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domingo, 24 de dezembro de 2006

O Púlpito e as Mulheres

No atual momento, um dos temas mais controvertidos no contexto religioso, é o debate sobre o estilo de adoração adequado. Desta vez, as mulheres não ficaram de fora uma vez que na perspectiva de algumas igrejas é considerado falta de respeito para com Deus e ao próximo permitir que uma mulher exorte uma congregação.

Diante das indagações que estão surgindo, resolvi pesquisar no livro santo para descobrir se realmente as mulheres podem falar nas igrejas. A pesquisa limita-se em grande proporção nas cartas paulinas, onde percebemos que houveram problemas bem semelhantes, principalmente no contexto de I Coríntios 14:34.

“Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhe é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina”.

O que levou Paulo a fazer estas declarações? Será que suas afirmações estão limitadas a sua época, ou também para os nossos dias? Pode haver alguma possibilidade do texto ter sido traduzido de maneira não coerente a ponto de mudar seu sentido? Como os líderes religiosos tem visto as reivindicações de algumas senhoras que pleiteiam estes privilégios?

O CONTEXTO HISTÓRICO E ESPECÍFICO

O que vem declarando em I Cor. 14:26-40, parece demonstrar que as reuniões em Corinto eram muito desordenadas. Paulo menciona no verso 25 que existia várias manifestações ao mesmo tempo. Ninguém pedia a palavra, vários falavam ao mesmo tempo e em tudo sobressaía em bagunça e vanglória, e não é a toa que Paulo declara no verso 26 que tudo seja para edificação e no verso 33, que Deus é um Deus de paz e não de desordem.

Entre estes problemas, o uso do dom de línguas naquela época era usado inconveniente, todos queriam falar ao mesmo tempo e sem interpretações ninguém entendia nada, da mesma forma o uso da profecia. De fato o nível de participação pode ter escapado ao controle.

Crêem alguns comentaristas que Paulo sendo um produto da cultura judaica, recebeu influências do tratamento que esta dava à mulher. Adam Clarke, escritor cristão, comenta que era uma ordenança judaica não permitir às mulheres ensinar nas assembléias, nem mesmo fazerem indagações. Os rabinos ensinavam que uma mulher não deve saber outra coisa, senão usar os seus utensílios caseiros. “Uma regra extraída da sinagoga e mantida na igreja primitiva (ver I Tim. 2:12)” . (1)

É conhecido que nos tempos antigos, o lugar que a mulher ocupava era muito baixo. No mundo grego Sófocles falou: “O silêncio confere graça para as mulheres”. As mulheres, a não ser que fossem muito pobres ou de mui baixa moral, tinham que viver isoladas em casa. Os judeus tinham inclusive uma idéia mais baixa da mulher. Entre os rabinos havia alguns ditos que colocavam a mulher ainda numa situação muito pior, como estes: Ensinar a lei para mulher é ensinar a impiedade. Outro sentenciava: ensinar a lei para a mulher é como jogar pérolas aos porcos.

No Talmude, na lista relacionada com as pragas do mundo aparece: a mulher faladora; a viúva curiosa; e a virgem que perde todo o seu tempo fazendo orações. Era inclusive temível falar com as mulheres na rua. Ninguém podia solicitar um serviço para uma mulher, nem podia cumprimentá-las.“Esta sociedade era similar a que Paulo tinha quando escreveu aos Coríntios... Seria certamente muito errado tomar estas palavras de Paulo fora do contexto em que foram escritas e fazer delas uma regra universal para todas as igrejas .” (2)

Percebemos que este costume era rígido naquela época e ao homem era concedido direitos reservados de falar nas assembléias.

É bom analisar duas palavras, uma frase e um tema chave de I Coríntios 14:34, tentando assim sanar dúvidas com o estudo das palavras em seu sentido e significados originais.

Falar (lalei/n)

Esta palavra no original, (lalein), pode se referir a qualquer modalidade de elocução verbal, incluindo pregação, conversação, tanto pública como em particular. Esta palavra é usada 295 vezes no Novo Testamento, a fim de expressar todas as formas imaginárias de elocução verbal, pública, particular, formal e informal.

