segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Amor à Primeira Vista Ocorre às Vezes Entre Duas Pessoas?

Raciocine comigo: nos relacionamentos não familiares, temos os estranhos, os conhecidos, os colegas, os amigos, os amigos íntimos e “aquela” pessoa especial.

Os amigos íntimos são poucos e podemos dizer que sabemos tudo sobre eles devido ao tempo de convivência; os amigos normais são menos conhecidos; dos colegas, sabemos apenas o pouco que escapa nos diálogos curtos que ocorrem em encontros ocasionais; os conhecidos, conhecemos de vista e sabemos pouca coisa além do nome; os estranhos... bom... acho que já deu pra entender.
Amor à primeira vista não existe. É necessário primeiro conhecer a pessoa para
ser capaz de amá-la.

Mas mesmo assim, já ouvi muitos jovens, inconformados, dizerem que conhecem muitas pessoas que se amaram no instante em que se viram.

Existe uma diferença entre sentimento de amor e amor verdadeiro. À primeira vista pode surgir o sentimento de amor, mas nunca o amor verdadeiro.

Esse sentimento que surge entre duas pessoas que se olham pela primeira vez, é um maravilhoso sentimento de amor, mais corretamente chamado de paixão. A paixão é diferente do amor verdadeiro, mas muito confundida com ele.

Alguns adolescentes chegam a adoecer de “amor”. É a famosa “paixonite aguda”. Já ouviu falar nessa doença? Quando se apaixonam, não conseguem pensar mais em nada, não conseguem estudar nem fazer mais nada... só pensando naquela pessoa, naquele rostinho maravilhoso e encantador que encontraram pela primeira vez.

Às vezes nem sabem o nome da pessoa, e o sentimento por esse estranho é o maior do mundo. Que dizer se descobrir o nome, alguém os apresentar e começarem a namorar?

Parece que tamanho sentimento pode até matar. Mas não mata não. É emocionalmente impossível manter esse sentimento constante por longo tempo. Por ser um estado de euforia emocional, a paixão tende a diminuir, mais cedo ou mais tarde.

É por isso que quando um adolescente se precipita e casa antes que esse sentimento diminua e volte à normalidade, acabará se decepcionando, pois a paixão diminui e logo será mais um adolescente desiludido e aborrecido. A pessoa sem a qual pensava ser impossível viver, perde o brilho, o doce, deixa de ser aquela pessoa “maravilhosa”.


Isso acontece porque a paixão é diferente do amor. A paixão é egocêntrica e
passageira, enquanto o amor é justamente o contrário. O indivíduo apaixonado
quer possuir a pessoa amada; quer ter certeza de que conseguiu conquistá-la e
sofre quando não tem essa certeza.

As diferenças entre sentimento de amor e amor verdadeiro são opostas. O sentimento de amor, ou a paixão tem duas características básicas:

1. É egoísta – “Eu quero você para mim.” É um desejo egocêntrico de posse. É a paixão que leva o indivíduo a não querer que o outro converse com alguém. O outro não pode sentar ao lado de ninguém, não pode conversar com mais ninguém... Alguns pensam que isso é amor, cuidado e proteção. Não, não é amor. É o sentimento chamado paixão, que é egoísta e quer apenas estar seguro de “ter”.

2. Não é permanente – Da mesma forma como a paixão chega, vai embora, porque é impossível uma pessoa viver nesse estado de êxtase sentimental para sempre. O indivíduo que se confunde e pensa que está amando, e se casa com alguém por quem está apenas apaixonado, pode ter problemas e decepcionar-se logo depois, porque o sentimento vai embora e a pessoa fica pensando: “Que coisa! Não amo mais...”. Já ouviu pessoas dizendo que vão se separar porque acabou o amor? O que acabou foi esse sentimento, porque é impossível mantê-lo constante.

Como distinguir amor e paixão?

Este é um grande problema do final do século XX e início do século XXI, tanto para os jovens adolescentes como para seus pais, além dos cônjuges do mundo todo e da Igreja Cristã, e até mesmo para mim.

Pra começar, amor verdadeiro é:

1. Dom de Deus.
2. Um princípio.
3. Razoável. Enxerga tudo. (Ao contrário do que se diz por aí)

Enquanto a paixão é:

1. Carnal e humana.
2. Apenas sentimento.
3. Irrazoável, obstinada e cega. (O que chamam de amor cego)

A Paixão surge de repente, como um raio.
O Amor surge como uma árvore que vai crescendo aos poucos, mas firme e forte.

A Paixão surge porque achou a pessoa o máximo, antes de conhecer e analisar suas qualidades e defeitos.
O Amor não desanima com pequenas falhas, mas não fecha os olhos para elas; procura ajudar a pessoa amada a crescer.

A Paixão usa o outro para satisfazer a carência de carinho, segurança e afeto.
O Amor não busca os próprios interesses. Visa felicidade do outro e oferece carinho, segurança e afeto sem cobranças.

A Paixão pode surgir por duas ou mais pessoas ao mesmo tempo.
O Amor é exclusivo, não trai no sentimento nem na ação.

A Paixão considera fundamental o visual.
O Amor considera fundamental o caráter.

O Apaixonado vive sonhando acordado, no mundo da lua...
Quem Ama sonha sonhos possíveis, com os pés no chão.

O Apaixonado nunca mostra o que realmente é por dentro.
Quem Ama é transparente e não esconde nada.

O apaixonado idolatra a pessoa de sua escolha, desafia toda restrição, é obstinado e precipitado.
Quem Ama aprecia as qualidades da pessoa amada, reconhece e aceita seus defeitos, respeita a individualidade e não ignora a razão.

PR. JOSÉ CARLOS EBLING
Doutor em Educação Religiosa e Aconselhamento Matrimonial pela Andrews University. Professor universitário e conselheiro matrimonial no UNASP - campus Engenheiro Coelho, SP. Autor dos livros : Namoro No Escuro, Mosaico Do Amor, Amigos Para Sempre, Sentido Único, Saúde No Relacionamento Familiar, Depressão : Você Não Está Sozinho, Perdas e Danos. Casado com Nair Ebling Diretora da faculdade de Educação no Unasp - campus II e autora de diversos livros Didáticos publicados pela CPB.

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