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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ENVOLVA-ME, PARA QUE EU ENTENDA


(Evangelismo só existe onde existe comunicação. A comunicação existe somente quando existe envolvimento)

Comunicação é envolvimento

A impressão que temos das pessoas que não conhecemos é a de que elas são diferentes, às vezes ameaçadoras. Mas à medida que nos tornamos conhecidos e familiarizados com elas, ficamos espantados ao descobrir quão semelhantes nossas necessidades e medos são. Desconhecidos tornam-se amigos através de um crescente e permanente envolvimento. Um viajante afirma: “O difícil acesso às pessoas do Oriente é, creio eu, um mito ... O habitante comum dessa região é incompreendido somente às pessoas que nunca se preocuparam em ter alguma coisa em comum com ele” (Dame Freya Stark, The Journey’s Echo, 26).

Aqueles a quem fomos ensinados a não gostar ou mesmo odiar, são mudados à nossa vista para “pessoas boas” quando compartilhamos as mesmas atividades. A cada quatro anos, nos Jogos Olímpicos, os atletas amam conhecer competidores de nações que normalmente são consideradas “inimigas”. Um ator árabe, em um restaurante no Oriente Médio escolheu um estudante judeu para que participasse com ele de algumas cenas. Com sorrisos alegres eles terminaram a peça juntos. Ambos estavam envolvidos com os resultados de um pequeno sucesso, muito embora seu povo tenha lutado inúmeras vezes através dos séculos.

Foi perguntado a um jovem cristão no Sudão o que faria se encontrasse alguma pessoa de uma tribo inimiga pelo caminho, ferida e necessitada.
— Eu a mataria — ele respondeu imediatamente.
— O que você faria se encontrasse este homem? — esse senhor perguntou apontando para um de seus colegas de trabalho que pertencia a essa mesma tribo inimiga.
— Eu o ajudaria, naturalmente.
— Mas por que você mataria aquele e não este?
— Eles são diferentes
A única diferença era que esse jovem estava envolvido com este e não com aquele:
A chave para entender cada caso é o envolvimento, compartilhar alguma coisa. Ter essa “unidade, comunhão” é a base da comunicação. O envolvimento é inseparável da comunicação, assim como a própria raiz da palavra mostra.

A palavra raiz é communis

Dessa raiz vêm muitas outras palavras

  • — comum
  • — comuna
  • — comunidade
  • — comunismo
  • — comunhão
  • — comunicação

Ter em comum – compartilhar as mesmas coisas. Comunidade significa compartilhar o mesmo espaço geográfico ou os mesmos interesses. Com comuna [CO.MU.NA s.f. 1. Na Idade Média, povoação emancipada do regime feudal e governando-se autonomamente. 2. Municipalidade; município](Dicionário Luft), vamos além de um simples compartir para um compromisso de um para com o outro em áreas mais amplas da vida – econômica, atividades sociais, e talvez culto e adoração. Em comunhão, nós compartilhamos o entendimento e os mais profundos níveis da experiência humana. E no serviço de comunhão, há um compartilhamento entre Deus e a humanidade, lembrando as bases de tal impossível compartilhamento no corpo quebrantado de Cristo e no sangue derramado. O serviço de comunhão também celebra o compartilhamento de pessoas dentro do corpo de Cristo.

Todas essas ocasiões de comunicação, proporcionam um envolvimento crescente que constrói mais e mais áreas de compartilhamento. Compartilhamento, no uso popular cristão, infelizmente carrega pouco da real comunicação. Significa muito freqüentemente passar a alguém sua informação, sem o ato de ouvir que o tornaria um verdadeiro compartilhar. É o falar sem o envolvimento, e assim uma comunicação não genuína. O verdadeiro compartilhar é o melhor da comunicação. São pessoas movimentando-se juntas em áreas amplas de alegrias mútuas, problemas e respostas. Este verdadeiro compartilhar se transforma em comunhão, sobre pessoas, sobre Deus, e juntamente com Deus.

Pelo menos uma cultura reconhece em sua linguagem a inseparabilidade do envolvimento e da comunicação. Em Malagasy (Madagascar), a mesma palavra é usada para comunicação e envolvimento – fifandraisanat. Muito freqüentemente, nós usamos um diferente par de palavras como se elas fossem intercambiáveis – comunicação e tecnologia. Tecnologia pode em prática ser um substituto para envolvimento.

O que é melhor para se alcançar mais pessoas mais rapidamente? Usar comunicação de massa ou a abordagem que envolve consumo de tempo que é o envolvimento? Podemos nós, em outras palavras, comunicar o Evangelho saturando o mundo com satélites, imprensa, ou outra tecnologia? Nossa imaginação fica maravilhada e estimulada pela capacidade das novas ferramentas. Certamente nós devemos usá-las para evangelizar! Mas há muito mais para se considerar do que o poder e maravilhas da nova tecnologia.

A tecnologia pode simplesmente executar a transmissão, o que não deveria se confundida com comunicação. Transmissão via ondas (rádio, TV, etc) ocorre sem envolvimento. É a divulgação das palavras e símbolos que não leva em consideração a resposta das audiências. Uma vez que a mensagem é transmitida, a responsabilidade parece haver sido descartada: “Bem, eu falei e eles não quiseram ouvir”. E assim tudo parece ser explicado. O paralelo espiritual é: “Eu simplesmente prego a Palavra. Se eles não a ouvem, eu não posso fazer nada”.

As ferramentas transmitem; as pessoas se envolvem. Ferramentas técnicas sofisticadas podem ser úteis no evangelismo. O seu poder faz com que os que o utilizam passem por cima do envolvimento como uma condição essencial para a comunicação. Transmitir o conteúdo correto não cria, por si mesmo, a comunicação. Neville Jayaweera, um líder Cristão do Sri Lanca, avisa:

Podemos investir milhões na comunicação cristã, cobrir o globo com ainda mais poderosos transmissores e ainda mais sofisticados aparatos de imprensa, treinar verdadeiros exércitos de comunicadores profissionais – nós podemos fazer todas essas coisas e mais, e ainda não amadurecer a colheita. Eu creio que os que estão envolvidos com a comunicação cristã devem enfrentar temas mais profundos e relevantes do que aqueles relacionados com as questões “profissionais”.
“Comunicação Cristã no Terceiro Mundo”

Quais são esses “profundos e relevantes” temas? Eles diferem de pessoa para pessoa. É certo, entretanto, que esses temas serão compreendidos e utilizados para uma creditada proclamação do Evangelho somente à medida em que os comunicadores se tornarem envolvidos profundamente com a audiência. Somente através do envolvimento os Cristão efetivamente tornarão Cristo conhecido.

Não é o envolvimento em projetos que conta, mas o envolvimento com as pessoas. Projetos (técnicos e tecnológicos) não são substitutos para envolvimento pessoal. A literatura, o rádio, o tele-orações, programas de ajuda para o bem-estar, projetos de auxílio ao necessitado, - todos podem ser úteis, até mesmo necessários, em determinadas ocasiões. Mas freqüentemente eles absorvem tanto esforço em sua administração, produção, e financiamento que não sobra tempo para um envolvimento pessoal. Isto não necessita ser dessa forma, mas programas dessa natureza freqüentemente separam as pessoas de um contato direto com o povo.

Quando o Evangelho é transmitido, imagina-se estar obtendo o resultado desejado. Mas a comunicação pode nem sequer haver começado. Ela não pode existir sem até que um tempo seja planejado para as pessoas. O envolvimento com as pessoas é quase sempre mais caro do que o envolvimento com um programa. O meio preferido para a mensagem de Cristo é sempre pessoas, não exibições eletrônicas e mecânicas. Por que alguns oradores se tornam monótonos quando falam? A despeito do estudo cuidadoso do pastor, às vezes a congregação permanece indiferente aos ensinos da Palavra de Deus. Será que as pessoas são indiferentes? Oscar Wilde escreve sobre atitudes familiares em uma de suas fábulas, The devoted Friend. “'Como você fala bem’ disse a esposa de Miller, ‘realmente eu me sinto sonolenta, tranqüilizada. É como estar na igreja.’” Parece que as pessoas esperam ser tranqüilizadas com boas palavras, mas palavras que não tocam a vontade delas.

