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quinta-feira, 28 de março de 2013

SALMO 3 – O LIVRAMENTO DOS JUSTOS

Farei no intróito de minhas palavras uma pergunta aos pais que estão presentes, pergunta ousada mas curiosa, que não deve ser respondida senão particularmente. A pergunta é:

Como se sentiria se um de seus filhos procurasse atentar contra sua vida? Se um dos seus rebentos o perseguisse para matá-lo? Que emoções sentiria?

Agora uma pergunta aos jovens: Você teria a coragem de perseguir aquele que lhe deu a vida?

A história que vou lhes contar hoje está relacionada com estas duas perguntas.

Trata-se da história de um pai, cujo filho desejava matá-lo, a fim de que conseguisse riqueza, fama, posição, prestígio, domínio e poder.

O seu filho era o 3º entre 6 outros, mas era o mais belo, formoso de tal modo que a sua formosura se tornou proverbial, a sua fama se tornou célebre em sua terra natal.

No entanto, embora fosse belo externamente, formoso na aparência, não procurou a formosura de caráter. Levantou-se e matou o seu irmão, o primogênito daquela família.

Temendo a ira do pai, foge para outra cidade distante, onde ficou por três anos. Depois disso, voltou à cidade natal, mas com a disposição de não ver o pai. Por 2 anos não viu a face do pai. Logo se reconciliam pai e filho, intervindo outros.

Ao fim de 4 anos, o filho prega uma mentira ao pai, abusando de sua confiança, e sai para uma cidade vizinha a 30 Kms. Lá, o filho reúne todos os seus amigos, reúne uma multidão ignorante do que ia fazer, e se levanta aquele filho rebelde para matar o pai, tirando dele a fortuna, o poder e a vida.

QUEM poderia ser esse jovem tão rebelde? Quem seria esse filho tão ingrato? Tão desumano?

Salmo 3:1-3
Certamente os irmãos já leram o título desse Salmo e podem perceber que nos referimos a Davi e seu filho Absalão.
Para melhor entender este Salmo, necessitamos recordar a história que o motivou. Onde se encontra?

II Sam. 15:2-6
– Absalão furtando o coração do povo de Israel.
– Preparava-se para a conspiração, procurando ser solidário ao povo, interessado em suas necessidades, simpático aos seus sofrimentos e às suas causas.

Versos 7-14
– Uma mentira
– Rebelião, revolta, conspiração
– Notar o verso 12, ú.p.: "... crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão."

II Sam. 16:7 e 8
– Simei amaldiçoa a Davi.
– Atira pedras
– Se não foras abandonado . . .

Verso 14 – O LUGAR DO SALMO.
– Descansaram exaustos que estavam.
– Dormiram : Sal. 3:5 – "Deito-me e pego no sono; acordo porque o Senhor me sustenta."
– Lá Davi compôs o Salmo 3.
– Em meio às angústias, aflições, severas provas e maldições, Davi ergue o seu coração a Deus e expressa sua inteira confiança.

VOLTEMOS AO SALMO 3

"Exausto, com a dor e cansaço de sua fuga, ele [Davi] e seus 600 companheiros demoraram-se ao lado do Jordão algumas horas para descansar. Aquele rei destronado, entretanto, despertou com o chamado para fugir imediatamente.

"Nas trevas da noite a passagem daquele rio profundo e torrentoso teve de ser feita por toda aquela multidão de homens, mulheres e crianças; pois bem perto estavam, após eles, as forças do filho traidor." (Educação 164).

Naquela hora da mais negra provação, cantou Davi de sua confiança em Deus.

Salmo 3:1-3

É a  oração de um pai aflito, de um rei destronado.

Este Salmo de Davi dado no Saltério, foi escrito nessas dolorosas circunstâncias quando apressadamente fugia do seu filho rebelde, enquanto atravessava os vaus  do rio Jordão.

O reino estava sendo ameaçado, não de fora para dentro, mas de dentro para fora. A conspiração nasceu de sua própria família: os seus inimigos que pouco a pouco iam crescendo em número e poder, eram os súditos de seu reino.

O Salmo 3 possui 4 estrofes. O salmista Davi se preocupa:
– 1) Com os seus inimigos. Aqui vê a presença do perigo. V. 1, 2
– 2) Com Deus. Ele se lembra da ajuda no passado. V. 3, 4
– 3) Consigo mesmo. Ele tem senso de segurança em meio ao perigo presente devido a que confiava em Deus. V. 5, 6
– 4) Antecipa a vitória que vem com a salvação do Senhor. Ele faz oração por triunfo sobre seus inimigos, e ora por seu povo. V. 7, 8

Seus inimigos, os que antes o serviam, crescem e se arregimentam contra ele.

E o pior é que não somente zombam dele, mas o amaldiçoam, como fez Simei, jogando pedras, e dizendo que Deus o abandonou à sua própria sorte.

Mas Davi não perde sua confiança em Deus:

Aqui está uma grande lição: Podemos nós confiar em Deus quando outros não confiam?
Rudyard Kipling, famoso poeta inglês, escreveu um poema intitulado SE ÉS CAPAZ, e na primeira estrofe ele diz:

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E, para estes no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso.

– Será que você é capaz de manter a sua calma, quando os outros já a perderam e o culpam?
– Pode confiar em si mesmo, quando outros não confiam mais em você?

ELIAS, num momento de fraqueza, sentiu-se sozinho, e fugiu de uma mulher que o ameaçava de morte. Certamente ele não podia confiar em si mesmo e em Deus, quando ninguém confiava nele.

Mas assim como Elias não estava só – havia ainda 7.000 justos que não dobraram seus joelhos a Baal; assim como Davi ainda possuía 600 homens fiéis – podemos saber que nunca estaremos sozinhos. Sempre haverá um remanescente fiel que nos será um conforto, e sobretudo, sempre teremos a Jesus ao nosso lado, mesmo que todos nos abandonem.

Verso 3: "PORÉM . . . "

Há, meus irmãos, sempre um porém quando a alma confia. Há sempre um mas entre o pecador e Deus.
• O homem estava perdido, mas Deus o encontra.
• O homem estava condenado, mas Deus o salvou.
• O homem estava sem esperança e sem Deus, mas Jesus Cristo veio para lhe dar esperança gloriosa, e aproximá-lo de Deus, reconciliando-o.

"MEU ESCUDO"

O escudo nos tempos de Davi era uma peça oblonga ou quadrangular da armadura antiga que resguardava o corpo do guerreiro contra os golpes da lança ou da espada.

O escudo representa nesse contexto uma proteção segura contra os ataques do  inimigo. Hoje precisamos de um escudo. Nossos inimigos querem nos derrotar, mas Deus mesmo é o nosso escudo. Ele nos protege, nos guarda, nos defende.

"ÉS A MINHA GLÓRIA"

O homem foi criado à imagem de Deus, feito semelhante ao Senhor, possuía a glória de Deus, na aparência e no caráter.

Mas diz S. Paulo: "Todos pecaram e carecem" estão destituídos "da glória de Deus." (Rom. 3:23).

Não possuem a glória de Deus, perderam o brilho dessa glória por causa do pecado.

Mas Davi sabe que Deus veio com um plano de restauração: Ele enviou o Seu Filho Jesus para restaurar a glória de Deus no homem.
     "Tu és a minha glória". Tu és a certeza de que um dia serei glorificado. Com efeito, os justos serão glorificados na Segunda Vinda de Jesus.

". . . exaltas a minha cabeça"

(1) Samuel havia ungido a Davi, derramando óleo em sua cabeça, e confirmando o reino de Israel às suas mãos. Assim sua cabeça foi exaltada.
(2)Logo ao receber a coroa de rei, novamente a sua cabeça foi exaltada.

• Mas agora Davi é um rei destronado e despojado de sua coroa. Perseguido e amaldiçoado.
• Ele confia em que Deus o exaltará novamente.

Verso 4: "Clamo ao Senhor"

Davi tinha o costume de orar a Deus.

Não orar casualmente com os pensamentos noutro lugar.

Davi se concentra na oração e "clama ao Senhor".

Meus irmãos, quando é que Davi clamou ao Senhor?

– Na tribulação, na angústia e no aperto dos seus inimigos.
– Seu filho Absalão era um traidor e isso cortava o coração daquele pai amante. Arregimentou uma multidão para esmagar a vida do pai, e agora ele em agonia clama ao Senhor.
– Toda angústia, toda tribulação e aflição de alma apela para clamarmos a Deus.
– Deus é o meu socorro bem presente no dia da angústia.
– A Ele clamaremos nos dias escuros de nossa experiência.

Mas será que Deus nos responderá?

– Se clamarmos a Deus, será que atenderá a nossa súplica, ouvirá o nosso clamor?
– Quando afligidos por uma circunstância, abatidos por uma enfermidade, ou perseguidos por nossos inimigos – será que Deus nos ouvirá?

O que diz o salmista Davi? O que diz a respeito?

– "e Ele do Seu santo monte me responde."
– Com certeza, Ele me responde!

Noutra feita no Salmo 116:1, disse Davi: "Amo o Senhor, porque Ele ouve a minha voz e as minhas súplicas."

– Podemos hoje dizer o mesmo?
– Podemos nós confiar tanto em que Deus nos ouve e atende?

Porém, ONDE está o Senhor para ouvir a nossa voz? De onde Ele nos responde?

– "Do Seu santo monte". Mas onde é isso?
– Sal. 2:6.
– Quem é esse Rei?
– Esta é uma mensagem reconfortante. Temos no Céu um Rei-Sacerdote que ouve a nossa súplica, atende a nossa voz, e responde à nossa oração. Ele está no santuário intercedendo por nós, e misturando nossas orações com a Sua imaculada justiça.
– Podemos estar tranqüilos, confiantes e dormir em paz.

Foi o que ocorreu com Davi.

Verso 5: "Deito-me e pego no sono . . . "

Davi não sofria de insônia.

– Davi sofria a traição do seu filho Absalão.
– Davi sofria o abandono dos seus súditos.
– Davi sofrera a morte de Amnon, seu filho.
– Davi sofrera a vergonha de uma filha estuprada pelo irmão.
– Davi sofrera a angústia de ver seus filhos perdidos no mundo.

Mas Davi não sofria de insônia.
    
Você se preocupa quando não pode dormir bem? Então talvez lhe interesse saber que Samuel Untermeyer – o famoso advogado internacional – nunca teve uma noite completa de sono em toda a sua vida. Sempre sofreu de asma e insônia.

Lembre-se que a falta de sono jamais matou a alguém. As preocupações causadas pela insônia são, habitualmente, mais prejudiciais do que a própria insônia.

Mas se você quiser um remédio:

1)Levante-se e trabalhe ou leia até sentir sono – como fazia Samuel Untermeyer.
2)Ou como fazia Davi: Ore a Deus, clame ao Senhor, e descanse nas suas promessas.
3)Ou como fazia Jeanette Mac Donald – repita e recite o Salmo 23.

"ACORDO" – vejam a razão – "porque o Senhor me sustenta."
    
Um dia um pastor reunido à mesa de manhã com outros pastores para agradecer o alimento, entre outras coisas, o pastor na oração disse: "Senhor, obrigado porque acordamos."

Aqui está um belo motivo para agradecer a Deus: porque acordamos.

Hoje pela manhã, ao invés de sermos acordados, poderíamos continuar dormindo, e dormindo e dormindo, e mesmo que estivéssemos vivos, poderíamos não acordar, indefinidamente.

