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quarta-feira, 29 de maio de 2013

SALMO 7: VINDICAÇÃO DIVINA PARA O ACUSADO FALSAMENTE

Shiggaion [confissão] de Davi que ele cantou ao Senhor acerca de Cuxe, o benjamita.

1 Senhor, meu Deus, em ti me refugio;
    salva-me e livra-me de todos os que me perseguem,
2 para que, como leões, não me dilacerem
    nem me despedacem, sem que ninguém me livre.
3 Senhor, meu Deus, se assim procedi,
    se nas minhas mãos há injustiça,
4 se fiz algum mal a um amigo
    ou se poupei sem motivo o meu adversário,
5 persiga-me o meu inimigo até me alcançar,
    no chão me pisoteie e aniquile a minha vida,
    lançando a minha honra no pó.                     [Pausa]
6 Levanta-te, Senhor, na tua ira;
    ergue-te contra o furor dos meus adversários.
    Desperta-te, meu Deus! Ordena a justiça!
7 Reúnam-se os povos ao teu redor.
    Das alturas reina sobre eles.
8 O Senhor é quem julga os povos.
    Julga-me, Senhor, conforme a minha justiça,
    conforme a minha integridade.
9 Deus justo,
    que sondas as mentes e os corações,
    dá fim à maldade dos ímpios e ao justo dá segurança.
10 O meu escudo está nas mãos de Deus,
    que salva o reto de coração.
11 Deus é um juiz justo,
    um Deus que manifesta cada dia o seu furor.
12 Se o homem não se arrepende,
    Deus afia a sua espada,
    arma o seu arco e o aponta,
13 prepara as suas armas mortais
    e faz de suas setas flechas flamejantes.
14 Quem gera a maldade,
    concebe sofrimento e dá à luz a desilusão.
15 Quem cava um buraco e o aprofunda
    cairá nessa armadilha que fez.
16 Sua maldade se voltará contra ele;
    sua violência cairá sobre a sua própria cabeça.
17 Darei graças ao Senhor por sua justiça;
    ao nome do Senhor Altíssimo cantarei louvores.
(Salmo 7, NVI)

Esta oração de súplica brotou do coração de Davi quando ele foi acusado falsamente de ter roubado um companheiro israelita. Ele leva o seu caso diretamente ao supremo tribunal de justiça, ao juiz sacerdotal no santuário, como foi prescrito por Moisés (veja Deut 17:8-12). Ele apela urgentemente ao Senhor como o seu justo Juiz (Sal. 7:8-11) por meio deste "shiggaion" que provavelmente significa "intensa lamentação".

Apelar ao santuário para buscar vindicação divina contra uma falsa acusação já foi mencionado pelo Rei Salomão na oração de sua dedicação do novo Templo:

Quando um homem pecar contra seu próximo e tiver que fazer um juramento, e vier jurar diante do teu altar neste templo, ouve dos céus e age. Julga os teus servos; condena o culpado, fazendo recair sobre a sua própria cabeça a conseqüência da sua conduta, e declara sem culpa o inocente, dando-lhe o que a sua inocência merece. (1 Reis 8:31, 32, NVI).
Davi faz um juramento de inocência em seu grito por vindicação divina:

Senhor, meu Deus, se assim procedi,
    se nas minhas mãos há injustiça,
se fiz algum mal a um amigo
    ou se poupei sem motivo o meu adversário,
persiga-me o meu inimigo até me alcançar,
no chão me pisoteie e aniquile a minha vida,
lançando a minha honra no pó.        [Pausa]
(Sal. 7:3-5, NVI)

Anteriormente Jó tinha feito um juramento de inocência semelhante ou purificação própria diante de Deus:

“Se me conduzi com falsidade,
    ou se meus pés se apressaram a enganar, —
Deus me pese em balança justa,
    e saberá que não tenho culpa —
se meus passos desviaram-se do caminho,
    se o meu coração foi conduzido por meus olhos,
    ou se minhas mãos foram contaminadas,
que outros comam o que semeei,
    e que as minhas plantações sejam arrancadas pelas raízes."
(Jó 31:5-8, NVI)

Assim Davi jura solenemente diante de Deus que ele não prejudicou seu companheiro israelita, que ele não andou no caminho do ímpio cujas injúrias retornam a suas próprias cabeças (vv. 14-16). Davi se conta entre os retos de coração (vs. 10), entre os justos (vs. 9). Ele tem andado coerentemente no caminho da aliança (veja Sal. 15). Nessa base ele pode clamar pela ajuda do Senhor em seu processo. Ele apela à justiça de Deus (vv. 9, 17) para julgar sua causa justa:

Julga-me, Senhor, conforme a minha justiça,
    conforme a minha integridade.
(v. 8, NVI)

Pode-se definitivamente entender mal estas palavras se forem separadas do seu contexto e levá-las a dizer que Davi estava pleiteando em base ao seu alegado de impecabilidade ou justiça própria. As palavras de Davi não são uma qualificação própria isolada. O Rei Davi confessa sua inocência em um processo sacro específico no qual ele era acusado injustamente, bem provavelmente por um tal Cuxe, benjamita (veja sobrescrito do Sal. 7). Cuxe provavelmente era um seguidor de Saul, o rei anterior que também veio da tribo de Benjamim. Davi foi freqüentemente acusado de buscar ferir Saul (1 Sam 24:9). Davi devia em dores contestar esta acusação com uma súplica ao Senhor como o seu Juiz (veja 1 Sam 24:11-15; 26:18). Davi tinha mostrado claramente sua inocência quando ele poupou a vida de Saul, enquanto ele pudesse ter levado isto facilmente. Esta era a explicação dele:

O Senhor recompensa a justiça e a fidelidade de cada um. Ele te entregou nas minhas mãos hoje, mas eu não levantaria a mão contra o ungido do Senhor (1 Sam 26:33).

Assim agora Davi pleiteia apaixonadamente a sua inocência diante de Deus relativo à acusação de Cuxe de que ele tinha tratado um anterior amigo maliciosamente e o tinha saqueado sem causa (vv. 3-4, 8). A Versão Almeida Revista e Atualizada traduz a segunda metade de verso 4 de modo diferente, "eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia". De acordo com esta possível tradução Davi reivindica ter salvado o mesmo que o perseguiu (a Davi) sem causa.

Davi, deprimido, implora fervorosamente ao Senhor que intervenha ao seu lado, "contra o ira de meus adversários" (v. 6). As palavras, "Desperta, ó SENHOR, " pretenda alistar a participação ativa de Deus como Guerreiro Santo (cf. Núm. 10:35). Com Yahweh como o Seu Juiz Supremo ele chama agora os povos reunidos para serem suas testemunhas (v. 7). Como o antigo Abraham, ele está absolutamente seguro do resultado do julgamento de Deus: "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gên. 18:25). As suas letras culminam na prece ardente:

Deus justo,
    que sondas as mentes e os corações,
dá fim à maldade dos ímpios
    e ao justo dá segurança.
(Sal. 7:9, NVI)

Esta petição é de grande conforto a todos os que são injustamente perseguidos. Contém um encorajamento especial para o fiel remanescente quando enfrentar as aflições do conflito final com os poderes das trevas. Para os que andam nos caminhos do SENHOR –motivados por amor e gratidão e respeito – o juízo final de Deus não traz ansiedade, mas esperança; não traz medo, mas a resposta para as suas súplicas por justiça.

Digam entre as nações: “O Senhor reina!”
    Por isso firme está o mundo, e não se abalará,
    e ele julgará os povos com justiça.
Regozijem-se os céus e exulte a terra!
    Ressoe o mar e tudo o que nele existe!
    Regozijem-se os campos e tudo o que neles há!
Cantem de alegria todas as árvores da floresta,
    cantem diante do Senhor, porque ele vem,
    vem julgar a terra;
julgará o mundo com justiça
    e os povos, com a sua fidelidade!
(Sal. 96:10-13, NVI)

O juízo final de Deus vindicará em última instância a todos os que foram falsamente acusados e perseguidos por causa da justiça e pela palavra de Deus (Mat. 5:10; Apoc. 6:9-11). Isto diz respeito a todo crente, pois Paul declarou, "De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2 Tim 3:12). Nos dias pouco antes do segundo advento de Cristo, os crentes fiéis conhecerão a ira aumentada do "dragão" em um boicote político-econômico com a imposição da "marca da besta" no mundo (Apoc. 13:11-17; 14:6-12).

O povo de Deus então clamará por  ajuda e vindicação divina! Cristo ensinou aos Seus discípulos a perseverar nas súplicas a Deus quando sofressem injustiça. Em uma parábola importante, Jesus disse que as petições inoportunas de uma viúva a um juiz irreligioso tiveram êxito quando ela o pressionou incessantemente, "Faze-me justiça contra o meu adversário!" Da sua reabilitação por este juiz irreligioso Cristo tirou esta mensagem de esperança para os fiéis no tempo do fim:
"Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: Ele lhes fará justiça, e depressa." (Lucas 18:7, 8).

À luz da garantia de Cristo, o Salmo 7 toma uma dimensão nova, apocalíptica. Os cristãos no tempo do fim acharão a solicitação de Davi extremamente aplicável para as suas necessidades e uma porta de esperança nas horas mais escuras da história. Com Davi eles orarão:

Senhor, meu Deus, em ti me refugio;
    salva-me e livra-me de todos os que me perseguem
(Sal. 7:1, NVI)

O meu escudo está nas mãos de Deus,
    que salva o reto de coração.
Deus é um juiz justo,
    um Deus que manifesta cada dia o seu furor.
(Sal. 7:10, 11, NVI)

Davi buscou sua defesa, seu "refúgio", no Soberano Deus, que salvará o reto de coração. O justo Juiz destruirá aqueles que perseguem o justo derrubando a sua violência nas suas próprias cabeças (veja Sal. 7:16).
As ações salvadoras e destruidoras de Deus formam dois aspectos indissolúveis de Sua justiça. Ambos foram manifestados repetidamente na história da salvação de Israel. A libertação do fiel povo da aliança foi sempre acompanhada, ou antes, introduzida pela derrota e destruição dos seus inimigos declarados.
O salmista revela agora por que ele está seguro da vindicação de Senhor no caso dele. Deus intervirá do seu lado como o Guerreiro Santo:

Se o homem não se arrepende,
    Deus afia a sua espada,
    arma o seu arco e o aponta,
prepara as suas armas mortais
    e faz de suas setas flechas flamejantes
(Sal. 7:12, 13, NVI)

O acusador de Davi é pintado como alguém cujas más intenções resultaram em "desilusão", ou em "mentiras" (v. 14, RSV). Davi percebe que ele não está lutando contra algum erro inadvertido ou palavras faladas em negligência, mas contra um plano deliberado que planeja destruí-lo. Ele indica este premeditação malvada do seu acusador como segue: "Quem cava um buraco e o aprofunda cairá nessa armadilha ... " (Sal. 7:15).

Mas de repente o jogo é invertido. O ímpio, que abriu uma cova, em um momento desconhecido,
    cairá nessa armadilha que fez.
Sua maldade se voltará contra ele;
    sua violência cairá sobre a sua própria cabeça.
(Sal. 7:15, 16, NVI)

Deus pode operar de maneiras misteriosas que são ocultas aos olhos dos homens. Foi um acidente, alguns diriam. Mas a sabedoria de Israel vê uma lei secreta de Deus agindo em tais situações.
Quem faz uma cova, nela cairá;
    se alguém rola uma pedra, esta rolará de volta sobre ele.
(Prov 26:27, NVI)

Parece ser quase uma lei natural: o mal traz seu próprio castigo para o malfeitor. "O mal matará o ímpio" (Sal. 34:21; cf. Sal. 9:15; 57:7; Prov 28:10; Ecl. 10:8). Porém, esta reversão de mal acontece por causa do decreto justo do Senhor:

Faz-se conhecido o SENHOR,
    pelo juízo que executa;
enlaçado está o ímpio nas obras
    de suas próprias mãos.
(Sal. 9:16, RA)

Somente os olhos da fé percebem a justiça escondida do Deus de Israel no princípio de que o mal inflige seu próprio castigo. Esta lei de retribuição é expressa explicitamente na lei mosaica ao lidar com uma testemunha maliciosa. O tribunal tem que se ocupar primeiro com uma “completa investigação” (Deut 19:18). Quando "ficar provado que a testemunha mentiu e deu falso testemunho contra o seu próximo, dêem-lhe a punição que ele planejava para o seu irmão. Eliminem o mal do meio de vocês." (Deut 19:18, 19).