Há muitas razões para o cansaço da audiência, naturalmente, assim como uma inadequada preparação, uma monótona explanação, ou o olhar do pregador colocado no teto ao invés de na audiência. Mas o ponto comum a quase todos os pregadores ineficientes é o fracasso de se envolver com a audiência.

Um pregador Chinês em Singapura lutava com este problema: “As pessoas dizem que preciso estar feliz com o que prego, por isso estudo. Mas quanto mais estudo, mais eu me sinto distanciado das reais lutas humanas”. Ele descobriu que aquelas notáveis conversas com as pessoas nos shoppings centers, abordando seus sentimentos a respeito da vida, suas aspirações e frustrações, o ajudava a se manter em contato com a realidade das emoções das pessoas. “Desta maneira”, ele disse, “Toda vez que me coloco atrás do púlpito e prego o Evangelho, eu sei exatamente sobre o que estou falando”.

CONHEÇA SUA AUDIÊNCIA

É importante conhecer a audiência. Mas fazer simplesmente isso também indica uma superficial visão da comunicação: Estude a audiência, aprenda suas necessidades, interesses, e maneiras de expressar seus interesses; então realinhe sua mensagem de tal forma que atinja suas susceptibilidades – afinal, a mensagem é tão importante que eles devem ser conduzidos a ouvir. Mas isto é ainda uma transmissão. É ainda o “futuro comunicador” colocando-se separadamente de seus ouvintes ao invés de com eles e envolvido na vida deles.

A transmissão é empregada mais lucrativamente por propagandistas. Pesquisa e experiência mostram os pontos vulneráveis dos propagandistas no mercado. Eles procuram identificar áreas de interesse comum. Por exemplo, o produto H é pasta dental; como poderia haver um terreno comum entre um jovem e a pasta dental? O jovem quer uma personalidade que conquiste aceitação por ele com jovens garotas, portanto o desafio se torna bem simples: Persuada o jovem que o produto H está também relacionado com aceitação e que isso poderá ajudá-lo a conquistar essa desejada aceitação. O fato de que uma pasta dental está relacionada com prevenção de cáries não é significante para o jovem. Portanto não se preocupe em lhe vender prevenção; ao contrário, venda-lhe aceitação social. “Use o produto H e você será admirado pelas garotas!” é a mensagem implícita na imagem de um jovem esbelto com uma linda garota sorrindo para ele. A fórmula para uma transmissão bem sucedida é direta: Encontre áreas de interesse comum e explore-as para alcançar seu real objetivo.

Abordagens similares são, às vezes, utilizadas no ministério cristão. Por exemplo, um jovem ministro que não é um tipo atlético começa contando histórias esportivas para adolescentes, tentando utilizar o jargão especial desse grupo de jovens. A estratégia não funcionou. Um jovem com o qual ele estava particularmente interessado em alcançar o chamou de falso. O pastor ficou ofendido, e os jovens partiram para outras atividades que lhes parecia mais interessante do que a igreja.

Não era errado para o pastor querer falar sobre os interesses dos jovens e usar sua linguagem, mas quando aquela abordagem não emergiu de um envolvimento genuíno, ela era realmente falsa. Se o pastor tivesse estado envolvido o bastante para se preocupar genuinamente sobre quem venceu os jogos locais, ele teria realizado a comunicação, a despeito de seu vocabulário ou histórias.

Tanto o propagandista quanto aquele que queria trabalhar com os jovens usaram essencialmente o mesmo método: descobrir ou construir uma área comum, então explorá-la para trazer uma ação desejada. Nesse caso, os interesses da audiência estão sendo manipulados para alcançar a meta do emissor.

Muito freqüentemente, os programas para alcançar pessoas feitos pela igreja oferecem soluções para os problemas da vida, dão-lhes aceitação social e mesmo amizade, de tal forma que estimulem o seu interesse. Essas coisas são honráveis sub-produtos da reconciliação com Deus através de Cristo. Mas se eles forem usados primordialmente para promover o auto-interesse da igreja (por exemplo, crescimento acelerado da igreja para gerar crédito profissional para a igreja e seu pastor), isso será uma vergonhosa manipulação.

Cinicamente alguém pode perguntar: “Quantas estrelas você consegue em sua coroa por me converter?” Essa pessoa se sente usada a despeito das suaves palavras afirmando que Deus a ama e quer o melhor para ela. A meta prioritária é conquistar outra pessoa para Cristo; aconteceu de ser a pessoa A, que estava por perto quando a consciência compeliu o cristão a “testemunhar” para alguém. A transmissão da mensagem pode ser, então, o resultado de um esforço, mas não será comunicação.

Suponhamos que o povo de uma região isolada em um país em desenvolvimento não tenha nenhuma testemunha do Evangelho. Não há dúvida que algum tipo de testemunho cristão deveria ser estabelecido ali, mas como?

Um missionário chega. Brevemente ele constrói sua casa, então ele cria algumas facilidades de apoio – um gerador, uma pista de pouso, e uma carpintaria para construir móveis para manter seu equipamento. Uma pequena igreja é construída onde ele se encontra semanalmente com os trabalhadores que ele empregou em seus projetos de construção. Mas ninguém vem, exceto crianças curiosas e ocasionalmente algumas das esposas dos trabalhadores. O missionário pondera e ora, mas ele vê apenas indiferença.

O problema não é o fracasso espiritual, muito embora alguns dos que apoiam o trabalho do missionário pensem que sim. Não é preguiça. Sua pregação não é simplesmente uma errada tentativa de um colonialismo espiritual. As pessoas realmente precisam de Jesus Cristo.

O fracasso está no âmago da comunicação. Ele tem estado ocupado construindo e estabelecendo uma base, mas ele tem fracassado em se tornar envolvido com o povo. Ele “visita” o povo, mas ele não está envolvido. Este missionário está transmitindo, mas não está comunicando. A resposta normal é exatamente a que ele recebeu – indiferença.

Não é somente em situações de pioneirismo que a falta de envolvimento resulta em indiferença. Com freqüência os cristãos estão ocupados em programas de igreja, os pastores estudam diligentemente para pregar bons sermões, e campanhas e visitas de porta em porta são planejadas. Mas ninguém tem tempo para ir pescar com os vizinhos não-cristãos, para estar ativo na Associação de Pais e Mestres, ou simplesmente para agir amigavelmente.

Quem pode discutir o valor de se pertencer a um grupo de estudos bíblicos? “É realmente chocante” comentou uma cristão convertido há muito tempo, “quando eu penso sobre as muitas horas que gastei em tais grupos e quão pouco eu me lembro.” Entretanto o estudo bíblico assumiu uma forma muito mais estimulante para esse homem, quando, conforme ele explica, “foi-me apresentado um estudo que me fez mergulhar e extrair um significado do texto. Fui forçado a me envolver uma vez que o método em si exigia uma participação e envolvimento do grupo.”

Isso pode ser chamado de reciprocidade, diálogo, ou resposta mútua, mas qualquer que seja o nome, a base da comunicação efetiva é o envolvimento de emissor e receptor. Este deve ser o interesse especial do condutor da comunicação para assegurar o envolvimento dos participantes.

Esse condutor deve também estar alerta para os perigos do envolvimento. Quando o envolvimento é motivado mais pelo desejo de auto realização do que pelo desejo de atingir o melhor para a pessoa alvo, dois sérios problemas podem surgir: possessividade e criação de dependência.

Um sentimento de posse – “meu trabalho”, “meu povo” – pode levar a um envolvimento profundo para assegurar sucesso. Mas inevitavelmente outros se tornarão dependentes desse obreiro tão esforçado, uma dependência por aprovação, guia, e mesmo dependência de coisas materiais.

O trabalho se torna aleijado – centralizado nas pessoas mas com pouco espaço para o Espírito de Deus.

O envolvimento apropriado é recíproco e previne que esses problemas se desenvolvam. A verdadeira comunicação é envolvimento, uma ajuda de mão dupla. O aprendizado se torna instrução mútua, à medida que o professor aprende com as especiais habilidades e idéias dos estudantes. Surge um problema que um elemento desse par de comunicação não pode resolver, mas o outro pode. Encorajamento ou advertência apropriada, é dado e recebido por ambas as partes em um relacionamento onde existe genuína comunicação.

