segunda-feira, 1 de março de 2010

Lições de Pedra


Pedro foi um dos discípulos mais íntimos de Jesus, e talvez o mais famoso dentre os escolhidos de Cristo. Seu nome era originalmente, Simão (ou Simeão, que significa “ouvido”), um nome judaico muito comum na sua época.

Era filho de Jonas (Mt 16:17) e a sua mãe não é mencionada nas Escrituras. Seu irmão mais novo se chamava André, que foi quem primeiro o levou a Jesus (Jo 1:40-42). Era natural de Betsaida, cidade situada na costa ocidental do Mar da Galileia. Foi educado ali junto às margens do Mar da Galileia e foi-lhe ensinado o ofício de pescador. É provável que o seu pai tivesse morrido quando ele era ainda jovem, tendo Zebedeu e a sua mulher Salomé tomado conta dele (Mt 27:56; Mc 15:40; Mc 16:1).

Nesta região passaram Simão, André, Tiago e João a sua meninice e juventude na companhia uns dos outros. Simão e o seu irmão gozaram de todas as vantagens de uma boa educação religiosa, tendo sido precocemente instruídos no conhecimento das Escrituras e das profecias relacionadas com a vinda do Messias. É provável, contudo, que não tivessem tido qualquer instrução especial no que dizia respeito à lei sob a tutela de qualquer um dos rabis. Quando Pedro foi levado perante o Sinédrio, foi visto como um “homem sem letras e indouto” (At 4:13).

Mas um dia Simão foi chamado por Jesus de Pedro, que significa “pedra” (Mt. 16:18). Neste sermão vamos aprender algumas “lições de pedra”, não só porque serão tiradas da vida de “Pedro”, mas porque são eternas como as pedras.

I. Uma Pedra Ativa

Para entendermos a impetuosidade deste discípulo precisamos conhecer sua história. Pedro era galileu e era-o de alma e coração. Os galileus tinham um caráter muito próprio. Tinham a reputação de serem independentes e enérgicos, o que, por vezes, os fazia parecerem turbulentos. Eram muito mais francos e transparentes do que os seus irmãos do sul. Relativamente a todos estes aspectos - franqueza, impetuosidade, arrebatamento e simplicidade - Simão era um galileu genuíno.

Pedro era ativo e agia muito rápido, às vezes sem pensar muito! Quando Jesus andou sobre o mar, ele pediu para andar também, e foi o único a ter essa experiência! Quando Jesus estava sendo preso, foi Pedro o único que agiu tentando ajudar Jesus, nesta ocasião ela corta a orelha do soldado com uma espada. Foi repreendido por Jesus, mas sua coragem impressiona. Se prestar atenção Pedro participa muito ativamente do ministério de Jesus aqui na Terra, ele estava em todas as ocasiões, mesmo quando era para dar vexame, quando por exemplo, ele nega a Jesus durante o Seu julgamento! Onde estavam os outros? Exceto João, é bem provável que os outros discípulos se estivessem na situação de Pedro o negariam também, na verdade o negaram, pois fugiram e se esconderam, só Pedro teve a coragem de aparecer!

Se olharmos as histórias de Pedro vamos ver que ele cometeu muitos erros, mas ele agia! Deus usa pessoas ativas, e prefere que erremos tentando acertar, que fiquemos na inatividade. Leia com atenção e admire-se deste texto inspirado:

“Muita demora fatiga os anjos. É mesmo mais desculpável tomar uma decisão errada, às vezes, do que ficar sempre a vacilar, hesitando ora para uma, ora para outra direção. Maior perplexidade e mal resultam de hesitar e duvidar assim, do que de agir às vezes muito apressadamente” Obreiros Evangélicos, 134.

Deus precisa de pessoas ativas na sua obra! Homens e mulheres que têm o sobrenome “ação”. Ativos na igreja, no lar, na vizinhança e em todos os lugares onde o nome de Deus precisa ser exaltado!

