respondeu o Senhor com palavras boas, palavras consoladoras, ao anjo que falava comigo. 
14E este me disse: Clama: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande empenho, estou zelando por Jerusalém e por Sião. 
Deus estava interessado na Sua igreja, Deus zelava pela Sua igreja, pelo Seu povo. Com empenho Deus estava zelando por Jerusalém e por Sião. 
15E, com grande indignação, estou irado contra as nações que vivem confiantes. – devemos compreender a palavra confiantes aqui no sentido de complacentes e indiferentes. 
Estas nações não estavam colaborando com o plano divino, e por isso Deus estava irado com essas nações. Não estavam fazendo tudo o que deviam para colaborar no plano divino. A Medo-Pérsia era especialmente visada neste caso, porque foi durante o período do império Medo-Pérsia que se iniciou a obra da restauração do templo.
16Portanto, assim diz o Senhor: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, – lembremo-nos que ela estivera em ruína durante todos aqueles anos. – e o cordel será estendido sobre Jerusalém. – é como se dissesse: Os agrimensores virão para medir e fazer os planos para reconstrução da cidade. o cordel será estendido sobre Jerusalém. 
17Clama outra vez, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: As minhas cidades ainda transbordarão de bens, o Senhor ainda consolará Sião e ainda escolherá a Jerusalém. 

É, portanto, uma mensagem de encorajamento – uma mensagem que reafirma e reassegura aquele povo desanimado do amor de Deus, do zelo de Deus por Seu povo e por Sua causa. 

Do ponto de vista humano as circunstâncias eram desencorajadoras: havia inimigos. Lemos mais pormenorizadamente nos livros de Esdras e Neemias das muitas dificuldades. Os recursos eram poucos, os que voltaram eram poucos, havia inimigos – os samaritanos, amonitas, árabes – a espera de um pretexto para intervir e impedir a reconstrução.

Mas do ponto de vista divino as coisas eram brilhantes. E aquele povo precisava apreender a ver as coisas não do ponto de vista humano, mas do ponto de vista divino. 

Eu creio que esta é a razão que nos traz aqui esta noite, e que nos traz à igreja cada sábado: é para vermos as coisas de um ponto de vista divino, sermos elevados aos Céus em espírito para vermos como Deus vê e sermos então animados a levar adiante a tarefa que Ele nos confiou. 

Então, os 4 cavalos de diferentes cores representam agências diversas as quais Deus dispõe para levar adiante os Seus planos para com esse mundo. Deus não depende apenas de uma agência. O N.º 4 é o número da totalidade, como veremos logo após a 2ª visão. Diferentes cores, diferentes agências patrulham a Terra, levam informações, por assim dizer. Deus tem um serviço perfeito de comunicações. É o que esta visão nos quer também indicar.

Não estamos sós neste mundo, Deus sabe tudo ao nosso respeito, Ele está muito bem informado. Ele é Onisciente, mas para tornar esta idéia de Onisciência mais concreta a seres humanos é usada esta linguagem simbólica de cavalos patrulhando esta Terra. 

Então, a grande mensagem da 1ª visão é que Deus ama ao Seu povo, está interessado no trabalho que ele tem a realizar neste mundo, Deus dispõe de recursos imensos. Cabe ao homem então, pela fé, pôr a sua confiança em Deus e trabalhar em harmonia com a direção divina. 

Vejamos a 2ª visão, é mais curta e mais fácil. 

(Zc 1:18): "Levantei os olhos e vi, e eis quatro chifres." 
19Perguntei ao anjo que falava comigo: que é isto? Ele me respondeu: São os chifres que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém. 

Encontramos também chifres em Daniel 7, Daniel 8. Chifres representavam lá em Daniel potências inimigas do povo de Deus. A mesma coisa aqui: os judeus tinham sofrido através dos séculos na mão de grandes potências como o Egito, a Assíria que invadiu o país de Israel e capturou Samaria no ano de 722 AC, pondo término ao Reino do Norte e agora estavam sofrendo nas mãos dos babilônios. Então, o inimigo tem usado chifres por assim dizer, agências humanas para se opor ao povo de Deus e ao plano divino para este mundo. 

20O Senhor me mostrou quatro ferreiros. 
21Então, perguntei: que vêm fazer estes? Ele respondeu: Aqueles são os chifres que dispersaram a Judá, de maneira que ninguém pode levantar a cabeça; estes ferreiros, pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalhar. 

Então, os 4 chifres representam potências adversas. 