ENVOLVA-SE

Por onde você começa para se envolver? Quando você chega a uma nova comunidade ou a uma cultura totalmente nova a adaptação pode ser desconcertante e cansativa. Envolver-se pode ser necessário, mas os problemas imediatos são obter alimento, conseguir transporte, e evitar problemas. Nessas novas situações, você se torna particularmente sensível. Essa exaltada sensibilidade pode levar ao estresse e frustração ou então, pode ser canalizada para ligar você com a nova situação e as pessoas.

Vínculo é um termo utilizado para profundos relacionamentos estabelecidos entre crianças recém-nascidas e a mães ou pais nas primeiras horas após o nascimento. Se o parto é normal, o bebê é especialmente sensível e alerta nessas primeiras horas. Esta é a hora quando o vínculo é divinamente providenciado para ocorrer.

“Existem alguns importantes paralelos entre a entrada de um bebê a uma nova cultura e a entrada de um adulto a uma nova e estrangeira cultura,” escrevem Elizabeth e Thomas Brewster. As novas experiências são estimulantes e talvez esmagadoras. É nesta hora que o adulto é realmente vinculado a tornar-se um participante com aqueles a quem é chamado a ser boas novas. O momento é crítico... As primeiras semanas do novo missionário em seu novo país são de importância vital se ele vai estabelecer um senso de pertencer com o povo local” (E. Thomas Brewster and Elizabeth S. Brewster, “Bonding and the Missionary Task,”453-54).

Mesmo na terra natal, introduzir-se a uma nova comunidade é bem semelhante a entrar em uma nova cultura. Se a ajuda necessária não vem do povo local, um senso de pertencer ao novo local virá lentamente, se vier. Quando o recém-chegado é dependente de outros de fora, os Brewsters escrevem, “é então previsível que ele irá carregar seu ministério pelo método “esporádico” – ele viverá isolado do povo local . . . e então fará uns poucos visitas “esporádicas” na comunidade a cada semana.” Um envolvimento profundo raramente se seguirá, e a comunicação permanecerá inadequada.

Mas se o recém-chegado aceitar a posição de dependência do povo local, especialmente durante as primeiras duas semanas ou mais, ele irá rapidamente tornar-se vinculado à pessoas locais e à nova situação. Nessas bases, o envolvimento cresce e o alicerce de um ministério frutífero é estabelecido.

Mesmo com vínculo como começo, o envolvimento deve continuar a se desenvolver. Isto não acontece de uma só vez. Existem pelo menos quatro fases superpostas: Desenvolvendo o uso da linguagem comum, compartilhando experiências, participando de uma cultura comum, e compreendendo as asserções básicas das pessoas sobre a vida.

APRENDER A LINGUAGEM

Trabalhar com qualquer grupo que não seja o seu próprio sempre significa aprender uma nova linguagem. Talvez isto signifique apenas uma variação da língua materna, mas a linguagem deve ser aprendida. É decepcionante assumir que nosso Português é sempre “Português normal”. Os adolescentes podem usar as mesmas palavras dos adultos, mas seu conteúdo de significado pode ser bem diferente. Diferenças claras na linguagem podem existir entre o centro e o subúrbio de uma cidade ou entre regiões de um país. A linguagem de um seminário é certamente diferente da linguagem de uma vila pesqueira na costa marítima.

Em algumas missões parece desnecessário aprender uma outra linguagem porque o Português é a língua materna. Todas as pessoas demonstram falar com facilidade. Mas seria essa a língua de casa? É ela usada pelos amigos mais chegados em conversas pessoais? Mesmo onde o papel formal do ensino ou pregação pode ser satisfatoriamente levado avante em Português, envolvimentos frutíferos exigem o aprendizado da linguagem da “terra e do coração”. O envolvimento com qualquer nova comunidade significa o aprendizado da linguagem daquela comunidade. Linguagem, em realidade, é melhor aprendida como parte da experiência do aprendizado total por aquilo que é chamado de “método direto”, ou “aprendizado social”. É por esta maneira que uma criança aprende a falar: ouvindo, imitando, e participando na vida de sua família e comunidade.

COMPARTILHAR EXPERIÊNCIAS

Aprender socialmente a linguagem irá naturalmente atrair a pessoa para o segundo nível do envolvimento – compartilhar experiências. A linguagem adquire seus significados através das experiências. Sem elas, o aprendizado se torna um estudo estéril de códigos e regras. As experiências são compartilhadas e o senso comum cresce. Em outras palavras, participe das ações e coisas com as pessoas, não “fale” simplesmente com elas.

Prontidão em compartilhar em qualquer situação que seja, abre os ouvidos – e corações – sem esquemas especiais. Certa noite um amigo, missionário chegou à igreja no Kênia oriental, (o irmão do pastor local havia falecido em algum hospital a alguns quilômetros dali). O missionário, naturalmente colocou seu carro à disposição para trazer o corpo para a casa da família pois não havia outro meio disponível. Ele acompanhou o funeral que se seguiu, muito embora,“estivesse a princípio desinformado da emoção e do grande significado de estar na casa e ver o retorno da família à casa por ocasião da morte do pai."

“Nos próximos cinco dias, as expressões de gratidão foram muitas,” o homem disse, “com convites para falar aos enlutados durante as noites, quando os sentimentos eram mais intensos. Cartas desde então têm me assegurado, ‘O povo se lembra do que o Sr. Disse’ e ‘Nós estamos esperando pelo seu retorno.’” Mas sua pregação em realidade não era o que era lembrado. Foi sua prontidão em compartilhar as experiências das pessoas que abriram o caminho para um ministério contínuo.

Uma grande força para programas de acampamento de igrejas é compartilhar experiências com o grupo todo. Em um programa de construção de igrejas, mais valoroso do que o prédio novo é o esforço comum envolvido. Um retiro de final de semana fornece oportunidade para vários tipos de experiências em comum: conversação, grupos de estudos bíblicos, oração – e mesmo as dificuldades que provêm de um mau tempo.

PARTICIPAR NA CULTURA

O próximo nível de envolvimento na construção da comunicação surge naturalmente – participação na cultura do povo a quem você ministra. Aprender os padrões de cultura de um novo grupo é como aprender as ruas quando você se muda para uma nova cidade. Andar pelas ruas é a maneira pela qual você se movimenta dentro da cidade para tomar parte nas atividades dessa cidade. Similarmente, o padrão cultural fornece as rotas pelas quais você tomará parte na vida das pessoas.

Aprender o padrão não é uma questão de satisfazer a curiosidade, mas a maneira de mansamente se relacionar com o grupo. Para ser efetivo, você deve deliberadamente aprender os padrões de vida daqueles com quem você quer estar envolvido por amor a Cristo.

Aprender a exata maneira de participar confortavelmente e corretamente em uma nova cultura exige prática e disposição para cometer alguns erros.

Rotinas diárias diferem. Por exemplo, encontros de almoço são estilos de vida dos homens de negócios e profissionais americanos, mas uma raridade entre seus colegas no sul da Itália. Lá escritórios e lojas fecham ao meio dia, e as pessoas vão para casa para a principal refeição do dia e um bom cochilo. Um encontro em um almoço não seria uma bem-vinda ruptura no ritmo da vida. Jantares podem ser às 17:30 no Noroeste do Pacífico dos Estados Unidos, enquanto na Inglaterra os jantares para convidados especiais podem não ser realizados antes das 21:00h.

A natureza de eventos importantes difere de comunidade para comunidade. Esportes de escolas de 2º Grau podem ser o centro do interesse da comunidade, ou pode ser o preço do milho, trigo ou óleo de soja produzido por uma fazenda da comunidade. Em uma cidade da costa, o ano pode acontecer em função do ciclo da pesca e do fluxo de visitantes.

As maneiras de se tornar parte desses padrões variam tanto quanto as próprias pessoas. Vivemos vários anos em uma pequena cidade africana onde encontramos dificuldade em nos encontrar com os vizinhos. Finalmente, em frustração, eu perguntei a um homem que parecia conhecer todo mundo: “Como você conhece as pessoas por aqui?”

“Isto é muito fácil,” ele explicou. “Quando você for buscar seus filhos em festas de aniversário [uma distinta característica da vida em família naquela cidade], vá cedo e comece a conversar com os outros pais que estão esperando por seus filhos.” Por Ter uma orientação baseada na eficiência, eu costumava trabalhar até o último momento antes de buscar meus filhos ... e perdi a maneira correta de compartilhar os padrões culturais de minha comunidade.