Na perspectiva de escatológica, esta verdade da fé e sabedoria de Israel já encontrou um real cumprimento na queda do arquiinstigator de todo o pecado, "a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás ... pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite" (Apoc. 12:9, 10). O tempo para a execução deste juízo é indicado por Jesus: "Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo será julgado" (João 12:31). Este "agora" aponta para o sacrifício expiatório de Cristo na cruz de Calvário (veja João 12:32, 33). Este fato é a base da garantia apostólica de que as acusações de Satanás não têm nenhum poder diante de Deus desde a cruz de Cristo:

Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. (Rom 8:33, 34).

Até onde diz respeito a Satanás, ele será julgado no tempo de Deus e receberá em sua própria cabeça aquilo de que ele acusou a outros (Apoc. 20:1-3, 10).

Davi completou o lamento dele com um penhor agradecer o Senhor por executar o retidão divino dele no lado dele:
Darei graças ao Senhor por sua justiça;
    ao nome do Senhor Altíssimo cantarei louvores.
(Sal. 7:17, NVI)

A convicção que Yahweh – o Deus da aliança de Israel – é o seu Defensor e Protetor enche Davi de confiança e alegria da certeza.
Os crentes cristãos podem achar na cruz histórica e na ressurreição de Cristo a garantia suprema de sua vindicação por Cristo. Então, eles têm um motivo superior para louvar o Altíssimo.

Deus é um Deus moral que Se empenhou a Si mesmo em vindicar os crentes falsamente acusados pelos judeus e gentios, Seu verdadeiro povo da aliança, o povo messiânico. Eles todos serão justificados no juízo de Deus. O paraíso restaurado será um lugar ainda mais glorioso que era no princípio porque "nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro." (Apoc. 21:27).


Pr. Hans K. Larondelle

sexta-feira, 24 de maio de 2013

SALMO 7 – VOCÊ FOI ACUSADO INJUSTAMENTE?

INTRODUÇÃO (vs.1-2)

Todo discurso e todo sermão deve ter 3 partes indispensáveis: (1) Introdução, (2) Corpo e (3) Conclusão, ou se preferir, eles tem Começo, Corpo e Conclusão. E assim são os salmos que são sermões inspirados, que tem um começo, em que se introduz um assunto, tem um desenvolvimento dele, e logo a seguir, vem o final geralmente climático. Neste salmo, vemos uma introdução inicial, um assunto que se desenvolve por 3 palavras-chave, e um clímax no final. As 3 palavras que revelam todo o salmo 7 são estas: Acusação, Julgamento e Condenação.

Este salmo é considerado o primeiro dentre os Salmos Imprecatórios, que contém uma solicitação de juízo, calamidade ou maldição contra os inimigos do salmista, que são vistos como inimigos de Deus. Esses salmos têm deixado perplexos a muitos estudiosos, mas devem levar em conta o propósito deles: (1) demonstrar o trato de Deus contra os ímpios, (2) dar uma oportunidade de arrependimento para eles, (3) vindicar os justos perseguidos e (4) motivar a todos, justos e injustos, a louvar a justiça divina, agora e no grande Julgamento divino.

O salmo 7 é introduzido com estas palavras de Davi: “Senhor, Deus meu, em Ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre.” (v. 1-2).

Davi faz uma declaração diretamente a Deus, afirmando que Ele é o seu “Refúgio”. Toda oração geralmente começa com uma prece de gratidão, exceto quando a alma está atribulada. E esse era o caso daquele homem, que agora clamava dizendo: “Salva-me e livra-me!” Ele não orava por salvação do pecado; ele orava por livramento dos seus inimigos, que o perseguiam “como leão”.

Davi conhecia a força destruidora de um leão. Ele via leões destruindo vidas inocentes e indefesas, e certa vez, quando era jovem, ele apascentava as ovelhas de seu pai, e viu um leão levando uma ovelha em sua boca, e ele correu atrás do animal, e tirou a ovelha da boca do leão e o matou. Mas agora, ele temia um inimigo que se comparava a um leão mais forte do que ele, que podia arrebatá-lo, despedaçando-o, sem chance de escapar, sem uma possibilidade de livramento.

Que palavras desesperadoras: “não havendo quem me livre!” Parece bem com as palavras que são retratadas pelo apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Mas Paulo não falava de si mesmo, porque ele conhecia o seu Libertador; ele falava de um homem perdido, que, embora conhecesse a Lei de Deus, desconhecia o Salvador. Davi conhecia o seu Libertador, mas falou desse modo para ressaltar a sua desesperança se ele não tivesse a Deus como o seu Refúgio.

De fato, se não fosse a ajuda constante de Deus, seríamos despedaçados pelo nosso maior inimigo. Satanás é comparado a um leão, “que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8). Os leões são traiçoeiros e se aproveitam das fraquezas de suas vítimas. E assim age Satanás e todos os nossos inimigos que nos ameaçam, e rondam procurando uma ocasião oportuna para atacar pelas costas, a fim de nos destruir. Mas como Davi, nossa única esperança será buscar o refúgio em nosso poderoso Deus.

I – ACUSAÇÃO (vs. 3-5)

V. 3-4: “Senhor, meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se nas minhas mãos há iniqüidade, 4  se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia.”

1 - Davi foi acusado falsamente. Ele usa as mesmas palavras que usou no verso 1, dirigindo-se ao “Senhor, meu Deus”, porque estas são as expressões de alguém que está ofendido e profundamente angustiado, sem poder achar uma solução para o seu caso. Ele disse: “se eu fiz o de que me culpam...” Ele estava sendo inculpado de alguma coisa que ele não praticara.

2 – Davi afirma a sua inocência. Diz ele: “se nas minhas mãos há iniqüidade...” Ele se nega a confessar um pecado que ele não praticou. O tríplice uso da palavra “se” indica claramente a afirmação de sua fidelidade. Davi já havia feito um protesto diante de Jônatas a quem dirigiu estas palavras: “Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” (1Sm 20:1). Ele tinha uma consciência limpa e era fiel e verdadeiro.

3 – Davi revela o crime de que o acusavam. Notem o que ele diz: “se paguei com o mal a quem estava em paz comigo.” Isto se refere ao rei Saul porque logo ele acrescenta: “eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia...” De acordo com o título, o salmo foi escrito “com respeito às palavras de Cuxe”. Esse homem era um parente de Saul, da mesma tribo de Benjamim. Ele havia caluniado a Davi, acusando-o de conspiração contra o rei Saul, a fim de matá-lo. Quando Davi se defrontou com o rei Saul disse-lhe: “Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: ‘Davi procura fazer-te mal!’?” (1 Sam 24:9).
 
Esta foi a explicação de Davi ao rei Saul, quando foi instigado a matar o rei Saul, o seu inimigo opressor: “Os teus próprios olhos viram, hoje, que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de Deus.” (1Sm 24:10). Davi tinha mostrado claramente sua inocência ao poupar a vida de Saul, quando ele podia tê-lo matado facilmente.

Este é o fato: acusação falsa de conspiração contra um homem de Deus que tinha a misericórdia de até poupar a vida de um grande inimigo seu, que procurava matá-lo a todo custo, em muitas ocasiões, vivendo “à caça de minha vida”, “como leão” (disse ele, 1Sm 24:11)! Assim era Davi. Não admira que fosse chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13:22), porque Deus é misericordioso até com os Seus piores inimigos, poupando a vida deles, e dando-lhes oportunidade de se arrependerem para serem salvos e viverem eternamente com o Seu Benfeitor!

4 – Davi faz o juramento de sua inocência. Disse no v. 5: [Se eu sou culpado] “persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, espezinhe no chão a minha vida e arraste no pó a minha glória”. É como se diz hoje em dia: “Se eu fiz isso, quero que caia um raio do céu na minha cabeça!” Isto é um juramento; ele está disposto a sofrer, se ele for culpado de alguma coisa de que é acusado. Isso indica que ele realmente é inocente, e usa uma linguagem muito forte, quase em desespero, para se defender diante de um Deus.

Com efeito, o veneno da calúnia pode levar a vítima ao desespero ou à loucura. As palavras de Cuxe feriram os sentimentos de Davi, atacaram a sua reputação e destruíram a sua paz.

Conta uma lenda que os animais um dia, perguntaram desafiando à serpente:
 - “O leão”, disseram eles, “atira-se contra a presa, mata-a e devora-a. O lobo estraçalha a ovelha que lhe serve de alimento. O tigre, quando faminto ataca o carneiro e arrasta-o para o seu covil. Mas você, malvada serpente, o que faz? Pica a sua vítima e transmite o veneno para ela. Ora, que proveito você tira da sua perversidade peçonhenta?”
Contorcendo-se, responde a serpente:
- “Nada espero dos golpes venenosos que eu aplico. Do mal que faço, não tiro o menor proveito. Sigo traindo, envenenando, semeando a dor e a morte, mas não sou pior que o caluniador.”   (Malba  Tahan).

A Bíblia diz que muitos outros foram caluniados, acusados injusta e falsamente, e sofreram muito por causa de pessoas perversas e invejosas. (1) José do Egito foi acusado injustamente de seduzir a mulher de Potifar. (2) Jeremias foi acusado de profetizar falsamente em nome do Senhor contra Jerusalém. (3) Daniel foi acusado de rebelião contra o decreto do rei Dario. (4) Paulo foi acusado pelos judeus de ensinar contra a lei. (5) Jesus Cristo foi acusado de blasfêmia, de traição e de insurreição contra Roma, e foi açoitado para pacificar os acusadores.

Era tempo de guerra. Aprisionaram um soldado que regressara ao acam¬pamento, vindo de uma mata próxima. Ele foi acusado de estar traindo o seu exército, mantendo contato com o inimigo e foi levado à presença do comandante.
- “O que você estava fazendo naquela mata, àquela hora da noite? - perguntou o oficial.”
- “Fui ali para orar por mim, fazer uma oração ao meu Deus - respondeu o jovem.”
Não convencido, o comandante ordenou friamente que o jovem se ajoelhasse e orasse.
- “Se você tem o hábito de orar tanto por auxilio, faça-o agora.”
Compreendendo que a acusação de traição poderia significar morte, o jovem caiu de joelhos, e desabafou o coração diante de Deus. Foi patente, em vista de sua fervorosa conversa com o Senhor, que esta não era uma nova experiência em sua vida. Ao soltar ele as últimas palavras e abrir os olhos, viu uma nova expressão da fisionomia do comandante.
- “Ergue-te - disse simplesmente o oficial - pode ir embora. Creio no que você disse; do contrário, não poderia fazê-lo tão bem como fez agora.”

Disse o apóstolo Paulo que todos os cristãos sofrerão perseguição; todos os que pretendem servir a Deus serão chamados a suportar as mais vis calúnias e falsas acusações (2Tm 3:12). A Bíblia também diz que Satanás nos acusa de dia e de noite (Ap 12:10). Portanto, o salmo 7 contém uma grande mensagem de conforto e esperança para todos os cristãos. Esta é também uma mensagem escatológica, porque traz uma grande consolação a todos os que no tempo do fim são injustamente perseguidos. Ele contém um grande encorajamento para o remanescente fiel quando for vítima das maldições do conflito final com os poderes das trevas, e quando for acusado falsamente.

II – JULGAMENTO (vs. 6-11)

Davi apela para a intervenção divina. Ele disse, v. 6: “Levanta-te, Senhor, na Tua indignação!” Este é um apelo para que Deus tome uma iniciativa, e intervenha a fim de julgar o seu caso. Ele estava sofrendo horrivelmente pela língua caluniosa dos seus inimigos, e de Cuxe em particular. “Mostra a Tua grandeza contra a fúria dos meus adversários!” Isso demonstra claramente que os seus inimigos queriam destruí-lo, e estavam ferozes contra ele. Mas ele sabia que Deus estava indignado contra eles.

Toda acusação será levada a julgamento; senão dos homens, o caso será levado a julgamento divino. Toda palavra proferida tem as suas consequências ou para o bem ou para o mal de quem a proferiu. Disse Jesus Cristo sobre este solene assunto: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mt 12:36-37).

