terça-feira, 25 de setembro de 2007

O VINHO NA BÍBLIA



Introdução



A finalidade deste estudo é pesquisar no Livro Santo para saber o que ele tem a nos dizer sobre o uso do vinho.


Se a Bíblia não se pode contradizer em seus ensinos, como iremos harmonizar declarações aparentemente contraditórias como estas: o uso da vinho é uma maldição, o uso do vinho é uma bênção. Essa aparente contradição escriturística levou os editores de O Novo Dicionário da Bíblia a afirmarem: "Esses dois aspectos do vinho, seu emprego e seu abuso, seus benefícios e sua aceitação aos olhos de Deus e sua maldição estão entrelaçados na trama do Antigo Testamento de tal modo que o vinho pode alegrar o coração do homem (Sal. 104:15) ou pode fazer a mente errar (Isa. 28:7). O vinho pode ser associado ao regozijo (Ecl. 10:19) ou à ira (Isa. 5:11); pode ser usado para descobrir as vergonhas de Noé (Gên. 9:21) ou, nas mãos de Melquisedeque pode ser usado para honrar a Abraão (Gên. 14:18)."


Se estas duas possibilidades antagônicas provêm do vinho é fácil concluir que a Bíblia apresenta duas espécies distintas de vinho. A primeira espécie seria o vinho não fermentado, o puro suco de uva que pode ser uma bênção. A outra espécie é o vinho fermentado, intoxicante, causador de muitos problemas sociais como discórdia, miséria, destruição da vida, por isso vários escritores bíblicos o condenaram com veemência.


O que diz a Bíblia? O que dizem os exegetas e os comentaristas sobre este problema?



O Vinho no Velho Testamento



Três vocábulos distintos são empregados no Antigo Testamento para designar três espécies de vinho.



1º) Yayin – Gên. 9:21.


É o mais usado, porque aparece nada menos de 140 vezes. Esta palavra é empregada indistintamente sem considerar se o vinho é fermentado ou não.



2º) O segundo vocábulo é Tirôsh, empregado 38 vezes. Ao contrário da palavra anterior, esta indica que o vinho não é fermentado! Algumas vezes é traduzido como vinho novo ou "mosto". Deut. 12:17.



3º) Shekar é a terceira palavra usada. Tem a conotação negativa, normalmente é traduzida por bebida forte. Os escritores do Velho Testamento a empregam 23 vezes. Prov. 31:6 – "Dai bebida forte (shekar) aos que perecem, e vinho (yayin) aos amargurados de espírito."


Seria interessante saber que na Septuaginta (tradução do hebraico para o grego, feita por setenta sábios judeus) a palavra "oinos" foi empregada para traduzir as hebraicas Yayin e Tirôsh, mas nunca para shekar ou bebida forte.


O Seventh-day Adventist Bible Dictionary, pág, 1.150 declara com muita propriedade:


"Arão e seus filhos, os sacerdotes, foram estritamente proibidos de beber vinho ou bebida forte ao entrarem no tabernáculo para ministrar diante do Senhor (Lev. 10:9). Os nazireus eram igualmente proibidos de unir vinho enquanto estivessem debaixo do voto (Núm. 6:3, 20; confira Juízes 13:4-7). Os recabitas viveram um exemplo digno de nota de abstinência permanente do vinho, aderindo estritamente ao mandamento de seu ancestral, Jonadabe, para abster-se dele (Jer. 35:2, 5, 8, 14). O livro de Provérbios está repleto de advertências contra indulgência com o vinho e bebida forte (veja capítulos 20:1; 21:17; 23:30, 31; 31:4 etc.). O vinho zomba daqueles que o usam (cap. 20:1), e os recompensa com ais, dores, lutas e feridas sem causa (cap. 23:29, 30). 'No seu fim morderá como uma serpente, e picará como um basilisco' (v. 32). O profeta Isaías declarou: 'Ai dos que do heróis para beber vinho, e valentes para misturar bebida (Isa. 5:22). Daniel e seus compatriotas deram um digno exemplo pela recusa de beber o vinho do rei (Dan. 1:5, 8, 10-16). Ao jejuar posteriormente, Daniel absteve-se de carne e vinho (cap. 10:3)."


