sexta-feira, 20 de setembro de 2013

SALMO 12 - A MAIOR NECESSIDADE DO MUNDO

Davi clama a Deus: “Socorro, Senhor!” (v. 1). Outras versões dizem: “Salva-me, Senhor!” Davi não pede por salvação do seu pecado, mas do pecado dos outros. De fato, ele está pedindo mesmo é socorro, em um tempo difícil de se viver.

E Davi clama por socorro. Com efeito, quando estamos em dificuldade, temos que clamar a Deus. Clamar é uma ação muito mais intensa do que simplesmente pedir. Temos na Bíblia muitos exemplos de pessoas que clamaram a Deus e foram atendidas em suas orações. Ana estava angustiada porque a sua esterilidade não só a impedia de ter filhos, mas provocava o escárnio e o desprezo. Então, ela clamou ao Senhor e obteve a bênção de um filho que se tornou um grande homem de Deus.

Pedro estava afundando em meio a uma grande tempestade no mar da Galileia, quando ele clamou a Jesus Cristo, fazendo a oração mais curta do Evangelho, ao proferir as palavras: “Salva-me, Senhor!” E a mão socorredora de Jesus Cristo se estendeu e Ele salvou aquele pescador duvidoso. E aqui temos a oração mais curta dos Salmos: “Socorro, Senhor!”

I – CARÊNCIA DE HOMENS

Por que clama Davi? “Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Este lamento nos faz lembrar de Elias, depois de ameaçado por Jezabel, quando aparentemente desamparado, fugiu para o deserto, e depois caminhou por 40 dias e 40 noites até o monte Horebe, o monte de Deus (1Rs 19:8). Então passou a noite em uma caverna onde ouviu a voz do Senhor que lhe falou: “Elias, que fazes aqui?” Ele respondeu de imediato: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (v. 10). No conceito de Elias, faltavam os homens piedosos e fiéis. E do mesmo modo, Davi lamentava.

O que são “homens piedosos”? A palavra original do hebraico dá a conotação de pessoas que tem um bom relacionamento com Deus. Em Português, temos o mesmo significado, adicionado ao outro sentido de pessoas que têm pena, dó, piedade diante da miséria dos outros. Pelo contexto, os dois sentidos são necessários. Mas é claro que aqueles que têm um bom relacionamento para com o seu Deus, terão piedade, misericórdia e hão de ajudar aos menos favorecidos. Mas a falta do segundo significado é causado pela falta do primeiro: quando não temos uma boa relação com Deus, então, seguramente hão de se manifestar todas as maldades próprias à natureza humana.

A outra carência é de “homens fiéis” que desapareceram, conforme lamenta o salmista. Um homem fiel de acordo com o termo original é um homem estável, que permanece firme, digno de confiança. Falta de fidelidade é algo que se observa facilmente entre os filhos dos homens. Faltam homens fiéis, estáveis, dignos de confiança. Proliferam como cogumelos, mesmo entre muitos “cristãos”, os homens em quem não se pode confiar.

“Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Esta é a grande questão: Onde estão os homens piedosos, justos? Onde estão os homens verdadeiros e honestos? Davi estava vivendo em um tempo de perigo. Não por causa do tempo em si mesmo, mas por causa dos homens. Ele não sofria por causa de calamidades temporais, tempestades. Não havia terremotos, furacões, ciclones ou enchentes. O problema eram os homens: havia uma grande carência de homens piedosos, justos e verdadeiros.

Paulo, por sua vez, fala de um tempo difícil, não por causas naturais, mas por causa da falta de homens honestos e fiéis: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (2Tm 3:1-5).

Mas, qual era o problema que provocou a angústia de Davi? Disse o salmista, inconformado com a sociedade dentre os filhos de Israel, considerados o povo de Deus: “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido... língua que fala soberbamente.” Aqui temos 4 pecados graves que se destacavam no caráter desses homens:

1) Falsidade. Davi disse que os homens falavam com falsidade uns para com os outros. E podia confirmar o pensamento do Pe.

Antônio Vieira: "O caminho da verdade é único e simples; o da falsidade, vário e infinito." Este grande pregador também lamentava em seu tempo a falta de homens verdadeiros e honestos. Como disse Renato Russo: “Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.” Muitos hoje falam com falsidade para com o semelhante, como se nada fosse lhe acontecer. Mas o grande engano dos enganadores é desconsiderar que eles fatalmente também serão enganados. E isso pode ser muito danoso, sem pensar na parte espiritual.

2) Bajulação. É o que também acontecia naquele tempo e em nosso. Disse Davi: “falam com lábios bajuladores... Corte os Senhor os lábios bajuladores...” (v. 2,3). Bajular é lisonjear, é elogiar com excessos e afetação, é adular visando às vantagens e recompensas. Mas dá para perceber quando alguém elogia com más intenções. "A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana." (Duque de La Rochefoucauld). E é por isso, pela vaidade humana de ser glorificado, que cresce a corda dos bajuladores.

