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domingo, 27 de setembro de 2009

Quando será a volta de Jesus?

A segunda epístola de Pedro profetiza que ‘nos últimos dias virão escarnecedores (…) dizendo: onde está a promessa da Sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação’ (II Pedro 3:4). Apesar disso, nós Adventistas do Sétimo Dia não nos cansamos de anunciar que sim, Jesus voltará e este mundo acabará.

Então, surge a pergunta: quando será o fim do mundo e a volta de Jesus?

Ainda que não tenhamos uma data precisa (veja Mateus 24:36), nem devamos procurá-la, somos tentados a ver em certos eventos, particularmente os de escala mundial e religiosa, um alerta da proximidade desse dia.

Creio que, sempre sem vinculações de data, fazemos bem em agir assim. Permite-nos estar atentos e focados naquilo que mais importa - vigiando, segundo a ordem bíblica -, ao mesmo tempo que devemos evitar alarmismos sensacionalistas e excessivos, que logo se provem infundados.

Um dos acontecimentos ou tendências mundiais que muito tem chamado a nossa atenção como Adventistas – mais pelo que daí surgirá do que pelo elemento em si – é a atual crise económica mundial. Avisados que o fim chegará ‘de repente’, ‘num abrir e fechar de olhos’, não ficamos indiferentes ao fato desta crise ter sido despoletada em tão curto espaço de tempo. Por isso, renovamos a questão: será agora que se dará o fim e Jesus voltará?

Veja que a crise económica afeta o mundo (quase) inteiro. Logo, se for este evento que precipitará o fim da história da Terra, deveríamos encontrar evidências bíblicas que Jesus voltará quando houver graves problemas financeiro-económicos e até sociais. Mas, o que encontramos é exatamente o contrário!

A propósito do dia da volta de Jesus, Paulo advertiu que chegaria como ‘o ladrão de noite’, querendo dizer, de surpresa (note bem: o que chegará de supresa, às escondidas como um ladrão é o dia, não Jesus!). E logo de seguida, especifica as condições do mundo, melhor dizendo, dos discursos oficiais do mundo, nesse momento: ‘pois que, quando disserem: há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição…’ (I Tessalonicenses 5:3).

Ou seja, o mundo terminará não quando houver um período de crise, mas sim de tranquilidade e prosperidade (ainda que aparentes) em termos sociais – dir-se-á que haverá paz, esse bem há séculos procurado pela humanidade e nunca antes encontrado!

Além deste dado, temos outras indicações precisas acerca de como estará o mundo no dia da volta de Jesus? Resposta: sim, temos. Leia esta profecia deixada por Jesus.

‘E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar’ (Lucas 17:26-30).

O próprio texto responde à pergunta de como eram os dias de Noé e Ló: os homens usavam de uma libertinagem, luxúria, intemperança e ganância altamente ofensivas aos olhos de Deus e Seu propósito inicial para a raça humana.

Quer mais algumas indicações de como eram os dias do constutor da arca? Leia estes excertos do livro ‘Patriarcas e Profetas’ de Ellen White.

‘A poligamia fora logo introduzida, contrária às disposições divinas dadas ao princípio’ (p. 91).

‘Nem a relação de casamentos nem os direitos de propriedade eram respeitados. Quem quer que cobiçasse as mulheres ou as posses de seu próximo, tomava-as pela força e os homens exultavam com as suas ações de violência’ (p. 92).

‘Deleitavam-se na destruição da vida de animais: e o uso da carne tornava-os mais cruéis e sanguinolentos, até que vieram a considerar a vida humana com espantosa indiferença’ (p. 92).

E em relação ao fugitivo de Sodoma? Leiamos a partir do mesmo livro atrás citado.

‘A profusão que reinava por toda a parte deu origem ao luxo e ao orgulho. (…) O amor ao prazer era favorecido pela riqueza e lazer, e o povo entregou-se à satisfação sensual. (…) Sua vida inútil, ociosa, tornou-os presas das tentações de Satanás e desfiguraram a imagem de Deus, tornando-se satânicos em vez de divinos’ (p. 156).

No relato que a Sagrada Escritura faz da visita de dois enviados do céu à casa de Ló, em Sodoma, lemos que os vizinhos dele, mostraram desejo de saber quem eram os convidados nos seguintes termos: ‘onde estão os varões que a ti vieram esta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos’ (Génesis 19:5).

A este propósito, diz o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia: ‘aí, a impiedade dos homens de Sodoma ficou claramente demonstrada. Havia-se espalhado rapidamente a notícia da chagada de forasteiros. Os homens da cidade rapidamente rodearam a casa de Ló, pretendendo violar o direito oriental da hospitalidade, a fim de satisfazer as suas concupiscências anti-naturais. Quanto ao significado de ‘os conheçamos’ (ver Génesis 4:1), o termos aqui refere-se à abominável e imoral prática que Paulo descreve em Romanos 1:27, conhecida como sodomia’.

Romanos 1:27 diz: ‘e, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro’.

A degradação humana tinha descido a um patamar tão baixo que eles escandalosamente tentaram violar sexualmente os enviados do céu!!!

Faça o rápido exercício de avaliar as atuais condições humanas para concluir que não estamos muito longe deste lastimoso e vergonhoso estado de coisas. E deixo-lhe uma pista: verifique como os Estados Unidos da América, país líder mundial na implementação de hábitos e costumes, lentamente, estado a estado, estão a ceder na aprovação de casamentos homossexuais...

Em relação às outras evidências bíblicas já apresentadas (comida, bebida, negócios e comércio, etc.), facilmente o leitor se aperceberá como o homem, cada vez mais, vive essencialmente para os prazeres terrenos, valorizando mais o que é material do que o que é humano.

Pense neste paralelismo total: quanto ao comer e beber - sendo que, na essência isso é bom; o exagero da glutonaria é que o torna errado - relembre-se de Belshazar, em Daniel 5: mesmo avisado por uma mão misteriosa, preferiu, ele e os seus mil convidados na faustosa ocasião, continuar a gozar do vinho na companhia de mulheres e concubinas… Resultado: devido à sua soberba, lascívia e intemperança e desobediência, a sua vida não passou daquela mesma noite…

Recuperando a ideia inicial, digo que ainda que a crise económica seja um fator mundial importantíssimo o qual não podemos passar por alto, pois provoca apreensão e até sofrimento, quer entre o vulgar cidadão ou o proeminente governante, a Bíblia é muito clara em afirmar que, ao contrário, no último dia da Terra, quando Jesus voltar, as pessoas pensarão que tudo estará bem seguro e uma vida excelente poderá ser gozada adiante.

No entanto, o estado ético e moral de acordo com o princípio divino é que nos dá uma indicação precisa de como estará o mundo nesse grande e glorioso dia, e, naturalmente, nos que lhe são imediatamente antecedidos!

Como qualquer um de nós pode facilmente constatar, caminhamos a passos bem largos para esse momento...

Finalizando, ainda que a data esteja escondida aos homens e anjos, há um acontecimento específico que determinará o fim do mundo e a volta de Jesus. Leia as seguintes palavras de Jesus que disso dão prova.

'E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim' (Mateus 24:14).

Por incrível que pareça, a data específica do mais importante dia que está para chegar, depende de mim e de você; muito mais, do que de crises financeiras ou estados morais da sociedade...

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Em breve iniciará a formação em Teologia no Colégio Adventista de Sagunto (Espanha), para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final

sábado, 26 de setembro de 2009

O Homem que quer o bem, mas faz o mal

Vamos falar de mais um contraste da epístola aos Romanos. Trata-se de um homem que deseja acertar, mas sempre erra. Quem é este homem? De quem Paulo está falando? Há muita controvérsia entre teólogos sobre a identidade do homem de Rom. 7.


O grande clímax de Rom 5:20 apresenta duas objeções: "Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça." A 2ª objeção foi analisada em 1º lugar no capítulo 6; e a 1ª objeção será agora analisada, em 2º lugar, no cap. 7. Você notou que ele inverteu a posição das respostas, porque ele tinha que estabelecer as verdades do cap. 6, antes que pudéssemos entender o cap. 7. Ambos os capítulos estão intimamente relacionados. De fato, não podemos entender plenamente o cap. 7, sem antes estudarmos o cap. 6.

Perguntaram a um famoso pregador e teólogo inglês por que ele não pregava sobre Romanos. A resposta dele foi muito sábia. Ele disse: "Quando eu entender o capítulo 6, eu estarei preparado para pregar em Romanos!" Esta é a realidade: sem entender o capítulo 6, não podemos compreender o capítulo 7. Não podemos pregá-lo sem conhecer o seu conteúdo e significado, sem cair em erro. Mas aqui se encontra a maior revelação sobre o homem e o pecado, em toda a Bíblia. Não prometo que será um assunto fácil. Mas o resultado compensa a dificuldade.

Qual é o seu assunto? Paulo vai tratar do lugar da lei. Ele falou tanto que o homem é justificado pela fé, e isso independente da lei e das suas obras, que poderiam surgir algumas dúvidas referentes à lei: Porventura Paulo está diminuindo a importância da lei? Estaria ele dizendo que a lei não tem significado, não tem importância? Estaria ele querendo dizer que a lei foi colocada de lado, em plano secundário? Qual é a importância, qual é o lugar, a posição exata da lei?

I – O DOMÍNIO DA LEI (7:1-6)

Tendo esta visão geral, vamos estudar em Romanos 7, e começando no V. 1: "Porventura ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida?" Esta é a sua 1ª proposição: "A lei tem domínio sobre o homem durante toda a sua vida, (mas não depois dela)."

E ele passa agora às provas, conforme o seu costume inalterável. Este é o seu método infalível: primeiro ele estabelece um ponto, dá a sua proposição, a sua tese; logo a seguir, ele passa às provas. Compreender isto é fundamental para entendermos as mensagens do apóstolo Paulo.

A lei tem as suas limitações. Ele prova essa tese pela instituição do casamento. Vs. 2-3: "Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias." Ou seja, pela lei do casamento, a esposa está ligada ao marido por toda a sua vida, mas não depois disso. Na morte dele, a esposa está livre da lei. Não será condenada, e está livre para casar com "outro homem".

Ora, não foi isto o que aconteceu conosco, em relação a Cristo? Paulo completa, no V. 4: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, Aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus."

O que significam estas palavras? Vamos entender a analogia do casamento. Alguns estudiosos dizem que estávamos casados com a lei, que o casamento é entre o cristão e a lei. Mas a Bíblia nunca ensinou isso. O contexto do cap. 7 está baseado no cap. 6, e portanto, não podemos esquecer esse capítulo em nossa interpretação do cap. 7. É o método da antecipação, como Paulo sempre faz.

Quem é a mulher? A mulher casada representa a Igreja, que somos nós. A lei conjugal é a lei dos Dez mandamentos (7:7). Quem é o marido? O marido representa o "nosso velho homem", com quem estávamos unidos, "casados". Mas o "nosso velho homem", Adão em nós, morreu na cruz de Cristo, sendo crucificado (Rom. 6:6), e assim ficamos livres da "lei conjugal" para casarmos com outro homem (7:4), "o novo homem" que é Jesus Cristo, "Aquele que ressuscitou dentre os mortos", e agora pertencemos a Ele, pela fé.

Este é o mais estupendo fato com respeito ao nosso relacionamento com Jesus Cristo: nós estamos unidos, "casados" com Ele, num estreito relacionamento, numa união ímpar, em íntima ligação com o nosso Salvador. Poderia haver algo mais? Estamos livres da lei porque estamos relacionados a Jesus. A lei não pode mais nos condenar. Este é o grande fato que deve emocionar a cada cristão.

Mas qual é o resultado de um casamento? O que se espera logo de um casamento? Filhos. Esses são os frutos. E os frutos na vida do cristão são os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gál. 5:22-23). Esses são os frutos que vão produzir a conversão de pecadores, que se transformarão em outros filhos de Deus. E assim como a videira está nas varas e as varas estão na videira, produzindo frutos, quando nós estamos casados, unidos a Jesus Cristo, unidos pela fé, nós vamos produzir frutos.