Mas Davi responde a pergunta: Como será o Julgamento divino?
1 – O Julgamento será universal. V. 7: “Reúnam-se ao redor de Ti os povos!” V. 8a: “O Senhor julga os povos”, como foi no passado, e como será no futuro! Davi não tem receio da presença de todos os povos para presenciar ao julgamento de sua causa. Ele mesmo chama agora os povos reunidos para serem suas testemunhas. Ele lembra que o seu próprio povo contemplava as suas perseguições, e ouvia as acusações contra ele, e muitos estavam na dúvida. 

Ele prevê o dia do grande Juízo em que todos universalmente comparecerão diante do Tribunal divino, em que Deus estará acima de todas as nações da Terra. A doutrina do Juízo é encontrada em muitos lugares na Bíblia, e nos salmos isto é uma realidade impressionante. “O Senhor julga os povos”!

2 – O Julgamento será individual.V. 8b: “Julga-me, Senhor!” Embora seja um julgamento universal, cada pessoa será julgada separadamente. Davi faz um forte apelo para que Deus venha julgá-lo pessoalmente. “Se Deus julga a todos os povos, por que Se demora em me julgar e defender a minha causa?” Não é admirável que ele peça que Deus o julgue? Não seria de se temer o julgamento divino? Não, pelo contrário; ele temia mais o juízo humano; porque ele já estava sendo julgado pelos homens que o condenaram por atos que ele não praticara, e portanto, julgaram mal e injustamente ao inocente. Eles queriam matá-lo, porque o juízo dos homens é preconceituoso, injusto, e implacável. Então, Davi recorre ao julgamento de Deus.

Neste ponto, fazemos 3 perguntas pertinentes:
(1) Os justos serão julgados? Esta é a verdade mais clara do texto. Davi era um homem justo e queria ser julgado por Deus. Mas, pergunte aos teólogos populares e eles responderão que os cristãos não serão julgados. Eles dizem que os cristãos não precisam de julgamento, e não passarão pelo tribunal porque eles já estão justificados. Esses teólogos sem teologia baseiam o seu argumento em João 3:18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado.” Mas o que acontece é que eles estão baseando a sua doutrina no equívoco de uma tradução.

A palavra grega original é “krino”, que significa “julgar”, mas também significa “condenar, punir”. A versão Corrigida diz: “Quem crê nele, não é condenado”, corretamente. De fato, quem crê em Cristo não será condenado, como afirmou Paulo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1). Portanto, os cristãos não serão condenados, mas serão julgados. Entretanto, ao invés de temer o julgamento, eles como Davi querem apressar a Deus para que os julgue e vindique a sua causa contra os seus inimigos opressores. Disse Davi: “Julga-me, Senhor!”

(2) Qual era o critério de Davi? Ele mesmo diz, v. 8: “segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim.” Davi queria ser julgado pela sua retidão e integridade. Mas como pode Davi se dirigir a Deus e apresentar a sua justiça? Não é estranho que Lhe apresentasse esse critério e esta condição, quando se esperava dele que se humilhasse e confessasse a sua culpa? Ele disse no Salmo 40:12: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça.”

Como poderia ele apresentar alguma justiça diante de Deus? A pergunta é correta, mas está fora de contexto. Davi apresentava a correção de sua vida com relação às coisas de que o julgavam e ele sabia com toda a certeza que não tinha praticado aquilo de que o acusavam. Este era um caso específico em que um homem justo estava sendo condenado e acusado injustamente.

 (3) Qual é o grande desafio de hoje? Integridade. Davi tinha um caráter íntegro, e os cristãos também a possuem. Prega-se em nosso tempo muito sobre os pecados dos cristãos, mas pouco, ou quase nada, sobre a integridade deles. Os cristãos sinceros são íntegros. Vemos em nosso mundo pessoas que mentem, roubam, adulteram e matam com muita tranquilidade. Os cristãos revelam a sua integridade nas circunstâncias mais difíceis, nos momentos mais dramáticos de sua vida. Eles não mentem como é comum em nossa sociedade. Eles não se aproveitam das horas em que o seu patrão está fora de sua vista. Eles são fiéis à sua esposa. Não entram em confusão e respeitam as pessoas, e não são vistos em brigas com os outros. Eles sabem amar e são pessoas em quem se pode confiar.

3 – O Julgamento será vindicatório. V. 9: “Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo!” Os justos serão vindicados, justificados, defendidos perante todos, e então, eles serão estabelecidos e os ímpios derrotados, e cessarão a sua malícia. Os falsos acusadores saberão que suas mentiras serão expostas diante de todo o universo. E eles ficarão sem poder dizer nada para se justificar. Será uma situação terrível e embaraçosa. Então, o mal cessará; o pecado não se levantará pela segunda vez. Então, os justos serão estabelecidos para sempre num reino eterno. E Deus será glorificado!

4 – O Julgamento será justo. Por 2 razões, claras nos v. 9b-11:
(1) Deus tem o poder. Deus é onisciente: “Sondas a mente e o coração!” (v. 9). Deus é tão sábio que pode penetrar até na mente do homem e nada escapa ao seu olhar penetrante e perscrutador. Ele é capaz de ler os pensamentos da mente e perceber os sentimentos e afeições do coração. Ele é sábio demais para errar, e vê o coração além das aparências. Ele não julga pelo exterior, mas vê o coração de cada um, e julga pela reta justiça. Se é assim, Ele tem o poder para fazer justiça.

(2) Deus tem o caráter. Deus não somente tem o poder para fazer justiça, como também tem o caráter justo; Ele é chamado de “justo Juiz” (v.11). “Deus é o meu escudo; ele salva os retos de coração.” Davi confia em Deus como o seu Escudo porque tem certeza de que Deus o salvará de seus inimigos que desejavam a sua morte. Mas o Senhor é o “justo Juiz”, e portanto, Ele faz distinção entre pessoas, salvando “os retos de coração” e demonstrando a Sua indignação e ira contra os ímpios.

Mas esta declaração do v. 10 é polêmica: “Ele salva os retos de coração”! Como assim? Deus salva os justos? Então, temos de ser justos e retos para que Deus nos salve? Isto não é salvação pelas obras? Como entender estas palavras? A resposta fica por conta do contexto. Salvação aqui se refere à libertação dos que nos oprimem e nos acusam injustamente. Davi desejava esta libertação, e por isso confiava em Deus como o seu Refúgio (v. 1) e como o seu Escudo (v. 10), Aquele que salva e livra os que são retos e íntegros e tem uma vida em harmonia com os ditames da Sua Lei.

III – CONDENAÇÃO (v. 12-16)

Agora, o salmista apresenta a sorte dos ímpios e dos que gostam de dar um falso testemunho as respeito do caráter íntegro dos filhos de Deus. Ele responde agora a seguinte pergunta: Como serão os ímpios condenados?

1 – Os ímpios serão condenados por um Deus justo. V. 12-13: “Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas.” Muitos dizem que Deus não condena a ninguém. Mas nós encontramos outra história na Bíblia. Deus condenou a Adão e Eva, e os expulsou do Paraíso. Deus condenou a Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. De condenou a Ananias e Safira, da igreja primitiva. Condenou a Herodes. Deus é um Deus que age; Ele não pode ficar indiferente com o que está acontecendo com o Seu povo. A Sua espada está preparada e as Suas flechas prontas contra todos os ímpios que não se converterem. Ele pode fazer isto por ser um Deus justo que não Se compraz com o pecado e a iniquidade. Ele sempre condena o pecado, seja em quem estiver!

Mas estas palavras estão cheias de esperança. O salmista apresenta uma condição, cuja recíproca também é verdadeira, segundo a qual se os homens se converterem, o Senhor desviará deles a Sua espada e as Suas setas inflamadas, a fim de que possam ser salvos. Mas se eles não se converterem, serão condenados porque Deus é justo e não pode inocentar ao ímpio.

2 – Os ímpios serão condenados por seus pecados. V. 14: “Eis que o ímpio está com dores de iniqüidade; concebeu a malícia e dá à luz a mentira.” Em figura, a fertilidade para o mal é comparada ao processo de gestação e parto. No simbolismo da poesia deste salmo, o ímpio produz o engano e a mentira naturalmente. O pecado é a vida do ímpio. O pecado está nele por dentro e por fora. Nos seus pensamentos, nas palavras e nos seus atos. O ímpio nasce no pecado, cresce no pecado e respira no pecado. Não admira que as pessoas digam frequentemente: “Que mal tem isso?” Entretanto, “quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Pv 5:22). Quanto ao ímpio, a Bíblia diz que “tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (Tt 3:11).

3 – Os ímpios serão condenados por suas próprias mãos. V. 15-16: “Abre, e aprofunda uma cova, e cai nesse mesmo poço que faz. A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria mioleira desce a sua violência.” Hamã ergueu uma forca para o justo Mardoqueu, mas ele é que foi enforcado nela. A sua maldade e violência lhe recaiu sobre a sua própria cabeça, porque “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:5). O mal traz sua própria punição contra o malfeitor. O justo Juiz destruirá aqueles que perseguem os cristãos, fazendo sua violência cair sobre as suas próprias cabeças. Esta é a lei da retribuição, esta é a verdadeira justiça: dar aos ímpios aquilo que eles desejaram para os justos.

CONCLUSÃO (v. 17)

Davi, finalmente conclui este salmo com as palavras gloriosas: “Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo.” Este é o seu grande clímax. Esta é a maior razão por que Davi tanto procurava o julgamento divino. Este é o motivo mais impressionante por que Davi podia ter segurança de que seria salvo: a justiça de Deus. Ele sabia que o seu caso seria julgado a seu favor, porque Deus vê o coração sincero e amorável, e não julga pelas aparências, e é capaz de revelar a justiça que emoldura o seu caráter maravilhoso.

Portanto, qual seria a atitude natural e espontânea de Davi? Gratidão e louvor. Ele rende graças a Deus por Sua justiça e canta os seus louvores ao nome de um Deus que tem o Seu trono soberano no universo, como o Excelso Senhor Altíssimo.

Precisamos ter esta experiência em nossa própria vida. Necessitamos conhecer mais da justiça misericordiosa de Deus. E se você também está decepcionado com algumas pessoas, se você também foi acusado injustamente, este é o momento de voltar-se para Deus e louvar a Sua justiça imparcial e compassiva, em favor de sua libertação. Os resultados serão logo vistos e sentidos.

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

terça-feira, 21 de maio de 2013

EMPRESA NÃO É VAMPIRO!

Há pessoas que confundem trabalhar, dedicar-se à empresa, aos clientes, ao mercado, à marca, com “dar sangue...” pela empresa. Essas pessoas são as chamadas “ativistas”. Matam um leão por dia como elas próprias dizem, trabalham, trabalham, trabalham. São muito “ativas”, vivem correndo para cima e para baixo.

A pergunta é a seguinte: Será que o que essas pessoas demasiadamente “ativas” estão fazendo é o que elas deveriam estar fazendo? Será que o que elas estão fazendo está criando a empresa de amanhã, aumentando a fidelização de clientes à marca? Será que o que elas estão fazendo está agregando valor para os clientes da empresa? Será que o que elas estão fazendo não é apenas uma grande “poeira” para que todos vejam e que não tem eficácia alguma? Será que o elas estão fazendo não é simplesmente atormentar a vida de todos?

Empresa não é vampiro. Ela não precisa do “sangue” dos seus funcionários para sobreviver. Ela precisa muito mais da inteligência, do comprometimento, da participação, da atenção aos detalhes. Uma empresa precisa de funcionários que realmente reinventem as relações empresa-mercado-marca-clientes.

É claro que funcionários dedicados e sempre presentes são avaliados positivamente. É claro que funcionários que trabalham muito são valorizados. Porém, é preciso que tenhamos uma preocupação genuína com a qualidade de utilização de nosso tempo. Não basta ficar 12 horas na empresa fazendo coisas irrelevantes para o sucesso da empresa e seu mercado.

Sempre desconfiei de pessoas que dizem “dar sangue” pela empresa. Sempre desconfiei de pessoas que nunca tiram férias. Sempre desconfiei de funcionários que se acham insubstituíveis.

Gostaria de sugerir que você fizesse uma análise das suas atividades e visse se você anda fazendo coisas realmente relevantes para o sucesso da sua empresa. Veja se o que você faz realmente agrega valor para a marca, para o mercado, para os clientes. Não use este texto como desculpa para trabalhar menos, para se comprometer menos. Pelo contrário. A mensagem é de comprometimento total e para que isso seja realidade é preciso que demos à empresa muito mais nossa inteligência e vontade do que nosso “sangue”.