Os 4 ferreiros representam agências divinas que vão neutralizar o mal causado pelos chifres. 

Se o inimigo tem 4 chifres, Deus tem recursos suficientes para neutralizar todo o mal causado em diferentes ocasiões. E de novo: O N.º 4 é o número da totalidade. Os reis de Babilônia costumavam se intitular rei de Babilônia, rei de Acad, rei dos 4 cantos da Terra – rei da totalidade. Era a maneira deles dizerem: O 4 é o número da totalidade. Os 4 pontos do compasso, os 4 cantos da Terra, usando uma linguagem antiga.
Qual é a lição prática que devemos derivar deste, vamos dizer, 2º desenho animado? 4 chifres, 4 ferreiros, os ferreiros neutralizando o mal causado pelos 4 chifres. Eu diria que a lição prática é a seguinte, válida tanto naquele tempo como ela é válida para nós hoje em dia: Para todo mal Deus tem um remédio. Não é uma bela segurança? Para todo mal Deus tem um remédio. Podemos, portanto, pôr a nossa confiança em Deus, descansar na certeza de que não Lhe faltam recursos para nos socorrer em tempo oportuno. Deus nos oferece graça em tempo oportuno. 

É a Sua graça que nos permite viver vidas cristãs coerentes, a viver vidas vitoriosas de dia em dia. Ele estava oferecendo graça àquele povo naquele tempo como Ele nos oferece graça hoje para vivermos a vida que devíamos viver como cristãos e para realizarmos o trabalho que Ele nos confiou como uma igreja.

Vejamos agora a 3ª visão. 

(Zc 2:1): "Tornei a levantar os meus olhos, e vi, e eis um homem que tinha na mão um cordel de medir. 
2Então, perguntei: para onde vais tu? Ele me respondeu: Medir Jerusalém para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. 
3Eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro. 
4E lhe disse: Corre, fala a este jovem: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela. 
5Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória. 
O que significa medir? O problema todo aqui nessa 3ª visão é que alguém quer medir a futura Jerusalém. É um jovem, mas aparentemente é um jovem de visão limitada. Então, um anjo corre para lhe perguntar: "Para onde vais tu? Ele me respondeu: Medir Jerusalém para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento." 

O que quer dizer medir? Medir é colocar limites. Este jovem tinha uma concepção do que seria a futura Jerusalém – talvez 1 Km de largura, 2 Km de comprimento – é por aí que passariam os muros. É dentro desse terreno limitado que se confinaria esta futura cidade. O anjo lhe diz que não meça: "4 (...) Corre, fala a este jovem: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela. 5Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória. 

Qual é a lição desta 3ª visão? Eu creio que a lição que salta aos olhos nesta 3ª visão é a seguinte: Não coloquemos limites ao que Deus quer fazer a nosso favor e a favor de Sua igreja. Pela nossa pouca fé nós estabelecemos limites, quando Deus gostaria que tivéssemos uma visão muito mais ampla, muito mais grandiosa do que Ele tem em mente para nós individualmente e para a Sua igreja coletivamente. 

Há várias histórias interessantes no Velho Testamento que ilustram este princípio – o princípio de que nós homens pela nossa pouca fé estabelecemos limites ao que Deus quer fazer por nós. 

Nós temos um caso muito interessante em II Reis cap. 4. Trata-se deu um incidente que ocorreu no tempo do profeta Eliseu.

(2Rs 4:1): "Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo:" Eliseu era como que o diretor das escolas dos profetas; nós o vemos viajando de Betel, para Gilgal, para Jericó. Aparentemente havia 3 escolas que ele visitava em rodízio. Os alunos eram chamados "discípulos dos profetas", eram casados na maior parte. E aqui acontece o caso de um dos estudantes que deve ter falecido, deixou uma esposa com duas crianças. "Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao Senhor. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos." 

Era o costume na antiguidade. Pessoas endividadas podiam ser vendidas ou os filhos podiam ser vendidos em pagamento da dívida, ou até que a dívida fosse paga então receberiam de volta a sua liberdade. Estamos contentes que hoje não existem mais leis pondo na cadeia devedores, mas na Inglaterra e noutros países da Europa, mesmo no século XVIII era costume prender pessoas por dívidas às vezes ridículas. 

2Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite 
3Então, disse ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas. 
Ela deve então seguido as instruções do profeta; e, como vasilhas de barro eram baratas, era fácil pedir aos vizinhos vasilhas emprestadas, botijas, garrafas. 
4Partiu, pois – ela e recolheu um certo número de garrafas ou vasilhas – e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. 
5Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou. 

