quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

OS 1290 E 1335 DIAS DE DANIEL

A interpretação dos "1290 dias" e dos "1335 dias" de Daniel 12:11 e 12 respectivamente como 1290 anos e 1335 anos é antiga, podendo ser encontrada já entre os expositores judeus do século 8 d.C. Essa interpretação, baseada no princípio dia-ano (Núm. 14:34; Ezeq. 4:6 e 7), continuou sendo advogada pelos seguidores de Joaquim de Fiore (1130-1202), bem como por vários outros expositores, durante a pré-Reforma, a Reforma e a tradição protestante subseqüente.1


Guilherme Miller (1782-1849), por sua vez, acreditava, em primeiro lugar, que tanto os 1290 anos como os 1335 anos haviam iniciado em 508, quando Clóvis obteve a vitória sobre os visigodos arianos, passo esse decisivo na união dos poderes político e eclesiástico para a punição dos considerados hereges pelo catolicismo medieval. Em segundo lugar, Miller cria que os 1290 anos haviam se cumprido em 1798, com o aprisionamento do Papa Pio VI pelos exércitos franceses; e, finalmente, que os 1335 anos se estenderiam por mais 45 anos até o término dos 2300 anos de Daniel 8:14, entre 1843 e 1844.2



Essa interpretação foi mantida pelos primeiros adventistas observadores do sábado,3 transformando-se na posição histórica da Igreja Adventista do Sétimo Dia até hoje.4 Porém, em anos recentes, alguns pregadores independentes começaram a propagar o que consideram nova luz sobre os 1290 e 1335 dias de Daniel 12. Rompendo com a tradicional compreensão adventista, tais indivíduos alegam que ambos os períodos são compostos por dias literais, e não dias que representam anos, a se cumprirem ainda no futuro.



Alguns deles sugerem que ambos os períodos iniciarão com o futuro decreto dominical; que os 1290 dias literais são o período reservado para o povo de Deus sair das cidades; e que ao término dos 1335 dias literais a voz de Deus será ouvida anunciando "o dia e a hora" da volta de Cristo.5 Por mais interessante que essa teoria possa parecer, existem pelo menos cinco razões básicas que nos impedem de aceitá-la.



1. A teoria se baseia numa leitura parcial e tendenciosa dos escritos de Ellen White.



Um dos argumentos para justificar o cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias é a falsa alegação de que Ellen White considerava como errônea a noção de que os 1335 dias já haviam se cumprido no passado. Alusões são feitas à carta que ela enviou "à igreja na casa do irmão Hestings", datada de 7 de novembro de 1850, na qual são mencionados alguns problemas relacionados com o irmão O. Hewit, de Dead River.



No texto original em inglês dessa carta aparece a seguinte declaração: "We told him of some of this erros in the past, that the 1335 days were ended and numerous errors of his."6 Essa declaração deveria ser traduzida simplesmente como: "Nós lhe mencionamos alguns dos seus erros do passado, que os 1335 dias haviam se cumprido e muitos dos seus erros." No entanto, alguns defensores da nova teoria profética preferem substituir a conjunção "que" (inglês that) pela expressão "tais como" (inglês such as), alterando dessa forma o sentido do texto. Assim, eles conseguem fazer com que a sentença diga que entre os erros advogados por Hewit estava também a idéia de "que os 1335 dias haviam se cumprido".



Se a intenção de Ellen White era realmente corrigir o irmão Hewit por crer que os 1335 dias já haviam se cumprido, permaneceriam as indagações? Por que Ellen White se limitou a corrigir, em 1850, de forma parcial e tendenciosa, apenas a posição desse irmão, sem qualquer repreensão aos demais líderes do movimento adventista que também criam que esse período profético já havia se cumprido em 1844? Por que ela não reprovou o seu próprio esposo, Tiago White, por afirmar na Review and Herald, ainda em 1857, que "os 1335 dias terminaram com os 2300, com o Clamor da Meia-Noite em 1844"?7



Por que ela não o repreendeu por continuar publicando na mesma Review vários artigos de outros autores, advogando a mesma idéia?8



E mais, como poderia Ellen White haver declarado, em 1891, que "nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo. Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo"?9



Evidências de que Ellen White cria que esses períodos já haviam se cumprido em seus dias podem ser encontradas também em suas declarações segundo as quais Daniel já estava sendo vindicado em sua sorte (ver Dan. 12:13) desde o início do tempo do fim.10 Cremos, portanto, que o Dr. Gerard. P. Damsteegt, professor do Seminário Teológico da Universidade Andrews, estava correto ao declarar que "já em 1850 E. G. White havia escrito que 'os 1335 dias haviam se cumprido', sem especificar o tempo do seu término".11



