JESUS, NOSSO GRANDE EXEMPLO


"Desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz". Hebreus 12:1, 2.

Você sabia que a vida de Jesus nesta terra foi uma demonstração perfeita de justificação pela fé? Observando-O descobrimos nosso Modelo para resistir até o fim.

A cidade de Nazaré por ocasião da vinda de Jesus, não era o tipo de solo onde se pudesse desenvolver uma bela planta, mas nele cresceu o Lírio do vale espalhando fragrância a todo o mundo.

Milhares de pessoas têm sido aturdidas com a pergunta: Como pôde Jesus viver a vida que viveu? Há uma errônea idéia comum de que esta vida magnífica foi o resultado de um poder inerente que os seres humanos não possuem. Às vezes, a divindade com a qual Jesus nasceu é considerada como Sua fonte de poder enquanto Ele vivia nesta terra. Mas observe o próprio testemunho de Jesus com respeito a Sua vida:

"Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu sou, e que nada faço por Mim mesmo". João 8:28.

"Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz". João 5:19.
"Eu nada posso fazer de Mim mesmo". Verso 30.

Vindo estas declarações de alguém divino-humano, têm significado especial. Por que Jesus diz que nada podia fazer? Deixando de lado o auxilio exterior, não possuía Jesus poder ou capacidade de fazer muito mais do que qualquer um em virtude de Seu poder inerente?

Os homens maus diante da cruz menearam a cabeça e troçaram: "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-Se". Marcos 15:31. E era verdade! Na cruz Jesus nada podia fazer para salvar-Se e ainda salvar-nos.

Contudo, não apenas na morte de Jesus, mas também em Sua vida havia uma razão para que Ele dissesse nada poder fazer de Si próprio. Ele viera para mostrar-nos o caminho da vida; era parte integrante do plano que Ele nada fizesse em Suas próprias forças! Por quê? Porque Ele veio para demonstrar aos pobres e fracos pecadores como viver através do poder exterior. Ele veio não somente para morrer por nós, mas para mostrar-nos pelo Seu exemplo como podemos viver uma vida vitoriosa.

"A menos que Ele tomasse o lugar do homem como homem e testificasse através de Sua ligação com Deus que o poder divino não Lhe era dado de maneira diferente, Ele não poderia ser um perfeito exemplo para nós". – SDABC, Comentários de Ellen G. White sobre Heb. 2:14, p. 925.

Jesus nos convida a fazer a Sua vontade por meio de Seu poder, exatamente como Ele fez a vontade do Pai por meio do poder paterno.

"Sofreu toda provação a que estamos sujeitos. E não exerceu em Seu próprio proveito poder algum que nos não seja abundantemente facultado. Como homem, enfrentou a tentação, e venceu-a no poder que Lhe foi dado por Deus". – O Desejado de Todas as Nações, p. 16.

Possivelmente a mais especifica declaração de Jesus a respeito de Sua dependência foi relatada por João.

"Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que vos digo não as digo por Mim mesmo; mas o Pai que permanece em Mim, faz as Suas obras". João 14:10.

Por meio de que poder Jesus viveu uma vida sem pecado em perfeita humanidade? Pelo poder do Pai que habitava nEle.

Não obstante, houve alguma oportunidade em que Jesus confiou em Sua divindade inerente? Foi esta Sua fonte de poder que O capacitou a viver a vida maravilhosa que Ele viveu neste mundo? Quando Jesus disse: "O Filho nada pode fazer de Si mesmo", Ele se referia ao grande fato de haver deixado este poder inerente sem utilizá-lo! O poder pelo qual Ele viveu Sua vida sem pecado e pelo qual Suas maravilhosas obras foram realizadas foi o poder que alcançou através de Sua humana dependência do Pai celestial.

"Era pela fé e a oração que Ele realizava Seus milagres". – O Desejado de Todas as Nações, p. 398. (Ver também p, 143).

Não foi o poder dEle próprio. Era poder do alto. (Ver SDABC, Comentários de EGW sobre Heb. 2, pp. 924, 925; DTN, p. 664; 9T. 22).

"Não era na posse da força onipotente que Ele [Jesus] descansava. (...) Esse poder depusera-o Ele, e diz: 'Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma'. S. João 5:30. Confiava no poder de Seu Pai. Foi pela fé no amor e cuidado de Deus - que Jesus repousou". – O Desejado de T Nações, p. 249.

