terça-feira, 17 de março de 2009

Cuidado com a feitiçaria da Babilônia

Autor: Pastor Paulo Cordeiro

'Tendo trabalhado como enfermeiro durante mais de três anos e meio (entre dezembro de 1986 e agosto de 1990) num grande Hospital Psiquiátrico – o Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa – naturalmente que administrei, quer por via oral, quer por via intramuscular e até endovenosa centenas, para não dizer milhares de prescrições médicas medicamentosas do foro psiquiátrico – medicamentos que são genericamente conhecidos como ansiolíticos e tranquilizantes, antidepressivos e neurolépticos (estes últimos também conhecidos como antipsicóticos). E naturalmente que compreendem que pude constatar, múltiplas vezes, os efeitos que tais medicamentos produzem em cada indivíduo que os recebe.

O efeito mais rapidamente visível provocado pela esmagadora maioria dos medicamentos acima citados, é o efeito calmante, efeito esse mais evidente nos ansiolíticos e neurolépticos, mas também provocado, em menor escala, e a longo prazo, pelos antidepressivos. É evidente que, quando se está perante uma situação de ansiedade extrema, num quadro de total desequilíbrio mental, é compensador ver o efeito calmante que mais nada nem ninguém consegue realizar a não ser a droga neuroléptica e/ou ansiolítica! Contudo, são inúmeros os efeitos secundários que tais medicações trazem, sobretudo quando se prolonga a administração de tais drogas por um tempo indeterminado.

Para além de efeitos secundários físicos como a obstipação (prisão de ventre), a sialorreia (excesso de saliva), e os chamados sintomas extrapiramidais (espasmos involuntários, sobretudo dos músculos da face, boca e pescoço, que necessitam de ser anulados com outras drogas), para mencionar apenas alguns (mais presentes nos neurolépticos, que os americanos também apelidam de tranquilizantes maiores), estão também presentes efeitos secundários do foro psicológico e/ou psicossomático, como a apatia, a lentidão do raciocínio, da fala e dos movimentos (induzida pelo efeito sedativo de tais medicamentos), a diminuição da memória, a fixação do olhar "no vazio", uma sonolência quase constante e prolongada, com o consequente aumento do risco de quedas e fracturas (especialmente nas pessoas mais idosas), etc.

Em suma, podemos afirmar que o tal efeito calmante é conseguido à custa de um adormecimento das faculdades mentais, até porque, fundamentalmente, estas drogas (especialmente os ansiolíticos e os neurolépticos) actuam bloqueando os receptores das chamadas substâncias neurotransmissoras – especialmente a dopamina, mas também a noradrenalina, a serotonina e a acetilcolina (com os temíveis efeitos anticolinérgicos) – que fazem a "ponte" nas sinapses ou ligações neuronais (entre os neurónios, células básicas do nosso SNC - Sistema Nervoso Central). É como se o indivíduo ficasse meio anestesiado, pois estes medicamentos são como uma versão "soft" dos anestésicos!

Referindo-se aos neurolépticos, alguém escreveu o seguinte: "os efeitos não desejados dos neurolépticos são tão importantes que podem fazer crer que a pessoa é verdadeiramente doente. Neste caso, os medicamentos produzem a sua justificação".

Que implicações é que tudo isto tem para um cristão, que queira ser um verdadeiro discípulo de Cristo? Não teria nenhumas se não encontrássemos em Jesus uma atitude que muito nos ensina sobre o evitarmos algo que possa pôr em risco a nossa capacidade mental para reagir, com lucidez, às muitas sugestões e tentações com que Satanás tenta influenciar qualquer filho ou filha de Deus!

Quando Jesus já tinha sido pregado à cruz e levantado nesta, a certa altura Ele disse: "Tenho sede!" (João 19:28). Sabemos o que aconteceu: "Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca" (v. 29). O que fez Jesus com o vinagre (o analgésico, mas também o ansiolítico da época!)? "Provando-o, não o quis beber" (Mateus 27:34; ver também Marcos 15:23).

Ellen White fez o seguinte comentário à atitude assumida por Jesus: "aos condenados à morte de cruz, era permitido ministrar uma bebida entorpecente, para amortecer a sensação da dor. Ela foi oferecida a Jesus; mas, quando a provou, recusou-a. Não aceitaria nada que obscurecesse a Sua mente. A sua fé devia firmar-se bem em Deus. Esta era a Sua única força. Obscurecer a Sua mente era oferecer vantagem a Satanás." (1)

Compreendeu bem, meu querido irmão/irmã, a razão pela qual Jesus recusou beber aquela "bebida entorpecente"? O comentário de Ellen White é extremamente explícito, não acha? Pois bem, Jesus, apesar de toda a dor, ansiedade e angústia pelas quais estava seguramente a passar, já desde o Gétsemani (ver Marcos 14:32-35), recusou-se a beber aquela "medicação analgésica e ansiolítica", apenas para não permitir que a Sua mente ficasse… como? Obscurecida!

Tal como atrás referi, o mecanismo de ação comum a todas as drogas que temos estado a falar é justamente o de provocar um adormecimento das nossas faculdades mentais ou, por outras palavras, um entorpecimento dessas mesmas faculdades!

