sexta-feira, 17 de junho de 2011

Muito obrigado, Senhor!

Sermão para ocasião especial: Culto de Ação de Graças

Título: Muito obrigado, Senhor!

Texto: Lucas 17:11-19

Introdução:

A – Estimados amigos presentes, aqui nos reunimos para celebrar este culto de gratidão.

1 – Há na Bíblia um milagre realizado por Jesus que é o maior exemplo de gratidão registrado nas Escrituras. Está no texto que lemos inicialmente.

B – Atraído pela fama de Jesus, e tendo no coração um desejo imenso de cura e saúde, um leproso samaritano cruza a fronteira da Palestina.

1 – Por certo andava com cautela, pois conhecia a realidade dos desprezos dos judeus aos samaritanos, e ainda mais aos leprosos.

a) Assim caminhando, meio às ocultas pelos contornos da Galileia, depara-se com um acampamento de leprosos judeus.

(1) Aproxima-se e pede-lhe pão em troca de trabalho. O impacto dos judeus era enxotá-lo, mas entra em jogo o negócio.
(2) Confabularam-se os leprosos judeus e trazem-lhe a resposta: “Tu serás o nosso servo, limparás e cuidarás do nosso acampamento em troca de comida”.
- Oh! Que luxo agora para aqueles leprosos. Tinham um servo para fazer os humilhantes trabalhos!
(3) Limpeza em troca da sobra da comida.

2– O samaritano é arguido por eles: “Por que peregrinas em Israel, assim enfermo?”
A sua pronta resposta foi: “Eu quero encontrar-me com Jesus e sei que Ele pode curar-me”.
3 – Oh louco! O nosso mal é incurável. E mais, esse Jesus não te daria nenhuma importância. Não sabes que Ele é judeu e tu samaritano e que te voltaria desprezo? Tampouco teria ele poder contra o nosso grande mal, a nossa lepra.
4 – Eram incrédulos e blasfemadores. Zombavam e criticavam do pobre samaritano.

C – Um dia, porém, saíram para esmolar o pão de cada dia, e com eles foi também o samaritano.

1 – O texto das Escrituras diz que Jesus se dirigia a Jerusalém e pensava passar por Samaria.
2 – Podemos imaginar a alegria naquela pequena vila, quando chegou a notícia de que o Grande Mestre vinha para visitá-los. Os homens deixaram os seus trabalhos nos campos. As mulheres deixaram os seus afazeres domésticos. As crianças não foram para a escola e também desprezaram seus brinquedos.
- Todos queriam ver Jesus!
3 – Eu bem posso imaginar aquele vozerio na estrada. Grande procissão de gente.

a) E aqueles leprosos recuam a canto do caminho. O coração do leproso samaritano pulsa com ansiedade. Seria Jesus Cristo? Sim, é Ele mesmo!

4 – Agora, ele fala aos companheiros: “Colegas, chegou agora a nossa grande oportunidade e não podemos perdê-la. Vamos até Jesus e seremos curados de nossa lepra”.

a)Mas os companheiros, incrédulos, resistem o convite daquela fé genuína. E ele mais uma vez insiste: “Vamos colegas, se Ele não nos curar, piores do que estamos não ficaremos. Por que não tentar?”

5 – E assim foram os 10 leprosos, tendo como guia o samaritano.
6 – De repente, uns gritos enchem o ar e o povo retrocede horrorizado porque 10 leprosos se aproximam, clamando: “Senhor Jesus, tem misericórdia de nós!”

a) Coitados! Eram 10 homens separados da sociedade, obrigados a deixar seus lares, suas famílias, seus negócios e fazendas, obrigados a morar em cavernas, vestidos com farrapos, desprezados e considerados imundos.
b) A lepra no mundo de hoje não é tão perigosa como os homens sempre imaginaram. Hoje, não se usa mais a palavra “lepra”; usa-se um eufemismo: Mal de Hansen ou hanseníase. O hanseniano pode ser curado em casa, com o convício de seus familiares. Que bom! Hoje não existem mais leprosários! Tratando-se, o hanseniano pode viver bem a vida. “Com os medicamentos de hoje, a lepra pode ser curada em apenas seis meses”, disse-me um médico.