O trabalhador cristão que fracassa em se envolver nos padrões de vida do povo não terá muita chance de se envolver em seus padrões e conceitos sobre a morte e em ajudá-los a lidar com os valores eternos e o conhecimento de Deus.

COMPREENDER CRENÇAS (Ver lista de Doyle)

O nível mais difícil de envolvimento a se alcançar é entender as idéias fundamentais que as pessoas têm sobre o mundo, a vida, Deus e seu relacionamento com esses itens. Quais são as idéias fundamentais que estão submersas nas conversações diárias?

As chuvas vêm mais tarde que costumeiramente a uma área rural no Zimbabwe, portanto um fazendeiro branco deu instruções para irrigar a plantação, então saiu para cuidar de outros negócios. Quando ele voltou, uma semana mais tarde, nenhuma irrigação havia sido feita, e a plantação estava quase morta. Os trabalhadores haviam se recusado ligar as bombas que deveriam tirar água das grandes represas que restavam nos rios. “Sim”, os trabalhadores africanos explicaram ao proprietário, “nós entendemos o que o senhor pediu que fizéssemos - colocar água nas plantas para que elas não morressem. Mas se tivéssemos feito isso sugando a água do fundo da represa do rio, maior desastre teria acontecido a toda a fazenda do que a simples perda da plantação. Nós não queríamos que isso acontecesse para você!”

A primeira reação do proprietário deve Ter sido frustração pela aparente falta de cuidado dos trabalhadores em deixar a plantação morrer desnecessariamente. Ele podria haver esbravejado com os empregados pela deliberada negligência em seu trabalho. Será que beberam tanta cerveja nas festas que não colocaram, ou não conseguiram colocar, os canos para o bombeamento da água? Será que eles simplesmente foram preguiçosos? Não, ele sabia que os trabalhadores não eram preguiçosos, nem estiveram bebendo cerveja quando deveriam estar trabalhando. O proprietário foi sábio e não ficou irado com eles, mas tentou entender por que suas instruções não foram seguidas.

Os africanos daquela área, ele eventualmente descobriu, nunca tiram água das represas remanescentes dos rios no final de uma estação de seca. Somente quando um fruto em particular amadurece e cai da árvore é que se considera seguro retirar água. Qualquer pessoa que faça isso antes desse acontecimento trará desastre a si e sua família, porque ele terá ofendido certos espíritos.

Seus trabalhadores tinham a intenção de protegê-lo – mesmo quando sua plantação morreu como resultado. Eles tomaram certas garantias sobre a natureza do mundo e relacionamentos dentro do mundo que eram diferentes de suas crenças. Os trabalhadores “sabiam” que o desastre viria se a real natureza do mundo fosse violada pela irrigação naquela ocasião. Eles não queriam que o patrão sofresse como resultado de um desastre, portanto, com as melhores intenções, eles não seguiram suas instruções.

Os europeus, que têm formação científica, não aceitam que essas razões “supersticiosas” permitam que a plantação morra. Alguns têm cuidadosamente explicado a real natureza da proibição de se tirar água das represas do rio. Mas essas razões científicas satisfazem somente aqueles que vêem o mundo sob uma orientação científica. A diferença essencial é um sistema básico de crença, as asserções feitas sobre a natureza do mundo.

As pessoas do ocidente – Europeus e Americanos – assumem que a terra é uma máquina para ser compreendida e controlada ou uma comodidade para ser usada e consumida. Falar com forças do espírito ou aparentes relações absurdas é uma evidência frustrante de ignorância e superstição.

Muitos africanos assumem que o mundo é uma coisa viva. Deve ser dada atenção prioritária à harmonia e equilíbrio dentro do mundo, e com o mundo. Um transtorno desse equilíbrio é causado por feitiçaria e por violar as forças do espírito com o qual o mundo está impregnado.

Outro resultado dessas diferentes pressuposições é clara na área dos relacionamentos humanos. Para o africano tradicional, manter o equilíbrio e harmonia em relacionamentos dentro de sua família e tribo é extremamente importante. A posse de bens materiais é muito menos importante do que manter uma adequada interação com outras pessoas. Para o homem ocidental, por outro lado, o valor das pessoas tende ser medido pela quantidade de suas posses – terra, dinheiro, bens. Um resultado é a busca pelo sucesso que significa longas horas de trabalho e disposição para aniquilar outros trabalhadores, amigos e mesmo família para que se possa obter grandes lucros.

O povo Lotuho, do sul do Sudão, por algum tempo rejeitou o uso de boi para puxar arado, mesmo sabendo que o uso desses animais aumentaria sua produção de alimento. Com o boi, as grandes festas que aconteciam enquanto os campos eram preparados para a semeadura não seriam necessárias, e aquelas festas eram cruciais para manter os relacionamentos na sociedade. Melhor Ter menos alimento, eles diziam, do que arriscar a harmonia dentro do vilarejo.

Todos os povos organizam suas experiências e padrões de vida em torno de asserções não escritas sobre a natureza das coisas. Todas as atividades devem estar em harmonia com essas asserções, ou haverá profundo desconforto e descontentamento no indivíduo e na comunidade. Uma nova mensagem que parece ser estranha a essas pressuposições serão ignoradas ou abertamente rejeitadas. A rejeição de uma mudança ou de uma idéia costumeiramente inclui rejeição do mensageiro. Essa rejeição, de alguma forma é semelhante ao costume do mundo antigo de sacrificar o mensageiro que trazia ao rei notícias de uma derrota.

Como podem ser aprendidos esses valores básicos para se evitar uma desnecessária rejeição? Esta tarefa é particularmente difícil, desde que esses valores não são registrados e raramente podem ser declarados diretamente por aqueles que os detêm. Uma maneira razoavelmente direta é analisar as causas das discussões e descobrir o que está por trás dessa aparente manifestação irracional de ira. As pessoas raramente se tornam tristes sobre coisas que são triviais a elas. Para outros, uma ofensa pode parecer insignificante, mas a ira ou discussão indica que alguma coisa de valor está sendo violada. Descobrir qual é essa coisa, freqüentemente mostrará o acesso às crenças fundamentais.

O trabalhador cristão que deseja ser efetivo no ministério deve entender a natureza da luta espiritual bem como a natureza exata do campo de batalha. Há quem aprenda isto através da participação na vida de outras pessoas, lembrando que o envolvimento não simplesmente abre o caminho para a comunicação: O envolvimento é comunicação.

ENVOLVIMENTO COM QUANTOS?

Será que é possível o envolvimento com todas as pessoas que queremos alcançar para Cristo? Será que poderemos estar envolvidos com cada pessoa em nossa igreja, missão ou comunidade? O elevado número de pessoas parece tornar o verdadeiro envolvimento uma impossibilidade.

Nenhum pastor, ou missionário ou cristão pode estar envolvido com todos. Estudos em Administração mostram que dez ou doze pessoas é provavelmente o máximo com quem qualquer pessoa pode ter um envolvimento próximo. É significante o fato de que Cristo teve 12 discípulos, com os quais manteve um envolvimento próximo. Outros estiveram próximos, mas não tão intimamente envolvidos como os doze. Os doze agiram no lugar de Cristo para estar envolvidos com muitos outros, assim como aconteceu na multiplicação dos pães para cinco mil e em organizar as multidões que queria ver, e mesmo tocar em Cristo. Assim Ele formulou uma maneira de conduzir o envolvimento em nossa vida: Estar intimamente envolvido com uns poucos, que por sua vez estão envolvidos com outros em um crescente círculo de ministério efetivo.

Para alguém estar significativamente envolvido com alguns poucos, é necessário disciplina. É mais gratificante ter grande público em nossas reuniões, centenas ouvindo nossas pregações. Números elevados tornam nossos relatórios atraentes à direção da igreja. Mas muito freqüentemente muitas pessoas são conquistadas e consideradas como convertidas mas não são encontradas no convívio cristão. Uma mensagem foi transmitida e aparentemente recebida, porém, com pouca ou nenhuma verdadeira comunicação.

Comunicação é envolvimento. A pessoa tem que ter disciplina para assegurar que aqueles que estão buscando a Cristo se envolverão com alguém que irá comunicar a Cristo uma vez após outra – em algum restaurante, em visitas familiares e nos campos de trabalho ou fábricas onde a vida é vivida. É preciso disciplina para colocar o foco nas poucas pessoas, e resistir a atração de ser “indispensável” às dezenas ou centenas de seguidores.

