sábado, 14 de março de 2009

Onde estás?

SERMÃO

Texto: Gênesis 3:9

Introdução:

A – O texto diz: “E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde Estás”?

1 – Esta pergunta foi feita quando Adão procurava se esconder de Deus. Hoje, os homens – os filhos de Adão – continuam tentando se esconder de Deus.

B – Adão estava escondido.

1 – Se do seu esconderijo ele tivesse perguntado: Ó Deus, onde estás?

a) – Deus ter-lhe-ia respondido: Adão, Eu estou sempre no meu lugar. Eu estou no meu posto de dever. Eu não mudo, Adão!

C – Mas agora é Deus que lhe pergunta:

1 – Mas Adão, por que saíste? Por que deixaste o teu posto, o lugar da tua santidade?

D – O que foi que desviou o homem?

1 – Isaías 59:1, 2 – “Eis que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar; nem surdo o Seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós para que vos não ouça”.

a) Deus fez o homem perfeito, mas ele buscou muitas invenções.
b) Por que culpar a Deus pela culpa do homem?
c) O homem se perdeu porque o pecado o desviou.

2 – É por isso que ele não encontra a Deus, porque o pecado causou separação entre Deus e ele.
3 – Deus, porém sempre vê o homem. Deus sempre está à procura do homem.
4 – O problema é que Deus não vê o homem no lugar onde ele deveria estar.

a) Deus procura o homem na igreja e não o encontra muitas vezes. Deus o procura na hora do culto e da oração, e não o encontra.
b) Deus procura o homem no cumprimento do dever para com o próximo, e ali ele não está.

5 – Porém Deus sabe onde o homem se esconde.

a) Deus sempre vê o homem. Não podemos ocultar-nos dEle.

(1) Ele vê o homem nos cassinos, nas mesas de jogo, no carnaval, no delito e paixões do prazer.
(2) Deus vê o homem nos vícios da dissipação da saúde.
(3) Deus vê o homem explorando e matando os seus semelhantes.

6 – E quando o homem colhe consequências de seus caminhos tortuosos, na dor e na desgraça, clama:

a) Onde está Deus que não vê o meu sofrimento?

E – Deus ama o perdido e quer salvá-lo. O amor deste Deus é maravilhoso.

1 – “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16
2 – “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. I Timóteo 1:15.
3 – Deus amou e ama o mundo perdido. Amou e tomou providências: Deu Seu Filho para salvar o perdido.

a) Esta foi a missão de Jesus Cristo entre os homens. Jesus recebeu muitas vezes o insulto dos fariseus por estar ao lado dos publicanos e pecadores. A estes Ele dizia sempre: “Os sãos não necessitam de médicos, mas os doentes”.
b) Deus está perto daquele que O busca. Ele diz em sua Palavra: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”. (Lucas 19:10).

(1) Esse perdido é você. Esse perdido sou eu. Esse perdido somos nós.

4 – Não é sumamente precioso o pensamento de saber que Ele nos ama e nos veio salvar?!

a) Ele diz: “Vinde a Mim e Eu vos aliviarei...”

F – Para ilustrar esse grande amor, Jesus Cristo contou várias parábolas que nos faz entender o quanto Ele nos ama. Estudaremos agora duas das muitas parábolas contadas por Jesus:

I - A OVELHA PERDIDA - Lucas 15: 4 – 7

A – É a parábola de 100 ovelhas. Só uma se perdeu, porque deixou de seguir o seu pastor.

1 - Uma ovelha, quando perdida, não sabe, por si só, encontrar o caminho de volta ao redil.
2 – As ovelhas não têm senso de direção. São diferentes dos cães, dos gatos e dos pombos que nunca se perdem e voltam facilmente para casa. As ovelhas nunca voltam sozinhas. Sabem que estão perdidas, mas não sabem voltar ao redil.

Ilustração: Um gato ladrão. Quero lhe contar a história de um gato que criou muitos problemas em nosso lar. Eu era criança, mas nunca pude esquecer do trabalho que meus pais tiveram com aquele gato. Não era nosso, mas entrava pelo quintal e penetrava na cozinha para roubar comida. Era um gato ladrão. Nós morávamos perto da estrada de ferro, onde o trem passava todos os dias. Certo dia, o trem parou na porta de nossa casa. Meu pai conseguiu pegar o gato, colocou-o dentro de um saco de estopa, amarrou a boca do saco e jogou o gato dentro de um vagão. O trem partiu e foi embora. Meu pai dizia: Desse gato estamos livres. Nunca mais! Uma semana depois o gato apareceu e miava: Miau! Não sabemos dos detalhes. Certamente o trem parou alguns quilômetros depois e alguém soltou o gato, que voltou novamente para o bairro onde morávamos e continuou a roubar comida.