Mas, por que vamos dar frutos? Porque é impossível ser diferente. V. 5: "Porque quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte." Paulo disse aí que é impossível viver sem dar frutos: ou frutificamos para a vida, ou para a morte. Se antes "as paixões pecaminosas operavam em nossos membros", o que deve acontecer com o cristão? As "paixões santas" também vão operar em nossas faculdades físicas, mentais e espirituais.

O que são paixões? Todos conhecemos o seu significado. São desejos fortes, fortes inclinações, tendências para o bem ou para o mal. Mas paixões não são pecado. Deus criou a Adão com muitas paixões, mas todas elas eram santificadas e controladas. Mas quando o pecado foi introduzido, as paixões naturais se tornaram corrompidas e pecaminosas. Então, a lei (dada antes do pecado), pôs em relevo a pecaminosidade das paixões praticadas pelo homem.

Então, o apóstolo chega ao clímax desta seção, dizendo: V. 6: "Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito" – agora a nossa vida é nova porque nós servimos "em novidade de espírito e não na velhice da letra." O novo está em contraste com o velho; "velhice da letra" significa a nossa antiga tentativa de guardar a lei para nos salvarmos. Mas agora se nós estamos libertos da condenação da lei, podemos viver em novidade de vida, pelo poder do Espírito Santo. Unidos a Cristo, podemos frutificar servindo não pela "letra da lei", como legalistas, mas conforme o Espírito em novidade de vida (V. 6).

Desse modo, se no cap. 6 Paulo disse que "o pecado não terá domínio sobre vós" (Rom. 6:14), aqui no cap. 7, ele disse que a lei não tem mais domínio sobre nós (7:1). Por quê? Porque a lei não tem mais domínio após à morte. Ora, o capítulo 6 provou que nós estamos legalmente mortos. Em consequência, a lei não tem mais domínio sobre nós. Estamos "libertos da lei" (7:6): ela não pode mais nos condenar. No cap. 6, nós fomos legalmente mortos para o pecado (6:2); no cap. 7, nós fomos legalmente mortos para a lei (7:6). Portanto, a nossa união com Cristo é legitima, e judicialmente legal.

II – A FUNÇÃO DA LEI (7:7-13)

Mas Paulo imagina alguém que poderia objetar ao chegar no seu clímax; alguém poderia dizer: "Mas Paulo, se a lei põe em realce as paixões pecaminosas, então, você está dizendo que a lei é pecado!" diria alguém que raciocina, um bom judeu, um bom fariseu, ou um legalista de nossa igreja: "Não posso concordar, porque você está dizendo que a lei promove o pecado, a lei põe em realce o pecado, as paixões pecaminosas. Portanto, você está dizendo que a lei é a mesma coisa que pecado."

Paulo responde a esta objeção, fazendo uma pergunta que ele mesmo responde enfaticamente, dizendo no V. 7: "É a lei pecado? Não, de maneira nenhuma!"; uma coisa é lei, outra coisa é pecado. Há uma diferença marcante entre lei e pecado; não vamos confundir os termos.

O que faz a lei? Há um objetivo na lei, porque "eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; " Há um propósito na lei que é tornar o pecado conhecido, é colocar o pecado em evidência.

Portanto, esta é a 2ª proposição: "A lei revela o conhecimento do pecado." E Paulo, pela primeira vez nesse capítulo tão famoso, introduz a palavra "eu", contando a sua própria experiência. Ele diz: "Eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei, pois eu não teria conhecido a cobiça se a lei não dissera: Não cobiçarás.." Paulo não conhecia o verdadeiro significado da lei, até que se confrontou com o 10º mandamento, que revelou o pecado da cobiça, que é a base de todos os outros pecados. A lei não pode justificar. Só pode mostrar o pecado. A lei revela o pleno conhecimento do pecado (3:20).

Mas o que faz o pecado? V. 8: "Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência." Ora, se a lei revela o pecado, o pecado revela mais pecado ainda, através da própria lei. Portanto, o problema é o pecado, não é a lei.

Hoje se pode constatar como a publicidade de crimes está enchendo o mundo de mais crimes. Dê uma grande ênfase de como os pais lançaram uma criança pela janela abaixo, e na outra semana, virão outros pais lançando outras crianças pela janela, ou maridos jogando a esposa escada abaixo, ou jovens matando as namoradas. O pecado, o crime, a violência e a cobiça atraem mais pecado ainda. A aprendizagem é instantânea. O grande problema da pornografia, dos crimes, da violência, dos filmes exibindo tudo isso é que o pecado gera mais pecado ainda, enchendo o mundo de mais pecado, imoralidade e truculência.

Nos V. 9-12, Paulo continua na mesma argumentação, ampliando o assunto, afirmando que no passado, ele confiava em sua própria justiça, julgando-se correto em todas as coisas. Mas quando teve uma revelação da lei em seu caráter espiritual, e aquela mesma lei que servia de fonte de vida se tornou um martírio, provocando a sua completa morte espiritual. Mas na realidade, ele diz que isso foi motivado pelo pecado, não pela lei, porque a conclusão é esta: a lei é "santa, justa e boa". Ela apenas cumpriu o seu papel. Nada mais.

III – O HOMEM DA LEI (7: 13-25)

Mas alguém poderia chegar a uma conclusão errônea, dizendo: "Bem, se isso é verdade, que a lei ressalta o pecado e gera a morte, então será que esta coisa que é tão santa, justa e boa se tornou em uma coisa má? Se a lei faz todas estas coisas, então ela não pode ser boa; mas, pelo contrário, é má, é ruim, e promove até a morte." Um bom fariseu não poderia concordar com Paulo.

Agora, Paulo prepara a resposta a esta 3ª objeção, e ele mesmo faz a pergunta: V. 13: "Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum!" É impossível que a lei, sendo boa, seja má, ao mesmo tempo. "Pelo contrário; o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte [espiritualmente], a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno." Novamente, o problema não é a lei, mas é o pecado. Portanto, temos a 3ª proposição: "A lei não pode santificar por causa do pecado." O problema é o pecado. Este sim, é a coisa ruim, má; é a pior miséria que já existiu em todo o universo.

Paulo está introduzindo um novo conceito. Se até aqui ele provou que a lei não pode justificar; agora ele prova que a lei não pode santificar, porque a lei não tem o objetivo de santificar; porque como a lei não pode justificar, a lei também não pode santificar. O objetivo da lei é revelar o pecado.

Os judeus diziam: "– Para você se santificar, você precisa da lei, porque a lei vai dizer exatamente aquilo que você precisa fazer e aquilo que você não deve fazer." E então o fundamento da santificação, dizia um bom judeu, é a lei. "– Se você não tem a lei, você não pode ser correto, justo, perfeito, porque a lei é o fundamento da santificação."

Agora o apóstolo diz: "Não, de modo nenhum, isso não pode acontecer. Sabe por que a lei não pode santificar? Por causa do pecado." Mas então, o problema não é a lei, é o pecado.

E aqui nós estamos entrando na 3ª seção, a mais importante, em que os teólogos têm debatido por muitos séculos; e eu gostaria de apresentar estes pontos a fim de que você possa ser esclarecido e com muito mais alegria pela certeza da salvação.

Vamos ler o V. 14: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado." Aqui está a grande razão porque a lei não é o problema; o grande problema sou "eu" e o pecado. A lei é espiritual; mas eu sou carnal. Este é o problema. Paulo introduz novamente, o pronome "eu", e acaba complicando aquilo que ele queria facilitar. Entretanto, esta é a maior revelação do conhecimento entre o homem, a lei e o pecado, que muitos ainda não entenderam.

Certa vez, em um debate bíblico entre dois cristãos de diferentes denominações, no Rio de Janeiro, um era a favor da lei e o outro era contra. Um defendia que, apesar da nossa salvação pela fé, nós temos ainda o dever de guardar a lei. O outro tentava por todos os meios anular a importância da lei, negando as suas funções mais claras. E para ilustrar isto, ele disse: "Conforme Rom. 7:14, disse Paulo: 'A lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal'." E concluiu: "É por isso que não podemos guardar a lei: a lei é espiritual e nós somos carnais!" Ora, será que os cristãos são carnais, ou já foram convertidos em homens espirituais? (Gál. 6:1).

A grande questão é esta: Quem é esse homem? Paulo introduz um homem hipotético, na pessoa dele; ele personifica esse homem. E os grandes teólogos tem debatido sobre esta questão: Quem é o homem de Rom 7:14, eles perguntam? E as respostas são variadas. Seria Paulo? Se for Paulo, em que época de sua vida ele está se descrevendo? Antes, durante ou depois de sua conversão?

Qual é a situação deste homem: V.15: "Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto." Esta é a situação: Ele não faz o que quer; ele faz aquilo que ele odeia. Ele odeia o pecado, mas comete o pecado. Esta é a situação.

Mas os versos 16 e 17 revelam mais 2 afirmações. V. 16: "Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa." Primeira: Consinto com a lei; a lei é santa, justa e boa. V. 17 – A segunda afirmação: "Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim." Mas que tremenda afirmação! Agora chegamos a um ponto difícil. Ele acabou de dizer que aquilo que ele faz de errado, é ele quem faz (verso 16). De repente, no verso 17 ele diz: "Não, aquilo que eu faço, realmente não sou eu, mas o pecado que habita em mim."

Afinal, quem é o responsável? Estamos livres da responsabilidade? Se isso é assim, então, nós vamos dar razão aos psicólogos que dizem que nós não somos culpados, porque não somos responsáveis, somos humanos, e todo ser humano comete erros, e não existe pecado; o que existe é erro humano, e isto é herança de todos. Não precisamos adoecer por causa da culpa, porque não cometemos pecado. Pecado é um mito alimentado pelas gerações passadas do tempo da Idade Média. Nós apenas cometemos erros, falhas que todos cometem.

Teria Paulo a intenção de se desculpar, dizendo que ele não é o responsável pelos seus maus atos? Estaria Paulo se eximindo da culpa? Colocando a culpa no próprio pecado que habitava nele? A resposta está nos V. 22-23: "Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros."

O que é que ele quer dizer? No "homem interior", ou seja, na minha mente, eu tenho prazer na lei de Deus; mas eu encontro nos meus membros, na minha carne, na minha natureza pecaminosa, eu encontro uma lei, um princípio que faz guerra comigo mesmo; o princípio pecaminoso que está no corpo, habita com a natureza pecaminosa faz guerra contra a lei da minha mente, o princípio espiritual, e, como eu não encontro uma saída, eu sou escravo da minha própria natureza. Esta é a pior escravidão.

Paulo está falando de duas vontades em conflito dentro de si mesmo. Uma vontade vem do "homem interior", que é a mente que tem prazer na lei de Deus; a outra vontade procede da "lei do pecado", ou o princípio do pecado, que está em sua natureza, que todos tem, que nos impele para o mal. Então, esse homem tem um "eu" que fica dividido entre duas vontades, uma espiritual e outra carnal. "Neste caso, quem faz isto já não sou eu (em minha vontade espiritual), mas o pecado (a minha vontade carnal) que habita em mim." (7:17). Ambas as vontades residem neste ser; no final da luta, a vontade de pecar domina o "eu" desse homem, e ele chega a dizer consigo mesmo: "Agora, eu quero pecar!" enquanto que o seu ser espiritual clama em desespero.

Paulo fala de uma luta interna, que acontece com este homem aqui descrito. Ele quer fazer o bem, ele ama o bem, ele tem prazer na lei, mas ele acaba cometendo o pecado que ele odeia. Há uma luta, uma batalha mental, entre o "eu" espiritual que quer fazer o bem, e a vontade carnal que deseja praticar o mal. É uma luta ingente entre o homem interior e a natureza pecaminosa. E esta natureza leva esse homem a fazer certas coisas que ele jamais gostaria de fazer. Esta é a verdadeira escravidão.