Houvesse ela trazido mais vasilhas haveria azeite suficiente para encher uma dúzia, duas dúzias, três dúzias, não sabemos quantas dúzias ela trouxe, mas ela trouxe segundo a sua fé. Se mais vasilhas tivesse ela trazido, mais bênçãos teria ela recebido. Ela colocou um limite ao que Deus queria fazer a seu favor. 

Estamos nós colocando limites pela nossa pouca fé como aquele jovem que queria medir Jerusalém? 

Há um outro incidente no mesmo livro de II Reis no capítulo 13. Já alguns anos deviam ter decorrido. O profeta Eliseu está no seu leito de morte, e ele é visitado pelo rei. 

2 Reis 13, verso 14: "Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer, Jeoás, rei de Israel, desceu a visitá-lo, chorou sobre ele e disse: Meu pai, meu pai! Carros de Israel e seus cavaleiros!

O rei finalmente estava reconhecendo Eliseu valia mais do que um exército. A presença do profeta no meio do povo em muitas ocasiões tinha sido o instrumento para salvação do povo de derrotas iminentes. 

15Então, lhe disse Eliseu: Toma um arco e flechas; ele tomou um arco e flechas. 
16Disse ao rei de Israel: Retesa o arco; e ele o fez. Então, Eliseu pôs as mãos sobre as mãos do rei. 
17E disse: Abre a janela para o oriente; ele a abriu. 
Podemos imaginar que Eliseu estivesse lá num quarto no sobrado como foi lá o caso em Suném, quando aquela senhora rica construiu um quarto onde o profeta pudesse se hospedar quando passasse pela cidade; então, quem sabe, ele estava lá num quarto superior, olhando lá para uma praça. O rei e o profeta se aproximam da janela, e o profeta lhe diz: Atira. 
17(...) Disse mais Eliseu: Atira; e ele atirou. Prosseguiu: Flecha da vitória do Senhor! Flecha da vitória contra os sírios! Porque ferirás os sírios em Afeque, até os consumir. 
18Disse ainda: Toma as flechas. Ele as tomou. Então, disse ao rei de Israel: Atira contra a terra; ele a feriu três vezes e cessou. 
19Então, o homem de Deus se indignou muito contra ele e disse: Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido; então, feririas os sírios até os consumir; porém, agora, só três vezes ferirás os sírios.

Esse rei, Jeoás, deve ter sido um rei desanimado. Ele pegou o arco, pegou as flechas mas parou logo após haver atirado três flechas; e o profeta indignou-se porque, se ele tivesse atirado mais flechas, mais vitórias teria ele obtido sobre os adversários de Israel. Ele também limitou pela sua preguiça, pela sua inércia, pela sua pouca fé o que Deus queria fazer a favor do Seu povo naquela conjuntura. 

Temos uma passagem maravilhosa do apóstolo Paulo, em: Efésios 3, verso 20 que diz: "Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós." 

Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos. Estamos pedindo tudo quanto deveríamos? Ou estamos limitando a Deus pela nossa pouca fé? Estamos chegando a Deus, vamos dizer, com um pequenino vaso em vez de chegar com um grande vaso para receber a abundância de bênçãos que Ele nos quer outorgar.

Estas três visões são seguidas por uma série de apelos antes de Zacarias entrar na visão seguinte. Não cremos que poderemos ir muito além do capítulo 2, mas vejamos quais são alguns dos pensamentos adicionais que Zacarias vai pronunciar aqui sob a inspiração divina. 

Zacarias cap. 2, verso 6: "Eh! Eh! Fugi, agora, da terra do Norte, diz o Senhor, porque vos espalhei como os quatro ventos do céu, diz o Senhor." 

7Eh! Salva-te, ó Sião, tu que habitas com a filha de Babilônia. 
Aqui temos um quadro de que havia ainda gente em Babilônia. Nem todos saíram quando veio o decreto de Ciro, nem à convocação feita por Ageu e Zacarias. Ainda havia muita gente boa, membros das tribos de Israel em Babilônia. E a eles, então, Deus faz uma convocação: É tempo de sair de Babilônia. "Salva-te, ó Sião – salva-te, ó igreja – "tu que habitas com a filha de Babilônia." 
8Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele a glória, enviou-me às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho. 

Não é linda essa afirmação da parte de nosso Deus? 