3 – Se fosse uma ovelha, e não um gato, jamais teria voltado, porque as ovelhas não têm senso de direção. Se a ovelha perdida não é trazida ao aprisco, vagueia até perecer.

Aplicação homilética: O homem não é como o gato. O homem é ovelha. Por isso a Bíblia compara o homem como “a ovelha perdida”. E Cristo como “Pastor”.

4 – Se Deus fosse esperar que a iniciativa de regenerar-se partisse do próprio homem, seria impossível a realidade de nossa salvação.

B – Não importa para o Divino Pastor quão longe fomos, ou quão profundamente caímos, ou quão mau nos tornamos. Ele tem o remédio para todos os males. Para grandes males Ele apresenta maior poder de regeneração e recuperação do pecado.

1 – A Bíblia diz que onde abundou o pecado, superabundou a graça.
2 – Ele nos acha perdidos e nos convida: “Vinde a mim, Eu vos aliviarei dos vossos fardos e angústias”.

C – Você é essa ovelha perdida. Se você fosse o único a se desviar do caminho, Jesus Cristo teria vindo a este mundo para morrer por você somente.

1- O amor do pastor pela ovelha perdida é imenso. Quanto mais escura e tempestuosa a noite, e quanto mais perigoso o caminho, tanto maior a apreensão do pastor e tanto mais diligentemente a procura. Faz todos os esforços possíveis para encontrar a ovelha transviada.

a) Se fosse um mercenário diria: “Ela que sofra. Estou cansado. O jantar está me esperando...”
b) Mas o pastor a amava: esqueceu o cansaço, o jantar, o sono e vai por caminhos difíceis e pedregosos em busca da ovelha perdida.

(1) Ao encontrar, não a espanca, não a tange com chicotes, mas em sua alegria toma sobre os ombros. Jubiloso porque sua diligência não foi em vão, carrega-a de volta ao redil. Chegando ao lar, fez festa porque a achou.

2 – O Seu cuidado por ela – 15:5 - “Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo”.
3 – Sua alegria ao voltar para casa, v. 6 – “E indo para casa reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida”.

D – A aplicação da parábola. – 15:7 – “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”.

1 – Cristo nos ensina que a salvação não é alcançada por procurarmos a Deus, mas porque Deus nos procura.
2 – Cristo representava pela ovelha perdida, não somente o pecador individual, mas o mundo que se desviou e se arruinou pelo pecado.
3 – “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16)

II – O FILHO PRÓDIGO – Lucas 15: 11–24

A – O pedido do filho mais novo – Lucas 15:12.

1 – É uma parábola, porque os filhos não têm direito a herança antecipada legalmente, enquanto os pais não morrem.

B – Como gastou a sua riqueza. V. 13,14

1 – Enquanto tinha dinheiro, tinha amigos.

a) Você deve ter muito cuidado com os amigos do filho pródigo. Eles ainda estão vivos até hoje.
b) Você certamente já percebeu a vida de muitos jovens que não trabalham e não têm renda, mas mesmo assim fumam, bebem, usam drogas. Eles têm muitos amigos...

2 – Os resultados. V. 14-17.
a) Cuidar de porcos era algo que nenhum judeu faria com prazer. Só estando com muita fome. Para um judeu não poderia haver uma ocupação mais vil e degradante que cuidar de porcos.

3 – Reconhecimento: v. 17: “Então caindo em si”.

a) O homem tem muitas vezes dificuldade de reconhecer as suas culpas, falhas e defeitos.

(1) O homem facilmente põe a culpa em outrem: em Deus e no mundo.

b) Ele agora estava lá em baixo, no fundo do poço, num abismo...

C – Reconhecimento do filho rebelde em face da necessidade. O filho pródigo deu quatro passos importantes:

1 – CONVICÇÃO: “Levantar-me-ei”. V. 18.

a) Ele tinha plena convicção de sua queda.

(1) Só quem está caído pode pensar em se levantar.

2 – CONTRIÇÃO: “Não sou digno de ser chamado de seu filho”. V. 19.

a) Tristeza pela situação.

3 – CONFISSÃO: “Pai, pequei contra o céu e diante de Ti”– v. 18 (Últ. Parte).

4 – DECISÂO: “Irei ter com meu Pai” – v. 18.

a) Tomou a decisão, e foi. Abandonou a velha vida e voltou para o lar.

(1) A isto se chama: Tomada de Decisão. Quem na vida nunca toma decisão não passa de um fracassado.

