sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Da 'Obamania' à realidade

No dia em que Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos da América, muitas pessoas perguntaram com normal expetativa se ele seria 'a nova esperança do mundo'.

Isto porque, em quase todos os setores, mesmo a nível mundial, se notava um enorme otimismo em torno da sua figura e do que ele poderia fazer, à escala global, para resolver os gritantes e crescentes problemas que pareciam mais fortes que as tentativas de os estancar.

Um ano depois, no passado mês de novembro, publiquei uma reflexão que dava conta de algumas realidades que, então, já eram mais do que evidentes, e que confrontavam claramente os mais positivos anseios de quem tanto esperou da sua eleição como presidente da mais poderosa nação do mundo.

Nesta última ocasião, entre outras coisas, defendi que 'após o inicial período de encantamento, que talvez tenha durado mais do que o normal num político que chega a um novo poder, a dura realidade dos fatos (leia-se, dificuldades e/ou impossibilidades) começou a abater-se sobre a figura de Obama. Não que ele seja culpado por isso; tão somente, como sugeri então, o depositar de esperança numa vida melhor sobre os ombros de um homem (seja ele Obama ou outro qualquer) só pode conduzir, mais tarde ou mais cedo, a um desapontamento por não concretização das expetativas criadas e alimentadas.'

Agora, quando nos aproximamos do primeiro aniversário da tomada de posse de Obama, lemos um artigo da agência Lusa que faz um balanço dos EUA em 2009, marcado, inevitavelmente, pela presidência de Obama.

Leia, de seguida, este artigo, e atente bem para as partes que coloquei a negrito.

'As expectativas de mudança com a eleição de Barack Obama, que em Janeiro tomou posse como o primeiro Presidente negro dos EUA, deram lugar ao longo do ano à confrontação com uma realidade adversa e a alguns desânimos.

Na avaliação do primeiro ano do seu mandato, o Presidente norte-americano disse ter afastado a ameaça de uma "ruína económica", o que passou pela injecção de 787 mil milhões de dólares a três anos para combater a crise. Mas a mudança está a ser lenta e com o lastro de uma taxa de desemprego de dez por cento.

"Essa jornada eleitoral era de esperança porque tudo era possível", lembrou Obama no aniversário da sua eleição. "O trabalho continua" e os EUA vão na "boa direcção."

A bandeira eleitoral da reforma do sistema de saúde, abrangendo milhões de americanos sem protecção, foi aprovada pela Câmara dos Representantes, embora ainda falte a votação no Senado (nota minha: nesta data, já foi aprovada no Senado), com grande resistência dos Republicanos e até dentro do Partido Democrata.

Dois dias depois de chegar à Casa Branca, prometeu encerrar Guantanamo, mas o centro de detenção em Cuba continua aberto e nas mesmas circunstâncias jurídicas criticadas durante a administração Bush, havendo agora planos de aquisição de uma prisão em Illinois para acolher os suspeitos de terrorismo.

A guerra do Iraque, que marcou os mandatos do seu antecessor, deu lugar ao foco no Afeganistão, com os Taliban e a rede da Al-Qaida a minar a estabilidade no país e no Paquistão, levando Obama a anunciar um reforço de 30 mil efectivos, apesar de também ter anunciado uma retirada até Julho de 2011.

O Presidente que declara guerra aos extremistas islâmicos é também Nobel da Paz em início de mandato, com o comité a considerar que Obama desenvolveu "extraordinários esforços para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", onde se incluirá um discurso na Universidade do Cairo, onde disse que os EUA e os muçulmanos devem procurar um novo começo, "fundado no interesse mútuo e no respeito mútuo".

O Presidente norte-americano lida com as ameaças do Irão no desenvolvimento de tecnologia nuclear, dando um ano para Teerão mostrar seriedade nas negociações, ao mesmo tempo que o conflito israelo-palestiniano permanece num impasse.

Obama é também o chefe de Estado que dá seguimento à redução dos "stocks" de armamento nuclear dos EUA e Rússia, país agora mais tranquilizado com o abandono do projecto norte-americano de um escudo antimíssil na Europa de Leste, que será substituído por um outro mais eficaz em relação à ameaça iraniana.

Nos altos e baixos do primeiro ano da mais esperada das administrações, Obama saiu de Copenhaga sem o acordo vinculativo que procurava para a cimeira sobre o clima, outra bandeira de ruptura em relação ao anterior Presidente.

No mesmo dia em que se tornou Nobel, e com a popularidade em perda, Obama foi reproduzido numa estátua na Indonésia, onde passou parte da sua infância.

Destina-se a "inspirar e a encorajar as crianças indonésias a realizarem os seus sonhos", explicou o presidente da organização que reuniu o dinheiro para o monumento.'

Que mudanças no sentimento geral desde há cerca de um ano!

Recuperando um outro excerto da minha reflexão em novembro último, termino reforçando: 'talvez alguns cidadãos mundiais ainda fiquem com reservas em admitir o erro de confiança mal depositada. Mas, deixe-me ajudá-los nesse objetivo com as palavras da Escritura: 'maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço' (Jeremias 17:5)!'

E você, caro leitor? Já se convenceu definitivamente que não há esperança em homem algum?

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em Março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Atualmente, é Colportor Evangelista da União Portuguesa. Em breve iniciará a formação em Teologia, para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final. Casado com Sofia, têm um bebé, Caleb Filipe, nascido em Junho de 2009.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...