quarta-feira, 23 de outubro de 2013

SALMO 12: O CONTRASTE ENTRE AS PROMESSAS HUMANAS E DIVINAS


Para o mestre de música. Em oitava. Salmo davídico.

1 Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel;
    já não se confia em ninguém entre os homens.
2 Cada um mente ao seu próximo;
    seus lábios bajuladores falam com segundas intenções.
3 Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores
    e a língua arrogante
4 dos que dizem: “Venceremos graças à nossa língua;
    somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?”
5 “Por causa da opressão do necessitado
    e do gemido do pobre,
agora me levantarei”, diz o Senhor.
    “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.”
6 As palavras do Senhor são puras,
    são como prata purificada num forno,
    sete vezes refinada.
7 Senhor, tu nos guardarás seguros,
    e dessa gente nos protegerás para sempre.
8 Os ímpios andam altivos por toda parte,
    quando a corrupção é exaltada entre os homens.
                                                                        (Salmo 12, NVI)

Neste inspirado cântico são colocadas as palavras de Deus em contraste agudo com as palavras de homens. Davi, o rei de Israel, começa com um insistente clamor, "Salva-nos, Yahweh!”, porque o povo ao seu redor não era mais fiel ou “religioso". "O fiel" desapareceu; a decadência geral começou. Elias faz a mesma queixa ao dizer, "Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me" (1 Reis 19:10, NVI). Davi explica por que ele precisa da ajuda de Deus: ele ouve ao seu redor só falsa conversa, conversa de duplo sentido, e palavras ostensivas (vv. 2-4).

Ele menciona especialmente lábios mentirosos e lisonjeiros. Eles falam a ele com um "coração dividido" (RSV). Poder falar é um grande dom de Deus. O dom da fala é dado ao homem para capacitá-lo a expressar-se, comunicar-se com os demais, e, acima de tudo, falar com Deus, louvá-Lo por Sua bondade e por todos os Seus atos. Poder falar tais palavras que correspondem à realidade dentro e ao redor de nós, é um talento, uma maravilha, uma licença ao homem. O que um fato chocante de que o homem pode mentir, pode falar inverdade e de fato o faz, isso ele pode inconscientemente e mesmo deliberadamente distorcer a realidade criada em suas palavras. Tal decepção é rebelião contra Deus. Então homem não só cria outro mundo que aquele que Deus fez – um mundo em qual não há ordem – mas ele também destrói todo tipo de companheirismo, porque "companheirismo não pode existir a menos que esteja baseado na verdade" (A. Weiser). Spurgeon disse corretamente, "Pode-se ser melhor entre leões do que entre mentirosos." É preciso o auxílio especial de Deus para lidar com os mentirosos e lisonjeiros.

Cada um mente ao seu próximo;

    seus lábios bajuladores falam com segundas intenções
                                                    [coração "dividido". RSV].
                                                                   (Sal. 12:2, NVI)

Literalmente o verso 2 declara: "Eles falam com um coração e um coração" que significam "mente dupla" uma exibição de duas faces. Tiago explica: "Homem de mente dividida é inconstante em todos os seus caminhos" (James 1: 8). Phillips traduz: "Um homem de lealdade dividida revelará instabilidade em toda a volta". Davi os conheceu. Perceptivamente ele descreve o caráter de tal uma pessoa:

Macia como manteiga é a sua fala,
    mas a guerra está no seu coração;
suas palavras são mais suaves que o óleo,
mas são afiadas como punhais
                                         (Sal. 55:21, NVI)

Com palavras as pessoas podem pretender ser algo diferente do que elas são realmente em seus corações. Tudo começou no princípio com as mentiras do arquienganador no paraíso (João 8:44). Culminará no futuro com as reivindicações exaltadas do anticristo (Dan 7:20, 25) e do "falso profeta" (Apoc. 19:20).

Depois da súplica para ajuda (v. 1) e uma lamentação (v. 2), Davi continua imediatamente com sua petição que Deus pode cortar lábios enganosos e cada língua jactanciosa:
Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores
    e a língua arrogante
dos que dizem: “Venceremos graças à nossa língua;
    somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?”
                                                                              (Sal. 12:3, 4)

Nestes palavras o quadro dos ateístas alcança seu clímax. Aponta à raiz de suas palavras mentirosa e ostensivas: o espírito de revolta e deificação própria. Ele expõe a atitude interna do orgulhoso. Eles falam em extrema confiança própria. Eles não reconhecem nenhum Senhor ou mestre acima deles próprios, nem mesmo Deus. Um quadro mais elaborado do homem ímpio é dado no Salmo 10:

Ele se gaba de sua própria cobiça e,
    em sua ganância, amaldiçoa e insulta o Senhor.
Em sua presunção o ímpio não o busca;
    não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos.
pensando consigo mesmo: “Nada me abalará!
    Desgraça alguma me atingirá,
nem a mim nem aos meus descendentes”.
                                                       (Sal. 10:3, 4, 6, NVI)

Esta é a essência de pecado. Homem quer governar-se a si mesmo! O poder da língua é uma expressão do coração e da vontade. Pode causar resultados devastadores, como Tiago enfatiza:

Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno (Tia. 3:5, 6).

Os lisonjeiros lisonjeiam a outros, os ostentadores lisonjeiam-se a si mesmos. Essa é a razão de eles serem classificados juntos como um grupo de pecadores no Salmo 12. Davi tenta mover Deus a agir. Só Ele pode silenciar as reivindicações dos ostentadores. Responde o Senhor à súplica dele?