2. A teoria quebra o paralelismo profético-literário do livro de Daniel.



Para justificar o suposto cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias, os advogados da "nova luz" profética alegam, sem qualquer constrangimento, que o conteúdo da Daniel 12:5-13, onde são mencionados esses períodos, não é parte da cadeia profética do livro de Daniel. Porém, uma análise mais detida da estrutura literária do livro não confirma essa teoria. O Dr. William H. Shea esclarece que, no livro de Daniel, cada período profético (1260, 1290, 1335 e 2300 dias) aparece como um apêndice calibrador ao corpo básico da respectiva profecia que lhe corresponde.



Por exemplo, a visão do capítulo sete é descrita nos versos 1-14, mas o tempo a ela relacionado só aparece no verso 25. No capítulo 8, o corpo da visão é relatado nos versos 1-12, mas o tempo só ocorre no verso 14. De modo semelhante, os tempos proféticos relacionados com a visão do capítulo 11 só são mencionados no capítulo 12.12 Esse paralelismo comprova que os 1290 dias e os 1335 dias de Daniel 12:11 e 12 compartilham da mesma natureza profético-apocalíptica dos termos "tempo, tempos e metade de um tempo", de Daniel 7:25, e as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8:14.



Assim, se aplicarmos o princípio dia-ano aos períodos proféticos de Daniel 7 e 8, também devemos aplicá-lo aos períodos de Daniel 12, pois todos esses períodos estão interligados, de alguma forma, e a descrição de cada visão indica apenas um único cumprimento para o período profético que lhe corresponde.



Além disso, a alusão em Daniel 12:11 ao "sacrifício diário" e à "abominação desoladora" conecta os 1290 e os 1335 dias não apenas com o conteúdo da visão de Daniel 11 (Dan. 11:31), mas também com as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 (ver Dan. 8:13; 9:27). O mesmo poder apóstata que haveria de estabelecer a "abominação desoladora" em lugar do "sacrifício diário" é descrito em Daniel 7 e 8 como o "chifre pequeno", e em Daniel '' como o "rei do Norte." Portanto, a tentativa de interpretar alguns períodos proféticos de Daniel (70 semanas, 2300 tardes e manhãs) como dias que simbolizam anos, e outros (1290 dias, 1335 dias) como meros dias literais, é totalmente incoerente com o paralelismo profético-literário do livro de Daniel.



3. A teoria apóia-se em uma interpretação não bíblica do termo hebraico tamid.



A teoria de que tanto os 1290 dias quanto os 1335 dias iniciam com o futuro decreto dominical é baseada na suposição de que, em Daniel 12:11, as expressões "sacrifício diário" e "abominação desoladora" significam respectivamente o sábado e o domingo. Mas também essa suposição carece de fundamento escriturístico.



A expressão "sacrifício diário" é a tradução do termo hebraico tamid, que significa "diário" ou "contínuo", ao qual foi acrescentada a palavra "sacrifício", não encontrada no texto original de Daniel 8:13 e 12:11. A palavra tamid é usada nas Escrituras em relação não apenas com o sacrifício diário do santuário terrestre (ver Êxo. 29:38 e 42), mas também com vários outros aspectos da ministração contínua daquele santuário (Êx. 25:30; 27:20; 28:29 e 38: 30:8; I Crôn. 16:6). No livro de Daniel, o termo se refere, obviamente, ao contínuo ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial (Dan. 8:9-14). Já a expressão "transgressão assoladora" ou "abominação desoladora" subentende o amplo sistema de contrafação a esse ministério, construído sobre as teorias antibíblicas da imortalidade natural da alma, da mediação dos santos, do confessionário, do sacrifício da missa, etc.



Não podemos concordar com a teoria de que em Daniel 12 o "diário" representa simplesmente o sábado, e a "abominação desoladora", o domingo. Para crermos dessa maneira, teríamos que esvaziar essas expressões do amplo significado que lhes é atribuído tanto pelo próprio contexto bíblico no qual aparecem, como também pelo consenso geral das Escrituras.