Seria isto uma luta da natureza espiritual contra a natureza carnal? Há uma teoria muito em voga, lançada pela Bíblia de Scofield, que diz o seguinte: o cristão tem duas naturezas: uma carnal e outra espiritual, que lhe foi implantada na conversão. E estas duas naturezas entram em conflito, procurando cada qual vencer a outra. Então, os pregadores evangelistas ilustraram isto, colocando dois cães fortes lutando entre si. Então, perguntam para o auditório: "Qual dos dois cães vai vencer?" Lógico, aquele que estiver mais bem alimentado.

É uma teoria muito bonita, muito interessante, que tem sido pregada por algum tempo, e emocionado a muitas pessoas, mas não tem apoio bíblico. A Bíblia nunca disse que temos duas naturezas. Paulo fala da mente lutando contra a sua natureza; nunca falou em duas naturezas, uma espiritual e outra carnal. Ele sabe que o homem não pode ter duas naturezas, porque natureza significa a essência, o cerne do homem, e ele não pode ter duas essências.

Qual é a mensagem de Paulo? Ele fala da transformação do homem carnal, em homem espiritual ("sois espirituais" – Gál. 6:1). Ele fala em recebermos a vida espiritual, porque estávamos mortos espiritualmente (Efé. 2:1), e recebemos a vida. A nova vida espiritual foi implantada em nossa única natureza, produzindo uma nova tendência, uma inclinação espiritual que luta contra a natureza carnal. Portanto, a luta é entre duas tendências, não entre duas naturezas, porque temos apenas uma natureza que em santificação está sendo transformada, dia a dia (Rom. 12:2; Luc. 9:23).

E então, esse homem na sua luta chega ao desespero e diz: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?"

A QUEM SE REFERE o apóstolo Paulo? Esta é a grande questão. Será que Paulo está falando do ímpio ou do justo? Do cristão ou do homem não regenerado? Ou de um meio termo? De quem ele realmente está falando: Como podemos nós descobrir isso?

Vamos fazer uma análise rápida sobre esta grande questão.
1) Em 1º lugar: Vamos supor que este homem seja o ÍMPIO – será este o homem descrito aqui, o ímpio?

O V. 14 parece favorecer este conceito: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado." Alguns dizem: Aqui está: o homem carnal é o ímpio; então, o apóstolo Paulo está se referindo ao ímpio. Ele diz que esse homem é "vendido à escravidão", é "carnal" e é escravo do pecado. Só pode ser a descrição do ímpio!

Mas acontece que o ímpio nunca reconhece isso. Ele não diz "eu sou carnal", "eu sou ímpio", "eu sou escravo". Os judeus, os próprios judeus disseram: "Nós nunca fomos escravos de ninguém" (João 8:33). O ímpio não sabe que a lei é espiritual, e não sabe que ele é vendido, e não sabe que ele é escravo, e não sabe nem o que é pecado.

Portanto, ele não diz assim: 7:15 – "Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto." O ímpio não detesta aquilo que faz; pelo contrário, ele ama, ele aprecia, ele não odeia o pecado.

Verso 22: "Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus." Podem essas palavras se referir ao ímpio? Não podem, porque ele não tem prazer na lei de Deus.

Verso 23: "mas vejo nos meus membros, outra lei que guerreando contra a lei da minha mente" – há uma guerra interior. Mas o ímpio não está em conflito; ele é coerente consigo mesmo. Ele ama o pecado, ele pratica o pecado, ele defende o pecado, e ele é capaz até de responder as questões de sua consciência, a fim de abafar a sua voz. Ele racionaliza, e fica em paz consigo mesmo, está confiante.

Verso 24: "Desventurado homem que sou!" O ímpio está feliz, basta ler por exemplo Jó 21, e os Salmos 37 e 73, que foi o grande problema do patriarca Jó, Davi e Asafe: Como é que os ímpios são tão felizes, são tão prósperos sendo tão ímpios?

2) em 2º lugar: Seria o CRISTÃO o homem descrito neste capítulo? Poderia ser um homem considerado justo e santo?

Temos a favor desta posição o V. 22: "Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus." Então, muitos dizem: "– Ah, aqui está: Paulo está falando do cristão, porque de acordo com o Salmo 1: 2, o cristão é alguém que tem prazer na lei de Deus". E então, em uma forma simplista, tomam um texto em comparação com outro texto sem examinar o contexto, o que dá na realidade uma interpretação errônea. "Um texto fora do contexto é apenas um pretexto", disse alguém sabiamente.

Os que apóiam esta idéia de que este homem é o cristão, citam o Salmo 1, mas esquecem que lá se apresenta o homem justo como sendo o homem vitorioso em sua experiência, mas este não é o caso aqui. O homem de Romanos 7 não é um vitorioso; ele sempre erra. Aqui está o homem que tenta acertar, mas sempre fracassa. Este é o homem de Romanos 7. O Salmo 1:1 fala de um homem bem-aventurado; Rom. 7 fala de um desventurado! (v. 24).

Poderia o V. 23 ajustar-se ao cristão? "mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado, que está nos meus membros." Aqui se fala de um homem que não pode se libertar, não sabe como se libertar, e ainda desconhece quem pode libertá-lo. Isso diz o V. 24: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Este homem não conhece o seu Libertador. Ele está em desespero, em angústia, escravizado, ele está sem esperança, e só vê a morte como o seu destino.

Entretanto, o cristão tem esperança. E o apóstolo nos apresentou até aqui uma mensagem de esperança e vitória e certeza de salvação, o que acontece com o cristão. Apesar das fraquezas que nos são tão próprias, apesar da luta interior que também enfrentamos, nós temos a certeza e a segurança da salvação. Mas este homem daqui está (1) em desespero e (2), ele é completamente ignorante do seu Libertador. Ele não pode ser um cristão.

E o versículo 25? Alguém diria: "Mas no verso 25 temos a resposta, onde o cristão achou a solução." Vejamos: "[Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.] De maneira eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado."

Estas palavras poderiam se referir ao cristão? O que é que significam? A 1ª frase não é uma declaração de vitória deste homem que a seguir se declara um escravo; porque se ele estivesse na condição de vitorioso, nunca diria que é escravo. Portanto, esta frase é apenas uma explicação parentética do apóstolo Paulo, como escritor. Ele parece estar tão ansioso por responder qual é a solução que, antes de chegar o tempo, ele extravasa este louvor, e dá graças a Deus por Jesus Cristo. Mas isto é apenas uma antecipação de Paulo, não é uma descoberta do homem derrotado e escravo. Mas finalmente, o apóstolo continua a descrição deste homem, afirmando que ele ainda está escravizado. Ademais, Paulo sempre se antecipa a si mesmo num capítulo como preparação para o próximo; este é o seu método, em todas as suas epístolas teológicas.

O versículo 14 é o mais forte contra a teoria de que este homem seja o cristão: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado."
1) Em 1º lugar: O cristão não é carnal; o cristão é espiritual. O apóstolo Paulo diz: "vós que sois espirituais" (Gál. 6:1).
2) Em 2º lugar: O cristão não é vendido. Porque a Bíblia diz em muitos lugares que nós fomos comprados pelo sangue de Cristo (Apo. 5: 9). Não somos vendidos, somos comprados.
3) E em 3º lugar: Ele não está na escravidão. Os cristãos foram "libertados do pecado", já não são mais "escravos do pecado" (Rom. 6:18, 20). O cristão tem uma luta contra a natureza pecaminosa, mas ele é "mais do que vitorioso" (Rom. 8:37), não um derrotado.
4) E poderia acrescentar: O pecado não "habita" nele. Em Rom 7: 17, Paulo fala desse homem, dizendo: "o pecado habita em mim". Mas falando depois do cristão, ele diz: "O Espírito de Deus habita em vós"! (8:9). Se este homem diz que o pecado habita nele, o cristão diz: "O Espírito Santo habita em mim!"
5) Ademais: O cristão não é desventurado ou miserável (7:24). O cristão é bem-aventurado (Sal.1:1)!

Conclusão: Este homem aqui descrito como sendo carnal, derrotado; carnal porque vive na carne; derrotado, porque sempre perde a luta, ele nunca vence; escravizado por causa do pecado, prisioneiro das suas próprias tendências pecaminosas; habitando no pecado e o pecado habitando nele; miserável, ignorante do seu Libertador; desesperado até à morte – este homem não pode ser o cristão.

O quadro apresentado é um quadro tétrico que não é o quadro de um cristão. Basta você ler em Heb. 11, sobre Abraão, Jacó, Moisés, e tantos outros vitoriosos cristãos do passado, todos com muitos problemas, mas se tornaram vencedores. Jacó que teve muitas lutas, se tornou um vitorioso de tal sorte que o seu próprio nome passou, de enganador, a ser Israel, que significa vencedor. O próprio Paulo que disse: "Tudo posso nAquele que me fortalece!" Ou Davi, o homem "segundo o coração de Deus". Romanos 7, portanto, não se refere ao cristão.

O cristão peca ocasionalmente, mas este homem aqui está pecando sempre. O homem de Romanos 7 sempre erra freqüentemente, ele nunca acerta.

E isso me faz lembra daquele explorador que foi para a África, a fim de ganhar muito dinheiro. Era um grande explorador, e ele soube que em determinado lugar da África havia uma tribo muito rica. E eles estavam escavando ouro. E este homem chegou para eles e disse o seguinte: "Os senhores estão trabalhando demais para cavar o ouro. Eu posso mostrar um modo fácil de vocês conseguirem ouro. É uma fórmula maravilhosa que, segundo ela, vocês podem fabricar ouro – nunca falha! Mas vocês têm que me dar uma certa quantia em dinheiro, e depois que eu receber o meu salário, eu posso lhes dar a fórmula."

Então, disse o cacique: "Nós estamos interessados. Mas acontece que nós vamos deixar você preso, e então nós verificar se esta fórmula vai dar certo, porque se não der certo, nós vamos levar você à morte. Você ainda quer fazer negócio?" Ele disse: "Eu faço."

Então ele ajuntou todas as pessoas da vila e o explorador mandou que colocassem um grande caldeirão e uma fogueira embaixo, e colocou água, e colocou areia, e começou a mexer dentro daquela grande panela. "É bem assim que se faz ouro." Ele continuou a mexer, e os homens estavam olhando. "Vamos ver, incrédulos, se vai sair ouro daqui."

E então ele, de repente, disse: "– Mas olha, que pássaro é aquele?" e nesse momento, colocou um pedaço de ouro lá dentro da panela. E aí continuou mexendo, mexendo. "Está pronto. Está fabricado o ouro. Pode ver que aí dentro tem ouro!" Aí derramaram a água e procuraram e viram que lá havia um pedaço de ouro no fundo com a areia.

E eles ficaram muito interessados. "Mas que coisa maravilhosa! Que coisa muito interessante! Como é que é a fórmula?" "Ah, vocês têm que me dar o dinheiro." "Está bem, nós concordamos em lhe dar o dinheiro; mas o senhor vai ficar preso aqui, porque nós vamos experimentar, e se a fórmula não der certo, então o senhor será morto."

"Muito bem, só que tem um detalhe: todos têm que fazer aquilo que eu mandar." "Ah, sim muito bem. Então vamos fazer de novo." Colocaram água naquele caldeirão, colocaram fogo embaixo, colocaram areia e começaram a encher. "Venha o primeiro homem, venha você."

"Muito bem. O que é que eu devo fazer?" Então, o explorador disse: "Você deve fazer o seguinte: Você nunca deve pensar em macacos; no momento em que você pensar em macacos, vai estragar tudo, você não vai conseguir fazer ouro." "Ah, muito bem, está certo."

Então veio o primeiro, começou a mexer e a mexer. "Bem, o que eu preciso fazer? Bem, eu preciso não pensar em macacos. Mas já pensei, então não deu certo. Comigo não dá certo. Chama um outro." E chamou um outro; e outro começou a mexer e mexer. "O que eu tenho que fazer?" "Você não pode pensar em macacos." "Pensar em macacos? Sim, mas é nisso que eu estou pensando agora. Mas então, eu não consegui." "O próximo..." disse o cacique. "Venha mexer aqui..."

Então, o explorador falou: "Com licença, os senhores estão tentando, tentando. Mas eu não sou culpado de vocês não fazerem exatamente como eu ordenei. No dia em que vocês pararem de pensar em macacos no momento que está mexendo, então vai sair o ouro."