7 – E Jesus detém a marcha. Os discípulos abrem alas receosos daqueles leprosos. Jesus lhes pergunta: “O que é que vocês querem?” “Queremos ser limpos”- Foi a resposta do leproso samaritano.

a) Jesus olhou em direção deles. Vi-os em seu estado andrajoso, miserável e de desventura. Jesus vagarosamente se dirige em direção daqueles leprosos.
(1) A multidão permanecia silenciosa.
(2) Quem sabe alguns incrédulos ali presentes pensaram:“Não sabe Ele que esses homens são leprosos?!”
(3) Outros cochichavam entre si: “Que vai Ele fazer?”

b) E todos procuravam se afastar, enquanto os leprosos se aproximavam do Mestre.

8 – Agora é a hora de se dar o milagre. Não houve, entretanto, nada de espetacular. Certa vez Cristo curou um cego de nascença. Para curá-lo cuspiu no chão, fez o lodo e passou no olho do cego. Agora, porém, nada disso fez. Jesus nem levantou a mão. Apenas suavemente disse: “Ide e mostrai-vos aos sacerdotes, e ficareis curados”.
a) Talvez você pergunte: “Por que Jesus agiu assim?” Por que não tocou nos leprosos para ficarem logo curados de uma vez?
- Primeiro: Jesus queria testar a fé dos leprosos.
(b) - Segundo: Só os sacerdotes podiam dar alta.
9 – Surge entre eles nova onda de incredulidade: “Já sabíamos que Ele não nos iria curar”...
a) Mas o samaritano insiste: “Vamos, se Ele pedisse de nós coisa difícil não faríamos? Vamos até os sacerdotes e seremos curados”.
b) Foram-se a caminho. Ainda estavam com manchas, com feridas em seus corpos, mas, de repente, tudo começou a mudar:
(1) Olharam para as suas carnes e que surpresa se operou diante de seus olhos! Estavam curados!
(2) Contentes, diziam: Estamos curados! Estamos curados!...
(3) Cada um completamente embebido na sua própria felicidade!
10 – Todos correm para onde estavam os sacerdotes.
a) Que felicidade! São declarados limpos. Receberam altas para se unirem aos seus familiares.
D - Um logo correu para o seu lar, queria ver os seus queridos, Queria abraçar sua esposa, seus filhos... Outro pensou em sua fazenda e nos seus negócios...

1 - Mas um, enquanto caminhava apressadamente, deteve-se, e começou a retroceder. Um sentimento de gratidão começou agora a encher o seu coração até se tornar num irresistível amor.

a) Dirigiu-se apressadamente ao Mestre.
b) Lágrimas marejavam a sua face, quando se atirou aos pés daquele que lhe dera uma vida completamente nova, e cheio de gratidão adorou o seu Mestre, e lhe disse: “MUITO OBRIGADO, SENHOR!”

2 - Jesus olhou com um sorriso triste dizendo: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?
3 – Somente o samaritano voltou para agradecer. Os nove receberam a mesma bênção que este desprezado samaritano recebera. Mas nove imediatamente se olvidaram nos seus interesses pessoais. Tornaram-se tão absorvido em si que se esqueceram de dizer: “Muito Obrigado, Senhor!”

E – Dez foram curados. Um foi curado e salvo. Luc. 17:19 – “E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”.

F – Infelizmente, o homem é assim: ingrato.

Ilustração: Um advogado dos Estados Unidos disse: “Já salvei centenas de presos da prisão e até da cadeira elétrica. Mas até agora nenhum voltou para agradecer”.

I – SEJAMOS AGRADECIDOS

A – “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, a qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos”. (Colossenses 3:15).
B – “Em tudo, dai graças porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. (I Tes. 5:18).
C – Existem muitas razões para sermos agradecidos:

1 – Éramos leprosos espirituais. A Bíblia compara o pecado como a lepra. Cristo nos curou da lepra do pecado.
2 - Estávamos perdidos, sem Deus e sem salvação. Você já agradeceu a Deus por isto?...
3 – Somos rodeados de bênção diárias.
- “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”.
-“Vede como o Senhor é bom”.

