sexta-feira, 9 de novembro de 2012

OS QUATRO ENCONTROS EM NAIM

A História do nosso mundo tem sido marcada por muitos encontros famosos. Um dos encontros mais memoráveis, um dos encontros mais importantes registrados nos anais da História, foi celebrado na pequena cidade de Tilsit, na Prússia, em 25 de junho de 1809. Os imperadores Napoleão e Alexandre, numa noite histórica, se reuniram num encontro cheio de significado, para decidir os destinos da humanidade. A conferência durou mais de duas horas. Foi inteiramente particular, e entretanto envolvia o interesse de milhões de seres, porque envolvia a própria paz internacional. No entanto, houve um fracasso completo, porque as resoluções tomadas naquele encontro não resultaram em nada.

Retrocedamos 1800 anos antes da conferência de Tilsit e veremos um outro encontro. Não parece um encontro histórico, mas um encontro tão simples que nem os nomes das pessoas envolvidas foi registrado, exceto o de Seu Benfeitor, Jesus Cristo. Entretanto foi um encontro que resultou num grande benefício para milhões de pessoas, daquele tempo até esta parte, que saíram mais confiantes no poder do Filho de Deus. Lemos acerca desse encontro em Lc 7:11-17:

11 Em dia subsequente, dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e iam com ele os seus discípulos e numerosa multidão.
12 Como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela.
13 Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores!
14 Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te!
15 Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe.
16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo.
17 Esta notícia a respeito dele divulgou-se por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.

Jesus Se dirigia para a cidade de Naim. Naim ficava a cerca de 40 km de Cafarnaum - pelo menos um dia de viagem - e, no entanto, Jesus foi até lá sem ninguém ter pedido que o fizesse. Uma vez que os judeus sepultavam seus mortos no mesmo dia em que faleciam (Dt 21:23; At 5:5-10), é bem provável que Jesus e seus discípulos tenham chegado às portas da cidade no final do dia em que o menino faleceu.

Podemos observar naquele simples encontro de pessoas humildes e anônimas ..quatro encontros específicos.., ocorridos às portas da cidade de Naim naquele dia.

1 - O Encontro de Duas Multidões

Jesus estava sendo seguido por uma multidão e se encontra com outra multidão. Um cortejo fúnebre está saindo; sai pela porta da cidade devido ao fato de que não se permitia enterrar a um morto dentro de uma cidade judaica. Era a procissão de um funeral que se dirigia ao local de sepultamento.

Nada acontece por acaso. Aqui vemos a providência de Deus e a sabedoria de Jesus que já previa tudo o que haveria de acontecer, de acordo o plano divino, para aquele dia. Sim, aquele encontro não era por coincidência, senão por providência divina: Jesus chega no exato momento em que havia uma necessidade de vida ou morte!

Ao obedecer à vontade do Pai, Jesus vivia de acordo com um cronograma divino (Jo 11:9; 13:1). Todas as coisas que Jesus realizava, todos os encontros que tinha não eram fruto de uma mera coincidência, mas eram ações já predeterminadas, com um grande propósito em vista, que produzia resultados fantásticos.

O nosso compassivo Salvador sempre nos ajuda quando mais precisamos (Hb 4:16), nas horas mais surpreendentes. Muitas vezes estamos desesperados, sem saber mais o que fazer, e daí, eis que acontece algo que parece mero acaso; no entanto, é mais uma das múltiplas providências divinas que vem em nosso auxílio no exato momento em que mais necessitamos.

Que contraste entre a multidão que seguia Jesus e a multidão que seguia a viúva e seu filho morto! A multidão que estava com Jesus era composta de pessoas que se alegravam diante das palavras e dos feitos extraordinários de Jesus. A outra multidão se entristecia e chorava mais e mais à medida em que se aproximavam do cemitério. Afinal, era apenas um jovem aquele que estava sendo conduzido para o cemitério. Um jovem na flor da idade, com muitos projetos de vida, agora interrompidos pelo alfanje da morte. Eles estavam chorando a morte de um jovem que fora o objeto das  mais suspiradas esperanças de sua mãe agora desesperada.

