quinta-feira, 5 de março de 2009

O que tenho te dou

SERMÃO

Texto: Atos 3:1-10

Introdução:

A - O texto que lemos diz: “Pedro e João subiram ao templo para orar”

B - O segredo do poder espiritual destes dois homens de Deus consistia nestas duas coisas que o texto menciona:

1 - Primeira: Ir à Igreja
2 - Segunda: Para orar

C - Muitos estão perdendo as bênçãos porque não vêm mais ao templo. Nos dias do apóstolo Paulo já havia aqueles que não gostavam mais de ir à igreja. Veja o que ele diz: Hebreus 10:25 : “Não deixando a congregação como é o costume de alguns (muitos)”.

D – Outros, porém, vêm à igreja, mas sem esse objetivo: Orar.

1 - Antigamente, as pessoas ao penetrar no recinto da igreja, a primeira coisa que faziam era se ajoelhar e orar. Hoje, ajoelhar saiu da moda.
2 - Pode acontecer de uma pessoa vir à igreja como se fosse um clube social. Para rever os amigos, para pôr a conversa em dia...
3 - Pode acontecer de um rapaz ou uma moça vir à igreja para encontrar o príncipe ou a princesa de sua vida – um bom namorado (a).

a) Isso é muito bom. Não há nada de errado.
b) Jovem, a igreja é um bom lugar para você encontrar a pessoa certa, que procura para ser feliz no matrimônio.
c) O perigo acontece quando o rapaz e a moça vão procurar fora do arraial de Deus na terra dos filisteus...

3 - Mas esta não é a condição sine qua non para alguém vir à igreja.
4 - Pedro e João iam à igreja com outro objetivo: “Pedro e João subiram ao templo para orar”.

E - Um costume do passado.

1 - No passado, repito, os adoradores ajoelhavam-se e oravam. Era a primeira coisa que faziam.

a) No passado, as pessoas falavam muito com Deus e pouco com os homens.
b) Hoje, porém, muitos vão à igreja e falam muito com os homens: confraternizam-se, abraçam-se e, às vezes, se esquecem de falar com Deus.

(1) A igreja não pode ser considerada um clube social. A igreja é, essencialmente, um lugar de oração.

1 - Parafraseando o texto, podemos dizer: “Pedro e João subiram ao templo para falar com Deus”.
2 - Vindo à igreja, fale com os homens, mas não se esqueça do mais importante: falar com Deus. Porque se você sair da igreja sem ter falado com Deus, vai sair tão vazio como entrou.
3 - Outro dia eu assisti a uma palestra em que o palestrante dizia que a igreja não pode ser um estádio de futebol, aonde as pessoas vão assistir ao espetáculo, sem participar nas jogadas. No futebol, são 22 jogadores correndo, jogando, um juiz apitando e 50, 60 ou 80 mil torcedores assistindo ao espetáculo, sentados ou em pé.

a) - Na igreja não deve ser assim... Não adianta apenas dizer: Aleluia! Glória a Deus! e Amém! E não participar no projeto missionário que ela tem. É preciso entrar no campo, suar a camisa, e participar ativamente no trabalho do Senhor.

- Todos precisam “jogar”...

I – UM HOMEM INTERESSADO EM DINHEIRO.

A - Todos os dias o coxo estava na porta da igreja pedindo dinheiro. Eu gostaria que você analisasse comigo a situação:
– Ele ia à igreja, mas não assistia ao culto.
– Ia à igreja interessado unicamente pelas coisas materiais.
– Todos entravam, oravam, assistiam ao sermão, e ele do lado de fora, esperando os fregueses para lhe dar uma esmola.

B - Dizia: “Quem não me deu na entrada, vai me dar na saída”...

Ilustração: Na porta da Igreja Central de São Luís, existe um senhor que cuida dos carros. (Como se chama aí na sua terra esses rapazes que cuidam de carros, lavam e enxugam com uma flanela? Aqui em São Luís, eles são chamados de “franelinhas”).

Faz quinze anos que esse franelinha vigia os carros aos arredores da igreja. Ele sempre está fora da igreja trabalhando. Ele vai sempre à igreja quartas, sábados e domingos, mas nunca entra. Certo dia, eu o convidei para assistir a um culto. Ele me disse: “Como que eu vou entrar? Não, os ladrões estão por aí, e eu estou aqui para cuidar dos carros!”. Ele diz a todos, sábado de manhã: “Feliz Sábado!”... Mas nunca entra na igreja. Alguns o gratificam mensalmente. No final do mês, ele tem dinheiro certo. A porta da igreja é o lugar de seu trabalho.