4. A teoria reflete a interpretação jesuíta futurista da Contra-Reforma católica.



Os defensores da interpretação literal-futurista dos 1290 e 1335 dias alegam que sua posição é genuínamente adventista e plenamente sancionada pelos escritos de Ellen G. White. No entanto, se analisarmos mais detidamente o assunto à luz da História, perceberemos que essa teoria rejeita o historicismo e o princípio dia-ano da tradição protestante, para se alinhar abertamente com o futurismo literalista da Contra-Reforma católica.



Os reformadores protestantes do século 16 identificavam o "chifre pequeno" com o papado, do qual se originaria a "abominação desoladora" de que fala Daniel.13



Foi para inocentar o papado dessas acusações que o cardeal italiano Roberto Bellarmino (1542-1621), o mais capaz e renomado de todos os polemistas jesuítas, sugeriu que o "chifre pequeno" era um mero rei e que os 1260, 1290 e 1335 dias eram apenas dias literais a se cumprirem somente no período que antecederia o fim do mundo.14 Dessa forma, o papado contemporâneo não poderia mais ser identificado como o "chifre pequeno" ou "rei do Norte" e, conseqüentemente, não mais poderia ser responsabilizado pela "transgressão assoladora" ou "abominação desoladora".



Muitos dos defensores contemporâneos da interpretação futurista dos 1290 e 1335 dias desconhecem o comprometimento dessa teoria com o futurismo da Contra-Reforma católica. Mas, mesmo assim, tais indivíduos deveriam pelo menos reconhecer que "essas propostas futuristas repousam, essencialmente, sobre uma compreensão errônea dos padrões de pensamento da poesia hebraica", e que "elas representam uma leitura do idioma hebraico através de óculos ocidentais".15



5. A teoria menospreza as advertências de Ellen G. White contra a tentativa de se estender o cumprimento de qualquer profecia de tempo para além de 1844.



Se essa teoria fosse correta, bastaria ser promulgado o decreto dominical, e já saberíamos por antecipação quando a porta da graça se fecharia e quando ocorreria a segunda vinda de Cristo. Essa é, por conseguinte, mais uma forma sutil e capciosa de se estabelecer datas para os eventos finais. Por mais originais e criativas que possam parecer, essas tentativas não passam de propostas especulativas, que desconhecem ou menosprezam, em nome de Ellen White, as suas próprias advertências sobre o assunto.



Já em 1850, ela escreveu: "O Senhor me mostrou que o tempo não tem sido um teste desde 1844, e que o tempo nunca mais será um teste."16



Posteriormente, acrescentou que "nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo". "O Senhor mostrou-me que a mensagem deve ir, e que não deve depender de tempo; pois tempo não será nunca mais uma prova. Deus não nos revelou o tempo em que esta mensagem será concluída, ou quando terá fim o tempo de graça."17



Somente depois do fechamento da porta da graça, e pouco antes da segunda vinda, é que Deus há de declarar aos salvos "o dia e a hora da vinda de Jesus".18



Comentando a expressão "que não haveria mais tempo" (Apoc. 10:6 KJV), em 1900, a sra. White declarou: "Esse tempo, que o anjo declara com um solene juramento, não é o fim da história deste mundo, nem o tempo de graça, mas o tempo profético, que precederia o advento de nosso Senhor. Ou seja, o povo não terá outra mensagem a respeito de um tempo definido. Após este período de tempo, que se estende de 1842 a 1844, não pode haver qualquer cálculo definido de tempo profético."19



Sendo esse o caso, por que então continuar insistindo em reaplicar os 1290 dias e os 1335 dias de Daniel 12 para o futuro? Cabe somente a Deus julgar o grau de sinceridade daqueles que assim o fazem, mas uma coisa é certa: A"fé em uma mentira não terá influência santificadora sobre a vida ou o caráter. Nenhum erro é verdade, nem pode tornar-se verdade pela repetição, ou por fé nele. ... Posso ser perfeitamente sincera em seguir um caminho errado, mas isso não torna o caminho certo, nem me levará ao lugar que eu desejava chegar."20



PROTEGIDOS DO ENGANO



É evidente, portanto, que a teoria de um cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias baseia-se numa leitura parcial e tendenciosa dos escritos de Ellen White, quebra o paralelismo profético-literário do livro de Daniel, apóia-se em uma interpretação não bíblica do termo hebraico tamid, reflete a interpretação jesuíta futurista da Contra-Reforma católica, e menospreza as inspiradas advertências contra a tentativa de se estender o cumprimento de qualquer profecia de tempo para além de 1844.