Não é possível terminar esta parte do comentário, sem enfatizar mais uma vez: existem no Velho Testamento as mais variadas advertências dos grandes perigos advindos do uso do vinho e bebidas fortes. Dentre estas advertências as que mais se agigantam são as apresentadas por Salomão no livro de Provérbios (20:1; 20, 21 e 30).



Vinho no Novo Testamento



As referências ao vinho nesta segunda parte da Bíblia são mais escassas do que as encontradas no Velho Testamento.


Os escritores do Novo Testamento também empregaram três vocábulos gregos, que podem ser traduzidos para a nossa língua por vinho: oinos; sikera; gleulos . Destas três a mais usada é oinos (aparece 36 vezes), tendo o mesmo sentido de Yayin no hebraico, e que na Septuaginta, como já vimos traduz também o hebraico Tirôsh. A palavra sikera aparece apenas uma vez em Luc. 1:15 – "João Batista não bebia vinho (oinos) nem bebida forte (sikera)." De modo idêntico o vocábulo gléukos só foi usado uma vez em Atos 2:13. Outros zombando diziam: "Estão cheios de mosto (gléukos)."


O principal problema no estudo do vinho é este: embora a 1íngua grega seja especialista em empregar palavras distintas para idéias diferentes, ela não possui uma palavra para vinho com álcool e outra para vinho sem álcool. O Novo Testamento emprega oinos tanto para o vinho fermentado como não fermentado.



O Vinho Usado por Jesus na Última Ceia



Podemos afirmar com certeza que o vinho usado por Jesus nesta ocasião não era fermentado. Esta afirmação é conclusiva da Bíblia pelo seguinte:


Na cerimônia da páscoa não devia haver fermento em nenhum compartimento da casa, desde que este é o símbolo do pecado. Se os pãos asmos não continham fermento como o próprio nome indica, é fácil concluir que o vinho também não podia conter fermento. A leitura das seguintes passagens nos levam a esta conclusão: Gên. 19:3; Êxodo 13:6-7; Lev. 23:5-8; Luc. 22:1. Tanto o vinho da ceia como o das bodas em Caná da Galiléia não era fermentado, porque Jesus jamais aceitaria partilhar daquilo que é tão fortemente condenado na Bíblia. Todas as igrejas cristãs tradicionais conservam o costume de usar o vinho sem fermento para simbolizar o sangue de Cristo, oferecido por nós na cruz, para remissão de nossos pecados.



Estudo de Duas Passagens



I. I Tim. 3: 8. – "Não inclinados a muito vinho."


Embora este conselho de Paulo seja difícil de ser explicado, se pensarmos bem sobre ele, e se o pesquisarmos em fontes sadias, concluiremos o seguinte:


O termo grego usado é oinos, empregado em O Novo Testamento, como já vimos, para o vinho fermentado e não fermentado. Se Paulo aqui se refere ao vinho fermentado, ele está em contradição com suas próprias declarações quanto ao cuidado do corpo (I Cor. 6:19 e 10: 31) e em oposição à orientação geral da Bíblia no tocante a bebidas intoxicantes (Prov. 20:1; 23:29-32; João 2:9). Como bem pondera o Comentário Adventista, se sua referência era ao uso do suco de uva não havia necessidade desta advertência.


Neste conselho Paulo adverte aqueles que exercem liderança dentro da comunidade cristã para não incorrerem neste vício, porque este os incapacitaria para o correto desempenho de sua tarefa.


Estas e outras passagens correlatas seriam bem compreendidas quando se pondera no seguinte: Deus deseja o nosso afastamento das bebidas com álcool, mas o ser humano, muitas vezes, se afasta desta orientação, daí a constante advertência dos mensageiros de Deus para que os seus filhos o evitem.


II. A Problemática Passagem de I Tim. 5:23.


Os defensores da abstinência total têm se preocupado muito com esta passagem. Se o verso de I Tim. 5:23 for analisado no seu contexto ele jamais deverá ser usado para liberar o uso do vinho fermentado.


The Interpreter's Bible, vol. XI, pág. 445 comentando este verso declara:


"Sendo que na ocasião o vinho era considerado como útil na medicina indicado na cura de uma variedade de doenças, a prática da abstinência total significa renúncia ao vinho não apenas como uma bebida, mas também como um remédio. Esta prática é prejudicial, diz o autor: Tendo Timóteo um estômago fraco ou por causa de suas freqüentes enfermidades, ele não devia hesitar em usar um pouco de vinho."