Jesus dirigia-se à cidade, enquanto os pranteadores dirigiam-se ao cemitério. Em termos espirituais, cada um de nós se encontra em um desses dois grupos. Ou estamos indo para a cidade ou indo para o cemitério. Se crermos em Cristo, estamos indo para a cidade celestial (Hb 11:10, 13-16; 12:22). Se estamos "mortos nos nossos pecados", já estamos no cemitério e sob a condenação de Deus (Jo 3:36; Ef 2: 1-3). Precisamos crer em Jesus Cristo e ser ressuscitados dentre os mortos (Jo 5:24; Ef 2:4-10).

Agora, pare e pense: Para onde você está indo? Certa vez, eu fiz uma visita a uma família, e encontrei alguns jovens, umas moças e um rapaz. Durante a visita introduzi o evangelho, e depois de algumas considerações procurando ganhar aqueles jovens para Cristo, o jovem disse: “Sabe o que é, pastor? Eu gosto mesmo é de pornografia. Acho muito legal, bonito...” Quando ele parou de falar, eu lhe disse, olhando nos seus olhos: “Sabe o que é, jovem? Eu só tenho uma pergunta para você me responder: Para onde você está indo? Aonde você vai chegar andando nesse caminho? Ou você vai para a cidade de Deus ou vai direto para o inferno!” O jovem, que até ali era muito falador, loquaz, extrovertido, exibindo-se diante das moças, ficou pensativo e mudo. Esta é a grande questão: Para onde estamos de fato indo? Não temos um meio termo: ou vamos para a cidade, ou para o cemitério, definitivamente.

2 - O Encontro de Dois “Filhos únicos”.

Um estava vivo, mas destinado a morrer, o outro estava morto, mas destinado a viver. Um era o filho único morto; o Outro o era o Filho Único vivo, que era a própria Fonte da vida, o nosso Senhor Jesus Cristo, que estava para morrer numa infamante cruz, a fim de que nós pudéssemos viver.

O filho da viúva era “único” no sentido de filho “único gerado”, e isto significa que era unigênito, em nosso idioma, porque não tinha irmãos. Mas a palavra grega significa apenas “único”, para ressaltar o fato trágico daquela mãe que perdia o que tinha de mais precioso.

Mas em Jesus Cristo a designação de “Único” também não significa “único gerado”, (é a mesma palavra no grego:  monogenês) porque embora Ele tenha sido gerado de Maria, pelo Espírito Santo, só a parte humana de Jesus é que foi gerada. (Lc 1:35; Hb 10:5) Aplicado a Cristo, o título “Único” significa "singular", “especial”, “ímpar” “exclusivo” ou "inigualável". Cristo não é um "filho" no mesmo sentido que eu sou, pois vim a existir pela concepção e nascimento. Mas Cristo sempre existiu; Ele nunca foi gerado como Deus; Ele mesmo é Deus (Jo 1:1,14).

Em algumas passagens de João, encontra-se a expressão “unigênito” (monogenês) referentes a Cristo. Mas a palavra que foi traduzida assim do original, é a mesma que encontramos aqui em nosso texto (Lc 7:12) e em outros lugares (Lc 8:42; 9:38), traduzida como "único". Portanto, para sermos coerentes, em João 3:16 (como em Jo 1:14,18; 3:18; 1Jo 4:9), a tradução deveria ser “Único”, e não unigênito. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Único...” O título Filho Único de Deus declara a natureza divina de Cristo e seu relacionamento perfeito com o Pai.

O encontro dos dois filhos únicos ficou marcado na história do evangelho de Lucas, exclusivamente, para que soubéssemos que há um poder onipotente no Filho Único de Deus, a ponto de até ressuscitar um jovem que tombara vencido pela morte. Deveria ficar assim evidente para todos que o Filho de Deus é o único que tem esse poder.

3 - O Encontro de Dois Sofredores      

O profeta Isaías fala de Jesus como o “Homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53:3). Ele descreve a angústia que teve Jesus ao suportar a Cruz para nos salvar, e dar a vida em resgate por nós. De fato, a vida inteira de Jesus foi de muitos pesares, angústias e sofrimentos. Logo que nasceu, teve que fugir de Herodes que queria vê-lO morto, e O perseguiu para matá-lO.

Os Seus irmãos duvidaram dEle. Satanás O perseguia com muitas tentações continuamente. Os fariseus e doutores da lei estavam sempre no Seu encalço, a fim de conseguir achar alguma falha em Seu caráter. Mas Ele ainda tinha a preocupação de levar sobre Si mesmo o peso da salvação da humanidade.