Alguns intérpretes tem procurado formar um argumento, com base no vocábulo grego aqui utilizado, supondo eles que certas “formas” de elocução verbal eram permitidas, mas outras não. Assim sendo, a “pregação” não seria permitida, mas outras elocuções verbais seriam permitidas. Ou então, no sentido que as mulheres era vedado fazerem perguntas, disputar, etc., embora pudesse falar de outra maneira. Porém tal interpretação perverte tanto o sentido do vocábulo grego como a própria passagem. Pois tal vocábulo tem um sentido muito geral, podendo indicar qualquer forma de elocução verbal . (3)

Essa palavra foi usada muitas vezes na Bíblia, porém com diferentes elocuções verbais. Exemplos:

• Mt. 9:18, 33 e 13:3: Jesus narrava tanto suas palavras à multidão como também em particular.
• Mt. 14:27: Neste caso a expressão era usada para indicar conversas privadas.

Note que a palavra falar possui diversos significados. Seja qual for o motivo desta restrição, pode haver a possibilidade de incluir em um sentido de falar em línguas e até mesmo profetizar (ver os vv. 27, 29). Nesse caso, há a mesma possibilidade, pois o verbo falar desses dois versículos, são os mesmos do verso 34, embora diversos comentaristas dizem que não se refere a profetizar e sim de fazerem perguntas, enquanto outros o “ato de ensinarem”. Assim sucedem as diferentes opiniões.

Independente, se a palavra lalein pode significar diversas formas de elocuções, deve-se levar em consideração, que a mulher tinha que ficar em silêncio, não falar, por ser isso vergonhoso para ela na igreja (ver trigésimo quinto versículo).

Portanto não falar, é não profetizar, não falar em público, não ensinar, caso o leitor se interrogue nessas outras possibilidades apresentadas pelo verbo.

Ora, é evidente com base no texto, que Paulo transferia para a igreja cristã uma atitude judaica. Ele acabava de regulamentar o uso dos dons de línguas e da profecia, e agora as normas a respeito da exortação feminina precisavam ser destacadas em sua plenitude para colocar ordem e descência no culto, vedando assim o direito de falar, que logicamente “não falando”, “não podiam também profetizar”.

Não olvidemos que o apóstolo Paulo se referia às reuniões “oficiais” da igreja, mas ele era favorável ao ministério feminino em outras esferas e ocasiões.

As declarações paulinas em I Cor. 14:34 e I Tim. 2:11 e 12, são um lado da moeda, porque o próprio apóstolo Paulo na mesma carta no capítulo 11:5, faz uma alusão naquela época que haviam mulheres que oravam e profetizavam, sem dúvida uma referência às mulheres, que em reuniões públicas falavam a respeito das coisas divinas. Lucas em Atos 21:9 nos cientifica de que as quatro filhas de Filipe profetizaram, nada mais que publicamente se tornarem portadoras das revelações de Deus.

Alguns estudiosos têm argumentado que essa atitude seria levada a efeito por mulheres em reuniões menos importante, talvez privada, mas não diretamente associadas com a igreja, ou talvez ele se referisse apenas ao falar privado das mulheres. Contudo apesar dessa ser uma interpretação possível, quando muito, é dúbia, apesar das mulheres poderem ensinar certas coisas e profetizar (como se vê no relato de Atos 21:9) . (4)

Portanto, certas coerências impostas por Paulo, é mediante as esferas e ocasiões preferidas por ele.

Submissas, Sujeitas (upotasseqo/ai)

Há diversos textos que oferecem um significado parcial quanto ao significado das mulheres serem submissas. “Submissas” , Paulo declara em relação aos maridos.

Tal indicação neste contexto histórico, seria a crença judaica de que as mulheres, devido a sua parte na caída do homem em pecado, Deus a colocara em status de subordinação frente o seu esposo (Gên. 3:6, 16; Ef. 5:22-24; I Tim. 2: 11-12; Tito 2:5; I Ped. 3:1, 5-5). Em alguns casos isto era levado a sério demais. Muitas mulheres trocariam tudo em suas vidas e terem nascidas como homens.