Já ouviram falar na doença do sono? Um mosquito chamado "tsé-tsé" pica a pele, e transmite essa doença, e a pessoa fica com sono e dorme indefinidamente, até morrer.

Mas Davi diz: "Acordo porque o Senhor me sustenta."

O mesmo Deus que vela quando dormimos é Aquele que nos acorda. Dependemos de Deus tanto para dormir, como para acordar. "Pois nEle vivemos, e nos movemos e existimos". "Ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais." (Atos 17:28 e 25);

Verso 6: ". . . medo"

Davi confiava seguramente em Deus, e portanto não tinha motivos para temer. "Não tenho medo". Ainda que milhares dos seus inimigos o ameaçassem de todos os lados, não tinha medo.

Houve no passado um situação semelhante com o povo de Israel.

– À sua frente estava o Mar Vermelho.
– À direita e à esquerda, de ambos os lados, estavam as montanhas próximas ao mar.
– E atrás deles, vinham os exércitos egípcios.

Era uma situação aflitiva, os seus inimigos certamente haveriam de pegá-los. Estavam encurralados. E Deus disse a Moisés: "Por que clamas a Mim? Diga ao povo que marche!" E eles marcharam, e o mar se abriu para que passassem.

Quando Deus está conosco, não há circunstância difícil.

Verso 7: "Levanta-te. . . " "Salva-me".

Esta é a oração mais curta da Bíblia. Nos Evangelhos temos também alguém que a proferiu.

Pedro, andando sobre o mar, sentiu-se envaidecido, mas reparou na força do vento, e ei-lo a submergir. Então disse a Jesus:
"Salva-me, Senhor."

– Esta é a oração mais prontamente atendida. Ele sempre nos salva, quando nós pedimos com fé.
– Que fez Jesus a Pedro? Que fez Deus a Davi? Salvação em ambos os casos.
– Que fará Deus conosco? A certeza da salvação.

"pois feres. . .  "

– Quando Deus feriu os inimigos de Davi?
– Quando Davi imaginava que Absalão estava próximo, Deus liquidou com os seus inimigos.

E Davi cantou a salvação e a vitória no verso 8.

Lemos no Novo Testamento uma passagem idêntica ao verso 7, onde Deus feriu os inimigos de Davi. Lemos em:

II Tess. 2:8

Os ímpios, os inimigos de Deus serão eliminados, seus dentes quebrados, como disse o salmista. Isso ocorreu no tempo de Davi, e por extensão e mais completamente na Vinda de Jesus.

Agora voltemos a uma questão: Você tem inimigos?

"– Amigo pregador, o Salmo é bonito e dá certo com Davi, mas eu não tenho inimigos."

– Será mesmo que você não tem inimigos?
– Então leia Atos 20:19, 20.

Quem eram os inimigos de Davi? Donde surgiram?

• Da sua própria família, e do seu próprio reino.

Quais serão os inimigos do povo de Deus nos últimos dias? Que diz Paulo?

Nos dias de Paulo já estava em processo o homem da iniqüidade, o filho da perdição. A apostasia estava surgindo dentro da própria igreja, e finalmente tornou-se perseguidora da Igreja e ainda vive, e só será destruída quando o Senhor Jesus voltar.

Diz a Sra. White que os inimigos do povo de Deus virão de dentro da própria Igreja que leva o Seu nome. Os piores inimigos ainda estão assentados nos bancos das igrejas adventistas.

Eles haverão de delatar os lugares de refúgio do povo, delatar os esconderijos daqueles que guardam os mandamentos de Deus.

Naquele tempo de angústia e perseguição, quem será o rei? Davi era o rei no seu tempo. Mas no fim, quem será rei?

Todos os justos serão reis destronados, despojados de sua coroa, humilhados. Diz o apóstolo João: "E nos constituiu reino e sacerdócio" (Apoc. 1:6). Cada um dos justos será rei, mas abatido, em perseguição.

Mas quando o povo de Deus estiver no seu maior aperto, quando os seus inimigos estiverem quase a esmagá-los, durante aquele terrível tempo de angústia, à semelhança de Davi e os seus 600 homens, quando na maior aflição, virá o livramento dos justos.

Do Céu se manifestará a glória do nosso grande Deus, trazendo salvação a todos os justos, e destruição aos ímpios. Naquele dia Jesus virá trazendo-nos a vitória, e exaltará nossas cabeças dando-nos a coroa de vitória.

Quando o Senhor Jesus voltar, estaremos nós entre os Seus ou entre os Seus inimigos?

• Engrossaremos as fileiras numerosas dos inimigos de Deus ou estaremos nós entre os exércitos do Senhor, arregimentados pelos exércitos do Céu?


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

SALMO 2: O TRIUNFO DO REINO DE DEUS


Este salmo não seguiu o primeiro acidentalmente. Como o Salmo 1 canta da bênção da Torah, o Salmo 2 exalta a bênção da monarquia de davídica, o segundo pilar da existência de Israel como nação escolhida. Ele pressupõe claramente a aliança davídica, como iniciada pelo profeta Natã ao Rei Davi (2 Sam 7:12-16). Esta aliança prometeu ao filho de Davi: "Eu serei o seu pai, e ele será meu filho" (v. 14). Uma relação especial entre Deus e os reis da casa de Davi é estabelecida aqui: "Meu [de Deus] firme, seguro amor por Davi " (Isa 55:3, RSV).

Sendo ungido por ordenação de Deus, o rei davídico era um rei teocrático (governo de Deus). É escrito de Salomão: "De maneira que Salomão assentou-se como rei no trono do Senhor." (1 Crôn. 29:23). Como o representante do Senhor, o rei de davídico foi designado para governar o povoa da aliança em justiça e paz e, além isso, eventualmente todo os povos do mundo (Sal. 72).

Em uma canção notável de ação de graças – Salmo 18, que é registrado duas vezes no Antigo Testamento; cf. 2 Sam 22 – Davi menciona como o Senhor fê-lo governador de um extenso império, e senhor sobre outras nações:

Tu me livraste de um povo em revolta;
    fizeste-me o cabeça de nações;
    um povo que não conheci sujeita-se a mim.
Assim que me ouvem, me obedecem;
    são estrangeiros que se submetem a mim.
Todos eles perderam a coragem;
    tremendo, saem das suas fortalezas.
(Sal. 18:43-45)

Quando mais tarde a própria casa real foi trazida em sujeição aos poderes estrangeiros – devido à apostasia do Senhor – Etã o ezraíta compôs um impressivo cântico de súplica, Salmo 89. Fervorosamente ele recordou o Senhor de Sua  anterior promessa a Davi:

"Ele me dirá: ‘Tu és o meu Pai,
    o meu Deus, a Rocha que me salva’.
Também o nomearei meu primogênito,
    o mais exaltado dos reis da terra.
Manterei o meu amor por ele para sempre,
    e a minha aliança com ele jamais se quebrará.
(Sal. 89:26-28)

Na categoria dos Salmos Reais, dois salmos se salientam acima dos outros pelo fato de eles mencionarem o triunfo do Messias vindouro como o Governante do mundo: Salmos 2 e 110. Estes salmos proféticos podem ter servido na liturgia de Templo na entronização de um novo rei em Jerusalém. Por ocasião da mudança de uma governador davídico, o perigo de revoltas entre as nações sujeitadas ficou agudo. Em tal situação histórica, o Salmo 2 parece encaixar por seu uso litúrgico. (Nas características messiânicas dos salmos reais, veja capítulo 2, seção "Os Salmos Reais".)

A Interpretação Messiânica

O Salmo 2 prediz que muitos reis vassalos do império de Israel estão ocupados planejamento uma rebelião unida contra o governo davídico. O salmo abre com a surpreendida pergunta: "Por que se amotinam [conspiram, RSV] as nações e os povos tramam em vão?" A tensão da situação é retratada dramaticamente pelo estilo poético de introduzir ambas as partes – as nações e o Senhor – declarando o que está em suas mentes. Porque "as nações" não são identificadas especificamente, dá-se a impressão de uma conspiração por todo o mundo (também veja vv. 2 e 10) de todas as nações contra o rei teocrático. A pergunta de verso 1 indica a futilidade de tal "conspiração". Um contraste interessante é dado por este meio com as meditações do justo em Salmo 1:2. Estes meditam amorosamente na Torah para buscar a vontade do Senhor. Os gentios – seus líderes em particular – "meditam em vão" (o mesmo verbo é usado em 1:2 e 2:1).

Os seguintes dois versos – Sal. 2:2, 3 – realçam a natureza da rebelião dos reis sob o rei de Israel. O seu conflito não é uma luta por mera independência política ou econômica. Eles uniram-se "contra o SENHOR e o seu Ungido" (v. 2), e portanto declaram:  "Façamos em pedaços as suas correntes, lancemos de nós as suas algemas!" (v. 3). Portanto, o conflito é essencialmente de natureza religiosa.

Em sua perspectiva de escatológica, o mundo inteiro une-se em última instância em rebelião contra o Deus de Israel e Seu representante ungido. A meta dos povos – libertar-se das correntes ou da lei do reino do Senhor – não pode ser chamado a luta pela verdadeira liberdade e independência. A verdadeira liberdade só pode ser encontrada na submissão voluntária e disposta obediência ao soberana Monarca do universo que reina sobre a Terra mediante o Ungido, o Filho de Deus.

A igreja apostólica no Novo Testamento aplicou a rebelião das nações gentílicas explicitamente contra o Rei teocrático de Salmo 2 para a conspiração de " Herodes e Pôncio Pilatos. . . com os gentios e o povo de Israel" contra o Messias Jesus e Seus apóstolos (veja Atos 4:24-28). Esta interpretação messiânica do Salmo 2 tem implicações decisivas para a compreensão do verdadeiro Israel de Deus. Quando os israelitas, ou os judeus, perseguem a Cristo e o Seu povo, então os apóstolos contam tais israelitas também entre os inimigos de Deus (Atos 4:27; cf. 1 Tess. 2:16; Acelere 2:9; 3:9).

Para um tratamento extenso do âmbito pleno da testemunha do Novo Testamento relativo à natureza teológica de "Israel" nas Escrituras proféticas, veja H. K. LaRondelle, The Israel of God in Prophecy: Principles of Prophetic Interpretation (Andrews University Press, 1983).

O Salmo 2 continua descrevendo a reação do Senhor ao desafio desta revolta universal contra Seu trono (vv. 4-6). Rindo em desprezo sobre as suas fúteis intrigas, Ele tranqüiliza Israel de Sua lealdade indefectível e do triunfo de Sua aliança, declarando:

"Eu mesmo estabeleci o meu rei
    em Sião, no meu santo monte."
(Sal. 2:6, NVI)

Esta garantia de Deus é de conforto permanente ao povo de Deus em todas as idades, porque mostra profundamente como Deus – que está "entronizado no céu" – Se preocupa com o Seu povo da aliança na Terra, como próximo e seguro é a Sua relação com eles, e como Deus firmemente Se empenhou em vindicar o Seu Filho em Sua crise. Deus garantiu aqui que, apesar da revolta universal contra Sua lei e a guerra total contra o Seu povo, Sua causa triunfará. Ele não falhará em intervir nos negócios humanos em nome de "todo os que buscam refúgio nEle". Embora Deus fale às nações e aos seus governantes "em sua ira os repreende e em seu furor os aterroriza" (vs. 5), não se deveria omitir que Ele lhes oferece não obstante uma oportunidade para se arrepender de todo o coração. Este tempo específico de misericórdia assoma grandemente nos últimos versos deste inspirado poema (vv. 10-12).