Pense nisso. Sucesso!
PROF. LUIZ MARINS

Antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University/School of Behavioural Sciences) sob a orientação do renomado antropólogo indiano Prof. Dr. Chandra Jayawardena e na Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação da Profa.Dra. Thekla Hartmann;

- Licenciado em História (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba); estudou Direito (Faculdade de Direito de Sorocaba); Ciência Política (Universidade de Brasília - UnB); Negociação (New York University, NY, USA); Planejamento e Marketing (Wharton School, Pennsylvannia, USA); Antropologia Econômica e Macroeconomia (Curso especial da London School of Economics em New South Wales) e outros cursos em universidades no Brasil e no exterior. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

SALMO 6 – SALVAÇÃO PELA GRAÇA

Há muitas coisas que podem acontecer com um homem de Deus. Davi era um homem singular: ele era um rei, era um profeta, e, portanto, era um grande líder espiritual e o povo esperava muito dele. Sua responsabilidade era imensa e ele sabia disso. Mas as coisas não estavam indo muito bem com ele, pelo que se pode ler e concluir dos seus próprios escritos. Mas as coisas podiam mudar; assim cria o grande poeta e cantor de Israel.

Muitas vezes não podemos senão ver sombras em nossa vida; as trevas se avizinham, e não temos nenhuma perspectiva de como ver uma luz no fundo do túnel. Muitas vezes sentimos que as coisas podem piorar, e entramos em pânico. Mas aqui neste Salmo 6, vemos 4 coisas que aconteceram com Davi, e 4 coisas que podem acontecer com você, 4 coisas que podem acontecer com um cristão sincero.

I – MEDO (v. 1-3)

Davi tinha medo da ira divina. Ele orou: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.” No salmo 3:6, ele dissera: “Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados!” Mas agora, ele tinha medo da ira de Deus. E isso pode acontecer com qualquer cristão, que tenha um pouco de sensibilidade espiritual.

De onde vem o medo da ira de Deus? O medo vem por causa do pecado. Adão e Eva estavam felizes no Jardim do Éden. Então, eles cometeram o pecado. Mas Deus não tinha abandonado os Seus filhos e foi procurá-los pela viração do dia, como de costume, mas eles estavam escondidos. E Deus chamou ao homem e lhe perguntou: “Adão, onde estás?” A resposta veio com muitos receios: “Ouvi a Tua voz no Jardim e tive medo e me escondi!” (Gn 3:10).

E agora vemos a Davi, um homem “segundo o coração de Deus”, que estava com medo de Deus! Não é incrível? Um homem que possuía muita luz do conhecimento do seu Benfeitor, agora estava temendo ser repreendido e castigado pela ira de um Deus vingador! Mas como podia acontecer isso com Davi? A razão era a mesma de Adão. Ele havia pecado contra Deus e sabia da gravidade do seu pecado. Ele sentia uma profunda convicção de pecado e temia que Deus o castigasse. Ele sabia que a ira de Deus é despertada pelo pecado. Ele sabia que a ira de Deus era a manifestação da Sua justiça contra o seu pecado.

Ele sentia o peso da culpa, e ele temia a repreensão e o castigo de Deus. Ele foi repreendido por Natã, ele foi repreendido por sua esposa Mical, ele foi repreendido por Joabe, o comandante do seu exército. A repreensão humana, ele podia suportar. Mas tinha medo e grande pavor de ser repreendido e castigado por um Deus irado por causa dos seus pecados. Portanto, ele tinha muitos motivos para orar desse modo: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.”

A grande pergunta é esta: Será que Deus castiga? Ele nos pune por causa de nossos pecados? Há muitas pessoas nesse mundo que tem medo de Deus. Elas foram ensinadas desde a infância a temer um Deus que fica muito irado quando erramos. E muitos pregadores, para contrapor-se a este sentimento, para consolar os que são assim atribulados, adquirem a fama de populares pregando que Deus não castiga a ninguém, porque é um Deus de amor e um pai de amor não castiga os seus filhos pelos erros que cometem.

Mas qual é a verdade? O que a Bíblia diz sobre esse assunto? A Bíblia diz que Adão foi punido pelo seu pecado, e a ira de Deus se manifestou, quando eles foram expulsos do Paraíso. Deus castigou o mundo antediluviano, e destruiu a todos os pecadores. Deus castigou a Sodoma e Gomorra, e Sua ira se manifestou com fogo e enxofre. Deus castigou ao povo de Israel, mandando-os para o exílio assírio e babilônico por causa de seus muitos pecados e transgressões.

E isso não se limita ao Antigo Testamento, porque logo na Igreja primitiva, vemos a Ananias e Safira sendo mortos por causa de sua hipocrisia, mentira e roubo. Vemos Herodes sendo morto, por causa de sua blasfêmia e orgulho. E podemos ainda adicionar a ira de Deus se manifestando nas 7 últimas pragas contra o mundo inteiro por causa de seus pecados.

Davi conhecia a Deus e teve de ser castigado algumas vezes por seus erros, porque ele era um rei teocrático, e tinha de ser exemplo de justiça para o povo, além de ter uma grande luz acerca do caráter divino. E a Bíblia ensina que quanto mais luz tivermos, maior será a repreensão e o castigo (Lc 12: 47-48). E agora, vamos pregar que Deus não castiga, enganando o povo com falsas insinuações? A resposta não é esta. O consolo é outro. A esperança se encontra na Cruz de Cristo, porque lá “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos sarados” (Is 53:5). Jesus Cristo foi castigado por causa dos nossos pecados, e, portanto, não precisamos mais ser castigados.

Entretanto, Paulo ainda nos adverte: “Se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários... Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Hb 10: 26-27,31. Se continuarmos em pecado conhecido, estaremos calcando aos pés o Filho de Deus e ultrajando o Espírito Santo da graça e só podemos esperar um castigo severo (v. 29).

Entretanto, a grande resposta para as nossas almas aflitas é o próprio exemplo de Davi. Ele sabia de tudo: ele reconhecia o seu pecado, sabia do castigo que merecia, conhecia o caráter justo de Deus, sabia que Ele não faz acepção de pessoas.  Mas ele também sabia como Deus age diante de alguém que lhe suplica a misericórdia, e se humilha, reconhecendo o seu pecado e se arrependendo sinceramente. Sabia por experiência que Deus Se inclina para ouvir e atender aos que tem fé suficiente para crer no Seu amor extraordinário, e que está sempre nos dizendo: “Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jr 31:3). Davi é um exemplo de um pecador tremente diante da ira de Deus, mas que vence o seu temor por uma fé inquebrantável na misericórdia de Deus.

Muitas vezes, por causa de nossos erros, o Senhor nos repreende em Sua justiça, mas mistura Sua repreensão com a misericórdia e nos fala por Seus agentes. Pode ser através da esposa, dos amigos, do pregador, ou até por nossos filhos, ou pela simples leitura da Bíblia. Ninguém gosta de ser repreendido. Mas muitas vezes a repreensão de humanos é uma obra de Deus, misturada com Sua compaixão, a fim de velar a Sua ira, e nos fazer voltar aos caminhos da justiça.

O que faz o medo da ira divina? Temos que nos livrar desse temor que conspira contra a nossa alma.

1- O medo da ira de Deus enfraquece todo o sistema. V. 2: “Tem compaixão de mim, Senhor, porque eu me sinto debilitado.” Davi suplica pela compaixão divina, porque se sentia enfraquecido, abatido. A compaixão de Deus pode desviar a Sua ira, de tal modo que nos sentimos fortalecidos. O medo da sua ira pode abater a nossa força física, como um resultado geral de todas as coisas ruins que podem advir desse temor.

2- O medo da ira de Deus debilita a saúde dos ossos. V. 2: “Sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão abalados.” O medo originado pelo pecado causa a doença do corpo e chega a atingir os ossos. Davi estava com esse grande problema, doente e com dor nos ossos.

Certa vez, enquanto um pastor adventista estava fazendo uma conferência em uma grande cidade, um homem coxo, de meia idade, e que sofria intensamente, foi levado à plataforma após a conferência. Disse ele para o pregador adventista que todo aquele dia estivera pensando seriamente no suicídio como fim para as suas misérias. Mas agora, um de seus filhos lhe levara um convite para a conferência que estava sendo pronunciada aquela noite.

Disse ele: “O título de sua conferência me atraiu, e decidi ouvi-lo antes de meter uma bala na cabeça. Talvez o senhor tenha uma feliz solução para a minha vida angustiosa. Nos últimos catorze anos venho sofrendo de reumatismo agudo. Às vezes fico na cama três meses seguidos. Não há remédio que possa curar-me ou aliviar-me.”

Marcaram um encontro para o dia seguinte, e ele contou ao conferencista sua triste história. Vinte anos antes estivera no caminho da prosperidade. Casara com uma linda jovem e possuía sua casa própria. Então seu pai, um rico homem de negócios, confiou ao filho alguns encargos comerciais. Este tirou vantagem da situação e, mediante processo estritamente legal, privou o pai de grande quantidade de títulos, apropriando-se deles.

Desesperado afinal, o pai levou o próprio filho diante dos tribunais, sem nenhum resultado. Oprimido pela dor, o pai morreu alguns meses depois. O filho sentiu que havia sido a causa da morte do pai. Depois disto, graças à má administração, e como uma condenação a suas más obras, perdeu tudo, até mesmo o que havia ganho licitamente antes de antes de arruinar o pai. Assim privara a mãe e as irmãs de uma boa herança.

Agora tinha uma grande família. Nos últimos catorze anos, vinha sofrendo de reumatismo que lhe inutilizaram os dedos e causavam tanta dor que muitas vezes ficava meses sem poder sair da cama. Sua culpa o perseguia e o atormentava cada minuto de sua vida.

Acrescentou ele que sua mãe e uma irmã casada estavam vivendo na mesma cidade, de maneira que o conferencista mandou chamá-las no dia seguinte. Depois de haver-lhes falado sobre o assunto, conseguiu que o pobre enfermo fosse recebido. Ali, humildemente pediu perdão a sua mãe e a Deus. Depois de ouvir as palavras de perdão da mãe, um sorriso aflorou-lhe nos lábios, e ele disse: "Este é o meu primeiro momento feliz em vinte anos.”

Como resultado, dois dias mais tarde ele pôde andar com o auxílio de uma bengala, e pouco depois se locomovia como um jovem! Nunca mais sofreu de reumatismo. Normalizando a situação de sua consciência, ele conseguiu ver melhorada sua saúde e começou a encontrar alegria na vida. O que os médicos e os remédios não puderam fazer, a confissão da culpa logrou alcançar. Agora, ele leva uma vida contente e próspera. Não tem mais ansiedade ou medo de si mesmo, dos outros e de Deus.

3- O medo da ira de Deus aflige a alma: V. 3: “Também a minha alma está profundamente perturbada.” Davi tinha um problema psicológico, que afetava o seu ser completo. A sua alma estava “profundamente perturbada”, com remorso, angústia e dor. E como nós somos unidades indivisíveis, há uma estreita relação entre a mente e o corpo: “A relação existente entre a mente e o corpo é muito íntima. Quando um é afetado, o outro se ressente” (E.G.White, Mente, Caráter e Personalidade, vol. I, pág. 60). Quando a alma está em profunda angústia, o corpo sofre e adoece. Assim se encontrava Davi. A culpa do seu pecado trouxe a doença, o remorso, e o medo de Deus.

Então, ele suplica angustiado: “Tem compaixão de mim, Senhor!” (v. 2). A saúde vem pela compaixão de Deus. Precisamos de restauração do corpo, da alma e do espírito. Precisamos de mais saúde e isso depende da compaixão divina. Muitas vezes, nós perdemos a saúde por causa de nossos erros e extravagâncias. Necessitamos da compaixão divina, a fim de sermos sarados de nossas loucuras. Mas também não devemos abusar da Sua misericórdia.

Ellen White, certa vez foi convidada a orar por um homem casado que apesar das relações conjugais com a esposa, ainda vivia se masturbando, e danificando o seu sistema nervoso e debilitando a sua energia vital. Agora que se encontrava fraco e doente, alguns membros da sua igreja pediram que ela orasse por esse homem vítima de suas paixões baixas, embora ninguém soubesse do que estava acontecendo. Ela, no entanto, foi avisada por Deus que não orasse por esse homem, porque não seria atendida, porque se ele fosse curado, apenas continuaria no pecado, e usaria a saúde para continuar no vício. Seguramente, não devemos abusar da graciosa misericórdia divina que nos mantém vivos para sermos reflexos da Sua glória.