Ser ativo não significa falar muito ou sempre aparecer, é muito mais, é deixar a passividade e usar seus dons (quaisquer que sejam) para o engrandecimento da obra de Cristo.

II. Uma Pedra Humilde

Um dia Simão, André, Tiago e João tinham tido uma fraca noite de pesca. Jesus apareceu de repente e, subindo para o barco de Simão, ordenou-lhe que lançasse as redes. Ele assim o fez, apanhando muitos peixes. Foi um milagre feito perante Simão. O aterrado discípulo lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador” (Lc 5:8).

Pedro era impetuoso, mas também era humilde para reconhecer suas fraquezas! Foi isso que o diferenciou de Judas. Tanto um como o outro negaram a Jesus. Pedro poderia ter o mesmo fim de Judas, mas sua humildade sobressaiu e ele pode ser reintegrado ao seu chamado.

No episódio quando Pedro andou sobre as águas com Jesus, na hora que ele estava se afogando teve a humildade de clamar a Cristo: “Senhor, Salva-me!”. Mt. 14:30

J. Arndt assim especificou os degraus da humildade:

l – Considerar-se, no coração, menor que os outros.
2 – Não julgar a ninguém, mas sempre olhar primeiro por si mesmo.
3 – Fugir às honrarias mundanas. Nada há tão perigoso como buscar honras.
4 – Ter prazer em lidar com gente humilde.
5 – Ser obediente, com voluntariedade e prazer, especialmente em relação a Deus.
6 – Tolerar toda nova humilhação.

Deus usa com maior força pessoas humildes como Pedro, que têm coragem de assumir seus erros. O orgulho é um dos maiores obstáculos que Deus pode enfrentar para atingir o coração de alguém, e é o maior empecilho para fazer dos cristãos pescadores de homens.

III. Uma Pedra Arrependida

Pedro esteve na companhia de João na manhã da ressurreição. Entrou corajosamente no túmulo vazio (Jo 20:1-10) e “viu os lençóis ali postos” (Lc 24:9-12). A ele, o primeiro dos apóstolos, o Senhor ressuscitado se revelou, conferindo-lhe, assim, um sinal da sua honra e mostrando-lhe o quão completamente ele fora reintegrado no Seu favor (Lc 24:34; 1Co 15:5). Lemos depois a singular entrevista que o Senhor manteve com Pedro junto ao Mar da Galileia, onde lhe perguntou três vezes: “Simão, filho de Jonas, amas-me?” (Jo 21:1-19).

Nesta ocasião vemos um Pedro arrependido, disposto a recomeçar! Esse atributo é o selo dos verdadeiros cristãos! Todos os seres humanos são pecadores, a grande diferença está no arrependimento, e não na quantidade de pecados! Se comparar Davi e Saul vai notar que os dois cometeram grandes pecados! Talvez alguns até julgassem Davi mais pecador, pois adulterou e matou um dos seus melhores homens, Urias, para ficar com sua esposa. Mas o segredo de Davi foi o arrependimento. Foi esse o segredo de Pedro também.

Esse texto nos dá uma dimensão interessante sobre o outro lado do arrependimento:

Você nunca se arrependerá:

- De ter refreado a língua quando você ia dizer o que não convinha, ou não era certo.
- De ter perdoado a quem lhe fez mal.
- De ter cumprido a tempo uma promessa.
- De ter sofrido com paciência as injustiças de seus companheiros, e, talvez, dos de sua casa.
- De ter dirigido palavras bondosos aos pobres, tristes e aflitos.
- De ter simpatizado com os oprimidos.
- De ter pedido perdão por uma falta cometida.
- De ter recusado ouvir contos inconvenientes e deixar de ler livros da mesma natureza.
- De ter acolhido com prazer leituras, pensamentos e discursos edificantes.
- De ter refletido sobre o que vai dizer, antes de falar.
- De ter sido honrado em tudo e com todos.
Porque assim procedendo você se tornará "o exemplo dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza."