"O verso ilustra muito bem o senso comum, o ponto de vista moderado do autor. Ele não defende nenhum vinho como prazer. A religião é demasiado séria para isto. Mas quando ela chega a recusar remédio, ele traça-lhe um limite.''


O SDABC apresenta sobre esta passagem os seguintes esclarecimentos:


"Alguns comentaristas crêem que Paulo aqui defende o uso moderado de vinho fermentado para propósito medicinais. Chamam a atenção para o fato de que aquele vinho assim tem sido usado através dos séculos. Outros sustentam que Paulo se refere ao suco de uvas não fermentado, arrazoando que ele não daria conselho inconsistente com o resto das Escrituras, que advertem contra o uso de bebidas intoxicantes (veja Prov. 20: 1; 23: 29-32)." vol. VII, pág. 314.


O estudo da passagem de 1 Tim. 5: 23 nos leva à conclusão de que neste caso Paulo está tratando de um caso isolado e especial – um problema de doença. Em suas demais epístolas ele sempre defendeu total abstinência do vinho, como nos comprovam Rom. 14:21 – ". . . é bom não beber vinho..." Efésios 5:18 "... Não vos embriagueis com vinho. . ."


Não é justo alguém apoiar-se nesta passagem para defender o uso do vinho com álcool.


Do excelente folheto "Vinho", de autoria de Walter G. Borchers, destacamos estas judiciosas palavras concernentes a este verso:


"Os que querem beber vinho que contém álcool, não obstante a proibição bíblica, no seu desespero lançam mão, por último, de um só texto (eu diria dois, sendo o outro I Tim. 3:8), a saber, I Tim. 5:23. Mas, vamos ao texto. Descobriremos logo que o jovem pregador Timóteo, que conhecia as Sagradas Escrituras desde a sua infância, era um consciencioso e rigoroso abstêmio; também, que ele tinha a infelicidade de não andar bem de saúde, tendo estômago fraco e sofrendo freqüentes indisposições; e que S. Paulo lhe aconselhou o uso de um pouco de vinho, como remédio, por causa dessas suas enfermidades.


"Se olhássemos para o texto pelo prisma dos apologistas do vinho, diríamos: parece que Paulo, como algumas pessoas de hoje, que não acompanham a ciência moderna, pensava que o uso de 'um pouco de vinho', como remédio, embora fermentado, talvez fizesse bem.


"Notemos, porém, que o termo 'oinos', usado neste texto, sendo empregado, às vezes, no sentido de vinho doce, não diz com clareza se era vinho novo e doce ou fermentado, o que Timóteo devia usar; mas mesmo que fosse vinho fermentado, existe muita diferença entre o uso de um pouco, no caso de doença, e o beber vinho fermentado de preferência ao novo e doce, sob uma infinidade de pretextos fúteis, desprezando assim a Palavra de Deus, que, no Velho Testamento, proíbe, em 134 textos diferentes, o uso do vinho fermentado, e, no Novo Testamento, coloca na categoria de libertinos, idólatras, maldizentes, adúlteros, ladrões e assassinos, os bebedores de vinho dessa qualidade (I Cor. 6:9 e 10; Gál. 5:19-21; etc., etc.), deixando bem claro que os bêbados não herdarão o reino de Deus." – págs. 9 e 10.



Quais Seriam as Razões Fundamentais Indicadas pela Palavra de Deus para que Seus Filhos se Abstenham de Bebidas Alcoólicas?



Uma resposta segura e abalizada se encontra no artigo O Consumo de Vinho do Ponto de Vista Bíblico de L. E. Froom, de onde extraímos os seguintes passos:


"Transportando agora todos os tipos e figuras, que alguns poderiam minimizar, passamos à plena admoestação de Deus sobre o cuidado e a proteção que devemos dedicar ao nosso corpo, e à razão relativa disso. Descobrimos que de nosso corpo é declarado ser o 'templo de Deus' três vezes e a habitação do Espírito Santo. Não devemos contaminar este templo com bebidas e alimentos proibidos, mas conservá-lo santo, para não sermos destruídos quando todos os maus forem exterminados. Paulo enuncia isto em 1 Coríntios: 'Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá'. I Cor. 3:16, 17.