1 - Era esta a situação do coxo que esmolava na porta da igreja.

a) Eu posso imaginar que talvez ele nunca havia entrado no templo.
b) Quem sabe, nunca cantara um hino.
c) Nunca ouvira um sermão.
d) Nunca fora tocado pelo Espírito de Deus.

C - Era este o homem que Pedro e João encontraram na porta da igreja.

1 - Os dois discípulos se aproximam dele. Ele aproveita a oportunidade para pedir um pouco mais de dinheiro no fim do expediente daquele dia – às três horas da tarde.
a) Implorava que lhe desse uma esmola:

- “Dá-me uma esmola por amor de Deus!” - Dizia.

D - Meus irmãos, eu gostaria de fazer uma aplicação desse fato à nossa vida moderna.

E - Paremos um pouco e analisemos a situação do mundo em que vivemos hoje.

1 - Se 20 séculos atrás este homem se interessava por dinheiro mais do que qualquer outra coisa, que dizer dos homens atuais. Hoje, em virtude do vertiginoso progresso industrial a par do surgimento de uma sociedade de consumo e de publicidade insinuante, criam-se em nossa cabeça muitas vezes necessidades artificiais: O Consumismo.

Ilustração: É o caso daquela moça bem empregada que ganhava bem e, consumidora compulsiva, pegou o seu cartão de crédito e saiu comprando: geladeira, fogão, máquina de lavar, televisão... Ela já tinha tudo isso em casa. Quando tudo chegou, morando num apartamento, não tinha onde colocar, nem necessidade de usar, porque ela já tinha tudo o que resolveu comprar. Não tinha necessidade. Ela estava ficando louca. O consumismo e a propaganda estavam destruindo a sua mente.

Uma outra comprou 950 pares de sapatos, usando o seu cartão de crédito. Pra que, se ela só tem dois pés? Para quê?

F - O homem do mundo hodierno vive com base na filosofia do TER, quando deveria viver fundamentado na filosofia do SER.

1 - Quer queiramos ou não, todos nós estamos inseridos neste contexto.

Ilustração: Veja o caso da minha cunhada – irmã de minha esposa. Eu telefonei para ela. Mesmo estando o telefone ligado, ela não atendeu. Depois ela me disse: “Não atendi a ligação porque estava no ônibus e fiquei com vergonha de tirar o celular da bolsa”. “Por quê?” – Perguntei. Ela me respondeu: “Eu não tenho celular. Eu tenho é um tijolo, e fiquei com vergonha de mostrar o meu celular grandão”. Ora, quando ela comprou o celular, alguns anos atrás, era um celular bonito e moderno. Hoje, porém, é muito grande: um tijolo, e faz vergonha mostrar. Você entendeu?

a) A propaganda sempre nos engana e vivemos de ilusões...

2 - Meu amigo, para o reino de Deus o mais importante é SER e não apenas TER.

a) Deus não está preocupado com aquilo que você tem. Deus está preocupado com aquilo que você é.

3 - E isto era uma verdade na vida de Pedro e João.

4 - O homem estendeu a mão, pedindo dinheiro. Pedro meteu a mão no bolso e não tinha nenhum tostão. Vocês usam tostão, centavos ou outra palavra? Em Moçambique, onde vivi seis anos, no português de lá eles dizem: “nenhuma quinhenta”

Como se diz aí onde você mora, quando uma pessoa não tem nenhum dinheiro no bolso?
“Liso”?, “Duro”? “Pebado”? Os jovens inventam muitos nomes.
Em Moçambique – África. Lá eles dizem que a pessoa está com o “bolso furado”.

Aplicação homilética: Nesta manhã você veio à igreja. Quanto você tem no bolso ou na bolsa? Você deu oferta? Ainda lhe sobrou algum dinheiro? Tem pelo menos um real no bolso? Eu sei que você tem!

Se você tem, então, a sua situação socioeconômica e financeira está bem melhor que a de Pedro e João.

Dinheiro!... Era esta a preocupação deste homem que pedia esmola na porta da igreja.