Os governantes das nações gentílicas a princípio não percebem completamente que sua luta contra o Rei no Monte Sião é uma batalha contra o Senhor, o Monarca todo-poderoso do mundo. Portanto, a ênfase está claramente no ordenação de Deus ou entronização do Seu Ungido: "Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte."

O nome Monte de Sião foi primeiro usado para a colina do sudeste e então para a colina do norte de Jerusalém, e às vezes para o cume inteiro. Quando o Templo foi construído, o termo foi aplicado à colina do norte na qual o santuário estava. Contanto que o Senhor ficasse no Lugar Santíssimo daquele santuário, aquele monte era "santo" porque a glória do Shekinah de Deus habitava lá.

Neste santuário foram ungidos os reis de Israel, em Sião eles eram estabelecidos (2 Reis 11:11, 12; Sal. 2:6). O fato de que o Senhor instalara o Seu rei em Sião como o Seu vice-gerente tem implicações de longo alcance. Estes são desdobrados nos próximos três versos:

Proclamarei o decreto do Senhor:
Ele me disse: “Tu és meu filho;
    eu hoje te gerei.
Pede-me,
    e te darei as nações como herança
    e os confins da terra como tua propriedade.
Tu as quebrarás com vara de ferro
    e as despedaçarás como a um vaso de barro.”
(Sal. 2:7-9)

Estas palavras provavelmente foram faladas por uma voz diferente na liturgia, possivelmente pelo próprio rei. A proclamação do decreto de Deus mostra a desesperança de todas as conspirações contra o reino de Deus. O resultado triunfante da monarquia de Deus é absolutamente seguro.

O rei especifica o decreto do Senhor: "Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai" (v. 7, BLH; "te gerei", RSV, NVI, RA, RC, BJ). Tais palavras solenes são conhecidas de fontes extra-bíblicas – por exemplo, o código de Hamurábi (192) – como a fórmula antiga de adoção em tribunais de justiça. Eles eram pronunciados na ocasião quando alguém legalmente adotava uma criança como o seu próprio filho. Se a expressão "hoje" no Salmo 2:7 é uma referência ao dia do entronização do rei de Israel em Sião, então a palavra "gerado" é um termo apropriado para a instalação oficial do Rei como o Filho teocrático de Deus. Uma iluminação a este respeito é a elaboração no Salmo 89: "Também o nomearei meu primogênito, o mais exaltado dos reis da terra" (v. 27).

O Novo Testamento proclama que o Salmo 2 é uma profecia messiânica que encontrou seu cumprimento na ressurreição gloriosa de Cristo Jesus. Os apóstolos explicam aos seus companheiros judeus na sinagoga:

“Nós lhes anunciamos as boas novas: o que Deus prometeu a nossos antepassados ele cumpriu para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no Salmo segundo: “ ‘Tu és meu filho; eu hoje te gerei’."
(Atos 13:32, 33, NVI)

Pedro enfaticamente declara que o derramamento do Espírito Santo em Jerusalém na festa do Pentecostes era a evidência de que Jesus crucificado tinha ascendido, foi exaltado à mão direita de Deus, e agora enviou o Espírito de Deus para Israel da sala do trono divino. "Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo." (Atos 2:36, NVI).

A Perspectiva Apocalíptica

O Novo Testamento considera Salmo 2 como uma profecia messiânica de importância extrema e de conforto inesgotável para os crentes cristãos agora. Não obstante, este salmo ainda olha adiante ao seu completa cumprimento apocalíptico no segundo advento de Cristo, quando Ele vier como o Rei dos reis e Juiz do mundo. Não há nenhuma questão quanto à vitória de Cristo quando Ele retornar em glória celestial e poder.

O Deus de céu dará todas as nações – até "os fins da terra" – ao Seu Filho em Sião como Sua "herança" e "possessão". Cristo em última instância regerá o mundo, um mundo novo restaurado à justiça e paz. É o propósito eterno de Deus que todos o povos da terra se unirão ao Seu pequeno rebanho e se tornarão uma comunidade de adoração que O servirá no verdadeiro "temor do SENHOR" com alegria e louvor. Esta perspectiva é o enfoque da seção final do Salmo 2.

Por isso, ó reis, sejam prudentes;
    aceitem a advertência, autoridades da terra.
Adorem o Senhor com temor;
    exultem com tremor.
Beijem o filho, para que ele não se ire
    e vocês não sejam destruídos de repente,
pois num instante acende-se a sua ira.
Como são felizes todos os que nele se refugiam!
(Sal. 2:10-12, NVI)

Porém, se as nações rejeitam o Seu domínio e conspiram para subverter Seu Filho real em Sião, Ele Lhe dará poder e assim "com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro" (v. 9).

O Apocalipse de João – o Livro da Revelação – pinta a consumação final do Salmo 2 em golpes audazes: Cristo como o Guerreiro divino destruirá todos os Seus inimigos declarados em terra com "uma espada afiada" que sai "de Sua boca". Neste contexto do juízo final, o revelador aplica o Salmo 2:9 a Cristo:

"Ele as governará com cetro de ferro.” Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso. (Apoc. 19:15).

As interpretações do Salmo 2 no Novo Testamento nos conduzem à conclusão que este salmo messiânico recebe um novo cumprimento toda vez que Cristo entra em uma nova fase do Seu ministério. A princípio se pode distinguir a inauguração de Cristo ou instalação como Rei depois de Sua ressurreição (Sal. 2:7), depois o governo de Cristo sobre o povo na terra em misericórdia e paciência (Sal. 2:10-12), e finalmente o governo de Cristo como o Juiz do mundo para executar a justiça final (Sal. 2:9). Esta é a tripla interpretação cristológica do Salmo 2 no Novo Testamento. Isso revela satisfatoriamente o enfoque cristocêntrico dos apóstolos pelos quais eles viram e compreenderam o significado do Antigo Testamento para o seu tempo e o futuro.

A Atração do Evangelho Universal

O Salmo 2 termina com uma séria advertência para os governantes da terra que estão a caminho contra Sião a serem "sábios" e aceitarem o governo messiânico antes de seja tarde demais:

Adorem o Senhor com temor;
    exultem com tremor.
Beijem o filho, para que ele não se ire
    e vocês não sejam destruídos de repente,
pois num instante acende-se a sua ira.
    Como são felizes todos os que nele se refugiam!
(Sal. 2:11, 12, NVI)

Esta seção final de Salmo 2 mostra que o último interesse de Deus não está na morte do homem mas na sua salvação. Este apelo universal a todos os pecadores em Israel e entre o gentios é expresso até mais urgentemente pelos profetas:

Que o ímpio abandone o seu caminho,
    e o homem mau, os seus pensamentos.
Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele;
    volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão.
(Isa 55:7, NVI)

“Diga-lhes: Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos! Por que o seu povo haveria de morrer, ó nação de Israel?' ”
(Ezeq. 33:11, NVI).

É apropriado que, depois de sua conspiração rebelde, os governantes das nações sejam chamados a louvar o Senhor no "temor de Deus" (cf. Sal. 22:23), quer dizer, adorá-Lo no Seu santuário em temor reverente e profunda gratidão (Sal. 2:11).

Os cristãos precisam se lembrar que eles – depois de terem recebido libertação por meio de Jesus Cristo – ainda estão sob a advertência apostólica, "continuem a operar a sua salvação com temor e tremor" (Filip. 2:12), devido ao dia do juízo vindouro.

De acordo com o conselho, "Beijem o Filho" (Sal. 2:12), os gentios são admoestados a "beijar" o Filho de Deus em Sião – em vez de beijar a Baal (1 Reis 19:18) – como o sinal de respeito e lealdade ao Messias. A alternativa de leitura "Beijem os seus pés" (RSV) aponta para o signo oriental de submissão por via de pé-beijo (cf. Sal. 72:9-11) e fica paralelo a "Sirvam o SENHOR" (Sal. 2:11). O salmo recorda aos gentios uma vez mais da vindoura "ira" do Senhor: "num instante acende-se a sua ira" (Sal. 2:12). Estas palavras não sugerem que a ira de Deus – a Sua reação com relação ao pecado humano e rebelião – chamejará caprichosamente a qualquer momento. Antes, elas recordam aos inimigos do Senhor da Sua vigilância incansável e cuidado por Seu povo. Quem toca o povo de Deus, toque na menina do Seu olho (Deut 32:10; Zac. 2:8).

"Bem-aventurados todos os que nele se refugiam" (Sal. 2:12, VA). Enquanto o primeiro salmo começa com uma bênção, o segundo salmo termina com uma bênção. Assim ambos os salmos são juntamente amarrados. Eles foram até mesmo contados como um salmo em algumas tradições judias.

Não só os israelitas mas também os gentios são convidados finalmente a buscar abrigo com o Senhor, o Deus de Israel, e aceitar a proteção que Ele proveu contra a Sua própria ira "apocalíptica". O sangue expiatório de Seu único Filho, o Messias, é o único refúgio provido pelo Senhor para o dia da Sua ira.

Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus! (Rom 5:9).

O Salmo 2 abriu a porta de bênção para todos o povos e raças no mundo. O evangelho de Cristo mostra que Cristo é essa "Porta", o "Portão" para a vida eterna (veja João 10:1-10).

Será o apelo divino do Salmo 2 efetivo e frutífero? O profeta Isaías prediz um reunião gloriosa de adoradores gentios no Monte Sião nos últimos dias, na era messiânica, antes do juízo final destruir todos os idólatras (Isa 2:10-22).

Nos últimos dias o monte do templo do Senhor será estabelecido como o principal; será elevado acima das colinas, e todas as nações correrão para ele. Virão muitos povos e dirão: “Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas veredas”. (Isa 2:2, 3, NVI)

Esta vitória da monarquia de Deus sobre as nações está mais completamente trabalhada nas profecias de Isaías (56; 58; 60-62), que culminam no triunfo universal de Sião sobre todos os seus inimigos: "toda a carne virá adorar diante de mim, diz o SENHOR" (Isa 66: 23).

Estas promessas começaram o seu cumprimento histórico com o ministério do Messias Jesus como a Luz do mundo (João 8:12). Ele ordenou doze apóstolos como Seus embaixadores e os dotou com o mandato e missão de Israel ao  mundo:

"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.  ... Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus." (Mat. 5:14, 16).

O derramamento do Espírito Santo da parte do Cristo exaltado no céu, desde o dia de Pentecostes, conduziu muitos milhares de judeus e gentios a aceitar a Jesus de Nazaré como o seu Senhor e Salvador (veja Atos dos Apóstolos). Assim a comunidade messiânica se tornou uma igreja universal. Um dos maiores triunfos de Cristo foi a conquista de Seu mais apaixonado inimigo, Saulo de Tarso, para torná-lo a sua mais consagrada testemunha a judeus e gentios. Como os governantes no Salmo 2, Saulo estava tentando destruir o povo de Deus, o Israel messiânico. Próximo a Damasco, porém, Cristo revelou a Saulo que ele estava lutando contra o Deus de Israel e o próprio Messias na perseguição dos cristãos. Chocado em arrependimento, Saulo tornou-se o maior apóstolo de Cristo.

