REAVIVAMENTO, REFORMA OU AMBOS?


Reavivamento e reforma (juntos) são as palavras mais familiares a nossa igreja. Temos falado sobre elas por longo tempo, aguardando o grande dia de reavivamento e reforma por vir.

Às vezes tentamos antecipar este grande dia envidando esforços pela reforma, mantendo alguns elevados padrões. Temos ouvido de reforma do vestuário, da saúde e temperança, reforma educacional e médica e reforma sabática – termos familiares a alguns de nós. Mas a questão é: Mudando nossos caminhos, mudamos nossos corações realmente?

Necessitamos de reavivamento? Sim! Mas é suficiente o reavivamento? Necessitamos de reforma? De que mais necessitamos? Necessitamos de ambos? Tenhamos sempre em mente que "reavivamento e reforma são duas coisas diferentes". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 128. Jesus realmente tratou dos dois temas quando falou aos religiosos de seus dias. Em meio ao Seu discurso Ele chamou os fariseus de "guias cegos" (Mt 23:24).

Estas pessoas eram grandes reformadoras, tanto que coavam um mosquito e tentavam engolir camelos.

Além disso Ele declarou: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo". Versos 25, 26.

Estas pessoas precisavam mais do que simplesmente mudar seus caminhos. Necessitavam de uma mudança de coração. Reavivamento e reforma envolvem o interior e o exterior. A reforma tem que ver com a mudança nos "hábitos e práticas". – Ibidem.

A palavra "reforma" aparece somente em Hebreus 9:10 onde fala do "tempo de reforma" e se refere a certas mudanças externas em cerimônias e sistemas com que estamos familiarizados. Reforma, tem que ver com o exterior, sugere que por si própria não realiza muito, se é que realiza.

Você já praticou alguma dieta? Alguns de nós temos aprendido através de dura experiência que uma dieta nada realiza se o apetite permanece o mesmo. A orientação diz:

"Jamais serão os homens verdadeiramente temperantes sem que a graça de Cristo seja um permanente princípio no coração. Nem todos os apelos do mundo vos farão a vós ou a vossa esposa reformadores da saúde. Nenhuma mera restrição de vossa dieta curará vosso apetite doentio. (...) [Eles] não praticarão a temperança em todas as coisas enquanto o seu coração não for transformado pela graça de Deus. As circunstâncias não podem operar reformas". – Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 35.

MUDAR NOSSOS COSTUMES NÃO É SUFICIENTE

Aqui nos é dito que mudar nossos costumes não é realizar genuína reforma.

"Cristianismo pressupõe uma reforma do coração. O que Cristo opera no interior, será manifesto no exterior sob os ditames de um intelecto convertido. O plano de iniciar pelo exterior e procurar operar interiormente, tem sempre falhado e falhará sempre. [Parece claro que tentar o reavivamento pela reforma falhará sempre.] O plano de Deus para vós é começar na própria sede de todas as dificuldades – o coração – e então do coração hão de jorrar os princípios da justiça; a reforma será tanto externa como interna". – Ibidem.

Assim, a reforma não é suficiente.

Qual é a essência da expressão "reavivamento"? "Reavivamento significa renovação da vida espiritual". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 128. "O povo", é-nos dito, "deve ser ensinado a não se satisfazer com uma forma de piedade sem o espírito e o poder". – Idem, p, 122. A referência aqui é à reforma. Reavivamento refere-se ao Espírito e poder.

Davi compreendeu isto quando em sua oração clamou por reavivamento: "Cria em mim, ò Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável". Salmo 51:10. Ele sabia que o reavivamento começa no interior, e não no exterior.

Em Efésios 4:23 Paulo fala a respeito da renovação ou do reavivamento de nossas mentes, ou corações. Romanos 12:2 também menciona a renovação de nossas mentes. E reavivamento ou renovação que passe por alto a mente é imediatamente suspeita, pois o Espírito Santo age através da compreensão inteligente e não dispensa a razão.

Você perguntará: Qual deverá vir em primeiro lugar? Foi dito à nossa igreja há muito tempo:

"Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo deve ser nossa primeira ocupação". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 121.

Reavivamento ou renovação da mente em completa entrega, está encabeçando a lista de prioridades. E a premissa é que o reavivamento genuíno trará como consequência genuína reforma, tanto quanto fé genuína levará a obras de fé. Reforma sem reavivamento não é reforma, realmente. Tem apenas a aparência.

Contudo, a verdade é que não podemos isolar o reavivamento da reforma. Eles devem andar juntos. Devem harmonizar-se.

Poderíamos iniciar um programa de reforma na igreja. Poderíamos tornar-nos muito estritos e muito corretos. Poderíamos estabelecer rígidas regras de disciplina sobre a aparência exterior. Poderíamos controlar as pessoas. Poderia haver um grupo de pessoas na igreja que apoiaria o procedimento. "Maravilhoso! Este é um novo dia!" Sim, seria um novo dia. Mas a que levaria?

