terça-feira, 14 de julho de 2009

A Maior Virtude de Um Líder


Uma notícia me chamou a atenção ao ler o jornal Folha de S. Paulo da terça-feira, 12 de maio de 2009: “Lula sai do Carro para falar com sem-teto em protesto”.

O autor do texto relata: “Numa ação que lembrou os primeiros meses de governo, quando descia do carro presidencial para cumprimentar eleitores em frente ao Alvorada, o presidente Luís Inácio Lula da Silva entrou ontem no meio de um protesto de sem-teto na entrada do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil)”.

Todos sabem que esta credencial do presidente como hábil negociador foi forjada ao longo de anos como líder sindical, em meio às greves trabalhistas e costura de acordos com os patrões do setor metalúrgico da região do ABC paulista.

Por isso, embora inusitado o encontro em se tratando da maior autoridade do país, ele soa como natural: “Assim que os veículos pararam por conta do protesto, Lula desceu e se misturou aos manifestantes. Cercado, quis ouvir a reivindicação e pediu a eles que entregassem um documento com a pauta ao seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho”.

Não restam dúvidas de que a capacidade de ouvir as pessoas, de uma maneira simpática e compreensiva, é o mecanismo mais eficaz do mundo no sentido de conquistar apoio, granjear amizades e conduzir equipes na busca e consecução de grandes conquistas.

Como diz o escritor J. Oswald Sanders, “Ouvir é um esforço autêntico para compreender o que a outra pessoa deseja descarregar, e se deve fazê-lo sem prejulgar o caso em questão. Muitas vezes um problema já está meio solucionado quando externado e ventilado com um ouvinte atencioso”. [1]

A arte de saber ouvir

A Bíblia nos apresenta este sábio conselho: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19).

A ênfase de Tiago encontra-se na disposição para ouvir. A sensibilidade às necessidades alheias se expressa melhor ouvindo do que falando. Há um provérbio antigo que corrobora essa idéia: “Deus nos deu dois ouvidos e uma só boca; isso significa que, no mínimo, deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos”.

Embora pareça algo fácil e simples – e é – esta questão de saber ouvir constitui uma queixa recorrente entre os liderados; “Pouquíssimos são os que praticam a ‘magia branca’ de bem ouvir”, afirma o escritor J. Oswald Sanders. Ele conta que, certa ocasião, um missionário lhe falou em tom de queixa sobre o seu superior: “Ele não me dá ouvidos. Antes que eu tenha oportunidade de realmente apresentar-lhe o problema, ele já vem com a resposta”. [2]

“Este é o defeito do falador compulsivo”, acrescenta Sanders. “Ele teme o silêncio, ainda que seja de um instante. Mas se o líder quiser chegar à raiz dos problemas, deve aprender a arte de ouvir. De outra sorte, é provável que ele trate apenas dos sintomas deixando a terrível moléstia sem tratamento”. [3]

Com demasiada freqüência os líderes deixam a impressão, inconscientemente e, por certo, sem a mínima intenção, de que estão ocupados demais para ouvir. Feliz é o líder que, em meio aos prementes deveres, dá a impressão de que há tempo de sobra para tratar do problema. É ele que tem maior probabilidade de encontrar solução. Com certeza, não é desperdiçado o tempo que se passa ouvindo as pessoas.

Escrevendo acerca de Napoleão, disse D. E. Hoste: “Ele era um bom ouvinte e possuía em alto grau o dom de aplicar o conhecimento especial dos outros a determinado conjunto de circunstâncias. Não demonstra a história que todo homem verdadeiramente grande é feito mais ou menos nessas linhas?” [4]

Divisor das águas

Como vimos, mais do que uma habilidade, “jogo de cintura” ou exercício político de fazer concessões, a capacidade de saber ouvir – colocando-se no lugar do interlocutor e procurando saber as suas necessidades ou conhecer as suas opiniões – é um elemento fundamental no estabelecer a diferença entre sucesso e fracasso de uma liderança.

Vivemos na era da informação e, como lembra Leith Anderson, “a informação que o líder desconhece pode ter uma importância imensa para a organização que lidera. [...] A complexidade da tarefa do líder é imensa. Cada igreja, comunidade e organização é diferente das demais. Por isso alguns líderes extremamente eficientes fracassam quando são remanejados. Eles tentam repetir o sucesso anterior e descobrem que seus métodos não se aplicam a qualquer ocasião nem a qualquer lugar”. [5]

É aí que entra em cena a capacidade e arte de saber ouvir. Buscar informações e colher dados importantes com as pessoas sobre a os costumes, práticas, expectativas, cultura, sonhos, medos e aspirações dos novos liderados.

Com certeza, ouvidos atentos, seguidos de uma postura sincera de quem valoriza as opiniões alheias, vale mais do que mil discursos de apoio, milhares de promessas “de campanha” e um rosário de boas intenções!

Referências

1. J. Oswald Sanders, Paulo, o Líder, pág. 59.

2. Idem, pág. 58.

3. Ibidem.

4. Idem, pág. 59.

5. Leith Anderson, Líderes Para Um Novo Tempo, pág. 31.




PR. ELIZEU LIRA

Pastor em Uberlândia. Atualmente faz pós-graduação em Ciência da Religião e prepara-se para iniciar o Mestrado em Educação.Editor Geral do Blog 7 com news e do site de Evangelismo IASDEMFOCO

2 comentários:

  1. Prezados irmãos,
    Sou adventista a dois anos e meio e fui eleito ancião, cargo que estou desde janeiro deste ano. Embora tenha recebido 08/10 dos votos, há pessoas na liderança que me rotulam de inexperiente, contudo tenho experiência como admistrador escolar e na igreja tenho estudado o guia e o manual da igreja e sobretudo submeto ao Espírito Santo meu trabalho e dedicação na obra. "Deus está no controle de tudo". Concordo plenamente que saber ouvir é um dos principais atributos de um líder, e tento da melhor forma e com atenção ouvir as necessidades e dúvidas dos irmãos.

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  2. Pr. Lira, seus textos me animam e me enchem de idéias.
    Deus continue a usar sua pena.
    Antônio Heroíto

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