segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Licões da Natureza


A escrivaninha de um Pastor é usada freqüentemente no preparo de sermões. As vezes, 30 horas são destinadas para um sermão bem pesquisado.

Todos aqueles que gostam de preparar boas mensagens, mesmo pastores, anciãos ou todos os que exortam na congregação não se esqueçam que os escritos de Ellen White são verdadeiras fonte de sermões. Enriquece nossas mensagens e seu conteúdo proporciona idéias para o preparo de bons sermões, diminuindo assim o tempo em seu preparo.

Em outras palavras, lucramos duas vezes ao estudar os seus escritos.

Neste sermão, as idéias são extraídas do livro educação. Nada do que consta são idéias minhas. Eu só tive o trabalho de dividir um capítulo do livro Educação em tópicos, não acrescentando exatamente nada. Percebi que em pouco tempo eu tinha um sermão com uma mensagem profunda e que alcançaria a compreensão de todos. Senti que as palavras de Ellen White foram profundas e tocaram o meu coração e não tive o desejo de acrescentar em nada a esta mensagem inspirada.

Não coloquei referências para não tornar a leitura cansativa. Mas todo o conteúdo podem ser encontrado nas páginas 99 a 112 do Livro Educação.

Ellen White em sua simplicidade, nos ensina através da natureza, lições que nos ligará ao Pai. Que Deus o abençoe neste estudo sagrado.

INTRODUÇÃO


Em todas as coisas criadas vêem-se os sinais da Divindade. A natureza testifica de Deus. A mente sensível, levada em contato com o milagre e mistério do Universo, não poderá deixar de reconhecer a operação do poder infinito.


Nossos filhos necessitam aprender essas lições. Para a criancinha, ainda incapaz de aprender pela página impressa, ou tomar parte nos trabalhos de uma sala de aulas, a natureza apresenta uma fonte infalível de instrução e deleite.


E para os mais velhos, que necessitam continuamente desta silenciosa lembrança das coisas espirituais e eternas, as lições tiradas da natureza não serão uma fonte inferior de prazer e instrução. Como os moradores do Éden aprendiam nas páginas da natureza, como Moisés discernia os traços da escrita de Deus nas planícies e montanhas da Arábia, e o menino Jesus nas colinas de Nazaré, assim poderão os filhos de hoje aprender acerca dEle. O invisível acha-se ilustrado pelo visível.


Dentre as lições quase inumeráveis ensinadas pelos vários processos do crescimento, algumas das mais preciosas são apresentadas na parábola do Salvador, sobre a semente. Contém lições para adultos e jovens.


O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica; primeiro, a erva, depois, a espiga, por último, o grão cheio na espiga.Mar. 4:26-28.


SOMENTE DEUS TEM PODER PARA GERMINAR



A semente tem em si mesma um princípio germinativo, princípio este que o próprio Deus implantou; entretanto, abandonada a si mesma, ela não teria poder para germinar. O homem tem sua parte a desempenhar no produzir o crescimento da semente; mas há um ponto além do qual ele nada pode fazer. Deve confiar em Alguém que uniu a sementeira e a ceifa por laços maravilhosos de Seu poder onipotente.


Há vida na semente, há poder no solo; mas, a menos que o poder infinito se exerça dia e noite, a semente nada nos devolverá.


A vida que o Criador implantou, somente Ele a pode despertar. Cada semente brota, cada planta se desenvolve pelo poder de Deus.




LIÇÕES ESPIRITUAIS DA SEMENTE


1) A semente é a Palavra de Deus.


Luc. 8:11 (a semente é a palavra de Deus)

Como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor. Isa. 61:11.


Semelhantemente às coisas naturais, dá-se com a semeadura das coisas espirituais; provém de Deus o poder que, só, é capaz de produzir a vida.


2) Trabalho de fé é o do semeador.


O mistério da germinação e crescimento da semente ele não pode compreender; mas tem confiança nos poderes pelos quais Deus faz com que a vegetação floresça. Lança a semente, esperando recuperá-la multiplicadamente em uma abundante colheita.


Assim devem os pais e professores trabalhar, na expectativa de uma ceifa da semente que semeiam.


Durante algum tempo a boa semente pode permanecer sem ser notada no coração, não oferecendo evidência alguma de que haja criado raízes; mas depois, sendo o pecador encorajado pelo Espírito de Deus, a semente oculta brota, e finalmente produz fruto.


No trabalho de nossa vida não sabemos o que prosperará, se isto ou aquilo. Não nos toca a nós decidir essa questão.


Pela manhã, semeia a tua semente e, à tarde, não retires a tua mão. Ecl. 11:6.


O grande concerto de Deus declara que:


...enquanto a terra durar, sementeira e sega, ... não cessarão. Gên. 8:22.


Na confiança dessa promessa o agricultor lavra e semeia. Não menos confiantemente devemos nós, na semeadura espiritual, trabalhar esperando em Sua afirmação:


Assim será a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei. Isa. 55:11.

Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.Sal. 126:6.


