domingo, 19 de setembro de 2010

De que povo és tu?

Texto: Jonas 1:6-8


Introdução:

A – O texto lido é uma série de perguntas que os marinheiros fizeram ao profeta fugitivo, Jonas:

1 – Por que nos veio este mal?
2 – Que ocupação é a tua?
3 – De onde vens?
4 – Qual é a tua terra?
5 – De que povo és tu?

B – É uma série de perguntas importantes e decisivas. Para considerar cada uma delas seria necessário fazer cinco sermões. Queremos considerar apenas a última das perguntas: “De que povo és tu?”.

1- Não querendo se identificar, Jonas, usando sub-reptício, respondeu: “Eu sou hebreu”.

a)Por que Jonas não disse: “Eu sou judeu” ou “Eu sou israelita”? Os hebreus eram os habitantes que abrangia toda a região. Dizendo assim, ele estava dizendo uma verdade, mas uma meia-verdade. Ninguém iria saber o lugar exato do seu nascimento. É a mesma coisa de um brasileiro dizer: “Eu sou americano”. Ora, todo brasileiro é do Continente americano, mas nem todo americano é brasileiro. Aliás, aconteceu comigo muitas vezes, quando morei em Moçambique – África. Muitas pessoas, em confusão, me chamavam de americano. Eu explicava-lhes o que é ser brasileiro e americano.

(1) Jonas estava certo. Dizia uma verdade, mas não estava traduzindo a sua nacionalidade. Saindo pela tangente, foi uma boa desculpa de Jonas, embora que ele não tenha negado que “temia ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra”.

C – Esta pergunta que há muitos séculos fora feita a Jonas é feita também a nós em pleno século XXI: De que povo és tu?

1 – Talvez você se sinta orgulhoso por ser brasileiro. Atualmente, com a crise econômica mundial que assolou o mundo, o Brasil está falando grosso e de nariz empinado. O otimismo está em todo lugar. Há, hoje, um slogan popular que diz: “O melhor do Brasil é o brasileiro”.

a) Quantos dos presentes se sentem felizes por serem brasileiros? Levantem a mão.
b) Vendo as coisas pelo lado positivo, é um privilégio ter nascido no Brasil, um país tão bom, onde reina a paz, democracia e plena liberdade religiosa...
c) Se você não fosse brasileiro, que nacionalidade gostaria de ter?
d) Poema de Olavo Bilac: “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste, porque não verás nenhum país como este”. Você acha que Bilac exagerou?

I – DE QUE POVO ÉS TU?

A – Segundo os historiadores, que especifica um povo?

1 – O lugar onde mora – Topografia.
2 – A língua que esse povo fala - Vernáculo.

a) Existem países que falam mais de uma língua. Por exemplo, na Suíça falam-se várias línguas e no Canadá falam-se duas línguas diferentes: inglês e francês. Na África, todos os países falam mais de uma língua: as nativas e a língua dos colonizadores. Na Nigéria, por exemplo, falam-se a língua do colonizador e mais de 256 línguas e dialetos diferentes. Que Babel!

3 – Um povo é também especificado pela sua cultura: suas tradições, costumes, festas, modo de viver, religião, etc.

II – OUTRA ESPÉCIE DE POVO: ESPIRITUAL

A – Do ponto de vista espiritual, a pergunta feita a Jonas persiste: “De que povo és tu?”

1 – Deuteronômio 26:18 – Um povo peculiar: “E o Senhor hoje te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos”.
2 – Levíticos 26: 12 – Meu Povo – “Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”.

B – A herança do povo de Israel.

II – ISRAEL, POVO DE DEUS – “Abençoá-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei e ela se tornará nações; rei de povos procederá dela.” (Gênesis 17:16).

A – A promessa foi feita diretamente a Abraão, e passada ao povo de Israel, povo peculiar de Deus, nação santa, povo escolhido e herança do Senhor.

1 – De Abraão a benção passou para Isaque, e depois a Jacó, e depois a seus 12 filhos.
2 – Deus acompanhou seus filhos ao Egito e na peregrinação no deserto da terra de Canaã.
3 – Os privilégios:
a) Em Deuteronômio 7:6 – Israel é chamado Povo Santo.
b) Em Deut. 7:14 – Diz de Israel: “Bendito serás mais que todos os povos”.
c) Deut. 7: 16 – Deus diz: “Consumirás a todos os povos”.
d) Deut. 9: 24 – Moisés afirma: “Todavia, são eles teu povo e tua herança”.
e) Em todo o Antigo Testamento, Israel é chamado de “Povo do Senhor”.