De fato, Jesus Cristo foi o Homem que mais sofreu neste mundo. Jamais seremos chamados a sofrer tanto quanto Ele sofreu. Por isso, ninguém pode acusar a Deus dizendo que Ele é injusto em deixar-nos em nossos sofrimentos. O que sofremos é um mínimo em comparação com o que Ele sofreu através da entrega do Seu Filho amado para morrer numa infamante Cruz.

E lá estava aquela mãe inconsolável porque perdera o seu filho único. Era difícil consolar a uma mulher nesta situação desesperadora. Ora, já é terrível perder um dos filhos, de uma família numerosa. Mas muito pior é perder um filho único. Mas pior do que perder o filho único, é perder o filho único sendo viúva. Não apenas estava aflita como também se encontrava sozinha numa sociedade sem recursos para cuidar de viúvas.

E aquela mulher agora se desesperava diante da morte do seu filho único, que era a sua única esperança de arrimo e felicidade para o futuro. Com a morte do seu filho único, a última fonte de sustento e proteção desta mulher se fora; e a esperança de perpetuar a descendência se desvanecera. O que seria feito dela? Sua condição era realmente trágica.

Mas Jesus, o "homem de dores", Se encontrou com essa mulher sofredora para mudar a sua situação. Ele não teve dificuldade para Se identificar com o sofrimento da viúva. Sabia de todas as suas aflições e temores. Podia ajudar-lhe agora com a Sua compaixão e Seu poder de ressuscitar o filho morto.

Jesus Cristo sabe de todas as nossas dores e pode nos ajudar ainda mesmo sem estar presente em pessoa. Ele prometeu enviar-nos o Espírito Santo que é o nosso Consolador e que traz a Cristo em nosso coração, a fim de confortar-nos em nossas angústias, dando-nos a certeza de Sua presença e poder para desfazer as obras de Satanás, e recuperar-nos em Sua comunhão.

4 - O Encontro de Dois Inimigos


Jesus enfrentou a morte, "o último inimigo" (1Co 15:26). Quando pensamos na dor e tristeza que a morte causa a este mundo, de fato é um inimigo terrível, e somente Jesus Cristo é capaz de nos dar a vitória (1 Co 15:51-58; Hb 2:14, 15).

Vendo Jesus a mulher, Se compadeceu dela, que fora alvo desse inimigo, a morte, por duas vezes.

.. 1 – Jesus não Se compadeceu do jovem morto ..    

Por quê? Porque os mortos não sabem que estão mortos. Os mortos não sabem que os vivos estão chorando por eles. Os mortos não estão sofrendo. Os mortos não tem noção do tempo e do espaço.  Os mortos não precisam de orações, não precisam de orientação, não carecem de consolação. Eles não sabem nada, porque estão em completo estado de inconsciência (Ecl 9:5-6).

Milhões estão enganados sobre a doutrina dos mortos, e é bom que nós estejamos de sobreaviso. Paulo disse que não devemos ser “ignorantes com respeito aos que dormem” (1Ts 4:13), porque os mortos dormem o sono inconsciente da morte (Sl 13:3; 6:5). Você sabe dar um estudo bíblico sobre os mortos? Milhões de pessoas, enganadas pelas falsas doutrinas do espiritismo, do paganismo, e do cristianismo em geral crêem que os mortos estão vivos. 

Milhões crêem que os mortos estão vagando no espaço sideral, esperando para reencarnar em alguma pessoa que nasce. Outros dizem que os mortos estão no Céu ou no Inferno, ou no Purgatório ou no Limbo [local de purificação para os infantes]. Quando Jesus ressuscitou ao jovem, Ele não o chamou de nenhum desses lugares. Ele o chamou do lugar onde ele dormia o sono tranquilo da morte, ali mesmo sendo levado num leito, envolto em lençol.

Por isso, Jesus não Se compadeceu do jovem morto: ele não podia saber nem reagir diante de uma consolação.

.. 2 – Jesus Se compadeceu da mãe do jovem morto...

Ela era viúva e já sofrera, portanto, a dor da morte do seu marido. De fato, aquela mulher era muito sofrida, muito nervosa, muito angustiada e muito insegura. Pesquisas têm sido feitas sobre o grau de estresse de uma pessoa, que passa por diferentes perplexidades. Mas a perda do marido, ou da esposa, a perda do cônjuge é de maior gravidade do que qualquer outra perda. E muito mais no tempo de Jesus quando as mulheres viúvas não tinham nenhuma segurança.

