CAMINHE SEGURANDO A MÃO DE DEUS


"Andemos dignamente, como em pleno dia." Romanos 13:13. 

Deus é Capaz de Guardar-nos de Cair 

A vida de Agostinho foi dilacerada por um amargo conflito que despertou o seu espírito e abalou os próprios fundamentos de sua alma. Em seu coração a vontade de triunfar sobre a impureza batalhava contra o desejo de satisfazer as concupiscências da carne. No meio do seu conflito íntimo, em agonia e desespero, irrompeu dos seus lábios esta estranha súplica: "Dá-me castidade e continência, mas não agora." (Confissões, pág. 140, em inglês).

Um dia, porém, assediado pela perplexidade, clamou em angústia: "Até quando, até quando?... Por que não agora?" (Idem, pág. 147).

Subitamente, pareceu-lhe ouvir uma voz, repetindo: "Tomai-o e lede. Tomai-o e lede" (Ibid.) Ele tomou nas mãos o Livro de Deus e, abrindo-o, leu os primeiros versos sobre que os seus olhos caíram: "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências" (Rm 13:13 e 14).

Estes versos inundaram o coração de Agostinho com abundante luz, e as trevas do pecado foram banidas. Quão surpreendente e extraordinário é o poder transformador do Livro Inspirado!
Os pecados e iniquidades que Paulo enumera em Romanos 13:13 eram comuns em seus dias, especialmente em Corinto, onde a Epístola foi escrita. Corinto sobrepujava todas as outras cidades na prática dos vícios helenísticos. Usando linguagem metafórica, o apóstolo descreve os pecadores tentando ocultar as suas más ações (orgias, bebedices e imoralidade) sob a cobertura da noite. Todavia, ele exorta a nós como filhos da luz a "andar dignamente... como em pleno dia'', manifestando em nosso procedimento uma integridade transparente, demonstrando diante do mundo as virtudes ''dAquele que [nos] chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1Pe 2:9).

Além da Adversidade 

Há também na advertência paulina uma dimensão escatológica que não devemos omitir. Quando Paulo a escreveu, não somente o clima imediato era desfavorável ao Cristianismo, mas os cristãos eram acossados de todos os lados. Eram apenas uma minoria ínfima em um mundo hostil. Contudo, o apóstolo olhava além das adversidades que a igreja enfrentava para o glorioso "dia" (Rm 13:12) do Senhor, o cumprimento da "bendita esperança" (Tt 2:13). Também precisamos viver com esta confiança.

Sim, devemos andar como se a límpida eternidade estivesse perto de nós agora. ''Nossa pátria [grego – "cidadania", "estilo de vida"] está nos Céus" (Fp 3:20). Mas esta cidadania celestial deve ser vivida, demonstrada, testemunhada, primeiramente aqui na Terra.

De modo que, enquanto estamos aguardando o dia do nosso livramento, andemos decentemente, não condescendendo com hábitos de intemperança, satisfazendo a nossa natureza inferior, ou envolvendo-nos em contendas e dissensões, mas vivendo vida sóbria, pura, justa e piedosa.

Conservando o Nosso Corpo Incontaminado 

Nos dias de Paulo os romanos eram inclinados a envolver-se em três grandes pecados, que ele rotulou de "as obras das trevas" (Rm 13:12): glutonaria, bebedice e imoralidade. Como escravos dos seus apetites e paixões, literalmente cavavam sua sepultura com os dentes. Entorpeciam a mente com álcool e manchavam o corpo por meio de condescendências ilícitas. Neste aspecto, que podemos dizer de nossa sociedade hodierna? "O pecado desta geração é glutonaria", diz Ellen White.

"Condescendência com o apetite, eis o deus a que muitos adoram" (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 409). Os supermercados são nosso santuário, e a abundância o nosso credo. Como resultado, a faca, o garfo e a colher se estão tornando as mais perigosas armas de nossa geração.
Aqueles dentre nós que podem comer em excesso sem aumentar o peso, arcam com o mesmo grau de culpa daqueles que têm excesso de peso, como resultado da falta de domínio do apetite. Todos nós devemos examinar-nos a nós mesmos para ver se estamos comendo para a "glória de Deus" (I Cor. 10:31), reconhecendo que o nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Co 3:16).

Muitos cristãos hoje consideram a glutonaria uma fraqueza inofensiva da carne. Alguns até mesmo fazem troça do comer em excesso. Mas em vez de satisfazer os nossos desejos físicos, devemos cair de joelhos em confissão e arrependimento, pedindo a Deus vitória completa sobre nossos hábitos condescendentes.

Enfatizando a importância de manter os nossos desejos físicos sob controle, escreveu o apóstolo Paulo: ''Mas esmurro o meu corpo e o subjugo" (1Co 9:27, RSV). Decidiu que seu corpo com suas necessidade naturais, deveria ser seu servo, não o seu senhor. Deus espera que ten amos a mesma determinação.

