sábado, 25 de setembro de 2010

Podem os homens aferir Deus?

A publicação do mais recente livro de Stephen Hawking provocou que se levantassem, mais uma vez, os argumentos de ambos os lados da questão das origens: os que acreditam no relato bíblico e na veracidade total e literal da Palavra de Deus no que ao registo da criação diz respeito; e, aqueles que não atribuem qualquer crédito à Bíblia e defendem que tudo quanto tem vida e o que demais existe surgiu através de um processo evolutivo, no qual Deus é uma figura descartada.

Escuso de dizer-lhe que me posiciono, clara e inequivocamente, ao lado do primeiro grupo. No entanto, como não sou um físico, muito menos um cientista, tenho de confessar alguma dificuldade em elaborar por mim próprio muitas das razões que sustentam essa minha postura. Não sou capaz de explicar as evidências que existem no mundo animal que comprometem as teorias evolucionistas, nem tampouco debater a questão em termos técnicos. Por isso, leio o que alguns irmãos e autores bem mais capacitados escrevem a propósito.

Aquilo que tenho facilidade em perceber, é quando surge alguma nova descoberta, arqueológica ou de investigação, que comprova algum dado ou história apresentado pela Bíblia e que era tido, até então, como pouco provável ou impossível. E todos ficamos felizes, ao jeito da conclusão de Werner Keller, "e a Bíblia tinha razão".

Creio, ainda assim, que não podemos nem devemos arriscar o seguinte erro: colocar a veracidade dos relatos bíblicos em stand-by até que, na melhor oportunidade, eles sejam confirmados e sustentados por evidências externas ao texto bíblico, para, então sim, determiná-los como fatuais e verdadeiros.

Dou um exemplo para me fazer entender melhor.

Durante esta semana, foi divulgado um estudo científico demonstrando que, afinal, uma certa e determinada combinação eólica poderá ter mesmo criado as condições físicas para que o mar se abrisse ao meio e os milhares liderados por Moisés pudessem atravessar em terra firme.

Como disse antes, eu fiquei feliz por esta conclusão; feliz, mas não convencido - convencido já eu estava ao ler o texto bíblico que me informa que assim foi!

Além do fato deste tipo de notícias ser sempre apresentado como retirando valor à intervenção divina, o problema aqui é quando começamos a aferir a ação de Deus por parâmetros e medidas humanas - como se, apenas assumíssemos como certo e exato o que Deus disse na Bíblia, apenas e só depois de o comprovarmos pela sabedoria e razão que os homens são capazes de atingir.

Até porque, se hoje se comprova algum dado, em muitos outros casos continua-se a negá-los. Temos também o citado Stephen Hawking que quanto mais estuda mais parece inclinado para uma teoria que dispensa a figura divina de um Criador inteligente. E creio que não devemos recorrer demasiado à ciência quando ela capitula perante a Bíblia, para condená-la quando ainda não o faz (o que acontece na maioria das vezes...).

Naquele caso referido, a travessia do Mar Vermelho, os homens foram capazes de elaborar um cálculo matemático que, resolvido, explica de forma comprovável o fenómeno assombroso que é o gigantesco mar se separar em dois.

Mas será que precisamos disso para estarmos seguros da fidelidade da Bíblia? Se assim for, então deveremos também estar à espera que os génios matemáticos deste mundo nos escrevam um algoritmo ou uma equação que explique como é que física e cientificamente se definem:
a) um arbusto que arde e não se consome;
b) a transformação de varas de madeira em cobras;
c) a sobrevivência humana dentro de uma fornalha escaldante;
d) a multiplicação de pães e peixes;
e) em última instância, a ressurreição de mortos! (e etc.)

Veja bem: eu sei quando nasci e sei qual é o dia de hoje: logo, facilmente determino com um cálculo rigoroso o tempo que tenho de vida - mas poderá alguém fazer este tipo de cálculo em relação a Deus?

Outro caso: os engenheiros e artífices deste mundo, conseguem calcular magistralmente como erguer uma ponte de quilómetros entre as duas margem de um largo rio, e expõem os seus cálculos nas páginas dos projetos; e isso é algo verificável, comprovável e que funciona - mas poderá Alguém definir num projeto escrito como os elementos surgem do nada, simplesmente através da força da Palavra Eterna?

Se ficarmos apenas à espera da sabedoria humana para estas respostas, então a eternidade será pouco tempo...

Os homens definem matematicamente as suas ações porque elas são mensuráveis, definidas por um tempo e um espaço. Mas isso não acontece com o Ser Infinito, Aquele que não tem princípio nem fim! E quando tratamos das Suas ações, das Suas palavras, devemos ter a noção que estamos a tratar de Alguém que não pode ser explicado (nem as Suas ações) através de um cálculo matemático ou das leis da ciência conforme as conhecemos.

Tudo aquilo que vamos sabendo e comprovando pelo engenho humano, não é mais do que ir descobrindo como é que a Mão infalível e todo-poderosa levou a efeito os seus desígnios.

E para acreditar que Ele está no comando de tudo, eu não preciso de esperar a evidencia científica; quando chega, ela só vem explicar aquilo que eu já sabia ser verdade.

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em Março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Atualmente, é Colportor Evangelista da União Portuguesa. Em breve iniciará a formação em Teologia, para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final. Casado com Sofia, têm um bebé, Caleb Filipe, nascido em Junho de 2009.

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