sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cuida deste homem

Sermão para ocasião especial: Culto de Ação de Graças. (Para formandos da área médica).

Título: Cuida deste homem

Texto: Lucas 10:25-37



Introdução:

A – Prezados formandos, durante os anos que vocês passaram na faculdade aprenderam muitas coisas importantes através de muitas disciplinas. Foram algumas dezenas de disciplinas, entre as obrigatórias e facultativas, que muitas delas vocês nem se lembram mais. Será que vocês se lembram de todas? As disciplinas podem variar, dependendo do currículo de cada Universidade. Seria enfadonho mencionar tudo o que vocês estudaram e foram aprovados. Vamos recordar algumas delas: Introdução ao Método Científico, Medicina Legal e Ética, Medicina Geral, Biologia Celular, Clínica Médica, Genética, Endocrinologia, Anatomia Médica, Fisiologia, Farmacologia, Citologia, Embriologia, Bioquímica, Biofísica, Patologia, Histologia, Psicologia, Semiologia, Cirurgia, Anestesiologia, Psiquiatria, Pediatria, Cardiologia, Imunologia, Saúde Sexual, Epidemiologia, Esplancnologia, Infectologia, Ginecologia, Urologia, Oncologia, Oftalmootorrinolaringologia, além dos Gastro, Neuro, Nefro, Pneumo, Micro, Dermo e por aí a fora... Vocês foram aprovados em todas elas.

1 – Que curso bonito vocês fizeram! Tiveram muitas lutas e eu sei que muitos estudaram e trabalharam diuturnamente, mas vocês conquistaram os louros da vitória. Estão aqui para agradecer a Deus, em primeiro lugar, porque vocês venceram. Estão cansados, mas felizes! Parabéns pelas vitórias!
2 – Neste culto de gratidão, quero dar a vocês a última aula. Aula de uma disciplina que não aprenderam na Faculdade, porque não existe no currículo do curso. Esta aula eu extraí da Bíblia, da Palavra de Deus, dos ensinamentos de Jesus. Aliás, quem vai falar a vocês é Jesus, o Grande Médico – o maior Médico que o mundo conheceu.
3 – O texto de nossa aula está no evangelho do médico Lucas 10:25-37. É a conhecida parábola do Bom Samaritano.

B – Há quase dois mil anos, um homem solitário decidiu fazer uma viagem entre as cidades de Jerusalém e Jericó.
1 – O significado das palavras:
a) Jerusalém – Cidade da paz.
b) Jericó – Cidade da perdição.

2 – É perigoso quando o ser humano deixa o caminho da paz e entra no caminho da perdição.
3 – A estrada que tomou foi um desfiladeiro rochoso e traiçoeiro.

a) Ele teve que descer 970 metros.
b) Teve que viajar 35 km, ou 25 milhas, através de alguns dos piores trechos do deserto inabitável e montanhoso da Judéia.

C – Não era esse o único caminho, entre Jerusalém e Jericó, mas era o mais curto e mais direto.

1 – Aplicação homilética: Quantos hoje também fazem assim. Querem chegar ao céu pelo caminho mais curto e mais fácil.
2 – Era um caminho perigoso. O caminho natural apresentava muitos esconderijos para os ladrões e criminosos.

D – De fato a estrada era tão notória que foi chamada por séculos “O Caminho de Sangue”. Neste dia, porém, o homem estava com muita pressa.

1 – Para chegar logo a Jericó, esqueceu-se do perigo, ou quem sabe ariscar sua sorte, e começou logo a viagem, pois queria chegar cedo a sua casa.

E – Coitado! Ele foi roubado, atacado e deixado semimorto à beira do caminho. Amigos, esta história foi narrada por Jesus e tem sido uma das mais conhecidas das suas parábolas.

1 – Disse um famoso teólogo: “Esta parábola tem sido o consolo para o viajante, para o sofredor, para o proscrito e o herege em cada época do país”.
2 – O livro Desejado de Todas as Nações diz que não se trata de uma simples parábola, não uma cena imaginária, mas uma ocorrência verdadeira que era bem conhecida em Jericó e em Jerusalém.

a) Utilizando uma linguagem moderna, o assunto estava na mídia diária das notícias policiais daqueles dias.
b) E Jesus que viajou algumas vezes de Jerusalém para Jericó, e vice-versa, ficou conhecendo esses fatos corriqueiros do “Caminho de Sangue”. Até hoje é uma estrada perigosa. Embora asfaltada, onde as pessoas andam de carro, as 25 milhas, correspondentes a 35 km são feitos com muito cuidado.