A perspectiva apocalíptica do último livro da Bíblia provê a visão de um final e universal derramamento do Espírito Santo quando a última mensagem de advertência de Deus, retratada em Apocalipse 14 por três anjos, varrerá ao redor do mundo em um convite final para todos os povos (Apoc. 14:6-20; 18:1-4). Breve o Salmo 2 será compreendido em um reavivamento pentecostal final entre os judeus e os gentios. Esta é a mensagem de esperança para hoje. Não importa que oposição possa levantar-se, o triunfo do reino de Deus já é afiançado pela vitória do Messias por Seus sofrimentos expiatórios e morte na cruz. Ele suportou nossa maldição lá para prover para nós a sua bênção eterna agora:

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor. (Col. 1:13, 14, RA).

Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé. (Gál. 3:14, NVI).

Pr. Hans K. Larondelle

sexta-feira, 22 de março de 2013

SALMO 2 – A COROAÇÃO DO UNGIDO DE DEUS

O livro dos Salmos é o próprio coração da Bíblia. Os Salmos contém as orações que Deus atende porque foi Ele mesmo quem as inspirou. É o fundamento de uma religião viva. São 150 orações inspiradas que nos ensinam como orar e como nos relacionar sinceramente com Deus.

Os Salmos são a nossa maior fonte poética para penetrarmos no conhecimento de Deus. Eles contém mensagens de ânimo e encorajamento para o povo de Deus em nosso tempo. Eles contém mensagens de fé, esperança e vitória. Ali nós encontramos o segredo da verdadeira religião, que é a religião do coração. Temos ali na beleza da poesia, a história passada dos atos salvadores de Deus e a promessa segura de um futuro eterno.

Temos ainda no Livro dos Salmos o ensino de todas as doutrinas da Bíblia. Nele encontramos a doutrina da Criação, da Redenção e da Preservação. Os atributos comunicáveis e incomunicáveis de Deus estão claramente expostos. As expressões do caráter de Jeová Se encontram ali,  a Sua justiça, a misericórdia e a graça, bem como a Sua onipotência, imutabilidade e eternidade. Os Salmos nos falam sobre o Santuário, a Lei de Deus, o Juízo final, a Salvação e a Cruz. Ali encontramos a doutrina da Mortalidade da alma, da Ressurreição e a esperança da Vida Eterna. Ali encontramos o verdadeiro conhecimento de Deus e de Jesus Cristo.

O Salmo 2 foi chamado "A Canção do Ungido do Senhor" e foi citado no Aleluia de Händel. O Salmo 2 é o primeiro salmo messiânico e apocalíptico, porque contém uma revelação surpreendente de Cristo tanto do passado como para o futuro. Portanto, a sua mensagem é cristocêntrica e escatológica, e foi citado pelo apóstolo João no Apocalipse, com duas referências ao governo justo de Cristo contra os ímpios habitantes da Terra. Davi, que escreveu este Salmo (At 4:25) e mais outros 72, é o suave cantor e pastor de Israel.

I – REBELIÃO UNIVERSAL (1-3)


1. O Salmo 2 começa com duas perguntas: (v. 1).

(1) A 1ª pergunta: "Por que se enfurecem os gentios?"

(a) Os gentios estavam irados. Esta era a atitude das nações idólatras no tempo de Davi. Eles estavam enfurecidos. A prova disso estava nas guerras com que se envolviam para matar e roubar. A ira das nações se manifesta nas guerras; a ira dos estados se manifesta nas revoluções; a ira dos indivíduos se manifesta nas brigas. É a rebelião universal.

(b) Esta é uma profecia muito atual que se cumpre em nossos dias. A Bíblia diz que no tempo do fim as nações se enfureceriam (Ap 11:18). Disse Cristo que antes de Sua vinda surgiriam "guerras e rumores de guerras... Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino." (Mt 24:6-7). Portanto, isso indica que estamos no tempo do fim, que se apressa a passos largos, culminando na destruição do mundo e dos pecadores.

(c) Mas a pergunta mais perscrutadora é "por quê?" Por que se enfurecem os povos, as nações e os homens em geral? Por que estão irados? A resposta já está implícita na pergunta: não há nenhuma razão para ficarem irados. Deus perguntou a Caim: "Por que andas irado? E por que descaiu o teu semblante?" (Gn 4:6). Ele perguntou a Jonas: "É razoável essa tua ira?" (Jn 4:9). É racional mostrar toda a sua ira? Aonde isto o levaria? É irracional resolver as coisas com ira! Quando você encontra alguém que não respeita os seus limites, como você reage?  

(2) A 2ª pergunta: "Por que os povos imaginam coisas vãs?"

(a) A palavra "imaginam" é a mesma palavra traduzida por "medita", no original do Sal. 1:4. O justo medita na Lei de Deus. Os ímpios também "meditam", e como resultado, ficam furiosos. A ira é um sentimento interno que se demonstra externamente, mas se origina nas meditações secretas do coração. 

(b) Deus conhece a revolta de dentro do próprio coração dos rebeldes, que por sua vez "imaginam coisas vãs". A imaginação, se não for direcionada, pode se desviar da justiça para as coisas vãs. É inútil se revoltar, é inútil revelar a ira de dentro do coração.

2. Contra quem os gentios estão revoltados e irados? V. 2-3: "Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido." Reis e príncipes, ou governantes em geral, foram colocados em elevadas posições pelo próprio Deus (Rm 13:1,4). No entanto, esses mesmos que receberam de Deus a honra estão desonrando o seu Benfeitor.

(1) Os reis estão revoltados contra o SENHOR. A palavra SENHOR é tradução de Yahweh, e significa "o Eterno", "Aquele que vive por Si Mesmo". Jehovah, é o grande, o glorioso e incomunicável nome de Deus, e é expressivo de Seu Ser eterno e auto-existência. Ele tem esse nome de modo exclusivo, porque só Ele possui esta qualidade.

Então, esses reis e príncipes estão se revoltando contra Alguém que é o próprio Eterno. Portanto, eles estão se irando contra a Pessoa errada, porque estão em completa e esmagadora desvantagem. Como pode alguém de posição privilegiada e conhecimento se revoltar contra Deus? Eles estão revoltados contra Jeová, o Eterno, o próprio Criador. Este é o mistério da iniquidade.

(2) Os reis e príncipes estão revoltados contra "o Seu Ungido". Quem é o Ungido de Deus? Ungido é a tradução de "Messias" no hebraico e "Cristo" no grego. A Bíblia diz que o Ungido seria o Senhor Jesus Cristo. Daniel já falava dEle como o "Ungido, o Príncipe" (Dn 9:25). Ele é 'Miguel, o grande Príncipe, o Defensor dos filhos do teu povo" (Dn 12:1).

3. Mas, como podem reis e príncipes conspirar contra Deus e o Seu Ungido? Eles não estão seguros no Céu? Como podem fazer complôs e se levantar contra Eles? Herodes o grande, o rei da Judéia, tentou tirar a vida de Jesus na Sua infância; o rei Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia, com seus homens de guerra zombaram dEle, e O desprezaram; Anás e Caifás se reuniram em concílio para decidirem o que fariam para tirar a vida de Jesus. Pôncio Pilatos, o governador da Judéia, que representava o imperador romano, condenou-O à morte. E todos os reis da terra desde os mais remotos tempos, que se levantaram contra Deus e contra o Seu Ungido na pessoa do Seu povo, em guerras, perseguições e massacres, cumpriram esta profecia.

4. O que eles estão "dizendo"? V.3: "Rompamos os seus laços". As palavras revelam o caráter; podemos saber o motivo da rebelião por suas palavras. Eles dizem: "Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas." Laços e algemas são uma  referência às leis de Deus. Eles não querem se submeter à Lei de Deus que é uma lei de amor e sabedoria e que promove a felicidade. Eles rejeitam as regras e as leis de Deus. Eles querem plena liberdade.

(1) Este é o grande conflito dos séculos que Satanás está promovendo, desde o  começo. Ele não queria que Deus governasse sobre ele. Ele teve inveja de Jesus Cristo porque Ele foi escolhido, honrado e ungido como o Filho de Deus. Lúcifer disse que as leis de Deus eram restrições injustas e desnecessárias. Assim ele espalhou esse argumento no Céu. E muitos se uniram a ele. É o princípio do antinomianismo: falta de lei. É o princípio da anarquia: não querem que Deus seja rei sobre eles, e vem o caos. É auto-deificação: quando os homens rejeitam as leis de Deus, se deificam a si mesmos, fazendo suas próprias leis.

(2) Hoje não é diferente de antigamente. Os governantes fabricam as suas leis e se insurgem contra a Lei de Deus, e é por isso que falta a justiça e a verdade anda tropeçando pelas praças. E como um resultado, a insatisfação cresce de uns para com os outros e a revolta se multiplica. As multidões estão "sem ar, sem luz, sem razão", para usarmos as expressões de Castro Alves.

(3) Com efeito, não há razões palpáveis para ficarem irados e revoltados contra Deus. Não há motivos nem para os reis nem para os príncipes, nem para as nações fazerem levantes nem conspiração contra o Senhor da Terra. Também não há motivos para você ficar revoltado.

(4) Você conhece alguém revoltado contra Deus? Conhece algumas pessoas que falam contra Deus e contra o Senhor Jesus Cristo? Eles apresentam as suas acusações, falam da injustiça e dos atos e "omissões" de Deus. Falam do avanço da ciência e do neodarwinismo. E ficam nervosos se você tentar convencê-los, eles ficam irados, enfurecidos se você os desmascarar, apresentando a inteligência da necessidade de um "designer inteligente". Você não vai convencer a uma pessoa irada, enfurecida e revoltada. Ela sempre tem razão, embora agindo irracionalmente.

II – A INDIGNAÇÃO DIVINA (4-5)

1. Qual a reação de Deus? V.4: "Ri-se Aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles."

(1) Este é um aspecto interessante da personalidade de Deus. Temos ouvido acerca dos atributos divinos, mas é difícil ouvirmos que Ele se ri. Eu gosto desta expressão que indica que nós temos um Deus um tanto humorístico, um Deus que reage, que tem sentimentos, muito diferente dAquele Deus impassível que nos pintam muitos teólogos. Entretanto, as Escrituras nos tem retratado a personalidade divina desse modo mais relacional. Este é um aspecto antropomórfico, visando explicar o sentimento de Deus em linguagem humana.

(2) Pode imaginar o Deus Todo-poderoso olhando para esses fracos humanos conspirando contra Ele? Pode imaginar o Criador contemplando estas pobres criaturas revoltadas e levantando os seus punhos em luta contra Ele? Pode imaginar as infinitas desvantagens nas quais se encontram esses rebeldes? Como podem finitos mortais se levantar contra o Eterno e infinito Deus? Não poderia ser diferente. Se é Deus que os contempla, só pode mesmo se rir e zombar da pretensão desses ímpios.

2. Qual é a outra reação de Deus? V. 5: "Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá."

(1) Aqui está a ira de Deus. Este é um segundo antropomorfismo: temos que explicar a Deus na linguagem humana; não há outro meio, porque não entenderíamos a linguagem dos anjos. Mas mesmo os anjos não teriam muito a nos dizer porque eles também não conheciam este aspecto do caráter de Deus e de Sua reação. Antes do pecado, Deus nunca Se manifestara com ira; isto é novo até mesmo para os anjos.

(2) O que é a ira de Deus? Se os gentios se enfureceram, se as nações estão iradas, agora é a vez de Deus revelar a Sua ira. O homem foi feito à semelhança de Deus e como nós temos ira, Deus tem ira. Mas qual é a diferença entre a ira de Deus e a ira do homem? A ira do homem é motivada pelo pecado; a ira de Deus é motivada pela santidade. A ira do homem é uma paixão irracional e descontrolada, visando a vingança; a ira de Deus é um princípio controlado, racional, visando a justiça. A ira do homem revela injustiça; a ira de Deus revela Sua inescapável justiça.