Dinheiro!... Eis o dilema de muitos que estão dentro da igreja.

Ilustração: Os pecados da Igreja.
Um amigo me disse uma frase outro dia que me fez pensar até hoje. Ele me disse que só existem dois pecados na igreja hoje: dinheiro e sexo. Usando um paralelismo, ele dizia: “Ou é a barra de ouro ou a barra da saia”.

Ilustração: Aristóteles Onassis – armador grego, que foi o homem mais rico do mundo no fim do século passado. Ficou famoso quando casou com Jacqueline Kennedy. Um repórter lhe perguntou certa vez: “Onassis, o que é preciso para um homem rico ser feliz?” Ele respondeu peremptoriamente: “Precisa ter um pouco mais de dinheiro”.

II – O QUE O DINHEIRO NÃO PODE COMPRAR.

A - Alguém já disse antes de mim que o dinheiro pode comprar as melhores comidas, mas não compra o apetite.

B - O dinheiro pode comprar a mais linda cama, mas não compra o sono.

C - O dinheiro pode comprar uma bela casa, mas não compra um lar feliz.

D - O dinheiro pode comprar um diploma, mas não compra a sabedoria.

E - O dinheiro pode comprar o remédio, mas não compra a saúde.

F - O dinheiro pode comprar a justiça humana, mas não pode limpar a consciência.

G - O dinheiro pode comprar a justiça dos homens, mas nunca a justiça de Deus.

H - O dinheiro é até capaz de comprar uma cadeira cativa na igreja, mas não um lugar no céu.

I - Enfim, meus irmãos, aqui estão mais algumas coisas que o dinheiro não pode comprar:
1 - O dinheiro não pode comprar o Amor.
2 - O dinheiro não pode comprar o Caráter.
3 - O dinheiro não pode comprar a Salvação.

III – O QUE NECESSIAMOS HOJE COMO IGREJA

A - O que a Igreja necessita hoje não é tanto de dinheiro, mas do poder do Espírito Santo.

Ilustração: A Loteria. Outro dia alguém me disse: “Se eu ganhar sozinho na Megassena acumulada, eu darei a metade para a minha igreja”. Felizmente ele não ganhou. Porque não é desse aviltante dinheiro de que uma igreja necessita.

1 - O que necessitamos não são os meios, mas o fim.

2 - Os fins não justificam os meios.

3 - A Igreja ficou rica, mas continua necessitando desse poder – o poder do Espírito Santo.

B - Quão bom é saber que este poder tem sido operado pela Igreja em alguns lugares do mundo.

Experiência: “Esse pastor é mais feiticeiro que eu”.
Um conferencista de uma Divisão da África, onde eu trabalhei por seis anos. Ele realizou uma série de conferências em um novo lugar, onde não havia adventistas. A famosa feiticeira do lugar, com ciúmes, prometeu matá-lo com um feitiço. Certo dia, ela preparou um caixão de defunto com o feitiço dentro e colocou na porta da casa, onde o pastor estava hospedado.
A notícia logo se espalhou pela cidade. O pastor, não tendo medo de feitiço – como você não tem - ou tem? - levou o caixão para o local das conferências. Aumentou a audiência. Batizou centenas de pessoas. Nada lhe aconteceu. Um repórter foi entrevistá-la. A feiticeira disse: “Com esse pastor eu não posso. Esse pastor é mais feiticeiro do que eu!”. O que o Pastor tinha era o que ela não possuía: o poder do Espírito Santo.

IV – “O QUE TENHO TE DOU”.

A - Mas o que foi que Pedro deu àquele coxo?

1 - Antes de lhe responder esta pergunta, eu lhe faço outra: O que você tem para dar?

2 - Pedro disse: “Olha para nós”. O coxo olhou esperando receber algum dinheiro.

3 - Pedro e João tinham, porém, algo mais importante para lhe dar. Você sabe o que Pedro e João deram para ele?

B - Eis o que ele recebeu das mãos de Pedro e João:

1 - Primeiro: JESUS CRISTO – Atos 3:6 – “Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!”.

a) De repente a palavra “Jesus” entrou em seus ouvidos pela primeira vez. Pedro quis mostrar que era em nome de Jesus que o milagre iria se operar.