Nossos desejos pecaminosos, influenciados pelas muitas tentações que nos rodeiam, são demasiado fortes para nós. Contudo, "uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite . . . é possível a todo aquele que quiser unir a sua vontade humana, fraca e vacilante, à onipotente e inabalável vontade de Deus." (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 170). "A Palavra de Deus coloca o pecado de glutonaria na mesma categoria que a embriaguez (Idem, pág. 133). Ambos são "obras das trevas" e igualmente ofensivos à vista de Deus.

Somos advertidos repetidamente que de que os bêbados não herdarão o reino de Deus (1Co 6:10; Gl 5:21; cf. Lc 21:34). Não é difícil imaginar por que as Escrituras falam tão drasticamente contra as bebidas alcoólicas: elas estão envolvidas na maioria dos homicídios, assaltos, maltrato de crianças, na maioria dos divórcios, acidentes de trânsito fatais – a lista é infindável. Prestamos a nós mesmos e à nossa sociedade um grande desserviço quando zombamos da bebedice ou a tratamos levianamente.
Surpreendentemente, apesar dos devastadores efeitos da bebida, ouvimos vozes dentro da igreja argumentando que beber "com moderação é aceitável. Ellen White discordaria: "O beber moderadamente é uma escola em que os homens estão recebendo uma educação para a carreira de ébrios'' (Temperança, pág. 30). Alguns cristãos podem considerar as normas da igreja neste aspecto como demasiado limitativas, mas não devemos omitir o detalhe de que o princípio de total abstinência que defendemos é uma reação prática à nossa crença de que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo.

Subjugando Nossa Natureza Inferior 

Sabendo que a nossa natureza física e a natureza moral estão intimamente relacionadas, Satanás tenta degradar a natureza física operando habilmente para rebaixar a natureza moral. Glutonaria, bebidas alcoólicas, viver isso dissoluto – eram estes os pecados nos dias de Noé. Eram um constante apelo aos corações libidinosos, voluptuosos, e Satanás de tal maneira assumiu o controle do corpo e da mente de homens e mulheres que suas imaginações tornaram-se continuamente más.

É a situação atual de alguma forma melhor do que era nos dias de Noé?

"A 'explosão sexual' na América, auxiliada par um fluxo constante de impudicos estímulos visuais e verbais em livros, revistas e filmes, está levando mais e mais pessoas a envolverem-se em relações sexuais que transgridem a lei de Deus e criam problemas sociais e pessoais. A liberdade do uso da 'pílula' pelas mulheres não casadas é promovida com mais vigor atualmente do que a importância da castidade pré-nupcial. O homossexualismo é fomentado como um estilo de vida socialmente aceito – não somente pelos desviados, mas por importantes clérigos e engenheiros sociais. O adultério é defendido como uma prática sadia por certos psicólogos" (Christianity Today, 1.º de março de 1985).

O que está acontecendo na América está ocorrendo no mundo inteiro. Líderes do pensamento estão ensinando que a ética, a moralidade é relativa, não absoluta. O humanismo proclama que a espécie humana é apenas animal, e uma geração tem sido encorajada a dar livre expressão aos mais baixos impulsos. Os jovens têm sido ensinados que o que era pecaminoso ontem é aceitável hoje. E o fato de que estas "novas idéias" são apoiadas por influentes líderes religiosos torna-as ainda mais perigosas.

O mundo ao nosso redor está procurando levar nossa mente a conformar-se com sua "nova moralidade", pressionando-nos a comprometer os nossos princípios com a chamada nova "ética de relacionamento sexual".

Mas nesta área a Bíblia não nos permite fazer qualquer tipo de concessão. Do Gênesis ao Apocalipse, ela nos instrui que adultério, fornicação e perversões sexuais são pecado, e as "novas opiniões" que estão sendo atualmente defendidas não minimizam o seu caráter. Em vez de nos conformarmos com os baixos padrões deste mundo, somos aconselhados a andar decentemente (Rm 13:13), pondo nossas afeições nas coisas que são do Céu. (1Co 3:2).

"Não em Contendas e Ciúmes" 

O apóstolo escreveu esta advertência de Corinto, onde a unidade da comunidade cristã fora desintegrada por sérias confrontações. Como resultado de um espírito de contenda, a igreja fragmentou-se em vários grupos, e desenvolveu-se uma hostilidade entre eles.

Preocupado com a situação que estava dividindo os crentes em Corinto, Paulo exortou: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões " (1Co 1:10). Provavelmente foi sua experiência com a igreja de Corinto que o levou a aconselhar os crentes de Roma a ''andar. . . como em pleno dia", evitando o mesmo espírito que estava enfraquecendo a vida e o testemunho da igreja de Corinto, ameaçando sua unidade.

