terça-feira, 10 de março de 2009

O Que um Padre Escreveu Sobre o Sábado?

“Devem os magistrados e as pessoas residentes nas cidades repousar, e todas as oficinas ser fechadas no venerável dia do sol”[1].

Esse decreto para o repouso no dia de domingo foi promulgado no dia 7 de março pelo Imperador Romano Constantino no ano de 321 A.D.

A Bíblia tem uma lei onde o dia de sábado figura como o dia de repouso: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.” (Êxodo 20:8).

Pode um decreto feito por algum poder humano alterar a Lei de Deus? Será que o sábado foi anulado com a vinda de Cristo? Por que a maioria dos cristãos guarda o domingo? Quem mudou o dia de guarda?

O Catecismo do Rev. Peter Geiermann[2] recebeu a bênção do Papa Pio X, e sobre a mudança do sábado ele diz o seguinte:

“Pergunta: Qual é o dia de repouso?

“Resposta: O dia de repouso é o sábado.

“Pergunta: Por que observamos o domingo em lugar do sábado?

“Resposta: Observamos o domingo em lugar do sábado porque a Igreja Católica, no Concílio de Laodicéia (336 A.D.), transferiu a solenidade do sábado para o domingo”.

Em outro livro Católico (The Catholic Press de Sydney) novamente a mudança é atribuída à própria igreja:

“O domingo é uma instituição católica e a reivindicação à sua observância só pode ser defendida nos princípios católicos.

“Do princípio ao fim das Escrituras não há uma única passagem que autorize a transferência do culto público semanal do último dia da semana para o primeiro”[3].

Um dos motivos que desencadeou esta mudança na lei de Deus foi a aversão aos judeus e ao dia que os identificavam, o sábado, como conseqüência (Jesus, Paulo e os discípulos eram Judeus, isso revela que o cristianismo não é contrário ao judaísmo). O desejo de conquistar pagãos adoradores do sol (o dia de identificação deles era o domingo) foi outra razão da alteração do dia de guarda na Igreja Católica.

Note o que foi escrito por Vincent Ryan na sua obra O Domingo (Esse livro Católico é recente e fala da história, espiritualidade e celebração do Domingo):

“Domingo. À primeira vista, Sunday [Sun-dia Day-sol], o nome inglês do domingo, não parece ter significado cristão. De fato, a palavra inglesa é de origem pagã, uma lembrança do culto ao sol no mundo antigo. Entre os romanos, esse era o dies solis, o dia consagrado ao deus-sol”[4].

Numa outra obra intitulada Doutrina Católica, vemos o domingo inserido como sendo o terceiro mandamento da Lei de Deus: “Guardar os Domingos e Festas”[5]. É interessante que o texto usado como base é o mesmo texto de Êxodo 20, onde o sábado aparece como o quarto mandamento[6].

Em resposta a um boletim escrito por um protestante atacando as doutrinas Católicas, o Pe. Júlio Maria é feliz quando refuta a questão do dia de guarda:

“O boletim protestante diz: Guardamos o Domingo. Mas, como é isso, caro protestante? Isto é romano! Mostre-me onde está na Bíblia o preceito de guardar o Domingo?... Aqui os sabatistas têm razão contra as outras seitas: o Sábado é o dia do senhor! (Êx. 20:10). Santificai o dia do Sábado (Jr. 17:22). Guardai o meu Sábado, diz o Senhor (Êx. 31:14). Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado (Jó. 9:16).

“Eis o que é bem claro e positivo. Em parte nenhuma figura o Domingo como o dia do Senhor. Como é que um protestante zeloso, cioso de observar todos os preceitos da Bíblia, desobedece tão formalmente?

“Olhe caro amigo, isto faz até duvidar do seu protestantismo!...

“Nós, católicos romanos, guardamos o Domingo, em lembrança da ressurreição de Cristo, e por ordem do chefe da nossa Igreja, que preceituou tal ordem do Sábado ser do Antigo Testamento, e não obrigar mais no Novo Testamento.

“O amigo está se afastando do protestantismo e virando católico. Meus parabéns!”[7]

Em resposta aos ataques doutrinários feitos por um protestante, de forma escrita, o Pe. Júlio Maria defende a doutrina católica. Apesar de tudo o que ele escreveu ser algo notável, muitos que se dizem cristãos não guardam o Sábado, e desta forma, estão seguindo um decreto Católico.

No dia 16 de outubro de 2002, a Revista Veja, págs 11 a 15, publicou uma entrevista com o Pe. John McCloskey. Esse padre se tornou famoso por converter protestantes nos Estados Unidos, e uma de suas declarações acabou como título do artigo: “A Igreja não vai mudar”. É interessante que o padre enfatiza o poder da igreja Católica, como legisladora de doutrinas e teses: “Quem acredita tem de se entregar totalmente às teses da Igreja”, declarou o padre.

A igreja Católica não mudou e não vai mudar, são os protestantes que estão mudando, e retornando para o local de onde vieram: a igreja de Roma. Se Martinho Lutero ressuscitasse hoje ficaria decepcionado de ver todo seu esforço deitado por terra na maioria das igrejas cristãs. A reforma iniciada por ele ficou em muitas denominações estagnada. Seu objetivo era voltar a ter “Somente a Escritura” como base de fé e doutrinas, e seu trabalho deveria ser levado a diante em outros pontos doutrinários, como o dia de guarda.

Você não precisa ser teólogo para compreender os textos abaixo, mas se compreendê-los, vai acabar se tornando um reformador como Lutero:

Êxodo 31:16 “Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações”.