Será que esta é a vida do cristão? Ele tenta não pensar em macacos? Ele tenta não pensar no pecado e só vive pensando em pecado? Será que esta é a nossa vida que se resume em querer fazer e não fazer? Não, a vida do cristão não é uma vida de escravidão. Ele já foi liberto do pecado. Embora não seja perfeito, ele é perfeito em muitos detalhes. Embora peque ocasionalmente, no entanto, ele alcança a vitória, e vence muitas batalhas. Em Cristo estamos "aperfeiçoados" diante de Deus (Col. 210). Em Cristo "somos mais que vencedores" (Rom. 8:37).

Muitos cristãos usam o Romanos 7 para desculpar o pecado. Mas isso é negação da fé. Esse é o evangelho dos pessimistas, que não confiam no poder de Jesus e dizem: "É, nós somos assim mesmo!"

Num círculo de pastores, quando se comentava sobre a vida cristã, de repente alguém disse: "É, nós somos vendidos, vendidos à escravidão do pecado." Isso está errado. Outro pastor chamava e cumprimentava os irmãos de sua igreja, dizendo: "Boa tarde, meu querido miserável!" e todos já sabiam que ele se referia a Rom. 7:24.

Se o homem de Rom 7 não é o cristão; se ele não é o ímpio, a quem se refere o apóstolo Paulo? Quem mais poderia ser esse homem tão complexo?

3) O apóstolo Paulo está descrevendo um HOMEM CONVICTO DO PECADO. Este é o homem da lei.

Paulo está falando da lei, ele está respondendo a uma objeção. Esta objeção foi levantada em 5:20. Ele começou a falar sobre a lei em 7:1; ele continuou em 7:7; ele continua em 7:13, e mostra que esta lei não pode justificar, esta lei não pode santificar. O problema realmente é este. Em seu contexto, ele fala da lei e do pecado na vida de um homem que está experimentando uma intensa convicção do pecado.

Despertado pelo Espírito Santo, ele compreende a espiritualidade e a santidade da lei, mas ele não sabe mais nada; ele está ciente da impossibilidade de ele guardar esta lei, e inconsciente do seu Libertador. Ele está tentando guardar a lei com sua própria força, e ele descobre que não pode. E, portanto, se sente condenado, escravizado e se desespera, porque não sabe onde encontrar o socorro e a libertação.

Nicodemos tinha a lei, era mestre de lei, sentia forte convicção do pecado, mas não sabia como se libertar. Jesus lhe disse: "– Nicodemos, é pela cruz, porque importa que o Filho do Homem seja levantado. É pela cruz que há libertação." Lutero, grandemente convicto do pecado e da lei, mesmo com a Bíblia na mão, não sabia como se libertar. Fazia penitências, foi à Roma a fim de galgar a escada de Pilatos de joelhos e alcançar o perdão e a certeza de salvação, até que compreendeu as palavras de Paulo: "o justo viverá pela fé."

O próprio apóstolo Paulo era um fariseu convicto da lei; amava a lei, era convicto das exigências da lei. Viveu uma vida irrepreensível diante dos ditames da lei. Mas quando ele chegou ao conhecimento da espiritualidade dessa lei, sentiu-se condenado à morte, até que se encontrou com Jesus. Portanto, em Rom. 7, ele descreve as angústias de como ele viveu com a lei, convicto de sua pecaminosidade, mas sem Cristo. Esta é a descrição do homem da lei, convencido, mas não convertido. Ele tenta acertar, mas sempre falha, porque está buscando a salvação pelas suas obras e seus esforços, confiado em suas próprias justiças, que não passam de "trapos da imundícia" (Isa. 64:6).

Esta é a experiência de muitas pessoas que lêem um livro religioso, ouvem um sermão, assistem uma palestra pela televisão. Então clamam à semelhança daquela multidão que após ouvir o discurso do apóstolo Pedro, disseram: "Que faremos, irmãos?" (Atos 2:37). Convictos do pecado, mas sem saber o que fazer. Como o centurião que não sabendo como lidar com uma situação de perigo diante de um terremoto e seus presos fugindo como pensava, perguntou para Paulo: "Senhores, que devo fazer para que seja salvo?" E a resposta veio pronta e sem dilação: "Crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa!" (Atos 16:30-31).

Ou quando alguém faz uma auto-análise e vê a sua vida de miséria, ele está convicto da lei, mas não sabe o que fazer. Ou alguém que conhece os Dez Mandamentos, ouve o Sermão do Monte, ou lê um texto da Bíblia – subitamente eles são levados à convicção pelo Espírito Santo, vêem que o seu estado passado é pecaminoso, que estavam errados, eles perdem a sua própria justiça e se desesperam. Eles podem permanecer assim por alguns dias, ou meses, ou por muitos anos na sua vida. Eles podem passar a vida inteira nesta convicção.

Mas se alguém se encontra assim, o apóstolo Paulo ainda deixou a fórmula da libertação, o meio de escape antes mesmo que essa pessoa leia o capítulo seguinte: "Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor." (7:25).

Harry Orchard, famoso assassino de uma vintena de pessoas, após tentar matar o governador de Idaho, EUA, foi preso e condenado a 30 anos de reclusão; era um homem perigoso e foi colocado em uma cela especial.

Todos o odiavam, até mesmo os colegas de prisão. Ele cuspia nas pessoas que o visitavam, era desprezado e ele os odiava em troca. Mas um ministro adventista visitou a sua cela, levou um livro preto, e o deixou com a Bíblia. Depois de algum tempo, Orchard resolveu abrir o Livro de Deus e se deparou com a mensagem de Rom. 7. Ficou convicto de que ele era aquele homem e se desesperou, experimentando um terrível conflito interior, um tremendo embate íntimo, que ele mesmo descreveu em sua autobiografia. Mas, lendo também as palavras finais, pouco depois aceitou a Cristo e se converteu, a ponto de o seu carcereiro no dia de sua morte falar, num funeral impressionante e comovente de 500 pessoas: "Nas suas mãos, eu entregaria até a minha própria vida!" Harry Orchard havia lido Rom. 7:25, e compreendeu a mensagem.

Simpson foi um grande cientista, o homem que descobriu o clorofórmio, o homem que trouxe uma notável contribuição à ciência médica. Em uma festa, reunindo os seus amigos, que lhe davam uma homenagem, ele disse o seguinte: "Amigos, fiz uma descoberta!" E todos pensaram: "Mas que descoberta?" "Fiz uma descoberta maior do que aquela que me valem estas honras: Descobri na Bíblia que eu era um pecador, que tinha necessidade de um Salvador, e descobri em Jesus Cristo o Salvador cujo sangue me purificou dos meus pecados e cuja graça me perdoou."

Este é o testemunho não de um homem néscio, parvo, mas o testemunho de um cientista. "Eu descobri que sou um pecador". Aqui está um homem convicto do pecado. Mas então ele acrescenta: "Mas descobri também que Cristo é o meu suficiente Salvador."

Prezado amigo e irmão, você já fez essa descoberta? "Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!"




PR. ROBERTO BIAGINI
Teólogo, Mestre em Teologia. Realizou vários cursos de Extensão Teológica da Andrews University e do Centro de Educação Contínua da DSA. Trabalhou como distrital de várias igrejas do centro, norte e sul do país. É casado com a Profª. Silvane Luckow Biagini, e tem dois filhos, Ângela e Roberto.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Viva o Idoso!

(Uma homenagem ao idoso)

Textos: “O ornato dos jovens é a sua força, e a beleza dos idosos, as suas cãs”. Provérbios (20:29).

Está a sabedoria com os idosos, e, na longevidade o entendimento? Não! Com Deus está a sabedoria e a força; Ele tem conselho e entendimento. (Jó 12:12).


Introdução:

A - O dia 1º de outubro é considerado no Brasil o dia do idoso e tem como objetivo a valorização da pessoa idosa. Até o ano de 2006, esta data era celebrada no dia 27 de setembro. Com a criação do estatuto do idoso em 1º de outubro, a data foi transferida de acordo com a lei 11.433/2006.

I - Uma estatística mundial

Levando em consideração a expectativa de vida, uma estatística da ONU, publicada pela Organização Mundial de Saúde, diz que em cada grupo de 100 pessoas, no mundo, apenas uma alcançará 60 anos. (Isto por causa das guerras, da fome, dos vícios e todos os demais problemas sociais no mundo). E entre cada grupo de 10.000 pessoas, no mundo, apenas uma passará dos 90 anos. Atualmente, existem no mundo cerca de 140 mil pessoas com mais de 100 anos de idade.

Com a população atual, que é de 6,5 bilhões, a proporção cresce de uma pessoa para cada grupo de 46.000 pessoas no mundo. Atualmente, existem no Brasil cerca de 14,5 milhões de pessoas idosas, 8,6% da população total do país, segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

São consideradas pessoas idosas com mais de 60 anos. Em uma década, o número de idosos no Brasil chegou a 17%, pois em 1991 correspondia a 7% da população’

Sem nenhuma dúvida, o envelhecimento da população é reflexo do aumento da expectativa de vida, devido ao avanço da saúde, melhoria social e a redução da taxa de natalidade.

Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no país deve chegar a 20 milhões, e a esperança de vida a 70,3% anos.

Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas, conforme os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Recentemente, alguém me deu de presente o texto de autoria de Jorge R. Nascimento, que repasso a você no dia do idoso.

II - Idoso ou Velho

Idoso é quem tem privilégio de viver a vida longa vida...
Velho é quem perdeu a jovialidade.

A idade causa a degenerescência das células...
A velhice causa a degenerescência do espírito.

Você é idoso, quando sonha...
Você é velho, quando apenas dorme.

Você é idoso, quando ainda aprende...
Você é velho, quando já nem ensina.

Você é idoso, quando se exercita...
Você é velho, quando somente descansa.

Você é idoso, quando tem planos...
Você é velho, quando só tem saudades.

Você é idoso, quando curte o que lhe resta da vida...
Você é velho, quando sofre o que o aproxima da morte.

Você é idoso, quando indaga se vale a pena...
Você é velho, quando, sem pensar, responde que não.

Você é idoso, quando ainda sente amor...
Você é velho, quando não sente mais do que ciúmes e possessividade.

Para o idoso, a vida se renova a cada dia que começa...
Para o velho, a vida se acaba a cada noite que termina.

Para o idoso, o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida...
Para o velho, todos os dias parecem o último da longa jornada.

Para o idoso, o calendário está repleto de amanhãs...
Para o velho, o calendário só tem ontens.

Enquanto o idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e preenche esperanças,
O velho vive horas que se arrastam, destituídas de sentido.

Enquanto o idoso tem os olhos postos no horizonte de onde o sol desponta,
O velho tem a sua miopia voltada para as sombras do passado.

Enquanto as rugas do idoso são bonitas porque foram sulcadas pelo sorriso,
As rugas do velho são feias porque foram vincadas pela amargura.

Enquanto o rosto do idoso se ilumina de esperança,
O rosto de velho se apaga de desânimo.

Idoso e velho podem ter a mesma idade cronológica, mas têm idades diferentes no coração!

(Extraído do livro “Aprenda a Curtir Seus Anos Dourados”, de Jorge R. Nascimento).


III – Conclusão: A minha pergunta conclusiva é: Você é velho ou idoso?


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.

Pensamentos do Espírito de Profecia (31)

MESMO FRACOS COMO JONAS E OUTROS HUMANOS PODEMOS VENCER!

A desobediência de Jonas e a idolatria de Israel são fielmente relatadas. A negação de Cristo por parte de Pedro, a viva contenda entre Paulo e Barnabé, as falhas e fraquezas dos profetas e dos apóstolos, todas são expostas pelo Espírito Santo, que descerra o véu do coração humano. Ali se acha diante de nós a vida dos crentes, com todas as suas faltas e loucuras, o que visa uma lição a todas as gerações que os seguissem. Houvessem eles sido isentos de fraquezas, teriam sido mais que humanos, e nossa natureza pecaminosa desesperaria de atingir nunca a tal grau de excelência. Vendo, porém, onde eles lutaram e caíram, onde se animaram outra vez e venceram mediante a graça de Deus, somos animados e induzidos a avançar e passar por cima dos obstáculos que a natureza degenerada nos coloca no caminho.
TESTEMUNHOS SELETOS, VOL. 1, Pág 438.



