ARREPENDIDOS O SUFICIENTE PARA ABANDONAR


"Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte". 2 Coríntios 7:10.

Como realmente nos entristecemos? Qual a diferença entre a tristeza piedosa e a tristeza mundana? Pedir às crianças que digam que estão tristes as fará tristes? No relacionamento para com Deus, como pode alguém 'tornar-se triste o suficiente para deixar de fazer coisas erradas, que é a maneira pela qual às vezes descrevemos o arrependimento?

Alguns pensam que a pessoa deve arrepender-se antes que Deus possa aceitá-lo. A verdade é que não possuímos poder para arrepender-nos. Não podemos fabricar esse poder ou dar origem a ele. O arrependimento (a mudança real da mente de uma pessoa no que diz respeito a seus hábitos pecaminosos) é uma dádiva concedida livremente por Deus. Pedro, falando certa ocasião de Jesus disse: "Deus, porém, com a Sua destra, O exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados". Atos 5:31.

"O arrependimento, não menos do que o perdão e a justificação, é dom de Deus, e não pode ser experimentado a não ser que seja concedido à alma por Cristo". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 391.

A quem, então, Deus concede o arrependimento? "O Senhor (... ) não [quer] que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento". 2 Pedro 3:9. Assim, o arrependimento é destinado a todos e todos podem obtê-lo.

Na realidade, vir ao arrependimento é a mesma coisa que vir a Cristo.

"O Salvador está de contínuo atraindo os homens ao arrependimento; só o que eles precisam é submeter-se ou deixar-se atrair, e o coração se lhes derreterá em compunção". – Conselhos aos Professores, p. 329.

Dessa forma, o arrependimento é uma dádiva que Deus nos dá quando vamos a Ele e não algo que fazemos a fim de ir a Seu encontro.

"Muitos se acham confundidos quanto ao que constitui os primeiros passos na obra da salvação. O arrependimento é considerado uma obra que o pecador deve realizar por si mesmo, a fim de poder chegar a Cristo. (...) O pecador não pode produzir em si o arrependimento. (...) A questão que deve ser resolvida é quanto a ser o arrependimento obra do pecador ou dom de Cristo. (...) O primeiro passo em direção de Cristo é dado graças à atração do Espírito de Deus; ao atender o homem a esse atrair, vai ter com Cristo a fim de que se arrependa". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 390. (Itálicos acrescentados).

Em outras palavras, embora o arrependimento seja um dom de Deus, precisamos fazer algum esforço para recebê-lo. Devemos reconhecer nossa necessidade e responder a Seu chamado. Mas como devemos responder, ou, como diz Paulo, como "chegar ao arrependimento"? Alguns pensam que é vindo até o púlpito ou até à frente da congregação. Outros pensam que é vindo a um homem, o pregador.

Pensam ainda outros que é tomando uma resolução de jamais praticar certas coisas novamente.

Há muitas idéias quanto ao que constitui vir a Cristo, porém a verdade é que vir a Ele, significa encontrá-Lo através de Sua Palavra e por meio da oração em nossa grande necessidade.

Se um altar traz à frente da congregação um grupo de pessoas que não sabem o que significa ser chamado para vir a Cristo depois daquela ocasião, através dos joelhos, no recesso do quarto, no dia seguinte e em todos os demais, essas pessoas não vieram a Cristo.

Vir a Cristo não é algo mais profundo do que a vida devocional particular de cada um. A maneira de irmos a Cristo hoje é ir antes à Sua Palavra aberta e sobre nossos joelhos, com um grande sentimento de necessidade e desamparo, para que Ele próprio nos inspire para que nada mais queiramos a não ser Ele. Esta experiência redundará em arrependimento, pois "o conhecimento do plano da salvação levá-lo-á [pecador] ao pé da cruz, arrependido de seus pecados, que causaram os sofrimentos do amado Filho de Deus. (...) É quando O contemplamos, quando a luz de nosso Salvador incide sobre nós, que vemos a pecaminosidade de nosso coração". – Caminho a Cristo, pp. 27, 28.

DEUS ACEITA LIVREMENTE

Romanos 2:4 fala-nos da bondade de Deus em aceitar os que vêm a Ele. Paulo diz aqui: "Ou desprezas a riqueza da Sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?"

Os judeus dos dias de Cristo não podiam ver este amor. Eles somente conheciam um Deus severo que não podia receber livremente pecadores. Eles criam no arrependimento como algo que podiam fazer mais do que algo que pudesse resultar de um relacionamento pessoal com Deus. Julgavam dever mudar suas vidas e então vir a Deus em vez de vir a Deus para que Ele pudesse mudá-los.

A fim de conhecer a bondade de Deus precisamos estudá-la e contemplá-la continuamente. Não há outro modo. Podemos ouvir a respeito dela no púlpito ou na Escola Sabatina, mas isto ocorrerá somente uma vez por semana ou até menos. Para chegar a um arrependimento diário precisamos contemplar e entender a bondade de Deus diariamente. Se negligenciarmos isto haverá um processo de esquecimento gradual, do mesmo modo como gradualmente se desvanece a lembrança de amigos quando estão ausentes. Assim, nossa compreensão da bondade de Deus está na proporção de nosso estudo e meditação nEle. E "a cada passo para a frente em nossa experiência cristã, nosso arrependimento se aprofundará". – Atos dos Apóstolos, p, 561.

Ouçam novamente as palavras de Jesus: "O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora". João 6:37.

"Quem está desejoso de se tornar verdadeiramente arrependido? Que deve ele fazer? – Deve ir ter com Jesus, tal qual está, sem demora". – Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 393.