A mudança da natureza do homem ocasionado pela entrada do pecado em sua vida, terminou com a existência harmoniosa que a esposa, mulher, havia conhecido antes. Não convinha que o homem e a mulher tivessem igual autoridade na condição de lugar, e Deus preferiu colocar sobre o homem a responsabilidade maior de tomar as decisões em sua família e instruí-la. Embora isso não torne as mulheres inferiores aos homens.

“Como Também a Lei o Determina”

É provável que o termo “lei” usado neste verso, se refira às escrituras do Antigo Testamento, que eram interpretadas nas práticas judaicas.

As passagens bíblicas que podemos colocar em foco, seria Gn. 3:16 e Núm. 30:8-12, indicando que a mulher deve depender totalmente de seu marido, por estar-lhe sujeita.

A mulher que desejasse falar em público, estaria passando uma idéia de usurpação de autoridade em seu marido; e, mesmo que fosse solteira, usurpando a autoridade dos homens presentes. Pode ser que o fato das mulheres, declarado em I Cor. 11, de não usarem o véu na igreja, indique um ato de revolta, querendo assim ser igual ao homem, de cabeça lisa podendo assim obter os mesmos direitos nas assembléias.

Ora isso era reputado como uma afronta das piores para a dignidade da congregação, segundo a mentalidade judaica porque para os judeus uma criança podia ler a lei, desde que fosse menino, e uma mulher não podia fazer nem mesmo isso.

Para os judeus, o fato das mulheres tomarem uma boa posição nas assembléias, estaria tomando a autoridade masculina sobre a feminina, declarando na lei os primórdios.

Temas Chaves

“Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas...” Esse tem sido um tema muito contestado por vários teólogos, e para isso temos que ter em vista alguns pontos importantes em conhecer o modo de atuação destas mulheres.

1- O conselho de Paulo é um pouco limitado, no sentido que não se refere a todas as mulheres, mas apenas às esposas de homens cristãos que estão congregando. Além disso refere-se a como as mulheres devem aprender e não como ministrar. (Vs 35)

2- O conselho é dirigido a uma cultura antiga que tinha padrões para o comportamento das esposas, diferentes dos atuais em muitos lugares.

3- Visto que Paulo confirmou que as mulheres oravam e profetizavam em público (I Cor. 11:5 e 13) e que as mulheres possuíam o dom de profecia (At. 2:17 e 18; 21:8 e 9), a regra contra as mulheres falarem nos cultos não é absoluta.

4- Esta afirmação era local e específica. Paulo preferiu agir conclusivamente para não causar mais alvoroço na igreja de Coríntios, enquanto que em outras localidades e contextos diferentes como já foi mencionado houve apoio por parte do Apóstolo Paulo para a exortação feminina.

E na palavra de Paulo VI podemos afirmar: “chegou a hora em que a vocação da mulher se realiza em plenitude e ela adquire na sociedade, uma influência, um alcance, um poder, jamais conseguidos até aqui. Por isso, neste momento em que a humanidade sofre uma tão profunda transformação, as mulheres, impregnadas do espírito do evangelho, podem ajudar muito a humanidade a não decair .” (5)

CONCLUSÃO

Não existem argumentos teológicos conclusivos que proíba a mulher falar em público nas assembléias, analisando o sentido teológico como um todo. As restrições determinadas pelo Apóstolo Paulo à igreja de Corintios, não foram aplicadas em todas as igrejas cristãs da mesma época, pelo contrário, em contextos diferentes, o apoio para a exortação feminina é evidenciado pelo Apóstolo.

A menção coibitiva em 1 Coríntios 14:34 é local e especifica, no que diz respeito ao contexto sócio-cultural e religioso em Corinto, e foi dada com o objetivo de solucionar um problema de uma cultura antiga e diferente. Esta menção se refere mais ao ato de aprender do que ensinar conforme o verso 35.

