domingo, 26 de julho de 2009

Vale-Cultura ou Vale-Lixo?

O Governo Federal tratou de mandar recentemente à Câmara dos Deputados projeto para instituir o vale-cultura. A intenção é garantir aos trabalhadores um incentivo financeiro para que consumam cultura. Na teoria, por meio de um cartão magnético os trabalhadores poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais. As empresas que declaram imposto de renda com base no lucro real poderão aderir ao Vale-Cultura e disponibilizar até R$ 50,00 por funcionário, ao mês, com direito a deduzir até 1% do imposto de renda devido. Segundo o Ministério da Cultura, os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor (R$ 5,00).

É a primeira vez que alguma iniciativa ocorre, que eu saiba, para alcançar diretamente a população em relação à cultura. É boa na sua concepção, mas resta saber se vai ocorrer de maneira prática. No Brasil, geralmente leis que oferecem algo que estimule a população a pensar de maneira um pouco mais crítica e consciente não costumam avançar com força. Vamos ver se será uma lei para vigorar mesmo ou mais um item fictício a ser divulgado, depois, no próximo ano, nas campanhas eleitorais. É esperar e acreditar, mais uma vez, que alguma intenção favorável esteja por trás disso.

Outro aspecto importante a ser verificado, com a promulgação dessa lei do vale-cultura, é a necessidade de a população entender o que é cultura e o que é lixo. Hoje, não é somente a televisão convencional que oferta porcaria para adultos, crianças e jovens. No cinema, no teatro, nos livros, nos CDs e DVDs há muitíssima mensagem que deteriora os valores familiares, religiosos e de uma vida simples. Mais importante do que possuir condições de usar um vale-cultura é saber utilizar o benefício com inteligência e prudência. Bom é poder ir a um museu, por exemplo, e ver a história de um estado, de uma etnia, de uma parte do que foi o Brasil do passado, outra coisa é ver filmes e peças teatrais que desmoralizam o ser humano em sua essência e não transmitem princípios dignificantes para as futuras gerações.

Gosto muito de pensar no sábio apóstolo Paulo que trabalhou na evangelização de povos pagãos, muitos deles adoradores de ídolos e altamente influenciados pelas teorias e pensamentos da cultura helênica. É interessante que, certa vez, conforme registra a Bíblia, Paulo teve permissão de discorrer sobre os ensinamentos cristãos no Areópago, local das grandes decisões e debates no mundo grego antigo. Apesar de respirar a cultura grega, de contar com o “vale-cultura” da época, Paulo mantinha seus princípios e, com prudência e perspicácia que somente um homem ligado a Deus pode ter, conseguiu enxergar a adesão de alguns à causa cristã. Ou seja, somos constantemente colocados diante da decisão de escolher entre o vale-cultura e o vale-lixo, aquilo que definitivamente não serve para nosso crescimento como indivíduos.

Provavelmente esse vale-cultura, do governo brasileiro, tenha sido pensado, entre outros motivos, para ajudar a dar vazão ao intenso material cinematográfico produzido aqui no Brasil e que não é consumido nem pela população local. Mesmo assim, é uma iniciativa que tem seu lado interessante, porém é fundamental que os futuros usuários do benefício consigam entender que nem tudo o que poderão consumir é bom para sua saúde mental. É aquela máxima bíblica: “tudo é lícito, mas nem tudo convém”.


FELIPE LEMOS

Jornalista, blogueiro, twiteiro, especialista em marketing, Assessor de Imprensa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul
Editor geral do Blog Realidade em Foco
Email: felipex29@gmail.com

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