terça-feira, 30 de setembro de 2008

Câmara dos EUA derruba pacote; bolsas despencam

A Câmara dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira, por 228 votos contra 205, o megapacote econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo americano. Cerca de dois terços dos deputados republicanos, correligionários do presidente George W. Bush, votaram contra o pacote. A notícia fez com que as bolsas de valores despencassem. O índice Dow Jones registrou nesta segunda-feira sua maior queda em pontos em um único dia na história: perdeu 777,68 pontos e fechou com baixa de 6,98%. As operações da Bolsa de São Paulo chegaram a ser suspensas depois de o índice Bovespa ter caído mais de 10%. Os líderes dos dois partidos deverão, nas próximas horas, tentar persuadir congressistas a mudar seus votos e apoiar o pacote.

Tommy Frato, um porta-voz da Casa Branca, disse que o presidente Bush estava "muito decepcionado" com o resultado. De acordo com o porta-voz, o presidente se reunirá com sua equipe nos próximos dias para "determinar os próximos passos". O pacote havia sido proposto pelo presidente George W. Bush no dia 20 de setembro. O líder americano havia defendido que os congressistas precisavam aprovar a proposta com urgência, para evitar que a crise no sistema financeiro se espalhasse por toda a economia.

Antes da rejeição do pacote de ajuda a Wall Street, os mercados já operavam em baixa, depois da confirmação de problemas em mais bancos. Nos Estados Unidos, o Wachovia, quarto maior banco do país, foi comprado pelo Citibank.

Na Europa, o governo britânico nacinalizou o Bradford & Bingley; e os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo intervieram no Fortis, o 20º maior banco do mundo em faturamento.

Além disso, os bancos centrais dos EUA, o europeu e de oito países abriram linhas de crédito de 330 bilhões de dólares para evitar problemas de caixa em instituições financeiras.

Os deputados republicanos levantaram objeções tanto quanto ao conteúdo do pacote como à pressa em que ele foi colocado em votação.

No fim de semana, líderes partidários haviam chegado a um acordo em relação a pontos polêmicos, como mecanismos de supervisão do mercado financeiro, proteção para os contribuintes e limites aos salários de executivos de instituições financeiras.

As concessões, porém, não foram suficientes para convencer boa parte dos congressistas a seguir a orientação dos líderes no plenário.

Depois da votação, líderes republicanos sugeriram que a culpa era dos democratas, que não teriam conseguido mobilizar sua maioria na Câmara.

Em discurso, também depois da votação, o candidato democrata à Presidência, Barak Obama, disse ser ultrajante que cidadãos americanos tenham de limpar a bagunça criada por Wall Street.

"Se eu for presidente, vou rever o plano todo no meu primeiro dia, para ter certeza de que ele está funcionando para salvar a economia e para que vocês recebam seu dinheiro de volta."

Obama disse esperar que o Congresso aprove alguma forma de programa de ajuda financeira aos bancos, mas admitiu que o caminho para essa aprovação pode ser difícil.

(BBC Brasil)

Nota: Em pouco tempo, uma crise financeira já sem precedentes se desencadeou na maior nação capitalista do mundo, tendo efeitos drásticos em vários países cuja economia está atrelada aos bancos norte-americanos. Isso mostra como as coisas podem mudar rapidamente neste mundo globalizado, levando à tomada de medidas extremas que interferem na vida de bilhões de seres humanos. Como se sabe, os eventos finais serão rápidos, e essa crise é apenas uma amostra disso.


MICHELSON BORGES
É jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e membro da Sociedade Criacionista Brasileira . É editor na Casa Publicadora Brasileira e autor dos livros /A História da Vida / e /Por Que Creio / (sobre criacionismo), /Nos Bastidores da Mídia / e da Série Grandes Impérios e Civilizações, composta de seis volumes. Casado com Débora Tatiane, tem duas filhas.

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