BIBLIOGRAFIA

A Bíblia Anotada, versão revista e atualizada. 1º ed. (São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1991), 1432.
Apolinário, Pedro Análise de textos bíblicos difíceis de interpretação, vol II. São Paulo: Instituto Adventista de Ensino, 1981.
Barclay, William. El Nuevo Testamento comentando Buenos Aires: Editorial la Aurora, 1973.
Bíblia Sagrada, revista e atualizada no Brasil, 2º ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
Bornkamm, Günthev. Paulo, vida e obra, 4º ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1992.
Bullinger, E. W. Diccionario de Figuras de dicción usadas en la Biblia Espanha: Editorial Clie, 1985.
Chafer, Lewis Spery. Teologia sistemática. Dalton, Georgia: Bajo los Auspicios de Publicaciones Espanolas, 1974.
Champlin, Russel N. O Novo Testamento interpretado. Vol 4. São Paulo: Sociedade Religiosa a Voz Bíblica Brasileira, 1995.
David, Rior John R. W. Statt. A Mensagem de I Coríntios. Abu Editora, 1985.
Donalds S. Mets. Beacon Bible comentary. Missouri, EUA: Beacon Hill Press of Cansas City.
Exell, Joseph S. The Biblical Ilustrator. 3º ed. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1997.
Gilbrant, Thoralf. The New Testament Greek-English Dicionary. Springfield, Missouri: The Complete Biblical Library.
Henry, Mattew. Comentário exegético devocional a toda a Bíblia. Viladecasis, Barcelona: Talleres Gráficos de la M.C.E. Horeb, 1985.
Hovey, Alavah. Comentário Expositivo sobre el Nuevo Testamento. Casa Batista de Publicaciones, 1973.
Lição da Escola Sabatina, I Coríntios: O evangelho na vida real Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998.
Meiyer, Pablo. F. B. Siervo de Jesucristo, 1º ed. Casa Bautista de Publicaciones, 1973.
Metzger, Bruce M. A textual commentary on the greek New Testament. London: United Bible Societies.
Morris, Leon. I Coríntios introdução e comentário. (São Paulo: Sociedade Religiosa, Edições Vida Nova e Associação Mundo Cristão, 1981.
Pereira, Isidoro. Dicionário Grego-português e português-grego. 5 ed.Livraria Apostolado da Imprensa.
Press, Fortress. Hermencia – A critical and history comentary on he Bible. Fortress Press Philadelfia, 1975.
Robertson A. T. Épocas na vida de Paulo Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1953.
Seventh Day Advent Bible Comentary. Washington, DC: Rewiew and Herald Publishing Association.
The Englishman’s Greec Concordance of the New Testament. Zondervan Grand Rapids, MI: Publishing House.
White, Ellen. Educação, 7º ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997.
_____, Ellen. Testemunhos Seletos, 3º ed. Santo André: Casa Publicadora Brasileira, 1984.
William B. Eerdmans. Horst Balz and Gerhard Schneider, exegetical Dicionary of the New Testament. Grand Rapids, Mi: Publishing Company


Notas

(1) Champlin, 231.
(2) William Barclay. El Nuevo Testamento comentando (Buenos Aires: Editorial la Aurora, 1973).
(3) Champlin, 4.
(4) Champlin, 232.
(5) Pedro Apolinário. Análise de textos bíblicos difíceis de interpretação, vol II (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino, 1981), 16.
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sábado, 16 de dezembro de 2006

NATÁLIA - UM TESTEMUNHO DE FÉ E PERSEVERANÇA

A frequência aos cultos de oração, foi tema de um assunto a pouco tempo tratado neste blog. Inclusive, alguns amigos entraram em contato para justificar sua opinião. Por isso senti o desejo de voltar a discutir este assunto e nesta oportunidade o faço através de um lindo testemunho de fé e perseverança.

Os frequentadores dos cultos semanais como domingo e quarta-feira, são mais felizes. Este fato tenho comprovado em meu ministério. O mais interessante é que estes irmãos são os que menos procuram o Pastor para tratarem de problemas.

