segunda-feira, 6 de julho de 2009

Novos ídolos, velhos sistemas

A morte repentina do cantor pop Michael Jackson causou o abalo que se esperava para um mundo que sente a necessidade de ídolos humanos. A sociedade que busca referências de todos os tipos, nem que seja para justificar seu modo de ser, não consegue viver sem que alguns indivíduos funcionem como parâmetros para seus comportamentos. Nem que esses parâmetros não sejam os melhores no que diz respeito à qualidade de vida, fortalecimento dos laços familiares ou espiritualidade.

A morte de Michael Jackson, uma pessoa evidentemente influenciada por sua infância e juventude, levou alguns a uma rápida reflexão sobre a brevidade da vida. E mais: sobre quão efêmero é o ser humano diante de doenças, provocadas ou não por ele mesmo.

Mas infelizmente tudo isso passa. Depois de um mês ou mais, boa parte dos que estão dançando de novo ao som das músicas do artista norte-americano ou até chorando ao ver os intermináveis programas especiais sobre sua vida não se lembrarão mais dos fatos que circundaram a morte de Jackson. Nem se preocuparão mais com a necessidade de repensar seus valores e princípios pessoais. E muitos irão atrás de novos ídolos, novas pessoas nas quais irão fundamentar seus sonhos, desejos, aspirações, enfim, novos ícones para os quais devotarão boa parte de seu tempo, recursos e capacidade intelectual. O velho sistema retornará na vida de tantos que poderiam ter uma nova perspectiva.

Já o apóstolo João, que escreveu um dos evangelhos e três cartas de motivação cristã, deixou uma mensagem que vai justamente no sentido contrário desse sistema. No capítulo 2, versículos 15 a 17, está escrito que “não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.
Essa é a grande contradição. A sociedade em geral diz que a morte de “ídolos”, como Michael Jackson, é algo que afeta, mas que as repercussões vão passar e todos poderão continuar vivendo despretensiosamente da mesma forma sem se preocupar com o amanhã, com valores, com regras, com normas, com princípios, porque vão surgir outros nomes para ocupar espaço em seu lugar e o velho sistema de amor aos ícones continuará.

Por outro lado João, na Bíblia, diz que o mundo passa, ou seja, as coisas passageiras como os ídolos humanos, os grandes shows, a atmosfera aparentemente linda que se cria em torno dos “astros” e “estrelas” do mundo da música ou de qualquer área, tudo isso vai passar. Como passou agora em relação a Michael Jackson. E o que vai ficar? O final do verso deixa claro que os que permanecem são aqueles que fazem a vontade de Deus. Ou seja, apegar-se a Deus é uma real garantia. Não é algo passageiro, transitório, efêmero. Claro que a morte chegará a muitos que leem esse texto, mas a maneira como estiver nosso amor é que vai fazer a diferença. A quem amamos? O mundo ou Deus? Uma indagação com dupla possibilidade de resposta.
Michael Jackson se foi e, por mais brilhante que tenha sido sua trajetória aos olhos do show business, poucas lembranças ficarão a respeito dele em alguns anos. O que nós estamos acumulando aqui? Já que, como lemos, o mundo passará...


FELIPE LEMOS

Jornalista, blogueiro, twiteiro, especialista em marketing, Assessor de Imprensa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul
Editor geral do Blog Realidade em Foco
Email: felipex29@gmail.com

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