(3) Quando será o Dia da Ira de Deus? Diz o salmista Davi que ela se demonstrará "a seu tempo". Sabemos que esse tempo será pouco antes da volta de Cristo, o Seu Ungido, e se revelará nas 7 Últimas Pragas que sobrevirão ao mundo. Hoje vemos que a ira de Deus está mesclada com a misericórdia. Mas isto é apenas por esse tempo de graça, enquanto temos oportunidade de nos arrepender de nossos pecados e nos levantar a favor do nosso grande Deus e de Jesus Cristo. Mas naquele tempo a Sua ira se revelará sem misericórdia, e todos os ímpios habitantes da terra serão destruídos. E todos proclamarão a justiça do Rei do universo.

III – A UNÇÃO DO REI (6-9)

1. Até o v. 5, falava Davi. Agora, Deus está falando. O que Ele está dizendo? "Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o Meu santo monte Sião." (v. 6). A palavra "Eu" se refere a Deus o Pai que diz: "Eles estão irados e insatisfeitos com a Minha lei e com o Meu Ungido. Eu, porém, constituí o Meu Rei".

2. Deus tem o Seu Rei teocrático. Ele vai estabelecer um reino universal sobe esta Terra, em breve. O seu Rei a quem Ele escolheu já foi constituído. Ele estará sobre o monte Sião. Sião era a fortaleza de Jerusalém; sobre o monte Sião estava edificada a cidade de Jerusalém terrestre. O monte Sião é descrito como habitação de Deus, o Céu dos céus (Hb 12:22; Ap 14:1). Lá estará o Rei constituído por Deus. Lá Jesus Cristo foi constituído como o "Rei dos Reis e Senhor dos senhores". Esta é uma mensagem poética, mas também profética e escatológica.

3. Mas agora, é a vez do Rei ungido falar. V. 7: "Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei." Aqui o próprio Messias está falando ao proclamar o decreto de Deus o Pai. Este é um decreto eterno e imutável, estabelecido por Deus diante de todo o universo. Qual é o decreto? Deus Se revela como o Pai do Messias e diz para o Seu escolhido: "Tu és o Meu Filho! Eu, hoje, Te gerei!"

(1) O que significam estas palavras? Porventura Deus gerou a Jesus Cristo, originando o Filho de Sua própria natureza? Estaria certa a mitologia grega que ensinava que os seus deuses eram gerados entre si mesmos, como acontece com a família humana?

(a) Foi o próprio Diabo que inventou toda essa estória, e torceu as Escrituras, de tal modo que mesmo hoje muitos estão ensinando que Jesus Cristo é o Filho de Deus no sentido restrito da palavra, no sentido humano. Eles dizem que Jesus Cristo Se originou da natureza de Deus, que o Soberano gerou literalmente a Cristo, dando-Lhe origem de existência.

(b) Entretanto, esta interpretação é equivocada. Precisamos interpretar a Bíblia nos termos da Bíblia, considerando os antropomorfismos, que são, como vimos, a descrição de Deus na linguagem humana. Os profetas jamais poderiam usar linguagem divina, porque eles nem a possuíam e nem nós a compreenderíamos.

(2) Em que sentido Jesus Cristo foi "gerado"? Em que sentido Cristo é o Filho de Deus? Poderia ser Ele "gerado" por Deus, no sentido humano da palavra? É impossível interpretar literalmente estas palavras, porque a própria Bíblia testifica que Jesus Cristo é eterno, imortal, incriado e sem origem (Jo 1:1-3). Ele jamais Se originou em qualquer tempo da eternidade. Ele sempre existiu e sempre existirá.

(3) Como podemos interpretar corretamente o Salmo 2:7? Consideremos a explicação baseada num paralelismo bíblico. Se tivermos o apoio de outros escritores inspirados, conheceremos a devida significação.

(a) Em At 13:33, Pedro disse que Deus ressuscitou a Jesus Cristo e cumpriu o Salmo 2:7. Paulo também tem o mesmo pensamento, e disse que Cristo "foi designado ('constituído', BJ) Filho de Deus ...pela ressurreição dos mortos". (Rm 1:4).

(b) Em Heb 1:5, Paulo aplica as mesmas palavras de Davi para a divindade de Cristo, comparando-O aos anjos, quando disse: "Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho?"

(c) Mas em Heb. 5:5, Paulo introduz um novo significado: Ele diz que quando Cristo foi constituído Sumo Sacerdote, cumpriu-se mais uma vez o Salmo 2:7.

(d) Mas há um outro sentido em que estas palavras foram usadas, e que corresponde mais diretamente ao sentido e ao contexto do Salmo 2:7. Natã recebeu uma palavra de Deus que dirigiu a Davi, referindo-se a Salomão, e usou a mesma linguagem do Sal. 2:7: "... Eu estabelecerei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por Pai, e ele me será por filho." (1Cr 17: 12-13). Estas palavras tiveram um cumprimento parcial através de Salomão, que foi constituído rei por ordem de Deus, que por esse fato, o chamou de "filho" de modo especial e incomum, porque o constituía como rei de um reino teocrático. Mas Salomão era um tipo de Cristo. Portanto, estas palavras em sentido secundário, se cumprem em Cristo, como Rei que reinará para sempre. Desse modo, o Sal. 2:7 nos diz que Cristo é o Filho de Deus, que foi "gerado" simbolicamente, porque foi ungido como Rei sobre todos os reis da Terra.

(4) Portanto, estas palavras do Sal. 2:7 foram interpretadas pelos apóstolos como se referindo à ressurreição, à divindade e ao sacerdócio e vemos agora, no Antigo Testamento que estas palavras se aplicam também ao reinado de Cristo e, consequentemente, confirmam a Sua natureza não originada. Desse modo, sempre que temos uma unção de Deus a Jesus Cristo, cumprem-se as palavras do Sal.2:7.

(5) Portanto, quando Deus disse: "Tu és o Meu Filho; Eu, hoje, Te gerei!" dirigiu-se ao Messias, e emitia o Seu decreto de filiação real para uma Pessoa já existente, não de um ser que nascia de Sua natureza divina. Não era uma filiação literal do tipo humano que ocorria, era a linguagem figurada de uma filiação real, quando Deus constituía ao Messias como o Rei das nações. Assim aconteceu com Salomão e assim sucedeu com Jesus Cristo.

(6) Quando foi o Messias "gerado"? A resposta do texto é "hoje". Pelo contexto, "hoje" se refere a um ponto histórico, quando as nações da Terra já conspiravam "contra o Senhor e contra o seu Ungido". Num momento da História, quando já existiam os reis da Terra Se opondo ao Senhor, Ele chamou o Seu escolhido que já existia por toda a eternidade, e Lhe disse: "Tu és o meu Filho! Eu, hoje, Te gerei". Assim, foi ungido o Messias como Rei. E então, foi chamado de "Filho".

(7) Mas o que significa ser Jesus Cristo o "Filho" de Deus? Este foi um grande problema para os judeus do tempo de Cristo, porque eles não estavam satisfeitos pelo fato de que o Salvador Se intitulava desse modo. Ele dizia frequentemente que era o Filho do homem, mas também pretendia ser o Filho de Deus. O que significa isso? João explica desse modo: os judeus queriam matar a Cristo porque Ele "dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5:18). Portanto, a pretensão de Jesus Cristo foi de que Ele era "igual a Deus" com todos os Seus atributos, não criado nem originado, mas eterno.

4. Qual é a promessa de Deus ao Messias, constituído como Rei? Qual é a herança do Pai ao Filho? V. 8: "Pede-me, e Eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão." Mas, se Jesus Cristo é o próprio Criador, e como tal é Dono de todo o mundo, como Lhe promete Deus a posse da mesma Terra? De fato, como Deus Ele é o Dono do universo, mas como o Messias Jesus Cristo é o Rei desta Terra. Como Messias, Ele é o Filho do homem e foi ungido para a salvação deste planeta e recebe de Deus o reinado deste mundo.

5. Como seria o reinado do Messias? V. 9: "Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro." Esta profecia há de se cumprir em sua fase apocalíptica, na destruição dos ímpios, e na consumação dos séculos. O apóstolo Paulo usou estas palavras para descrever a vinda de Cristo e seu efeito sobre os desprezadores de Sua graça (2Ts 2:8). Finalmente, o apóstolo João também falou de Seu "cetro de ferro", em um contexto da destruição dos ímpios que finalmente se confirmaram em sua rebelião (Ap 12:5; 19:15).

IV – O ÚLTIMO APELO DIVINO (10-12)

Os versos finais (10-12) contém o último apelo do Céu para os reis, governantes e povo em geral. Assim como o Apocalipse tem o último apelo de Deus para o Seu povo, assim termina o Salmo 2, com 5 imperativos:

(1) "Sede prudentes". Buscai a sabedoria. Isto é indispensável para termos a segurança da felicidade e da salvação. Não há mais a perder nas cisternas rotas das loucuras do mundo. Carecemos de mais prudência.

(2) "Deixai-vos advertir". Muitos não querem reconhecer os seus erros, e julgam difícil se deixar persuadir a fim de receber a advertência divina. Isso requer que deixemos o orgulho de lado, porque sem humildade não podemos conseguir nada diante de Deus.

(3) "Servi ao Senhor com temor". O serviço de Deus é o mais alto privilégio de criaturas humanas; mas temos que servi-Lo com temor, porque se trata de um serviço para o majestoso Rei dos reis. 

(4) "Alegrai-vos nEle com tremor". Como podemos nos alegrar com tremor? A vida cristã é cheia de alegria, mas servimos a Deus com temor, porque o temor é o equilíbrio necessário para não nos desviarmos pelos caminhos deste mundo.

(5) Mas são particularmente interessantes as palavras do último imperativo: "Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira." A ira mencionada é a ira do Cordeiro, diante da qual todos os ímpios correrão, naquele dia da volta de Cristo dizendo aos montes e rochas: "Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?" (Ap 6:16-17).

Portanto, o apelo divino é este: "Beijai o Filho!" O beijo nos tempos antigos era um símbolo de reconciliação, como no caso de Jacó e Esaú. O apelo para beijar o Filho é um claro chamado à reconciliação com Deus, através da fé no sacrifício de Cristo, que derramou o Seu sangue para nos reconciliar com o Pai: "Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus." (2Co 5:20).

Finalmente, o clímax do Salmo 2 contém estas palavras: "Bem-aventurados todos os que nEle se refugiam." Como o Salmo 1 se inicia com uma bem-aventurança, assim termina o Salmo 2.

Houve nos Estados Unidos um juiz famoso, porém ateu. Certa noite, estando fora de casa a esposa, sentiu-se possuído de uma convicção de estar errado em relação a Deus e às coisas espirituais e reais, e agora, que se achava sozinho, pôs-se a refletir sobre o caso. Quando ela voltou, ele ainda estava imerso em meditações. Ela procurou convencê-lo a dormir, mas ele não cedeu. Passou a noite em claro, andando para cá e para lá.

Pela manhã, bem cedo, foi para o escritório, fechou-se no gabinete, e deu ordens para não o interromperem. Tomou a resolução de não sair por aquela porta antes de ter descoberto a verdade acerca de Cristo. Prostrou-se de joelhos e começou a orar. Fora educado de modo a considerar Cristo apenas como homem, de modo que ao ajoelhar-se, orou: "Ó Deus, tem misericórdia de mim e salva-me!" Continuou assim clamando muitas vezes, mas nenhum alívio lhe veio. Então ouviu uma voz que sugeriu que ele dissesse: " - Deus, por amor de Jesus, salva-me!