Para neutralizar os perniciosos resultados deste espírito de contenda, temos o antídoto divino: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus'' (1Jo 4:7). O espírito de amor na igreja, oposto a uma disposição de dissentimento, nos levará à unidade e cooperação. Amor e harmonia são os primeiros princípios do governo divino. Nem uma simples nota dissonante desfigura a harmonia do Céu. Este relacionamento celestial é o modelo de unidade para o povo de Deus.

Nenhuma congregação pode crescer, nenhuma instituição prosperar, nenhum lar ser estável, sem a suavizante e modeladora influência do amor e da unidade. Em seu majestoso capítulo que descreve o dom supremo do amor, declara o evangelista das nações: "O amor é benigno e não inveja a ninguém'' (1Co 13:4, NEB). Não constitui exagero afirmar que a inveja é uma das mais cruéis e destruidoras de todas as características humanas.

Foi a inveja que motivou Saul a perseguir a Davi. Inicialmente, o rei estava muito satisfeito com Davi e sua vitória sobre o filisteu Golias. Mas quando ouviu as mulheres de toda a nação cantarem: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares'' (1Sm 18:7), abriu o coração ao espírito de ciúme, que envenenou sua alma. Como rei sobre todo o Israel não podia aceitar que outro recebesse mais honras do que ele. O ciúme penetrou em seu coração, arruinou-o espiritualmente, e mais tarde o derrotou e o destruiu fisicamente.

Em Seus insondáveis propósitos, Deus designou a cada um de nós um lugar na vida. Mas independente de qual seja este lugar, há sempre a tentação de invejar alguém.

"Não invejes um homem quando ele enriquecer" (Sl 49:16, NEB) é a palavra de sabedoria que encontramos em um dos cânticos de Davi. E de sua prisão em Roma, defrontando-se com privações e incertezas, declara Paulo: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação'' (Fp 4:11). Esta é uma boa receita para a cura da enfermidade espiritual da inveja. "A inveja é um dos mais satânicos característicos que podem existir no coração humano", escreveu Ellen White, "e um dos mais funestos em seus efeitos.... Foi a inveja que a princípio causou a discórdia no Céu, e a condescendência com a mesma acarretou males indizíveis entre os homens'' (Patriarcas e Profetas, págs. 402 e 403). Como filhos da luz, somos admoestados a deixar todo o "ciúme, más suspeitas, inveja, ódio [e] malícia" (Testimonies, vol. 2, pág. 516), e servir uns aos outros em amor.

Aventura Conjunta 

No meio de uma geração corrompida, espera-se de nós que andemos decentemente, brilhando como "luzeiros no mundo" (Fp 2:15). Muitos cristãos, entretanto, em vez de viver vida irrepreensível, estão dando mais e mais lugar às más seduções, conformando-se com os padrões do mundo.

Tiago afirma que parte da verdadeira religião consiste em guardar-nos a nós mesmos incontaminados do mundo (Tg 1:27); e Paulo nos exorta a "sair do meio deles [dos incrédulos], e a estar separados" (2Co 6:17, RSV). Como devemos reagir quando nos encontramos cercados de todos os lados pelas tentações de um mundo pecaminoso?

Não é plano de Deus que nos afastemos do contato com os incrédulos. Em vez disto, somos exortados a ser "o sal da terra'' e "a luz do mundo'' (Mt 5:13 e 14). Como é isto possível? "Todo aquele que se acha ligado a Deus, comunicará luz aos outros. Se existir alguém que não tenha luz a comunicar, é porque não tem ligação com a Fonte da luz" (Serviço Cristão, pág. 21).

Quando estamos ligados a Deus pela fé, nossa vida torna-se tão dedicada a Jesus que nossa experiência cristã é transformada em uma aventura conjunta entre nós e o nosso Salvador. Esta experiência é sumariada por Paulo em sua declaração: "Cristo vive em mim'' (Gl 2:20).
Sem Jesus operando em nós, somos incapazes de ser bem-sucedidos em nossas lutas contra nossa natureza má. Mas Ele nos tornou possível andar nas sendas retas e estreitas da justiça com vigor e determinação.

Quando tropeça, uma criancinha que recusa segurar a mão de seu pai pode perder o equilíbrio e cair; mas quando o pai segura sua mão, embora a criança possa ainda tropeçar, ela não cairá. O Senhor nos assegura que, se permitirmos, Ele segurará nossa débil mão enquanto palmilhamos as sendas traiçoeiras de nossa experiência diária, e nos guardará de cair, apresentando-nos "com exultação, imaculados diante da Sua glória" (Jd 24).

Enoch de Oliveira

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