
Quebrando o Silêncio é uma campanha da Igreja Adventista contra o abuso.
Trata-se de uma campanha contra o abuso infantil. O objetivo é orientar, esclarecer, tirar dúvidas e educar a igreja e a comunidade no sentido de evitar abusos contras as crianças.
DADOS ESTATÍSTICOS – VIOLÊNCIASó para se ter uma idéia da gravidade da questão, é bom lembrar que todos os dias mais de 18 mil crianças são espancadas no país, segundo dados da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância. As mais afetadas são meninas entre 7 e 14 anos.
A violência infantil segundo a UNICEF estima que 70% acontece

dentro núcleo familiar e com crianças com menos de 3 anos de idade. No caso de abuso sexual 90% dos abusadores são adultos do sexo masculino e 80% são pessoas conhecidas da criança, estas é a razão que ela tem medo de falar, pois eles a controlam sob ameaças ou recompensas.
Uma pesquisa nacional conduzida pelo Laboratório de Estudos da criança (Lacri), da Universidade de São Paulo, dimensionou pela primeira vez um velho problema brasileiro: o da violência praticada contra crianças no ambiente doméstico. Segundo o estudo, 60% dos brasileiros afirmam ter sido vítimas de castigos físicos na infância – de punições leves a surras que levaram a seqüelas físicas graves. São dois os argumentos mais usados pelos pais brasileiros para justificar o hábito de bater nos filhos. Primeiro é que a punição física “tem função educativa”. O segundo é que ela é uma forma de castigo “merecida” em situações nas quais a criança ultrapassa os limites estipulados em casa. Outra constatação do estudo é que esse fenômeno não está associado à pobreza, ao contrário do que se costuma afirmar – ele está presente em todas as classes sociais. Matéria da Veja de 15 de Março de 2006, escrita por Mônica Weinberg.
No Brasil, onde existe uma população de quase 67 milhões de crianças de até 14 anos, são registrados por ano 500 mil casos de violência doméstica de diferentes tipos. Em 70% dos casos os agressores são pais biológicos.

A violência contra a criança é crescente, mas nem sempre ocorre na forma de abuso sexual, tema que vem sendo amplamente discutido. Levantamento inédito do Núcleo de Atenção a Criança Vítima de Violência, da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra, com base de dados coletados de 1996 a Junho deste ano, que:
· 29,1% de meninos e meninas são vítimas de abuso físico.
· Violência sexual aparece em segundo lugar 28,9%
· 25,7% sofreram negligência.
· 16,3% abuso psicológico.
O QUE É O ABUSO CONTRA A CRIANÇA?

É quando um adulto fere a criança e isso não por acidente. A violência infantil pode acontecer em qualquer família de diferentes classes sociais: tanto nos paises de primeiro mundo como nos paises subdesenvolvidos, dentro ou fora das igrejas.
A violência infantil pode ser causada por ações ou por omissões, produzindo danos físicos e psíquicos.
HÁ 4 TIPOS DE ABUSO· Físico
· Emocional
· Negligência
· Sexual
1. ABUSO FÍSICO
O abuso físico ocorre quando um adulto machuca uma criança ao lhe dar golpes ou surrá-la, ou qualquer outra forma que ocasione dano a sua integridade física.
Inclui Comportamento como:
· Agredir
· Sacudir ou dar palmadas
· Queimar ou escaldar
· Chutar
· Sufocar
Os sinais da violência· Queimaduras de cigarro e hematomas em locais cobertos pela roupa.
· Síndrome da orelha de lata (orelha deformada por puxões).
· Síndrome de Munchausen (pais simulam sintomas para levar a criança ao médico).
· Síndrome do bebê sacudido (lesões e sangramentos na cabeça).
· Fraturas múltiplas e em fases de recuperação diferentes.
· Sonolência causada por drogas para dormir, dadas constantemente pelas mães.
Características de Crianças Que Sofrem Violência Física
· Contusões inexplicadas no rosto
· Marcas que revelam a forma de um objeto, como a fivela de um cinto.
