sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Desafio da Cruz

Texto: II Cor. 8:9

Elisabeth Fry – uma mulher inglesa muito conhecida pelos seus trabalhos em favor dos sofredores – entrou na prisão de Newgate, em Londres, para visitar 300 mulheres que lá estavam presas, espremidas em pequenas e desconfortáveis celas.

Ao chegar, foi-lhe dito que devia deixar na portaria a sua bolsa e o relógio de ouro para que não fossem furtados. Ela recusou fazê-lo, afirmando que a sua demonstração de confiança era um poderoso meio de ajudá-las na sua recuperação

A Bíblia diz que quando Jesus veio à prisão deste mundo de pecado, Ele trouxe consigo todas as jóias celestiais: amor, misericórdia, pureza e santidade.

O Céu se abriu para a Terra. E Deus enviou Aquele “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Col. 2:3). Deus doou o que tinha de mais precioso. Deus deu a humanidade, pobre e sofredora, tudo o que possuía. Deus nos deu o Seu Filho unigênito. Deus ofertou o Seu Filho não apenas para ser Emanoel (Deus conosco), mas também, para ser Jesus (Salvador).

A cruz nos fala de perdôo, aceitação, paz e libertação. A cruz nos fala de condescendência divina — Deus Se demonstrando totalmente favorável a nós, na Pessoa do Seu Filho amado, Jesus. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela Sua pobreza vos tornásseis ricos” (II Cor. 8:9).

O Peso da Cruz

Existe uma finda poesia, traduzida pelo Prof. (saque Nicolau Salum, intitulada “A Cruz de Cristo”; ela afirma o seguinte;

Para viver entre nós, numa cama emprestada,
Ele humilde nasceu
E em jumento emprestado andou toda a estrada
Da montanha à cidade e à cidade desceu

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, bem Suas:
A ninguém as deveu!

Tomou o pão dum menino e o peixinho emprestado
E ambos abençoou:
Fez o povo assentar-se em redor pelo prado:
Foi o pão repartindo e a todos saciou.

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, bem Suas,
De ninguém as tornou.
Num barco emprestado, a vagar de mansinho,
Ele pôs-se a ensinar.
O pardal tem sua casa, a andorinha seu ninho...
Para Ter Seu descanso, Ele nem teve lar!

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
De ninguém foi tomar
Eram Suas, bem Suas.

A caminho da tumba, em salão emprestado,
Um jantar celebrou.
Foi em morto envolvido em lençol emprestado
E em sepulcro emprestado, afinal repousou.

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, Bem Suas:
De ninguém as tomou!

Mas o berço entregou, entregou o jumentinho, Devolveu casa e barco, e os tecidos de linhol Ressurgindo, vazio o sepulcro deixou.

Mas as vestes de luz
E as marcas da cruz
Essas eram bem Suas
E consigo as levou!

Você já sentiu alguma vez o peso da cruz? Já tentou calcular o quanto Jesus sofreu por você, em seu lugar? Anton Lang, um jovem que representou Jesus diversas vezes no drama “A Paixão de Cristo”, na pequena cidade alemã chamada Oberamergow, afirmou o seguinte: Eu não posso representar bem a parte de Jesus se eu não sentir realmente o peso da Cruz”.

As pessoas que ouviram o jovem dizer essas palavras pensaram que ele estivesse blefando. Foi então que, numa noite, depois da dramatização, um amigo saiu do palco e quis saber o peso do cruz, pensando que ela fosse leve. Ele mal conseguiu tirá-la do lugar onde estava.

Morte Anunciada

Os sofrimentos de Jesus foram bastante aumentados porque foram previstos. Ele sabia o que O esperava. Durante os 33 anos de Sua vida na Terra, Ele viveu à sombra de uma cruz solitária. Antes dessa cruz ser cravada no Monte da Caveira, ou Gólgota, ela estava cravada no coração de Jesus (O humilde nazareno, o Salvador do mundo).