O desespero de Davi estava esmagando a sua alma, e ele faz uma pergunta inquietante: “Senhor, até quando?” (v. 3), diz o salmista. “Até quando?” é o indicador de que as forças do justo estão se exaurindo, se esgotando. “Até quando?” significa o desespero da alma que não aguenta esperar mais. “Até quando?” é o clamor do justo que já suplicou muitas vezes, mas não encontrou a resposta para as suas angústias.

II – SALVAÇÃO (v. 4-5)


A outra coisa que pode acontecer a um cristão em angústia por seu pecado e pelo seu medo é salvação.

1- Davi queria salvação da ira de Deus. Ele sabia por experiência própria o que significava ser castigado por Deus, e ele agora pedia salvação da ira e do furor de Deus contra ele por causa de seu pecado. Então, Davi faz um veemente apelo: v. 4: “Volta-Te, Senhor”. Ele estava com receio e medo da ira de Deus e agora pede que Ele volte da ira para a misericórdia. Que Ele faça o caminho de volta, desviando-Se do Seu furor para a compaixão de que tanto ele precisava.

De fato, salvação é da ira divina. Deus nos salva de Sua própria ira. O apóstolo Paulo disse: “Sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira!” (Rm 5:9). Quando chegar o grande Dia do Juízo, quando a ira divina se manifestar nas 7 últimas pragas sobre esse mundo ímpio, nós seremos salvos dessa ira. Mas esta é uma promessa que se aplica também para o tempo presente (Rm 3:26). Somos salvos de Sua ira agora mesmo, porque Deus pode contemplar a Cruz de Jesus Cristo e ver o Seu sangue derramado, fazendo propiciação por nós, que clamamos pela Sua salvação.

2- Davi queria livramento do pecado. Davi disse, no v. 4: “Livra a minha alma”. O pecado aprisiona a alma, o medo encerra o pecador em remorsos. O pecado escraviza o homem e daí ele se encontra sem poder, fraco, abatido, “sem ar, sem luz, sem razão”. “Todo o que comete pecado é escravo do pecado”, disse Cristo. Mas Ele também disse: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (Jo 8:34,36). Podemos crer na libertação do pecado pelo Filho de Deus. Ele nos liberta do pecado completamente, e agora Se encontra no Céu e intercede por nós.

3- Davi queria salvação de graça. As suas palavras textuais são estas: V. 4: “Salva-me por tua graça.” Davi ora por salvação pela graça. Davi conhecia o Evangelho. Não é admirável? Muitos teólogos populares poderiam se surpreender com uma oração rogando salvação pela graça registrada no Antigo Testamento. Dizem muitos teólogos modernos que há duas dispensações, a Dispensação da Lei, que era a dispensação do Antigo Testamento, quando todos os homens se salvaram pela observância dos mandamentos de Deus; e a Dispensação da Graça, que é a nossa dispensação, do Novo Testamento, quando todos os cristãos podem se salvar pela livre graça de Deus.

Mas isso é uma falsa doutrina. Essa teoria cria a necessidade da existência de duas classes de pessoas redimidas. A 1ª classe formada de pessoas que se jactam de suas realizações; a outra, seria formada de pessoas humildes. Entretanto, jamais teremos no Céu duas classes de salvos, uns que se salvaram pelas obras, e poderiam dizer: “Nós fomos salvos graças aos nossos esforços, porque praticamos as obras da Lei”, e outra classe de cristãos humildes que teriam de confessar: “Nós, pelo contrário, nada temos de mérito em nossa salvação, porque estamos aqui por causa da graça de Deus através de Jesus Cristo, que morreu para nos salvar!”
De fato, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento testificam que todos os homens serão salvos pela graça. O apóstolo Paulo disse: “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2:11). Portanto, não pode haver duas dispensações, não pode haver divisões no que se refere ao meio de salvação; todos se salvarão do mesmo jeito como está planejado por Deus, “porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3: 22-24).

O salmista temia a ira de Deus e agora, ele pede que Deus o salve pela Sua graça. Assim é o Evangelho. A salvação nos é dada gratuitamente. “Pela graça sois salvos, mediante a fé.” (Ef 2:8), disse o apóstolo Paulo. Como você se sente quando eu falo da graça? Será que as cordas de sua alma vibram de emoção pela graça maravilhosa de Deus? Você sente o coração cheio de esperança?

Então, Davi argumenta com Deus. V. 5: Ele dá uma razão por que deveria ser salvo: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” Davi dirige uma pergunta poderosa para Deus: “Senhor, se eu morrer, como poderei continuar a Te louvar, como poderei me lembrar dos Teus poderosos feitos?” Aqui temos um dos segredos da oração eficaz. Quando você orar e pedir salvação, argumente com Deus nos Seus termos e diga: “Senhor, salva-me por Tua graça, porque se eu morrer, não poderei continuar Te louvando!”, e Deus atenderá à sua oração, pois esse é um argumento muito forte, que fere a sensibilidade do próprio Deus. Se quiser ser atendido, use os argumentos que Deus inspirou.

“Na morte não há recordação de Ti”. Muitos hoje ensinam a consciência após à morte, dizendo que a morte é o momento em que a alma sai de sua prisão corpórea, a fim de estar sempre se lembrando de Deus no Céu, para nunca mais esquecê-lO. Mas se isso fosse verdade, a morte seria uma bênção, procurada pelos filhos de Deus como um meio de recordar a Deus por toda a eternidade. Mas o salmista diz exatamente o contrário: “Na morte, não há recordação de Ti!” Na morte não há consciência de Deus. Portanto, ele quer ser livrado da morte!

Davi não cria na imortalidade da alma. Se ele cresse na teoria de que os mortos justos vão para o Céu após a morte, a fim de louvar a Deus, ele jamais teria dito: “No sepulcro, quem te dará louvor?” Estas palavras não fortalecem o ensino da imortalidade incondicional. Se ele cresse assim, ele teria dito: “No sepulcro, teremos o início de um louvor eterno. Senhor, se eu morrer, haverei de me lembrar de Ti todos os dias da eternidade; se eu descer ao sepulcro, não haverá nenhum problema, porque eu tenho uma alma imortal, e O louvarei para todo o sempre!”

Mas Davi não escreveu isso. Ele declarou que na morte não há consciência, não há sabedoria, não há nenhum conhecimento, nem do que se passa na terra, como também do que se passa no Céu. Ele falou que ao morrer, o homem perde a sua capacidade espiritual de louvar a Deus.

Se aquela teoria popular fosse verdade, a morte seria muito bem-vinda. Mas a morte não é a libertação da alma que se desprende do corpo para festejar a sua liberdade, a fim de subir ao Céu, e dar ao crente a oportunidade de louvar a Deus no Paraíso eternamente. A morte é uma maldição que o pecado trouxe da qual somos salvos por graça de Deus.

Davi não ensina a imortalidade da alma. A única coisa neste salmo que ele ensina sobre a natureza do homem é que a sua alma está “profundamente perturbada”, que o seu espírito está debilitado e que os seus ossos estão abalados fisicamente. Ele sentia a aproximação da morte, mas não pôde dizer que logo iria louvar a Deus no Céu, eternamente, porque não cria nisso, e nem podia crer, por não ser verdade. Portanto, ele ensina muito mais a fragilidade da alma do que a sua imortalidade.

III – O CANSAÇO (6-7)

1- Davi estava cansado de tanto gemer. Davi sentia a sua alma cansada dos resultados fatais do pecado, que incluem o gemido da alma. Isso também pode acontecer com você. O cristão também está cansado de tanto gemer. Disse o apóstolo Paulo: “Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” Rm 8:23.

Os cristãos sentem os impulsos da natureza pecaminosa, as insinuações da carne, e muitas vezes cometem pecado e gemem, embora possuímos as “primícias do Espírito Santo”, os Seus primeiros frutos da salvação. Portanto, aguardamos o dia em que teremos o nosso corpo redimido, transformado. Estamos cansados de tanto gemer pelos nossos pecados e pelos de outros irmãos e pelos do mundo? Mas logo virá o Dia de Cristo. 

2- Davi estava cansado das noites indormidas. V. 6: “Todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.” Ele tinha insônia, e muitas vezes era surpreendido com muitas lágrimas. Davi usa uma figura de linguagem, chamada hipérbole, que ocorre no texto quando o autor fala com exagero, figuradamente. Como disse Olavo Bilac, certa vez: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" 

“Todas as noites”, disse o salmista. Um famoso artista grego, artista do balé, festejado em todo o mundo como um dos maiores artistas do balé internacional, em palavras dramáticas traduziu a angústia de seu espírito, quando ele disse o seguinte: "Todas as noites me inquieto e não durmo! Jamais tenho me encontrado sozinho sem que as minhas mãos tremam, sem que os meus olhos se encham de lágrimas, sem que o meu coração se angustie." E completava: "Não tenho paz."

3- Davi estava cansado de tantas mágoas. Os relacionamentos de Davi eram muito complicados, porque ele era rei, profeta, pai e esposo. Ele era um líder espiritual do povo de Deus. Ele certamente, ocupando essa posição, ele tinha muitos adversários e inimigos. Ele transparecia em seus olhos as mágoas produzidas por tantos adversários. Ele se sentia amortecido e velho, desprezado e infeliz, vitimado pela mágoa da ingratidão.

Davi continua a sua queixa, e desabafa, no v. 7: “Meus olhos, de mágoa, se acham amortecidos, envelhecem por causa de todos os meus adversários.” Os olhos são um reflexo do corpo inteiro; se o corpo está abatido e fraco, certamente, isso será visto nos olhos. Davi estava envelhecendo prematuramente, mais rápido do que ele esperava. Seus olhos não enxergavam mais com a lucidez da juventude; sua cabeça se enchia de cabelos brancos; seus braços não tinham mais a força digna de heróis. Ele se sentia fraco, abatido e velho.

Por que isso? “Por causa dos meus adversários”, diz ele. As suas ameaças, suas perseguições, as suas calúnias, as suas traições – tudo isso conspirava contra a saúde de Davi. Mas quantos eram os seus adversários? Ele fala de “todos”. No Salmo 3:1, ele faz essa declaração: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim.” Como não envelheceria Davi com tantos inimigos?

Nós também temos uma multidão de inimigos. Lutero enfrentou milhares de demônios em sua grande obra de Reforma, conspirando contra ele e seu trabalho. E ele sentiu a presença desses demônios, que procuravam matá-lo. A 6 de março de 1521, Lutero foi intimado a comparecer perante a Dieta Imperial em Worms, sendo-lhe assegurado salvo-conduto. Então, quando ele ia chegando àquela cidade, ele disse: “Ainda que houvesse em Worms tantos demônios como há telhas sobre as casas, contudo lá entrarei.” Nós sabemos que muitos deles estão prontos para nos desanimar e nos derrotar e até nos fazer envelhecer prematuramente.

IV – CERTEZA (8-10)

A 4ª coisa que aconteceu a Davi e pode acontecer com você foi a certeza.

1- Certeza de boas companhias. Davi sabe o que são boas companhias e toma providências para que as más companhias não se acheguem a ele. Davi queria ter certeza de que os seus amigos eram sinceros primeiramente com Deus. Então, se dirige aos seus adversários em tons de reprovação, como se estivesse diante deles. V. 8: “Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniqüidade.”

Este é o segredo para você ter boas companhias: Escolher os que são amigos de Deus e “quando os pecadores quiserem seduzir-te” pode dizer para eles com determinação, sem nenhum receio: “Apartai-vos de mim os que praticais a iniquidade!” Estas palavras se servem para que saibamos escolher as nossas amizades. O perigo das más companhias é sempre muito grande especialmente para a juventude, mas também para todos. 

2- Certeza do Juízo divino. Davi profeticamente antecipou as palavras que serão pronunciadas no futuro. Cristo as usou no Seu famoso sermão do monte, ao se referir aos perdidos no Dia do Juízo, que pretensamente faziam a obra de Deus, mas a realizavam hipocritamente. Disse Cristo que muitos naquele dia hão de procurar se justificar. “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7:22-23). De fato, os ímpios dentre o povo de Deus não prevalecerão no Juízo. Não podemos pertencer ao mundo e ao reino de Cristo. Todos quantos não querem abandonar o pecado, todos que se apegam ao pecado ouvirão um dia as palavras da eterna reprovação divina: “Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade!”