Diz o Espírito de Profecia que a igreja apesar dos seus defeitos é objeto ao qual Deus dispensa a Sua mais profunda afeição. 

Um outro texto do Espírito de Profecia no livro Parábolas de Jesus, diz: "Deus ama Seus filhos com amor infinito. Para Ele o objeto mais caro na Terra é a Sua igreja." (Parábolas de Jesus, pág. 166) 
Ele ama a Sua igreja como a menina do Seu olho! 

A esposa de Ezequiel – Ezequiel, diferente de Jeremias, era casado – mas ele passou pela experiência amarga de perder a sua esposa justamente quando Jerusalém ia ser tomada pelos babilônios. E também diz o seguinte em: 
Ezequiel 24:16: "Filho do homem, eis que, às súbitas tirarei as delícias dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas." 

O que a esposa de Ezequiel era para ele a "delícia dos seus olhos" assim a igreja para o nosso Deus, a igreja é chamada menina dos seus olhos. E Deus queria que essa igreja brilhasse em meio das trevas do paganismo, que aqueles que ainda estavam dispersos em Babilônia saíssem, se unissem ao Seu povo, marchassem de volta para a terra prometida e tomassem de novo posse daquela terra. Mas havia muitos, como eu disse, tinham se radicado em Babilônia. 

Descobertas arqueológicas feitas pela Universidade da Pensilvânia, no final do século passado, desenterraram os arquivos de uma família em Nipur, não longe de Babilônia. Por uma coincidência muito grande descobriram aí 700 tabletes, quase todos eles tabletes de natureza comercial que permitem acompanhar a vida dessa firma durante três gerações. Aí vemos, então, que judeus prosperaram ao ponto de se tornarem banqueiros. E podemos acompanhar então as transações comerciais dos irmãos Murashu & Filhos que cobravam impostos de 40% ao anos, se enriqueceram com a miséria de muita gente. Muitos agricultores que ficavam endividados não podiam pagar os impostos, pediam dinheiro emprestado e acabavam perdendo as propriedades. Pode-se acompanhar tudo isso nos arquivos dos irmãos Murashu & Filhos. 

Judeus se radicaram em Babilônia em vez de aceitarem o convite de sair de Babilônia com o povo de Deus.

(Zc 2:9): "Porque eis aí agitarei a mão contra eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram" – quer dizer, os inimigos se tornariam um dia presas do povo de Deus. 
Verso 10: "Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor."

Se eles fossem fiéis, se voltassem, unissem suas forças, colaborassem na reconstrução do templo, o templo seria aquilo para o qual Deus o tinha destinado: "E Me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles" (Êx 25:8). Então diz aqui: "eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor."

11Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o Meu povo.

Se os israelitas fossem fiéis em sair de Babilônia, muitos se teriam unido a eles para sair de Babilônia com eles. Mas se eles estavam felizes em Babilônia, que ânimo, que encorajamento teriam os outros para sair de Babilônia! Da nossa fidelidade ao chamado de Deus depende a salvação de outros. Os gentios estavam olhando para os israelitas. Exerceriam eles fé nas promessas divinas? Ou hesitariam eles no momento crítico? Se eles falhassem, os gentios também teriam razão para falhar, e quão grande seria a perda! 

"Naquele dia muitas nações se ajuntarão ao Senhor" se cada israelita fosse fiel! Infelizmente nem todos foram, e a volta do exílio não foi tão gloriosa como o nosso Deus tinha esperança que fosse: seria tão gloriosa como um novo Céu e uma Nova Terra. Infelizmente, não correspondeu ao que Deus esperava! 

11Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o Meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti. 
Deus quer habitar conosco, Deus quer fazer-nos graça, Deus quer que triunfemos como indivíduo e como uma igreja nesta batalha final entre a luz e as trevas, entre as forças do Bem e as forças do Mal. 
12Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém. 
Nós sempre olhamos para o Céu como a nossa herança eterna; mas Deus olha para os Seus filhos como Sua herança. Se o Céu é precioso para nós, nós somos preciosos para Deus. 

"o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa". Estamos nós vivendo de tal maneira que possamos mostrar que somos a herança de nosso Deus, algo em que Ele possa tomar prazer, algo em que Ele possa Se deleitar?

12Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém. 
13Cale-se toda carne diante do Senhor, porque Ele Se levantou da Sua santa morada. 