Contudo, não podemos enfatizar demasiadamente o reavivamento – as coisas da vida espiritual interior, nosso relacionamento com Jesus – é nossa grande necessidade. O reavivamento é nossa primeira necessidade e devemos buscá-lo, pela graça de Deus. Todos os planos das Nações Unidas para mudar nossos caminhos no que concerne às tensões internacionais, todas as greves, boicotes e agitação de bandeiras – pessoas que tentam reformar pessoas desejosas de mudar o relacionamento mútuo – estão fadados ao fracasso. Resultados imediatos nos "caminhos" mudados podem ocorrer, porém tais atividades não alcançam o coração dos homens. Paz honrosa, por exemplo, é apenas temporária no coração de homens que não foram atingidos.

Além disso, onde quer que a igreja comece a experimentar o verdadeiro reavivamento e reforma, a esperança de que a experiência será duradoura é indeterminada por um temor secreto de que não prevalecerá e de que as coisas se tornarão piores do que antes. De fato no Desejado de Todas as Nações você encontrará uma estranha frase: "Toda reforma [nos dias antes de Cristo] era seguida de mais profunda apostasia". – P. 28.

Isto pode dar a impressão de que seria melhor esquecer a reforma. É dito também que "um período de grande luz e o derramamento do Espírito é geralmente seguido de um tempo de grande treva". – Mensagens Escolhidas, livro 1, pp. 130, 131.

Você perguntará: Por quê? Principalmente porque o demônio não é apenas uma invenção humana. Se há algo que o diabo odeia, é ver reavivamento e reforma entre o povo de Deus.

"O pensamento de que a justiça de Cristo nos é imputada, não por algum mérito de nossa parte, mas como um dom gratuito de Deus, é um precioso pensamento. O inimigo de Deus e do homem não quer que esta verdade seja claramente apresentada; pois sabe que, se o povo a aceitar plenamente, está despedaçado o seu poder". – Obreiros Evangélicos, p. 161.

Se eu fosse Satanás – nervoso, como um leão que rugisse por saber que não tem muito tempo – não gostaria que minha força viesse a ser quebrada. Você gostaria? Ele trabalhará para fazer tudo que possa levar à letargia ou fanatismo onde quer que reavivamento e reforma tenham início. Lutero compreendeu isso. Ele tentou atingir o diabo com um tinteiro certa ocasião. Errou o alvo e manchou a parede.

SOMENTE ATRAVÉS DA ORAÇÃO
Lutero escreveu em seus dias, quando a reforma estava em andamento como consequência do reavivamento: "Não negligenciemos o ponto, ou o ensino da justificação pela fé".

Se nos desviarmos da justificação cristã, cairemos na justificação da lei, que é mera pseudo-reforma. "Deve-se dizer que quando perdemos a Cristo, passamos a confiar em nossas obras. Temo", disse ele, "que este ensino venha a tornar-se deturpado e enegrecido novamente quando estivermos mortos, pois o mundo está se tornando repleto de escuridão e horríveis erros antes dos últimos dias". Lutero, com sua visão, era capaz de ver e temer essa possibilidade.

O que produzirá reavivamento e reforma duráveis? "Só podemos esperar um reavivamento em resposta à oração". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 121. Somente em resposta à oração? De quantos? Quantos precisam orar? O reavivamento ocorreria se quinhentas pessoas orassem por ele? Orar onde? E por quem? Por quanto tempo?

Se você estudar a história do genuíno reavivamento na igreja cristã, descobrirá que o reavivamento jamais teve início numa catedral. O reavivamento jamais começou nalguma assembléia eclesiástica. Nunca teve início num mundo reunido onde uma resolução fosse adotada – considerando, considerando e considerando. . . por esse motivo resolve-se que de agora em diante teremos um reavivamento. Jamais começou com alguém dizendo: "Quantos crêem no reavivamento, levantem a mão direita". E todos erguem a mão direita.

Você sabe como iniciou? Como inicia ainda hoje? Começa com uma pessoa. "Um membro, trabalhando corretamente levará outros membros a unirem-se a ele para fazer intercessão em favor da revelação do Espírito Santo". – Testimonies, vol. 8, p. 251.

"As igrejas são reavivadas, alguém busca individualmente, com fervor, as bênçãos de Deus. Sente fome e sede de Deus, pede com fé e recebe segundo seu pedido. Trabalha com fervor, sente sua grande dependência do Senhor, e almas são estimuladas a procurar bênçãos semelhantes, e uma época de refrigério cai no coração dos homens". – Ellen G. White, em Review and Herald, 13 de março de 1888.

O reavivamento começa com uma pessoa! Depois passa a duas ou três. A seguir a um punhado. Pequenos grupos aqui e ali. É assim que começa.

Você não gostaria de estar envolvido nisso? Devemos orar mais e falar menos.

Reavivamento e reforma são duas razões pelas quais podemos orar legitimamente, pedindo a Deus que nos envie seu poder aqui e agora. A condição para esta busca de reavivamento é graficamente declarada em:

Isaías 57:15: "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade [Quem é Este? Ninguém mais senão o grande Deus do Céu], o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos".
Se desejo alcançar o alto e santo lugar onde o Alto e Sublime habita a eternidade, então o lugar mais elevado que posso alcançar agora é cair sobre meus joelhos ao pé da cruz.

Você crê nisto? Então diga: "Ó Deus, aviva Tua obra. Reaviva-me. Reaviva-nos. Continua e completa a obra que iniciaste".

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