D - Reconhecimento e gratidão são índices de equilíbrio emocional, sentimental e de madureza espiritual.
1-O coração feliz louva, agradece e canta.
2 - O salmista Davi se exultava ao contemplar as prodigiosas bênçãos de Deus. Ele diz:
Sal. 92:1 e 2: “Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores ao Teu nome, ó Altíssimo. Anunciar de manhã a Tua misericórdia e, durante as noites, a Tua fidelidade”.
Ilustração: Uma anciã cristã despertou-se numa manhã disposta a enumerar as bênçãos de Deus em sua vida naquele dia. Começou animada e já ao meio dia estava cansada. Às três da tarde, exclamou: “Que maravilha! Elas seguem tão rápido que eu não posso contá-las”.
Aplicação homilética: Prezado irmão: Você já teve oportunidade de contar as bênçãos de Deus em sua vida?
O Hino do Hinário Adventista 244 diz:
“Conta as bênçãos, conta quantas são,
Recebidas da divina mão.
Uma a uma, dize-as de uma vez;
Hás de ver surpreso,
Quanto Deus já fez”.
E - As bênçãos de Deus são como um céu estrelado. Quanto mais contemplamos estrelas, mais estrelas descobrimos. Por isso dizia o salmista: “Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores ao Seu nome, ó altíssimo”.
1-Quando isto brota por espontaneidade é saúde, paz, alegria, felicidade.
Ilustração: Você já agradeceu a Deus por não ser louco?
Na minha cidade natal, existe um hospital dos loucos no bairro onde nasci. Até anos atrás, tinha um muro muito baixo. Os loucos ficavam ali pedindo esmolas e falando com a população que passava na porta do hospital. Um irmão me contou que certo sábado de manhã, enquanto caminhava para a igreja, um louco em momento de lucidez lhe procurou:“Moço, você já agradeceu a Deus por não ser um louco?”
Ele fez que não entendeu e procurou: “O que foi que você disse”. O doido respondeu lucidamente:
“É isso mesmo. Você já agradeceu a Deus pela mente sadia que tem?”
Quando chegou à igreja, ele orou pela primeira vez assim: “Senhor, eu Te agradeço por não ser um louco...
Aplicação Homilética: Você já agradeceu a Deus por não ser um louco?
- Que nunca seja necessário um louco nos advertir desta bênção!
2 – Dizem que há nos Estados Unidos uma pequena cidade habitada só por cegos. Durante o dia, pode-se ouvir os ruídos dos bastões que golpeiam o chão tateando o caminho.
a) A visão – Que extraordinária câmera fotográfica! Você já agradeceu a Deus pelo privilégio de ter uma vista perfeita.
3 - Vivemos na era dos transplantes. Você já agradeceu a Deus por não precisar de um transplante?
4– Dormir Bem. “Doce é o sono do trabalhador”. “O Senhor dá o sono aos seus amados”.
a)Quantos neste mundo sofrem de insônia, nervosos, neuróticos, angustiados, preocupados. Quantos que só dormem sob o efeito de uma pílula.
5 – O bom apetite. A boa digestão.
6 – O pão de cada dia.
a) A metade da população do mundo não tem o que comer. Quantos adultos e crianças na África morrendo de fome...
7 – Pelo abrigo.
a) Se você tem onde dormir, então é um felizardo.
(1) Quantos neste mundo não têm um quarto, uma cama.
(2) Quantos dormindo no chão, tendo como lençol um jornal.
(3) Quantos dormindo nas praças, debaixo das pontes, dos viadutos...
B – Sede agradecidos...
1 – Sede agradecidos pela disposição e alegria para o trabalho.
2 – Sede agradecidos pelo lar cristão.
a) Pela esposa, pelos filhos...
3 – Sede agradecidos pela Igreja.
a) Pelos cultos, pelo santo Sábado, pelas atividades missionárias...
4 – Se agradecidos pelos dons do Espírito.
5 – Sede agradecidos pelo privilégio de devolver a Deus o dízimo.

Conclusão:

1- Como no caso dos nove leprosos curados, somos amiúde ingratos.
2– Na maioria das vezes, só avaliamos as bênçãos da saúde, quando ficamos doentes.
a)Só avaliamos o privilégio dos órgãos dos sentidos quando os perdemos.
Ilustração: Que vais dar a Deus?
Uma família fazia planos de gratidão.
Que vais dar a Deus, querido? - Perguntava a esposa ao marido fumante.
- Eu vou dar a Deus o cigarro que está me matando aos poucos...
E você? - Perguntou o marido à esposa.
- Vou dar as minhas jóias e pinturas que tanto idolatro – respondeu a esposa.
E Joãozinho que não gostava de descascar cebolas, porque ardiam os seus olhos, disse:
- Eu vou dar a Deus as cebolas...
3 – Construamos aqui o nosso altar e ofereçamos a Deus tudo o que Ele merece.
4 – Apresentemos o nosso testemunho agora. Este é um momento de gratidão.
5 – Digamos a Deus: MUITO OBRIGADO, SENHOR!


Hinos sugeridos: H.A. 244, 245, 247, 249.

Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de quatro livros: "Memórias da África", "História do Adventismo no Maranhão". "História e Culura Africanas" e "A Influência Africana na Cultura Brasileira". Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.  

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