Em todos os países, aqueles cristãos que têm causado o maior impacto têm sido aqueles que se concentraram em poucos seguidores ou conversos por vez. Carey Francis foi um grande professor e diretor no Kênia, desenvolvendo a mais fina escola de segundo grau para jovens. Seus estudantes, “Os Jovens de Francis”, tornaram-se os líderes do Kênia independente. Muitos mantiveram uma clara postura cristã mesmo quando assumiram as mais elevadas colocações da nação. Francis provocou seu impacto em poucas vidas por vez.

Grandes pregadores como Bakht Singh na Índia, Dwight L. Moody na América, e John Wesley na Inglaterra dedicaram uma grande parte de seu tempo a um envolvimento próximo com poucos do que encontros de massa mais visíveis ao público. Cada um desses homens estenderam esses princípios de envolvimento através da criação de um programa de treinamento cristão em colégios, seminários, escolas bíblicas e universidades.

Quando Deus decidiu falar aos homens, Ele o fez não enviando um tratado, um panfleto, ou pregando um sermão. Ele veio em pessoa. Sua vida esteve completamente envolvida com o povo, compartilhando sua linguagem, experiência e cultura e observando seus valores e falsas suposições. O modelo de comunicação através da encarnação que Jesus nos deu necessita ser cuidadosamente estudado e compreendido; ele é nosso padrão para um efetivo cumprimento de nosso dever.

UMA PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE O ENVOLVIMENTO

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. ... (Ele) estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós. João 1:1-5, 10-14
  • Ele é Vida, mas nós certamente somos apenas morte.
  • Ele é Luz, mas em escuridão nós não entendemos isto. Como pode a escuridão compreender aquilo que é o oposto, totalmente diferente?
  • Ele é o Criador, mas a criatura nem sequer O reconhece. Como podemos nós entender, ou mesmo reconhecer, Aquele com poder além da compreensão humana?
  • Ele tornou-Se carne, e carne nós somos. Carne nós entendemos.
  • Para ser entendido, Deus tornou-Se em carne de um bebê. Ele comeu, Ele dormiu, Ele brincou e Ele obedeceu Seus pais aqui na terra. Ele observou e aprendeu como são os dias de uma pessoa.
  • Ele celebrou alegres casamentos e chorou ao ver o peso da doença, do desânimo, do engano e morte que a humanidade carrega.
  • Ele, o Santo Deus, viu o mal e pessoas do mal. Ele enfrentou a tentação e conheceu o triunfo sobre o que há de pior – que era o melhor que Satanás tinha a oferecer.
  • Ele teve amigos que o amavam e mesmo assim O negaram e O traíram. Ele sentiu o golpe da injustiça, das falsas acusações, do escárnio, e Ele morreu sob o governo de um opressor.
  • Ele esteve completamente envolvido com a humanidade. É assim que entendemos. Sua vida é a Palavra, a Palavra falada na linguagem da humanidade, a Palavra que nós compreendemos.
E visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.... Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.
Hebreus 2:14-15, 18

Jesus, o Cristo, envolveu-Se totalmente com os seres humanos e assim comunicou-Se com a humanidade. Em nenhuma outra maneira poderíamos compreender. E isso por causa de Seu total envolvimento com o ser humano é que Ele intercede por nós hoje. “Nós não temos um sumo-sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.”
(Hebreus 4:15).

A fundação para nosso envolvimento no ministério é a vida, morte, é a contínua vida de Jesus Cristo. Nenhuma ponte que tentamos cruzar através do envolvimento cobrirá um abismo tão grande quanto o que Jesus cobriu quando Se tornou carne.

Paulo foi enviado como um embaixador dEsse Rei, Jesus, e assim procurou clara e honestamente representar o Rei no mundo. Seu método foi o mesmo do método do Rei – envolvimento para que cada um pudesse entender.

Porque sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
I Coríntios 9:19-22

A descrição que Paulo faz de seu “método de ministério” é a mais clara descrição possível de envolvimento para o ministério. Não há melhor padrão a ser seguido pelos embaixadores de Cristo do que este.

SUMÁRIO

Comunicação é relacionamento. Não nos envolvemos para nos comunicar. Nós comunicamos por estar envolvidos. O envolvimento é a fundação de toda a comunicação. As diferenças culturais somente enfatizam sua importância.

Separar um ato de comunicação de um envolvimento contínuo entre participantes iguais é reduzir a comunicação a um murmúrio de símbolos com significados incertos. Sem um constante crescimento em “comunhão” de interesses e experiência, não pode haver um crescimento na compreensão.

Enviar e receber mensagens pode ser um ato frio e impessoal, uma coisa separada da real comunicação. A comunicação efetiva que conduz à compreensão e respostas profundas ocorre somente através do envolvimento na vida e interesses uns dos outros. Sem envolvimento, o mais habilidoso uso da mídia e de técnicas pode simplesmente ser uma imitação da comunicação.

O elemento crítico é estabelecer “pontos em comum”; para isso, deve haver uma disposição para ser e estar “com” os outros. A compreensão mútua se origina na interação. A reciprocidade, respostas mútuas, orientações mútuas, diálogo, união – todos esses ideais apontam para o envolvimento na comunicação.

Creating Understanding
(A handbook for Christian Communication across Cultural Landscapes)
Donald K. Smith, Zondervan Publishing House, Grand Rapids, Michigan, USA

Cap. 1 - Involve Me So I Can Understand
Tradução de Valdecir Simões Lima

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

SALMO 12 - A MAIOR NECESSIDADE DO MUNDO

Davi clama a Deus: “Socorro, Senhor!” (v. 1). Outras versões dizem: “Salva-me, Senhor!” Davi não pede por salvação do seu pecado, mas do pecado dos outros. De fato, ele está pedindo mesmo é socorro, em um tempo difícil de se viver.

E Davi clama por socorro. Com efeito, quando estamos em dificuldade, temos que clamar a Deus. Clamar é uma ação muito mais intensa do que simplesmente pedir. Temos na Bíblia muitos exemplos de pessoas que clamaram a Deus e foram atendidas em suas orações. Ana estava angustiada porque a sua esterilidade não só a impedia de ter filhos, mas provocava o escárnio e o desprezo. Então, ela clamou ao Senhor e obteve a bênção de um filho que se tornou um grande homem de Deus.

Pedro estava afundando em meio a uma grande tempestade no mar da Galileia, quando ele clamou a Jesus Cristo, fazendo a oração mais curta do Evangelho, ao proferir as palavras: “Salva-me, Senhor!” E a mão socorredora de Jesus Cristo se estendeu e Ele salvou aquele pescador duvidoso. E aqui temos a oração mais curta dos Salmos: “Socorro, Senhor!”

I – CARÊNCIA DE HOMENS

Por que clama Davi? “Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Este lamento nos faz lembrar de Elias, depois de ameaçado por Jezabel, quando aparentemente desamparado, fugiu para o deserto, e depois caminhou por 40 dias e 40 noites até o monte Horebe, o monte de Deus (1Rs 19:8). Então passou a noite em uma caverna onde ouviu a voz do Senhor que lhe falou: “Elias, que fazes aqui?” Ele respondeu de imediato: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (v. 10). No conceito de Elias, faltavam os homens piedosos e fiéis. E do mesmo modo, Davi lamentava.

O que são “homens piedosos”? A palavra original do hebraico dá a conotação de pessoas que tem um bom relacionamento com Deus. Em Português, temos o mesmo significado, adicionado ao outro sentido de pessoas que têm pena, dó, piedade diante da miséria dos outros. Pelo contexto, os dois sentidos são necessários. Mas é claro que aqueles que têm um bom relacionamento para com o seu Deus, terão piedade, misericórdia e hão de ajudar aos menos favorecidos. Mas a falta do segundo significado é causado pela falta do primeiro: quando não temos uma boa relação com Deus, então, seguramente hão de se manifestar todas as maldades próprias à natureza humana.

A outra carência é de “homens fiéis” que desapareceram, conforme lamenta o salmista. Um homem fiel de acordo com o termo original é um homem estável, que permanece firme, digno de confiança. Falta de fidelidade é algo que se observa facilmente entre os filhos dos homens. Faltam homens fiéis, estáveis, dignos de confiança. Proliferam como cogumelos, mesmo entre muitos “cristãos”, os homens em quem não se pode confiar.

“Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Esta é a grande questão: Onde estão os homens piedosos, justos? Onde estão os homens verdadeiros e honestos? Davi estava vivendo em um tempo de perigo. Não por causa do tempo em si mesmo, mas por causa dos homens. Ele não sofria por causa de calamidades temporais, tempestades. Não havia terremotos, furacões, ciclones ou enchentes. O problema eram os homens: havia uma grande carência de homens piedosos, justos e verdadeiros.

Paulo, por sua vez, fala de um tempo difícil, não por causas naturais, mas por causa da falta de homens honestos e fiéis: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (2Tm 3:1-5).

Mas, qual era o problema que provocou a angústia de Davi? Disse o salmista, inconformado com a sociedade dentre os filhos de Israel, considerados o povo de Deus: “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido... língua que fala soberbamente.” Aqui temos 4 pecados graves que se destacavam no caráter desses homens:

1) Falsidade. Davi disse que os homens falavam com falsidade uns para com os outros. E podia confirmar o pensamento do Pe.

Antônio Vieira: "O caminho da verdade é único e simples; o da falsidade, vário e infinito." Este grande pregador também lamentava em seu tempo a falta de homens verdadeiros e honestos. Como disse Renato Russo: “Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.” Muitos hoje falam com falsidade para com o semelhante, como se nada fosse lhe acontecer. Mas o grande engano dos enganadores é desconsiderar que eles fatalmente também serão enganados. E isso pode ser muito danoso, sem pensar na parte espiritual.

2) Bajulação. É o que também acontecia naquele tempo e em nosso. Disse Davi: “falam com lábios bajuladores... Corte os Senhor os lábios bajuladores...” (v. 2,3). Bajular é lisonjear, é elogiar com excessos e afetação, é adular visando às vantagens e recompensas. Mas dá para perceber quando alguém elogia com más intenções. "A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana." (Duque de La Rochefoucauld). E é por isso, pela vaidade humana de ser glorificado, que cresce a corda dos bajuladores.

3) Hipocrisia. Davi condena também a hipocrisia, afirmando que os infiéis falavam com o “coração fingido” (v. 2). O original diz: “com um coração e um coração” querendo dizer dois corações contrários; tais homens de mente dúbia não são confiáveis. A hipocrisia é o seu recurso habitual. Por exemplo, uma amizade fingida: “A amizade? Desaparece quando o que é amado cai na desgraça ou quando o que ama se torna poderoso.” (François René). Muitas vezes isso acontece; há muitas pessoas que confundem amizades verdadeiras com amizades interesseiras.

4) Orgulho. Davi continua em sua prece e pede a Deus que corte “a língua que fala soberbamente”. E ele exemplifica o que estava acontecendo. Esses ímpios diziam: “Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós?” (v. 3,4). No passado, o faraó egípcio disse estas mesmas palavras, referindo-se a Deus: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz ...? Não conheço o Senhor...” (Êx 5:2). Orgulho é um defeito pecaminoso do coração que se extravasa na língua. Faraó podia proferir qualquer palavra presunçosa, mas logo estaria destruído, porque palavras orgulhosas apenas indicam o pecado de um coração rebelde. Mas a arrogância e altivez dos homens serão abatidas (Is 2:17).

5) Opressão. Davi ainda fala dos pecados desses homens ímpios: “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” (v. 5). Eles oprimem aos que não podem falar por si mesmos. Eles estão em silêncio a fim de que a sua defesa não se torne a sua ofensa e culpa. Mas estão clamando e gemendo ao Senhor para que sejam libertos. Deus mesmo toma nota desse estado de coisas injustas contra os que são oprimidos porque são pobres.

Com efeito, quais são os problemas do nosso mundo? Se perguntarmos a algum homem pensante: "O que faz com que os tempos sejam maus, difíceis?" Eles nos dirão que a escassez de dinheiro, a desonestidade do comércio e as angústias da guerra fazem com que os tempos sejam ruins. As calamidades, terremotos e tsunamis – tudo isso torna os nossos dias em tempos difíceis. Porém, as Escrituras atribuem a raiz dos males dos tempos a causas diferentes: faltam os homens verdadeiros. Virão tempos perigosos porque o pecado abundará, e Davi já se queixava disto, em seus dias. Quando a piedade se deteriora, os tempos são realmente maus.

Abraão foi visitado por três anjos, e um deles era o próprio Senhor, que lhe trouxe a grande notícia de que, depois de um ano, Sara haveria de ter um filho dele. Mas Sara, que ouvira da porta da tenda, riu-se dessa notícia, imaginando a impossibilidade de tal coisa se cumprir. E o Senhor perguntou: “Por que se riu Sara, dizendo: ‘Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha?’ Acaso, para o Senhor há coisa demasiado difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho.”

Então, o que você acha que aquela mulher do grande patriarca Abraão falou? Ela veio se ajoelhar e louvar a Deus, reconhecendo o seu erro e pedindo-Lhe perdão, e agradecendo ao Senhor por tão maravilhosa notícia? Não foi isso que aconteceu; antes note o que ela teve a coragem de fazer: “Então, Sara, receosa, o negou, dizendo: Não me ri. Ele, porém, disse: Não é assim, é certo que riste.” (Gn 18:12-15). Lá se encontrava uma mulher “justa”, que temendo por sua honra, usou de falsidade diante do próprio Deus que vê e ouve a todas as coisas, até as que estão escondidas, quer sejam boas quer sejam más.

E eles se levantaram para prosseguir viagem rumo à cidade de Sodoma, e Abraão os acompanhou até certo ponto, a fim de encaminhá-los. E o Senhor lhe falou a respeito da destruição daquela cidade ímpia, em virtude da gravidade dos seus pecados. E foram-se os três homens-anjos. Mas Abraão ficou em uma profunda angústia, e se aproximou de Deus e lhe falou: “Senhor, destruirás o justo com o ímpio? Se houver, porventura, 50 justos na cidade, destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos 50 justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”

E diante deste apelo tão convincente, Deus lhe deu uma resposta cheia de misericórdia, dizendo que pouparia a cidade nessas condições, por amor aos 50 justos que porventura houvesse na cidade. Mas Abraão continuou a interceder e fez várias outras tentativas, na suposição de haver em Sodoma 45, 40, 30, 20, até que finalmente chegou aos 10 justos. Deus lhe deu a mesma resposta: “Não destruirei Sodoma por amor dos 10.” E Abraão teve que se calar, porque não havia nem 10 justos naquela ímpia e condenada cidade, embora muito populosa. Onde estão os justos, homens fiéis, verdadeiros e tementes a Deus? Assim pensava Abraão (vs. 22-33).

O profeta Jeremias escreveu estas palavras de Deus: “Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade! E Eu lhe perdoarei a ela” (Jr 5:1). Deus estava procurando apenas um justo na cidade de Jerusalém; se Ele o encontrasse, pouparia a cidade da destruição vindoura pelos exércitos de Babilônia. Onde estão os justos, os fiéis e verdadeiros? Assim dizia Deus.

E Jeremias pensava que os insensatos eram apenas os pobres, porque não tinham o conhecimento de Deus. Então, ele se dirigiu aos grandes da nação e se decepcionou porque aqueles líderes que conheciam o caminho do Senhor rejeitavam a Sua palavra e endureciam a sua consciência, “porque as suas transgressões se multiplicaram, se multiplicaram as suas traições” e falsidades. (v. 5,6). “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta Casa que se chama pelo Meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!” (Jr 7:9-10). E Deus procurava um homem justo ao lado do profeta Jeremias, nas ruas daquela condenada cidade.

Diógenes de Sínope (412-323 a.C.) era um filósofo grego desterrado de sua pátria que fora morar em Atenas. Diz-se que ele perambulava pelas ruas da cidade com um lamparina em suas mãos em pleno dia. Perguntaram-lhe: “Diógenes, por que você carrega essa lamparina, em pleno sol do meio-dia?” Ele respondeu prontamente: “Eu procuro um homem!” Ele procurava um homem honesto, verdadeiro, sincero, alguém em quem ele pudesse confiar! Esta é a maior necessidade do mundo.

Disse E. G. White: “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” (E.G.White, Educação, 57). O profeta Jeremias procurava um homem; Davi lamentava a carência de homens retos e justos. Diógenes com a sua lamparina procurava um homem. E Ellen White diz que esta é a maior necessidade do mundo.