Mas disse ele:

– Isso não! Não posso orar assim!
Ali jazia, literalmente estendido no soalho, de bruços, ansiando o alívio, mas só conseguia dizer:
– Ó Deus, salva-me!
Afinal, do íntimo da alma angustiada, clamou:
– Ó Deus, por amor de Jesus, salva-me!
– Oh – diz ele agora – como a luz irrompeu e o Céu veio para dentro daquele escritório!
Algo acontecera, e Deus viera em socorro de sua vida, transformando-a toda, e desse dia em diante ele se tornou um dos mais nobres membros da igreja. Não encontrara alívio enquanto não reconhecera que Jesus é o Filho de Deus.

E você, já reconheceu a Jesus Cristo como o Filho de Deus? Crê nEle, realmente? De fato, se queremos ser salvos, se queremos ser realmente felizes, temos que seguir o bendito caminho de Deus e nos refugiarmos no seu Messias, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Da ferida não resta nem cicatriz - Por Michelson Borges


Semana passada, ao assistir no Jornal Nacional à reportagem sobre acusações feitas contra o papa Francisco de ele ter supostamente certo envolvimento com a ditadura na Argentina, pude perceber a “vontade” de inocentá-lo (e não estou dizendo que ele tem culpa). Patrícia Poeta concluiu a matéria com ar de “estão vendo como o papa não tem culpa?”. Desde que foi eleito, Jorge Mario Bergoglio tem contado com a simpatia geral e da mídia, em especial – principalmente a brasileira. E as semanais provam isso. A revista Veja desta semana destaca a humildade de Francisco (e a escolha não ocasional de seu novo nome) – “Acessível a todos, Francisco é lembrado por sua humildade”.

A revista traz, entre outros, o depoimento do jesuíta Mario Rausch, de 60 anos, que trabalha na Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel, da qual Bergoglio foi professor e reitor: “Estou convencido de que Bergoglio aceitou enfrentar esse desafio ao reconhecer que essa não é apenas uma decisão dos cardeais, mas uma decisão de Deus, a que não se pode dizer não. Sabemos que não vai ser fácil enfrentar os problemas por que passa o Vaticano hoje. Mas acreditamos que o papa Francisco fará um bem enorme à Igreja. E nós, jesuítas, nos colocamos à diposição para acompanhá-lo nesse novo caminho.”

Hoje o papa celebrou sua primeira missa de domingo, em uma pequena paróquia do Vaticano e não na basílica de São Pedro. Segundo Veja, antes de entrar na igreja, Francisco cumprimentou os devotos que se aglomeravam do lado de fora, gritando “Francesco”, seu nome em italiano. No fim da missa, ele esperou do lado de fora da igreja e saudou as pessoas que saiam, como faz um padre. Pediu a várias pessoas que orassem por ele.

A revista IstoÉ publicou: “Dentre suas paredes milenares, a Igreja abalada por uma crise sem precedentes... esperava a escolha de seu líder. Na praça, o rebanho orava com fé e esperança. Estava prestes a surgir um papa novo para um novo mundo [um papa para o mundo?!]. E ele veio, humilde, e pediu a bênção dos fiéis.” Mais apoteótico e ufanista, impossível. Mas tem mais: “Eis o primeiro papa latino-americano da história, o primeiro não europeu em quase 1.300 anos. Eis o primeiro jesuíta a sentar-se no trono de Pedro. Eis o primeiro a adotar, para comandar a Igreja Católica, o nome Francisco. Eis o início de uma era, a era franciscana.” [Uma nova era?!]

A reportagem com tons quase literários, traz ainda o seguinte: “Enfim, o pontífice solta a voz e a chama da mudança, tão necessária para a alquebrada Igreja Católica, acende com suas palavras, espantando a garoa fina que cai sobre o Vaticano. ‘Fratelli e sorelli, buona sera.’ Um pastor que diz boa noite a seu rebanho é um papa ‘do fim do mundo’, como ele próprio se definiu – com o arremate de um sorriso afetuoso, que definitivamente conquistou os cristãos presentes à praça. ‘É um homem santo’, ouvia-se. Se ainda havia tensão, pela espera da fumaça branca; espanto, pela rapidez da escolha, em 26 horas e cinco escrutínios, e pelo anúncio do nome improvável; e, para muitos, decepção, por não ser um italiano depois de 35 anos, tudo havia se dissipado naquele momento. [...] A barca de Pedro está atualmente em águas tão tormentosas que os príncipes do Vaticano preferiram entregar sua direção para uma figura que lhes dê total segurança. [...] Com a saída de Bento XVI e a assunção de Francisco, o Vaticano troca um intelectual por um homem das ruas, um pastor. A teoria e a doutrina cedem espaço à prática evangelizadora.”

Tudo indica realmente que esse novo papa caiu na simpatia popular e da imprensa. Todos têm destacado sua simplicidade e potencial evangelizador, justamente do que a Igreja Católica mais precisa nestes tempos em que a perda de fieis tanto preocupa seus líderes.

O potencial ecumêmico de Francisco também é grande, haja vista a declaração sinalizadora do conhecido líder evangélico pastor Rick Warren. Em seu Twitter, ele escreveu: “Bem-vindo, papa Francisco. #HabemusPapam Você tem nossas orações.”

O presidente norte-americano também se manifestou, dizendo: “Estou ansioso para trabalhar com Sua Santidade para fazer avançar a paz, a segurança e a dignidade dos nossos companheiros seres humanos.”

Na próxima terça-feira, dia 19, será realizada a missa de inauguração do pontificado de Francisco. O governo italiano espera que mais de um milhão de pessoas compareçam à Roma para acompanhar a cerimônia. Segundo Veja, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confirmou presença, assim como a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o vice-presidente americano, Joe Biden.

Como se pode ver, da “ferida mortal” (Ap 13:3) causada pelo poder napoleônico em 1798, não resta sequer cicatriz. Com o novo papa, a influência da Igreja Católica nos rumos do mundo só tende a crescer, conforme anteviu Ellen White, há mais de cem anos:

“‘Vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta’ (Ap 13:3). A aplicação da chaga mortal indica a queda do papado em 1798. Depois disto, diz o profeta: ‘A sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta.’ Paulo declara expressamente que o homem do pecado perdurará até ao segundo advento (2Ts 2:8). Até mesmo ao final do tempo prosseguirá com a sua obra de engano. E diz o escritor do Apocalipse, referindo-se também ao papado: ‘Adoraram-na todos os que habitam sobre a Terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida’ (Ap 13:8). Tanto no Velho como no Novo Mundo o papado receberá homenagem pela honra prestada à instituição do domingo, que repousa unicamente na autoridade da Igreja de Roma [...] A sagacidade e astúcia da Igreja de Roma são surpreendentes. Ela sabe ler o futuro. Aguarda o seu tempo, vendo que as igrejas protestantes lhe estão prestando homenagem com o aceitar do falso sábado, e se preparam para impô-lo pelos mesmos meios que ela própria empregou em tempos passados. Os que rejeitam a luz da verdade procurarão ainda o auxílio deste poder que a si mesmo se intitula infalível, a fim de exaltarem uma instituição que com ele se originou” (O Grande Conflito, p. 579, 580).

O teólogo Sérgio Santeli aponta três evidências da cura da ferida:

1) Desde a assinatura do Tratado de Latrão, em 1929, quando a Santa Sé passou a ser reconhecida como um estado independente, 176 países já estabeleceram relações diplomáticas com a Sé papal.

2) Após a publicação do documento final da 5ª Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe (Celam), realizada de 13 a 31 de maio em Aparecida do Norte, SP, a mídia divulgou que Bento XVI viu “com particular apreço as palavras que exortam a dar prioridade à Eucaristia e à santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais”, contidas nesse documento.

3) O Vaticano divulgou um documento no qual afirma que “fora da Igreja Católica não há salvação”. Por meio desse documento, o Vaticano demonstra explicitamente qual é sua verdadeira intenção, ou seja, readquirir a supremacia mundial perdida no fim da Idade Média. Segundo o próprio Vaticano, só assim “poderá chegar à unidade de todos os cristãos ‘em um só pastor’ (Jo 10:16) e sanar essa ferida que ainda impede à Igreja Católica a realização plena de sua universalidade na história”.

Eu acrescentaria um quarto ponto:

4) A simpatia e a simplicidade (aliadas à tenacidade e persistência de um jesuíta) de Francisco podem ser de grande valia nesse propósito, embora o mundo extasiado e embevecido com a escolha do novo papa mal se dê conta de todos os interesses por trás das aparências e do espetáculo.

Assim como a IstoÉ mencionou, a revista Época, em uma de suas reportagens especiais da edição deste domingo (que dedica 48 páginas ao assunto), trouxe o título “O papa do fim do mundo”. Bergoglio se referiu à sua origem argentina, mas bem que podia estar se referindo a outra coisa...

Nota: Fico pensando o que seria de outra igreja que tivesse um banco, e que esse banco estivesse sendo acusado de corrupção... A imprensa "cairia de pau". Fico pensando também o que seria de qualquer outra igreja com tantos líderes condenados por pedofilia... A imprensa "desceria o verbo". Mas há outro aspecto, e sobre esse nem preciso pensar muito, pois o contraste é gritante: Bergoglio disse certa vez que "o casamento gay é um movimento do diabo". O pastor evangélico Silas Malafaia não chegou a tanto, embora seja bastante contundente em suas declarações, mas quem foi "detonado" pela mídia? Isso mesmo, o pastor. Por que a instituição papal é tão suave e desproporcionalmente criticada e tão poupada? Porque "todo o mundo ficou maravilhado" (Ap 13:3, NVI) com o espetáculo midiático proporcionado pelo papado e sua influência crescente. A conivência da imprensa salta aos olhos (no Brasil, tem até emissora parecendo "assessora direta do Vaticano"), mas isso também é profético.[MB]

Fonte: http://www.criacionismo.com.br/2013/03/da-ferida-nao-resta-nem-cicatriz.html

Descrição: http://i227.photobucket.com/albums/dd95/nistocremos/Colunistas/MichelsonBorges.jpg
MICHELSON BORGES
É jornalista, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Foi professor de História em Florianópolis e editor do jornal da Rádio Novo Tempo daquela capital, onde também apresentava um programa de divulgação científica. É editor da Lição da Escola Sabatina dos Jovens e de livros na Casa Publicadora Brasileira. Também é autor dos livros A História da VidaPor Que CreioNos Bastidores da Mídia (publicado em espanhol, com o título Detrás de los Medios),Esperança Para Você e da Série Grandes Impérios e Civilizações, composta de seis volumes. Mestre em Teologia pelo Unasp, é membro da Sociedade Criacionista Brasileira e tem participado de seminários criacionistas em vários lugares. Casado com Débora Tatiane (co-autora do e-book Deus Nos Uniu e do livro O Que Ele Viu na Grécia), tem com ela três filhos, duas meninas e um menino.

domingo, 17 de março de 2013

Porque Batizar Juvenis?


Orientação da Criança, Pág. 490 a 492.