DANIEL SILVEIRA
Ancião da Igreja Adventista de Osório-RS. Pai do Ex-pastor Silvio Silveira (Falecido) e casado com Areli Silveira.

Verdade absoluta ou relativa?

Seria simplista demais concluir que atualmente há uma busca frenética e objetiva em torno da verdade. Podemos dizer que há, sim, um desejo latente por tentar encontrar verdades que se adaptem às necessidades ou prazeres. No Brasil, vários programas de TV têm investido tempo e dinheiro em atrações que se propõem a extrair a verdade de participantes por meio de perguntas constrangedoras e dos tais polígrafos que se tornaram verdadeiras referências “científicas” do que é ou não verdade. Em alguns casos, altas somas de dinheiro são pagas aos que agem com mais “sinceridade”, embora quem estude um pouco o assunto saiba com clareza que os parâmetros de análise são insuficientes para se definir com precisão se determinada pessoa mente ou fala o que realmente lhe aconteceu. Nem sempre o que mais interessa é a verdade, mas as verdades ali relatadas.


A busca da verdade ou de verdades sempre gerou historicamente discussões filosóficas e teológicas. Impérios do passado sempre adotaram a prática de impor suas “verdades” para os povos conquistados e subjugados. Seriam verdades sob o ponto de vista religioso e cultural que teriam de ser aceitas pelo único fato de aquelas nações terem sido derrotados em guerras. Mais tarde, temos o exemplo da época medieval em que os dogmas religiosos se tornaram verdades absolutas. Ou seja, aquilo que era definido pela religião predominante deveria ser acatado pelos demais sem negociação prévia ou exercício de convencimento ou persuasão. Em torno desse debate, novas igrejas surgiram, antigas raízes filosóficas se reergueram e chegou-se ao ponto de pensadores declararem que tudo era relativo e que a razão poderia explicar tudo sem necessidade de crenças sobrenaturais.

O interessante é que realmente a Bíblia fala de verdade absoluta. Não há como negar isso. Quando o autor de um dos evangelhos afirma, conforme João 8:32, que “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” certamente ele está falando de algo completo e não de uma visão parcialmente humana a respeito de um assunto. Vamos mais além. O apóstolo Paulo, formado na tradicional escola judaica, também compartilha dessa mesma linha de pensamento sobre verdade. Nas advertências e saudações finais em sua carta aos cristãos da cidade de Corinto, Paulo declara, no capítulo 13 e versículo 8, que “pois nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade”. Mas, afinal de contas, que verdade é essa? O próprio Jesus Cristo dá a resposta em João 14:6. Cristo diz claramente que Ele mesmo é o “caminho, a verdade e a vida”. Esse raciocínio nos afasta da mentalidade meramente racionalista em que tudo precisa ser provado e que nada pode ser considerado absolutamente correto ou incorreto. Remete-nos imediatamente à fé em Jesus, ou seja, crença de que dependemos Dele e que não se trata apenas de ter mais uma ideia. Ele se apresenta como a resposta ao que o ser humano precisa, aos anseios mais profundos.

Talvez o medo de se comprometer é que faça muitos fugirem da verdade absoluta. Sim, porque relativizar tudo é mais cômodo, não há uma ligação com qualquer ponto de vista ou doutrina ou fundamentação. Sem compromisso com Alguém que seja a verdade, não há necessidade, também, de submissão, obediência, renúncia ou qualquer ação desse tipo. A Bíblia confirma que verdade é Jesus Cristo e não uma mais uma opinião em meio às outras. E sabe o que significa isso na prática?

O missionário JN Andrews sabia o que era isso falando pragmaticamente. Enviado dos Estados Unidos para a Europa, no século XVIII, para difundir ensinamentos da Bíblia ele realmente acreditava em uma verdade. Naquela terra estranha, sem a esposa e depois de perder dois filhos, só tinha a companhia de uma outra a filha que era uma importante ajudante nhttp://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31475878o trabalho de elaborar publicações sobre a Bíblia. A jovem, porém, foi acometida de tuberculose e faleceu. Mesmo assim, Andrews continuou a acreditar naquela mensagem, naquela verdade. Na minha opinião, só pode exercer confiança semelhante quem considera a verdade como muito mais do que um conceito humano.

Cada pessoa pode ficar ao lado de várias verdades nas quais acredita. Mas a Bíblia expressa verdade como Jesus Cristo, ou seja, Deus Filho, o que efetivamente tem poder para mudar a vida e transforma a mente. Claro que isso é fé. Algo que exige confiança plena, completa, sem reservas. E ousadia também. Nem todos estão ainda dispostos a dar esse passo. Mas devem ser respeitados. A relativização de tudo o que se pensa e se faz pode ser uma segurança contra dogmas fechados, mas pode ser um desprezo a algo maior do que nós mesmos, algo que transcende nossa vida por aqui.


FELIPE LEMOS

Jornalista, blogueiro, twiteiro, especialista em marketing, Assessor de Imprensa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul
Editor geral do Blog Realidade em Foco
Email: felipex29@gmail.com

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pensamentos do Espírito de Profecia (30)

AQUI COMEÇAMOS - NO CÉU COMPLETAREMOS NOSSO CONHECIMENTO!

Neste mundo devemos aprender o que devemos ser para ter um lugar nas cortes celestiais. Devemos aprender as lições que Cristo nos deseja ensinar, para estarmos preparados para ser levados à escola superior das cortes de cima, onde o Salvador nos guiará para junto do rio da vida, explicando-nos muitas coisas que aqui não pudemos compreender, e ensinando-nos, os mistérios de Deus. Lá veremos a glória de Deus como nunca a vimos aqui. Agora só recebemos um vislumbre da glória, porque não prosseguimos em conhecer ao Senhor.
Review and Herald, 20 de julho de 1905.






DANIEL SILVEIRA
Ancião da Igreja Adventista de Osório-RS. Pai do Ex-pastor Silvio Silveira (Falecido) e casado com Areli Silveira.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Por que sou vegetariano

Autor: Pastor Paulo Cordeiro



Introdução

Tendo abandonado a alimentação cárnea em agosto de 1990 e tomado, com gosto, a decisão de continuar nessa linha uns seis meses depois, certamente que compreendem que, ao longo destes últimos 19 anos, tive oportunidades de sobra para reconhecer se tinha feito uma decisão errada ou não! Pois bem, posso-vos garantir que, até ao dia de hoje, nunca me arrependi de tal decisão, bem pelo contrário!


Contudo, como no meu caso, a decisão foi tomada unicamente por mim próprio, sem a pressão de qualquer pessoa, nunca me senti igualmente no dever de coagir seja quem for a seguir os “meus passos”! Também não me incomoda absolutamente nada estar a comer ao lado de pessoas que não seguem exatamente os princípios alimentares que um dia decidi seguir!

Durante este tempo, como é óbvio, não deixei igualmente de testar se a minha decisão tinha e tem um fundamento sólido ou não! Também me apercebi que, por vezes, são utilizados alguns argumentos pouco credíveis a favor do vegetarianismo! E temo que tais argumentos, longe de convencerem outros, ainda os afastem mais da convição de que o vegetarianismo é realmente uma opção saudável de vida!

Argumentos Bíblicos

Falemos do mais importante: quais são os argumentos bíblicos válidos e quais é que não são?

O pior e mesmo falso “argumento” que se pode utilizar “em favor” do vegetarianismo é dizer-se que é pecado comer carne(1)! Tal afirmação é, contudo, absolutamente correta quando se trata de animais imundos, mas já não é correta quando se trata de animais que são considerados na Bíblia como sendo “limpos”! Em Isaías 66:17(2) lemos que, “os que… comem carne de porco, coisas abomináveis e rato serão consumidos, diz o Senhor”. Se os que “comem carne de porco, coisas abomináveis e rato serão consumidos”, então é porque comer a carne de tais animais imundos é claramente um pecado!

Mas, como disse, o mesmo não se pode dizer relativamente à ingestão de carne de animais limpos! Por uma razão muito simples: é que foi o próprio Deus que permitiu que se comesse a carne de certos animais!(3)

Mais: Deus não só permitiu que se comesse carne, mas pediu mesmo aos Seus sacerdotes que oficiavam no antigo santuário israelita que comessem a carne de alguns sacrifícios aí oferecidos(4). Esse pedido foi extensível, em certas ocasiões, ao povo em geral(5). A passagem de Levítico 19:1-12 é mesmo muito significativa, pois nela Deus apela ao Seu povo para que seja santo, fazendo o seguinte: 1) respeitando os seus pais; 2) guardando os Sábados do Senhor; 3) fugindo da idolatria; 4) oferecendo sacrifícios ao Senhor; 5) comendo a carne desses sacrifícios; 6) não colhendo a totalidade do produto das suas terras; 7) não furtando, nem mentindo nem jurando falsamente; etc.

Algum tempo antes da sua trasladação, foi o próprio Deus que enviou corvos para que alimentassem o Seu profeta Elias: "e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem" (I Reis 17:4). Que tipo de alimento levaram os corvos a Elias? "Os corvos lhe traziam pela manhã pão e carne, como também pão e carne ao anoitecer; e bebia da torrente." (I Reis 17:6).

Pergunto: será que Deus não poderia "ordenar" aos corvos que levassem outro tipo de alimento a Elias? Certamente que sim! Se comer carne fosse pecado, então Deus seria Ele próprio responsável por levar Elias a cometer "pecado"! Esta afirmação é completamente ridícula(6) e é ridícula porque a sua premissa inicial (comer carne é pecado) é falsa!

E existe ainda um pormenor interessante na experiência de Elias: este iria ser trasladado (ver II Reis 2:11)! Se é verdade que "Elias, que fora trasladado para o Céu sem ver a morte, representou os que estarão vivos na Terra na ocasião da segunda vinda de Cristo, e que serão "transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta", quando "isto que é mortal se revestir da imortalidade" e "isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade" (I Coríntios 15:51-53)"(7), pergunto: será que poderemos afirmar dogmaticamente que aqueles que hoje se preparam igualmente para serem trasladados não poderão comer carne?

Penso que vivemos numa época em que a carne não deveria ser utilizada pelo povo de Deus, como demonstrarei mais adiante, contudo estes exemplos bíblicos admoestam-me a ser deveras prudente sobre a necessidade de não fazer eventuais juízos de valor sobre aqueles que (ainda) comem carne!

Por último, podemos afirmar que comer carne de animais limpos não é pecado, porque, se fosse, então o próprio Cristo seria “pecador”!

Em Génesis 18, é-nos dito, logo no início do capítulo, que “apareceu o SENHOR a Abraão” (v. 1). No versículo 3 é-nos dito que Abraão viu “três homens de pé em frente dele”. “Um deles” (dos três) promete a Abraão o seguinte: “voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho” (v. 10).

A comparação dos textos de Génesis 18:16 e 22 com o texto de Génesis 19:1, indica-nos claramente que dois daqueles “homens” que Abraão tinha visto “em frente dele” eram “anjos” (Génesis 19:1), mas o terceiro, que ficou dialogando com Abraão (Génesis 18:17-33), não indo com “os dois anjos a Sodoma” (Génesis 19:1), era o próprio Jesus Cristo! Perante os “três homens” (antes da partida dos “dois anjos” para Sodoma) colocou Abraão uma refeição que Jesus e os dois anjos que O acompanhavam comeram: “Abraão, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo. Tomou também coalhada e leite e o novilho que mandara preparar e pôs tudo diante deles; e permaneceu de pé junto a eles debaixo da árvore; e eles comeram.”