"No sexto capítulo declara que somos 'templos do Espírito Santo', o qual não tem qualquer parentesco com o álcool e a embriaguez. Devemos glorificar a Deus com este corpo que é redimido em virtude do sangue de Cristo: o nosso corpo deve ser cuidado como lugar de habitação de Deus. I Cor. 6:19, 20.


"Enfim, o apóstolo Paulo repete a admoestação divina afirmando que nós somos o templo de Deus vivente, no qual Ele faz morada. Por isso devemos ser separados como o eram os nazireus da antigüidade. Não devemos tocar aquilo que é impuro, mas antes purificar-nos de toda imundícia e aperfeiçoarmo-nos na santidade. Agora e para sempre devemos ser possessão divina, pois é o que Deus espera de nós – Ver II Cor. 6:16-17." – O Atalaia, Maio de 1977 págs. 6 e 7.


A sábia orientação divina consiste em advertir-nos, seriamente, para os perigos e as nefastas conseqüências das bebidas. Os apreciadores de vinho não deviam ingeri-lo, justificando este desejo com exemplos bíblicos. Em vez de assim fazê-lo deviam meditar bem que esta fraqueza poderá levá-los à embriaguez, que está arrolada na Bíblia entre as obras da carne, que nos excluem do reino dos céus. (Gál. 5:21; I Cor. 6:10).


As Escrituras o condenam com veemência em muitas passagens, como os versículos 29 e 35 do capítulo 23 de Provérbios, por conseguinte, tocas as bebidas alcoólicas, logo ninguém deve ingeri-las escudado na Palavra de Deus.



Conclusão


Diante da exposição feita a única conclusão a que devemos chegar deve ser esta:


A sábia lição aos sacerdotes no santuário: o edificante exemplo dos nazireus; as ponderadas advertências de Salomão; e a orientação divina no caso de João Batista; as oportunas exortações do apóstolo Paulo com respeito a ser o nosso corpo o templo do Espírito Santo; a moral elevada que deve ser seguida na vida dos verdadeiros cristãos, tudo nos leva a afirmar: a abstinência do vinho ou de qualquer bebida alcoólica é o caminho seguro e o ideal proposto por Deus para os seus filhos em todas as idades e através de todas as épocas.


Conquanto o uso do álcool como bebida não seja condenado per si na Bíblia, os princípios de saúde esboçados nas páginas sagradas e os horríveis exemplos, tais como os de Nabal, dão autenticidade ao conselho dado por Ellen G. White de que "a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear". – A Ciência do Bom Viver, pág, 335.


Ela acrescenta que "a total abstinência é a única plataforma sobre que o povo de Deus pode conscienciosamente firmar-se." – Testimonies, vol. 7, pág. 75. – Comentário da Lição da Escola Sabatina, 21-5-1983, pág. 120.



DUAS EMBARAÇANTES PASSAGENS RELACIONADAS COM O VINHO



"Esse dinheiro dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer cousa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus, e te alegrarás, tu e tua casa." Deut. 14:26.


"Dai bebida forte aos que perecem, e vinho aos amargurados de espírito." Prov. 31:6.


Limitar-nos-emos ao que diz o Comentário Adventista e a uma ligeira alusão de Adão Clark.


O que escreveram os teólogos e comentaristas adventistas sobre Deut. 14:26.


"Bebida forte. O vinho e a bebida forte aqui mencionados eram ambos fermentados. Em tempos passados Deus freqüentemente tolerava a grosseira ignorância responsável por práticas que Ele nunca pôde aprovar. Mas finalmente veio o tempo quando, em cada ponto, Deus ordenou a todos os homens que se arrependessem (Atos 17:30). Então aqueles que persistissem em suas práticas, a despeito do conselho e advertência não mais teriam uma desculpa para seu pecado (João 15:22). 'Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas agora não têm desculpa do seu pecado.' No seu procedimento anterior eles não tinham pecado e Deus não os considerava totalmente responsáveis, embora suas obras estivessem afastadas do ideal. Sua longanimidade é extensiva a todo aquele que não sabe o que está fazendo (Luc. 23:34). Como Paulo que perseguia a Igreja ignorantemente na incredulidade eles podem obter misericórdia."