Aplicação homilética: Todos nós temos Jesus Cristo para dar.
Se você tem Jesus no seu coração, então dê. Fale de Jesus àqueles que não O conhecem.

2 - Segundo: INDEPENDÊNCIA – Ele Jogou fora a muleta.

Aplicação Homilética: Existem muitos hoje que são escravos do pecado e dos vícios. Lute para que essas pessoas se tornem independentes em Jesus.

3 - Terceiro: SAÚDE FÍSICA – 3:7 – “Imediatamente seus pés e tornozelos se firmaram”.

a) Agora, ele era um homem sadio. Não precisava mais de muletas.

4 - Quarto e importante: PODER PARA ENTRAR NA IGREJA – 3:8 – “De um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo...”

a) O homem coxo estava há muitos anos na porta da igreja pedindo esmolas e não entrava no templo. Quando se deu o milagre, ele correu para dentro da igreja, cantando e louvando a Deus.

Aplicação homilética: Há quantos hoje que não entram na igreja. E muitos são os motivos:
- Por preconceito.
- Por medo.
- Por não conhecer os adventistas.
- Por que nunca foram convidados.

Ilustração: “Se me convidarem, eu entro”.
Na estrada Manaus - Porto Velho foi construído um bonito templo à beira do caminho. Todos os sábados de manhã passava, por ali um fazendeiro que ouvia os cânticos e se motivava, dizendo: “Se um dia me convidarem eu entro nesta igreja”. Em um dia especial para as visitas ele foi convidado por um vizinho. Nunca mais deixou a igreja. Existem muitos que nunca entraram na igreja porque nunca foram convidados.

5 - Quinto: O EVANGELHO A PROCLAMAR – 3:8 (Últ. Parte) – “Entrou no templo saltando e louvando a Deus”.

Ele pregou o seu primeiro sermão.
Ele falou da experiência de sua própria vida.

6 - Sexto e último: PODER PARA COMUNICAR A VERDADE A SEUS PARENTES E AMIGOS. – 3:10: “...Encheram-se de admiração e assombro pelo que lhe acontecera”.

a) Ao chegar a sua casa, todos queriam saber o que havia se passado com ele.
(1) Testemunhou de sua fé.

CONCLUSÃO:

A - Pedro disse: “O que tenho te dou”.

1 - Deus espera de nós isto: o que temos, devemos dar.

a) Lembre-se, porém, de que não podemos dar o que não temos.

B - Recebendo o Espírito de Deus podemos fazer muitas coisas em prol de Sua Causa.

- E só assim seremos semelhantes a Pedro e João.



ORAÇÃO: Senhor Deus e nosso Pai, nós te agradecemos pelo privilégio de ter estudado a Tua Palavra. Senhor, ajuda-nos cada dia a sermos semelhantes a Pedro e João, que foram à igreja e não tinham nada, mas eram tudo. Senhor Deus, dá-nos cada dia o poder do Espírito Santo, a fim de que demonstremos ao mundo que temos andado ao Teu lado. Estes favores e bênção nós te pedimos em nome e por amor de Teu Filho Jesus Cristo. Amém!


Hinos sugeridos: H.A., 13, 155, 157, 160



Pr. Emmanuel de Jesus Saraiva
Natural de São Luís – Ma. Formado em Teologia, Pedagogia e Letras. Autor de dois livros: “Memórias da África” e “A História do Adventismo no Maranhão”. Trabalhou como pastor em várias igrejas no Maranhão, dentre as quais a Igreja Central de São Luís. Foi departamental de Jovens e Educação nas Missões Costa Norte, Central Amazonas e Nordeste e diretor do Educandário Nordestino Adventista – ENA. Por seis anos foi missionário na África, como diretor do Seminário Adventista de Moçambique, onde lecionou várias disciplinas teológicas, dentre as quais Homilética e Oratória. Casado com a professora aposentada Nilde Fournier Saraiva. Tem duas filhas: Raquel e Léia. Trabalhou como pastor por 35 anos. Hoje, jubilado, mora em São Luís - MA e atua como Ancião da Igreja do Colégio Adventista de São Luís - CASL.

2 comentários:

  1. Deparar com um assunto tão interessante, bem ilustrado, faz com que analisemos melhor a vida moderna e a nossa intimidade para com Deus.
    Obrigado, Mestre Saraiva!

    Helio Pires Veras

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