Numa época em que os vendavais de falsas doutrinas estarão soprando com forte intensidade (Efés. 4:14), "para enganar, se possível, os próprios eleitos" (Mat. 24:24), só estaremos seguros se alicerçados sobre a clara e inamovível Palavra de Deus. Toda "nova luz", para ser verdadeira, deve estar em perfeita harmonia com o consenso geral das Escrituras e dos escritos inspirados de Ellen White.21 Os atalaias do povo de Deus jamais deveriam permitir que as conjecturas e as especulações humanas os impeçam de dar à trombeta o sonido certo (Eze. 33:1-9; I Cor. 14:8).



Referências:


1 LeRoy Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers, Washington, D.C.: Review and Herald, 1954, vol. 4, págs. 205 e 206.


2 William Miller, Evidences from Scripture and History of the Second Coming of Christ about the Year a.D. 1843, and of His Personal Reign of 1000 Years, Brandon, Vermont: Telegraph Office, 1833, pág. 31; Idem, Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ, about the Year 1843,
Exhibited in a Course of Lectures, Boston, Joshua V. Himes, 1842, págs. 95-104, 296 e 297; Idem, Synopsis of Miller's Views, Signs of the Times, 25/01/1843, págs. 148 e 149.


3 P. Gerard Damsteegt, Foundations of the Seventh-day Adventist message and Mission, Grand Rapids, MI; Eerdmans, 1977, págs. 168-170.


4 ver Uriah Smith, Synopsis of the Present Truth, nº 12, Review and Herald, 28/01/1858; Stephen N. Haskell, The Story of Daniel the Prophet, Berrien Springs, MI, 1903; págs. 263-265; J. N. Loughborough, The Thirteen Hundred and Thirty-Five Days, Review and herald, 04/04/1907, págs. 9 e 10; Uriah Smith, The Prophecies of Daniel and the Revelation, Washington, D.c., Review and Herald, 1944, págs. 330 e 331; George Price, The Greatest of the Prophets: A New Commentary on the Book of Daniel, (Mountain View, CA, 1955, págs. 337-342; Araceli S. Melo, Testemunhos Históricos das profecias de Daniel, Rio de Janeiro, RJ, Laemmert, 1968, págs. 727-729. Francis D. Nichol (editor), The Seventh-day Adventist Bible Commentary, Washington, D.C., Review and Herald, 1977, vol. 4, págs. 880 e 881; Vilmar e. Gonzalez, "Os 1290 e 1335 dias em Daniel 12", Revista Adventista, 09/82, págs. 43 e 45; Hacques B. Doukhan, Daniel: The Vision of the End, Berrien springs, MI, 1989, pág. 135; William H. Shea, "Time Prophecies of Daniel 12 and Revelation 12 e 13, in Frank Holbrook (editor), Symposium on Revelation - Book 1, Daniel and Revelation Commitee Séries, vol. 6, Silver Spring, MD, 1992, págs. 327-360.


5 Victor Michaelson, Delayed Time-setting Heresies Exposed, Payson, AZ; Leaves-Of-Autumn, 1989.


6 E. G. White, Carta H-28, 07/11/1850.


7 James White, "The Judgment", Review and Herald, 29/01/1857, pág. 100.


8 J. N. Loughborough, "The Hour of His Judgement Come", Review and Herald, 14/02/1854, pág. 30; Uriah Smith, "Short Interviews with Correspondents", Idem, 24/02/1863, pág. 100, e 08/09/1863, pág. 116.


9 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 188.


10 Idem, Manuscrito 50, 1893; Carta K-59, 22/11/1896; Manuscrito 176, 04/11/1899; Manuscrito 10, 1900; Carta B-6, 17/01/1907.


11 P. Gerard Damsteegt, Op. Cit., pág. 169.


12 William H. Shea, The Abundant Life Bible Amplifier, Boise ID, Pacific Press Association, 1996, págs. 217-223.


13 LeRoy Froom, Op. Cit., vol. 2, págs. 241-463.


14 Ibidem, págs. 495-502.


15 Frank Holbook, Symposium on Revelation - Book 1, pág. 327.


16 Elen G. White, Primeiros Escritos, pág. 75


17 Idem, Op. Cit., vol 1, págs. 188 e 191.


18 Idem, O Grande Conflito, pág. 640.


19 Comentários de Ellen White em The Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, pág. 971.


20 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 56.


21 Idem, Counsels to Writers and Editors, págs. 33-51.



POR ALBERTO R. TIMM


Leia Mais

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

DICAS DE LOCUÇÃO



1) NA APRESENTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE CUNHO RELIGIOSO É IMPORTANTE PRESTAR ATENÇÃO NOS SEGUINTES DETALHES...