"Alma abatida, toma ânimo, embora tenhas obrado impiamente. Não penses que Deus talvez te perdoe as transgressões e te permita ir à Sua presença. (...) Envolve em Seus braços de amor a alma ferida e quebrantada, prestes a perecer e leva-a com alegria ao aprisco seguro". – Parábolas de Jesus, pp, 188, 189.

Nunca vou esquecer quanto me emocionei quando esta verdade despontou pela primeira vez em minha mente – o fato de que Deus sempre aceita a quem quer que venha a Ele, sem levar em conta o que tenha feito, onde tenha estado, ou quanto tenha conhecido ou não.

Qualquer um – em qualquer local ou tempo – que venha a Jesus é sempre, sempre aceito. Jamais esqueça isto.

Satanás não pode esquecer isto. Essa é a razão porque ele está constantemente tentando convencer-nos de que isto não é assim. Ele tenta levar o pecador a pensar que há um ponto no qual Deus não o aceita, se ele se dispuser a vir; que ele foi demasiado longe no pecado; que não há mais possibilidade. Desse modo as pessoas desistem e não vêm, e isto ocorre frequentemente! É o triste testemunho do sucesso do inimigo em retratar um Deus que só sabe ser severo e punitivo.

Deus não está tentando ver quantas pessoas pode deixar fora do Céu. Ele está tentando ver quantas pode levá-las! Ouça:

"[Deus] aceita francamente aqueles cuja maneira de proceder mais ofensiva Lhe tem sido; quando se arrependem, comunica-lhes Seu divino Espírito, coloca-os nos mais altos postos de confiança e envia-os ao acampamento dos desleais, para Lhe proclamar a ilimitada misericórdia". – O Desejado de Todas as Nações, p. 615.

PECANDO CONTRA UMA PESSOA

Lembre-se de que uma das grandes diferenças entre a tristeza piedosa e a tristeza do mundo é a diferença entre entristecer-nos por ter pecado contra uma pessoa (Jesus Cristo) e a tristeza por havermos pecado simplesmente contra uma lei ou um conjunto de regras. Tristeza genuína sempre envolve uma pessoa. Esta é a razão porque você e eu devemos estar relacionados diariamente com Jesus, uma Pessoa.

Somente então entenderemos o genuíno arrependimento; ele vem como um dom espontâneo e natural quando conhecemos a Jesus como nosso melhor amigo. Quando faço algo que sei desapontou o coração de Cristo, e então compreendo que Ele ainda me aceita quando venho novamente a Ele exatamente como estou, isto tem um efeito abrandador e transformante sobre meu próprio coração.

Meu pai cria na disciplina. Meu irmão e eu necessitávamos dela, estou certo disto. Mas o interessante é que não posso lembrar-me das surras que recebi. Creio que é porque todas as vezes que elas foram necessárias eu sempre compreendi que o coração de meu pai estava sofrendo mais do que eu. Para mim isto era pior do que a dor que eu sofria. A mais dura surra que levei, segundo me lembro, foi numa ocasião em que meu pai nem sequer me tocou. Ele havia tentado tudo, inutilmente. Ele já não sabia mais o que fazer. Então eu vi meu pai, grande e forte, chorando lágrimas de desespero. Imediatamente lembrei-me de todas as boas coisas que ele me fizera e pensei na ingratidão que eu lhe dava como pagamento. Eu podia apanhar de cinta, mas aquilo era demais!

Para Pedro aquilo também foi demais! Uma noite o destino de dois homens estava em jogo – o destino de Judas e o de Pedro. Judas durante três anos nunca estivera realmente unido a Jesus. Isto não ocorria com Pedro. Ele amava a Jesus.

Naquela noite fatal, Judas fechou seu negócio e a lealdade de Pedro foi provada. Quando ao pé do fogo, ele começou a praguejar e a jurar. No meio de seus juramentos seus olhos subitamente fixaram-se na face de Jesus. O que ele viu não poderia obter em outro lugar. Naquela face havia desapontamento e piedade, mas também aceitação. Há uma grande diferença entre desapontamento com aceitação e um olhar de orgulho ferido e rejeição.

Pedro compreendeu imediatamente que sua negação de Cristo era a chicotada mais dura que Jesus levara aquela noite. Então um dilúvio de recordações atropelaram-se em sua mente. Ele lembrou-se do chamado à beira do mar. Pedro lembrou-se da paciência e longanimidade de Jesus para com sua impetuosidade. Lembrou-se de como Jesus o salvara das ondas aquela noite no lago.

Pedro lembrou-se de como Jesus o socorrera quando ele estava perturbado com as moedas do tributo no templo.

Lembrou-se de como Jesus havia dito pouco antes: "Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo. Eu, porém, roguei por ti". Lucas 22:31, 32.

"Eu roguei por ti!" Pedro não podia aguentar aquilo! Ele saiu do pátio de Caifás, atravessou o portão da cidade, desceu a colina e atravessou o riacho em direção do Jardim do Getsêmani.

Ali prostrou-se sobre a face e desejou morrer. Isto, caro amigo, é arrependimento genuíno. Enquanto Judas morreu naquela noite por causa do remorso e temor do julgamento vindouro, Pedro desejou morrer porque havia ferido o coração de seu melhor Amigo.

Quando você e eu compreendermos esta espécie de tristeza pelo pecado, então teremos recebido a graça do arrependimento que Jesus oferece livremente a todos os que "vêm". Então seremos possuídos pelo desejo veemente de conhecer Sua presença e poder de tal forma que jamais desejaremos desapontá-Lo. Tal é a atmosfera na qual nossas vidas são mudadas. Em tais experiências desfrutadas diariamente, consiste uma vida de vitória sobre o pecado.

Comentários