Depois de falar que Deus suportou a escravatura e a poligamia, coisas contrárias aos princípios divinos, o SDABC assim conclui:



"Assim foi com o 'vinho' e 'bebida forte'. A ninguém era estritamente proibido beber, exceto os engajados em deveres religiosas e talvez também na administração da justiça (Lev. 10:9; Prov. 31:4). Os males do 'vinho' e da 'bebida forte' foram claramente indicados, o povo aconselhado a abster-se deles (Prov. 20:1; 23:29 a 33), e uma maldição pronunciada sobre aqueles que induzissem outros a abusar da bebida (Hab. 2:15). Mas Paulo coloca diante de nós o ideal declarando: 'Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.' (I Cor. 10:31), e informa que Deus destruirá aqueles que desonram seus corpos (I Cor. 3:16-17). Coisas intoxicantes destroem o templo de Deus e seu uso não pode ser considerado um meio de O glorificar (I Cor. 6:19-20; 10:31). Paulo abandonou o uso de cada coisa prejudicial ao seu corpo (I Cor. 9:27). Não há desculpa hoje para o argumento de que não há nada intrinsecamente errado no uso de bebidas intoxicantes, baseando-se no fato de que uma vez Deus as permitiu. Como já foi notado, Ele também permitiu uma vez a escravatura e a poligamia. A Bíblia adverte que os bêbados não herdarão o reino de Deus (I Cor. 6:10)."


Sobre Prov. 31:6 este mesmo Comentário tece as seguintes considerações:


"Pronto para perecer. Sem o conhecimento de narcóticos possuído pelos médicos hoje, os antigos tinham freqüentemente apenas várias misturas de bebidas intoxicantes e preparações de ervas narcóticas com as quais insensibilizavam as dores de doenças fatais. Àqueles que eram crucificados, no tempo de Cristo, ofereciam-lhes uma mistura de vinagre e fel. Nosso Senhor recusou beber aquela mistura. Ele desejava uma mente clara para resistir à tentação de Satanás e conservar forte Sua fé em Deus."


Adão Clark apresenta esta mesma idéia sobre Provérbios 31:6, apenas usando vocabulário diferente:


"Dai bebida forte para aquele que está morrendo. Já temos visto que bebidas embriagantes eram misericordiosamente dadas aos criminosos condenados, para torná-los menos sensíveis às torturas que enfrentariam na morte. Isto é o que foi oferecido a nosso Senhor, mas Ele recusou."


Do matutino paulista "O Estado de São Paulo" de 22-1-1984, retirei a seguinte nota:


"A História nos cientifica que no tempo de Napoleão a pobreza da farmácia não oferecia muitas possibilidades de aliviar os sofrimentos dos feridos. Não lhes era oferecida senão uma esponja embebida em suco de ópio para sugar."


Fonte: Pedro Apolinário - Explicação de Textos Difíceis da Bíblia

11 comentários:

  1. Não consigo entender o por quê de não se aceitar o óbvio.

    Qual a importância se o vinho é alcoolizado ou não? Cada um responderá por si próprio a Deus, não é?

    A Bíblia se quisesse se preocupar em esclarecer isso da forma como nos preocupamos escreveria em letras garrafais:

    INGERIR BEBIDAS ALCÓOLICAS É PECADO E DEVEM SE ABSTER DE TAL PRÁTICA.

    Se não fez isso, ora bolas, é porque fica ao arbítrio de cada um o que deve fazer com a sua vida.

    Cumprindo o que CLARAMENTE está na Bíblia, já fazemos o suficiente, e é exatamente neste ponto que tropeçamos.

    Exemplo: ajudar os pobres.

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    1. É claro que fez essa condenação. Acho que você veio direto aos comentários se antes ler o artigo que menciona a condenação Bíblica a este tipo de bebida.

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  2. Olá!

    Com todo o respeito, sugiro que leia novamente o artigo.

    Eu creio que exista um "assim diz o senhor" mesmo diante das implicações existentes na língua portuguesa.

    Porém ao analisar o texto no contexto original, fica claro que não é o plano de Deus que se use bebidas fortes.

    Caso tenha alguma contextação da análise exegética dos textos explicados, gostaria de saber a sua opinião.

    Peço que apresente provas bíblicas que autorizam o uso de bebidas fortes. Será que tem?