Mas depois de tudo o que sofrera com a morte do marido, que lhe deixara um filho, agora, ela perde esse filho amado, pela morte. Aquela mulher havia cifrado no seu filho único todas as suas mais acariciadas esperanças. Mas agora, ela estava desesperada, sem nenhuma esperança.

Jesus Se compadece dos que perderam os seus entes queridos. Conhece toda a angústia, toda a tristeza, toda a solidão, e talvez toda a revolta desses sofredores. Mas Jesus Cristo é o maior Consolador dos aflitos.

Então, Jesus disse à mulher: “Não chore!” Este era o imperativo da esperança. A maior consolação de Jesus para os enlutados é: “Não chore!” porque há uma esperança. Você nunca deve perder a esperança. A morte não é o fim. Há esperança até para mortos: a gloriosa esperança da ressurreição. Portanto, diz Jesus: “Não chore!” em desespero!

O "esquife" referente no texto era, provavelmente, uma espécie de maca aberta, não um caixão fechado, de madeira, como em nossos tempos. Jesus Se aproximou, e “tocou o esquife”. Mas por quê? Havia algum significado nesse ato? Aparentemente, era natural que tocasse no caixão, na maca aberta, como acontece quando vamos a um velório, e ao nos aproximar, tocamos no caixão, mesmo não intencionalmente, mas ninguém vai notar nisso.

Entretanto, no tempo de Jesus, era diferente. Se alguém tocasse num morto, ou no seu féretro, ele seria considerado imundo (Nm 9:6). Mas nesse ato de tocar no esquife, Jesus estava demonstrando que Ele não Se contamina com a morte por ser a própria Fonte de vida; Ele não teme o contágio, ao lidar com o Seu grande inimigo, a morte.

Jesus só precisou proferir uma palavra e o menino voltou à vida com saúde. Vemos aqui o poder da palavra de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Ele apenas ordenou: “Jovem, levanta-te!” e o jovem se levantou com vida. Assim foi na Criação: Ele falou e tudo se fez, ele ordenou e tudo passou a existir (Sal 33:6,9). Ele deu vida a todos os seres que têm vida. Ele deu vida a todos os animais por meio de uma palavra. Apenas falou e todos viveram. Agora, do mesmo jeito, Ele falou e o morto se levantou com vida e saúde.

O menino deu dois sinais de vida: sentou-se e falou. O texto não diz o que falou, mas devem ter sido palavras interessantes! Ele pode ter dito algo assim: “O que é que eu estou fazendo aqui? Mãe, por que todos estão chorando?” Num gesto de grande ternura, Jesus pegou o menino e o entregou à mãe, agora transbordante de alegria.

Toda a cena lembra o que acontecerá quando Cristo voltar e reencontrarmos nossos entes queridos. Aquele será um Dia de exultante glória e grande alegria, ao vermos todos os justos, e os nossos queridos salvos sendo levantados para a vida eterna.

O povo reagiu glorificando a Deus e identificando Jesus com o Profeta dos judeus pelo qual haviam esperado tanto tempo (Dt 18:15; Jo 1:21; At 3:22, 23). Não demorou que a notícia desse milagre se espalhasse. As pessoas animaram-se ainda mais para ver Jesus, e grandes multidões o seguiam (Lc 8:4, 19, 42).

O encontro dos dois inimigos ficou registrado para que soubéssemos que Jesus Cristo é o Vencedor de todos os Seus inimigos, e em breve há de declarar a vitória final sobre a morte, “o último inimigo a ser destruído”.

CONCLUSÃO

1.  Jesus é o nosso Consolador nas horas mais difíceis. Ele nos conhece e Se compadece de nossas aflições. Portanto, devemos sempre confiar nEle.

2.  Não devemos temer nada neste mundo; nem mesmo a morte. Devemos ser calmos, serenos e tranquilos em toda e qualquer situação.  

3.  Jesus tem poder onipotente. Portanto, devemos depender dEle completamente porque é o Único em quem podemos confiar plenamente, sem nunca sermos decepcionados.

4.  Não podemos depositar a nossa última esperança nos nossos entes queridos. Nossa maior esperança deve estar depositada em Jesus Cristo que é o nosso poderoso Deus e Autor da nossa vida eternamente.



PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...