A razão é muito óbvia. Através dos cultos de oração, o membro eleva a Deus os seus anseios e permite que outros também o façam através das orações intercessórias e o resultado tem sido muito favorável para estes fiéis. A bíblia menciona que uma das formas de obter a cura, faz parte das orações intercessórias. ( Tiago 5:16 ). Lembrando sempre que “muita oração, muito poder”. Outro ponto em destaque é que ser apenas “sabatistas” não é o suficiente. Os mais consagrados chegam a conclusão que precisam ser adventistas 7 dias da semana e não apenas no sábado.

Talvez seja esta a razão, ou melhor, “a experiência” que alguns tem desfrutado durante anos de sua vida ao freqüentarem os cultos de oração.

Quero compartilhar um testemunho que servirá de motivação para aqueles que podem freqüentar os cultos de oração, mas o deixam de fazer por preguiça ou outra razão qualquer.

Eu conheci a Natália no ano de 2004 quando recentemente tinha sido batizada na Igreja Adventista em cima de uma cadeira de rodas. Essa querida irmã é impossibilitada de andar devido a paralisia que tem desde jovem. Para muitos o estar em uma cadeira de rodas numa situação em que a pessoa praticamente só fala e mal meche as mãos, serviria de desculpas para não frequentar mais a igreja. Infelizmente para alguns uma simples garoazinha já é motivo suficiente.

Mas a Natália é diferente. Ela mora na campanha, que pertence bairro de Palmas na cidade de Bagé-RS.

Por se tratar de campanha, as pessoas moram longe uma das outras levando o nosso querido irmão Manuel, usar a sua caminhonete para buscar os irmãos dessa igreja.

Depois de 1 hora de viagem numa estrada cheia de pedras e muito pó, a Natália já está esperando para subir na caminhonete em sua cadeira de rodas para ir aos cultos.

Recordo-me que no ano de 2005, era uma tarde chuvosa. Eu pensei que a irmã Natália não iria ao culto naquele dia. De repente eu enxergo a caminhote e vejo alguém sentado e enrolado com plásticos pretos e panos. Quem seria? A irmã Natália. Devido as suas debilidades de saúde ela não poderia pegar aquela chuva. Mas o desejo de estar entre os amigos e buscando a presença de Deus sempre arde em seu coração.

Um dia perguntei por que era tão feliz mesmo diante de seus problemas. Ela me respondeu que a felicidade dela é estar onde Deus se faz presente. Que exemplo!

Para o ano de 2007, o grupo escolheu essa irmã para ser conselheira das mulheres. (Sábia escolha)

Desejo compartilhar uma foto que tirei em um dos batismos que realizei recentemente nesse local. Como a igreja não tem tanque batismal, foi preciso o deslocamento para o rio mais próximo. Quem estava lá? A nossa querida irmã Natália.

Ela não perde uma! Sempre marca a sua presença mesmo que tenha que se submeter a situações constrangedoras. Nesse dia ela sentou em uma cadeira de praia e foi amarrada a cordas e um troco que serviu de apoio aos ombros de seus amigos que a carregaram mata a dentro, pois queria muito assistir o batismo de seus amigos na fé. Veja a foto abaixo:



A irmã Natália contribui muito para que através de seu testemunho, seu irmão de sangue, Galdêncio fosse batizando nesse ano. Veja a foto do nosso atual diácono chefe:


Atualmente sua irmã e uma sobrinha também se preparam para para o batismo.

Esse testemunho deveria nos levar a seguinte reflexão: Temos nos esforçado para estar aonde Deus está presente? Existe alguma desculpa que impeça a nossa freqüência aos cultos? Temos sido negligentes a Deus com o nosso tempo?

Que esse testemunho possa motivá-lo a dedicar mais do seu tempo ao Senhor!
Amém.
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

COMO PRENDER A ATENÇÃO

STEPHEN GRUNLAN
D.Min., pastor da igreja Comunidade de Balboa, San Diego, Califórnia, Estados Unidos

"O melhor orador é aquele que pode transformar um ouvido em olho" -Provérbio árabe

Em uma classe introdutória de psicologia de uma grande Universidade, o professor fez soar uma campainha durante sua palestra. Em seguida, os estudantes receberam a ordem para escrever sobre o que eles estavam pensando no momento em que ouviram o som. Vinte por cento disseram estar alimentando pensamentos eróticos, outros 20% pensavam na família ou em problemas de trabalho e 12% prestavam atenção à aula. O restante estava pensando em tolices variadas.