Êxodo 31:18 “E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”. (Os Dez Mandamentos não foram escritos por Moisés, mas pelo Próprio Deus).

Salmos 111:7 e 8 “As obras de suas mãos são verdade e justiça; fiéis, todos os seus preceitos. Estáveis são eles para todo o sempre, instituídos em fidelidade e retidão”.

Mateus 5:17 a 19: Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus”. (Jesus não veio mudar a lei, por isso, ela não foi cravada na cruz, como é dito por aí).

Lucas 4:16 “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler”. (Jesus tinha o costume de ir adorar no sábado)

Atos 17:2 “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras”.

Atos 18:4 “E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos”.

Atos 25:8 “Paulo, porém, defendendo-se, proferiu as seguintes palavras: Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César”.

(Paulo além de adorar e pregar no sábado como Jesus, ele afirma não ser transgressor).

Tiago 2:10 “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”. (Não adianta guardar nove mandamentos).

Danie7:25 “Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. (A Bíblia já antecipava que a Lei de Deus seria mudada pelo poder do mal).

A Igreja Católica, quando coloca a autoridade final na própria igreja e não na Bíblia, é coerente ao guardar o domingo, pois se julgam na autoridade de mudar a Lei de Deus. Por outro lado muitos afirmam crer que a Bíblia é autoridade final e guardam o domingo, isso é incoerência.
Deus nos dá a liberdade para escolher a quem e o que seguir. Espero que sua escolha seja coerente, e se sua base for a Bíblia, tenho certeza que o Senhor ficará muito feliz.

Por Que o Sábado?

Está comprovado que cada pessoa tem necessidade de um descanso semanal. É por isso que a maioria descansa um dia na semana (normalmente o Domingo), ou como alguns pastores, na segunda-feira.

O descanso sabático não é meramente descanso físico. Deus não se cansou por criar o mundo em seis dias! A palavra “descansou” (Gên. 2:2) no original tem a mesma raiz da palavra Sábado, ou seja, poderia ser traduzida de forma literal por “sabadeou”. Isso significa que guardar o Sábado é muito mais que repouso físico, é honrá-lo como memorial da criação de Deus, reconhecendo a Ele como Criador e Mantenedor.

É por isso que Deus não nos pediu um dia em sete dias, Ele pediu o Sábado. Não é um princípio, mas algo determinado! Poderia ser a segunda-feira? Se Deus a tivesse escolhido, sim, mas Ele escolheu o Sábado. Guardando o dia escolhido por Deus, você reconhece a soberania do Criador, se mostra obediente e submisso à Sua vontade.

Dia do Senhor: “Achei-me em visão no dia do Senhor,” foi a declaração feita por João em Apocalipse 1:10. Infelizmente é necessário defender que esse dia é o Sábado, e não qualquer outro dia, no nosso meio adventista.

Alguns estão “tirando o corpo fora” dizendo que esse dia não é um dia literal, mais um dia simbólico, que representa o dia do juízo de Deus.

O próprio contexto confirma a literalidade da expressão: (v.9) João está numa ilha (uma pessoa num local preciso) chamada Patmos (ilha literal, ou há alguém que quer conseguir uma interpretação simbólica para ela, como a “solidão espiritual”); (v.10) num tempo preciso, dia do Senhor, e ouviu algo preciso, que está nos versos seguintes.

Assim como o sábado era especial para João, o deve ser para nós. Além de ser o memorial da Criação, da Redenção e da Salvação futura, ele é o dia do Senhor nosso Deus (Sábado como dia do Senhor: Êx. 20:10; Isa. 58:13; Marc. 2:27-28).

Sinal de Deus

O que é um sinal na Bíblia?

Vou responder fazendo uso de meu caderno de anotações das aulas de teologia, num estudo feito sobre sinal, pelo Pr. Reinaldo Siqueira (Ph.D. em Antigo Testamento):
Características de um sinal:

1) Intrinsecamente não há nada no sinal que o faça melhor do que o outro de sua categoria. Ex. O sábado tem a mesma quantidade de horas do que os outros dias; o ar é o mesmo; etc.

2) Está ligado ao ato que fundamenta o concerto de Deus com os homens. Ex. No Éden, o sábado está ligado com a criação; na morte de Jesus, está ligado com a redenção.

3) É algo estabelecido por Deus que requer observação e cujo sentido está baseado somente na autoridade divina.

Exemplos de sinais na Bíblia: Arco-íris (que em si mesmo não tem força para impedir um outro dilúvio, como Deus prometeu); circuncisão; batismo.

A Bíblia afirma que o Sábado é o sinal de Deus (Ezequiel 20:20). Obedecê-Lo é reconhecer Seu poder e se colocar como um servo fiel e obediente.

[1] Veja detalhes no livro de Carlyle B. Haynes, Do Sábado Para o Domingo, 7ª ed. (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1998), 43 e 44 .
[2] Ibid, 48.
[3] Ibid, 49 e 50.
[4] Vincent Ryan, O Domingo: História, Espiritualidade, Celebração. (São Paulo: Paulus, 1997), 49.
[5] Ver Pe. Luiz G. da Silveira D’Elboux, Doutrina Católica, 12ª ed. (São Paulo: Edições Loyola1992), 53.
[6] Ibid.
[7] Padre Júlio Maria, Ataques Protestantes às Verdades Católicas com as Respectivas Respostas Irrefutáveis, 4ª ed.. (Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, 1950), 61 e 62.

PR. YURI RAVEM
Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Pelotas - RS Casado com Andressa, mestre em educação.
Editor Associado do Blog Nisto Cremos e Editor do Blog Igreja Adventista de Pelotas

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