Estas palavras foram muito próprias para os inimigos de Davi, em seu tempo. Muitos deles reconheceram que estavam em um caminho perigoso, ao se colocarem contra o rei de Israel, e se arrependeram de suas rebeliões. Outros continuaram em sua teimosia e foram mortos, no início do reino de Salomão.

Estas palavras tem uma força muito grande para produzir um verdadeiro arrependimento. Quando uma pessoa está vivendo em pecado, quando um cristão está acariciando um pecado predileto e ouve estas palavras, e pensa na triste possibilidade de ficar fora da companhia de Cristo eternamente, ele ainda tem a oportunidade de voltar atrás e se arrepender para deixar o pecado e praticar a justiça. “Apartai-vos de Mim todos os que praticais a iniquidade”, serão as palavras de Cristo, o grande Juiz naquele dia memorável.

3- Certeza de salvação. O salmista termina o salmo com esta certeza: “O Senhor ouviu a voz do meu lamento; o Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração.” (v. 8-9). Davi tinha orado: “Senhor, salva-me por Tua graça!” Agora, ele declara a certeza de sua salvação: “O Senhor me ouviu.” No início do salmo 5 (5:1), o salmista pede por 3 vezes que a sua oração seja atendida. No final do salmo 6, ele afirma que Deus atendeu a sua oração e isso ele repetiu num paralelismo tríplice.

Davi poderia dizer com certeza que Deus atendia as suas orações. Ana podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e eu tive o meu filho Samuel; Daniel podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e nos revelou o sonho de Nabucodonozor e nos livrou da morte; Pedro podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e me salvou da fúria da tempestade.

Nós também podemos dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e agora estamos salvos do pecado e da morte, e temos a esperança da salvação e a certeza da vida eterna. Porque a oração que Deus atende mais prontamente é a súplica por salvação pela graça e misericórdia. Você também possui esta certeza? Deus ouve as suas orações? Se isso não acontece, você pode saber por quê? Há alguma coisa que você pode mudar, a fim de conseguir as respostas para as suas orações?

Você tem esta certeza? Você já passou pelo medo, pela salvação, pelo cansaço, e pela certeza? Você está baseado na graça de Jesus Cristo para a sua salvação? Tem o sangue de Cristo para libertá-lo? Se não, por que não dizer: “Senhor, tem compaixão de mim!”, e “Salva-me por Tua graça!”? 

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CONDUTA CRISTÃ


INTRODUÇÃO

A verdadeira religião é essencialmente prática. Cristo a definiu como sendo a dedicação de amor supremo a Deus, e ao próximo como a si mesmo (Mat. 22:27-39).

Na verdade, "a amabilidade do caráter de Cristo se manifestará em Seus seguidores" (Caminho Para Cristo, p. 51); pois "como se poderia viver do amor de Deus e não amar?" (Gaugler, citado em : Franz J. Leenhardt. Epístola aos Romanos, p. 317).
"Religião não consiste meramente num sistema de áridas doutrinas, mas na fé prática, que santifica a vida e corrige a conduta no círculo familiar e na igreja." (Testimonies, vol. 4, p. 337).

"A influência da religião bíblica não é uma influência entre outras: tem de ser suprema, penetrando em todas as outras e dominando-as." (O Desejado de Todas as Nações, p. 312).

Significa exemplificar o caráter de Cristo na vida diária.

Santificação é comunhão e conduta – comunhão com Deus e uma conduta em conformidade com a Sua vontade.

"A oração de Cristo por Seus discípulos pouco antes da Sua crucifixão foi: 'Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade.'
A influência da verdade deve afetar não meramente a compreensão, mas também o coração e a vida. A genuína religião prática levará o seu possuidor a controlar suas afeições. Sua conduta exterior deve ser santificada pela verdade." (Testimonies, vol. 4, pp. 371 e 372).

Mas quais são as orientações bíblicas sobre a conduta cristã ideal?

I – A  CONDUTA  CRISTà IDEAL

A – As Virtudes Recomendadas

a)Em Rom. 12:9-21 encontramos algumas das evidências da aplicação prática da doutrina da justificação pela fé na vida do cristão e em seu relacionamento com os seus semelhantes:

1. O amor deve ser plenamente sincero. Não deve haver no amor cristão hipocrisia, simulação ou motivos ocultos (verso 9).
2. Devemos aborrecer a mal e amar o bem (verso 9).
3. Devemos ser afetuosos uns com os outros em amor fraternal (verso 10).
4. Devemos dar-nos uns aos outros a prioridade da honra (verso 10).
5. Não devemos ser remissos no zelo (verso 11).
6. Devemos ser fervorosos de espírito (verso 11), pois Cristo não pode suportar os que são frios ou mornos (Apoc. 3:15 e 16).
7. Devemos agir sempre como servos do Senhor (verso 11).
8. Devemos regozijar-nos na esperança cristã (verso 12).
9. Devemos enfrentar as tribulações com paciência (verso 12).
10. Devemos perseverar na oração (verso 12).
11. Devemos compartilhar com os outros que estão em necessidade (verso 13).
12. Devemos ser hospitaleiros (verso 13).
13. O cristão deve suportar a perseguição, orando por aqueles que o perseguem (verso 14).
14. Devemos simpatizar com os sentimentos de nossos semelhantes, alegrando-nos com os que se alegram e chorando com os que choram (verso 15).
15. Devemos viver em harmonia (verso 16).
16. Devemos evitar todo esnobismo e orgulho (verso 16)
17. Devemos ser humildes (ver. 16).
18. Devemos fazer com que a nossa conduta tenha boa aparência. A conduta do cristão não só deve ser boa, como deve também demonstrar isto (verso 17).
19. Devemos, se possível e quanto depender de nós, viver em paz com todos (verso 18).
20. Devemos afastar de nossa mente todo e qualquer pensamento de vingança (verso 19).
21. Devemos retribuir o mal que nos é feito com o bem (versos 20 e 21).

b) Essas virtudes que o apóstolo São Paulo recomenda em Rom. 12:9-21 são uma ampliação e uma elucidação do fruto do Espírito, que encontramos em Gál. 5:22 e 23.

c) Nesta seção o apóstolo S. Paulo apresenta princípios semelhantes aos que Cristo apresentou no Sermão da Montanha (Mat. 5 a 7).

"O apóstolo Paulo mostra-nos que esse princípio do amor cristão deve ampliar-se, abarcando até mesmo o mundo exterior, não servindo de regra de conduta apenas para a vida religiosa da comunidade cristã. Deus amou o 'mundo', isto é, a comunidade inteira; e espera-se dos crentes a mesma amplitude de amor. E isso lhes compete até mesmo quando os objetos amados são seus perseguidores." (Russell N. Champlin. O Novo Testamento Interpretado Versículo par Versículo, vol. 3, p. 819).

ILUSTRAÇÃO

"Há muitos anos, dois amigos muçulmanos, Abdala e Sabat, Partiram da Arábia para tentar a sorte. Dentro de algum tempo, Abdala foi designado para uma elevada posição no governo de Zeman Shah, rei de Cabul. Enquanto isso, Sabat, foi a Bucara em busca de riqueza e posição, e os dois amigos perderam o contato um com o outro.

Um dia Abdala recebeu uma Bíblia, provavelmente de um missionário americano. Leu-a e se converteu. Naquele tempo, a aceitação do cristianismo por um muçulmano de alta posição social significava a morte. Portanto, Abdala procurou cuidadosamente ocultar o fato de que mudara de religião. A despeito, porém, de seus esforços, seu segredo acabou sendo descoberto, e sua vida corria perigo. Ele decidiu fugir e buscar segurança numa comunidade cristã situada perto das praias meridionais do Mar Cáspio. Saiu disfarçadamente de Cabul, mas encontrou-se casualmente com seu velho amigo Sabat, numa das ruas de Bucara, e foi reconhecido por ele.

Sabat, devoto maometano, ouvira falar da conversão de Abdala. Repreendeu-o por tornar-se cristão e ameaçou entregá-lo às autoridades, esperando que isso levasse seu amigo a abandonar o cristianismo. Receoso de perder a vida, Abdala implorou que Sabat o deixasse fugir, mas este último foi inexorável. Mandou que prendessem a Abdala e o conduzissem a Marad Shah, rei de Bucara. Ele foi julgado e condenado à morte, e anunciou-se a hora e o local da execução. Grande multidão, entre a qual se achava Sabat, reuniu-se para observar a cena. Ofereceram a vida a Abdala sob a condição de que rejeitasse o cristianismo, mas com inesperada coragem recusou fazê-lo. Cortaram-lhe uma das mãos e novamente lhe ofereceram a vida sob a condição de que se retratasse. Replicou que nunca poderia fazer isso, e deceparam-lhe a outra mão. Ofereceram a vida a Abdala pela última vez. Sua única reação foi olhar para Sabat com lágrimas de perdão nos alhos. Curvou então a cabeça e recebeu o golpe de morte.

Sabat não pôde apagar da memória o olhar perdoador de seu amigo. Cheio de pesar e remorso, ele saiu de Bucara e vagueou dum lugar para o outro buscando paz, mas não conseguia encontrá-la. Finalmente foi para a Índia, onde travou conhecimento com alguns missionários cristãos e aprendeu o significado do perdão. Aceitou o Cristo de Abdala e acabou encontrando a paz que vinha procurando há muito tempo." (Donaldo E. Mansell. Meditações Matinais – 1982, p. 336) .

d) Que exemplo maravilhoso o de Abdala, do genuíno amor que leva a amar os próprios inimigos! . . . Na verdade, "o mundo necessita de ver nos cristãos uma evidência do poder do cristianismo." (Obreiros Evangélicos, p. 29).

II – CONSELHOS  BÍBLICOS  SOBRE  AS  RELAÇÕES  SOCIAIS

A – Quanto ao Relacionamento Familiar

a) Maridos – Efés. 5:25 e 28
– "Quando o esposo tem a nobreza de caráter, a pureza de coração, a elevação de espírito que cada cristão deve possuir, isto se revelará na associação matrimonial." (O Lar Adventista, p. 125).
b) Esposas – Efés. 5:22
– A submissão da esposa ao seu marido "deve estar na base da indicação de Deus: 'Como ao Senhor.'. . . Mas não foi desígnio de Deus que os maridos dominassem como cabeça do lar, quando eles próprios não se submetem a Cristo." (Idem, pp. 116-117)
c) Filhos – Efés. 6: 1 e 2
– A expressão "no Senhor" indica que os filhos devem preferir a vontade do Senhor à de seus pais, caso esta não esteja em conformidade com a vontade divina.
d) Pais – Efés. 6: 4
– A verdadeira disciplina é o equilíbrio entre o amor e a justiça.

B – Quanto ao Relacionamento Entre Empregados e Patrões
a) Empregados – Efés. 6:5-8
– Portanto a greve, que é tão comum em nossos dias, não é de forma alguma compatível com o espírito cristão a ser demonstrado pelos empregados.
b) Patrões – Efés. 6:9
– A Bíblia declara que "digno é o trabalhador do seu salário" (Luc. 10:7), e ela condena severamente os salários injustos: - Tiago 5:4

C – Quanto às Companhias (Amizades)
a) I Cor. 5:9 e 11
b) "Como uma corrente participa sempre das propriedades do solo que atravessa, assim os princípios e hábitos dos jovens tomam invariavelmente a cor do caráter de suas companhias." (Conselhos aos Professares, Pais e Estudantes, p. 198).
c) "Os jovens que estão em harmonia com Cristo, escolherão companheiros que os auxiliem a proceder bem, esquivando-se à sociedade que não contribui para o desenvolvimento dos retos princípios e desígnios nobres." (Mensagens aos Jovens, p. 422).

D – Quanto ao Namoro
a) 1 Tess. 4:4-7
b) Prov. 5:3 e 8
c) "Se desejas sinceramente a glória de Deus, agirás com decidida cautela. Não tolerarás que um doentio sentimentalismo amoroso te cegue a visão por tal forma, que não possas discernir os altos direitos de Deus sobre ti como cristão." (Mensagens aos Jovens, p. 438)

E – Quanto ao Casamento
a) I Cor 7:39
b) Deut. 7:3 (II Cor. 6:14)
c) "Os filhos de Deus não devem nunca aventurar-se a pisar terreno proibido. O casamento entre crentes e incrédulos é proibido por Deus." (Mensagens aos Jovens, p. 436).