Será que, como pastores, nos atrevemos a pensar que os membros de nossas igrejas seriam diferentes? Tudo isso nos leva a uma questão simples: Como podemos captar a atenção dos nossos ouvintes?

Durante anos, eu tenho ocupado parte do meu tempo ensinando em universidades cristãs e seculares. Atualmente, ensino sociologia em uma j faculdade local. Como parte do contrato, devo assistir a determinado número de horas de seminários de treinamento. Em um desses seminários, um professor de comunicação partilhou algumas estratégias sobre "Como conseguir que os estudantes ouçam". Enquanto eu ouvia a palestra, ilustrada com pesquisas e exemplos que reforçavam seus pontos de vista, compreendi que tudo o que ele dizia aplicava-se a nós, pastores, na tarefa de conseguir a atenção dos ouvintes em nossas igrejas. Aqui enumero os principais pontos:

Dê uma razão para ser ouvido

Necessitamos dar aos nossos ouvintes uma razão para que nos ouçam. Quanto mais imediata for a razão, maior será a sua atenção. Infelizmente, como pastores, freqüentemente assumimos que as pessoas vão nos ouvir porque estamos pregando a Palavra de Deus. A realidade é que a maioria das pessoas vão à igreja com pouca ou nenhuma motivação para ouvir.

Como podemos dar razões para ser ouvidos? Partilhando com os ouvintes os benefícios que eles terão. Por exemplo, se nós pregamos sobre Filipenses 5:21-33, podemos dizer-lhes: "Vocês sabem que esta passagem contém quatro princípios de ação que podem mudar seu casamento ?" Isso despertará sua atenção.

Diga O que vão ouvir

No exemplo dado, os ouvintes não apenas têm uma razão para ouvir, mas também tomam conhecimento do que vão ouvir: os quatro princípios de ação. As pessoas nos ouvirão mais cuidadosamente se lhes informarmos o que iremos falar.

Pesquisas mostram que quando as pessoas sabem o que vão ouvir, a atenção cresce 40%. E por isso que eu costumo incluir notas do sermão no boletim da igreja. O rascunho inclui alguns pontos relevantes da mensagem.

Use ilustrações

Jesus usou muitas ilustrações e isso agradava o povo. Numa das minhas primeiras igrejas, eu ilustrei um dos meus sermões com uma história sobre um navio e um farol. Durante os dez anos em que eu estive ali alguns irmãos ainda se lembravam daquela ilustração. Quando as pessoas me procuram no escritório, para conseguir a cópia de um sermão, elas não o identificam pelo título ou tema, mas por alguma história contada durante a mensagem.

Uma das razões pelas quais as história são tão efetivas é que elas são tanto visuais como verbais. Nossos ouvintes começam a fazer quadros na mente. Por isso, necessitamos de palavras e ações descritivas em nossas histórias, para ajudar os ouvintes a pintar o quadro mental.

Use palavras significativas
Como pastores, exageramos na linguagem teológica e nos polissílabos. Mas a maioria dos nossos ouvintes, mesmo os mais eruditos, usam os dissílabos de todo dia. Para comunicar com eles, necessitamos falar sua linguagem. Não é a palavra que é importante, mas o seu significado é que deve ser transmitido.

Também necessitamos usar expressões locais e coloquialismos familiares aos ouvintes. Gosto muito de esportes e costumo usar ilustrações relacionadas com eles em meus sermões. Mas certo dia uma irmã me advertiu no sentido de que metade da congregação era composta de mulheres; e a maioria delas não se interessava por esportes. De modo que as ilustrações não faziam muito sentido para esse grupo. Passei a usar poucas ilustrações esportivas, e, quando o faço, refiro-me a eventos esportivos mundiais conhecidos como as Olimpíadas.