Experiência: Eu viajei por essa estrada de ônibus, que vai sempre serpenteando e fazendo ziguezague. Quando se chega lá em baixo, está-se tonto.

I – JESUS COMEÇA A NARRAR A PARÁBOLA.

A – “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mão de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiram-se deixando-o semimorto”. (Lucas 10:30).

1 – Os fatos aí narrados até parecem com a violência dos nossos dias, que conhecemos muito bem, pois assim acontece em qualquer cidade brasileira atualmente.

a) A violência está em todo lugar e arrepia os cabelos das pessoas sensíveis.
b) Mas de tanto vermos a violência e o crime, acabamos nos acostumando com eles.
c) Se trabalhamos cada dia vendo o sangue, as nossas atitudes mudam e muitas vezes ficamos insensíveis ao sofrimento humano. No passado, quando se assistia a cenas com sangue, muitas pessoas desmaiavam. Hoje, porém, quase ninguém desmaia mais. Foi exatamente assim o que aconteceu com as pessoas que passavam pelo caminho. Viram muito sangue, mas não se emocionaram tanto.

II – A ATITUDE DOS ENVOLVIDOS.

A – Quem são os envolvidos? Não conhecemos os nomes, mas sabemos que foram, no mínimo, sete pessoas.

1 – Um homem que foi roubado.
2 – Os ladrões. No mínimo dois.
3 – Um sacerdote (Pastor).
4 – Um levita (Oficial da igreja)
5 – Um samaritano caridoso.
6 – O dono da hospedaria.
7 – Ou seja, sete pessoas, no mínimo.

B – Vale a pena analisar a atitude de alguns deles.

1– O Sacerdote – Luc. 10:31 – “Casualmente, descia um sacerdote por aquele caminho e, vendo-o, passou de largo”.

a) Ele tinha muita pressa, porque tinha uma grande e urgente atividade na igreja.

b) Todo homem tem seus defeitos, mas também tem suas boas qualidades ou virtudes:

(1) Ele era muito pontual. Nunca chegava atrasado às reuniões. Por isso tinha pressa. Não podia perder tempo no caminho.
(2) Ele viu o homem ferido. Ele tinha uma boa visão. Não precisava usar óculos. Não sofria de miopia, nem de hipermetropia, nem astigmatismo.
(3) Mas era só isso que possuía. Apenas viu! Viu o homem maltratado, viu-o engolfado em seu próprio sangue... Viu e foi embora!

2 – O Levita – Luc. 10: 32 – “Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo”.

a) Tanto quanto o sacerdote, ele tinha pressa. Talvez estivesse atrasado para a reunião da Comissão da Igreja.
b) Tanto o sacerdote quanto o levita viram o homem. Ambos tinham boa visão. Ambos sentiram emoção, mas o tempo urgia, e não podiam se atrasar.
c) Os dois também tinham uma grande aproximação.

(1) Ambos eram levitas, porque todo sacerdote era levita, mas nem todo levita era sacerdote. Ambos adotavam os mesmos princípios religiosos e adoravam o mesmo Deus.

d) Imagine comigo a atitude daquele segundo levita.

(1) Ele teve Visão e Emoção, diante de todo o céu que contemplava aquela cena.
(2) O levita deteve-se por alguns minutos e contemplou a vítima.
(3) A sua consciência lhe dizia: “Cuida deste homem”.

(a) Sentiu a convicção de que devia fazer algo.
(b) Entretanto, não lhe era um dever agradável fazer isto.
(©) Imagino que ele desejou não ter passado por aquele lugar para não ver um homem ferido, ensanguentado, nu e a perecer, necessitando do seu auxílio.
(d) Por fim, persuadiu-se a si mesmo e a sua consciência de que o problema não era dele e que nada tinha a ver com o caso.

Aplicação homilética: Às vezes dizemos:
- Esse é um problema social.
- O crime é um problema que tem de ser resolvido pelo governo.
- A polícia tem de ser mais atuante...
- Esse não é um problema meu...