3) A germinação da semente representa o começo da vida espiritual


4) O desenvolvimento da planta é uma figura do desenvolvimento do caráter.


Não pode haver vida sem crescimento. A planta ou deve crescer ou morrer. Assim como o seu crescimento é silencioso e imperceptível, mas contínuo, assim é o crescimento do caráter. Nossa vida pode ser perfeita em cada estágio de seu desenvolvimento; contudo, se o propósito de Deus para conosco se cumpre, haverá constante progresso.


A planta cresce, recebendo aquilo que Deus proveu para o sustento de sua vida. Da mesma forma o crescimento espiritual é alcançado pela cooperação do poder divino.


5) Assim como a planta cria raízes no solo, devemos nós criar raízes em Cristo. Assim como a planta recebe a luz solar, o orvalho e a chuva, devemos nós receber o Espírito Santo.


Se nosso coração permanecer em Cristo, Ele virá para nós:


...como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Oséias. 6:3.

Como o Sol da Justiça, Ele surgirá sobre nós com salvação debaixo das Suas asas. Mal. 4:2.

Cresceremos como o lírio. Seremos vivificados como o trigo, e cresceremos como a vide. Osé. 14:5 e 7.


6) Esperamos o grão / cristo espera colheita


O trigo desenvolve-se, primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. Mar. 4:28.


O objetivo do lavrador ao semear a semente e cultivar a planta, é a produção do grão - pão para o faminto e semente para as futuras ceifas.


Semelhantemente o objetivo do lavrador ao semear a semente e cultivar a planta, é a produção do grão.


Ele procura reproduzir-Se no coração e vida de Seus seguidores, para que por meio destes possa reproduzir-Se em outros corações e vidas.


7) O desenvolvimento gradual das plantas desde a semente, é uma lição objetiva na educação das crianças.


Há primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. Mar. 4:28.


Aquele que deu esta parábola criou a minúscula semente, deu-lhe propriedades vitais e determinou as leis que governam seu desenvolvimento. E as verdades ensinadas pela parábola foram uma realidade em Sua própria vida. Ele, a Majestade dos Céus, o Rei da glória, tornou-Se um recém-nascido em Belém, e por algum tempo representou a indefesa criancinha sob os cuidados da mãe. Na infância falou e agiu como criança, honrando Seus pais, satisfazendo-lhes os desejos de modo a ajudá-los. Desde o raiar de Sua inteligência, porém, esteve Ele constantemente a crescer em graça e conhecimento da verdade.


Pais e professores devem ter por fim cultivar as tendências da juventude, de tal maneira que em cada estágio da vida possa representar a beleza apropriada àquele período, a desdobrar-se naturalmente, como fazem as plantas no jardim.


Os pequeninos devem ser educados com uma simplicidade infantil. Devem ser ensinados a estar contentes com os pequenos e úteis deveres e com os prazeres e experiências próprias de sua idade. As crianças correspondem à erva da parábola, e a erva tem uma beleza toda peculiar.


As crianças não devem ser forçadas a uma maturidade precoce, mas tanto quanto possível devem reter viço e graça de seus tenros anos.


Quanto mais calma e simples a vida da criança, isto é, mais livre de estímulos artificiais e mais de acordo com a natureza, mais favorável é para o vigor físico e mental e para a força espiritual.


8) Você colhe o que faz


Em virtude das leis de Deus na natureza, os efeitos seguem as causas com certeza invariável. A colheita testifica da semeadura. Nisto não se admitem simulações.


Os homens podem enganar seus semelhantes, e receber louvor e recompensa pelos serviços que não prestaram. Mas quanto à natureza não poderá haver engano. Contra o lavrador infiel a ceifa profere sentença condenatória.


E no mais alto sentido isto é verdade também no mundo espiritual. É na aparência e não na realidade que o mal é bem-sucedido.


EXEMPLO:


O menino vadio que foge da escola, o jovem preguiçoso em seus estudos, o balconista ou aprendiz que deixa de servir aos interesses de seu patrão, o homem que em qualquer negócio ou profissão é infiel para com as suas mais altas responsabilidades, pode lisonjear-se de que esteja a adquirir vantagens enquanto o mal estiver oculto. De fato, nada ganha com isto, antes se está defraudando a si próprio.


9) A ceifa da vida é o caráter


A ceifa da vida é o caráter, e é este que determina o destino tanto para esta como para a vida futura.


A ceifa é uma reprodução das sementes semeadas.


Cada semente produz fruto segundo a sua espécie. Gên. 1:11.


EXEMPLO:


Assim é com os traços de caráter que acariciamos. Egoísmo, amor-próprio, presunção, condescendência própria, reproduzem-se, e o fim é miséria e ruína.


O que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. Gál. 6:8.


Amor, simpatia, bondade, produzem frutos de bênçãos, colheita esta que é imperecível.


10) Na colheita, a semente é multiplicada.


Na colheita, a semente é multiplicada. Um simples grão de trigo, multiplicado por semeaduras repetidas, cobriria um país inteiro com molhos dourados.


Tão dilatada poderá ser a influência de uma simples vida, ou mesmo de um simples ato.