É difícil imaginar que Jesus (que não apareceu junto de Abraão “em semelhança de carne pecaminosa”(8), como viria a acontecer séculos mais tarde aquando da Sua encarnação), e os dois anjos que O acompanhavam, tivessem comido de tudo o que Abraão lhes colocou à frente, exceto o “novilho” (vitelo), visto que Jesus, também já numa natureza incorruptível e gloriosa, após a Sua ressurreição(9), comeu do peixe que os seus discípulos tinham pescado(10)! Se não comeu peixe(11), pelo menos deu a comer aos Seus discípulos, tal como tinha feito com a multidão por duas vezes(12), legitimando assim a ingestão de tal alimento!

Tudo o que acabei de referir é bem resumido numa declaração de Ellen White: “Eu aconselho cada candidato à guarda do Sábado a evitar comer carne, não porque seja visto como um pecado comer carne, mas porque não é saudável. A criação animal está gemendo.”(13) Reparem nas palavras “aconselho” e “evitar”! Dificilmente se pode inferir que Ellen White estava a ser dogmática neste ponto! Pelo contrário, ela estava, como sempre esteve, em plena sintonia com a mensagem bíblica!

Dito isto, será que é de todo descabido ser-se vegetariano? De modo algum!

Qual foi a dieta dada originalmente ao ser humano? Alguns argumentam que a dieta original dada por Deus só foi válida antes da queda, ao passo que, depois da queda, a alimentação cárnea passou a fazer sentido para uma raça caída em pecado! Isto seria verdade, não fosse o fato de que Deus só permitiu que se comesse a carne de certos animais(14), mais de dezasseis séculos após a queda(15)! E a maior prova de que o alimento cárneo “não é saudável”, como diz Ellen White, é que após a sua introdução na dieta humana, a idade média do ser humano desceu para menos de 10% da média de idades dos patriarcas que não comiam carne(16)!

Não está Ellen White, uma vez mais, em plena sintonia com o que a Bíblia diz? Penso que é com este conceito fundamental em mente que devemos compreender todo o restante ensino de Ellen White no que concerne à alimentação cárnea: não é recomendável, não por ser pecado, mas por não ser saudável, nem para o corpo nem para a mente!

Este fato leva-me igualmente a afirmar que é fraco o argumento que diz que atualmente não se deve comer carne por não ser saudável, devido aos níveis de poluição hoje existentes. Claro que estes riscos existem e serão uma realidade cada vez mais notória, contudo, comer carne não é saudável hoje, como nunca o foi no passado! Hoje há riscos acrescidos, é verdade, mas isso não invalida, de modo algum, a premissa básica de que não é saudável comer a carne de animais! Houve uma diminuição brusca nas idades dos descendentes de Sem por eles comerem a carne de animais poluídos pelo meio ambiente da sua época? Certamente que não!

Mas se o comer carne em si, como vimos, não é pecado, já o mesmo não se pode dizer da gula ou glutonaria!

Jesus advertiu muito seriamente, especialmente a última geração de crentes, a precaverem-se totalmente deste “laço”! Se não quisermos que “aquele dia” venha sobre nós “repentinamente, como um laço”, então deveremos evitar cair no laço “da orgia [e] da embriaguez”(17). O apóstolo Paulo afirma perentoriamente que aqueles que se entregam aos chamados prazeres da mesa, caminham para a sua perdição(18)!

Talvez tenha sido mais a gula do que o comer carne em si que foi severamente punido por Deus na experiência do povo de Israel no deserto(19), visto que eles não apenas desejaram comer carne (“Quem nos dará carne a comer?” – Levítico 11:4), mas desejaram igualmente outro tipo de alimentos (“Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.” – Levítico 11:5)!

Pergunto: haveria algum problema em comer pepinos, melões, cebolas e alhos, se não fosse o desejo irracional de satisfazer um apetite descontrolado, motivado pela glutonaria?

Talvez este seja um bom teste que deveria fazer-se a si próprio: qual é a razão por que ainda come carne? Será por estrita necessidade de alimento, ou por algum desejo, mesmo inconsciente, de satisfação de um apetite ainda não controlado?

A Igreja Adventista do 7º Dia e o Vegetarianismo

Oficialmente, a nossa Igreja nunca fez do vegetarianismo uma prova de fé e/ou de comunhão. Tal posição, pelo que acima apresentei, não poderia estar mais correta! Além disso, é baseada numa recomendação explícita de Ellen White: “Não nos compete fazer do uso da alimentação cárnea uma prova de comunhão”(20).

Bíblia e Simetria

Um argumento histórico-profético que considero pessoalmente de grande visão e força é o que nos obriga a reconhecer que a própria Bíblia, assim como a História nela revelada, apresentam uma incrível simetria! (Ver quadro 1).

Com isto em mente, vejam se o seguinte modelo que vos proponho não faz sentido (ver quadro 2). Se acham que faz sentido, então por ele podemos reconhecer que estamos a viver uma época da História da Terra que corresponde, “simetricamente”, ao período que existiu entre a Queda e o Dilúvio, período esse em que Deus ainda não tinha dado permissão para se comer carne. Não quero ser dogmático quanto a este modelo, contudo ele parece-me ser de uma grande coerência interna e bíblica.

Conclusão

Resta-me terminar dizendo que cada um é responsável diante de Deus neste aspeto particular da sua vida (a alimentação), como em todos os outros aspectos! Peçam a Deus que vos ilumine a mente e que vos dê a força necessária, para fazerdes eventuais alterações nos vossos hábitos, caso sintais essa necessidade! Mas que qualquer decisão tomada possa ter um firme “Assim diz o Senhor” na sua base, sob pena de vir, mais cedo ou mais tarde, a ruir completamente!

(1) Quando utilizo o termo “carne”, não deixo por isso de incluir o peixe! Dizer-se que se come “a carne de animais” aplica-se, com a mesma propriedade, quer aos quadrúpedes e aves, quer aos peixes!
(2) Todas as referências bíblicas são retiradas da versão de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição, 1993.
(3) Ver: Génesis 9:3-4. Quando se diz, no versículo 3, que “tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento”, subentende já a distinção entre “animais limpos” e “animais imundos” que Deus tinha deixado bem claro anteriormente (ver Génesis 7:2, 8; 8:20).
(4) Ver: Levítico 6:24-26, 29; 7:1-6, 15-17 e Números 18:8-19
(5) Ver: Levítico 19:1-12
(6) Ver: Tiago 1:13
(7) Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, capítulo 46: A Transfiguração, pág. 357
(8) Romanos 8:3
(9) Ver: I Coríntios 15:42-44
(10) Ver: João 21:9-13
(11) O que é muito pouco provável, segundo a declaração de Lucas 24:42-43.
(12) Ver: Marcos 6:41; 8:6-7
(13) Manuscript 15, 1889; 5MR (Manuscript Releases), 400.3; 16MR, 173.3 (meu sublinhado)
(14) Ver: Génesis 9:3-4
(15) Seguindo a cronologia bíblica, o dilúvio ocorreu no ano 1656 após a criação! Como não sabemos o tempo que mediou entre a criação e a queda, falo no tempo aproximado de dezasseis séculos entre a queda e o dilúvio!
(16) Comparar as idades dos descendentes de Sete, em Génesis 5, com as idades dos descendentes de Sem, em Génesis 11:10-32, e com a idade média do ser humano no tempo de Moisés, autor do Salmo 90 (ver Salmo 90:10). No tempo de David (cerca de 500 anos após o tempo de Moisés), era já ser-se “mui velho” aos 80 anos de idade (ver II Samuel 19:32, 35).
(17) Ver: Lucas 21:34-36
(18) Ver: Filipenses 3:18-19
(19) Ver: Números 11:4-34
(20) Ellen White, Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, pág. 159; Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 359

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Em breve iniciará a formação em Teologia no Colégio Adventista de Sagunto (Espanha), para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Masturbação: Conselhos Divinos Sobre Esta Prática

Confira abaixo uma coleção de citações dos Testemunhos inspirados sobre a masturbação, uma prática mundana de ambos os sexos e que Deus revelou muita informação importante sobre ela.

Os textos foram copiados sem nenhuma adição ou comentário.

Fontes: Ellen G. White, Conselhos Para a Igreja, 109 a 114; Testemunhos Seletos, vol. 1, 256 a 263; Orientação da Criança, 444 a 446.


Jovens e crianças de ambos os sexos se entregam à masturbação, e praticam este repulsivo vício, destruidor da alma e do corpo. Muitos professos cristãos acham-se tão embotados pela mesma prática, que suas sensibilidades morais não podem ser despertadas para compreender que isto é pecado, e que se nisto continuam, os seguros resultados serão completa ruína do corpo e da mente. O homem, o ser mais nobre da Terra, formado à imagem de Deus, transforma-se em animal! Faz-se grosseiro e corrupto. Todo cristão terá de aprender a refrear as paixões, e a ser regido por princípios. A menos que assim faça, é indigno do nome de cristão.

Alguns que fazem alta profissão de fé, não compreendem o pecado da masturbação e seus seguros resultados. O hábito longamente arraigado lhes tem cegado o entendimento. Eles não avaliam a excessiva malignidade deste degradante pecado que lhes enerva o organismo e destrói a energia nervosa do cérebro. Os princípios morais são demasiado fracos quando em luta com um hábito arraigado. Solenes mensagens vindas do Céu não podem impressionar fortemente o coração não fortalecido contra a condescendência com esse degradante vício. Os sensitivos nervos do cérebro perderam o saudável tono devido à estimulação doentia para satisfazer um desejo não natural de satisfação sensual.

Os nervos cerebrais que se comunicam com todo o organismo, são os únicos meios pelos quais o Céu se pode comunicar com o homem, e influenciar sua vida mais íntima. Seja o que for que perturbe a circulação das correntes elétricas no sistema nervoso, diminui a resistência das forças vitais, e o resultado é um amortecimento das sensibilidades da mente. Em atenção a isto, como é importante que pastores e povo que professam piedade se apresentem limpos e imaculados quanto a tal vício degradante da alma!

Minha alma se tem curvado em angústia, ao ser mostrada a débil condição do professo povo de Deus. A iniqüidade é abundante e o amor de muitos esfria. Não há senão poucos professos cristãos que consideram esse assunto em seu devido aspecto, e que mantêm sobre si mesmos o justo governo quando a opinião pública e o costume os não condena.

Quão poucos refreiam suas paixões por se sentirem sob obrigação moral de fazê-lo, e porque o temor de Deus está diante de seus olhos! As faculdades mais elevadas do homem são escravizadas pelo apetite e por paixões corruptas.

A ociosidade leva à condescendência com hábitos corruptos. O trabalho não cansa e consome a quinta parte do que o faz o pernicioso hábito da masturbação. Se o trabalho simples e bem regulado aborrece vossos filhos, estai certos, pais, de que há alguma coisa mais que lhes está enervando o organismo e produzindo uma sensação de constante cansaço. Dai trabalho físico a vossos filhos, que exija a atividade dos nervos e músculos. A fadiga resultante desse trabalho lhes diminuirá a inclinação para condescenderem com os hábitos viciosos. A ociosidade é uma maldição. Produz hábitos licenciosos.

Geralmente os pais não suspeitam que os filhos compreendem algo a respeito do vício. Em muitíssimos casos, os pais são os verdadeiros pecadores. Têm abusado dos privilégios matrimoniais e, pela condescendência, fortalecido suas paixões sensuais. E ao se fortalecerem estas, têm-se enfraquecido as faculdades morais e intelectuais. O espiritual tem sido superado pelo animalesco. Nascem crianças com tendências animais grandemente desenvolvidas, tendo-lhes sido transmitido o próprio retrato do caráter dos pais. ... Os filhos nascidos desses pais quase que invariavelmente se inclinam aos repulsivos hábitos da masturbação. ... Os pecados dos pais serão visitados sobre seus filhos, pois os pais lhes têm dado o estigma das próprias tendências licenciosas.

A prática de hábitos secretos certamente destrói as forças vitais do organismo. Toda ação vital desnecessária será seguida de correspondente depressão. Entre os jovens, o capital vital, o cérebro, é tão severamente submetido a esforço, em tenra idade, que há uma deficiência e grande exaustão, que deixam o organismo exposto a enfermidades de várias espécies.