Quem é que fica em vantagem? Não é a pessoa que toma tais drogas, mas sim Satanás que fica com o seu trabalho facilitado para poder influenciar com as suas sugestões maquiavélicas e diabólicas uma mente que ficou mais enfraquecida pelo efeito de tais drogas entorpecentes!

É então de admirar que muitas das pessoas que estão sob o efeito dessas drogas deprimentes apresentem uma sintomatologia depressiva, onde o gosto pela vida se perde cada vez mais e, finalmente, muitas vezes, ideias suicidas se instalam na sua mente? Claro que não! E pergunto: onde é que está a lógica e a coerência em querer "tratar" pessoas em stress, angústia e ansiedade com drogas que lhes colocam as suas faculdades mentais numa situação de adormecimento parcial? Mais do que nunca, o que estas pessoas precisam é de ter uma mente lúcida, equilibrada, activa e forte, para fazerem face aos muitos desafios da vida que lhes trazem a tal ansiedade ou angústia, não o contrário!

Tomar ansiolíticos para "resolver" os seus problemas é uma atitude em muito semelhante àquela tomada pelo indivíduo que se refugia no álcool ou nas drogas pesadas para "esquecer" os seus problemas Momentaneamente ele esquece-se de tais problemas, é verdade, mas quando "acorda" da ressaca, os seus problemas ainda lhe parecem maiores e mais graves! E depois, o que é que faz? Toma mais droga! E assim se vai formando e fortalecendo o diabólico círculo vicioso da dependência, com a consequente perda gradual e rápida da sua saúde, mental e também física! Que processo diabólico de auto-eliminação!

Mas sabiam que a Bíblia prevê que a Babilónia mística do tempo do fim, entre outras coisas, tentaria seduzir os habitantes do mundo com os seus fármacos? É verdade!

Em Apocalipse 18:23 é-nos dito que "todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria [de Babilónia]." Pois bem – pasmem! – a palavra grega que foi traduzida por "feitiçaria" não é nenhuma outra senão a palavra "farmakeia", da qual derivam palavras como farmacologia e fármacos!

Não me interpretem mal: as feitiçarias de Babilónia são muitas e diversificadas, sendo sobretudo de natureza espiritual. Mas já não me restam quaisquer dúvidas que Babilónia usará todo e qualquer meio para seduzir os habitantes deste mundo e, "se possível, os próprios eleitos" (Mateus 24:24), e as drogas de que temos vindo a falar, devido ao aumento vertiginoso do seu consumo (2), são seguramente um dos meios que Babilónia utilizará, e já está a utilizar (e de que maneira!) para poder seduzir todos os incautos para o seu sistema mundial e globalizante onde todos se terão de conformar com os seus padrões! Com mentes obscurecidas ou entorpecidas, mais fácil será guiar as pessoas para a destruição, sem que estas lhe oponham grande resistência!

Como adventistas do sétimo dia, sempre defendemos e continuamos a defender a validade da mensagem dos três anjos de Apocalipse 14:6-12, onde se encontra a certeza de que Babilónia cairá (v. 8). Para não cairmos com ela, imperioso se torna atender ao chamado divino: "retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos" (Apocalipse 18:4).

Pergunto: não será que o ato de "retirar-se de Babilónia" não compreenderá igualmente a decisão de não nos deixarmos seduzir pelas suas feitiçarias, onde se inclui, como vimos, os seus fármacos que entorpecem a nossa mente? (3)

Aprendamos uma vez mais o que fazer com o exemplo do nosso querido Salvador e Mestre, para não nos deixarmos seduzir por aquele que é o arquitecto e construtor da Babilónia na qual vivemos – Satanás, o grande inimigo de Deus e nosso também!'

(1) Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, Sabugo: Publicadora Servir, S.A., pág. 637-638.

(2) "De 1995 a 2001 o consumo total de fármacos antipsicóticos teve um incremento notável, com um aumento de 46,71% no número de embalagens dispensadas." in: "Evolução do Consumo de Neurolépticos em Portugal Continental de 1995 a 2001"; Infarmed: Observatório do Medicamento e dos Produtos de Saúde, Setembro de 2002, pág. 7.

"A venda de embalagens de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, do grupo das benzodiazepinas, passou de 17 milhões em 2000, para 21 milhões em 2004, aumentado 27 por cento, segundo os dados do Infarmed, avançados pelo Público." in: "Antidepressivos são problema de saúde pública"; Portugal Diário, edição de 2 de Março de 2005.

De acordo com um programa difundido pela "Antena 1" no dia 9 de Março de 2005, o consumo de antidepressivos em Portugal aumentou 45% nos últimos 5 anos!

(3) Repare que estou a falar dos "fármacos que entorpecem a nossa mente", não dos fármacos em geral!

FILIPE REIS
Nascido e educado na Igreja Adventista do Sétimo Dia e batizado em Março de 1989, aos 13 anos. Vive em Vila Nova de Gaia, Portugal. Serviu vários anos como Diretor da Escola Sabatina e Ancião na Igreja de Pedroso, Portugal, entre outras funções. Em breve iniciará a formação em Teologia no Colégio Adventista de Sagunto (Espanha), para servir como Pastor. Editor do Blog O Tempo Final. Casado com Sofia, aguardam para breve o primeiro bebé, que se chamará Caleb.

1 comentários:

  1. muito importante nunca tinha relacionado esse tipo de remédio a saúde mental e como proceder com pessoas da familia que usam esse tipo de remédio?

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