quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Amor Verdadeiro é Permanente por si Mesmo?

Você sabe que algumas coisas podem machucar, ferir, e até destruir um relacionamento. Para que o amor seja permanente e dure, para que a chama do amor se mantenha e continue ardendo, é preciso trabalhar uma possível mudança e evitar tudo aquilo que destrói o amor.

Em cada caso onde o marido ou a esposa diz: “Não consigo mais amar”, ou “Essa experiência foi tão triste que já não sinto mais nada por ele”, alguns desses elementos estão presentes.

Mas, afinal, quais são esses elementos?

1. Crítica pessoal - A crítica mesquinha e constante enfraquece e aniquila o amor. Viver debaixo de acusações e referências aos próprios fracassos e limitações é prejudicial ao ponto de desenvolver uma atmosfera tão tóxica que o amor não consegue sobreviver, por mais que lute.

2. Ridicularização - Tão prejudicial ao amor e freqüentemente tão presente no relacionamento entre namorados, noivos e casais. Ridicularizar os sentimentos, as virtudes, as fraquezas e as coisas mais caras e preciosas para alguém é a maneira mais eficaz de transformar o lar num verdadeiro inferno, de comprometer suas bases.

3. Imposição de idéias – Quando alguém impõe suas idéias sobre o cônjuge, achando que está sempre e absolutamente certo, impondo sua forma de ser e de pensar, conseqüentemente acaba por oprimir e diminuir o outro que, desumanizado, vai perdendo a dignidade e deixa o amor morrer como forma de defesa.

4. Hipocrisia – Não há coisa pior do que a hipocrisia para destruir o amor. A falta de sinceridade, a atitude puramente social de quem diante dos outros simula amar, mas à sós trata o companheiro com desprezo e grosseria, provoca o desprezo e mata o amor.

5. Atitude de autodefesa – Não há amor sem risco. Quando nos unimos a outra pessoa, ela se torna parte integrante de nós mesmos, e ficamos infinitamente mais vulneráveis. Aqueles que não podem amar são os que têm receio ou são incapazes de enfrentar tais riscos. Assumem atitude de autodefesa, pois querem permanecer inatingíveis e sentirem-se protegidos. Temem sofrer a dor inevitável se o seu amor vier a ser repelido, traído ou mal correspondido. Isso dói mesmo, e eles não querem se arriscar.

Às vezes, para nos proteger da vulnerabilidade que o amor traz, deixamos de amar. Não expressamos os sentimentos, pois queremos nos proteger e ser impermeáveis. A autodefesa destrói o amor que os outros têm por nós. O amor precisa ser recíproco e constantemente alimentado. A menos que estejamos prontos a aceitar o fato de que amando ficamos vulneráveis às decepções, não poderemos fugir da teia egocentrista do nosso próprio eu e reconhecer a beleza e felicidade de uma vida que transborda amor.

Leo Buscáglia, famoso escritor e autor do livro “Vivendo, Amando e Aprendendo”, declara algo muito importante sobre isso: “...Procurar a intimidade é um risco e pode provocar sofrimento. Mas o único meio de você se ver crescer é num relacionamento íntimo.” (pg. 172).

Quando eu amo você e você me ama, somos como o espelho um do outro, e refletindo-nos no espelho de cada um, vemos o infinito. Se eu quiser saber a respeito de mim, não vou descobri-lo vivendo sozinho.

Como disse alguém, o amor é como uma planta pequenina e frágil que, se não for constantemente nutrida, alimentada, poderá facilmente perecer. Portanto, o amor pode ser destruído e não é permanente por si mesmo.

Para manter vivo o amor, evite tudo isso. Lembre-se que quando expressamos sinceramente o nosso amor por alguém, esse alguém pode alimentar o amor que tem por nós e arriscar-se a expressá-lo também. Isso é a recíproca do amor. A realimentação do amor é feita através dos atos e das palavras; tudo aquilo que você faz e tudo aquilo que você diz em afeição e lealdade.

Amar é bom, é bom demais. Só que exige esforço, trabalho, uma tremenda “mão de obra” que não acaba nunca, mas compensa. E como compensa!

Saint Exupéry, filósofo francês, faz uma declaração magnífica em um de seus livros, e ele escreveu uns lindos. Diz ele: “Talvez o amor seja o processo de eu conduzi-lo delicadamente de volta a si.” Não tenho uma definição do amor, mas essa me parece das mais sadias que já ouvi. Talvez o amor realmente seja o processo de eu conduzir você de volta a você; não para quem eu quero que seja, mas para quem você é verdadeiramente.

Jesus disse: “Ame o Senhor seu Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: ame aos outros como você ama você mesmo.” Mateus 22:37 a 39.

O mais importante é que uma pessoa afetuosa seja uma pessoa que goste de si. Alguém que sabe que só podemos dar aquilo que possuímos. Por isso é bom começar a conseguir alguma coisa.

Primeiro é preciso ter amor por nós mesmos, para então ser capaz de amar alguém como é.

PR. JOSÉ CARLOS EBLING
Doutor em Educação Religiosa e Aconselhamento Matrimonial pela Andrews University. Professor universitário e conselheiro matrimonial no UNASP - campus Engenheiro Coelho, SP. Autor dos livros : Namoro No Escuro, Mosaico Do Amor, Amigos Para Sempre, Sentido Único, Saúde No Relacionamento Familiar, Depressão : Você Não Está Sozinho, Perdas e Danos. Casado com Nair Ebling Coordenadora da Extensão Universitária do Unasp - Campus II e autora de diversos livros Didáticos publicados pela CPB.

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