Lendo referências bíblicas:

Por exemplo: João 3:16. Leia no ar: "João, capítulo três, versículo dezesseis. Mateus 28:1 - Leia: "Mateus, capítulo vinte e oito, versículo um". etc.
Cuidado com os Salmos!! Salmos são um conjunto de canções e orações. Ao mencionar um salmo, faça-o sem o S (plural). Exemplo: Salmo 119:105. (Salmo cento e dezenove, versículo cento e cinco). Cuidado: Salmo não é capítulo! Salmo contém versículos...

Cuidado com as cartas de Paulo

Ao citar I Coríntios 13:1 diga: "Primeira aos Coríntios, capítulo treze, versículo um". (OU: "Primeira carta de Paulo aos Coríntios...)
Assim também com a primeira (ou segunda) carta aos Tessalonicenses; Primeira ou Segunda carta à Timóteo, etc. Evite usar o termo epístola. Carta soa melhor.
Portanto, nunca diga: Primeiro aos Coríntios; primeiro aos Tessalonicenses...

Atenção, porém, com os livros de I e II Reis, I e II Crônicas! Exemplo: I Reis 12:13 - Diga: "Primeiro livro de Reis capítulo doze, versículo treze". Note que agora não estamos falando de primeira ou segunda cartas. Estamos falando de livros. Outro exemplo: II Crônicas 1:17 Leia: "Segundo livro de Crônicas, capítulo um, versículo dezessete".

MAIS...

- Evite as palavras rebuscadas, ortodoxas. Pense sempre: uma criança entenderá o que estarei dizendo? Se a resposta for positiva, vá em frente!

- Evite também expressões como: "queridos radiouvintes". Fale sempre para UMA pessoa. Assim você estará falando para todos os ouvintes da rádio.

- Atente também para a pronúncia de alguns nomes bíblicos: Nabucodonosor;
Deuteronômio (e não deuterenôme...); Herodes, o Tetrarca; ..

- Se o programa é ao vivo, chegue com, pelo menos, 30 minutos de antecedência. Acerte todos os detalhes e entradas de gravações e músicas com o operador de áudio da emissora. É importante entregar a ele uma relação completa e em ordem da seqüência das músicas, efeitos e outras gravações.

- Fale devagar, em tom de conversa. Mantenha uma distância de, no mínimo, 15 centímetros do microfone.

- A verdade precisa ser dita. Mas com tato, com amor, com cuidado. Afinal, você não conhece a(s) pessoa(s) que está "do outro lado" nem sabe de suas crenças ou convicções.

- Não use expressões do tipo: "o Espírito de Profecia diz que..." Nossa base no estudo precisa ser a BÍBLIA. Quando citar a E. G. White, refira-se a uma "renomada escritora" e não expressões igrejeiras como "irmã White" ou "serva do Senhor".

2) DICAS GERAIS DE LOCUÇÃO

· Ouça bastante o rádio, seja um bom ouvinte. Quanto mais se ouve, mais se conhece, mais se aprende.

· Tenha Bom conteúdo. Melhor do que a voz é o que se fala, seu conteúdo.

· Relaxe antes do trabalho. A inspiração e expiração do ar de maneira compassada, juntamente com a contração seguida de relaxamento dos músculos das pernas e braços, ajudam bastante.

· Livre de tensão, a voz é produzida de maneira natural.

· Cuide com a entonação. Por exemplo: "Ele vem... Ele vem?"

· Quanto maior o número de repetições por segundo, mais aguda a voz (crianças e mulheres) e quanto menor o número de repetições por segundo, mais grave a voz.

· Determinantes da voz: o físico, a emoção, a cultura, a altura, a intensidade, o timbre.

· Voz desagradável é: a gutural, áspera, peitoral, suspirante, nasal, abafada, rouca, seguida, chorosa, etc.

· Fale para uma pessoa particular, não para todos os ouvintes: "agora a hora certa para VOCÊ não perder seu compromisso...", "e agora a previsão do tempo para VOCÊ se prevenir...". E não assim: "e agora a previsão do tempo para vocês."

· Tenha pelo menos 7 horas de sono por dia.

· Evite líquidos excessivamente gelados.

· Lembre-se: quando estamos agitados e excitados, nossa respiração torna-se rápida e irregular. O oposto traz respiração harmônica, regular, lenta e suave.