Testemunho de uma Criança Convertida 

A religião ajuda as crianças a estudar melhor e a fazer trabalho mais fiel. Uma menina de doze anos dava, com simplicidade, a prova de que era cristã. "Eu não gostava de estudar, mas de brincar. Era preguiçosa na escola, e muitas vezes não sabia minhas lições. Agora, para agradar a Deus, aprendo bem cada lição. Quando os professores não me observavam, era peralta e fazia travessuras para entreter as outras crianças. Agora, desejo agradar a Deus comportando-me bem e observando os regulamentos escolares. Era egoísta em casa e não gostava de dar recados. Aborrecia-me quando mamãe me chamava de meus brinquedos para ajudá-la no trabalho. Agora, tenho verdadeira alegria em auxiliar mamãe de qualquer modo e mostrar-lhe que eu a amo." Conselhos Sobre a Escola Sabatina, pág. 79.

Cuidado com a Demora na Conversão 

Pais, deveis começar a disciplinar o espírito de vossos filhos enquanto bem tenros, visando que venham a ser cristãos. ... Acautelai-vos, não os embaleis para adormecerem à beira do abismo da destruição, com a errônea idéia de que não têm idade suficiente para serem responsáveis, para se arrependerem de seus pecados e professarem a Cristo. Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 146.

As crianças de oito, dez, ou doze anos, já têm idade  suficiente para serem dirigidas ao tema da religião individual. Não ensineis vossos filhos com referência a um tempo futuro em que eles terão idade bastante para se arrependerem e crerem na verdade. Caso sejam devidamente instruídas, crianças bem tenras podem ter idéias corretas quanto ao seu estado de pecadores, e ao caminho da salvação por meio de Cristo. Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 150.

Minha mente foi dirigida às muitas preciosas promessas registradas para aqueles que cedo buscam ao Salvador. "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento." Ecl. 12:1. "Eu amo aos que Me amam, e os que de madrugada Me buscam Me acharão." Prov. 8:17. O grande Pastor de Israel está a dizer ainda: "Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus." Luc. 18:16. Ensinai a vossos filhos que a mocidade é o melhor tempo de buscar ao Senhor. Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 147.  

O Dia do Senhor Virá



Exposição de 1Tess 5:1-11.

Vivemos em um tempo de muita curiosidade quanto aos últimos dias. As pessoas querem saber quando sucederão as coisas registradas no Apocalipse. Tem gente marcando datas para o fim do mundo, e todas as vezes estão enganando a tantos incautos que vez após vezes se decepcionam com as falsas predições de homens. Já passaram as datas do ano de 2012  para o fim deste agitado planeta, e não houve nenhum cumprimento. Mas nem mesmo o apóstolo Paulo teve a pretensão de predizer o exato tempo do fim do mundo, pois não era esse o campo de informação que lhe fora dado comunicar. E como os crentes de seu tempo tinham a mesma curiosidade do nosso tempo, Paulo lhes dá uma resposta nestes termos, apenas relembrando as palavras de Cristo que todos conhecemos:

V. 1-2: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite” [Ver At 1:7; Mt 24:43].

Os cristãos estavam conscientes com relação aos tempos e épocas. Paulo havia instruído aos cristãos sobre o Dia do Senhor. Ele havia ensinado sobre a brevidade daquele Dia, e que logo ocorreria a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Falou sobre a ressurreição dos justos e do arrebatamento deles para os céus. Falou sobre a nossa reunião com Ele e nosso ajuntamento com todos os justos, salvos de todos os tempos.

I – O Dia do Senhor Virá para os Ímpios

O Dia do Senhor é uma expressão tirada do Antigo Testamento (Isa 13:6, 9; Joel 1:15). Disse o profeta Sofonias, em uma das passagens mais impressionantes sobre a brevidade, a solenidade e a destruição que acontecerá no Dia do Senhor:

“14 Está perto o grande Dia do Senhor; está perto e muito se apressa. Atenção! O Dia do Senhor é amargo, e nele clama até o homem poderoso.
15 Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas...
17 Trarei angústia sobre os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o sangue deles se derramará como pó, e a sua carne será atirada como esterco.
18 Nem a sua prata nem o seu ouro os poderão livrar no dia da indignação do Senhor, mas, pelo fogo do seu zelo, a terra será consumida, porque, certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da terra” (Sof 1:14-17).

Será um dia de trevas e densa escuridade. Será um dia de ajuste de contas, será o terrível Dia do Julgamento. Será o grande e glorioso Dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo. E a “destruição total e repentina de todos os moradores da terra” se refere aos que não reconheceram ao grande e Todo poderoso Deus e rejeitaram o Seu amor oferecido abundantemente.

1. COMO VIRÁ O DIA DO SENHOR?

O dia do Senhor virá inesperadamente. V. 2: “O dia do Senhor vem como ladrão de noite.” Ninguém espera a chegada de um ladrão. Quando eu trabalhava na cidade do Gama, em Brasília, certa noite de domingo, eu estava dirigindo o culto de evangelismo na igreja, e não sabia que minha casa estava sendo invadida por ladrões que arrombaram a casa e levaram alguns objetos de valor. Foi algo completamente inesperado. Eu não podia imaginar que eles chegassem lá para me roubar.

Assim será o Dia do Senhor: Ele virá inesperadamente. De repente. Será uma surpresa esmagadora. Assim virá o Dia do Senhor para os ímpios, porque não estarão aguardando esse dia. Será inesperado porque não o esperam. Mas como poderiam esperar algo em que não creem? É por isso que é tão importante compreender a doutrina, a fim de não sermos decepcionados, quando virem os acontecimentos finais que se aproximam. Você não precisa ser surpreendido. Você não precisa ficar na obscuridade. Não precisa esperar que seja arrebatado em oculto, porque isso não acontecerá. Diz o texto de Paulo que o Dia do Senhor virá com destruição para os ímpios, e, portanto, será muito visível; tão visível que até os rebeldes verão esse Dia.

2. QUANDO VIRÁ O DIA DO SENHOR?

O dia do Senhor virá em tempos de paz. V. 3: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão.” Este é mais um dos múltiplos sinais que estão se cumprindo diante de nossos olhos. A destruição dos ímpios virá quando eles estiverem proclamando a sua segurança apesar de sua vida de impiedade.

Isso já aconteceu no passado. A geração do Dilúvio, os antediluvianos se apoiaram nesta falsa segurança. Disseram eles: “Noé prega que virá em breve um Dilúvio universal, como resultado da queda de uma grande chuva, vinda dos céus. Mas a Ciência prova que isso é impossível, porque as águas que se conhecem por experiência vêm de baixo da terra, como uma neblina suave, e nunca de cima, caindo dos céus, como chuvas torrenciais. Não precisamos nos preocupar com falsos alarmistas. Há paz e segurança entre nós. Mas Noé veio nos perturbar com a sua pregação anunciadora dos juízos divinos. Mas Deus não castiga a ninguém com dilúvios. Jamais aconteceu no passado e com a segurança dos teólogos e a certeza dos cientistas, jamais acontecerá no futuro!” Então, numa esmagadora surpresa, Deus enviou um Dilúvio que trouxe a destruição da superfície de toda  a terra e dos seus ímpios habitantes.

A geração pós-Dilúvio revelou a mesma atitude. Logo depois do Dilúvio, os homens se esqueceram da lição e começaram a apostatar novamente e desafiaram a Deus construindo uma torre, a famosa Torre de Babel. Eles tiveram a ideia infeliz de construir a torre de sua salvação. E disseram: “Agora, estaremos em paz e segurança, porque vamos construir uma torre que alcançará os céus e estaremos acima de qualquer dilúvio que houver. Teremos um refúgio seguro. Podemos descansar em uma doce aventura. Não haverá mais perigo.”

Então, enquanto eles estavam construindo a famosa Torre de Babel que significa confusão, Deus lhes confundiu a língua, e todos passaram a falar em diferentes idiomas, e não puderam mais se entender. Foi um momento de angústia e espanto inesperados. A vinda do dia do juízo lhes sobreveio como uma esmagadora surpresa.

Noutro tempo, os habitantes de Sodoma e Gomorra, os homens corruptos e violentos viviam os seus dias de impiedade, e haviam enchido a taça da misericórdia divina, e o seu tempo de graça havia terminado. Mas quando chegou o seu Dia do juízo? Quando eles estavam satisfeitos consigo mesmos, proclamando a sua paz e segurança. É o que nos diz o profeta Ezequiel: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade.” Ez 16:49.

Mas hoje a história se repete. A profecia se cumpre de modo preciso. Como está se cumprindo? Observando as condições de nosso mundo moderno, podemos ver como o mundo está de novo se preparando para a era vitoriana, a era do triunfalismo, do otimismo. Quando o mundo tiver passado por mais algumas experiências, então se cumprirão todas as profecias. O mundo está se preparando para (1) O Triunfo da Tecnologia, (2) A Liderança Mundial, (3) A Solução dos Problemas, (4) A Cura das Doenças, (5) A União das Igrejas, (6) O Fim das Guerras e (7) O Decreto de Morte.

Então, será dada a grande e alvissareira notícia: Nunca mais haverá guerra. Nunca mais o mundo sentirá a fome. Estamos em “Paz e Segurança.” Temos um governo global, temos a solução para todos os nossos problemas, temos a Ciência, a poderosa Ciência, e não precisamos nem mesmo de Deus. “Paz e segurança!” é a realização dos nossos sonhos mais acalentados.

E se alguns não concordarem? Esses discordantes terão de ser perseguidos de morte. Haverá um decreto de morte contra todos os que discordarem das supremas autoridades. Então, o que acontecerá com todos os Ímpios? Então lhes sobrevirá repentina destruição. Esta profecia está se cumprindo e logo veremos a destruição iminente. Eles tentarão escapar, mas não poderão. Então, Jesus Cristo virá nas nuvens dos céus, com poder e grande glória.

II – O Dia do Senhor Virá para os justos

1. OS CRISTÃOS NÃO ESTÃO EM TREVAS.

V. 4-5: “4 Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; 5 porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas.”
Os cristãos são os homens e mulheres mais esclarecidos em todo o mundo acerca de muitas coisas que são essenciais. Não nos adianta uma cultura de coisas que não podem ajudar; não é todo o conhecimento que importa saber, realmente. O que importa é aquilo que nos trará um benefício real para esta vida e para a vida por vir. O cristão sabe de onde vem, o que faz aqui e para onde vai. É justamente isso o que os outros ignoram para sua infelicidade. Eles ainda estão procurando responder a estas perguntas básicas para a felicidade do homem.  

Mas os cristãos não estão em trevas. Eles são “filhos da luz”. Eles não estão nas trevas da ignorância, porque conhecem e sabem das coisas mais importantes para a vida feliz e proveitosa, hoje e para sempre. Os cristãos não estão nas trevas do desespero, porque esperam em Deus para qualquer circunstância difícil que possam enfrentar. Os cristãos não estão nas trevas do pecado e do vício porque têm a salvação e o socorro no seu Salvador Jesus Cristo. Os cristãos não estão nas trevas da morte, porque sabem que a sua vida está escondida em Deus que lhes prometeu a vida eterna.

2. OS CRISTÃOS RECEBEM 3 IMPERATIVOS

6-7: “6 Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios. 7 Ora, os que dormem dormem de noite, e os que se embriagam é de noite que se embriagam.”
Os cristãos são admoestados, iluminados pela Palavra de Deus e do Evangelho, a fim de que permaneçam em seu estado de preparação para o grande Dia do Senhor. Não estamos imunes aos ataques do inimigo, e,  portanto, há muitas coisas que temos de fazer para nos manter preparados. Há 3 imperativos que o apóstolo apresenta nesse texto.