(1)De modo particular em II Crônicas 7:14 o povo israelita é chamado de “O Meu Povo que se chama pelo Meu Nome”.

4 – A responsabilidade:

a) Ser Israel o povo de Deus era, na verdade, grande privilégio, mas também tremenda responsabilidade.

(1) Todos os povos iriam olhar para Israel, observando-lhe o procedimento e os feitos.
(2) Do seu testemunho e da sua fidelidade ao Senhor dependeria em grande parte a glória de Deus.

b) E Israel apostatou... Que tristeza!

III – A APOSTASIA DE ISRAEL

A – Após a morte do grande rei, o povo andou por caminhos tortuosos e sombrios.

1 – Os reinados de Saul, Davi e Salomão juntos duraram 120 anos.
2 – Aqueles que estudam a Teologia Histórica sabem que qualquer movimento religioso começa a declinar a partir da terceira geração.

a) Após os 100 anos os problemas começam a aparecer.

a) Após a morte do rei Salomão, o reino se dividiu.
b) Houve brigas, intigras, competições e rivalidades sacudiram a grande nação, levando o povo de Deus à infidelidade.
c) O reinado se pariu em dois:

(1) Reino do norte chamado reino de Israel, com a capital em Samaria, na Galiléia, sob s liderança de Jeroboão.
(2) O reino do sul, chamado reino de Judá, com a capital em Jerusalém, na Judéia, sob o reinado de Roboão.
(3) A Sra. White comentando sobre este triste fato, diz que quando o reino se dividiu, Satanás bateu palmas.
4 – A apostasia destruiu o povo de Deus.

a) O povo se entregou aos ídolos e à imoralidade. O povo judeu passou a adorar a todos os deuses – de pau e de pedra – Tudo se tornou um deus, exceto o verdadeiro Deus.
b) Trocaram a Deus por Baal, por Dagon, Astarote ...
c) O povo de Deus afastou-se dEle, tornando-se um povo de dura cerviz.

5 – Deus mandou-lhes os profetas, tais como:
- Elias – Destruíu os altares de Baal, construídos por Jezabel.
- Isaías – Foi assassinado. Foi morto serrado ao meio, por ordem do rei Manassés.
- Jeremias – Perseguido, clamava chorava, em favor do povo.
- E dezenas de outros profetas, que exprobaram os pecados do povo e apontaram o caminho do Senhor.
a) Por Isaías Deus disse: “O meu povo não entende”.
b) Por Oséias afirmou: “LO-AMI” que significa: “Não é mais meu Povo”.

6 – E o castigo veio.
a) O reino do norte encheu o cálice da ira de Deus.
(1) O Senhor trouxe sobre o reino de Israel a espada da Assíria, espalhando o reino por entre as nações pagãs.
b) Um pouco mais de um século foi a vez do reino do sul – O reino de Judá.
(1) A espada dos caldeus levou Judá para o cativeiro da Babilônia.
(2) Na linguagem de Isaías, apenas um pouco voltaria, após 70 anos de cativeiro, para continuar a ser o povo de Deus, e assim aconteceu.

IV – O Libertador de Israel – “E dará a luz a um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos pecados deles” ( Mateus 1:21).

A – Vindo a plenitude dos tempos Deus enviou o seu próprio filho para libertar o seu povo.

B- “Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam”.

1 – Ele foi rejeitado pelos judeus.
2 – Crucificaram-no.
3 – Não aceitaram a salvação.

C – Foi a partir daí que a salvação passou aos gentios.

1 - Atos 28:27 : “Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. Eles a ouvirão.”
2 - Atos 15:14: - “Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para seu nome”.

D – Agora, qualquer um que aceitar Jesus Cristo como salvador e Senhor de sua vida, pode fazer parte do povo de Deus.

1 – Qualquer um, repito, independente de:

a) Sua nacionalidade
b) Sua raça
c) Sua cor da pele
d) Seu status social: rico ou pobre; douto ou ignorante.