Se a prática é continuada nas idades de quinze anos e daí para cima, o organismo protesta contra o prejuízo já sofrido, e continua a sofrer, e os fará pagar a pena da transgressão de suas leis, especialmente nas idades de trinta a quarenta e cinco anos, por muitas dores no organismo e várias doenças, tais como afecções do fígado e dos pulmões, neuralgia, reumatismo, afecções da espinha, enfermidades nos rins, e tumores cancerosos. Alguns dos delicados mecanismos da natureza cedem, deixando uma tarefa mais pesada para os restantes realizarem, o que lhe desorganiza o delicado arranjo, havendo freqüentemente repentina decadência física, cujo resultado é a morte.

A masturbação destrói as boas resoluções, o esforço fervoroso, e a força de vontade para formar um bom caráter religioso. Todos os que têm qualquer verdadeiro senso do que significa ser cristão sabem que os seguidores de Cristo estão na obrigação, como discípulos Seus, de trazerem todas as suas paixões, forças físicas e faculdades mentais, em perfeita subordinação à Sua vontade. Os que são controlados por suas paixões não podem ser seguidores de Cristo.

A força moral está excessivamente enfraquecida, ao entrar em conflito com hábitos estabelecidos. Os pensamentos impuros dominam a imaginação, e a tentação é quase irresistível. Estivesse a mente acostumada a contemplar assuntos elevados, a imaginação educada a ver coisas puras e santas e seriam fortalecidas contra a tentação.


PR. YURI RAVEM
Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Pelotas - RS Casado com Andressa, mestre em educação.
Editor Associado do Blog
Nisto Cremos e Editor do Blog Igreja Adventista de Pelotas

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Reflexão sobre o '11 de setembro'


Passam hoje oito anos desde um dos mais horríveis dias que este mundo já testemunhou: 11 de setembro de 2001. Nessa ocasião, uma série de aviões comerciais foram desviados e brutalmente dirigidos contra edifícios onde milhares de pessoas se encontravam inocentemente, nas suas tarefas diárias.


Os mais tristemente célebres foram os que embateram contra as Torres Gémeas do World Trade Center, o segundo dos quais em direto para as televisões de todo o mundo, causando, em poucos minutos, a morte a milhares de pessoas que não tiveram tempo suficiente para fugir.

Não me importa agora aqui os motivos, o exato desenrolar de circunstâncias e acontecimentos, as reivindicações nem mesmo as teorias da conspiração que entretanto foram surgindo. Quero refletir, a esta distância temporal, sobre até que ponto pode chegar a maldade do ser humano e a forma como, individual e coletivamente, reagimos a este tipo de tragédia.

Recordo, nesse dia, ter recebido a notícia em termos imprecisos, alguns minutos depois da tragédia. Não imaginei, nem de perto nem de longe, o que, na realidade, tinha acontecido. Ao final do dia, no caminho para casa, ouvi os primeiros pormenores mais exatos via rádio e calculei um vulgar acidente de avião, desta vez sobre uma cidade populosa. Mas ao chegar a casa, ligo a televisão e vejo as imagens repetidas, dos embates contra o World Trade Center.

A minha primeira impressão foi... nenhuma. Não consegui que a minha mente assimilasse aquilo que os olhos estavam a transmitir-lhe! Após várias outras repetições, nas quais fiquei quase que petrificado em frente ao ecran, comecei a perceber que algo de muito terrível tinha mesmo acontecido.

Esquecendo as motivações políticas ou ideológicas, porque consegue o homem ser tão horrivelmente mau? Porque consegue tão indiscriminadamente destruir vidas sem razão aparente? Porque se dá o homem por satisfeito ao idealizar e executar um tão hediondo ato?

Independentemente das avaliações rigorosas e graus de maldade que poderemos apontar a um tão grave caso, a verdade, nua e crua, que devemos considerar, é que há muito que este mundo se vendeu ao senhor da morte.

Sim, horrível também foi, por exemplo, a obra da Inquisição dos finais da Idade Média e início da Moderna - e ficará, em horror, a dever algo aos acontecimento de 11 de setembro de 2001...?

Nestes e noutros casos, conseguiremos sempre encontrar os resultados da ação daquele que se decidiu a levantar contra Deus, agindo, a partir de determinado momento, para destruir a criação que havia surgido à Sua bela e perfeita imagem.

Se os homens dirigidos por Deus atuam para benefício do seu próximo, manifestam amor para com todos e refletem o Seu propósito de bondade, não será difícil concluirmos que quando vemos destruição, angústia, dor e morte, isso é, em última instância, a ação do arqui-inimigo de Deus, usando a seu belo prazer os homens que voltam as costas a Deus.

Não admira, portanto, que Jesus tenha avisado de aflições que surgiriam, nestes termos: 'homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo...' (Lucas 21:26).

Um outro motivo de reflexão, isto já no imediato período pós-atentados, foi a correria geral para as igrejas e outros locais de culto. Multidões encheram os templos e procuraram ali algum conforto e respostas que não conseguiram encontrar em qualquer outro lado.

Desta vez, não houve aplausos e vivas aos políticos que constantemente prometem um futuro melhor, próspero e seguro. Não! As massas voltaram-se para Alguém que habita muito acima das capacidades do homem. A situação foi tão grave, o choque diante dos olhos tão doloroso, que nada mais parecia fazer sentido do que procurar a presença Daquele que tudo sabe e pode resolver.

Não sei se esta tendência se prolongou ou se lentamente se foi dissipando com o passar do tempo e a recuperação anímica sobre o sucedido. Mas uma coisa provou: não é no homem que se consegue achar a paz que este mundo destrói!

Oito anos após estes eventos historicamente significativos, é hora de renovar a nossa entrega ao Senhor da vida e da paz, para que Ele nos transforme e afaste de praticar o mal. E quando esse mal surgir, não teremos de partir em busca de refúgio - já estaremos Nele abrigados!

'Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno' (Hebreus 4:16).

A Bíblia convida a que nos cheguemos sem reservas ao trono do Altíssimo independentemente das circunstâncias à nossa volta - ou seja, não precisamos de esperar por tragédias como esta para nos voltarmos para o Senhor; elas apenas nos devem dar mais força e ânimo para permanecermos junto Dele.

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Em breve iniciará a formação em Teologia no Colégio Adventista de Sagunto (Espanha), para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Prega a estes ossos

Texto: Ezequiel 37:1-14

Introdução:

A – O povo de Israel estava no cativeiro, na Babilônia, sofrendo. Não existe nada mais desalentador para um povo que a escravidão.
a) Entre os dez mil dos principais do povo que foram levados cativos para a Babilônia estavam Ezequiel, Jeremias, Daniel, Hananias, Misael, Azarias e muitos outros.
b) O templo do Senhor fora queimado e a cidade de Jerusalém destruída. Só os pobres da terra foram deixados para que cuidassem da lavoura.


B – Pior: embora vivendo no cativeiro, o povo continuava sendo rebelde, idólatra e longe de Deus.

1 – Revelavam estar poucos dispostos a praticar uma reforma espiritual completa. Foram tempos turbulentos para Ezequiel. Sendo ainda jovem, foi chamado para o ofício profético.


C – Deus, porém, queria dar a eles, e a nós, esperança de melhores dias para o seu povo.

1 – Deus está esperando e está pronto para dar-nos melhores coisas no futuro, com a condição de voltarmos para Ele.

a) É a respeito deste assunto que eu desejo falar à Igreja de Deus nesta hora.

D – Uma das mais interessantes mensagens em toda a Bíblia é a visão de Ezequiel no vale dos ossos secos.

1 - Para Ezequiel foi uma experiência impressionante.
2 – Foi-lhe ensinado de uma maneira que ele jamais poderia esquecer. Uma lição muito valiosa.
3 – O povo de Israel tinha sido levado para o cativeiro. Agora eram como ossos secos.

a) Mas eles pensavam ser ainda o povo de Deus, apesar da escravidão, mesmo estando num estado de rebelião contra Deus.

4 – Eles imaginavam estar vivos, mas à vista de Deus estavam mortos.

E – Não há coisa mais morta do que ossos secos.

F – O que eles estavam necessitando?

1 – De ressurreição.
2 – Como todos os mortos, o povo de Israel estava alheio a esta situação.

G - Foi nesta ocasião e nesta condição, sem esperança, que Deus chamou Ezequiel, que era sacerdote, para que se tornasse o Ezequiel profeta.

1 – Ezequiel não esperava ter muito êxito em seu trabalho.

a) Ele conhecia bem de perto as condições de Israel. Além disso, ele conhecia também as suas limitações pessoais.

(1) Como poderia ele fazer algo por Israel na condição em que se encontrava espiritualmente? Era algo que ele não podia entender.

I – UM VALE DE OSSOS SECOS

A - “Veio a mim a mão do Senhor”. (Ezequiel 37:1 - 1ª. Parte).

1 – É sempre uma experiência impressionante, quando a mão do Senhor repousa sobre nós.

a) Esta mão do Senhor repousando sobre nós pode nos eletrizar e pode também nos matar. Ezequiel sabia que era a mão do Senhor. E ele compreendeu que Deus o chamou para uma importante missão.
b) Assim, ele respondeu: “Mas aonde eu serei enviado?” “Qual seria o seu primeiro campo de ação?” “A que grande cidade serei mandado?” “A que grande e influente Igreja irei pregar?”

2 – Esse seria um chamado do Senhor. Portanto, deveria ser uma responsabilidade importante. Ele não tinha de esperar por muito tempo.

3 – Diz o texto: “E o Senhor me levou em Espírito”. (v.1).

a) Ezequiel passou por cima das cidades, onde há muita confusão, muito barulho e muitas luzes. Ezequiel voou por cima das vilas com suas vidas pacatas e confortáveis. Ezequiel passou por cima dos campos com seus lagos e rios. Ezequiel passou pelas planícies e por cima das colinas cobertas de árvores.

4 – A Bíblia diz: “E me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos”. (v.1 - últ. Parte)

B - A preocupação de Ezequiel.

1 - Certamente ele falou a Deus e disse: “Mas Senhor, o que vamos fazer aqui, nesse vale cheio de ossos?” “Senhor, aqui não é lugar para um sacerdote e nem para um profeta?”. “O que se necessita, aqui, é de um coveiro para abrir as sepulturas e para enterrar esses defuntos”. “E, agora, tu me mandas para esse lugar real, para esse cemitério!”

C – Prezados irmãos, este vale de ossos era um lugar real e não imaginário.

1 – Tinha sido um campo de batalhas. Era o resultado de uma guerra do passado.
2 – Tantos tinham sido mortos na guerra que era impossível sepultar a todos.
3 – Assim, o que eles fizeram foi fechar o vale e deixar lá os que morreram na batalha.

a) Ali não era um lugar para uma pessoa ir. Fazer o quê?
b) Os campos de batalhas com seus mortos sempre foi um lugar evitado.

Experiência: O livro “Sequestro em Angola” conta a experiência de duas missionárias brasileiras da Igreja Batista que foram sequestradas pela UNITA. Viajaram vários meses para chegar a Jamba, capital do império de Jonas Savimbe, o líder guerrilheiro da Unita. Passaram por um campo de batalha de nome Coitocanaval. A batalha de Coitocaval ficou registrada na guerra de Angola como a mais cruel de todas. Alguns meses antes tinha havido essa grande batalha entre os exércitos da Unita e do MPLA. Nessa batalha morreram mais de 5.000 soldados. Elas passaram nesse lugar por entre os cadáveres abandonados.

D – Ezequiel estava também num lugar assim.

a) Ele falou a Deus: “Senhor, o que estamos fazendo aqui nesse cemitério?”

E – “Senhor, se queres que eu pregue, se queres que eu profetize, tudo bem - eu faço, mas me tira daqui deste cemitério”. (Na Bíblia, muitas vezes o verbo “profetizar” tem o sentido de “pregar”)

1 – “A quem eu vou pregar neste cemitério?”
2 – “Leva-me para uma cidade”.
3 – “Leva-me aonde está o povo”.
4 – Eu pregarei a mensagem. Eu farei de todo coração.
5 – Porém, aqui, Senhor, neste cemitério, não posso fazer nada.

a) Mas o Senhor disse a Ezequiel: “Não! Esta é a tua Igreja: prega! Esse vale cheio de ossos é o teu lugar de trabalho: prega!”.