“Por causa da opressão do necessitado
    e do gemido do pobre,
agora me levantarei”, diz o Senhor.
    “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.”
                                                       (Sal. 12:5, NVI)

A reação divina é certa. Possivelmente um sacerdote no Templo falou estas palavras de esperança por libertação. A oração por ajuda (v. 1) é respondida em linguagem significante: “ ‘Agora me levantarei’, diz o Senhor.” (vs. 5). Estas palavras indicam que Deus é movido a atuar. Dez outros salmos usam esta expressão com o mesmo propósito, como mostram alguns exemplos:

Levanta-te, Senhor!
Salva-me, Deus meu!
                   (Sal. 3:7)
Levanta-te, Senhor, na tua ira;
    ergue-te contra o furor dos meus adversários.
Desperta-te, meu Deus! Ordena a justiça!
                                                             (Sal. 7:6)
Levanta-te, Senhor! Não permitas que o mortal triunfe!
    Julgadas sejam as nações na tua presença.
                                                                      (Sal. 9:19)
Levanta-te, Senhor! Ergue a tua mão, ó Deus!
    Não te esqueças dos necessitados.
                                                  (Sal. 10:12)
Deus responde "agora" à oração do rei com estas palavras: "Eu os protegerei daqueles que os difamam" (v. 5, New International Version) ou na equivalente em português: “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.” (v. 5, NVI). Spurgeon comenta: "Nada move um pai como os gritos de seus filhos."

O Pai celeste ouve cada gemido e soluço de Seus filhos. Antes mesmo de eles falarem, Ele ouve o seu lamento. Ele lê o desejo não expresso do coração. Jesus ouviu a silenciosa oração por ajuda dos corações dos endemoninhados no país dos gadarenos quando Ele esteve diante deles. Ele os libertou, apesar das palavras de ira e rejeição que vieram de seus lábios (Mat. 8:28-34).

A extremidade do homem sempre é a oportunidade de Deus! Quando Deus Se "levanta", Sua ajuda é enviada imediatamente. A resposta de Deus ao grito de Davi por ajuda não é apontada à destruição do ímpio, mas antes à salvação e proteção dos oprimidos: “Eu lhes darei a segurança . . . .” Não é descrito como isto foi efetuado na realidade. A ênfase sempre está no fato de que Deus responde as orações de súplica e que Ele liberta do mal. Esta é a mensagem de esperança para todos os que sofrem dos mesmos males de calúnia e falsas acusações hoje.

As palavras do Senhor são puras,
    são como prata purificada num forno,
    sete vezes refinada.
                                              (Sal. 12:6)

As "promessas" do Senhor – como a RSV traduz "palavras" no verso 6 – é a resposta de Deus às palavras ostensivas do homem. Todas as promessas e palavras de Deus são puras – como prata "purificada sete vezes" – quer dizer, completamente verdadeiras e fidedignas, sem a escória da mentira ou conversa dobre. As promessas de Deus são a base das ações de Deus. Eles são em princípio o todo. "Com relação a Deus verdade e realidade não diferem" (A. Weiser). Como podemos estar certos disto, de forma que possamos confiar nas promessas de Deus? Deus não é mentiroso. Ele mantém Sua palavra. Ele é fiel à Sua aliança. A história demonstrou isto repetidas vezes, mas em uma sentido especial e absoluto em Jesus Cristo. O apóstolo João declara:

Nós aceitamos o testemunho dos homens, mas o testemunho de Deus tem maior valor, pois é o testemunho de Deus, que ele dá acerca de seu Filho. Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho. E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. (1 João 5:9-11, NVI).

Davi encontra sua segurança temporal e eterna nas promessas do Senhor:
Senhor, tu nos guardarás seguros,
    e dessa gente nos protegerás para sempre.
Os ímpios andam altivos por toda parte,
    quando a corrupção é exaltada entre os homens.
                                                     (Sal. 12:7, 8, NVI)

Mitchell Dahood traduz estes últimos versos do Salmo 12 como segue:
Tu, ó Yahweh, nos tens protegido,
    tu nos tens guardado da eternidade, Ó Eterno.
Em todo lado o ímpio espreita
    cavando abismos para os filhos de homens.
(Salmos I, The Anchor Bible)

Nestes palavras impressionantes o poeta apela aos anteriores atos de libertação de Deus como motivo para sua súplica por ajuda em sua presente dificuldade. O crente cristão tem uma nova razão para confiar nas promessas da aliança de Deus. Eles são perfeitamente cumpridas na vida, morte, e ressurreição de Cristo (veja abaixo, em Salmos 22; 24; 110). Os que, pela fé em Cristo, são contados por Deus como estando "em Cristo", podem com mais segurança apelar às promessas divinas.

Há um contraste infinito entre a promessa do homem e a promessa de Deus. Só a palavra de Deus verdadeiramente conforta, porque é absolutamente fidedigna e efetiva em Cristo. Cristo é chamado "Fiel e Verdadeiro " (Apoc. 19:11) e o Seu nome é "a Palavra de Deus" (Apoc. 19:13). Sus palavras não são Suas próprias palavras, mas palavras que Ele recebeu de Deus o Pai:
"Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer”. (João 12:49, 50).

Uma das maiores e mais significantes palavras de Cristo foi: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Esta é a mensagem de evangelho da verdade que libertará o homem de medo e escravidão, e da própria morte. Para Maria, a irmã de Lázaro, Ele declarou solenemente: “ ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?’ Ela lhe respondeu: ‘Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo’ ”. (João 11:25-27, NVI). Esta resposta de fé é a resposta do Israel espiritual. Também é a resposta apostólica, porque Paulo declara:

Pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o “sim”. Por isso, por meio dele, o “Amém” é pronunciado por nós para a glória de Deus. (2 Cor 1:20).

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...