sexta-feira, 15 de julho de 2011

O desafio da entrega


Texto: Marcos 10:17-22

Aquele rapaz era bem-intencionado. Tinha o desejo sincero de seguir a Jesus. Sentiu-se atraído por Ele. Procurou-O. Correu ao seu encontro. Chegou até Jesus com grandes preocupações espirituais. Queria alcançar a vida eterna.

Creio que o mesmo pode ser dito a nosso respeito. Imaginem então, que encontrássemos a Jesus, pessoal- mente, hoje. Creio que teríamos uma conversa idêntica à desses jovem: “Olha, Jesus, sou Adventista há vários anos. Conheço as doutrinas básicas. Guardo o Sábado. Participo na igreja...”“Olha Jesus, estou na igreja há pouco tempo, mas já devolvo o dízimo, dou minhas ofertas, freqüento os cultos aos sábados, domingos e quartas-feiras; como está o meu desempenho?”

Creio que Jesus diria a nós o mesmo que disse àquele jovem: “Uma coisa te falta”. O que? Faltar? Carência? Necessidade? Falta o que Jesus? O rapaz era bastante ricol Tinha “muitas propriedades”, “muitos bens”. Era, também, extremamente religioso — tanto é que respondeu a pergunta de Jesus afirmando: “Tudo isso tenho guardado desde criança! Eu sou adventista de berço – já tenho um título para o Céu!”

A MÃE DE TODAS AS BATALHAS

Ó Jesus, “Rico sou, e de nada tenho faltal” Não é esta a oração presunçosa dos laodiceanos? O que faltava para aquele jovem? O que nos falta, hoje, para sermos verdadeiros cristãos? O Espírito de Profecia fornece a resposta para essa pergunta: “A entrega do próprio eu é a essência dos ensinos de Cristo”. — O Desejado de Todas as Nações, pág. 500.

Podemos até pensar: “Isso não se aplica o mim. Já me batizei. Já me entreguei a Cristo!” Vejamos: “Existem tantos os que professam ser os seguidores de Jesus Cristo, Jamais tendo morrido para o próprio eu. Nunca caíram sobre a Rocha, ficando em pedaços. Até que isso se dê, viverão para si mesmos; e, se morrerem com estão, será para sempre demasiado tarde para endireitarem os seus erros’. — Fundamentos da Educação Cristã, pág. 284.


“Tantos, tantos que professam o nome de Cristo não possuem consagração nem santificação. Foram batizados, mas foram enterrados vivos. O eu não morreu e, portanto, não ressuscitaram para a novidade de vida em Cristo’. — 6 BC, pág. 1075.

“A luta contra o próprio eu é a maior batalha que já foi travada. A renúncia do nosso eu, sujeitando tudo à vontade de Deus, requer luta; mas a alma tem de submeter-se a Deus antes que possa ser renovada em santidade”. — Caminho para Cristo, pág. 39.

“Todos os que entrarem pelos portões de pérola da cidade de Deus entrarão lá como vencedores, e sua maior vitória terá sido sobre o próprio eu”. — Testimonies, vol. IX, pág. 183.

O QUE SIGNIFICA ENTREGA

Quando nos entregamos a Jesus, precisamos dizer, em essência: “Jesus, Te dou tudo o que possuo e o que sou. Deposito em Tuas mãos a minha família, meus amigos, minha esposa, namorado(a). Entrega ao Senhor to das as coisas que eu possuo e as que espero possuir. Estou disposto a fazer com tudo isso o que o Senhor quiser. Tão somente me diga o que devo fazer

Como lembra o escritor Oswald Chambers: “Se você guardar alguma coisa para si próprio, ela se estragará, como acontecia com o maná que era guardado. Deus jamais permitirá que você retenha uma benção espiritual só para si; você terá que devolvê-la a Ele para que, por Sua vez, Ele a transforme em benção para outros”.

OPTANDO PELO MELHOR

O jovem rico queria obter vida eterna. Queria algo mais precioso do que tudo o que tinha. Não se tratava de Ter mais um objeto, acrescentar mais um peço rara à sua coleção. Ele queria vida eterna e foi ao endereço certo. Vida eterna, salvação, é encontrada apenas em Jesus. Vida eterna resulta unicamente de ter a Jesus na vida. “E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3)

Ninguém entendeu melhor a preciosidade da pessoa de Jesus do que o apóstolo Paulo. Descrevendo a sua experiência, ele afirma: “Mas o que para mim era lucro, isso considerei como perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual, perdi todas as coisas e as considero como esterco, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3:7-8).

Humberto Rohden escreveu uma biografia do apóstolo Paulo onde, num dos textos mais lindos, ele afirma: “Paulo é um livro que só fala de Cristo. Paulo é uma chama que só arde por Cristo. Paulo é um gênio que só pensa em Cristo. Paulo é uma vontade que só quer Cristo. Paulo é um herói que só luta por Cristo. Paulo é urna alma que só vive de Cristo, por Cristo e paro Crista”.

Essa é experiência de alguém que se entregou completamente a Jesus. Abriu mõo do que era e do que podia vir a ser para que Jesus fosse o Senhor de Sua vida. Renunciou ao eu, paro que Jesus estivesse no centro do deu coração.