F – Quanto às Reuniões Sociais
a) Tiago 4:4
b) I João 2:15-17
c) Há vários anos um bispo católico romano declarou que dentre vinte mulheres caídas, dezenove atribuíam sua queda ao baile. (D. Peixoto da Silva. Quinhentas Ilustrações Escolhidas, p. 333).
d) "Nos Estados Unidos uma pesquisa realizada entre alunas de escolas públicas do norte do Estado da Flórida revelou que em 1977, de mil garotas solteiras grávidas, 964 conceberam enquanto ouviam música 'rock'." (Revista Mocidade, Nº 303, março de 1983, p. 7).
e) Há um princípio que diz: "Pela contemplação somos transformados." E os locais de divertimentos mundanos, tais como o cinema, o baile, o teatro, os locais de jogos competitivos não são apropriados para o cristão freqüentar.

G – Quanto à Relação do Cristão com as Autoridades
a) Rom. 13:1-7
b) A função a ser exercida pelas autoridades foi instituída por Deus, porém isto não significa que todo o indivíduo que exerce essa função tenha sido aí colocado por Deus; pois há casos em que indivíduos usurpam o poder, como foi o caso de Hitler, na Alemanha.
c) Quando as autoridades são submissas à vontade divina, é dever do cristão submeter-se a elas; porém quando isto não ocorre, a sua atitude deve ser a mesma de Pedro e dos demais apóstolos diante do Sinédrio, em Jerusalém: "Antes importa obedecer a Deus do que aos homens." (Atos 5:29)
d) Por outro lado, não cabe à igreja envolver-se em questões políticas, pois Cristo mesmo declarou: – João 18:36

III – ORIENTAÇÕES  BÍBLICAS  SOBRE  O  VESTUÁRIO  E  OS  ADORNOS


A – Deve Haver Simplicidade, Decência e Bom Gosto
a) Tiago 4:4
b) I Ped. 3:3
c) "O caráter de uma pessoa é julgado pelo aspecto de seu vestuário." (Educação, p. 248).
d) "Não poderá ser completa nenhuma educação que não ensine princípios corretos em relação ao vestuário." (Idem, p. 246)
e) "Cristo nos advertiu contra o orgulho da vida, mas não contra sua graça e beleza naturais." (Mensagens aos Jovens, p. 352). Portanto deve havei bom gosto no vestir-se.

B – A Mulher não Deve Usar Roupa de Homem e nem o Homem Roupa de Mulher
a) Deut. 22:5
b) "Há uma crescente tendência das mulheres se aproximarem do sexo oposto, tanto quanto possível, no vestuário e na aparência, e adaptarem suas roupas de maneira bem mais semelhante às dos homens; porém Deus afirma ser isto abominação." (Testimonies, vol. 1, p. 421).

C – A Consagração e a Dedicação da Vida a Deus Envolve Também o Abandono do Uso de Jóias
a) O povo de Israel após o êxodo: – Êxo. 33:6
b) Jacó e a sua família, antes de subirem a Betel: – Gên. 35:2-4
c) "Na maioria dos casos a submissão às reivindicações do evangelho requer uma mudança decisiva em matéria de vestuário. Cumpre não haver nenhum desleixo. Por amor de Cristo, cujas testemunhas somos, devemos apresentar exteriormente o melhor dos aspectos." (Mensagens aos Jovens, p. 358).

CONCLUSÃO


Muitos cristãos desejam sinceramente mudar a sua conduta, porém parecem não possuírem forças suficientes para fazê-lo. Mas a Bíblia declara que em Jesus encontramos esse poder que tira de nós o desejo de pecar, colocando a nossa vontade em conformidade com a Sua vontade: – I João1:7; II Ped. 1:4

Que a nossa conduta exterior exemplifique a atuação interior da graça salvadora de Cristo! . . .

(Alberto Ronald Timm)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

SALMO 5 – DEUS É RICO EM MISERICÓRDIA

Por acaso você já fez alguma oração que não foi atendida? Você já clamou a Deus para que a sua oração fosse ouvida? Que a sua voz fosse escutada nos altos Céus? Já foi decepcionado por não ter tido uma resposta pronta e imediata de Deus?

Muitas vezes os filhos de Deus se defrontam com esse tipo de problema. Oramos a Deus e não somos atendidos como esperávamos. Clamamos ao Senhor em busca de respostas, e parece que não somos ouvidos. Os Céus se nos afiguram de bronze e nossas orações são incapazes de penetrá-los. Uma jovem, profundamente angustiada, disse ao seu pastor, num tremendo desabafo: “Pastor, as minhas orações não passam do teto. O que eu devo fazer?”

I – DEUS OUVE AS NOSSAS ORAÇÕES (v. 1-3)

Davi estava em profunda aflição. Este salmo ainda foi escrito no contexto da revolta de Absalão contra o seu pai. Então, Davi faz uma oração singular: “1 Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras e acode ao meu gemido. 2  Escuta, Rei meu e Deus meu, a minha voz que clama, pois a ti é que imploro.”

Ele ora para que Deus ouça a sua oração. Ele já havia orado para que Deus se manifestasse em livramento dos seus inimigos; “Salva-me, Deus meu” (Sl 3:7). Agora, ele pede, ele suplica, ele implora que Deus atenda à sua prece.

Será que Deus ouve as nossas orações? Ele sempre ouve as nossas preces. Seus ouvidos estão sempre, dia e noite, se inclinando para nos ouvir em todo o nosso mais íntimo desejo da alma. Pode ser que nem sempre vai responder exatamente como nós queremos, mas Ele vai nos atender seguramente através dos recursos infinitos da Sua onipotente graça.

Deus atendeu ao clamor do povo de Israel que vivia as maiores angústias em escravidão sob o domínio de Faraó no Egito. Ele atendeu à Ana, que era estéril, dando-lhe um filho que se tornou no profeta Samuel. Ele atendeu à oração mais curta do evangelho, quando Pedro, afundando nas águas revoltas do mar da Galiléia, clamou: “Salva-me, Senhor!” Ele atendeu à igreja primitiva quando orou pela libertação do mesmo apóstolo Pedro que dormia na prisão. E seguramente, há de responder à nossa prece, elevada ao Céu com fé humilde, para que se cumpra a soberana vontade divina.

Davi se dirige a Deus como “Rei meu e Deus meu.” Ele sempre reconheceu o reinado soberano de Deus. Ele sabia que era apenas um representante do Rei celestial, e estava pronto a depor a sua coroa diante do Eterno. A rainha Elizabeth II, quando pela primeira vez ouviu a Aleluia de Händel, quebrou o protocolo e, para admiração de todos os seus oficiais, levantou-se em humilde reconhecimento diante de Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
 
II – DEUS ODEIA AOS ÍMPIOS? (v. 4-6)

Aqui temos a base da oração de Davi para que fosse atendido: “Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal” (v.4). Deus é tão puro de olhos que não pode contemplar o mal. E os inimigos de Davi estavam praticando a maldade, e portanto, a sua oração, o seu clamor era justo.

Davi sabia argumentar com Deus, e muitas vezes nós oramos sem apresentar esses argumentos inspirados. Se a nossa causa é justa e está de acordo com a verdade e a justiça de Deus, então devemos dizer isso mesmo na nossa oração para Aquele que sonda os corações, e estamos certos de que seremos atendidos. Davi dizia: Senhor, ouve-me, porque Tu não podes permitir que os meus inimigos continuem na prática de suas perversidades! Isso não está de acordo com os Teus atributos de justiça!

O verso 5 (Sl 5:5) é uma passagem difícil: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade.” A palavra “aborreces” é uma tradução de “sâné” que significa “odiar” (Dicionário Heb. de Strong). Deus odeia a todas as formas do mal; mas não é isso o que o salmista está dizendo. Ele disse: “aborreces (odeias) a todos os que praticam a iniquidade.” Sabemos que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. De fato, a Bíblia confirma isso no texto mais extraordinário em Jo 3:16: “Porque Deus amou o mundo...”

Mas como pode Davi afirmar que Deus odeia aos ímpios? Não disse Cristo “Amai os vossos inimigos”? (Mt 5:44). Semelhantemente, como nosso Pai celestial, que ama aos Seus inimigos, fazendo nascer o Seu sol sobre maus e bons, e envia as chuvas sobre justos e injustos (v. 45), assim devemos amá-los. Não parece contradição? Há 3 maneiras para se entender isso:

1- Na Bíblia, odiar significa “amar menos”, independentemente de quem se refere. Lemos as palavras de Cristo: “Se alguém vem a mim e não aborrece (gr. miséô = detestar, odiar) a seu pai, e mãe ... não pode ser meu discípulo.” (Lc 14:26). Muitas pessoas ficaram perplexas ao ler estas palavras: como pode Cristo nos recomendar que odiemos aos pais, quando a própria Lei nos manda honrá-los? (Êx 20:12). A palavra original do grego (miséô), significa “odiar, detestar”, mas também significa “amar menos” (Cf. Dic. Grego de Strong). Mas se lermos a mesma passagem em Mateus, notamos a coerência de tal interpretação: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10:37). No caso do Salmo 5:5, Davi estaria dizendo que Deus ama menos aos ímpios do que aos justos. E todos poderiam justificar a Deus nessa atitude. Mas como funciona isto, julgo que ninguém sabe, senão só Ele. Mas ainda Ele os ama muito, dando-lhes vida, saúde, prazer, felicidade e muitos anos prósperos.

2- O segundo ponto de vista: Davi está personificando o mal que Deus abomina. Deus odeia a iniquidade. Entretanto, quando os ímpios se identificam com a iniquidade, são personificados no próprio mal que praticam. Então, dizer Davi que Deus odeia os malfeitores é o mesmo que dizer que Ele odeia o mal. E quando Ele destruir o mal num sentido escatológico, também destruirá a todos os que estão identificados e personificados com o mal. Esse fato apocalíptico e escatológico se pode ver claramente na versão de Almeida Antiga, nas palavras do v. 6: “Destruirás (futuro) aqueles que proferem a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento”.

3- Outro modo de ver como pode Deus odiar aos ímpios, é pelo antropomorfismo: é uma forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos a Deus; é explicar a divindade em linguagem humana. Se não entendermos a Bíblia nos seus termos, jamais conheceremos a verdade. Mas é difícil traduzirmos a Divindade, em nosso idioma, porque não conhecemos a linguagem divina. Portanto, temos que usar a nossa própria linguagem, embora seja ela muito limitada para esse propósito. Se “Deus é justo” (Sl 7:11), a Sua ira e ódio tem que se manifestar contra o pecado e pecadores; mas se, ao mesmo tempo, e em igual intensidade, “Deus é amor” (1Jo 4:8), tem que revelar a misericórdia mesmo àqueles a quem odeia, sem ser contraditório. Por isso, disse Paulo: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” (Rm 11:33-34).

III – DEUS É RICO EM MISERICÓRDIA (v. 7)

“Porém eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa e me prostrarei diante do teu santo templo, no teu temor” (V. 7).

Davi desejava ardentemente se prostrar diante de Deus, em seu santo templo. Mas isso Ele não considerava apenas um grande privilégio, mas o resultado da riqueza da misericórdia de Deus. Ele estava bem lembrado dos seus hediondos e graves pecados, mas o seu argumento era cheio de fé, exaltando o excelso atributo do caráter de Deus que é a Sua misericórdia. Mas ele não pára aqui; ele conhece por experiência a “riqueza” da misericórdia divina.

Há sempre um “porém” na vida de Davi, pelo que ele diz: “porém eu...”. Os outros me caluniam, me perseguem, me amaldiçoam, me traem; por eles, eu estou perdido. “Porém eu, pela riqueza da Tua misericórdia...”. Os cristãos, semelhantemente, são perseguidos, roubados, caluniados, aprisionados. Mas há sempre um “porém” na vida do cristão. Há sempre um “mas Deus”. É por isso que o apóstolo Paulo dizia aos efésios: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou” (Ef 2:4).