II – INTERVENÇÃO DIVINA (v. 5)

Estas são as palavras de Deus, em resposta à necessidade de homens justos, e em contemplação da “opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” esquecidos: “Eu me levantarei agora, diz o Senhor; e porei a salvo a quem por isso suspira.”

Esta é a grande promessa divina de Sua intervenção. Deus não pode ver o mal sem tomar providências redentoras. Os atos de Deus são atos de salvação pelo Seu povo oprimido. Ele promete Se levantar. Esta é uma linguagem figurada que indica uma reação de Deus diante da opressão do Seu povo. Ele Se levantou quando o povo de Israel estava sendo oprimido no Egito. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido na Palestina pelos cananeus e enviou a muitos juízes libertadores. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido pelos babilônios, e enviou a Ciro para libertá-los.

Mas Ele também Se levantou para salvar a humanidade inteira e enviou a Jesus Cristo para libertar-nos do pecado. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16).

Certa noite João Wesley estava a caminho de casa, voltando do trabalho. Na estrada, apareceu dentre as trevas um homem, exigindo-lhe bruscamente o dinheiro ou a vida.

– Meu amigo, – disse Wesley bondosamente, enquanto lhe entregava o que tinha – talvez um dia o senhor deseje abandonar essa vida. Quando chegar esse tempo, lembre-se disto: "Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores" e: "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado".

Anos mais tarde estava Wesley cumprimentando o povo, à porta da igreja. Um membro se lhe aproximou e lembrou-lhe aquele incidente. Wesley bem se recordava do fato.

– Fui eu aquele salteador – disse o homem, humildemente. – As palavras que o senhor me disse nunca mais me abandonaram. Minha vida foi transformada completamente! Descobri que de fato Jesus Cristo pode salvar o mais vil pecador.

O amor e a salvadora graça do Salvador convencem e convertem o mais indigno dos homens! E através dos séculos Ele tem trazido vida e esperança a milhões de pessoas que para Ele ergueram os olhos.

III – CERTEZA LIBERTADORA (6-7)

1 – Certeza de Davi para os homens. Com efeito, podemos confiar na promessa de Deus de que nos porá a salvo, a nós que suspiramos por isso (Sl 12:5), e “gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8:23). E como podemos ter essa confiança? Como podemos ter essa fé? Como podemos ter esta certeza? O salmista nos responde a esta pergunta não formulada em seu salmo, dizendo: “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes.” (Sl 12:6).

Ou seja, embora os homens falham em sua palavra, sendo falsos, bajuladores, hipócritas, pretensiosos e opressores, Deus é fiel e cumpre a Sua palavra que é santa, justa e boa. É a pureza de Sua Palavra que nos transforma e salva. É pela Sua Palavra de pureza que somos animados a ter fé nEle, como disse o apóstolo Paulo: “a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Cristo” (Rm 10:17).

2 – Certeza de Davi para Deus.  Mas, se antes Davi falou para homens, e deu o seu testemunho acerca da Palavra de Deus, agora, ele fala para Deus sobre a certeza que ele tem de que crê na Sua intervenção salvadora: “Sim, Senhor, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre.” (Sl 12:7-8).
Davi fala para Deus sobre a sua fé em Sua libertação: “Sim, Senhor, Tu nos guardarás!” Faz muito bem à nossa alma falar de Deus para Deus! E Ele também Se compraz em nos ouvir falar de nossa fé nEle para Ele. Quando a alma está em angústia, deve clamar a Deus, como Davi fez no início do salmo, em sua queixa; mas não ficaremos só em queixas e lamentações, à procura de homens fiéis, mas vamos além disso, da dúvida para a fé, dizendo a Deus que nós cremos nEle, e que não estamos decepcionados com Ele, embora estejamos decepcionados com os homens.

Quando Elias estava no monte Horebe lamentado a falta de homens fiéis, justos e retos, dizendo que só restava ele, que havia ficado só no caminho da justiça, e ainda procuravam caçar a sua vida, Deus lhe deu uma resposta consoladora: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” (1Rs 19:18). Pode ser que as nossas lamentações devam ser substituídas por louvores e declarações de fé para Deus ao dizermos: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!”

CONCLUSÃO (v. 8)

Vivemos em um mundo terrível, em que “por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.” Há um aumento de crimes e criminosos; há uma proliferação de lugares contaminados por homens perversos e maus, prontos para eliminar a vida por qualquer motivo. Há uma inversão de valores, em que a vileza é exaltada, o crime levanta a sua hedionda cabeça, a depravação é elogiada, e parece que ninguém atenta para isso e a justiça anda tropeçando pelas praças.

Entretanto, há uma grande multidão de homens e mulheres dos quais o mundo não é digno, que se levantam em suas preces para louvar a Deus e dizer: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!” Estes são os verdadeiros e justos, que não dobraram os seus joelhos a Baal, nem aos deuses modernos da televisão, nem à Babilônia “cristã”.

Sim, existe uma multidão de cristãos, “homens que não se compram nem se vendem; homens que no íntimo da alma são verdadeiros e honestos; homens que não temem chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência é tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permanecem firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Estes são os escolhidos de Deus. Agora, só uma pergunta: Você é um destes? Você é um escolhido? Você tem certeza de que anda no caminho da justiça e da retidão?

Você pode dizer a verdade ainda que seja ameaçado pelos ímpios?  Há muitos anos, certo jovem prestava serviço no Exército Confederado do Sul, nos Estados Unidos. Estava sob as ordens do general Robert E. Lee e sentia-se muito orgulhoso dele. Certo dia, esse jovem recebeu a notícia que sua mãe estava muito doente. De modo que pediu licença ao general Lee para visitá-la. O general lhe deu uma ordem escrita e lhe sugeriu que se vestisse à paisano, porquanto sua casa se encontrava muito perto da linha de combate.

Com toda pressa o soldado começou sua viagem. Finalmente, conseguiu divisar seu querido lar. Mas, para sua decepção, notou que vários soldados da União interceptaram o seu caminho. Pôde ver sua casa à distância. Os inimigos não demoraram em prendê-lo e levá-lo perante o comandante do acampamento dos soldados da União, onde tremulavam as bandeiras com a brisa, e havia soldados por todas as partes.

Se ele dissesse que se simpatizava com os do norte, talvez o teriam deixado ir livremente; se dissesse que era do Sul, provavelmente o levariam a um acampamento de prisioneiros.

- Quem é o você? - interrogou o oficial.
O jovem hesitou. Então pensou no seu general, e serenamente, levantando a cabeça orgulhosamente, disse:- "Sou um soldado confederado sob o comando do general Lee."
- Então, você é um espião. Será fuzilado ao amanhecer. Soldados, levai-o daqui!
- Mas, senhor, não sou um espião. Estou usando roupas civis, porque fui dispensado, vou ver minha mãe, doente, mora no fim desta rua.
- Revistam-no! - foi a ordem do oficial. Assim o fizeram, encontraram só a ordem do general Lee para visitar sua mãe. Era um momento de angústia; o oficial examinava o pedaço de papel. Finalmente disse:         -"Parece que você está dizendo a verdade. Além disso, não se envergonha de sua causa. Por estas duas razões ponham-no em liberdade."

Temos certeza de que a nossa libertação é “para sempre”. Nossa suprema esperança é a vida eterna. Em uma vida tão fugaz, hoje, podemos nos preparar a fim de sermos fiéis ao dever como a bússola é fiel ao polo. Podemos afinar a nossa consciência para ouvir a voz de Deus em meio ao vozerio carnavalesco de um mundo que se encaminha para a perdição! Como está a sua consciência, amigo? Você tem uma certeza eterna?

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Rico e Lázaro: Personagens de uma Parábola

Em Lucas 15:2 fica claro que Jesus conta uma série de parábolas para chamar a atenção dos seus ouvintes, em especial os fariseus que murmuravam diante da atitude de Cristo de se relacionar com os pecadores e menos favorecidos. No versículo 14 do capítulo 16 deste evangelho, nota-se que o tema do discurso se amplia e agora Jesus fala acerca da avareza para os fariseus.