2 – Deus escolheu os gentios para fazer deles um grande povo. Você e eu fazemos parte desse povo.

a) Somos povo do Senhor.
b) Fomos comprados pelo Seu precioso sangue.

V – A IGREJA CRISTÃ, ISRAEL ESPIRITUAL

A – I Pedro 2:9 e 10 : “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado a misericórdia, mas agora alcançastes a misericórdia.”

1 – Que grande privilégio temos! Somos o povo do Senhor!

a) Todo privilégio é acompanhado de uma grande responsabilidade.

2 – Você agora é filho de Deus e irmão de Jesus.
3 – Você pertence agora ao grande rei.

a) Irmãos, se somos filho de rei, temos que nos portar como um filhos de rei.

(1) Como se portam e se comportam um filho de um rei? Eles sabem que estão sempre sendo observados...

B – Um povo com uma linguagem universal.

1 – Seja ele japonês, alemão, italiano, americano, brasileiro,... falam uma linguagem universal.

a) Falam a linguagem de Cristo – “Qual a razão por que não entendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (São João 8:43).

1) Como brasileiros, falamos o português e como cristãos devemos falar a linguagem de Cristo.

2 – Os apóstolos usavam a palavra MARANATA (O Senhor vem!)

C – A nossa língua identifica a que povo pertencemos.

1 – Ilustração: O Meu caso quando morei em Moçambique – África. Era conhecido quando falava. Quando abria a boca, todos já diziam: “Você é brasileiro”. Eu não podia esconder a minha nacionalidade.
2 – Este foi também um exemplo vivo na vida de Pedro.

a) Pedro negou a Cristo – “Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia” (Mateus 26:69-73).

Ilustração: O rei que mandou o criado comprar e fazer o melhor prato. Ele preparou uma língua. No dia seguinte, pediu que ele preparasse o pior prato. O criado preparou uma língua novamente. O rei quis saber se ele havia ficado louco. Concluiu: A língua é tão boa quanto ruim...

Aplicação homilética – Assim é a língua. Com ela pode-se fazer as duas coisas: o bem ou o mal.

“Como maças de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Prov. 25:11).
“Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasa tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros do nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno” (Tiago 3: 5 e 6).

b) Compete-nos dar sempre um bom exemplo de um cristão.

Ilustração: Dizem que Mahatma Gandhi (1869-1948) aceitou a Jesus Cristo, mas nunca aceitou o cristianismo. Certa vez ele disse: “Se os cristãos vivessem a vida de Cristo, em pouco tempo a Índia seguiria o Salvador”. Em outra ocasião ele disse: “Eu não sou cristão por causa dos cristãos”.

Ilustração: O famoso pintor Gustave Doré , fazendo uma viagem fora de seu país, esqueceu-se de seu passaporte. Foi detido pelos guardas na Alfândega. Disse: “Eu sou Doré”. “Como o senhor pode provar que é Doré?”- Perguntou o guarda. Ele abriu a sua mala, tirou uma tela, tinta e pincel. Pintou um belo quadro. Foi absolvido.

Aplicação homilética: Os nossos atos provam quem somos. Se somos cristãos genuínos ou não.

CONCLUSÃO:

A – Como tem sido o nosso exemplo?

B – Será que os outros têm visto Jesus em você, pela sua maneira de ser, de proceder, de falar?

C – “De que povo és tu? Foi a pergunta que os marinheiros fizeram a Jonas.

1 – Jonas, com vergonha e com medo, disse: “Eu sou hebreu”.
2 – Depois aconteceu ao acidente e o milagre em sua vida. Ele foi a Nínive e proclamou a mensagem de Deus.

D – Que todos possam olhar para nós e dizer: “Este pertence ao povo de Deus - é um cristão!”

Oração: Nosso Pai amado, damos-te graças pelo Teu amor e pelo privilégio de hoje de pertencermos ao Teu povo, porque fomos comprado pelo precioso sangue de Jesus. Estamos conscientes de que ser chamado pelo Teu nome é grande privilégio, mas que nunca nos esqueçamos da tremenda responsabilidade de não manchar o Teu sagrado nome. Nós Te rogamos em nome de Jesus. Amém!

Hinos sugeridos: H.A.- 12, 304.


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.    

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