· A criança sofre muitos acidentes em casa e parece guardar segredo sobre o que ocorreu. Lacerações inexplicadas no rosto, na boca, gengiva, nos olhos, braços e pernas
· Queimaduras de cigarro
· Queimaduras nos pés, mãos e nádegas, dando a impressão de imersão em água quente Esfoladura causada por corda no pescoço, punhos ou tornozelos
· Medo do pai ou responsável
· Dificuldade para caminhar, pular; articulações doloridas
· Desatenção, isolamento
2. ABUSO EMOCIONAL
O abuso emocional é quando um adulto fala palavras que fazem com que a criança se sinta mal. O abuso emocional afeta profundamente a auto-estima da criança, submetendo-a a agressão verbal ou crueldade emocional. Nem sempre envolve feridas visíveis.
Pode incluir situações como:· Insulto
· Crítica
· Ameaça
· Humilhação
· Menosprezo
· Descrédito
· Zombaria
· Confinamento estrito, como num guarda-roupa
· Educação inadequada
· Disciplina exagerada
· Permissão consciente para ingerir álcool ou drogas
· Ridículo
Características de Crianças Que Sofrem Abuso Emocional
· Atraso no desenvolvimento físico
· Depressão, reações impróprias
· Desordens da fala, gagueira
· Crueldade para com outras crianças ou bichos de estimação Baixa auto-estima
· Negação própria
· Dificuldade de concentração
· Dificuldade para relacionar-se com outras crianças ou adultos
· Comportamento extremamente anti-social. Ex.: atear fogo
3. ABUSO DA NEGLIGÊNCIAA negligência ocorre quando um adulto prejudica a criança ao impedi-la de ter alimento, cuidados e abrigo.
A negligência consiste em maus tratos ou negligência que prejudique a saúde, o bem-estar ou a segurança de uma criança.
Pode incluir negligência física, emocional ou educacional através de atos como:
· Abandono
· Recusa em buscar tratamento para uma doença
· Supervisão inadequada
· Riscos à saúde dentro de casa
· Indiferença para com a necessidade que a criança tem de contato, elogio e estímulo intelectual
· Nutrição emocional inadequada
· Recusa em procurar escola para a criança.
Características de Crianças Que Sofrem Negligência· Abaixo do peso, faminta, pálida
· Olhar distante; olhos fundos, olheiras
· Falta de higiene no corpo e nas roupas; mau cheiro
· Roupas e sapatos em mau estado ou que não servemNecessidades não atendidas na área da saúde
· A criança pede, furta ou estoca alimentoA criança relata que é deixada sozinha em casa por longos períodos de tempo
· Fadiga, desatenção, preocupação
· A criança busca de afeição ou atenção de maneira inapropriada
· A criança assume responsabilidades de adulto
OBS: Negligência Física (É considerada abuso somente quando for evitável; caso contrário, é um problema global)
4. ABUSO SEXUAL
O abuso sexual é quando um adulto toca as partes íntimas do corpo da criança ou pede que ela lhe toque essas partes. Pode também acontecer que um adulto tente tirar as roupas, tocar ou beijar de forma que leve a criança a ficar assustada. Todos gostam de receber abraços ou de serem tocados por pessoas a quem amam, mas alguns tipos de toque não são bons para a criança.
Comportamentos como incesto, molestamento, estupro, contato oral-genital, anal e carícia nos seios e genitais. Além do contato sexual, a violência pode incluir outros comportamentos abusivos como estimular verbalmente de modo impróprio uma criança ou adolescente, fotografar uma criança ou adolescente de modo pornográfico ou mostrar-lhe esse tipo de fotos, expor uma criança ou adolescente à pornografia ou atividade sexual de adultos
Características de Crianças Que Sofrem Violência Sexual
· Dificuldade para andar ou sentar-se
· Falta de controle dos intestinosCorrimento sanguinolento em meninas que não menstruam ou no ânus de meninos
· Doença venérea
· Queixa de dor, prurido ou inchaço na área genital
· Conhecimento de comportamento sexual incompatível com a idadeFalta de auto-estima; depressão
· A criança conta que foi sexualmente abusada
· Tem medo do pai e reluta em ir para casa
· Menciona segredos; diz que tem um segredo que não pode contar
Por que é importante falar sobre o abuso sexual sofrido?Um dos aspectos mais difíceis de se lidar em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes é o pacto de silêncio que se forma em torno do acontecimento. A criança se cala porque tem medo; medo de não ser acreditada, das ameaças contra ela e sua família, de ser culpada pelo abuso. O silêncio da criança é a maior arma que o agressor tem para garantir a continuidade do ato abusivo e a sua não responsabilização pelo ocorrido.
