sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Carta aberta para Renato Aragão, o famoso Didi.

Recebi um e-mail essa semana e estou repassando aos amigos leitores deste Blog. Se realmente a carta foi enviado ao Didi eu não sei, mas o conteúdo da mesma é muito reflexiva!

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Quinta, 23 de agosto de 2007.

Querido Didi, há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na Escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, Meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está Acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando for a, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República.
Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
No último parágrafo DA sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito Grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar OS impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir.

Nota: Eu nunca ajudei o programa Criança Esperança que tem patrocinado projetos que valorizam os ensinamentos da Nova Era através de projetos musicais, capoeiras e outros mais.

Sendo assim, prefiro ajudar uma entidade que eu conheço (ADRA) e onde os recursos são destinados para a formação das faculdades físicas, mentais e principalmente espirituais.

O QUE É ADRA?
Adra é uma agência internacional de desenvolvimento e ajuda humanitária. Ela focaliza primariamente a sustentação, com projetos de desenvolvimento a médio-prazo.

Por décadas, a ADRA tem trabalhado ao redor do planeta, ajudando pessoas a vencer sua pobreza, doenças, alfabetização, e os sofrimentos resultantes de desastres naturais.

Cada projeto fala sobre o princípio do desenvolvimento: que é a sustentação, em lugar de prover apenas um ajuda temporária. A ADRA trabalha com a comunidade e governo local, para criar e desenvolver soluções produtivas.

Construímos conexões, construímos relacionamentos que sejam duráveis. Conhecimento que seja permanente na comunidade. Habilidades que direcionem o melhoramento econômico a longo-prazo, e o desenvolvimento de recursos e instalações locais.

Orientados por resultados, a administração dos nossos projetos está sempre baseado na avaliação direta da comunidade. Trabalhamos com o que existe. Consideramos as necessidades e as esperanças de quem ajudamos. Buscamos a oportunidade de fazer uma troca mensurável e quantitativa.

MISSÃO DE ADRA
Refletir o caráter de Deus através de atividades humanitárias de desenvolvimento.
Apoiar ativamente as comunidades necessitadas por meio de uma carteira de atividades de desenvolvimento, desenhadas, implementadas e executadas em conjunto.


Prover auxílio em casos de desastre e desta maneira trabalhar junto com aqueles que foram afetados, a fim de que alcancem soluções a longo-prazo.

Trabalhar em sociedades eqüitativas, com os necessitados, para alcançar uma mudança positiva e sustentável dentro da comunidade.

Construir relacionamentos que desenvolvam capacidades autônomas, tecnologia apropriada e capacitação para todos os níveis.

Manter relacionamentos constantes com nossos parceiros, que patrocinam os meios para o desenvolvimento das atividades.

Promover e aumentar a participação da mulher no processo de desenvolvimento.
Capacitar e ajudar a comunidade, com o propósito de manter e administrar os recursos naturais do meio ambiente, de uma forma responsável.


Facilitar os direitos e habilidades das crianças, para que possam também atingir seu pleno potencial e ao mesmo tempo ajudá-los a assegurar sua sobrevivência.

HISTÓRIA
Durante mais de um século, a ADRA têm sido relacionada com trabalhos de caráter humanitário, com diferentes nomes e programas e sempre buscando uma adaptação para alcançar os desafios da época. A organização foi formada no início de 1990, como uma associação de beneficência da Igreja Adventista do Sétimo Dia, dedicada às obras de caridade, no subúrbio de Chicago, Illinois, USA. Ao terminar a primeira guerra mundial e a sua devastação sem precedentes, a Agência enviou auxílio à Bélgica, França, Alemanha, Turquia, Egito, Rússia, China e também ao Oriente Médio.O início da Segunda Guerra mundial colocou ADRA novamente ao serviço do mundo, acelerando a expansão dos seus trabalhos de ajuda humanitária. Em 1959, os envios de ajuda anual chegaram a casa dos 2.3 milhões de dólares, e alcançaram 29 países. Uma grande parte deste desenvolvimento aconteceu, graças aos bons relacionamentos que foram estabelecidos com as novas agências de desenvolvimento não governamentais. Este relacionamento têm sido fortalecido com o tempo. Em meados dos anos 70, a organização começou a aumentar sua missão de auxílio aos programas orientados e ao desenvolvimento da comunidade a longo-prazo. Em 1984 a agência foi reorganizada com o nome de ADRA, e graças ao apoio deste primeiro subsídio e suas devidas contrapartes, mudou-se o enfoque principal para os programas de desenvolvimento a longo-prazo.Atualmente, ADRA é uma das maiores organizações não governamentais presentes no mundo. Sua sede está em Silver Springs, Maryland, e atua como coordenação central de uma rede global, sempre em crescimento. Guiado por sua filosofia de compaixão e ajuda humanitária, a ADRA têm tentado estar presente com todos aqueles que necessitam de sua ajuda, sem levar em conta a raça, afiliação política ou religiosa. Seu trabalho é caracterizado por um planejamento cuidadoso, com parcerias respeitosas e um enfoque dedicado a servir pessoas, bem como estabelecer compromissos a longo-prazo e projetos direcionados às necessidades das comunidades.


Para conher, basta acessar: http://www.dsa.org.br/adra.asp

1 comentários:

  1. UAU! Fiquei impressionado com a carta da Eliane. Sintetiza tudo o que penso dessas campanhas...

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