3) Hipocrisia. Davi condena também a hipocrisia, afirmando que os infiéis falavam com o “coração fingido” (v. 2). O original diz: “com um coração e um coração” querendo dizer dois corações contrários; tais homens de mente dúbia não são confiáveis. A hipocrisia é o seu recurso habitual. Por exemplo, uma amizade fingida: “A amizade? Desaparece quando o que é amado cai na desgraça ou quando o que ama se torna poderoso.” (François René). Muitas vezes isso acontece; há muitas pessoas que confundem amizades verdadeiras com amizades interesseiras.

4) Orgulho. Davi continua em sua prece e pede a Deus que corte “a língua que fala soberbamente”. E ele exemplifica o que estava acontecendo. Esses ímpios diziam: “Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós?” (v. 3,4). No passado, o faraó egípcio disse estas mesmas palavras, referindo-se a Deus: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz ...? Não conheço o Senhor...” (Êx 5:2). Orgulho é um defeito pecaminoso do coração que se extravasa na língua. Faraó podia proferir qualquer palavra presunçosa, mas logo estaria destruído, porque palavras orgulhosas apenas indicam o pecado de um coração rebelde. Mas a arrogância e altivez dos homens serão abatidas (Is 2:17).

5) Opressão. Davi ainda fala dos pecados desses homens ímpios: “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” (v. 5). Eles oprimem aos que não podem falar por si mesmos. Eles estão em silêncio a fim de que a sua defesa não se torne a sua ofensa e culpa. Mas estão clamando e gemendo ao Senhor para que sejam libertos. Deus mesmo toma nota desse estado de coisas injustas contra os que são oprimidos porque são pobres.

Com efeito, quais são os problemas do nosso mundo? Se perguntarmos a algum homem pensante: "O que faz com que os tempos sejam maus, difíceis?" Eles nos dirão que a escassez de dinheiro, a desonestidade do comércio e as angústias da guerra fazem com que os tempos sejam ruins. As calamidades, terremotos e tsunamis – tudo isso torna os nossos dias em tempos difíceis. Porém, as Escrituras atribuem a raiz dos males dos tempos a causas diferentes: faltam os homens verdadeiros. Virão tempos perigosos porque o pecado abundará, e Davi já se queixava disto, em seus dias. Quando a piedade se deteriora, os tempos são realmente maus.

Abraão foi visitado por três anjos, e um deles era o próprio Senhor, que lhe trouxe a grande notícia de que, depois de um ano, Sara haveria de ter um filho dele. Mas Sara, que ouvira da porta da tenda, riu-se dessa notícia, imaginando a impossibilidade de tal coisa se cumprir. E o Senhor perguntou: “Por que se riu Sara, dizendo: ‘Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha?’ Acaso, para o Senhor há coisa demasiado difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho.”

Então, o que você acha que aquela mulher do grande patriarca Abraão falou? Ela veio se ajoelhar e louvar a Deus, reconhecendo o seu erro e pedindo-Lhe perdão, e agradecendo ao Senhor por tão maravilhosa notícia? Não foi isso que aconteceu; antes note o que ela teve a coragem de fazer: “Então, Sara, receosa, o negou, dizendo: Não me ri. Ele, porém, disse: Não é assim, é certo que riste.” (Gn 18:12-15). Lá se encontrava uma mulher “justa”, que temendo por sua honra, usou de falsidade diante do próprio Deus que vê e ouve a todas as coisas, até as que estão escondidas, quer sejam boas quer sejam más.

E eles se levantaram para prosseguir viagem rumo à cidade de Sodoma, e Abraão os acompanhou até certo ponto, a fim de encaminhá-los. E o Senhor lhe falou a respeito da destruição daquela cidade ímpia, em virtude da gravidade dos seus pecados. E foram-se os três homens-anjos. Mas Abraão ficou em uma profunda angústia, e se aproximou de Deus e lhe falou: “Senhor, destruirás o justo com o ímpio? Se houver, porventura, 50 justos na cidade, destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos 50 justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”

E diante deste apelo tão convincente, Deus lhe deu uma resposta cheia de misericórdia, dizendo que pouparia a cidade nessas condições, por amor aos 50 justos que porventura houvesse na cidade. Mas Abraão continuou a interceder e fez várias outras tentativas, na suposição de haver em Sodoma 45, 40, 30, 20, até que finalmente chegou aos 10 justos. Deus lhe deu a mesma resposta: “Não destruirei Sodoma por amor dos 10.” E Abraão teve que se calar, porque não havia nem 10 justos naquela ímpia e condenada cidade, embora muito populosa. Onde estão os justos, homens fiéis, verdadeiros e tementes a Deus? Assim pensava Abraão (vs. 22-33).