· Na comunicação geral, seja soft, fale sorrindo, com simpatia, não de maneira austera ou autoritária. Seja, sobretudo entusiasta. Muito entusiasmo!

· Amarre o ouvinte na programação: - Daqui a pouco você vai ouvir esta música (e exibe um pedaço da música); - Logo após os comerciais, você vai ouvir Fulano de tal - um programa especial que você conhece; - Em seguida, estará chegando aquele seu programa esperado...; - Daqui a pouco uma dica de saúde...

· Nunca tente copiar uma pessoa. Preste atenção em todos e forme o seu estilo. Não force sua natureza para copiar o estilo de outra pessoa.

· Leia bem o texto antes de apresentá-lo no ar. Cuide com a pronúncia de nomes, numerais e já saiba onde parar para respirar. Fale o texto. Não dê a impressão de leitura.

· Não leia o texto com pressa. Procure finalizar as frases com reservas de ar. Seja cortês e respeite o ouvinte ao falar.

· Mantenha-se sempre bem informado. Saiba o que está acontecendo: dia do que é hoje, como se pronuncia o nome que está sendo manchete na mídia do momento...

· Não faça comentários sem autorização, muito menos se não tiver conhecimento.

· Seja organizado no estúdio.

· Cuide para não deixar o microfone aberto em momentos inoportunos.

· Sempre anuncie e desanuncie um programa dizendo quando ele volta.

· Na troca de locutores, conversas amistosas, mencione o nome do locutor, preparar previamente com descontração. Não fale coisas negativas, não ofenda ao colega e evite falar sobre o tempo.

LEMBRE-SE: o bom profissional de Rádio é avaliado pela sua originalidade, poder de síntese, criatividade, improvisação, carisma e por sua voz bem colocada.



Fonte: Novo Tempo

Leia Mais

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

PREDESTINAÇÃO CALVINISTA - UM CONCEITO ANTI-BIBLICO


O tema da predestinação apresentado, tem como objetivo explicar quem foi escolhido por Deus para ser salvo. As idéias entre muitos cristãos divergem bastante sobre este assunto. Alguns chegam a afirmam que somente alguns foram escolhidos para ser salvos, já o outro grupo, que todos foram escolhidos, predestinados a salvação.



Na verdade precisamos entender qual é o papel de Deus na escolha da salvação para os seus filhos e se o ser humano desempenha algum papel nesta escolha. Por isso precisamos entender o que é livre-arbítrio e o que é predestinação.



1) O QUE É LIVRE ARBÍTRIO?



Livre arbítrio é um princípio escriturístico (bíblico) que declara que o homem é livre para tomar decisões, para decidir a questão do seu destino. (O SEU FUTURO)



2) O QUE É PREDESTINAÇÃO? QUAL A SUA DEFINIÇÃO NO SENTIDO GERAL E NO SENTIDO BÍBLICO?



No consenso do povo (sentido geral) é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos segui-lo sem o direito da escolha. O Teólogo Calvino, ampliando idéias já antes defendidas por Santo Agostinho, afirmou que desde a antigüidade Deus estabeleceu dois decretos: Um selecionando um grupo para a vida eterna e um outro decreto selecionando aqueles que serão destruídos. O próprio Calvino qualificou-o como terrível decreto de Deus. Estaria este ensino em harmonia com as doutrinas bíblicas? Aguarde um pouquinho! Essa pergunta logo mais será respondida!



3) A EXPLICAÇÃO BÍBLICA É DIFERENTE DO CONSENSO GERAL SOBRE PREDESTINAÇÃO?



Predestinação bíblica, seria o decreto de Deus que possibilita a salvação a todos os que aceitarem a Cristo.



A palavra predestinação não aparece na Bíblia, mas o verbo predestinar, em grego prooridzo, é empregado 4 vezes, isto é, em Rom. 8:29 e 30; Efés 1:5 e 11. A (pró), antes, e o verbo palavra é formada de (horidzo) – definir, limitar. Este verbo é usado em português na palavra horizonte, como círculo limitante do campo da nossa observação. Prooridzo pode ser traduzido por demarcar de antemão.



4) QUAIS SÃO OS FATOS BÍBLICOS QUE SE BASEIAM OS DEFENSORES DA PREDESTINAÇÃO DIVINA PARA A PERDIÇÃO?



Dentre os fatos mais citados estes se destacam: "O endurecimento do coração de Faraó. ", "Judas predestinado para trair a Jesus" e "a declaração de Rom. 9:13: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú. “



5) QUAIS SÃO OS 3 ÚTEIS PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA QUE NOS AJUDARÃO A COMPREENDER O PROBLEMA DA PREDESTINAÇÃO?