D – Mas alguém que não conhecesse os fatos, vendo o filho pródigo sofrendo, na miséria, iria dizer:

1 – Acaso esse rapaz não tem pai? O pai dele não vê isso? Onde está o pai dele?
2 – Que culpa no cartório tinha o pai, pela culpa do filho? Nenhuma.

a) O pródigo caiu na desgraça pela sua própria vontade. Ele escolheu esse caminho.
b) O Pai não era culpado.

(1) O Pai esperava-lhe de volta ao lar.
(2) Veio-lhe ao encontro.

E – Assim é o caso do homem com Deus.

1 – Deus sempre amou o homem. Foi o homem que escolheu esse caminho. Deus nunca abandonou o homem.
2 – Deus está ansioso para nos curar.
3 – Deus está sempre procurando o homem. Quer ter a oportunidade de ajudá-lo.
4 – Sem Deus morreremos. Lamentações de Jeremias 3:22 – “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim ”.

F – Ilustração: John Rakman, filho ingrato que abandonou o lar paterno e caiu na vida de pecado, nos vícios e nas drogas. Um dia encontrou Jesus Cristo. Sua vida foi mudada. Queria voltar para o lar. Tinha medo de não ser aceito. Fez uma carta para sua mãe, onde dizia mais ou menos assim:

“Mamãe, minha vida mudou. Eu agora sou de Jesus. Quero voltar para casa. Vocês ainda me aceitam? Pretendo voltar no trem... (Deu o dia e a hora em que o trem iria passar em velocidade na frente da fazenda). Se vocês me aceitam realmente, então ponham um lenço branco na janela”.

A mãe recebeu a carta. Que emoção! No dia combinado, ele pegou o trem em direção ao lar paterno. Tinha uma dúvida: será que me perdoaram mesmo e vão colocar o lenço branco na janela da casa? O trem correndo em velocidade está se aproximando da frente de sua casa. Ele tinha medo. Dizia para si mesmo: “E se o lenço não estiver na janela? Ah, descerei na próxima estação. Volto no trem seguinte, e nunca mais!...”.

Sem ter coragem para ver, ele falou para um companheiro de viagem que estava ao seu lado. Pediu que olhasse bem para ver um lenço branco na janela da próxima casa. Fechou os olhos. O trem passou. Então, ele falou com o companheiro de viagem: “Você viu o lenço branco na janela?” O companheiro respondeu: “Lenço? Não vi!”. John Rakman começou a chorar. “Por que você está chorando?”, perguntou o companheiro. Ele explicou tudo.

O colega disse: “Ah, entendi agora! Não havia nenhum lenço branco. Havia, sim, um grande lençol branco”.

A mãe, com medo que o filho não visse o lenço, em face da velocidade do trem, colocou um grande lençol, cobrindo a casa para que ele não tivesse dúvidas.

Aplicação homilética: Assim é Deus. Ele está colocando não um lenço, mas um grande lençol na sua frente, a fim de que você veja e não tenha dúvidas de que Ele o ama e quer salvá-lo.

Conclusão:

A – “ONDE ESTÁS”?

1 – Você se encontra perdido, andando como uma ovelha, sem direção e sem rumo?

2 – Deus está bem perto de você.

3 – Arrependa-se e confesse a Ele os seus pecados.

4 – Você vai experimentá-Lo ao seu lado.

5 – Jesus quer salvá-lo e ficar bem perto de você.

6 – Quer avistar-se com você agora.

B – “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne-se para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar”. (Isaías 55:6 e 7).

C – Ele diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”. (Apocalipse 3:20).


ORAÇÃO: Senhor Deus e nosso Pai, quantas vezes caímos no pecado e nos afastamos de Ti. Quão bom que Tu nos amas, a despeito de nossa ingratidão! Senhor, se há alguém que ouviu esta mensagem, e está longe de Ti, queiras abençoá-lo neste momento, a fim de que possa ter convicção de sua situação pecaminosa; que possa ter a contrição que todo pecador necessita; que possa ter coragem de praticar a confissão a Ti de sua vida em pecado; e, sobretudo, tenha a coragem de tomar a decisão de voltar para o lar, enquanto a porta da graça está aberta. Eu te peço tudo isto em nome de Jesus. Amém!


Hinos sugeridos: H.A., 372, 113, 517


Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.

1 comentários:

  1. Mestre Saraiva,
    Novamente, você foi muito feliz na escolha do assunto, pois, pecadores como somos sempre necessitamos do perdão de Deus para nossos deslizes. Sejam pequenos, grandes ou até mesmo aqueles "sem querer" ou "despercebidos" (quando egoisticamente apenas pensamos em amigos e familiares).
    Helio Pires Veras

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