Misericórdia é compaixão despertada pela miséria alheia. Davi se encontrava em miséria: era um rei destronado, pobre, perseguido de morte pelo seu próprio filho Absalão, ainda no contexto do Salmo 3. Ademais disso, ele estava oprimido por suas culpas, além de ouvir seus adversários dizerem que não havia escape para ele. Mas ele tem a esperança de que por essa misericórdia, ele entraria na Casa de Deus e se prostraria diante do Seu santo templo, em temor, ou em reverência. O grande anseio de Davi era poder entrar no templo que ele considerava santo, a fim de adorar ao Senhor na reverência que lhe é devida, no temor que Ele merece, por Sua glória e majestade.

Mas o que vemos em nossos dias? O que fazem os adoradores? Conversam animadamente, comentam negativamente a vida dos outros, observam as pessoas ricas e bem trajadas, menosprezam os pobres e incultos não muito bem vestidos, criticam os líderes e apresentadores, julgam os que erram, sentam e levantam várias vezes, divertem-se com um celular ligado, distraem-se com alguma criança, e a lista vai longe. Parece mais um encontro social. Onde estão os cristãos que chegavam à igreja, cumprimentavam os irmãos sem excessos, procuravam os assentos, se ajoelhavam em oração, tomavam a sua Bíblia para lê-la em silêncio e meditação, procurando um encontro com Deus? 

Mas o que falta a esses adoradores? Falta reconhecer a necessidade que eles tem da misericórdia, falta reconhecer a santidade do templo e a necessidade de reverência. Falta reconhecer o temor de Deus no Seu santo templo. “A verdadeira reverência para com Deus é inspirada por um sentimento de Sua infinita grandeza, e de Sua presença. Com esse sentimento do Invisível, todo coração deve ser profundamente impressionado. A hora e o lugar da oração são sagrados, porque Deus Se encontra ali, e, ao manifestar-se reverência em atitude e maneiras, o sentimento que inspira essa reverência se tornará mais profundo. ‘Santo e tremendo é o Seu nome’ (Sal. 111:9), declara o salmista.” (E.G.White, Mensagens aos Jovens, 251).

IV – DEUS É ÚNICO EM JUSTIÇA (vs. 8-10)

Davi faz uma petição coerente após declarar a riqueza da misericórdia divina. “Senhor, guia-me na Tua justiça!” (v. 8). Muitos pedem a misericórdia, se deleitam nela, pregam sobre ela, sonham com ela, e param nisso. O Senhor deseja que o cristão cresça, como disse o apóstolo Pedro: “antes crescei ...” (2Pe. 3:18). Ele deseja que não só reconheçamos a misericórdia divina, mas que tenhamos os nossos olhos voltados para o caminho da justiça, rogando que Deus seja o nosso Guia soberano para a justiça, a fim de que possamos andar no caminho de Deus.

O que significa a justiça de Deus e qual é o Seu “caminho”? Deus é a Fonte da justiça. Só Ele pode ser completamente justo porque só Ele é plenamente sábio e poderoso. É por isso que o salmista recorre a Ele para guiá-lo na justiça. Ele designou o Messias como “Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23:6). Ademais, o próprio Davi no Salmo 119, nos declara o que mais é justiça: “A minha língua celebre a tua lei, pois todos os teus mandamentos são justiça.” (Sl 119:172). A Lei de Deus e todos os seus mandamentos são justiça, porque se revelam como uma expressão do caráter de Deus que igualmente é justo.

Mas por quanto tempo? Alguém poderia afirmar que essa Lei é uma questão do Antigo Testamento e que logo seria substituída na nova era messiânica. Então, Davi afirma claramente: “A tua justiça é justiça eterna, e a tua lei é a própria verdade.” (Sl 119:142). Alguém poderia ser desviado do caminho da verdade e então, duvidar da eternidade da Lei. Portanto, Davi declarou inspirado por Deus, não só o que é a justiça, como a veracidade e a eternidade da Sua santa Lei.  

Mas por que Davi roga a Deus que o guie na justiça? “por causa dos meus adversários” (v. 8). Davi não pode confiar na sua sabedoria quanto à justiça de seus atos e suplicava para ser guiado e dirigido por Deus, a fim de não se desviar em nada da justiça, por causa dos seus adversários. Ele não podia estar à vontade diante deles. Mas por quê? Como eram os seus adversários?

1- Os adversários eram falsos: “não tem sinceridade nos seus lábios” “e com a língua lisongeiam” (v. 9). Davi não podia confiar neles, nem quando se aproximavam com muitos elogios, porque sabia que eram falsos, “e proferem mentira” (v. 6). Com efeito, a sinceridade era uma virtude apreciável, no tempo de Davi e em todos os tempos. A hipocrisia, a lisonja, o falso elogio, a mentira e o suborno das palavras sempre foram censuráveis, separando os amigos verdadeiros. Davi se lembrava de alguns de seus oficiais que se diziam fiéis a ele, mas que agora estavam engrossando a fileira dos seus inimigos, zombando e escarnecendo de sua situação aflitiva.

2- Os adversários eram criminosos: “o seu íntimo é todo crimes” (v. 9), eles eram “sanguinários” (v. 6). Eles planejavam nos seus pensamentos mais secretos, e executavam a morte de inocentes. Um exemplo disso foi Joabe, que era comandante do exército de Davi. Ele era um traidor, porque fazia as coisas “sem que Davi o soubesse”, além de ser assassino: ele matou a Abner e a Amasa, grandes oficiais, à traição, com uma espada com a qual os feriu no abdômem, sem que sequer desconfiassem de suas intenções homicidas (2Sm 3:26-27; 20:10).

3- Os adversários de Davi eram corruptos: “a sua garganta é (como) sepulcro aberto”. A sepultura fechada gera a corrupção (Sl 16:10); a sepultura aberta está pronta para receber as suas vítimas e corrompê-las e destruí-las completamente; assim, os adversários estão prontos para receber-nos e levar-nos à perecer na mais sórdida corrupção. Estas palavras, entre outras, foram usadas pelo apóstolo Paulo, a fim de ilustrar a depravação universal da humanidade (Rm 3:13).

4- Os adversários de Davi eram ímpios, ou seja, também eram inimigos de Deus. Nem todos os nossos adversários são ímpios; há aqueles que nos perseguem, mas se dizem cristãos. Mas estes eram desprezadores da graça de Deus: eles eram acusados de “muitas transgressões” (v. 10). Isso indica a paciência divina frente à indiferença deles quanto à Sua misericórdia e tolerância. Deus dá muitas oportunidades para os ímpios se converterem de sua posição contrária a toda a justiça. Mas eles respondem com “muitas transgressões”, adicionando pecado a pecado e assim enchendo a sua medida da graça, que um dia se esgotará. 

5- Os adversários eram rebeldes: “pois se rebelaram contra Ti”. Ao se rebelarem contra o rei de Israel estavam se rebelando na realidade contra Deus porque Davi era um rei teocrático. O grande tema do Salmo 2 sobre a rebelião universal contra o Ungido de Deus ainda pode ser visto nestas palavras. Rebelar-se contra um representante de Deus aqui na terra, não é rebelar-se contra homens, mas contra o próprio Deus e Seu Ungido, Jesus Cristo. E isso pode ser contra uma autoridade qualquer, seja política, paterna, educacional ou eclesiástica. Muitos estão se rebelando contra políticos ou contra professores, ou contra os administradores ou pastores da obra de Deus. 

Portanto, a oração do salmista é esta: “Declara-os culpados, ó Deus! Caiam por seus próprios planos; rejeita-os... pois se rebelaram contra Ti!” Ele pede que Deus aja como o Juiz de toda a terra, a fim de aplicar a Sua justiça e dar a cada um conforme as suas merecidas obras. Ele ora para que Ele aplique a Sua sentença judicial, numa declaração legal, e sejam os adversários finalmente condenados e “caiam por seus próprios planos”, que sejam enforcados na forca que eles prepararam para os justos. Que sejam finalmente destruídos.

V – DEUS É A NOSSA PROTEÇÃO (v. 11-12)

Mas o que tem Davi para dizer sobre os justos? “Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome. Pois tu, Senhor, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência.” (V. 11-12)

Esse texto é tão cheio de riqueza, que é mais claramente percebida ao respondermos a algumas perguntas:

1- O que fazem os justos? (1) Eles confiam em Deus. Aconteça o que acontecer, a sua confiança é o sinal distintivo no meio da multidão de ímpios. (2) Eles amam o nome de Deus. Quando muitos debocham, zombam, ridicularizam, tomam em vão o nome de Deus, os justos amam esse nome e são capazes de dar a própria vida por esse nome que é Maravilhoso (Is 9:6).

2- Como são protegidos os justos? (1) O justo é protegido diretamente por intervenção de Deus. “Tu os defendes”, disse o salmista. Quando Satanás nos acusa, quando os inimigos nos perseguem, quando estamos em tribulação, quando todos estão contra nós, Deus nos defende. Ele é o nosso Advogado, como disse João (1Jo 2:1). (2) O justo é protegido pelas bênçãos de Deus: “Tu, Senhor, abençoas o justo”, e “a bênção do Senhor enriquece” (Pv 10:22), e quando temos riqueza, somos protegidos. (3) Os justos são cercados de bondade: “como escudo, o cercas de Tua benevolência”. Deus é o nosso escudo. Isso nos lembra de um soldado dos tempos antigos que só se considerava realmente seguro e protegido quando tinha o seu escudo no braço esquerdo, para proteger o corpo inteiro. Assim são protegidos os justos por Deus, que ainda nos cerca de Sua bondade. Como nos cerca a Sua bondade? Qual é a fonte de Sua bondade? Estas são as palavras inspiradas do apóstolo Paulo: “a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.” (Ef 2: 7).

3- Como vivem justos? (1) Eles se regozijam. Eles são alegres, mesmo em tempo de tribulação, como acontecia com Davi. (2) Eles descansam em alegria eterna: Eles folgam de “júbilo para sempre”. “Alegria eterna coroará as suas cabeças” (Is 35: 10). (3) Eles se gloriam em Deus: “Em Ti se gloriem”. Uma coisa é se gloriar nas bênçãos; outra coisa é se gloriar no Benfeitor. O noivo se gloria na noiva; os justos se gloriam em Deus. Eles são realmente muito felizes, porque tem a Deus como supremo Salvador e Senhor.

Certo homem tinha um hábito muito desagradável para a sua família e para outras pessoas de sua igreja. Cada vez que ele ficava animado com um assunto da Bíblia, ele gritava com toda a força dos seus pulmões: "Glória aleluia!" E os outros olhavam e ficavam meio constrangidos; e os filhos pensavam: "Por que é que o papai não fica quieto?"

E não era somente na igreja. Às vezes na rua alguém falava alguma coisa da Palavra de Deus, e ele ficava animado, e de repente ele começava a gritar e dizia: "Glória aleluia!"

E às vezes, dentro do ônibus, ele pegava a Bíblia começava a ler e quando encontrava alguma coisa maravilhosa, de repente, sem se importar com quem estava olhando, sem se importar com quem estava perto, ele dizia: "Glória aleluia!" E todo o mundo ficava rindo. E os seus filhos diziam: "Por que papai não fica quieto? Todo o mundo está olhando, nós estamos envergonhados."

E um dia o seu filho o levou para um consultório médico. E o seu filho foi lá fazer uma consulta. E olhou logo de relance para ver se tinha alguma Bíblia, porque ele disse: "Se tiver alguma Bíblia aqui, o meu pai vai começar a gritar e eu vou ficar envergonhado."  E o deixou ali na sala de espera. E encontrou um livro de Geografia e entregou esse livro para o seu pai. E ele disse: "Ah, o meu pai não vai encontrar nada neste livro para gritar."

Então o seu filho foi fazer a consulta. E ele estava lá dentro com o médico, fazendo a consulta, quando de repente ouviu lá da sala de espera o seu pai gritando: "Glória aleluia!" E então ele saiu correndo e disse: "Papai, o que houve? Por que é que o senhor está gritando agora? O que é que este livro tem que desperte todos esses gritos?"  "Ah – disse o pai – eu li neste livro que há um lugar no Japão em que o mar tem milhares de quilômetros de profundidade. E a Bíblia diz que os nossos pecados estão lançados lá nas profundezas do mar. Veja, meu filho, quanta água em cima dos meus pecados."

Amigo, você já aceitou esse perdão maravilhoso de Deus em Jesus Cristo, que morreu para me salvar e salvar a você também? Já deu glórias a Deus por Seu perdão, lançando os seus pecados nas profundezas do mar? Você está se gloriando e se regozijando em Deus? Confia nEle que o ama com eterno amor.

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com
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