Alguém que podia dizer: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Crista vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, viva pela fé no Filho de Deus, que me amou e a S mesmo se entregou por mim”(Gálatas2:20).

Nós nos agarramos ferrenhamente a coisas — relacionamentos errados e atitudes erradas — mais por urna visão distorcida sobre o significado da renúncia o essas coisas do que propriamente pelo prazer que elas possam nos proporcionar. No entanto, não existe um só texto bíblico em que Deus nos diga para renunciarmos às coisas apenas por renunciá-las. Deus nos diz que devemos renunciar a elas por amor do único bem que vale a pena ter na vida: o próprio Deus.


ERRADO E ACEITO

O jovem rico pensou que tudo estivesse resolvido. Imaginava que não havia nada para ser feito. Nenhuma vitória a ser alcançada. Nenhuma falha de caráter a ser vencido ou pecados a serem abandonados. Ele pensava que estava com tudo, com a “bola cheia”.

Quantas vezes enganamos a nós mesmos, ao pensar que não temos nada a mudar, que está tudo bem conosco. Nessa situação, medimos a vida espiritual pela quantidade de coisas que fazemos na igreja, ao invés de medi-la pelo tempo que passamos diariamente com Jesus— nossa comunhão com Ele.

O significativo nisso tudo é que mesmo quando estamos com os olhos desviados de Jesus — encantados com nós mesmos, iludidos com as nossas realizações — Jesus continua a nos olhar com bondade. Jesus continua nos amando. Foi exatamente isso o que aconteceu no contato com o jovem rico: ‘Mas Jesus, fitando-o, o amou...” (Marcos 10:21, p.p.)

Não houve nenhuma condenação! Nenhuma crítica! Nenhum olhar feio! “Mas...” Essa palavrinha é uma adversativa; significa: apesar de tudo... Apesar de você e eu sermos arrogantes, egoístas, inconstantes, invejosos, briguentos e orgulhosos, Jesus continua nos olhando com amor. Jesus continua nos amando — à espera de que deixemos que Ele opere em nossa vida o milagre da entrega

RESPOSTA DE AMOR

Quando entendemos o quanto Jesus nos ama e a preciosidade daquilo que Ele nos oferece, abrimos mão do que pensamos ter em favor do que Jesus nos quer dar. Entregamos nas mãos de Jesus tudo o que somos, em favor do que Ele pretende que sejamos. Damos a Ele nossa resposta de amor.

Experiência: Um irmão nosso, líder de igreja em Tatuí, interior de São Paulo, possui um escritório de contabilidade. Como acontece em todas as pessoas que trabalham nessa área, há épocas do ano em que ele fica mais sobrecarregado de trabalhos.

Num desses períodos, tornou-se difícil o contato com a sua filha (na época com uns seis para sete anos de idade). Para compensar a sua falta, ele trazia com freqüência algum presentinho para a filha.

Certo dia, quando passou rápido em casa, a sua filha quis brincar com ele. O pai esquivou-se, prometendo trazer um presente para a filha. Ao que a garotinha, agarrando um dos seus braços, afirmou: “Papai, eu não quero nenhum presentinho; eu quero é você!”
Será que Deus queria o dinheiro do jovem rico? Não! Deus queria seu coração, seu amor. Será que Deus está buscando o nosso dinheiro, nosso corpo, nosso tempo, nossa vida? Não! Tudo isso já é dEle; tudo isso já Lhe pertence. A única coisa que podemos dar a Deus é o nosso amor. E é exatamente isso que Ele quer e busca!

A melhor maneira de demonstrar aos outros que os amamos é quando damos a nós mesmos. Além de dar coisas, dar nosso interesse, dar nossa atenção, dar o nosso tempo e nossa afeição. E o verdadeiro dar não visa retribuição: damos porque amamos.
É isso o que significa entrega. É dar tudo a Deus como prova de nosso amor por Ele. É dar tudo aquilo que nos separa dEle. É dar para mostrar que Ele é mais precioso e importante do que tudo o mais em nossa vida.

APELO

São Marcos 10:22 relata: “Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades”.

Que tragédia! Que triste conclusão, para um encontro tão bonito! Aquele jovem voltou as costas para Jesus, abraçando o mundo! Que final infeliz! Que decepção para Jesus! Que pena!

O jovem rico mostrou que “amava os dons divinos mais do que o próprio Doador”( O Desejado de Todas as Nações, pág. 488). O jovem rico amava mais os tesouros terrenos do que o tesouro celestial. Ao invés de possuir propriedades, ele era possuído por elas; por isso, afastou-se de Jesus triste e pesaroso.

Esta é a escolha fundamental da vida. Só há duas opções: fazer o que Jesus pede ou que nós queremos; escolher amar o próprio eu; entregarmo-nos completamente a Jesus ou nos retirarmos dEle.

Então, vamos deixar Jesus lá fora — a mendigar o nosso carinho e atenção? Vamos deixar Jesus esperando indefinidamente que aceitemos o desafio da entrega? Vamos negar a Jesus o que somos e o que temos? Pensai no que significa dizer “não” a Jesus. O jovem rico disse: “Não! Não posso Te dar tudo! Não posso Te entregar a minha vida!” E nós, o que vamos dizer para Jesus?



PR. ELIZEU LIRA

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