É muito raro encontrarmos essa expressão nas Escrituras Sagradas. Deus é apresentado em Daniel, nos Salmos e em outros escritos tanto do Novo quanto no Velho Testamento assentado num trono glorioso, alto e sublime – o trono da soberania divina neste Universo. Mas aqui nós temos algo diferente: "porque Ele Se levantou da Sua santa morada." O profeta não podia encontrar nada mais impressionante do que dizer que Deus Se levantou do Seu trono para socorrer a Seu povo num momento crítico de Sua história. 

Se encontra apenas um outra ocasião, e esta no Novo Testamento, em que Deus também Se levanta na pessoa de Seu Filho para socorrer a Sua igreja aqui nesta Terra. São ocasiões extremamente raras e especialmente solenes. Nós lemos a segunda em: Atos 7, versos 55 e 56: "Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à Sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus." 

É o momento em que Estêvão vai ser apedrejado, o primeiro mártir da igreja cristã. Jesus não fica sentado à destra do Pai, Jesus Se levanta para prestar socorro e sustentar a Seu servo na hora mais crítica de sua vida. 

Eu creio que essa maneira impressionante como o profeta Zacarias termina a 3ª visão que devia repercutir profundamente em nossas mentes com a confiança de que Deus ama a Sua igreja, ela é a menina de Seus olhos. Ele está fazendo tudo para que ela triunfe, para que nós triunfemos com ela. A igreja não deve ser jamais objeto de nossa crítica, mas de nosso apoio, de nosso amor. Se Deus ama a igreja, nós deveríamos amar a igreja. Paulo disse que Cristo amou a igreja. 

Faremos nós menos do que isso? Estaremos nós colaborando realmente com Deus se nós, em vez de apoiarmos a igreja em sua tarefa de remir o mundo, vamos colocar pedras de tropeço e diminuir a prestígio dessa igreja pela nossa crítica?

Recapitulemos, então, brevemente estas 3 primeiras visões. E eu espero que esse pequeno estudo encoraje a muitos a prosseguir com as visões: a 4ª no capítulo 3; a 5ª no capítulo 4; no capítulo 5 a 6ª e a 7ª visões; e a 8ª no capítulo 6. 

Uma breve explicação sobre a 7ª visão. Ele vê uma visão muito interessante. 

Zacarias 5, verso 5: "Saiu o anjo que falava comigo e me disse: Levanta, agora, os olhos e vê que é isto que sai. 
6Eu perguntei: Que é isto? Ele me respondeu: É um efa – uma medida de capacidade – É um efa que sai. Disse ainda: Isto é a iniquidade em toda a Terra. 
7Eis que foi levantada a tampa de chumbo, e uma mulher estava sentada dentro do efa. – essa medida de capacidade. 
8Prosseguiu o anjo: Isto é a impiedade. E a lançou para o fundo do efa, sobre cuja boca pôs o peso de chumbo. 
9Levantei os meus olhos e vi, e eis que saíram duas mulheres; havia vento em suas asas, que eram como de cegonha; e levantaram o efa entre a terra e o céu. 
10Então, perguntei ao anjo que falava comigo: Para onde levam elas o efa? 
11Respondeu-me: Para edificarem para aquela mulher uma casa na terra de Sinear, e, estando esta acabada, ela será posta ali em seu próprio lugar. 

A terra de Sinear é Babilônia. Esse efa deveria ser lavado de volta à Babilônia. Dentro do efa estava a impiedade, a iniquidade – e particularmente impiedade e desonestidade no comércio. E a lição desta visão, outro desenho animado, é que os pecados de Babilônia devem ficar em Babilônia. Esse efa devia levar de volta a iniquidade para Babilônia – é lá o seu lugar, não aqui em Jerusalém. 

Apenas uma pequena sugestão para que continuem a explorar a riqueza simbólica e espiritual dessas visões de Zacarias: essas visões foram dadas para encorajar o povo de Deus, não para desanimá-lo. Deus ama a Sua igreja.

Recapitulemos então as lições das 3 primeiras visões: 

1) A primeira: Deus sabe tudo a nosso respeito. Deus zela pela Sua igreja aqui nessa Terra com grande amor. 
2) A 2ª grande lição prática que devíamos levar: Para todo o mal Deus tem um remédio. 
3) E da 3ª visão que estudamos: Não estabeleçamos limites para o que Deus quer fazer a nosso favor. Oremos para que Ele acrescente a nossa fé, para que com a fé dilatada, ampliada pela Sua graça possamos receber a riqueza das bênçãos que Ele nos oferece. 

Amém. 

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