  Neste sentido, é bem provável que o “rico” da parábola represente os fariseus avarentos, como o texto mesmo os decreve. O tipo de vestuário descrito por Cristo era a roupa usada pelos judeus ricos, incluindo alguns fariseus, que contrastava grandemente com os mais pobres. Sobre essa questão, COLEMAN, 1991, p. 61 e 62, escreveu:

É interessante notar que quando Jesus narrou a parábola do rico e Lázaro (Lc 16:19ss) ressaltou o fato de que o rico egoísta tinha roupas de púrpura e linho finíssimo. Isso é digno de nota pois normalmente ele não se preocupava em mencionar o que as pessoas vestiam. O termo púrpura talvez designasse um dos diversos tons que ia desde o roxo profundo, passando pelo carmesim. A túnica interior de linho, usada pelos homens, era feita de uma fibra tingida de amarelo, que era importada do Egito, e se chamava bisso. Era tão luxuosa que os egípcios falavam dela como de “um tecido feito de ar”.

  Alguns autores também dizem que além dos fariseus Jesus estava falando para os saduceus que não acreditavam na ressurreição (CHAMPLIN, 2002), mas isso é pouco provável por pelo menos duas razões. Em primeiro lugar é que não encontramos na descrição do texto a menção da presença dos saduceus entre os que estavam ouvindo a Jesus quando ele contava as parábolas mencionadas em Lucas 15 e 16, que compões a perícope em estudo. E também como já foi descrito nesta pesquisa, o tema teológico da parábola do rico e Lázaro não é sobre a ressurreição, muito menos sobre a vida após a morte, mas sobre a avareza. É claro que as lições morais vão aplicar-se à todas as classes e grupos, incluindo os saduceus, mas não podemos afirmar que o rico como personagem representaria diretamente os saduceus.
            
  No texto de Lucas 16:19-31, Lázaro é o nome dado por Jesus ao mendigo da parábola. O curioso é que em nenhuma outra parábola os personagens são nomeados, e isso nos faz perguntar o porquê disso. Lázaro era um nome comum na época de Jesus, inclusive conhecemos um Lázaro a quem Jesus ressuscitou (Jo. 11 e 12), será que poderia haver alguma relação com ele? Ou seria apenas um nome aleatório? Podemos encontrar alguma razão para Jesus nomear e usar especificamente este nome?

  Lembrando que os ouvintes da parábola são identificados em Lucas 16:14 como os fariseus, devemos imaginar que Jesus poderia estar chamando a atenção deles para alguma questão ao usar o nome Lázaro. Lázaro como termo é uma abreviação da expressão hebraica “aquele que Deus ajuda” (ver GARDNER, 2000), que é uma ideia importante no tema da parábola, a avareza contrastada com a humildade e amparo de Deus aos necessitados.

  Neste sentido, abalizado pelo tema teológico da parábola, ao usar este nome comum entre os judeus (Lázaro, forma grega de Eleazar que significa “Deus ajudou”  de acordo com BOYER,1997) Jesus poderia estar ensinado aos fariseus que não são seus méritos que os salvarão, mas a graça ajudadora de Deus. 

  Podemos supor a princípio que Jesus usou um nome comum da época, mas semignorar seu significado, que no idioma dos ouvintes, e no contexto da discussão teológica, ajudou a enfatizar o tema da parábola que foi contada e fortaleceu sua argumentação sobre o contraste e recompensa da avareza com a humildade e infortúnio de muitos.
       
  Todavia não podemos ignorar ou desconsiderar que na cronologia dos evangelhos, esta parábola foi contada por Jesus pouco antes da ressurreição de Lázaro (ROBINSON, 1834). Jesus poderia estar indiretamente chamando a atenção dos fariseus que duvidavam do poder divino de Jesus e haviam desacreditado seus milagres, para a ressurreição impressionante que se seguiria pouco tempo após ele contar essa parábola, onde Jesus concluiu assim: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dos mortos” (Lc. 16:31). Em outras palavras, poderíamos supor que Jesus estava alertando para um grande sinal que Ele realizaria em um futuro próximo, mas já prevendo sua negação por parte de muitos.

  Jesus já estava adiantando que, como os fariseus não acreditavam na Palavra de Deus escrita e nem na Palavra dita (por Jesus neste momento), não acreditariam nele mesmo após ressuscitar Lázaro dos mortos. Imagine o impacto que foi para os ouvintes escutarem essa parábola onde um personagem tinha nome próprio e logo após Jesus ressuscitar Lázaro! Não podemos afirmar que Jesus usou intencionalmente esse nome para esse fim, uma vez que ressurreição ou vida após a morte não eram o tema principal da parábola, mas que essa relação pode ser lenvatada não podemos negar por completo.

Fonte: Parte de uma exegese de Lucas 16:23 de Yuri Ravem G. V. e Paiva. yuriravem@yahoo.com.br




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O desejo de status

Outro dia fui repreendido por uma advogada porque não a chamei de “doutora”. Um amigo me contou que ficou esperando duas horas para que lhe fosse entregue um cheque que estava pronto sobre a mesa de um diretor. Ao entregá-lo a secretária lhe disse: “O cheque está pronto há muito tempo. É que o meu diretor gosta de deixar as pessoas esperando para se fazer de importante”. Um agente de viagens me contou que há clientes que fazem absoluta questão de sentar no primeiro assento do avião, pois acham que sentar no primeiro assento é questão de status. Numa oficina, um mecânico me disse que o “Dr. Fulano” não aceita esperar um minuto sequer. A mesma coisa ouvi de um frentista de posto de gasolina: “Aquela mulher não suporta esperar que atendamos outra pessoa em sua frente. Ela quer que a gente pare de atender a outra pessoa para atendê-la”. Maitres e garçons ficam abismados de ver que há clientes que não vão ao restaurante se a “sua” mesa estiver ocupada. Uns assistem uma palestra sobre vinhos e se acham os maiores especialistas em enologia, ensinando o sommelier. Outros fazem questão absoluta de serem atendidos pelo dono do restaurante e não por garçons. Alguns não admitem que seu “carrão” vá para o estacionamento. Exigem que ele fique estacionado defronte ao restaurante - mesmo que não haja vagas. Tal hóspede só fica na suíte 206. “Se ela estiver ocupada ele fica uma fera”, disse-me o gerente do hotel.... ”O presidente só toma café nesta xícara”, confidenciou-me a copeira da empresa. “Quando a anterior quebrou não encontramos no Brasil. Daí um diretor trouxe outra igual da França...”.

Esta lista de exigências não teria fim se quiséssemos esgotá-la. Por que certas pessoas sentem tanto desejo e mesmo necessidade de status?

Alain de Botton, um filósofo contemporâneo, estuda esse desejo tão exacerbado nos dias atuais em seu livro que leva o nome desta mensagem: “Desejo de Status” (Editora Rocco, 2004). O autor analisa o “esnobismo” contemporâneo como forma de vencer o anonimato e a falta de conteúdo das pessoas neste mundo de aparências em que vivemos. Vale a pena ler.

O mundo já está complicado demais para que as pessoas ainda vivam buscando status. Pessoas esnobes, desejosas de deferências e rapapés parecem não compreender que estamos no século XXI. Fico impressionado ao ouvir relatos de pessoas que fazem exigências absurdas, desejam atendimentos especiais, mesas únicas. Geralmente são pessoas de origem humilde que necessitam dessas exigências e até da arrogância, para mostrar a sua importância, já que elas próprias pouca importância se dão, dizem os psicólogos e filósofos que tratam do assunto.

Veja se você não está sendo vítima de um desejo exagerado de status e fazendo exigências descabidas de serviços e atenções, tornando-se arrogante e esnobe. Faça uma autoanálise antes de cair no ridículo e ser motivo de chacota das pessoas que lhe atendem e servem, mas riem de sua insegurança assim que você deixa o ambiente, crente que está abafando.

Pense nisso. Sucesso!



PROF. LUIZ MARINS

Antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University/School of Behavioural Sciences) sob a orientação do renomado antropólogo indiano Prof. Dr. Chandra Jayawardena e na Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação da Profa.Dra. Thekla Hartmann;

- Licenciado em História (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba); estudou Direito (Faculdade de Direito de Sorocaba); Ciência Política (Universidade de Brasília - UnB); Negociação (New York University, NY, USA); Planejamento e Marketing (Wharton School, Pennsylvannia, USA); Antropologia Econômica e Macroeconomia (Curso especial da London School of Economics em New South Wales) e outros cursos em universidades no Brasil e no exterior. 

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