JESUS MOSTROU AO HOMEM COMO VIVER

O fato maravilhoso é que o modo de vida de Jesus deve ser nosso modo de vida. Escute a evidência: "Sem Mim nada podeis fazer" (Jo 15:5); "Se alguém está em Cristo, é nova criatura" (2Co 5:17); "Cristo em vós, a esperança da glória" (Cl 1:27); "Habite Cristo nos vossos corações, pela fé" (Ef 3 :17). Resumindo:

Jesus
Nada podia fazer sozinho - João 5:30
Estava no Pai - João 14:10
O Pai estava nEle - João 14:10
O Pai habitava nEle - João 14:10

O homem
Nada pode fazer sozinho - João 15:5
Pode estar em Cristo - 2Co 5:17
Pode ter Cristo consigo - Cl 1:27
Pode ter Cristo habitando em si - Ef 3:17

Dessa maneira, a vida que Jesus viveu e o próprio modo pelo qual ele a viveu, são oferecidos a todo Ser humano:

"Ele [Cristo] resistiu à tentação através do poder de que o homem pode dispor. O poder encontra-se no trono divino e todo homem ou mulher pode encontrar acesso a ele através da fé em Deus. (...) Os homens podem dispor de poder para resistir ao mal – um poder que nem a terra, nem a morte ou o inferno dominam; um poder que os colocará onde possam vencer como Cristo venceu". – Ellen G. White, em Review and Herald, 18/2/1890.

AMAIOR TENTAÇÃO DE NOSSO SENHOR

Qual foi a principal tentação de Cristo? Para compreender isto devemos entender qual é o cerne do pecado. O pecado é mais do que mera transgressão de uma lei escrita. O cerne do pecado encontra-se em Romanos 14:23: "Tudo o que não provém de fé é pecado". Em outras palavras, o pecado, como se encontra descrito em Romanos 14:23 (viver uma vida separada de Deus) leva ao pecado como encontra-se exposto em 1 João 3:4 (transgressão da lei de Deus).

Mais cedo ou mais tarde todos os que serão salvos da última geração chegarão ao entendimento de que pecado não é somente cometer atos errados, mas também o que leva ao erro, a saber, uma vida independente de Deus.

Todos temos visto pessoas que, não se preocupando o mínimo com Cristo, vivem "boas" vidas por sua própria força de vontade e poder. Sem contato espiritual ou comunhão com Deus muitos homens podem ainda fazer "grandes coisas". Às vezes professos cristãos aparentam viver vida de excelência sem ligação genuína e coerente com Deus. Aqui, porém, está precisamente o problema! Há quem julgue mais fácil guardar-se de pecados reconhecidos do que tomar tempo diário para desenvolver um relacionamento amadurecido com Cristo. Por vezes isto toma o tempo que imaginamos não possuir. Assim pensamos ser mais fácil viver uma assim chamada boa vida em nossa própria força sem a habitação em Cristo.

Se o pecado encontra-se fundamentalmente no domínio da vida, na força ou vontade própria de alguém, qual foi a maior tentação de Jesus? A maior tentação de Jesus foi usar o poder que possuía inerentemente.

Esta é também a maior tentação do homem. Mas quem tem o maior poder inerente e portanto a maior tentação? Cristo, naturalmente! Então Cristo teve uma vantagem sobre o homem? Não!

A vida de Jesus, da infância à idade responsável não deve ser um problema aos que pretendem atribuir-Lhe vantagem em virtude de seu começo melhor. A tentação é maior para alguém viver a "boa" vida através da força própria quando essa força é menor ou quando é maior? A tentação é maior para acomodar-se quando há um perfeito relato do passado ou quando esse relato é imperfeito? Quem fracassou e está, por essa razão, desencorajado, procura por auxílio mais do que aquele que é dono de um relato de sucesso, sem mácula. Aqueles que herdaram poderosa força de vontade, que não caem constantemente, têm maior tendência a "irem sozinhos" do que aqueles que são fracos em virtude do nascimento e do meio.

Possuo um carro Volkswagen. Esse carro me fora recomendado com muita insistência uma ocasião. O vendedor disse que os Volkswagens são maravilhosos – gastam pouco combustível, rodam como Cadillacs, vencem qualquer obstáculo que encontram na estrada, enfrentam montanhas, não perdem o valor. "Bem", eu disse, "o que é que estou esperando?" Assim eu comprei um.

Um dia depois de haver comprado meu VW parei num cruzamento aguardando a mudança do sinal luminoso. Um jovem estudante da escola local pôs-se a meu lado com seus 400 cavalos de força no motor. Você acha que tive qualquer tentação de alcançá-lo com meu motor de 36 HP? Eu tentei uma vez, para vergonha minha. Depois disso eu olhava para o outro como se não o percebesse. Mas se estou aguardando num cruzamento e há força no motor de meu carro para competir com o seu poder, então surge a tentação para utilizar essa força.

Você percebe como Jesus foi tentado além do que você e eu podemos ser tentados? Se a maior tentação impele-me à separação de Deus e a viver pela minha própria força, Jesus teve muito maior tentação. Foi a tentação no deserto (Mateus 4). O apetite ajudou a criar a Jesus, tentação, é certo, mas é grande pecado estar faminto quando você ficou 40 dias sem comer? O apetite era apenas parte do problema aqui representado. A tentação principal de Jesus foi realizar em Sua própria força o que Lhe era possível – tornar as pedras em pão. A maior evidência de fé e confiança foi Sua segurança em que o Pai celeste providenciaria o de que Ele necessitava a Seu próprio tempo e modo.