No livro A Cruz de Cristo, o autor, John Stott, fala a esse respeito — ao responder à pergunta: “Qual a perspectiva de Jesus acerca da Sua própria morte?’ Stott afirma: “Além de qualquer dúvida, Ele sabia que ela ia acontecer — não no sentido em que todos nós sabemos que morreremos um dia, mas no sentido em que Ele teria uma morte violenta, prematura e, contudo, intencional”.
O famoso teólogo apresenta três motivos pelos quais a morte de Jesus era inevitável:
1) Primeiro, Ele sabia que ia morrer por causa da hostilidade dos líderes nacionais judaicos.

2) Segundo, Ele sabia que ia morrer porque era isto o que estava escrito nas Escrituras acerca do Messias. “Pois o Filho do homem vai, como está escrito a Seu respeito” (Marcos 14:2]). Jesus insistiu neste assunto mesmo depois da sua ressurreição.
Ele disse aos discípulos na estrada de Emaús: “Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha- lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lucas 24:25-26).

3) O terceiro e mais importante motivo pelo qual Jesus sabia que iria morrer era Sua própria escolha: deliberada, voluntária. Ele decidiu cumprir o que estava escrito acerca do Messias, por mais doloroso que isso fosse. Essa atitude não era fruto de uma visão fatalista e nem, tampouco, era complexo de mártir.

Simplesmente Jesus cria que a Escritura do Antigo Testamento era a revelação do pai e Ele estava totalmente decidido a realizar a vontade do Pai e terminar a obra do Pai.
Além disso, Seu sofrimento e morte não seriam sem propósito. Ele tinha vindo “buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10). Era pela salvação dos pecadores que Ele morreria, dando a vida em resgate por eles (Marcos 10:45). Assim, Jesus tomou a firme decisão de ir para Jerusalém. Nada O deteria ou O desviaria do Seu objetivo.

É por essa razão que aparece várias vezes o termo “deve”, quando Jesus fala de Sua morte. O Filho do homem deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado. Tudo o que foi escrito a respeito dEle deve ser cumprido.

De forma que, embora Ele soubesse que devia morrer, não morreria por ser uma vítima indefesa das forças do mal dispostas contra Ele. Nem tampouco morreria vítima de um destino inflexível contra Ele decretado; morreria porque, de livre vontade, abraçou o propósito do Pai com o fim de salvar os pecadores, como a Escritura havia revelado: ‘Por isto o Pai Me ama, porque dou a Minha vida para a retomar. Ninguém a tira de Mim, mas Eu de Mim mesmo a dou...” (5. João 10:17- 18).

Apesar da grande importância do Seu ensino, exemplo e obras de compaixão e poder, nenhuma destas coisas ocupava o centro do missão de Jesus. O que lhe dominava a mente não era viver, mas dar a Sua vida. Este sacrifício era a Sua “hora”, para a qual Ele tinha vindo ao mundo. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por a mor de vós se fez pobre, para que pela Sua pobreza fôsseis enriquecidos” (II Cor. 8:9).

Os Benefícios da Cruz

Hoje, chega a cada um de nós “O Desafio da Cruz”. De nada adianta conhecer os fatos acerca do sacrifício de Jesus, se não estivermos nos apropriando dos benefícios de Sua morte.

O próprio Jesus falou sobre isso, pouco antes de Sua morte: “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque que a Minha carne verdadeiramente é comido, e o Meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem como a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele” (João 6:53-56).

Ao participar da Ceia do Senhor, medite no seu significado e aproprie-se dos benefícios da morte do Senhor Jesus, Eles são inúmeros: Perdão, paz com Deus, força espiritual, poder para vencer o pecado, salvação, vida eterna.

Experiência: Quando o filósofo grego Sócrates morreu, após ser forçado a tomar uma bebida venenosa chamada cicuta, os seus discípulos saíram tristes afirmando que a humanidade tinha ficado, para sempre, empobrecida. Poucos dias após da morte de Jesus, no Calvário, os homens e mulheres que presenciaram o Seu sacrifício saíram, destemidamente, proclamar pelo mundo inteiro que a humanidade havia sido enriquecida eternamente.

“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre, para que pela Sua pobreza fôsseis enriquecidos” (Il Coríntios 8:9).

- Elizeu C. Lira, Itararé, Vitória-ES, 25 de Junho de 1998.


PR. ELIZEU LIRA
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