O profeta Jeremias escreveu estas palavras de Deus: “Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade! E Eu lhe perdoarei a ela” (Jr 5:1). Deus estava procurando apenas um justo na cidade de Jerusalém; se Ele o encontrasse, pouparia a cidade da destruição vindoura pelos exércitos de Babilônia. Onde estão os justos, os fiéis e verdadeiros? Assim dizia Deus.

E Jeremias pensava que os insensatos eram apenas os pobres, porque não tinham o conhecimento de Deus. Então, ele se dirigiu aos grandes da nação e se decepcionou porque aqueles líderes que conheciam o caminho do Senhor rejeitavam a Sua palavra e endureciam a sua consciência, “porque as suas transgressões se multiplicaram, se multiplicaram as suas traições” e falsidades. (v. 5,6). “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta Casa que se chama pelo Meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!” (Jr 7:9-10). E Deus procurava um homem justo ao lado do profeta Jeremias, nas ruas daquela condenada cidade.

Diógenes de Sínope (412-323 a.C.) era um filósofo grego desterrado de sua pátria que fora morar em Atenas. Diz-se que ele perambulava pelas ruas da cidade com um lamparina em suas mãos em pleno dia. Perguntaram-lhe: “Diógenes, por que você carrega essa lamparina, em pleno sol do meio-dia?” Ele respondeu prontamente: “Eu procuro um homem!” Ele procurava um homem honesto, verdadeiro, sincero, alguém em quem ele pudesse confiar! Esta é a maior necessidade do mundo.

Disse E. G. White: “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” (E.G.White, Educação, 57). O profeta Jeremias procurava um homem; Davi lamentava a carência de homens retos e justos. Diógenes com a sua lamparina procurava um homem. E Ellen White diz que esta é a maior necessidade do mundo.

II – INTERVENÇÃO DIVINA (v. 5)

Estas são as palavras de Deus, em resposta à necessidade de homens justos, e em contemplação da “opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” esquecidos: “Eu me levantarei agora, diz o Senhor; e porei a salvo a quem por isso suspira.”

Esta é a grande promessa divina de Sua intervenção. Deus não pode ver o mal sem tomar providências redentoras. Os atos de Deus são atos de salvação pelo Seu povo oprimido. Ele promete Se levantar. Esta é uma linguagem figurada que indica uma reação de Deus diante da opressão do Seu povo. Ele Se levantou quando o povo de Israel estava sendo oprimido no Egito. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido na Palestina pelos cananeus e enviou a muitos juízes libertadores. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido pelos babilônios, e enviou a Ciro para libertá-los.

Mas Ele também Se levantou para salvar a humanidade inteira e enviou a Jesus Cristo para libertar-nos do pecado. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16).

Certa noite João Wesley estava a caminho de casa, voltando do trabalho. Na estrada, apareceu dentre as trevas um homem, exigindo-lhe bruscamente o dinheiro ou a vida.

– Meu amigo, – disse Wesley bondosamente, enquanto lhe entregava o que tinha – talvez um dia o senhor deseje abandonar essa vida. Quando chegar esse tempo, lembre-se disto: "Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores" e: "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado".

Anos mais tarde estava Wesley cumprimentando o povo, à porta da igreja. Um membro se lhe aproximou e lembrou-lhe aquele incidente. Wesley bem se recordava do fato.

– Fui eu aquele salteador – disse o homem, humildemente. – As palavras que o senhor me disse nunca mais me abandonaram. Minha vida foi transformada completamente! Descobri que de fato Jesus Cristo pode salvar o mais vil pecador.

O amor e a salvadora graça do Salvador convencem e convertem o mais indigno dos homens! E através dos séculos Ele tem trazido vida e esperança a milhões de pessoas que para Ele ergueram os olhos.

III – CERTEZA LIBERTADORA (6-7)

1 – Certeza de Davi para os homens. Com efeito, podemos confiar na promessa de Deus de que nos porá a salvo, a nós que suspiramos por isso (Sl 12:5), e “gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8:23). E como podemos ter essa confiança? Como podemos ter essa fé? Como podemos ter esta certeza? O salmista nos responde a esta pergunta não formulada em seu salmo, dizendo: “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes.” (Sl 12:6).

Ou seja, embora os homens falham em sua palavra, sendo falsos, bajuladores, hipócritas, pretensiosos e opressores, Deus é fiel e cumpre a Sua palavra que é santa, justa e boa. É a pureza de Sua Palavra que nos transforma e salva. É pela Sua Palavra de pureza que somos animados a ter fé nEle, como disse o apóstolo Paulo: “a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Cristo” (Rm 10:17).