E – Deus disse a Ezequiel: “Vamos dar uma olhada ao nosso redor”.

1 – “E me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos”. (v.2)
2 – Ezequiel andou várias vezes ao redor do vale. Depois de muito andar, ele chegou à seguinte conclusão:

a) Os ossos eram muito numerosos.
b) Estavam sequíssimos.

F – “Então me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão viver estes ossos?” (v. 3).

Aplicação homilética: Coloque-se no lugar de Ezequiel. Como você responderia se estivesse no lugar do profeta? O que você diria a Deus?

a) Ezequiel não tinha fé suficiente para dizer “Sim”, mas também não tinha coragem de dizer “Não”.
b) O pior: é que ele nem sequer disse: “Eu não sei”.
c) O que ele disse, em resumo, foi o seguinte:

(1) “Senhor, esta é uma boa pergunta”!
(2) “O Senhor a fez, o Senhor a responda”.

e) Ele disse a Deus: “Senhor Deus, tu o sabes”. (v. 3)

(1) Quem faz a pergunta é que tem o direito de saber a resposta.

G – “Então me disse Ele: profetiza a estes ossos”. (v.4).

1- Repito: Na Bíblia a palavra “profetizar” tem muitas vezes o mesmo sentido de “pregar”.

a) Numa outra tradução diz: “Prega a estes ossos”.

2 – Eu posso imaginar a resposta de Ezequiel: “Senhor, é impossível! Como eu vou pregar para ossos sem vida?”

a) Ossos não têm ouvidos. Ossos não podem ouvir.

H – Ezequiel questionou consigo mesmo e disse depois a Deus: “Senhor, em Israel de hoje, é difícil pregar aos vivos, e tu me mandas pregar a ossos secos?”

1- Irmãos, não adianta o homem querer questionar com Deus. Quando ele pede a solução é obedecer.

a) “Disse-me Ele: Prega a estes ossos e dize-lhe: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v 4).

II – PREGANDO A OSSOS SECOS

A – Certamente você é também um pregador da Palavra de Deus como eu sou.
1 – Eu posso me colocar no lugar de Ezequiel. Eu gostaria que você se colocasse no lugar dele. Era uma difícil tarefa indicada para o profeta.

Ilustração: Falar no espelho.
Logo quando eu entrei na igreja, o Pastor Edson Lima dava aula de Homilética para os jovens, ensinando-nos a falar diante de um espelho para melhorar o rendimento. Pregando no espelho, você está vendo a sua imagem, seus gestos e cria confiança, melhorando a autoestima. Pregar para um espelho é mais fácil que pregar para ossos secos.

B – Deus, porém, disse a Ezequiel: “Filho do homem, prega a estes ossos e dize-lhes: ‘Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor’”!

C – O versículo diz: “Assim diz o Senhor Deus a estes ossos. Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis”. (v.5)

D – O verso seguinte: “E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que Eu sou o Senhor”. (v.6).

1 – Eu posso imaginar Ezequiel dizendo: “Senhor, se isto acontecer, enquanto eu pregar, então, eu saberei que tu és mesmo o Senhor Jeová”.

a) Assim, Ezequiel pregou como fora ordenado.
b) E, ao pregar, houve um grande ruído no vale.
c) Os ossos começaram a se mexer e depois a se juntar, ossos com ossos.

2 – Eu imagino que Ezequiel estava com os olhos fechados. E quando ele ouviu o ruído, abriu bem os olhos. Agora estava espantado!

E – É isso que diz o verso 8: “E quando olhei, eis que havia nervos sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles, mas não havia neles o espírito”.

1 – Não havia neles vida.
2 – Ezequiel estava maravilhado e disse: “Senhor, o que estou vendo aqui é maravilhoso. É sensacional!... Nunca aconteceu coisa semelhante quando eu preguei, porém aonde iremos agora”?
3 - Em vez de termos um vale cheio de ossos, temos um vale cheio de cadáveres, um vale cheio de esqueletos.

a) Agora, Ezequiel estava se envolvendo com o assunto.

(1) Sua fé começou a aumentar. O seu entusiasmo cresceu.

F - E o Senhor disse a ele: “Então Ele me disse: Prega ao espírito, prega ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre esses mortos, para que vivam. Preguei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso”. (vs. 9 e 10).

1 – Meus irmãos, esta era uma experiência maravilhosa, um milagre maravilhoso.
2 – Mas o que significava tudo aquilo para Ezequiel e para nós hoje?
3 – Qual era o objetivo de Deus dar a Ezequiel esta visão?
4 – Qual era a lição que Deus tinha e tem ainda hoje para o seu povo?

III – O SIGNIFICADO DA VISÃO.

A - “Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todos exterminados. Portanto, prega e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que Eu sou o Senhor, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fiz sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecereis na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o Senhor, disse isto e o fiz, diz o Senhor”. (versos 11a14).

1 – Esta era a lição para Israel:

a) Era uma promessa de reavivamento espiritual.

(1) Era uma promessa de ressurreição.

B - Deus deu a Ezequiel a mensagem.

1 - Ezequiel transmitiu a mensagem.
2 – Embora no cativeiro, um grande Reavivamento teve lugar entre o povo de Israel.

C – Por que estamos estudando este assunto agora?

1 – Pode alguém dizer: “Isto aconteceu há muitos séculos”.

D – Meus irmãos, a Bíblia diz que tudo o que aconteceu no passado foi para o nosso exemplo.

E – Nesta mensagem dada a Ezequiel há ainda mensagem para nós que vivemos no século XXI.

1 – O Senhor está falando ao Seu povo e a Sua Igreja através de Ezequiel, hoje.

IV – A CONCLUSÃO DA VISÃO:

A – O vento soprou nos ossos, e eles reviveram.

1 – Foi ordenado que o vento soprasse sobre os corpos e estes receberam vida novamente.

a) O vento é a figura do Espírito de Deus e representa o Seu poder vivificante.

B – Temos hoje, tanto quanto nos dias de Ezequiel, uma Igreja que está dormindo, que está morrendo.

1 – Uma Igreja morna espiritualmente.
2 – Desesperadamente, a Igreja de Deus, hoje, necessita reavivar-se.
3 – Os anos passam, e a Igreja vai-se acomodando.

a) O pecado vai penetrando sub-repticiamente na Igreja.
b) O secularismo, o mundanismo vai destruindo a espiritualidade da Igreja como aconteceu com o povo de Israel.

4 – Mas esse mesmo Deus que reavivou os ossos secos, quer nos reavivar ainda hoje.
5 – Ele quer que a ressurreição tenha lugar em nossas vidas e em nossos dias.
6 – Não podemos pensar que tudo está bem e que não necessitamos de mais nada.
7 – Não podemos dizer: “Rico sou. Estou enriquecido e de nada tenho falta”.

8 – Nossa Igreja hoje necessita de um grande Reavivamento e de uma Reforma espiritual.

a) Diz a serva do Senhor: “Um Reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos carecidos de preparo para recebê-la. Nosso Pai celeste está mais disposto a dar Seu Espírito Santo àqueles que Lho peçam, do que pais terrenos o estão a dar boas dádivas a seus filhos. Cumpre-nos, porém, mediante confissão, humilhação, arrependimento e fervorosa oração, cumprir as condições estipuladas por Deus em Sua promessa para conceder-nos Sua bênção. Só podemos esperar um Reavivamento em resposta à oração. Enquanto o povo se acha tão destituído do Espírito Santo de Deus, não pode apreciar a pregação da Palavra; mas quando o poder do Espírito lhes toca o coração, então os sermões não ficarão sem efeito. Guiados pelos ensinos da Palavra de Deus, com a manifestação de Seu Espírito, no exercício de sã discrição, os que assistem a nossas reuniões adquirirão preciosa experiência e, voltando ao lar, acham-se preparados para exercer saudável influência”. Mensagens Escolhidas Vol. 1, pág. 122.

A Reforma Deve Acompanhar o Reavivamento

“Precisa haver um Reavivamento e uma Reforma, sob a ministração do Espírito Santo. Reavivamento e Reforma são duas coisas diversas. Reavivamento significa renovação da vida espiritual, um avivamento das faculdades da mente e do coração, uma ressurreição da morte espiritual. Reforma significa uma reorganização, uma mudança nas idéias e teorias, hábitos e práticas. A Reforma não trará o bom fruto da justiça a menos que seja ligada com o Reavivamento do Espírito. Reavivamento e Reforma devem efetuar a obra que lhes é designada, e no realizá-la, precisam fundir-se”. Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 128.

“Apesar de diferentes, Reavivamento e Reforma se completam. Reforma sem Reavivamento leva ao legalismo; e Reavivamento sem Reforma leve ao fanatismo”, disse alguém.

B – Quem vai fazer a Reforma? Com quem a Reforma vai-se iniciar?

1 – Aqueles que estudam o assunto das reformas dizem: “Nenhuma reforma começa com quem está no poder ou no comando”.
2 – Qualquer reforma - seja ela política, social, econômica, religiosa ou quaisquer outros tipos de reforma – parte sempre de fora para dentro e nunca de dentro para fora.
3 – Vejam os políticos! Falam muito em reformas e mudanças, enquanto estão na oposição, mas quando chegam ao poder e começam a liderar, esquecem de reformar.
4 – Na religião, não é diferente; é a mesma coisa. Alguém necessita começar a reforma.

a) Portanto, qualquer tipo de reforma, sempre começa com uma pessoa, com um indivíduo - e não com as massas.

5 – Sendo assim, se eu sou uma pessoa religiosa, a reforma deve começar comigo. Começar com você. Não pense em reformar os outros, sem primeiro começar a reformar a sua vida.

C – Os ossos secos necessitam reviver. Ossos Secos!...
1 – Nunca imagine que os ossos secos são sempre os outros. Não!

a) Se você nada faz para melhorar a vida espiritual de sua Igreja, você é também um osso seco.
b) Se você fala muito e não faz nada, você é um osso seco.
c) Se você fala dos líderes da Igreja, mas vive uma vida pior que a deles, você é um osso seco.
d) Se você não faz nenhum trabalho missionário, mas diz “Esse trabalho pertence aos pastores, e não mim”, você é um osso seco.
e) Se você nunca prega a Palavra, mas gosta de criticar aos que pregam, você é um osso seco.
f) Se você gosta de criticar a liderança da Igreja, mas vive em pecado, você é um osso seco.
g) Se você é um cristão, mas não gosta de falar de Jesus Cristo, você não passa de um osso seco.

– Um osso seco que nenhum cão quer farejar ou roer.

CONCLUSÃO:

A – Deus continua a dizer, hoje: “Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”.

B – Necessitamos preparar o caminho para o derramamento do Espírito Santo.

C – Esse Reavivamento necessita acontecer aqui e agora.

1 – A minha pergunta é:

a) Se não for agora, quando será?
c) Se não for conosco, com quem será?
c) Se não for aqui, onde será?

D – Deus chama a sua Igreja para despertar. Estamos em meio aos perigos dos últimos dias. Maiores perigos estão diante de nós. Todavia nós não estamos alerta.

APELO: Isaías 55:6 – “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”.

ORAÇÃO: Senhor nosso Deus, ajuda-nos a entender os perigos dos dias em que vivemos. Ó Senhor, ajuda-nos a sair desta escravidão espiritual. Ó senhor Jeová, orienta o teu povo, a fim de que não continue se afastando de Ti. Afasta de nossa vida o pecado que tenazmente nos assedia. Dá-nos o Teu Espírito para que possamos discernir e distinguir o pecado e o erro da Tua verdade. Ó Senhor, somos ossos secos sem vida. Queira nos ressuscitar espiritualmente. Ajuda-nos a começar a Reforma, mas que esta Reforma comece, em primeiro lugar, com cada um de nós e com a nossa família.
Nós te pedimos em nome e por amor de Jesus Cristo. Amém!

Hinos sugeridos: H.A. 405, 506


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.
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