1º) É a regra áurea da interpretação, chamada por Orígenes de "Analogia da Fé". O texto deve ser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de passagens isoladas. Não podemos basear uma doutrina numa só texto.


2º) Para compreender bem uma passagem é precisa consultar as passagens paralelas. São aquelas que tratam do mesmo assunto.


3º) Observar bem o contexto. Ver o que vem antes e depois para saber de que autor está tratando.



6) VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS BÍBLICOS PARA ENTERMOS OS PRINCÍPIOS QUE ACABAMOS DE MENCIONAR


1º) Prov. 16:4 – "O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, e até o perverso para o dia da calamidade."


Ecles. 7:29 – "Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias."



Deus de modo algum é o originador do mal, mas os que se tornam malvados por sua livre vontade, Deus os destruirá.



2º) O segundo princípio pode ser ilustrado com Rom. 9:18 que declara: "Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz."



Colocando ao lado as passagens paralelas de Sal.18:25 e 26 e Isa. 55:7 Estas passagens nos afiançam que com os benignos Ele é benigno, mas destruirá os perversos e impenitentes.



Êxodo 4:21 e 7:3 afirmam que Deus endureceu o coração de Faraó. Temos aqui um idiomatismo hebraico, ou seja o verbo usado não para expressar a execução de algo, mas a permissão para fazer isso. Confira Êxo. 5:22 – "Ó Senhor, por que afligiste a este povo?" (isto é, toleraste que fosse afligido).



3º) O contexto das passagens de Romanos e Efésios que falam da predestinação é claro em nos mostrar que todos fomos predestinados para a salvação. Paulo nos diz que Deus através de Cristo nos predestinou para que fôssemos seus filhos por adoção.



Os gentios ficaram admirados por serem atingidos pelo evangelho. Deus tem um propósito para cada pessoa. Ele almeja que todos cheguem ao conhecimento da verdade e se salvem. "Ele não quer que alguém se perca" II Ped. 3: 9.



Outro exemplo: Alguns afirmam que estava predestinado que Judas trairia a Cristo, por isso ele não era livre para escolher. A Bíblia não diz que estava predestinado que Judas o trairia. Embora a morte de Cristo fosse pré-ordenada, Pilatos e Judas não precisariam ter sido instrumentos dessa morte, eles eram livres para aceitá-lo ou ajudar na condenação.



Outra passagem muito citada pelos calvinistas para a dupla predestinação é Rom. 9:13 – "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú." Afirmam: Antes do nascimento, um é predestinado para a Salvação e outro para a condenação. Esta é uma conclusão simplista e antibíblica.



Devemos atentar para estes dois pontos:



1º) Esta citação de Paulo foi tirada de Mal 1: 2-3, escrita mais ou menos 1.000 anos depois que eles viveram, portanto não é uma profecia, mas sim fato histórico.


2º) Malaquias não está falando de Esaú e Jacó como duas pessoas, mas de dois povos distintos: israelitas e edomitas. Jacó está representando o povo do concerto e Esaú os incrédulos e inimigos de Deus. O aborrecimento de Deus por Esaú – ou melhor pelos seus descendentes – foi após um milênio de paciência.



Paulo declara que Jacó foi escolhido para uma função, para representar um papel de destaque na história do povo de Deus. Rom. 9:11-12.



Mat. 25:34 e 41 contradizem frontalmente a dupla predestinação de Calvino.



Verso 34 – "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Isto sugere predestinação para a Salvação.



Verso 41 - ". . . Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." Se houvesse a dupla predestinação a afirmativa de Cristo seria – preparado para vós desde a fundação do mundo. O fogo foi preparado para o diabo e seus anjos, não para o homem.



7) QUAIS AS PROVAS BÍBLICAS CONTRA A PREDESTINAÇÃO CALVINISTA?



1ª) 1 Tim. 2:4 – "O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." O relato de Paulo aqui não admite divagações. Sua declaração nos leva a afirmar: ninguém foi designado para a perdição.


2º) II Ped. 3:9 – ". . . não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." É impossível, harmonizar – Deus não deseja que alguém se perca, com a idéia de Ele escolher pessoas para serem destruídas.


3ª) Apoc. 22:17 – ". . . quem quiser receba de graça a água da vida." Todos têm a oportunidade, graças a Deus. Aqui entra em cena a vontade pessoal. Querer é um verbo que indica vontade, portanto a pessoa escolhe; não aparece a imposição. Maravilhoso é o livre arbítrio concedido por Deus.