(e) O levita, com a sua consciência cauterizada, foi embora como fez o primeiro.

Experiência: “Os seus documentos devem ficar aqui retidos como garantia”.

Eu era pastor da Igreja Central de São Luís. Descia por uma avenida no meu carro. Muita gente na rua. Uma mulher se lançou em frente do carro, dizendo-me: “Pare e socorra minha filha. Ela foi atropelada e o motorista fugiu. Os carros passam e não querem levar para Pronto Socorro”. Eu levei aquela moça com a perna quebrada para o “Hospital Socorrão”.
Sabendo que tinha sido um atropelamento, o policial na entrada do Pronto Socorro pediu os meus documentos para ficar como garantia. Garantia de quê? Eu estava apenas prestando um socorro. Não entreguei. Estava disposto a ser preso por desacato à autoridade, mas não entreguei os meus documentos. Tudo ficou esclarecido, quando chegou alguém da família da moça e me defendeu.
Anos depois eu estava em Manaus. Um rapaz caiu da sua motocicleta. Estava semimorto. Corri para socorrê-lo. Minha esposa, lembrando da experiência passada, disse-me: “Vamos embora. Deixa-o aí. Tu já vais te meter em encrenca de novo?”. Ele acordou e o problema foi solucionado.

(f) Hoje é difícil ser “bom samaritano”, mas Deus exige de nós que sejamos como Ele.

C – O Samaritano – Luc. 10:33-35 – “Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicou-lhes óleo e vinho; e, colocando sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou a hospedeiro, dizendo: CUIDA DESTE HOMEM, e se alguma coisa gastares a mais eu te indenizarei quando voltar”.

1- Se admiro o Sacerdote por ter uma boa visão; e o Levita por ter visão e emoção, aprecio o Samaritano que teve VISÃO, EMOÇÃO e AÇÃO.
2 – Não indagou se o estranho era judeu ou gentio.

a) Se o samaritano, caso contrário, isto é, se ele o samaritano estivesse na beira do caminho e o judeu passasse por ali, lhe cuspiria em seu rosto, sem dó nem piedade.
b) Mas nem por isso hesitou. Não se lembrou que ele mesmo, naquele lugar, estava em perigo como o assaltado.

(1) Bastou estar ali uma criatura...
(2) Sua consciência falou mais alto.

III – “CUIDA DESTE HOMEM”.

A – Prezados formando, pensem bem nestas palavras: “Cuida Deste Homem”.
1 – O homem estava à beira da morte.
2 – Estava ensanguentado.
3 – Precisava de ajuda urgente.

a) O samaritano, cheio de amor, decidiu: “Vou Cuidar Desse Homem”.

Ilustração: Contaram-me alguns anos atrás, de um terrível acidente de trânsito. Um automóvel bateu em um caminhão. O motorista do automóvel ficou irreconhecível. Embebido em seu próprio sangue foi levado urgentemente para um hospital. Ele estava só. No hospital, não tinha ele documentos que comprovasse a sua identidade e seu plano de saúde. Necessitava, porém, de socorro urgente. Já que ninguém sabia quem ele era, foi deixado abandonado na maca do hospital por muito tempo. Todos no hospital se perguntavam: “Quem é esse homem?” “Pode pagar as despesas”. “Tem ele plano de saúde?”. “Quem vai pagar o hospital e os honorários médicos?” Diante do impasse, o homem acidentado ficou na maca sem ser atendido.
Depois de algumas horas, chegaram seus familiares que o identificaram: era um médico conhecido de todos. Estava tão desfigurado e ensanguentado que ninguém o reconheceu. Depois de reconhecido, aí a coisa mudou. Tentaram fazer tudo para reanimá-lo, mas já era tarde demais! Ele morreu. Os colegas e amigos de profissão diziam: “Nós não sabíamos quem era, e nem quem iria pagar, por isso não tivemos pressa”. Que tristeza!

4 – “Cuida deste homem”.
a) Seja ele quem for.
b) O samaritano não sabia quem ele era e não se preocupou com isso.
c) O samaritano só sabia de uma coisa: ali, à beira do caminho, estava uma alma aflita e moribunda que necessitava de ajuda.