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  3. Deus criou a cana, o homem a cachaça!
    Deus criou a erva, o homem as drogas!
    Deus criou a uva, o homem o vinho!

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  4. Olá, sou adventista do sétimo dia, mas ainda tenho algumas dúvidas em relação à esse tema.

    1. Uma das passagens mais polêmicas e importantes foi deixada de lado, e gostaria de ouvir a opinião de vocês, está no capítulo 2 do livro de João, onde Jesus transforma água em vinho. Muitas vezes, quando sou questionado porque não consumo bebida alcólica, ouço as pessoas repetindo esse trecho biblíco. Sempre tento explicar que o vinho referido alí não é o vinho fermentado, porém o suco da uva. Mas mesmo assim fica a dúvida. Então, gostaria de ter certeza qual foi o termo grego empregado nessa passagem.

    Outra observação que gostaria de fazer sobre a seguinte passagem desse artigo: "Se estas duas possibilidades antagônicas provêm do vinho é fácil concluir que a Bíblia apresenta duas espécies distintas de vinho."
    Na minha opinião, esta é uma conclusão precipitada, pois também poderíamos pensar que um cálice de vinho não deixa ninguém fora de sí, ao ponto de se despir como fez Noé. Por outro lado, algumas garrafas de vinho já poderiam fazer tal efeito.
    Ou seja, a quantidade de vinho pode fazer toda a diferença e muita gente usa isso como justificativa para seu consumo (muitos católicos por ex.).
    Quero deixar claro que eu não consumo bebida alcólica (já consumi antes de me batizar).

    Gostaria de saber a opinião de vocês...

    Deus abençoe a todos!

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  5. Caro irmão Danilo, a palavra grega para "vinho" que aparece no relato do cap. 2 de João, é OINOS, mas isso parece irrelevante no caso.

    Segundo o Comentário Adventista, este era "suco puro de uva" (cf. Desejado de Todas as Nações, p. 123). Jesus procedia de acordo com os
    princípios revelados a anteriores escritores da Bíblia (ver Prov. 20:1; 23:29-32; cf também. 1Cor. 3:16-17; 6:19), e por isso não poderia ter transformado a água em vinho alcoolizado.

    Seu segundo questionamento tem a ver com a quantidade ingerida. O que a Bíblia condena é o uso do vinho alcoolizado, independente de quanto esteja sendo ingerido. Veja a seguinte lista de versos que tratam do assunto, preparada pelo Pr. Demóstenes Neves (SALT-IAENE):
    1.O vinho e a bebida forte fazem errar e desencaminhar até o sacerdote e o profeta. Isa. 28:7, 8.

    2.Há uma maldição para os que seguem a bebedice. Isa 5:11, e outra maldição para os que dão bebida ao seu próximo. Hab. 2:15.

    3.As bebidas alcoólicas são escarnecedoras e alvoroçadoras. Prov. 20:1.

    4.O ideal é nem olhar para o vinho, pois é traiçoeiro, quanto mais usá-lo! Prov. 23:31, 32.

    5.O beberrão cai em pobreza. Prov. 23:20, 21.

    6.Não vos embriagueis com vinho, mas enchei-vos do Espírito. Ef. 5:18. A bebida alcoólica é incompatível com o Espírito Santo, conforme deixa claro a conjunção adversativa “mas”.

    7.O bispo não deve ser dado ao vinho . I Tim 3:3; Tito 1:7. Mas o bom mesmo é não beber vinho devido ao escândalo que pode provocar em outros. Rom 14:21. A bebida está relacionada com as obras da carne. Gál. 5:21.

    8.Normalmente, os que hoje são bêbados não começaram com a intenção de sê-lo. Cuidado! Os bêbados não entrarão no reino de Deus. I Cor. 6:10.

    9.A bebida era incompatível com o serviço a Deus pois os encarregados de atividades no Santuário não podiam beber. Lev. 10:9.

    10.Mesmo no conceito liberal da mãe do rei Lemuel (Prov 31:6) os que ministravam a justiça e os nobres não deviam beber. Prov. 31:4, 5.

    11.Miquéias adverte que um povo mau teria profetas falsos e mentirosos que defenderiam o vinho e a bebida forte. Miq. 2:11.

    12.O vinho e o mosto tiram a inteligência. Osé. 4:11.