4ª) São João 3:16 – ". . . todo aquele que nele crê. . ." Deus decretou que todos os que aceitarem a Cristo se salvem. Não decretou que todos devem aceitar a Salvação que Ele oferece. Deus não força a vontade de ninguém.


5ª) Ezeq. 18:32 – "Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus, Portanto convertei-vos e vivei." Deus tem prazer na salvação, nunca na perdição.


6ª) Mat. 7:21 - "Nem todo o que me diz : Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." Muitos não serão salvos, porque não aceitam as condições da salvação.


7ª) Jer. 21:8 – ". . . Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte."Para que dois caminhos se a sorte de cada um já está traçada antes?


8ª) Atos 17:30 – ". . . agora, porém notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam." O convite a todos para que se arrependam seria um escárnio ao nome de Deus se os homens não se pudessem arrepender. Paulo declara em Tito 2:11 que "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens."


9ª) I Tes. 5:9 – "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo." Esta declaração é muito significativa e seria suficiente para desmoronar o frágil edifício dos calvinistas.



Após a leitura destas passagens a nossa conclusão só pode ser esta: Deus não predestinou que pessoa alguma se perca.



8) QUE 3 VERDADES NÃO PODEM SER OLVIDADAS QUANTO À ELEIÇÃO?



1ª) A eleição de Deus inclui todo o mundo. I Tim. 2: 4, 6; II Cor. 5:14-15.



Deus não elegeu ou predestinou apenas aqueles que eram dignos de Sua graça. Mas elegeu o indigno. (LER Rom. 5: 6. )



2ª Nós nos elegemos, quando pelo poder de Cristo atingimos o padrão que ele estabelece.(PP 208; SDABC, Vol. VI1, pág. 944. )


3ª) A escolha de uma pessoa, não significa a rejeição de outras. A escolha de Israel não significou a rejeição dos gentios. Ao escolher Israel Deus desejava que por seu intermédio outras nações pudessem ser participantes de sua graça.



10) POR QUE CONDENAMOS A PREDESTINAÇÃO CALVINISTA?



Além das provas bíblicas já apresentadas podem ainda ser adicionadas:


a) A debilidade da doutrina da predestinação consiste em que ela destrói o livre arbítrio, que é uma doutrina fundamental ensinada na Bíblia.


b) Atos 10:34 e 35 afirma que Deus não faz acepção de pessoas. Se predestinasse alguns para se salvarem e outros para se perderem estaria fazendo acepção.


c) Se em Cristo há plena possibilidade de salvação para todos, cai por terra a doutrina gnóstica e calvinista da redenção limitada.


d) Deus decretou que todos os que aceitarem a Cristo se salvem. Não decretou que todos devem aceitar a salvação que ele oferece.


e) Podemos fazer a escolha Segundo a nossa vontade.


f) A salvação é nossa em Cristo. É preciso aceitar a Jesus Cristo para receber a salvação



CONCLUSÃO



Como adventistas cremos:



"Que o homem é livre para escolher ou rejeitar o oferecimento da salvação por meio de Cristo; não cremos que Deus tenha predestinado que alguns homens sejam salvos e outros perdidos" – Questions on Doctrine, pág. 23.



Passagens bíblicas que falam de predestinação nos afirmam que fomos predestinados para a Salvação, por meio de Jesus Cristo. Embora todos sejamos predestinados a salvação, a nossa escolha refletirá se aceitamos ou não o plano da salvação. Deus escolheu morrer por todos na cruz, para que todos tivessem a mesma chance, a mesma oportunidade para se salvar. Não importa a idade, etnia e cor, a Bíblia diz que ele deu a sua vida por todos nós.



A historieta de um velho homem, de parcos conhecimentos teológicos, nos informa da nossa parte no problema da salvação: "Bem, há uma eleição onde Deus está votando a nosso favor e o diabo votando para a nossa perdição, do lado em que pusermos o nosso voto esse ganhará a eleição."



Comentando esta declaração o famoso evangelista Wilbur Chapman declarou: "Tenho feito um curso de teologia, sou graduado num seminário teológico, mas nunca ouvi uma explicação tão boa como esta".



Mesmo Deus respeitando o seu livre arbítrio, ele deseja que você se salve. Rendamos sempre louvores a Ele por este sublime privilégio, que nos é oferecido graciosamente.

Leia Mais

Seguidores