E você, possui esta virtude?! Saiba que sem arrependimento ninguém será salvo!

IV. Uma Pedra Missionária

Pedro foi chamado para ser “pescador de homens” (Mt 4:19). Depois que Jesus morreu e ressuscitou inicia-se a grande obra de Pedro. Após o milagre à porta do templo (At 3), surge a perseguição contra os crentes e Pedro é preso. Defende-se corajosamente a si e aos seus companheiros no Conselho (At 4:19, 20). Uma nova onda de violência contra os cristãos (At 5:17-21) leva todo o corpo de apóstolos para a prisão; mas, durante a noite, são maravilhosamente salvos e são vistos de manhã a pregar no templo. Mais uma vez, Pedro os defendeu perante o Conselho (At 5:29-32) que, “chamando os apóstolos e tendo-os açoitado, os deixou ir”.

Chegara o momento em que Pedro deveria sair de Jerusalém. Após algum tempo em Samaria, ele volta a Jerusalém e relata à igreja que aí está estabelecido os resultados do seu trabalho (At 8:14-25). Aí permanece durante algum tempo e conhece Paulo pela primeira vez após a sua conversão (At 9:26-30; Gl 1:18). Deixa novamente Jerusalém e parte para uma viagem missionária em Lidia e Jope (At 9:32-43). É depois chamado a abrir a porta da igreja cristã aos gentios, através da admissão de Cornélio de Cesaréia (At 10).

Pedro se tornou um dos grandes missionários, aos judeus e também aos gentios! Uma pedra de valor nas mãos de Deus deve ser missionária! Deus tem prazer em salvar, e a maior prova de que alguém está salvo é a vontade de salvar a outros, ou seja, passa a ter o mesmo prazer de salvar que Deus tem!

Rowland Hill, em cujo coração ardia um amor intenso pelas almas, e a quem os homens às vezes chamavam de louco, disse:

"Certa vez, quando passava por uma estrada, vi a um homem trabalhar no fundo de uma cova de cascalho. De repente, o barranco desabou e o enterrou vivo. Eu corri depressa em seu auxílio, e também chamei por socorro, que então veio da cidade, a mais ou menos uma milha distante. Nessa ocasião ninguém me chamou de louco”.

“Mas, quando vejo que a destruição está sobrevindo aos pecadores e os cobrirá com o barranco da desgraça, exclamo, advertindo-os do seu iminente perigo e animo-os a escapar, dizem que estou fora de mim. Talvez esteja, mas anelo que todos os filhos de Deus possuam o mesmo desejo que tenho de salvar seus companheiros." (Soul Winning, pág. 51).

Quantas lições “desta pedra” conhecida como Pedro! Mas a Pedra angular na qual estamos firmados é Jesus, e é Ele o único salvador.

Na vida de Pedro podemos nos identificar e observar como Deus usa pedras imperfeitas como nós, e as lições mais importantes deste discípulo são: atividade, humildade, arrependimento e capacidade missionária. Esses ingredientes são a receita para uma vida cristã saldável e digna de honra.

Seja você também uma pedra nas mãos de Jesus, onde Ele irá lapidar e fazer de você um “pedra” de valor, mas lembre-se:

“As provações da vida são obreiras de Deus, para remover de nosso caráter impurezas e arestas. Penoso é o processo de cortar, desbastar, aparelhar, lustrar, polir; é molesto estar, por força, sob a ação da pedra de polimento. Mas a pedra é depois apresentada pronta para ocupar seu lugar no templo celestial. O Mestre não efetua trabalho assim cuidadoso e completo com material imprestável. Só as Suas pedras preciosas são polidas, como colunas de um palácio”. (Beneficêcia Social, 20)

PR. YURI RAVEM

Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Pelotas - RS Casado com Andressa, mestre em educação.
Editor Associado do Blog Nisto Cremos

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