    13.Pessoas dadas ao vinho são desleais, soberbas e não se contém. Hab. 2:5.

    14.Aqueles que desejam fazer a vontade de Deus devem abster-se do uso, mesmo moderado, de bebidas alcoólicas, considerando as seguintes razões: a luz que temos, o ideal de Deus e os males e perigos desse hábito. A total abstinência é a posição a ser assumida por aqueles que estão preparando o caminho para a volta do Senhor como fez João Batista. (Luc. 1:15)

    15.Entende-se, pois, que Jesus, nas bodas de Caná, transformou a água em vinho novo, sem fermentar (TIROSH no AT), o puro suco de uva.

    16.Em função dos argumentos acima apresentados a passagem de Deut. 14:26 é mais uma cena do hábito tolerado por Deus apesar das consequências e por causa das contingências.

    17.Em Provérbios 31:6 acha-se a opinião da mãe do rei Lemuel e não uma posição divina sobre o assunto. Os amigos de Jó também deram opiniões religiosas equivocadas.

    18.Em I Tim 3:8 é recomendada a moderação em reconhecimento ao perigo que a bebida oferecia, em vista da resistência que a proibição sumária poderia provocar. Esta opinião do apóstolo foi moldada para restringir um hábito, conforme o texto deixa claro e não para sancioná-lo.

    19.Em I Tim 5:23 o vinho é recomendado para uso medicinal, conforme crença do apóstolo, misturado (mas pouco) com água e não puro como bebida de prazer. Este texto não serve para defender o uso ou o vício da bebida.

    Outro ponto que considero importante também é o fato de que há alguns "costumes" relatados na Bíblia, mas que não eram da vontade de Deus que fossem praticados por Seu povo. Deus apenas os "tolerava", mas advertia contra suas conseqüências. Por exemplo: a poligamia.

    O uso da fermentação na bebida entre os povos do AT estava, também, ligada à conservação do produto, ou seja, era uma maneira que eles encontraram de fazerem a bebida durar mais tempo. Mas o Senhor (como vimos acima) sempre orientou Seu povo para não se contaminarem com nenhuma quantidade de álcool, especialmente no vinho.

    Um abraço.

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  6. A Bíblia condena de forma clara o uso de bebidas que sejam fermentadas, o mal é que arranjamos desculpas para não nos comprometermos com o que a Bíblia diz e fazemos o que o nosso corpo carnal pede é mais fácil pois não requer luta. Deus nuca nos pede para privar-mos de algo só por mero desejo arbitrário de sua parte, ao contrário, Ele faz pensando no ser humano, no que é melhor para ele, até os dez mandamentos é um benefício para o homem. Os médicos recomendam uma taça de vinho após as refeições, só que ele não diz que o vinho de uva puro sem álcool, tem os mesmos benefícios e sem efeitos colaterais, do recomendado por eles que é com álcool e com efeitos colaterais que o álcool tem e que não podemos negar, tanto para a saúde física quanto para a mental; e ainda tem pessoas cristãs que se valem do que os "médicos" falam e esquecem do que o "VERDADEIRO MÉDICO" (Deus) recomenda.

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  7. Olá amados,
    Parabéns pelo estudo, é muito rico em detalhes na sua pesquisa, no entanto, não me pareceu responder algumas lacunas.
    O vinho empregado pelo apostolo Paulo em Efésios 5 não é o vinho bebida forte, se traduz muito melhor pelo vinho suco de uva exposto neste estudo, porém o apostolo diz "embriagar", como eu poderia me embriagar com suco de uva?
    Em 1Tm 3.8 fica claro a palavra "muito vinho" (oinos).
    Irmão diante de tantas aparentes "contradições" me parece que os ensinamentos sobre bebida são claros apenas quando falam do excesso, do vício etc... isso claramente está condenado, nos demais momento eu vejo ensinos sendo aplicados a contextos e cultura específicas, não como mandamento divido.
    Eu fiz um voto com o Senhor não bebo bebida alcoólica, creio que temos que ter muito cuidado para não escandalizar, porém biblicamente vejo que o que é condenável é o excesso e o vício e não o fato da bebida em sí.

    Acredito muito que aquilo que traz condenação ao homem está muito claro na bíblia e não é o caso do "vinho".

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