A FUMAÇA DO MALIGNO


A imprensa mundial, no dia 9 de outubro de 1871 anunciava uma das maiores tragédias da História. A imprensa em letras garrafais, dizia: “Chicago completamente em fogo, centenas de mortos, milhares sem lares.”

Foi exatamente no dia 8 de outubro de 1871, uma vaca em um estábulo escoiceou uma lanterna de querosene e a lanterna caiu sobre a palha e esta começou a arder. A seca naquela região havia sido prolongada. A estiagem se havia estendido através de meses e o fogo começou a arder consumindo aquele estábulo. Porém, tangido pelo vento, o fogo foi ganhando novas áreas, áreas mais amplas e mais extensas. O fogo se tornou tão imenso e intensivo que atravessou o próprio rio, atingindo a zona sul da cidade, ao lado oeste, e depois a parte norte de Chicago.

Como resultado eis o trágico saldo: 17.500 edifícios e propriedades ao valor de 240 milhões de dólares foram completamente destruídos. Cerca de 300 pessoas morreram queimadas, e cem mil ficaram sem teto, tendo apenas a roupa do corpo e mais alguma coisa que conseguiram carregar. Eis o poder imenso do fogo, o poder consumidor ruinoso das labaredas.

Nessa mesma cidade de Chicago, mais tarde, no dia 30 de dezembro de 1913, quando estava sendo esperado no Grande Teatro Central a peça: “Mister Barba Azul”, um incêndio misterioso irrompeu nos bastidores do teatro e rapidamente como que por encanto, as labaredas tomaram conta daquele imenso teatro, transformando-o numa horrível câmara letal.

A Tribuna de Chicago declarava no dia seguinte: O incêndio do Grande Teatro Central fez 571 vítimas, 350 feridos. Não houve na História maior tragédia em um teatro do que a ocorrida no Teatro desse país naquele dia fatídico, quando 571 vidas sucumbiram devoradas pelas labaredas destruidoras de um incêndio voraz.

Quão terrível, jovens, prezados irmãos, tem sido nos grandes incêndios a ação nefasta, destruidora e consumidora do fogo. Entretanto, há um fogo que ainda não foi extinto, um fogo que continua ardendo, consumindo cruelmente milhares de vítimas – é o fogo do diabo.

O mundo atual, prezados amigos, está envolto numa letal cortina de fumaça. Esta imensa nuvem de fumaça não provém apenas das chaminés das residências, das fábricas, das locomotivas, dos navios, das crateras dos vulcões, ou dos canos de escapamentos dos automóveis e dos aviões, mas também dos milhares de cigarros, charutos e cachimbos consumidos diariamente.

O fumo não se limita a um país. Não se limita a um continente. Desde as terras congeladas da Groenlândia até às frígidas regiões da Patagônia; desde Londres, a conservadora capital da Inglaterra, até Melbourne na Austrália; de Nova Iorque, a trepidante metrópole dos EE.UU., a Bombaim na Índia; de Vladstock na Sibéria à Brasília – em todas as partes do mundo as ondas e nuvens de fumaça erguem-se incessantemente num culto tributado ao grande e implacável deus, a nicotina.

Mas como, quando e de onde veio este costume, este hábito tão raro, tão singular – a prática do tabagismo?

O tabagismo, prezados jovens e amigos, não nasceu numa cidade culta e civilizada. Quando os espanhóis chegaram à América Latina, então habitada por aborígenes, eles se surpreenderam e se estarreceram, eles se assombraram diante de um quadro novo para eles.

Ali estavam os nativos, pondo fumaça pelos narizes e pela boca. Era algo raro e surpreendente e eles, exploradores, conquistadores sem princípio, levaram para o Velho Continente este hábito, introduzindo no seio da civilização essa prática aviltante e destruidora.

Sir Walter Ralleigh, um dos introdutores da prática do tabagismo na Inglaterra, estava certa vez em seu gabinete de estudos. Era um intelectual. Ele estava fumando, mas o fumo era então desconhecido na Inglaterra. No seu gabinete ele estava lendo e ao mesmo tempo fumando, e a empregada de Sir Walter Ralleigh passou pela porta de seu gabinete de estudos e olhou e se surpreendeu. Um homem quando fumava pelos narizes e pela boca, atraíam os seus olhos.