1. Não durmamos. Dormir é um estado de sonolência, e aqui temos um sentido figurado. Paulo se refere a dormir espiritualmente. Dormir significa aqui cair em uma sonolência espiritual, uma indiferença para com as coisas do Espírito Santo, uma letárgica indiferença frente às verdades, conselhos e advertências da Palavra de Deus.

Paulo diz: “Não durmamos como os demais.” Os demais podem ser os ímpios que estavam dormindo, indiferentes às coisas de Deus. Há muitas provas acerca da existência de Deus e do Seu amor que eles não aceitavam, como hoje. Há muitas evidências na própria Natureza do amor e cuidado de um Criador amorável e inteligente, que criou todas as coisas no mundo para o benefício do homem. Mas os homens estão dormindo, indiferentes à proximidade da vinda de Jesus Cristo e serão um dia apanhados pela destruição, como foi no passado.

Mas Paulo pode estar se referindo a alguns cristãos que dormiam o sono da apatia espiritual. Nunca houve tanta certeza como naquele tempo, em que, havia pouco, o Messias tinha sido morto, ressuscitado e assunto ao Céu. Mas muitos cristãos estavam dormindo espiritualmente. Portanto, Paulo lhes adverte: “Não durmamos como os demais.” E, como hoje, nunca houve um tempo de tanta luz, tanto conhecimento e tantas verdades esclarecidas e provadas. Mas há ainda na Igreja muita letargia e sonolência espirituais.

2. Vigiemos. Vigiar é uma admoestação de Cristo, agora repetida por Paulo. Vigiar é estar alerta, de sobreaviso, cuidando e se preparando, a fim de não cairmos no engano de Satanás, que estará feliz se conseguir iludir e enganar a muitos cristãos. Ele usa muitos meios do mundo e às vezes de certos elementos da igreja para nos desviar do caminho da santidade. Precisamos estar em constante vigilância, porque o Dia do Senhor está prestes a se manifestar, e para os cristãos será um dia de excelente glória.  

3. Sejamos Sóbrios. Ser sóbrio é ser moderado, temperante, parco, frugal no comer e no beber. Ser sóbrio é ficar num estado natural e saudável, sem intoxicação. O contrário de sobriedade é estar bêbado, intoxicado, total ou parcialmente. Satanás deseja que estejamos intoxicados ou com bebida alcoólica, ou com drogas, ou mesmo com ideias erradas da filosofia e dos costumes mundanos, e da moda atual. Se estivermos intoxicados, teremos o nosso cérebro afetado, e não poderemos corretamente discernir entre o mal e o bem.

De que modo devemos ser sóbrios? De que modo podemos evitar a intoxicação do inimigo? Como evitar os dardos intoxicantes do inimigo?

V. 8: “Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação.” “Revestindo-nos”: Vestir é colocar as vestes. Revestir é vestir de novo. Uma vez fomos vestidos, em nosso batismo, com essas virtudes do Espírito Santo. Mas isso não nos basta; precisamos ser revestidos diariamente com as virtudes espirituais. Precisamos de um batismo diário do Espírito Santo.

DE QUE NOS DEVEMOS “REVESTIR”? 

1. Devemos nos revestir da Couraça da Fé e do Amor. A couraça era uma arma de defesa que os soldados romanos usavam na época de Paulo, a fim de proteger o coração. A nossa couraça espiritual é de Fé e Amor. Fé na frente e amor atrás. Fé na frente porque ela vem primeiro. Logo, segue o amor, como um resultado da fé.
Fé e amor sempre vão juntos. Não podemos separar essas coisas. Paulo disse que a fé opera por amor (Gl 5:6). A fé deve ser operante e o amor deve ser abnegado. É impossível possuir um sem ter o outro. Se você tem fé, isso resultará na prática do amor. Se você tem amor, isso significa que você tem fé.

2. Devemos nos revestir do Capacete da Esperança da Salvação. O capacete era uma outra arma defensiva, que era colocada na cabeça do soldado, a fim de proteger a sua fronte. Assim, os cristãos têm a esperança da salvação para lhe proteger contra os dardos inflamados do maligno em sua mente.

Mas qual é a Razão de nossa Esperança? V. 9-10: “9  porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, 10  que morreu por nós para que, quer vigiemos [vivos], quer durmamos [mortos], vivamos em união com ele.” Quais são as bases de nossa esperança? A grande notícia se resume em 4 grandes declarações da revelação.

1. Não fomos destinados para a Ira. “Deus não nos destinou para a ira.” Os calvinistas dizem que Deus predestinou uma parte da humanidade para a salvação e a outra parte para a perdição. Dizem que não importa o que você faça, não importa qual a sua atitude, se você foi destinado para a perdição, você jamais será salvo. Por outro lado, se você foi predestinado para a salvação, não importam quais são os seus pecados e qual é a sua rebelião, você será fatalmente salvo, mesmo que isso seja na última hora.
Mas a Bíblia não ensina essa doutrina. Disse o apóstolo Paulo que “Deus, nosso Salvador... deseja que todos os homens sejam salvos.” (1Tim 2:3,4). Ora, se Deus deseja que todos sejam salvos, como poderia Ele destinar alguns para a salvação e outros para a perdição?

2. Fomos destinados para a Salvação. A Bíblia ensina que Deus nos predestinou para a salvação. Mas como se dá isso? Será que Ele é arbitrário, e obriga a todos para que todos sejam salvos contra a sua própria vontade? Não, Deus respeita o nosso livre arbítrio e as nossas escolhas, e predestina para a salvação a todos os que estão “em Cristo” (Ef 1:3).

Estar em Cristo é o status daqueles que deixando o status de Adão, deixando a velha vida de pecado, agora vivem confiados em Cristo, são batizados em nome de Cristo e foram imersos na morte de Cristo, e vivem na vida de Cristo. Como disse o apóstolo Paulo em Gl 2:19-20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim.” Isto é estar “em Cristo”. E todos os que estão em Cristo já não têm “nenhuma condenação” (Rm 5:1), e foram predestinados para a salvação  (Ef 1:3-4).
Deus escolheu a Cristo, como o nosso Representante. Ele disse:  “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo.” (Mt 3:17). Jesus Cristo é o Filho de Deus. E todos os que O aceitam, se tornam também filhos de Deus. E Ele falou mais: “Eis aqui o Meu Servo, que escolhi, o meu amado, em quem a Minha alma se compraz.” (Mt 12:18). Portanto, aqui vemos que Jesus Cristo foi o Escolhido de Deus. Então, todos os que O aceitam se tornam escolhidos de Deus. Esta é a Eleição divina: todos os que estão em Cristo, serão escolhidos, adotados e predestinados para a salvação. Ele “nos escolheu nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo.” (Ef 1:4-5).

3. Jesus Cristo morreu por nós. Foi porque Cristo morreu na Cruz do Calvário que temos a esperança da Salvação. Ele morreu a morte substituinte, Ele morreu por nós e em nosso lugar. A ira contra os nossos pecados foi derramada sobre o Cordeiro de Deus, a fim de que nós fôssemos poupados e salvos da ira. “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira.” (Rm 5:9).

Estamos nos aproximando do Dia do Juízo sobre toda a humanidade. Então, os juízos de Deus serão lançados sobre o mundo. Quando as 7 Últimas Pragas (Ap 16) forem derramadas sobre esta terra, então, os justos estarão livres da ira, e protegidos pela mão poderosa de Deus. Os justos confiam na salvação do Cordeiro de Deus que os livra da Sua própria ira. Esta será uma salvação completa e eterna.

4. Para que vivamos em união com Ele. O grande propósito da morte de Jesus Cristo na Cruz foi o de que nós fôssemos unidos a Ele, a fim de que pudéssemos ser destinados e predestinados para a salvação eterna, e nunca nos separássemos do Seu exorbitado amor. Quando Cristo morreu, nós que cremos em Seu sacrifício expiatório, fomos unidos a Ele. Assim escreveu o apóstolo Paulo: “Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Rm 6:5). Assim, agora, podemos viver em união com Cristo e esta união é eterna, se nós perseverarmos em estar sempre com Ele, aconteça o que acontecer.

APELO

V. 11: “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.” Como Paulo escreveu este parágrafo que estamos estudando (1Ts 5:1-11)? Ele fez uma introdução, montou o corpo do assunto, e agora, termina com um apelo. Este é um verdadeiro sermão, pronto para ser pregado e praticado. Um sermão para os nossos dias, os últimos dias da história deste mundo.

1. Consolai-vos. Se estamos esperando a vinda de Jesus Cristo e participamos das bênçãos deste conhecimento, podemos confortar a outros com esta grande e magnífica esperança. Certa vez, eu estava na fila de um banco e observei que à minha frente estava uma senhora que de repente se encontrou com outra pessoa que começou a tentar consolá-la sobre a morte de um ente querido. E ela dizia: “A senhora tem que ser forte! Estas coisas acontecem. Mas seja forte!” Você pode ver que as pessoas lá do mundo não têm consolação. Quem é que tem consolação? Somente os cristãos possuem consolação para dar. Nós temos uma esperança e a nossa esperança é a maior consolação. Embora os nossos queridos estejam falecendo, um dia nós os veremos novamente.

2. Edificai-vos. Esta era uma figura favorita do apóstolo, comparando a Igreja e a cada indivíduo crente a um edifício que deve ser edificado. Assim como na construção de um prédio, nós podemos ser edificados. Isto é, podemos crescer, podemos nos desenvolver. Já ouviu falar de “palavras edificantes?” Quando alguém fala alguma coisa nobre, uma coisa útil, nós somos edificados. Mas a recíproca também é verdadeira: quando alguém nos fala alguma coisa indigna, e nós aceitamos isso, nós somos degradados. Por isso é tão importante que só falemos e façamos coisas boas, coisas nobres, ainda mais sabendo que aquele dia se apressa e nós um dia teremos de dar contas de tudo o que se passa conosco. O Dia do Senhor virá como o ladrão para aqueles que estão despreparados. É nesse tempo em que devemos nos edificar.

3. Reciprocamente. De que modo devemos nos consolar e nos edificar? Reciprocamente, de modo mútuo, uns com os outros, em uma participação de amor cristão. Aqui é que entram as três virtudes básicas da fé, do amor e da esperança. Os crentes hão de se consolar e edificar reciprocamente nas virtudes que são os frutos do Espírito Santo. Não podemos ficar com elas só para nós mesmos, mas vamos participar disso com os da fé e com os que ainda não possuem essa fé que uma vez nos foi dada pela graça de Deus.

Paulo conclui as suas palavras elogiando aos crentes de Tessalônica: “como estais fazendo.” Eles já estavam “fazendo”, praticando exatamente isso! O apóstolo sempre estava disposto a reconhecer nos seus conversos, o bem que praticavam, mas não deixava de incentivá-los a prosseguirem nas boas práticas, como também os incentivava a intensificá-las.

Assim também hoje. Reconhecemos que muitos estão praticando as virtudes cristãs. Mas não devemos desanimar; devemos perseverar nas boas obras, e intensificá-las, enquanto aguardamos a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Foi Ele mesmo quem disse, ao falar dos sinais de Sua vinda: “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mt 24:13).

Vamos esperar o Dia do Senhor com fé, amor e esperança, enquanto ajudamos a tantos outros a se prepararem para aquele glorioso dia de ventura e felicidade. Vamos praticar as virtudes cristãs, cada vez com mais intensidade, e o mundo voltar-se-á para ver o poder que há em nós.


PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.
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