10 dicas práticas para dirigir uma comissão de nomeações objetiva e eficiente


Um dos desafios do pastor distrital é dirigir a comissão de nomeações ao fim de cada um ou dois anos. Para muitas igrejas esse pode ser um momento tenso, cansativo e até traumático. Já encontrei em meu ministério pessoas com fobia a comissões, pois já testemunharam grandes disputas e brigas em reuniões tensas e demoradas. Fui pastor de igrejas que as comissões de nomeações chegavam a durar cerca de 6 horas, mas com a metodologia que vou sugerir o tempo caiu para menos da metade e com o resultado satisfatório.

Antes de ir estudar teologia com 17 anos, eu nunca havia participado de uma comissão de nomeações, e creio que isso me ajudou muito, pois me forçou a aprender e desenvolver formas práticas de fazer da comissão de nomeações um momento prazeroso e objetivo de encontrar o lugar certo para cada membro do corpo de Cristo.

A Bíblia compara a igreja com o corpo de Cristo, onde os membros são as pessoas que desenvolvem suas funções para o desenvolvimento do reino de Cristo (I Coríntios 12). O grande objetivo da comissão de nomeações é fazer com que cada membro esteja em seu devido lugar, dentro da realidade de cada igreja, onde nem sempre o ideal será alcançado, como por exemplo, acúmulo de funções.

Meu objetivo com esse artigo não é tratar de questões técnicas do funcionamento ou composição da comissão de nomeações, que está devidamente explicado no Manual da Igreja Adventista, mas compartilhar dez conselhos práticos que aprendi e colecionei em meu ministério.

1- Trabalhe para colocar cada membro do corpo (igreja) no melhor lugar. Um membro inativo ou fora do lugar será negativo para o corpo. Exemplo: uma perna que não se movimenta fará com que a outra trabalhe dobrado, assim acontece na igreja quando uns precisam trabalhar pelos outros.

2- Tente envolver o maior número de pessoas, pois quanto mais gente trabalhando menor será o fardo e não haverá estresse no final do ano por parte de algum líder. Estimule a cada líder de departamento a formar novos líderes e delegar responsabilidades. Quando delegamos responsabilidade também devemos delegar autoridade. Delegar uma tarefa mas não aceitar ser feita diferente do que você mesmo faria não é delegar, é impor sua vontade.

3- Trabalhe com pontos positivos das pessoas e não os negativos. Elogie as características da pessoa que deverá ser indicada em vez de criticar quem não deve ser. Exemplo: alguém indica o João para o ministério da música, mas eu acho que deveria ser o Pedro. Em vez de dizer que o João é desafinado, eu digo que o Pedro seria um bom candidato pois ele é um excelente cantor, e posso até mencionar que o João seria um excelente sonoplasta pois tem muita responsabilidade. Quando eu faço uma comissão sempre deixo claro uma regra: "aqui é proibido falar mal de alguém".

4- Não trate assuntos de comissão de igreja na comissão de nomeações, nesta reunião não é hora de resolver problemas dos departamentos, mas eleger os oficiais. Assim a comissão de nomeações vai durar a metade do tempo que normalmente dura quando não há essa orientação. Deixe claro que assuntos administrativos da igreja serão tratados em outra reunião e você como presidente da comissão de nomeações vai ter que interromper várias vezes para não deixar com que outras questões tomem tempo. Aqui está o segredo para as nomeações durarem a metade do tempo.

5- Observações, críticas ou problemas que impeçam alguém de assumir o cargo devem ser feitos em particular antes ou depois da reunião direto com o pastor. Não peça para ninguém sair para observações, pois certamente ela ficará sabendo quem e o que foi dito sobre ela, isso gera problemas de relacionamento que vão causar marcas duradouras e traumas.

6- Prefira o voto aberto, deixe o voto secreto para situações específicas em que há mais de um candidato a um cargo. Elegendo um diretor de departamento, peça para que ele indique seus associados, pois assim ele poderá formar sua equipe e terá mais chances de comprometê-los. Não vejo problemas se pastor também indicar nomes, de forma cuidadosa e responsável.

7- Não é errado alguém se oferecer para um cargo, estimule isso, pois vai gerar comprometimento e a certeza que o membro está na função certa. Deve haver um espírito cordial nesta reunião, a ponto de mostrar que uma pessoa fará um melhor trabalho em determinado departamento. Pessoas amigas de contendas não devem ser indicadas para trabalhar nas nomeações e não aceite reações emocionais desequilibradas.

8- Indicar somente quem estiver apto, fiel e com bom testemunho. Não se nomeia alguém como incentivo de frequência ou para melhorar a vida espiritual, mas para envolvê-la no corpo da igreja. Quando alguém for indicado e houver observações, que seja feita depois em particular com o pastor. Ninguém precisa ser exposto nessa reunião.

9- Vote para dois anos sempre que possível. Observe que os cargos eletivos no mundo político e religioso têm prazos de 4 a 5 anos. Um ano pode ser pouco para um membro aprender, ser capacitado e desenvolver um projeto mais arrojado. Explique que se escolherem por dois anos, no final do primeiro ano poderá ser feita uma reunião da comissão da igreja para avaliar e reestruturar as funções. Para essa reunião alguns membros que não participam da comissão poderão ser convidados e devidamente votados para participarem.

10- Time que está ganhando não se mexe! Essa máxima tem sua verdade e há muitos departamentos que o ideal é manter sempre que possível. Todavia, o bom líder é aquele que está sempre preparando um sucessor.

Enfim, minha sugestão é que o pastor invista um tempo antes da comissão de nomeações apresentando esses conselhos, eles vão te ajudar a economizar muito tempo no andamento da reunião. Some a eles o fruto da sua própria experiência, tudo isso para tornar essa reunião um momento espiritual onde a paz de Cristo reine e não haja discórdias e confusões, que desonram o nome de Deus. Ainda continuo aprendendo, mas uma coisa eu já tenho certeza, em certos momentos nenhuma regra suplanta da direção divina, ore sempre por isso.


Yuri Ravem, mestre em teologia (Unasp), é pastor do distrito do Jd. Novo 2 em Mogi Guaçu, SP.

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