2 – Certeza de Davi para Deus.  Mas, se antes Davi falou para homens, e deu o seu testemunho acerca da Palavra de Deus, agora, ele fala para Deus sobre a certeza que ele tem de que crê na Sua intervenção salvadora: “Sim, Senhor, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre.” (Sl 12:7-8).
Davi fala para Deus sobre a sua fé em Sua libertação: “Sim, Senhor, Tu nos guardarás!” Faz muito bem à nossa alma falar de Deus para Deus! E Ele também Se compraz em nos ouvir falar de nossa fé nEle para Ele. Quando a alma está em angústia, deve clamar a Deus, como Davi fez no início do salmo, em sua queixa; mas não ficaremos só em queixas e lamentações, à procura de homens fiéis, mas vamos além disso, da dúvida para a fé, dizendo a Deus que nós cremos nEle, e que não estamos decepcionados com Ele, embora estejamos decepcionados com os homens.

Quando Elias estava no monte Horebe lamentado a falta de homens fiéis, justos e retos, dizendo que só restava ele, que havia ficado só no caminho da justiça, e ainda procuravam caçar a sua vida, Deus lhe deu uma resposta consoladora: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” (1Rs 19:18). Pode ser que as nossas lamentações devam ser substituídas por louvores e declarações de fé para Deus ao dizermos: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!”

CONCLUSÃO (v. 8)

Vivemos em um mundo terrível, em que “por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.” Há um aumento de crimes e criminosos; há uma proliferação de lugares contaminados por homens perversos e maus, prontos para eliminar a vida por qualquer motivo. Há uma inversão de valores, em que a vileza é exaltada, o crime levanta a sua hedionda cabeça, a depravação é elogiada, e parece que ninguém atenta para isso e a justiça anda tropeçando pelas praças.

Entretanto, há uma grande multidão de homens e mulheres dos quais o mundo não é digno, que se levantam em suas preces para louvar a Deus e dizer: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!” Estes são os verdadeiros e justos, que não dobraram os seus joelhos a Baal, nem aos deuses modernos da televisão, nem à Babilônia “cristã”.

Sim, existe uma multidão de cristãos, “homens que não se compram nem se vendem; homens que no íntimo da alma são verdadeiros e honestos; homens que não temem chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência é tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permanecem firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Estes são os escolhidos de Deus. Agora, só uma pergunta: Você é um destes? Você é um escolhido? Você tem certeza de que anda no caminho da justiça e da retidão?

Você pode dizer a verdade ainda que seja ameaçado pelos ímpios?  Há muitos anos, certo jovem prestava serviço no Exército Confederado do Sul, nos Estados Unidos. Estava sob as ordens do general Robert E. Lee e sentia-se muito orgulhoso dele. Certo dia, esse jovem recebeu a notícia que sua mãe estava muito doente. De modo que pediu licença ao general Lee para visitá-la. O general lhe deu uma ordem escrita e lhe sugeriu que se vestisse à paisano, porquanto sua casa se encontrava muito perto da linha de combate.

Com toda pressa o soldado começou sua viagem. Finalmente, conseguiu divisar seu querido lar. Mas, para sua decepção, notou que vários soldados da União interceptaram o seu caminho. Pôde ver sua casa à distância. Os inimigos não demoraram em prendê-lo e levá-lo perante o comandante do acampamento dos soldados da União, onde tremulavam as bandeiras com a brisa, e havia soldados por todas as partes.

Se ele dissesse que se simpatizava com os do norte, talvez o teriam deixado ir livremente; se dissesse que era do Sul, provavelmente o levariam a um acampamento de prisioneiros.

- Quem é o você? - interrogou o oficial.
O jovem hesitou. Então pensou no seu general, e serenamente, levantando a cabeça orgulhosamente, disse:- "Sou um soldado confederado sob o comando do general Lee."
- Então, você é um espião. Será fuzilado ao amanhecer. Soldados, levai-o daqui!
- Mas, senhor, não sou um espião. Estou usando roupas civis, porque fui dispensado, vou ver minha mãe, doente, mora no fim desta rua.
- Revistam-no! - foi a ordem do oficial. Assim o fizeram, encontraram só a ordem do general Lee para visitar sua mãe. Era um momento de angústia; o oficial examinava o pedaço de papel. Finalmente disse:         -"Parece que você está dizendo a verdade. Além disso, não se envergonha de sua causa. Por estas duas razões ponham-no em liberdade."

Temos certeza de que a nossa libertação é “para sempre”. Nossa suprema esperança é a vida eterna. Em uma vida tão fugaz, hoje, podemos nos preparar a fim de sermos fiéis ao dever como a bússola é fiel ao polo. Podemos afinar a nossa consciência para ouvir a voz de Deus em meio ao vozerio carnavalesco de um mundo que se encaminha para a perdição! Como está a sua consciência, amigo? Você tem uma certeza eterna?

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

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