Ela voltou e contemplou novamente. A fumaça saía pela narinas e assombrada, temendo saiu correndo, ela gritou: “Socorro! Socorro! O meu patrão tanto estudou que a cabeça se lhe pôs em fogo.” E antes que ele pudesse dar qualquer explicação, ela voltou com um balde de água e lançou todo o balde de água na cabeça de Sir Walter Ralleigh para apagar as chamas que ela imaginava existirem na cabeça de seu patrão.

O fumo contraria os hábitos costumeiros, contraria os instintos naturais.

Se contraria os instintos da natureza, perguntamos: Por que fumam os homens? É porventura o fumo um alimento? Que vos parece?

O fumo não tem sabor agradável para aqueles que se iniciam na prática do tabagismo. Ao revés, o fumo suscita náuseas para o iniciante, provoca vômitos e dores de cabeça.

Mas por que então os homens fumam?

Pretendem alguns que nós somos descendentes do macaco. Crêem que somos um chimpanzé aperfeiçoado. Mas os cristãos não cremos numa origem simiesca, a origem do homem. Mas em alguma coisa existe uma aproximação entre o homem e o macaco – no instinto de imitação.

Por que fumam os homens?

Em primeiro lugar, os homens são arrastados, seduzidos pelo desejo de imitar os outros – macaquice.

Em segundo lugar, um jovem pensa que ostentando o cigarro no dedo com seus gestos estudados, ele imagina que com esse cigarro no dedo numa esquina, ele se apresenta mais viril e mais homem. O cigarro é a evidência de sua virilidade.

Pobre juventude! Ele deseja ser livre e emancipado e o cigarro lhe dá esta sensação de liberdade! Agora ele é homem.

Emancipado coisa nenhuma! Agora ele é um escravo. Escravo dessa miséria. Todavia, o jovem pensa que fumando, ele dá evidência de sua varonilidade, de sua masculinidade. E quando verificamos os sodomitas – esses infelizes que por aí existem de sexo indefinido – encontramos que todos eles são escravos da erva maldita.

Por que fuma a senhora? Por que fuma a senhorita? No passado a prática do tabagismo era comum entre os homens e as prostitutas. Era aviltante para a mulher ser flagrada com um cigarro no dedo. Mas hoje os tempos mudaram e existe a impressão de que para ser moderna, para ser aristocrática é necessário a senhorita apresentar-se sofisticada com o cigarro no dedo.

Ora, perguntemos a nós outros: É razoável a prática do tabagismo?

Crêem muitos que o fumo não lhes faz dano algum, porém enquanto assim crêem as mãos tremem. Eles revelam pouco apetite, tossem frequentemente, padecem de insônia, carecem de energias. apresentam-se nervosos, irritadiços, impacientes, tendo memória débil.

O que é o cigarro, amigos? Alguém tentou definir o cigarro da seguinte maneira: “O cigarro é nada mais que um pouco de erva – erva maldita – envolta em um pedaço de papel, tendo de um lado, numa ponta fogo, e na outra ponta um tolo.” Isto é o tabagismo.

E nós encontramos aí pelas residências, pelas ruas, pelas repartições públicas e pelas casas comerciais este fato: Erva envolta em um pedaço de papel, tendo numa extremidade fogo, na outra extremidade um tolo.

O Dr. Linus Pauling, detentor de um prêmio Nobel, afirma o seguinte: “Cada cigarro fumado reduz a vida do homem em 14,5 minutos.” E acrescenta: “Cada maço consumido nesta prática aviltante reduz a vida do homem em 5 horas.”

E o Dr. Jones, da Universidade da Califórnia, afirma que "uma pessoa que fuma 20 cigarros por dia, diminui a vida em sete anos.”

Não se diga que a nicotina é o único veneno que contém esta miséria que aqui vemos. O furfurol, a colidina, o ácido prússico, o monóxido de carbono – todos esses venenos e outros ainda, fazem indigna companhia para a nicotina.

Se os senhores têm um gato, não o vosso gato, o gato do vizinho – um gato inoportuno, irreverente, barulhento e irritante, que perturba as vossas noites e o descanso noturno – e quereis consumir a vida deste gato sem nenhuma prática violenta, procurai prendê-lo num pequeno alçapão, numa pequena armadilha, e depois tomai um cigarro, não mais do que um cigarro, e dissolvei-o numa solução de água, nada mais que isto. E então aplicai com uma seringa uma injeção cutânea neste gato. Vereis que pouco depois ele começará a tremer. Ele começará a revelar alguns transes e, dentro de vinte minutos o gato do vizinho com os seus sete fôlegos, estará duro e deixará de existir. Podem provar o teste, porém não assumo a responsabilidade da experiência.