Quantas ações de amor, através dos longos séculos, têm resultado da memória daquele vaso de alabastro quebrado para a unção de Cristo!


Quão inumeráveis dádivas têm trazido para a causa do Salvador aquela contribuição feita por uma pobre viúva desconhecida, contribuição de "duas pequenas moedas, que valiam cinco réis"! Mar. 12:42.


11) Liberalidade


A lição da semeadura ensina a liberalidade.


O que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. II Cor. 9:6.


Diz o Senhor:


Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas. Isa. 32:20.


Semear sobre todas as águas significa dar onde quer que nosso auxílio seja necessário. Isto não levará à pobreza.


"O que semeia em abundância em abundância também ceifará?.II Cor. 9:6.


O semeador multiplica suas sementes, lançando-as. Assim, aumentamos nossas bênçãos, comunicando-as.


A promessa de Deus garante a necessária suficiência para que possamos continuar a dar.


Mais do que isto: quando comunicamos as bênçãos desta vida, a gratidão dos que as recebem prepara-lhes o coração para receberem verdades espirituais, e produz-se uma ceifa para a vida eterna.


12) Vida pela morte / morte para a vida


Pelo lançamento da semente ao solo, o Salvador representa Seu sacrifício por nós.


Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, disse Ele, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. João 12:24.


Unicamente pelo sacrifício de Cristo - a Semente - poderia produzir-se fruto para o reino de Deus. De acordo com a lei do reino vegetal, a vida é o resultado de Sua morte.


Assim é com todos os que produzem frutos como coobreiros de Cristo: o amor e interesse próprios devem perecer, a vida deve ser lançada nos sulcos da necessidade do mundo.


13) A lei do sacrifício próprio é a lei da preservação de si mesmo.


O lavrador conserva o seu grão lançando-o fora, por assim dizer. Semelhantemente, a vida que se dá livremente ao serviço de Deus e do homem, é a que será preservada.


A semente morre para expandir-se em nova vida. Nisto se nos ensina a lição de ressurreição.


De corpo humano deposto na sepultura para se desfazer, diz Deus:


Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. I Cor. 15:42 e 43.


Procurando os pais e professores ensinar estas lições, este trabalho deve tornar-se prático. Que as próprias crianças preparem o terreno e semeiem a semente. Enquanto trabalham, o pai ou o professor pode explicar o jardim do coração, com a boa ou má semente ali semeada, e mostrar que, como o jardim deve ser preparado para a semente natural, assim deve o coração ser preparado para a semente da verdade. Ao ser a semente lançada no solo, poderão ensinar a lição da morte de Cristo; e ao surgir a erva, a verdade da ressurreição. Crescendo a planta, continuar-se-á a fazer a correspondência entre a semeadura natural e a espiritual.


14) Deve haver diligência


De maneira semelhante devem ser instruídos os jovens. Do cultivo do solo, podem-se aprender constantemente lições. Ninguém se estabelece em um trecho de terra inculta com a expectativa de que de pronto ela forneça uma colheita. Deve-se empregar no preparo do solo um trabalho diligente, perseverante, bem como na semeadura e cultura da plantação. Semelhantemente deverá ser na semeadura espiritual. O jardim do coração deve ser cultivado. O terreno deve ser lavrado pelo arrependimento. As plantas daninhas que abafam o bom grão, devem ser desarraigadas. Assim como o solo de que se apoderaram os espinhos só se pode readquirir mediante trabalho diligente, assim as más tendências do coração só se podem vencer por um esforço decidido em nome e no poder de Cristo.


No cultivo do solo o obreiro ponderado descobrirá que se apresentam diante dele tesouros de que pouco suspeitava.


15) Respeitar as leis de plantio


Ninguém poderá ser bem-sucedido na agricultura ou na jardinagem, sem a devida atenção às leis envolvidas nestes trabalhos. Devem ser estudadas as necessidades especiais de cada variedade de planta. Variedades diferentes requerem solo e cultura diferentes; e conformidade com as leis que regem cada uma dessas variedades é a condição para o êxito.


CONCLUSÃO


A atenção exigida na transplantação, para que nem mesmo uma raiz fique comprimida ou mal colocada; o cuidado das plantinhas, a poda e a rega, o abrigo da geada à noite, e do sol ao dia; a remoção das plantas daninhas, das doenças, e pragas de insetos; a disposição geral - todo esse trabalho não somente ensina lições importantes relativas ao desenvolvimento do caráter, mas é em si mesmo um meio para aquele desenvolvimento. O cultivo da cautela, paciência, atenção aos detalhes, obediência às leis, transmite um ensino muitíssimo essencial. O contato constante com o mistério da vida e o encanto da natureza, bem como a ternura suscitada com o servir a estas belas coisas da criação de Deus, propendem a despertar o espírito, purificar e elevar o caráter; e as lições ensinadas preparam o obreiro para tratar com mais êxito com outras mentes.


REFERÊNCIAS:


ELLEN WHITE, EDUCAÇÃO / PÁGINAS PARCIAIS - 99 A 112

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