(1) O samaritano “perdeu” seu tempo com ele.
(2) Colocou-o sobre seu animal e passou a andar a pé.
(3) Levou-o ao Pronto Socorro.
(4) Pagou as despesas hospitalares.
(5) Prontificou-se a pagar as diárias e medicamentos que ele ainda iria necessitar.

B – Jovens formandos, a humanidade está na situação deste homem.

1 – Há doenças por toda parte.

2 – Quantos no leito de dor precisam de uma palavra de conforto, de alento...

a) No hospital, como médico, você precisa cuidar bem deste homem.

C – Se cuidar deste homem doente, estará imitando o maior médico que o mundo já conheceu – Jesus Cristo.

1- Jesus nunca passou por uma faculdade.
2 – Jesus nunca colou grau como vocês estão colando.
3 – Jesus nunca recebeu um diploma.

D – Não obstante, Jesus entendia a necessidade do ser humano.

1 – A seu respeito, lemos:
“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo Ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” ( Mateus 9:35 e 36).

a) Jesus não se cansava.
b) Não trabalhava por interesse pecuniário.
c) Jesus saía por toda parte fazendo o bem:
- Curando os cegos.
- Dando saúde aos leprosos.
- Concedendo vigor aos paralíticos.
- Distribuindo palavras de conforto aos desalentados...

E – Prezados formandos: Se vocês quiserem viver para a eternidade, é mister imitar o Grande Mestre, o Grande Médico – Jesus Cristo.

1 – Quantas pessoas estão nos hospitais no leito da dor, sem paz, sem esperança, esperando apenas o seu último momento...

a) Quantos que, além de medicamento, necessitam de uma palavra de conforto...

- “CUIDA DESTE HOMEM”.


Conclusão:

A - Jesus concluiu a parábola, falando ao doutor da Lei: “Vai e faze o mesmo”.

1 - Esta é a ordem imperativa do Mestre.
2 - Muitos dizem: “Mas eu sou pobre e nada posso fazer para saciar a fome e a dor do mundo.
3 – É verdade. Não podemos resolver o problema e miséria de todos os que nos rodeiam, sozinhos.
4 – Alguém poderá dizer: “Esse samaritano era muito rico. Ele pagou todas as despesas do homem ferido”. “Eu não posso fazer nada”.
5 – A maior misericórdia que podemos fazer não é tanto aliviar o sofrimento físico apenas, como também o espiritual. E aí você e eu somos ricos espirituais. Ricos em Jesus.

B – Quantos, viajando de Jerusalém para Jericó, estão caídos à beira do caminho, porque o Diabo o roubou a paz, a esperança e a comunhão com Deus.

C – Quantos feridos a nossa espera.

1 – Por isso Jesus nos diz: “Vai e faze o mesmo”.

Ilustração: “Moço, o senhor é Jesus?”.
Um menino aleijado vendia na estação de trem de passageiro as suas guloseimas. Entrou no vão para vender os seus produtos. O trem começou a sair de vagarzinho. Ele não percebeu.
Estando já o trem em velocidade, ele se jogou. Caiu. Todos zombavam dele. Os bombons e dinheiro voaram longe. Ninguém queria ajudá-lo. Chegou um homem que o levantou. Levou ao pronto socorro e depois a sua casa.
Admirado com a atenção do homem, agradeceu e perguntou-lhe: “Moço, o senhor é Jesus?” O homem admirado com a pergunta, respondeu: “Não, eu não sou Jesus. Sou apenas um seguidor dos seus ensinos”.


Oração:
Senhor Deus e Pai, nós Te rendemos muitas graças pelo privilégio que tiveram estes formandos neste dia de participar neste culto de gratidão por terem completado o curso de Medicina. A partir de agora eles serão médicos. Queiras abençoá-los. Que eles possam sempre, no uso de sua profissão, ser profissionais competentes, eficientes e eficazes ao tratar os pacientes nos consultórios, nos hospitais e em qualquer lugar onde forem chamados.
Senhor Deus, nós Te pedimos que a expressão da parábola “Cuida deste homem” seja sempre uma constante no labutar de cada dia ao tratar com seus pacientes.
Nós Te pedimos em nome de Jesus. Amém.


Hinos sugeridos: H.A. 304, 221, 315.


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de quatro livros: "Memórias da África", "História do Adventismo no Maranhão". "História e Culura Africanas" e "A Influência Africana na Cultura Brasileira". Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...