Mas, meus amigos, por que condenamos a prática do tabagismo?

Os ministros adventistas eram tidos como fanáticos. Os cientistas e médicos adventistas eram tidos como homens por demais puritanos porque insistiam em combater um vício tão inocente e inofensivo.

Quatro médicos, dois da Inglaterra e dois dos Estados Unidos, começaram simultaneamente, em 1954, alguns experimentos de laboratórios e concluíram cientificamente, através de análise demonstradas, que o fumo tem sido responsável pela impressionante incidência de câncer pulmonar, câncer labial, câncer na língua, ou nas vias respiratórias.

E esses quatro médicos afirmaram que nesses nove últimos anos, 300 mil norte-americanos morreram de câncer pulmonar. E desses 300 mil que sucumbiram vítimas do câncer pulmonar, 90% deles foram atingidos pela ação dissolvente da nicotina.

Sim, apesar disso tudo, encontramos as grandes companhias produtoras de cigarro, insistindo numa campanha pertinaz para desmoralizar a ciência, para desmoralizar o pregadores que insistem no combate ao tabagismo. Existe um “trust”, um monopólio organizado para desmoralizar todas essas experiências científicas.

A revista Seleções tomou uma atitude heróica e firme, negando-se em publicar em suas páginas qualquer propaganda de cigarro, uma vez que estava provado há três anos por cientistas idôneos, os malefícios dessa prática – a prática do tabagismo.
Diz a serva de Deus, a pena inspirada:
“O corpo do homem deve ser considerado como uma estrutura maravilhosa, formada pelo Infinito Arquiteto, e dado para ser conservado como harpa de milhares de cordas em ações harmoniosas.”

Senhores, esse é o fogo do diabo que denunciamos nesta eventualidade. Se queremos manter esse corpo sadio e forte e robusto e irrepreensível para a Vinda do Senhor, devemos guardá-lo dessas práticas intemperantes, devemos guardá-lo de todo o vício que milita contra a integridade física, que conspira contra a vitalidade e robustez desse organismo.

Diz o apóstolo S. Paulo (1Co 3:16-18 – RC):
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. Ninguém se engane a si mesmo.”

Prezados amigos, essa maravilha que tanto assombrou o sábio Salomão – esse complexo orgânico – reclama da nossa parte um cuidado especial. Poderemos inflamá-lo, poderemos denegri-lo, poderemos manchá-lo através de práticas viciosas, mas daremos contas a Deus, o Juiz de toda a Terra, pelo comportamento leviano e insensato em relação ao corpo.

Aqui está a prova bíblica, a prova da ciência, incriminando o fumo como um vício digno de ser proscrito.

Ouçamos este testemunho de Pelé sobre o perigo do tabagismo: “Como campeão creio que beber e fumar são hábitos que não cabem no atletismo, porque para triunfar é necessário forma perfeita, e isto não é possível a quem bebe e fuma.”

Todos que quiserem prestar juramento, ponham-se de pé. Não deverá ser um juramento de massa. Se não cremos na miséria do álcool e do fumo, se não cremos na miséria do crime, não juremos diante de Deus e dos homens nesse instante. Aqueles que desejam acompanhar-me nesse juramento, tomem esse cartão e leiam pausadamente comigo. Eu lerei duas ou três palavras e apreciaria que repetissem:
“Reconhecendo a importância de manter o espírito e o corpo nas melhores condições possíveis, a fim de estar à altura das responsabilidades da vida, procurarei com o auxílio de Deus, abster-me das bebidas alcoólicas, do uso do fumo, bem como de qualquer outro narcótico e entorpecente, e tratarei de influenciar outros a fazer o mesmo.”

Senhoritas, jovens, amigos: Pertencemos agora a um exército, empenhados numa luta sem quartel. Lutaremos com a ajuda de Deus, por preceito e por exemplo, contra esses dois flagelos sociais, contra esses dois inimigos do homem: o álcool e o fumo.

ENOCH DE OLIVEIRA

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