Crie intimidade

Adote um comportamento de intimidade verbal e não verbal com seus ouvintes. Com isso quero sugerir um sentimento amistoso de aproximação e calor humano.

Uma atitude de aproximação verbal inclui linguagem informal, bem-humorada (sem ser irreverente), referência ao nome das pessoas, ilustrações pessoais. Quando usamos uma ilustração pessoal, permitimos que os ouvintes se identifiquem conosco. Outro exemplo de intimidade verbal é o uso da primeira pessoa do plural ao invés da segunda ou terceira pessoas. Por exemplo, é melhor dizer: "nós necessitamos tomar tempo para Deus cada dia”, do que “vocês precisam tomar tempo para Deus cada dia". No primeiro caso, nós falamos com o povo (incluindo-nos). No segundo, falamos ao povo.

Intimidade não verbal envolve contato visual. Conheço congregações onde o pastor olha acima da cabeça do povo. Alguns pregadores não tiram os olhos do esboço, e ficam sem olhar o povo. O contato visual nos liga aos ouvintes. Embora não seja preciso decorar o sermão, devemos estar tão familiarizados com ele que necessitemos olhar apenas ocasionalmente as anotações. A maior parte do tempo devemos manter contato visual com o povo.

Uma postura rígida e formal distância. Portanto, relaxe. Não costumo ficar preso atrás do púlpito. Apenas deixo ali a Bíblia e o esboço, e uso um microfone de lapela. Assim, fico livre para movimentar-me na plataforma. Às vezes, quando quero fazer um apelo mais pessoal aos ouvintes, chego a caminhar pela nave.

O tom de voz também influencia. Os pastores tendem a levantar a voz quando querem enfatizar algum ponto. Entretanto, isso também afasta o povo. Uma aproximação mais efetiva é feita com um tom de voz mais baixo, temo, como que ao pé do ouvido.

Ensine a fazer anotações

Precisamos acostumar o povo a fazer anotações. As pessoas que anotam o que ouvem prestam mais atenção e retêm o que foi dito.

Em minha congregação, pelo menos 70% das pessoas anotam o que eu falo no sermão. Além das referências no boletim, também distribuo um esboço com espaço para as anotações. Qualquer coisa que for feita nesse sentido ajudará as pessoas a se tornarem melhores ouvintes. Quando elas escrevem o que ouvem, de certa forma vêem e ouvem o que está sendo falado. Retemos mais aquilo que vemos e ouvimos do que aquilo que apenas ouvimos.

Organize os assentos

Pesquisas revelam que as pessoas ouvem melhor, retêm melhor, e são mais facilmente persuadidas quando estão num cenário compacto. Quando estabelecemos dois serviços de cultos, percebi que não poderíamos encher o santuário nos dois serviços. Para que não houvesse lugares vazios, fechamos o acesso aos bancos das laterais e demarcamos os bancos do centro para o povo, num arranjo compacto. Se o templo é grande demais para os adoradores, você precisa fazer algo para que eles ocupem os assentos da frente e do centro.

Parece que certas pessoas têm assentos favoritos no templo. Algumas preferem sentar-se mais afastadas, outras mais atrás, ou nas laterais. Na medida do possível, sem ferir sensibilidades, devemos fazer algo para alcançar um arranjo de assentos que favoreça a captação da atenção dos ouvintes.

A Palavra de Deus tem poder para mudar vidas, e é nossa responsabilidade ajudar o povo a ouvir mais efetivamente a apresentação dessa Palavra. Nosso objetivo deve ser a transformação da vida dos ouvintes. Acredito que as técnicas aqui sugeridas podem nos ajudar a cumprir as palavras do Senhor: "Quem tem ouvidos, ouça."

“Na Igreja, há três tipos de pregadores: aqueles a quem não podemos ouvir, os que podemos ouvir se envidarmos o máximo esforço, e aqueles a quem não podemos deixar de ouvir. "

Revista O Ministério / Julho - Agosto. 2001
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