Seria tentação para você ou para mim tornar pedras em pão? Dizemos que não porque não temos aquele tipo de poder, e nós sabemos disso. Mas Jesus tinha! Não nos maravilhemos de que a Bíblia possa dizer que Ele sabe o que é ser tentado. Ele foi tentado da mesma maneira, mas em grau muito maior do que nós o somos (cf. Hb 4:15). O admirável na vida de Jesus não é tanto o que Ele fez como o que Ele absteve-Se de fazer.

"Manter Sua glória velada como filho da raça caída, esta foi a mais severa disciplina a que o Príncipe da vida podia submeter-Se". – SDABC, Comentários de Ellen G. White sobre S. Mateus 4:1-11, p. 1081.

"Foi uma difícil tarefa para o Príncipe da vida realizar o plano que empreendera pela salvação do homem, revestir Sua divindade com a humanidade. Ele havia recebido a honra nas cortes celestiais e estava familiarizado com o poder absoluto. Foi tão difícil para Cristo manter o nível da humanidade como é difícil aos homens erguerem-se acima do baixo nível de sua natureza depravada e tornarem-se participantes da natureza divina". – Confrontation, p. 85.

Jesus veio não somente para morrer mas para mostrar-nos como viver. Mas nós revestimos nossa vida procurando todas as coisas, menos a fé – a mesma espécie de fé que ligou Jesus a Seu Pai. Temos todos os tipos de métodos – justificação pela resolução, justificação pela promessa, justificação pelos hábitos, justificação pela hereditariedade, justificação pela conformidade e justificação pela denominação. Mas durante todo o tempo, a justificação e a paz para os corações perturbados vêm através da fé – uma vida de humilde dependência e obediência.

PODER ATRAVÉS DA ORAÇÃO

Como Jesus manteve este contato com Seu Pai e como dependeu dEle? Como recebeu este poder?
"Era nas horas de oração solitária que Jesus, em Sua vida terrestre, recebia sabedoria e poder". – Educação, p. 259.

"Diariamente cercado de tentação, sofrendo a continua oposição dos guias do povo, Cristo sabia dever fortalecer Sua humanidade pela oração. (...) Assim mostrou Ele aos Seus discípulos o esconderijo de Sua força". – Conselhos aos Professores, p. 291.

"Depois de passar horas com Deus, apresentava-Se manhã após manhã para comunicar aos homens a luz do Céu". Parábolas de Jesus, 139.

Como recebemos este poder? Exatamente da mesma maneira.
"Enquanto a Ele estivermos ligados pela fé, o pecado não mais terá domínio sobre nós". – O Desejado de Todas as Nações, p. 87.

Então, se cedemos às nossas fraquezas, meus pecados, minhas provações e tentações, qual é o motivo? Eu não estou unido com Deus nesse ponto. Isto está indicado em 1 João 3:6: "Todo aquele que permanece nEle não vive pecando". Por que cometemos erros? Por que pecamos? Porque nossa permanência nEle não é permanente.

Nosso crescimento na maturidade cristã depende de nosso aprendizado de como permanecer nEle, nEle confiar mais e mais até que Lhe permitamos habitar em nós inteiramente, todos os momentos de nosso dia. Enquanto Deus nos está ensinando estas lições de crescimento e nos estamos tornando mais cientes das maneiras sutis do inimigo separar-nos do poder, Deus pacientemente suporta nossas fraquezas e considera-nos como Seus filhos e filhas. Ele sabe que finalmente triunfaremos através de Seu poder.

Mesmo Satanás sabe disto!

"Satanás está bem ciente de que a mais débil alma que permaneça em Cristo é mais que suficiente para competir com as hostes das trevas". – O Grande Conflito, p. 530.

Satanás também sabe que "todos quantos ele puder levar a negligenciar a oração e o exame das Escrituras, serão vencidos por seus ataques". – Idem, p. 519.

Jesus viveu em total dependência de Seu Pai. Sua devoção pessoal diária estava arraigada na oração e na pesquisa das Escrituras. Ele não usou Seu poder inerente. Contudo, eu venho com a força de meu pequeno Volkswagen e julgo ter algo em que confiar.

Que ironia! Que tolice! Mas que convite para desfrutar de um significativo relacionamento salvador com Jesus! No estudo da vida terrestre de Jesus vimos que o poder que Ele teve em mãos está disponível a todos os que o procurarem conhecer.

"Os inexauríveis depósitos celestiais acham-se a [nossa] (...) disposição. (...) Mediante a cooperação com Cristo (...) [tornamo-nos] (...) perfeitos nEle, e, em [nossa] (...) fraqueza humana, [somos] (...) habilitados a praticar as obras da onipotência". – Obreiros Evangélicos, p. 112.

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