Contar a alguém de confiança o que está acontecendo é a única maneira que a criança/adolescente tem para que realmente se rompa o ciclo da violência, uma vez que essa pessoa pode dar conhecimento do fato aos órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, além de poder encaminhar a vítima para um acompanhamento psicológico, já que a maioria delas precisa de algum tipo de apoio especializado.
É importante salientar que o rompimento do pacto de silêncio proporciona um ganho imensurável na história de vida da criança, além da quebra da impunidade tão pretendida por todos os participantes da rede de proteção à infância.
POR QUE OS PAIS AGRIDEM SEUS FILHOS?
ImaturidadePais muito jovens e inseguros freqüentemente não entendem o comportamento e as necessidades da criança. Às vezes, as necessidades dos pais interferem na orientação dos filhos.
Expectativas fora da realidade
Os pais esperam que os filhos se comportem como “adultos” em todos os estágios do desenvolvimento ou então os pais desconhecem o desenvolvimento infantil “normal” e esperam demais.
Falta De Conhecimento Da PaternidadeOs pais desconhecem os vários estágios do desenvolvimento da criança – como criar um filho. Os pais não têm “modelos” de relacionamento familiar bem-sucedido a partir dos quais aprender lições.
Isolamento Social
Não há amigos ou familiares para ajudar a enfrentar as pesadas demandas relacionadas com os filhos. Os pais podem sentir-se sobrecarregados além de sua capacidade de conviver com a situação.
Necessidades emocionais não supridasOs pais que não se relacionam bem com outros adultos podem esperar que seus filhos tomem conta deles e que lhes satisfaçam a necessidade de amor, proteção e auto-estima.
Crises frequentes
Problemas financeiros, jurídicos, no trabalho, uma doença grave, etc., podem levar um pai ou responsável a “descontar” tudo na criança.
Experiências desagradáveis na infância
Muitos adultos violentos foram maltratados na infância e têm uma pobre auto-imagem, não sabendo como cuidar devidamente dos filhos.
Problemas Com Álcool Ou DrogasEsses problemas limitam a capacidade paterna de lidar
apropriadamente com os filhos. Os pais sob a influência de uma substância tóxica não são racionais no seu trato com as crianças. A violência no lar freqüentemente ocorre quando o pai está embriagado.
PARA PREVENIR· A partir de um ano e meio, a criança comece a receber noções sobre o seu corpo;
· A partir dos 3 anos, os pais expliquem de forma mais específica, quais são os órgãos sexuais e ensinem aos filhos a reagir a qualquer tentativa de abuso;
· Sempre, ouça o que a criança tem a dizer, por mais absurdo que seja. Mantenha um diálogo aberto e franco com seus filhos, com as crianças;
· No caso da criança dizer que está sofrendo abuso, não fazer drama ou escândalo, não duvidar;
· Reassegurar a criança que não é culpa dela, nem é errado ela dizer isso a você e procurar resolver a situação o mais rápido possível;
· Investir na auto-estima das crianças (elogios, afirmação do seu valor, dar atenção, respeitar, etc..);
· Prestar atenção no comportamento de adultos que a rodeiam.
FONTES:
http://www.quebrandoosilencio.com.br/ (QUEBRANDO O SILÊNCIO – EU QUERO PAZ)
http://www.observatoriodainfancia.com.br/ (OBSERVATÓRIO DA INFÂNCIA) – ANTIGO SITE ABRAPIA (ABRAPIA – Associação Brasileira de Multidisciplinar de Proteção à Infância)
http://www.unicef.org.br/ (FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA)
http://www.mds.gov.br/ (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME)
http://www.usp.br/ip/laboratorios/lacri/ (LABORATÓRIO DE ESTUDOS DA CRIANÇA)
http://www.naobataeduque.org.br/ (NÃO BATA, EDUQUE)
http://www.wcf.org.br/ (INSTITUTO WCF BRASIL)
http://www.cecria.org.br/ (CENTRO DE REFERÊNCIA, ESTUDOS, AÇÕES SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES)
http://www.censura.com.br/ (CAMPANHA NACIONAL DE COMBATE A PEDOFILIA NA INTERNET)
